ESCLARECIMENTO: Só reiterando que esta história não me pertence, ela é uma adaptação do livro de mesmo nome, de Rachel Ford, que foi publicado na série de romances "Julia", da editora Nova Cultural.
AVISO: Bem, este capítulo tem uma cena mais hot. E por isso eu decidi mudar a classificação da fic de Rated T para Rated M.
De qualquer modo, todos estão avisados.
Capítulo 10
De novo o mesmo sonho. A mesma dor estranha no peito quando Sakura acordou pela manhã. Afastou o lençol, com cuidado tocou a coxa, onde o feio arranhão já começava a cicatrizar, depois dobrou o tornozelo, que também parecia muito melhor. Tivera muita sorte, pois poderia ter quebrado ambas as pernas, no mínimo.
Ao se virar na cama, avistou o delfim de cristal e seu alívio dissipou-se. Um presente de despedida...
Sasuke não estava na cozinha. Talvez ainda estivesse dormindo, mas, enquanto ela hesitava, ouviu um barulho fora da casa e, ao se dirigir à parte de trás, encontrou-o, com a chave de fenda na mão, ajoelhado em frente ao velho e grande gerador que fornecia energia para a casa.
Sua expressão não era nada amigável: de fato, o mau humor emanava por todos os poros. Ela aguardou em frente à porta, mas, quando ele se voltou avistando-a, saudou-a com uma carranca.
- Está quebrado ? - ela perguntou.
A inocente pergunta pareceu enfurecê-lo ainda mais.
- Que surpreendentes poderes de percepção você demonstra esta manhã. É claro que esta porcaria está quebrada ! Por qual outra razão eu estaria mergulhado na graxa até os cotovelos ? - ele deu um aperto forte ao girar a chave de fenda e, sem olhá-la, continuou: - Oh, vá tomar o seu café da manhã. E, por favor, deixe a porta da geladeira fechada.
- Gostaria que eu fosse chamar Saito ? - ela inquiriu, apaziguadora.
- O quê ? Não, eu posso arrumar sozinho, obrigado.
Ela o contemplou, sentindo seu próprio temperamento se inflamar, mas conseguiu manter o autocontrole, recusando-se a se deixar intimidar pelo mau humor de Sasuke. Ficou parada em pé, atrás dele, silenciosamente.
- Passe-me aquela chave de porcas.
Ele apontou com a cabeça em direção à caixa de ferramentas e ela se apressou em obedecer. Enquanto ele afastava uma das mãos de uma das partes do gerador, bateu com força contra uma borda de metal e Sakura, estendendo-lhe o instrumento, piscou devido à corrente de xingamentos em grego. Sem se virar, ele estendeu a mão impaciente e ela lhe deu a ferramenta. Quando ia usá-la, ele a jogou no chão com tanta força que faíscas brilharam no chão de pedra.
- Oh, pelo... você não sabe a diferença entre uma chave de fenda e uma chave de porcas ? - olhou-a com fúria - Pergunta estúpida. É claro que não sabe. Pode recitar em grego antigo, mas você...
- Oh, cale-se ! - Sakura gritou-lhe. Apanhou outra ferramenta e a atirou com tanta força que ela quase bateu em seu joelho - É esta ?
Eles encararam-se por um momento, irritados.
- Sim, é esta - ele concordou, afinal, e continuou a consertar a máquina.
Sakura apoiou-se contra a parede da casa e ficou com os braços cruzados, em pé, olhando-o, estudando com atenção o homem que era seu marido... as pernas fortes e bronzeadas, cobertas de pêlos escuros brilhantes... o peito nu e as costas eretas e fortes. Seus olhos continuaram o exame... a maneira cativante com que seus cabelos escuros cobriam a nuca...
Numa das faces havia uma longa mancha de óleo, onde ele passara a mão. Ela contemplou a face e depois o perfil por um longo tempo, como se tentasse imprimi-lo na memória para sempre. Pois, é claro, após estes poucos dias, poderia não revê-lo nunca mais. Será que se ele casaria de novo ? A idéia era estranhamente perturbadora, mas ela se forçou a encará-la sem emoção. Afinal de contas, não podia importar-lhe em nada, podia ?
