Pov Hotchner
Prentiss havia encontrado Will.
Eu a chamava pelo rádio e ela não dizia uma palavra. Meu coração acelerou. Mas eu tínhamos que prender o grande violão dessa história.
Morgan e ele estavam em luta corporal, quando os vi, Morgan estava em desvantagem, então, atirei sem pensar.
Morgan estava tossindo, tentando recuperar seu fôlego "está bem filho?" Questionei preocupado, afastando sua camisa do pescoço para verificar se não havia sido ferido.
"Pai eu estou bem" Ele disse empurrando minhas mãos com força. Ele apenas não queria perder tempo. Queria encontrar Will, assim como eu.
Finalmente encontramos Prentiss e Will. Ambos estavam molhados de suor e puxando o ar com força, como se quisessem recuperar suas emoções. Eles haviam passado por um inferno.
"Filho?!" Eu disse me lançado ao chão ao lado dele, ele ainda estava amarrado aos dois explosivos. Eu o abracei com força e ele enterrou sua cabeça em meu pescoço e chorou copiosamente.
"Senhor?!" Um agente disse, nos interrompendo. Ele estava cheio de equipamentos para soltá-lo.
Enquanto Will era desamarrado ele questionou desesperado "Pai e as crianças?!".
"Eles estão seguros! Dave e JJ estão com eles. Não há nada a se preocupar!" Ele respirou aliviado.
Will e Morgan conversavam muito, estávamos caminhando em direção ao meu carro, ouvi Morgan dando uma bronca e outra nele, não pude deixar de sorrir internamente. Chegamos no hospital em poucos minutos e Carlisle já estava nos aguardando no saguão. Ele rapidamente levou nosso menino para sala de emergência.
Liguei para o presidente do FBI (chefe direto de minha esposa). Ele havia dado o cargo de Coordenadora Geral para ela.
"Christopher cadê minha esposa?!" Eu o questionei severamente. Estava cansado demais para cerimonias.
"Está a caminho do hospital!" Ele disse rapidamente.
"O que vocês fizeram com ela?" Questionei rígido demais.
"Ela está bem Hotch, parece que você não sabe quem é Lucy. Ela detonou uma delegacia só para ter a oportunidade de ir até vocês." Ele disse com um sorriso na voz. Mas eu não entendi nada.
JJ, Dave e as crianças chegaram. Minha filha me abraçou apertado. Peguei meus meninos (Henry e Jack) no colo de uma vez só. Finalmente minha família estava segura de novo.
Pov William
Eu não posso ser julgado por querer proteger aquelas pessoas inocentes. Pensei que eu morreria ali mesmo, com a bomba em meu peito.
Quando meu pai me encontrou a única coisa que ele fez foi me trazer conforto. Ele sabia que eu precisava daquilo. Não houve bronca ou olhares de reprovação. Apenas Conforto. Ele me levou para o hospital.
Meu tio já sabia tudo o que havia acontecido. Ele respirou fundo e começou me olhar com cautela. Ele pediu privacidade ao meu pai e irmão e quando estávamos apenas eu ele e uma das enfermeiras ele solicitou:
"Tire suas roupas" com uma voz muito firme, que me fez ter calafrios.
Com ajuda dele e uma dor insuportável, tirei a jaqueta que estava vestindo. Depois a camiseta. Ele olhou com cautela o curativo que um socorrista fez.
"Foi feito um bom trabalho aqui" ele disse com cautela. Ele segurou em meu queixo e virou meu rosto pro lado direito e depois para o lado esquerdo.
"Okay" Ele disse dando um passo pra trás. Eu fiquei parado apenas o observando.
"Tire as calças!" Ele disse rispidamente
"Mas tio?!" Respondi em derrota.
"Agora!" Ele gritou me fazendo tremer. Com dificuldade, abri meu cinto e depois o botão da minha calça. Eu só estava utilizando uma das mãos. Isso iria demorar, então, mais uma vez, meu tio me ajudou, aproveitou e tirou meu calçado e minhas meias.
"A cueca também!" Ele disse apontando com o dedo indicador.
"Não!" Eu disse ignorando seu comando.
Então ele se aproximou, olhou no fundo dos meus olhos e sussurrou para que apenas eu pudesse ouvir "não está aberto para discussão. Suas escolhas o trouxeram aqui. Agora, aceite as consequências!"
Tremi em cada uma de suas palavras. Mas, ele estava certo. Coloquei a mão na aba da cueca mostrando que minha escolha era obedecê-lo e ele me ajudou mais uma vez.
"Filho, a enfermeira lhe ajudará tomar um banho e.."
"Eu não preciso de ajuda!" Eu o interrompi enquanto ele falava.
Mas ele me olhou de uma forma que eu congelei. Então, ela me pegou pela mão e me levou até o banheiro. Com uma esponja ela me lavou de cima a baixo. Certeza que eu corei. Estava morto de vergonha.
