Hades é protegido por Nix
No Palácio da Noite, nos limites entre o reino do Tártaro e o mundo humano, Nix observava um menino franzino e pálido correndo pelos campos de papoula. Brincava
com os cães do submundo como se fossem filhotes. Ele parecia uma criança feliz.
-Vamos criança tem muito que aprender até que seja um rapaz forte e invencível.
- Senhora, não posso brincar mais um pouco. Estou cansado de estudar e treinar. Treinar e estudar. Estudar e treinar. Só faço isso dia e noite. Ou melhor o tempo
todo já que aqui sempre é noite! Estou exausto.
-Pequeno, você tem grandes coisas para realizar. Então, não. Não pode brincar o tempo todo. Chega de lamentações e vamos treinar.
- Sim, senhora. - Um menino cabisbaixo segue Nix pelo Palácio da Noite.
O menino seguia Nix pensativo até que resolve questionar sobre o que sempre o atormentava.
- Sempre me pergunto o porquê da Senhora cuidar de mim. A Senhora me ama? - perguntou um menino esperançoso.
- Não. Claro que não. - respondeu Nix debochada.
O pequeno deus arregala os olhos espantados com a reposta seca da deusa. A risada da deusa ecoa no salão.
- Não faça grande caso disso, pequeno. Desenvolvi sim sentimentos por você. Mas necessitarei de sua ajuda um dia, me acompanhe. - retruca Nix ainda mais irônica.
Hades caminha pelos corredores do Palácio da Noite. Era um lugar tranquilo. Nunca havia brilho do sol, mas uma lua crescente sempre brilhava no céu. Ele nunca
havia visto o brilho do sol, mas se encantava pelo brilho da lua. Não havia tempo ruim, mas também nunca havia tempo bom. Uma luz prateada cintilava sobre todas
as coisas e permitiam que pudessem enxergar e viver. Disseram que aquela não era a lua dos mortais, era uma lua criada pelo poder da deusa. Não estavam no plano
mortal, afinal. Estavam numa dimensão alocada no Tártaro. O mundo subterrâneo. Embora essa lua fosse muito bonita, o pequeno sonhava em um dia ver a lua
verdadeira e com um pouco de sorte, o sol.
-Pequeno, o que estás a pensar tanto? Vamos, apresse-se. Não tenho a eternidade para esperar! Bem, na verdade tenho. Mas não quero. - disse a deusa de forma
ainda mais irritante.
A deusa era tão estranha. Irônica, talvez fosse o termo. Já havia ouvido ao outro deus que a visitava repreendê-la assim. Ele não sabia o que significa direito. Mas
sabia que era como o deus chamava a deusa.
-Senhora, estou indo. - E apressou seus pequenos pés em direção ao grande corredor que a deusa tinha passado. Ele tinha que correr atrás dela ou ficaria perdido.
Ela o deixaria perdido como um castigo por não sido rápido o suficiente. Poderia deixá-lo ali até que estivesse faminto como castigo. Aí ela apareceria e diria: Por que
essa cara? Não é como se fosse morrer... É um filhote de deus afinal! Tome essa coxa de galinha! Ele não podia morrer, mas se sentia fraco e suas entranhas doíam
depois de dias sem comer quando ela simplesmente o abandonava porque não conseguia acompanhá-la. Assim, apressou seus passos.
Chegaram em um grande salão com uma única tina de prata no centro. Uma vez, ouvi os servos Daemones cochichando que a deusa tinha uma sala aonde podia
observar como seria o futuro e, às vezes, podiam ouvir os gritos de agonia da deusa quando percebia que nada poderia fazer para deter o futuro. Somente poderia
esperar que o tempo transcorresse como tem que ser. Ele ficava pensando como difícil uma coisa dessas poderia ser. Quão sofrido o futuro poderia ser e quão pior era
poder vê-lo. E agora a deusa dizia que precisava dele. Será que ele poderia impedir esse futuro?
- Não, Hades. Você não pode. - A deusa estava lendo a mente dele. Ele sempre fica estarrecido de não poder ter pensamentos privados. Teria que trabalhar nisso. Se fosse forte, fecharia sua mente a invasão dela ou de qualquer um.
-Garoto, não perca tempo tentando se esconder de mim. - disse a deusa parando de repente e o encarando com o rosto colado no dele. - Ouça bem, o tempo vai
correr e coisas vão acontecer. Se mantenha forte e quando eu pedir sua ajuda, venha. Só pedirei sua ajuda uma vez. Mas valerá por uma vida inteira. Te peço que
cuide de uma vida inteira. A vida dela. - Havia uma menina bonita de olhos tristes refletidos na tina. A vida que ele teria que proteger.