É claro que ele se casaria. Um homem como Sasuke iria querer uma mulher ao seu lado. Poderia, quando os rumores do divórcio tivessem silenciado, casar com Matsuri ? Seria um casamento bastante adequado, ela era linda e rica. De temperamento difícil, é verdade, mas Sasuke com certeza seria o único homem no mundo que conseguiria domá-la.
- Agora dê-me a chave de fenda.
Sasuke estendia a mão, autoritário, e ela entregou-lhe a ferramenta automaticamente. Ele murmurou algo que poderia ser, talvez, "obrigado", e continuou a trabalhar.
Matsuri e Sasuke... ela já estava cerrando os olhos, reagindo contra essa imagem, quando sentiu uma dor fortíssima, como se tivessem enterrado uma faca em seu peito. Ela não queria que Sasuke se casasse com Matsuri. Não queria que ele desposasse ninguém. Nem Matsuri nem outra pessoa qualquer possuiria Sasuke. Ela não podia suportar tal idéia.
Nesse exato instante, ela finalmente lembrou-se do pesadelo que se repetia todas as noites e do qual ela sempre esquecia ao acordar. Todas as vezes, no sonho terrível, ela estivera procurando por ele, cada vez com desespero maior. Afinal o avistara, a grande distância, no fim de um túnel escuro, mas ele apenas se voltava uma vez, olhava-a e depois continuava a caminhar, indo embora... ela sorriu sem graça. O tempo todo, seu subconsciente conhecera o que a consciência se recusava a admitir.
A verdade a atingira, afinal, deixando-a sem respiração, como se alguém a tivesse pressionado contra a parede de pedra. Ela amava Sasuke. Não, ela era louca por ele, ansiava para que ele a tomasse nos braços e a amasse. Mas era tarde demais. Ela se apegara por um tempo muito longo, como uma criança apavorada, à antiga relação, mais segura. Se não tivesse sido tão cega, tão temerosa, teria visto que isso não era mais suficiente e que o que desejava era a nova forma de relacionamento que ele lhe oferecera, e que ela não era mais uma criança, mas uma mulher adulta; sua esposa...
Sasuke apertou um botão e o gerador começou a funcionar. Ele sorriu para ela, a irritação esquecida, e começou a juntar as ferramentas.
- Desculpe o mau jeito. Como está a perna ?
- Oh, muito melhor, obrigada - a voz não parecia pertencer a ela.
Ele se ajoelhou e começou a examinar o tornozelo machucado.
- Sim, está evoluindo muito bem - com gentileza ele tocou-lhe o tornozelo, fazendo-a sentir faíscas de eletricidade por toda a perna. Ele devia ter percebido o ligeiro tremor, pois parou de apalpar e retirou a mão.
- Desculpe. Não pretendia machucá-la.
- Oh, não machucou. É que... - ela se interrompeu, confusa, e depois continuou quase inaudível: - Você sujou o rosto de óleo.
- Limpe-o para mim - ele estendeu-lhe as mãos sujas - Há um lenço limpo em meu bolso.
Ela o pegou e começou a esfregar-lhe o rosto, tomando cuidado ao redor dos olhos negros. Ele devia ter percebido sua respiração ofegante e o rubor subindo às suas feições. A qualquer momento, ela precisaria largar o lenço e sair correndo.
- Deixe que eu limpo sozinho. Ou ficaremos aqui o dia inteiro.
Ele apanhou o tecido e começou a esfregar o rosto com força.
- Vou entrar e tentar limpar direito.
De novo ela se apoiou contra a parede, sentindo a dor invadir-lhe o peito. É claro que ele não a amava, ela o sabia, mas ao rejeitá-lo pela segunda vez ela atingira seu orgulho de tal modo que ele não podia suportar que o tocasse. Como devia detestá-la.