Ela pegou a toalha e começou me enxugar. "Não é necessário!" Eu disse sem graça, enquanto enrolava uma toalha em volta da minha cintura.
"Você está tentando controlar alguma coisa aqui William?" Meu tio disse vindo atrás de mim, visivelmente irritado.
"Não tio! Eu apenas disse que posso me secar sozinho!" Eu disse com firmeza.
Então ele me agarrou pela orelha "aiiii" eu disse enquanto tentava segurar sua mão, mas ele se manteve firme. Me arrastou para perto de uma poltrona e sem pensar muito ele me ajustou em seu colo para que meu braço/ombro não ficasse desconfortável.
"Tio o que está fazendo?" Eu questionei tentando me livrar.
Meu tio puxou a toalha a minha cintura expondo meu bumbum.
Instintivamente olhei para enfermeira. Ela era mais velha, provavelmente tinha uns 45 anos ou algo assim. Ela sorriu olhando para meu bumbum branquinho pronto para ser castigado.
Meu tio começou sem pensar.
SMACK, SMACK "Desculpe-me!" * SMACK, SMACK * "Ai!" * SMACK, SMACK * "Não p-por favor, por favor, tio" * SMACK, SMACK * "Tenho sua.." * SMACK, SMACK, SMACK, SMACK * "..atenção, agora?" * SMACK, SMACK * Owwwwww ...
* SMACK, SMACK, SMACK, SMACK * "Não" * SMACK "ouvi" SMACK "sua" SMACK "resposta" SMACK "simmmm"
Eu não era louco de dizer uma palavra contrária. A enfermeira trocou meu curativo e me entregou um daqueles vestidos abertos nas costas.
"Qual é?! Não tem uma calça por aqui?" Eu sussurrei para que apenas ela ouvisse.
"Tem. Mas o vestido deixará seu bumbum de fora. Ele tá tão bonito vermelho que eu não tenho coragem de cobri-lo" Ela disse Com um sorriso no rosto. Eu encolhi.
Meu tio deu algumas instruções e se retirou junto com a enfermeira.
"Tudo bem filho?!" Meu pai questionou quando retornou com meu irmão.
Eu apenas confirmei com a cabeça, mas instintivamente caiu uma lágrima em meu rosto. Sequei rapidamente e apenas meu pai notou.
"Está de vestido irmão?!" Morgan disse procurando alguma graça.
Eu apenas revirei os olhos. Papai sorriu.
"Carlisle foi difícil, não foi?!" Ele questionou me olhando, eu apenas confirmei com a cabeça.
"Will?!" JJ entrou correndo no quarto. Nos beijamos e abraçamos.
"Mas você está bem?" Ela questionou.
"tio disse que preciso fazer um raio x, mas ele disse que aparentemente estou bem. O socorrista fez um bom trabalho." Eu disse a ela.
Ficamos conversando por uns 20 minutos. Até que minha mãe invadiu o quarto. Ela estava visivelmente destruída. Sua aparecia estava péssima. Papai deu um beijo rápido e ela se aproximou de mim. JJ saiu para nos dar privacidade.
"Filho?!" Ela disse se aproximando beijando meu rosto de cima a baixo.
"Aiii mãe!" Eu disse com um sorriso. Era o maior ataque de beijos que ela já havia me dado. Ela finalmente parou e me abraçou apertado. Eu só conseguia sentir sua respiração, ela não disse uma palavra. Já estávamos ali por uns 10 minutos. "Querida?!" Papai se aproximou preocupado.
"Estou bem Hotch!" Ela murmurou se afastando levemente. Então, papai me abraçou e me arrancou da maca me girando pelo ar. Mamãe começou a dar risada. Mas antes de ele me colocar de volta ela se aproximou questionando
"O que é isso?" Mas eu me livrei do aperto do meu pai e fui me afastando de costas com a mão no vestido tampando meu bumbum. Mas ela e o papai me cercaram e cada um puxou um lado do vestido que me cobria, expondo meu bumbum vermelho.
"O que aconteceu aqui?!" Ela disse olhando ao meu pai.
"Eu não fiz nada!" Ele disse a ela tentando se justificar. Era óbvio que eles queriam lidar com minha desobediência/ imprudência juntos.
"Foi eu!" Meu Tio disse entrando no quarto com a enfermeira.
"Willian fez escolhas muito erradas hoje, suas escolhas poderiam ter tido um destino diferente desse que você vê! Eu apenas lhe solicitei coisas normais, mas ele queria fazer ao modo dele. Seu filho precisa entender que ele tem que seguir regras! Além disso, por sorte, Seu braço é a única coisa machucada em seu corpo." Carlisle disse trazendo minha mãe de volta à realidade. Ela e papai se olharam e ali eu descobri que meu destino estava feito. Eles iriam me matar.
Os três deram uma risada sarcástica um pouco longa.
