Capítulo 15: Fazendo novas amizades.
Allison Cameron saiu de seu devaneio e foi até a sala dos médicos. Como hoje era seu primeiro dia nesse hospital seria interessante ela ficar a par de todos os honorários, cronogramas seus parceiros médicos entre outras coisas.
Naquele momento, entrou duas médicas e começaram a se trocar igual a Cameron. Ela deu espaço e foi para um lugar que estava com seu nome em uma folha de papel a caneta.
De repente, a loira foi até Cameron e a cumprimentou. "Olá. Meu nome é Melissa Danvers. Eu estou começando hoje, mas pelo visto você também, certo?" Cameron deu um sorriso. Dessa vez ela não sentiu aquela energia, choque que tinha sentido com a Zelena. E isso para ela já era um bom sinal.
"Olá Melissa. Sim, eu também estou começando hoje. Meu nome é Allison Cameron. Seja bem-vinda. Qual é a sua especialidade? Desculpa a pergunta. Se não quiser responder, eu vou entender". Cameron olhou para as duas mulheres um pouco tímida e Victória achou aquilo encantador.
"Bom dia Allison. Eu sou a Victória Danvers. Melissa e eu seremos suas parceiras. Nós somos especialistas em casos raros como você. Minha irmã está começando hoje nesse hospital, mas ela também trabalhou um tempo para o doutor House. É claro que ela não ficou tanto tempo com ele como você, porém é uma das melhores na profissão". Victória foi até Cameron e elas trocaram um aperto de mão assim como sua irmã tinha feito.
"Muito prazer em conhecê-las Danvers. Na parte profissional foi excelente o tempo que trabalhei com o Gregory. Aprendi muitas coisas que toda uma vida na medicina não iria me ensinar, mas em outras áreas na vida foram péssimas. Ele era bem grosso e ignorante e trata as outras pessoas como lixo. Bem, eu não preciso contar isso. Vocês já sabem". Cameron percebeu que tinha falado demais, só que não tinha como voltar atrás. Ainda bem que as outras duas mulheres não mostraram desgosto ou qualquer outro sentimento negativo.
"Nós já sabemos Allison, mas você pode desabafar com a gente a hora que quiser. Victória foi meu ombro por vários meses. Quase todo dia que eu voltava para casa era indignada com ele. O modo como ele tratava toda a sua equipe. Várias vezes eu tive que me controlar para não ir até ele e dar uma ótima surra ou estragar a outra perna dele. Você faz parte da primeira turma. Eu imagino o quanto você sofreu nas mãos dele. E pelo visto foi sua grande paixão, certo? Eu até entendo o motivo. Ele tem um certo charme. Mas a atitude estraga qualquer sentimento amoroso vir a tona. Pelo menos para mim". Victória percebeu que sua amiga Zelena chegou no quarto. Elas eram melhores amigas e tinha essa conexão. Mas não no mesmo nível que tinha com a Cameron. Essa conexão só era da Zelena com a médica novata.
Cameron sentiu um formigamento. E olhou para os lados. Por que ela estava sentindo isso? Tinha algo a ver com a Zelena? Essa sala era de médicos. E a outra mulher era enfermeira. Ou foi isso que a ruiva tinha dito a ela. "Obrigada Victória. Sim, ele foi minha grande paixão. Eu transava com meu segundo marido para não ficar pensando muito em House. Ele me ignorava totalmente. Chegamos a ter alguns encontros. E nos beijamos uma vez. Mas ele não sentia nada por mim. Eu usei o Robert por meses, anos. Nós ficamos noivos quando pedimos demissão no hospital. Voltamos a trabalhar com o Gregory e com a nova equipe. E ficamos um bom tempo por lá. Chase, meu ex-marido era louco por mim. Fazia tudo por mim. O que o primeiro não tinha condições nenhuma para fazer... Mas nunca o amei como ele precisava, queria e merecia. Chase era minha válvula de escape. Nos casamos e eu tentava amá-lo. Ou agir como se eu o amasse. Só que eu nunca o amei como o Gregory. Para mim sempre foi o House". Cameron estava se segurando para não chorar. Fazia muito tempo que ela não se abria com pessoas consideradas desconhecidas. Desde a época em que trabalhava na equipe especial de House.
Victória olhou para trás e viu Zelena ouvindo tudo. O olhar da ruiva estava dividido. Amor incondicional por Cameron e ódio profundo por House. Victória conhecia muito bem esse sentimento. Ela mesma teve isso todas as vezes que sua irmã chegava em casa chorando pelo modo bruto do homem de ser.
"E o que você sente por esse homem desprezível? Você ainda o ama? E se ele aparecesse por aqui e te pedisse em namoro, você aceitaria? O que você sente por ele, Allison Cameron?"
Cameron olhou para a porta e viu Zelena por lá. Ela sabia que a enfermeira estava ouvindo sua conversa. O formigamento que estava sentindo era como um aviso que a outra mulher estava lá. Será que ia ser sempre assim? Será que ela estava preparada para estar envolvida nessa energia extrema? Ela conseguia captar alguns sentimentos da ruiva. Raiva? Ódio? Era para ela? Ou para o Gregory?
"Eu não amo mais o Gregory, Mills. Eu duvido que ele pise nesse hospital, mas vamos lá... digamos que um dia ele apareça. Não vai para me pedir em namoro. Ele teve a oportunidade todos esses anos e nunca fez. Não é agora que ele vai vir. E se por acaso vier... Bem... A resposta será não. Ou acho que será não. Aconteceu alguma coisa, Mills? Tem algum paciente para nós atendermos? Já estamos prontas. Eu ainda não sei o cronograma, mas aprendo rápido". Cameron olhou para Zelena um pouco tímida por saber que a outra mulher ouviu seu desabafo e estava insegura quanto a raiva e o ódio que encontrou por lá.