Quando Sasuke, já limpo, entrou na cozinha, ela preparava o café da manhã e ambos se sentaram frente a frente. Ele pegou o pão e, sem uma palavra, começou a comer. Sakura pôs um pouco do iogurte cremoso típico do local numa tigela e acrescentou uma colher cheia de mel dourado. Percebeu que, de algum modo a colher havia formado a letra "S" com o fino fio dourado. Começou a mexer bem o iogurte, decidida, desmanchando a letra.
Olhou-o de soslaio, mas ele estava empenhado em descascar um pêssego. Seria mesmo tarde demais ? Não podia dizer para ele: "Olhe, Sasuke, eu fui uma completa idiota, mas...". Não, é claro que não podia. Ele se tornara tão arredio, como se metade do tempo não a enxergasse. Tentar explicar seria como atirar palavras contra uma sólida parede.
No entanto... uma tênue idéia brilhou em seu cérebro e ela se inclinou para a frente, de modo que os cabelos ocultaram a cor súbita que aflorara em seu rosto.
- É claro, limitei-me a um conserto precário, de urgência - Sasuke estava falando - Faltam algumas partes que precisam ser trazidas do continente. Mas o gerador agüentará um ou dois dias, que é tudo o que precisamos, de qualquer modo.
- Oh, sim, isso é ótimo - de algum modo, ela conseguiu manter a voz neutra - Voltaremos logo, então ?
- Com a perna desse jeito, você não pode nadar nem andar. Não vejo razão para ficarmos, você vê ?
- Bem, não. Suponho que não.
- Podemos partir hoje, se você quiser.
- Hoje ? - Sakura apertou a colher com tanta força que o metal cortou a pele dos dedos - Mas não precisamos partir tão depressa, não é ?
- Tudo bem - ele deu de ombros com indiferença - Veremos como se sente amanhã. Se quiser ir à praia, posso ajudá-la a descer. Faremos um piquenique de novo, se quiser.
- O quê ? - seus pensamentos vagavam descontroladamente - Oh, sim, eu gostaria muito. E tentarei não perder a cesta desta vez.
Mas ele não sorriu novamente.
Ela encontrara as velas, destinadas para uma emergência, era óbvio, num armário da cozinha, e estava inclinada sobre a mesa acendendo-a quando ouviu os passos de Sasuke na varanda. Ela estava oculta pelo vinhedo e ele demorou um pouco para vê-la.
- Desculpe-me, estou atrasado - ele informou -, mas não conseguia me liberar, e Saito...
Ele ficou mudo, ao perceber as velas, os lindos arranjos de flores brancas e, finalmente, como se relutasse, seus olhos se demoraram sobre Sakura, em pé, do outro lado da mesa, os cabelos recém-lavados brilhando contra o pescoço esguio, o vestido preto de jérsei acentuando as curvas femininas do corpo. Seus olhos se encontraram e algo vibrou docemente no ar entre ambos. Ela sentiu o ritmo do pulso se acelerar pela excitação.
- Saito não vê muitas pessoas com quem pode conversar - ele continuou em voz quase normal.
- Tudo bem. Eu acabei de preparar tudo neste momento.
- Não sabia que era um jantar com roupas formais - ele recuperara o autocontrole - Vou me trocar.
Mas ele não se moveu, continuando a olhá-la. Ela ajeitou o fino tecido sobre os quadris, numa provocação semiconsciente e então, ao sentir as palmas das mãos úmidas, pensou: "Não estrague tudo. É hoje à noite, ou nunca". Mas não tinha certeza de qual deveria ser o próximo passo. Talvez precisasse relaxar e deixar seus instintos femininos assumirem...
- Preciso acender apenas esta última vela - ela comentou, e deliberadamente virou-se de costas, exibindo o imenso decote até a cintura. Ela o ouviu arfar de leve e pegou os fósforos. Estava meio atrapalhada, aparentemente incapaz de riscar um palito quando ouviu:
- Deixe comigo, me dê a caixa.
Sasuke inclinou-se até ela e acendeu a vela. Apagou o fósforo e, depois, apanhando a mão esquerda dela, virou-a e viu que o anel brilhava suave à luz da vela.