"Will vamos fazer o raio X, se tudo estiver ok, você será liberado"
"Haverá algum medicamento?" Meu pai questionou.
"Sim! Mas eu quero aplicar pessoalmente. Duas vezes ao dia" Carlisle disse me fazendo encolher.
"Aplicar?!" eu perguntei rapidamente.
"São injeções! Elas irão te ajudar a sarar mais rápido!" Gemi em derrota.
"Não tem outra forma?" Questionei tentando mudar a mente do meu tio.
"Tem sim, medicamento oral" Ele disse e eu respirei aliviado.
"Mas não há nada que você possa fazer para que eu mude sua medicação" Ele disse e me fez encolher. Papai e mamãe sorriram. Provavelmente isso foi escolha deles. Para me fazer pensar melhor nas consequências dos meus atos.
"De preferência com uma agulha acima da média" Minha mãe disse irritada.
Não sei por quanto tempo conversaram ou o que disseram, mas sei que em pouco tempo meu tio me deu alta. Minha família estava toda reunida do lado de fora. Não preciso dizer que fomos todos para casa não é?!
Dave estava preparado um jantar em nossa casa.
"Ele sabe preparar uma festa" meu avô Mac disse revirando os olhos.
"Essa é uma pequena reunião, para uma família bem grande!" Dave disse entre os risos.
Sua auxiliar começou distribuir taças pela casa. Morgan ia colocando na boca quando Dave o impediu. Papai deu risada.
"Tortellini de Bolonha" Dave disse colocando sobre a mesa e nos convidando para o jantar.
"Estamos reunidos porque devemos comemorar a vida" Ele disse levantando a taça na minha direção. "mas acima de tudo, devemos comemorar o amor que temos uns pelos outros, que Isso permaneça para sempre!" Dave disse fazendo todos se emocionarem e brindar.
"Agora pode beber Morgan!" Dave disse fazendo todos darem risada.
"Will?!" Reid se aproximou de mim.
"Oi Spence" Respondi dando um murro leve em seu peito.
"Eu queria dizer que estou muito feliz por estar bem e..." ele pausou para respirar profundamente. Ele é mais sensível. Coisa rara de se ver.
"Calma irmão.. eu estou aqui!" Eu disse puxando ele pelo pescoço "te amo!" Ele sussurrou em meu peito
"Eu também te amo!" Eu disse dando um beijo no topo da sua cabeça.
"Eu já disse o quanto amo vocês?!" JJ disse se unindo a nós.
Pouco tempo depois vi que Jack estava colado na nossa mãe. "Ei irmãozinho" eu disse pra ele me aproximando dos dois.
"Oi" Ele disse chateado.
"O que você tem?" Perguntei preocupado.
"Mamãe disse que já é hora de ir pra cama. Mas eu não quero dormir!" Ele disse cruzando os braços e eu fiz uma careta, ele deu risada.
"Willl?!" Ele disse esticando os braços para mim
"Will está machucado filho" Mamãe disse a ele e ele ficou mais triste ainda.
"Mãe, pode deixar, eu consigo!" Eu disse pegando ele apenas com o braço direito.
Ele encaixou a cabeça no meu pescoço e logo estava dormindo. Me sentei no sofá com um pouco de dificuldade e pude analisar cada familiar meu e eu apenas agradecia internamente. JJ me deu mais do que eu sonhava. Papai se sentou ao meu lado "o que está pensando filho?"
"É tão complicado!" Eu disse pra ele e ele sorriu.
"Obrigado!" sussurrei com vergonha.
"Obrigado pelo que?" Ele questionou olhando em meus olhos.
"Por ser meu pai!" Respondi a ele.
"Nada me alegra mais!" Meu pai respondeu me dando um beijo na face.
"Precisamos colocar Jack na cama!" Eu disse a ele.
Ele me ajudou a levantar e caminhamos em direção ao quarto. Henry já estava dormindo, eu e JJ fizemos questão de ficar com ele até ele adormecer.
Com um pouco de dificuldade coloquei Jack na cama.
"Dói muito?" Meu pai perguntou preocupado.
"Um pouco!" Eu disse tentando deixar mais fácil.
"Depois que Carlisle aplicar a medicação vai ser melhor." meu pai disse.
"E o sr sabe quando isso vai acontecer?" Questionei com cautela. Realmente estava doendo.
"Depois da nossa conversa!" Ele disse rígido demais.
"Então depois de uma surra daquelas, meu tio vai simplesmente.. eu tô muito fudido!" Eu disse tentando encontrar graça. Em outro momento ele me daria uma bronca para cuidar da minha língua, ou algo assim. Mas meu pai estava com um semblante muito triste:
"Quando eu o vi entrando naquele banco, pensei que nunca mais teria a oportunidade de te ver. Aquela foi uma das piores dores que já senti. Me senti impotente e.."
"Sinto muito" eu o interrompi
Eu o abracei com cuidado, ele estava com respirações profundas, controlando o choro que queria surgir.