- A pedra da Lua para a deusa da Lua - ele murmurou.
- É verdade - ela o olhou com firmeza, enfrentando-lhe o olhar. Os dedos de Sasuke apertaram os dela por um instante e então ele murmurou:
- Vou me vestir.
Ele se retirou e Sakura, sentindo as pernas trêmulas, afundou numa das cadeiras de vime. A garrafa de ouzo, a típica bebida grega, estava pronta na mesa ao seu lado. Ela se serviu de uma dose generosa, acrescentou água e ficou observando enquanto o líquido adquiria a aparência leitosa. Bebeu um longo gole.
Quando Sasuke retornou, havia vestido uma camisa branca de mangas compridas, aberta no pescoço, e uma calça preta. Também se serviu da bebida e deixou-se cair numa cadeira perto dela. Ele recostou-se, as longas pernas estendidas, olhando a mesa.
- Você teve bastante trabalho enquanto estive fora.
- Bem, é a nossa última noite - as palavras saíram antes que pudesse detê-las, mas ela logo continuou: - Achei que se a mesa parecesse bonita, poderia distraí-lo da comida.
- Oh, tenho certeza de que será deliciosa. Mas, de qualquer modo, não é apenas a mesa que está bonita, Sakura mou.
Apesar do tom casual, havia uma intensidade em seu olhar que, mesmo agora, quando era quase tarde demais, a levou por um momento a hesitar e voltar atrás. Porém, sorriu para ele, amável.
- Obrigada. Agora, talvez você queira comer.
Sem uma palavra, Sasuka sorveu a bebida e ambos se levantaram, sentando-se à mesa, frente a frente. O enorme prato de hors d'oeuvres, que ela preparara como entrada, tinha sido o resultado de uma apressada inspeção na geladeira: usara azeitonas, pretas e verdes, fatias de tomate a vinagrete, sardinhas, pepinos fatiados e temperados com iogurte e homus, a típica pasta de grão-de-bico. Estava uma delícia, mas ela não conseguia engolir nada, e cada vez que olhava para Sasuke percebia que ele parecia brincar com as azeitonas.
- Vou buscar o próximo prato.
Ela se levantou, juntando ruidosamente os pratos, num esforço para quebrar a tensão silenciosa que crescia ao redor da mesa.
- Espero que goste de fondue - ela trouxe a tigela onde fumegavam os queijos derretidos, junto com um prato de cubos de pão e dois espetos - É praticamente tudo o que sei fazer. É o que comíamos na escola, sempre que havia algum aniversário, Lembro-me de uma vez...
- Psiu...
Enquanto ele colocava um dedo em seus lábios para interromper a conversa nervosa, ela afastava a cadeira ao lado dele, onde sentou-se, com receio de que ele ouvisse o seu coração.
- É melhor que eu sente aqui, assim o prato fica próximo a nós dois.
A mão de Sasuke, forte e bronzeada, estava próxima, e Sakura precisou lutar contra a vontade que sentia de segurá-la.
- Bem, eu não como este tipo de comida há muitos anos. Como se faz ?
- Oh, é muito fácil. Olhe.
Ela lhe estendeu um espeto com um cubo de pão na ponta e tentou ajudá-lo a mergulhar o pão no queijo derretido. Mas sua mão estava tão fraca que o deixou escapar do espeto e rolar através da mesa. Seus olhares se encontraram e se sustentaram por um instante. Ela apanhou a garrafa de vinho branco.
- Gostaria de mais um pouco ?
Sem esperar resposta, ele encheu os copos.
- Sabe, Sakura, se eu não a conhecesse bem, poderia começar a suspeitar que está tentando me seduzir.
- Bem... - parecia mais um suspiro que uma resposta. Apenas por um segundo, as palavras dele, unidas à atração dos maravilhosos olhos, a deixaram sem voz, o coração ameaçando parar de bater.
- Será tão estranho uma esposa seduzir seu próprio marido, mesmo aqui, na Grécia ? - conseguiu dizer, enfrentando-lhe o olhar com firmeza.
Ele segurou-lhe a mão, e Sakura teve certeza de que ele sentia o seu pulso bater descontrolado. Depois, muito devagar, ele empurrou a cadeira e se levantou, levando-a consigo. Segurou-a um pouco afastada.
- Sakura ?
A voz dele soava rouca, um indício que, um dia antes, teria provocado sinais de pânico em seu cérebro. Mas agora ela sentiu a adrenalina correndo através de seu corpo, estimulante.
- Sasuke ?
Ela lhe sorriu e depois levantou uma mão e a passou de leve contra a boca máscula. Com uma grande risada ele a abraçou.
- Mas e o fondue ? - ela sussurrou, provocante, contra a camisa.
- O fondue pode esperar - ele mal conseguiu retrucar - Oh, Sakura, minha linda deusa indomável.
Com gentileza, ele levantou-lhe o e ela fechou os olhos, a boca ávida. Ela sentiu-lhe as mãos deslizarem pelo pescoço, através dos ombros, e depois, sem deixar sua boca, ela levantou os braços, permitindo-lhe baixar o vestido com mais facilidade. Suas mãos acariciaram as costas nuas e desta vez ela pôde sentir o seu pulso latejando. A outra mão envolvia um seio inteiro, a palma úmida acariciando-o, excitando-a até que ela não resistisse e o beijasse avidamente, esfregando as unhas pelas costas dele através do fino algodão da camisa. Ela se curvou contra ele e ouviu-o gemer contra o pescoço.
- Não, minha querida, não aqui - ele murmurou, a voz desconexa devido à urgência.
Então ele a levantou nos braços e a conduziu através da varanda para o seu quarto. Deslizou lentamente o seu corpo ate ela ficar em pé, com tanta suavidade que ela sentiu-lhe o membro firme contra a sua pele macia. Ajoelhando em frente a ela, abaixou-lhe o vestido pela cintura e, depois, com infinita gentileza, retirou a calcinha de algodão branco sobre a coxa ainda machucada.
Seu olhar sombrio parecia remoto, quase duro, mas as mãos não estavam muito firmes e, por um terrível momento, o velho medo ressurgiu. Ele devia ter sentido o arrepio que a percorreu, pois olhou-a de relance, inquiridor. Endireitou-se rapidamente, pegou suas mãos e começou e beijar ambas as palmas.
- Confie em mim, agapi mou. Nada até que você esteja pronta, eu prometo.
Então, carregou-a com gentileza de novo e a deitou sobre a cama.
O quarto estava escuro e, quando Sasuke acendeu a lâmpada de cabeceira, Sakura protestou debilmente ao ver a própria nudez, pálida contra a colcha. Mas ele a aquietou acariciando-lhe a boca. Depois se despiu e deitou-se na cama.
Ela já o vira tantas vezes quase nu e no entanto o "quase" era tudo. Ele se recostou ao seu lado, sem tocá-la, e ela passeou os olhos por todo o corpo dele, tenso como um arco. Suas pernas, tornozelo, joelho, até as firmes linhas da coxa...
- Não fique assustada, pequenina - Sasuke sussurrou. Ela o contemplou, os olhos bem abertos, e ele devolveu um sorriso forçado - Veja o poder que você tem sobre mim.
E, de repente, quando ele a tomou nos braços, todos os medos se desvaneceram numa paixão desenfreada, e ela soube que nunca mais o temeria.
Quando Sasuke inclinou a cabeça, com gentileza, passando a língua ao redor da auréola pulsante de seu seio, ela sentiu o sangue correr nas veias, espesso e pesado. A mão máscula e possessiva se moveu devagar, espiralando carícias abaixo dos seios, sobre a barriga e a coxa, e no seu ventre, doce e macio. Na parte mais íntima de seu ser, ela sentiu sua feminilidade despertar e florescer, como um delicado botão de rosa que, estremecendo, abria as pétalas numa flor perfeita.
Ela suspirou e, colocando sua mão sobre as costas de Sasuke, sentiu os tremores que atravessavam-lhe o corpo tenso. Ele estava se segurando por ela, como prometera, mas ela necessitava dele com todo o amor. Ela o atraiu, sussurrando:
- Sim, por favor, Sasuke - quando ele tentou resistir.
Ela deslizou a mão para baixo, tocando-o com dedos frenéticos nos quadris e, levantando um pouco a cabeça, apertou os dentes levemente, mordiscando-o no peito diversas vezes até que, com um gemido, ele rolou sobre ela, o seu rígido controle reduzido a fragmentos. Mas, mesmo nesse momento, ele foi gentil, e quando, ao penetrá-la, ela emitiu um tímido suspiro, ele se interrompeu. Depois, muito, muito devagar, entrou em plena posse dela.
Ele ficou imóvel por um longo momento, saboreando sua doçura, e depois começou a primeira investida, os quadris se movendo contra os dela. Oh, por que ela temera tanto este momento ? Ela o abraçou, apertando-o contra si, e, como resposta, ele deslizou as mãos abaixo da curva de suas nádegas, levantando-a para corresponder a cada investida.
Algo estava flamejando, fora de controle, dentro dela; era uma chama incandescente que atingia até os ossos, consumindo-a com seu poder, queimando-a até reduzi-la a cinzas e depois revivendo-a à própria vontade.
Ela quis gritar o nome de Sasuke, mas não conseguiu. Então ele a segurou, estremecendo num espasmo no auge do prazer até que os dois se abandonaram completamente exaustos um nos braços do outro.
Bem mais tarde, Sakura se moveu, espreguiçando-se satisfeita. A lâmpada de cabeceira iluminou Sasuke, com a cabeça apoiada no braço, examinando-a. A expressão de seu rosto era enigmática, e ao lembrar-se dos momentos de amor que passara em seu braços, ela ruborizou-se, mas Sasuke não lhe permitiu fraquejar:
- Agora não é hora de arrependimentos, Kyria Uchiha.
- Sim, meu querido, agora eu sou a senhora Uchiha - ela lhe sorriu.
Ele segurou suas mãos e beijou-lhe as pontas dos dedos com delicadeza, os olhos negros fitando-a com ternura o tempo todo. E, quando tentou abraçá-la, ela olhou-o com um sorriso travesso brincando em seus lábios:
- Querido, acabo de me lembrar. Eu é que devia estar seduzindo você...
- Neste caso, koukla mou - ele afrouxou o abraço e deixou-se cair de costas, os braços estendidos -, sou todo seu.
Tímida a princípio, mas com crescente confiança, ela percorreu-lhe com a mão o peito e a barriga até a coxa, maravilhando-se com a firmeza dos músculos sob sua palma. Desta vez, não houve gemidos inseguros. Agora, sob a orientação experiente de Sasuke, ela estava começando a aprender os segredos do próprio corpo. Sakura sentia-se afogar num redemoinho de doçura que flutuava em seu interior, arrastando-a, até deixá-la deslumbrada e aturdida, até que a doce onda afinal cedeu.
Estava amanhecendo quando ela acordou e, semi-adormecida, rolou sobre Sasuke. Ele também começava a acordar e ela sentiu seus braços a envolverem.
- Mmm - ela murmurou sonolenta - Quero ficar aqui para sempre.
Ela o sentiu sorrir contra o seu rosto.
- Veremos, pequenina, veremos. Mas se você ficar, eu fico também.
- Você estava falando sério quando disse que me deixaria partir, que ia me libertar ?
- Sim, era verdade - a voz dele estava muito séria - Preferiria deixá-la partir, se era o você que desejava. Embora, para ser inteiramente franco - havia novamente um toque de diversão em sua voz - , eu nutria uma tênue esperança de que esta ilha operasse uma mágica especial sobre você, onde meus próprios encantos falharam por inteiro.
- A magia especial do deus Baco ?
- Isso mesmo. Embora tivesse esquecido de como aquelas terríveis virgens tratavam os corpos de seus infortunados amantes, quando a festa terminava.
- Eram estraçalhados numa orgia de bebedeiras, você quer dizer ? Mas não precisa se preocupar - ela sussurrou, sentindo o desejo renascer dentro de si enquanto seus dedos traçavam um desenho sedutor nas costas do marido - Eu tenho diferentes planos em mente para o seu corpo, kyrie mou...
O quarto estava banhado pelo Sol quando ela sentiu Sasuke levantar-se da cama.
- Fique deitada - ele ordenou - Eu vou preparar o café da manhã. Nem começamos aquele fondue e eu estou morrendo de fome, caso você não esteja.
Sakura sorriu, preguiçosamente, e, quando ele se afastou, recostou-se nos travesseiros, estirando-se com volúpia. Seu corpo inteiro estava sensível, mas ela não sentia dor. Era mais como uma deliciosa pulsação, e quando ela se virou pôde ver as marcas dos dedos de Sasuke sobre seus seios e coxas. Bocejou, espreguiçou-se de novo e caiu no sono mais de uma vez.
Foi acordada pelo som de vozes, mas não sabia quanto tempo se passara. Vozes masculinas: Saito ? Sim, deveria ser. Mas não, tratava-se de Sai e Sasuke. Ouviu a voz de Sai falando rápido, Sasuke intervindo e depois a porta da cozinha para o corredor foi fechada.
Por alguma razão, aquele movimento a fez gelar. Ela ainda demorou por mais alguns instantes, depois levantou-se. As únicas roupas à vista eram o vestido preto e a calcinha, ainda no chão. Apanhou-os, foi na ponta dos pés para o seu quarto e vestiu o short e a camiseta. Foi então à cozinha.
Sasuke e Sai, os rostos sérios, conversavam no fundo do aposento. A princípio, não perceberam a sua chegada. Depois Sai a avistou e acenou a Sasuke para ficar em silêncio. Ela entrou, sentindo as pernas enfraquecerem.
- A-alguma coisa aconteceu - sua voz era clara - Foi a vovó, não foi ? - Sasuke se aproximou dela, tomou-a nos braços, aninhando-a como se fosse uma criança.
- Não, não a sua avó. Sai veio nos contar. Telefonaram da parte de sua tia, na Inglaterra.
- Papai ! Ele está ?... - a palavra ficou entalada na garganta.
- Não, minha querida. Mas ele está no hospital em Oxford. Teve um sério ataque do coração.
"Foi o cartão postal que enviei com a mensagem". Sakura ficou imóvel, culpa e auto-reprovação invadindo-a. Depois, com cuidado, desembaraçou-se do abraço.
- Tenho que ir vê-lo.
Quando Sasuke tentou pegar-lhe a mão, ela se libertou.
- Vou arrumar as coisas - sorriu para Sai, numa tentativa vã de parecer sob controle - Obrigado por ter vindo me contar - virou-se e voltou ao quarto.
Tinha quase terminado quando Sasuke entrou.
- Sakura... - ele a segurou pelos ombros e a olhou com seriedade - Não pode ir sozinha. Irei com você à Inglaterra.
- Não, Sasuke - estava surpresa com a segurança na própria voz, e o sentiu recuar um pouco, enquanto ela continuava apressada: - Tia Madoka estará lá, não estarei sozinha e acho que será melhor, no momento, que você não venha. Entende, não ?
Olhou-o implorante, a voz tremendo, lutando para dominar a fraqueza que a invadia e que a levaria a incontroláveis soluços. Ele a soltou.
- Tudo bem. Mas é claro que vou acompanhá-la ao aeroporto. Sai ficará por aqui para fechar a casa para o inverno.
- Sim - ela respondeu, tentando sorrir - O verão terminou.
De volta à cozinha, Sai a abraçou.
- Não fique desse jeito, priminha. Hoje em dia fazem coisas maravilhosas. Posso ter sido reprovado três vezes em meu exame de patologia, mas até eu sei disso.
Ela sorriu com a piada, grata pela presença de Sai. Sasuke apareceu, com a mala na mão. Ela pegou a bolsa a tiracolo e, juntos, se encaminharam ao cais, entrando no barco.
P. S.: Nos vemos no Capítulo 11.