"Não vim aqui como enfermeira, Allison. Eu vim dar boas vindas a Melissa. Somos grandes amigas. Eu não estou com raiva ou ódio de você. Então relaxa os nervos. Eu nunca irei sentir ódio mortal de você. Eu fiquei com raiva e ódio desse tal House. E o quanto ele te feriu. Espero que ele nunca apareça por aqui. Ou senão ele verá o lado negativo da minha família. E detalhe: somos todas bruxas poderosas. E tenho vários feitiços bem tenebrosos e ficarei mais que feliz ou encantada em usar nele. E se ele se dirigir a palavra a você de forma desrespeitosa ou vulgar aí sim iremos ter uma conversa bem interessante. E nem um pouco agradável para ele". Zelena tentou chegar mais perto de Cameron que a olhou como se tivesse visto um fantasma.
"Eu não entendo Zelena. A gente se conheceu ontem. E você está me defendendo do Gregory? Você o conhece? Já trabalhou com ele? Bem... Eu sei que serei de certa forma da família. Emma é minha prima e parece estar apaixonada pela sua irmã. Então serei considerada uma prima para a Regina". Cameron foi cortada pela risada da Zelena que acabou sendo contagioso. Melissa e Victória também riram.
"Não seja tão ingênua Allison. Você será da família, porém não apenas como prima da Emma ou da Regina. Esses lindos olhos azuis da Zel já estão me dizendo tudo. Você será ainda esposa dela. Cunhada da Gina e nora da Cora. Você já fisgou o coração de uma Mills. A mais velha. Eu sei que vocês se conheceram em pouco tempo, mas Zelena é bruxa e das poderosas. Ela não entrega seu coração para qualquer um. Se sinta privilegiada em ter conseguido isso em menos de 24 horas. Minha melhor amiga por ter essa alma antiga sabe quem merece sua atenção ou não há quilômetros e se ela está nos mostrando que esse alguém é você... bem... é você. Não discutimos com ela e nem duvidamos. Zelena sempre tem razão naquilo que faz ou diz. E se ela tem um pressentimento? É melhor ouvi-la. Ela sempre acerta". Victória comentou toda orgulhosa.
"Minha irmã tem razão, Allison. Acho que você cativou o coração da Zel. Pelo sorriso que ela está te dando. Isso me faz lembrar os primeiros dias com a minha namorada. Eu dei um pouco de trabalho para a Katie. E se não fosse pelos conselhos da Zelena acho que estaria até hoje sozinha. Nós estamos juntas há 6 meses e pelo visto um dia ficaremos juntas. Katie é policial e está começando a trabalhar hoje". Cameron a olhou curiosa. Ela não era preconceituosa. Sua antiga colega de trabalho também era lésbica e isso nunca a afetou.
"Então a Katie irá conhecer a Emma. Minha prima é detetive. Que mundo pequeno né. Quem diria que eu iria encontrar pessoas que trabalharam com o House por aqui. Bem... Acho melhor eu dar uma olhada no cronograma. Espero conversar mais com vocês. E desculpa pelo desabafo. Acho que hoje será realmente um novo começo na minha vida. Obrigada pela força e desculpa se causei desconforto. Essa não foi a minha intenção. É melhor eu ir atrás do cronograma". Cameron começou a sair, mas Zelena a impediu e mais uma vez o choque foi instantâneo.
"Onde você vai Allison? Eu estive aqui desde o minuto em que vocês começaram a conversar. E em momento algum elas demonstraram desconforto. E foi a Victória que puxou o assunto do House. Por que você está fugindo? Não tem motivos para fugir de nós. Você ainda está achando que estou com raiva ou ódio de você? Pois não é de você. E sim do tal do House. Se eu o encontrar a 10 metros de você não sei o que sou capaz de fazer. Por que essa cara de espanto, Cameron? Foi pela energia que trocamos quando eu toquei em seu braço? Se acostume Allison. Será sempre assim quando tocarmos uma na outra. E aqui está o cronograma. Não temos paciente. Podemos relaxar por mais alguns minutos". Zelena olhou para Cameron com tanto carinho que ela não conseguiu desviar.
"Obrigada Mills. Eu vou dar uma olhada nesse cronograma. Você está no meu grupo? Mas você não é enfermeira? É sério que toda vez que nos esbarrarmos eu vou sentir toda essa energia? Não me diga que isso é só com você. Meu Deus! Eu me senti uma drogada duas vezes hoje. Com uma overdose de energia. Acho que vou ter que usar tudo isso em algo. Em meu trabalho... Provavelmente. Até mais tarde meninas". Cameron se despediu das outras mulheres do quarto e foi até a recepção. Ela precisava tomar um ar. O seu sistema estava agitado.
Depois de Allison sair, Zelena respirou fundo e se sentou por um segundo em uma cadeira. Victória ficou ao lado da melhor amiga enquanto Melissa estava olhando em seu celular para ver se tinha alguma mensagem de Katie.
"Pois é Zelena. Pelo que vejo sua outra metade está com medo. O House fez um grande estrago em seu coração. Você terá que ter muita paciência para conseguir conquistá-la. E claro derrubar essas muralhas que ela ergueu em seu coração. Ela não é homofóbica, mas está confusa. Pode deixar que Melissa e eu iremos te ajudar. Não é, Melissa?"
"Com certeza, sis. Zel, se depender de nós a sua menina logo estará em seus braços. Acho que ela ainda vai testar esse negócio de choque com outras pessoas. E em alguns homens. Acho melhor você ficar de olho. Ela é linda e vai ter um monte de urubu em cima". Melissa parou de mexer no celular para olhar para as outras duas mulheres.
"Eu vou estar de olho que nem uma coruja. Eu sei que ela vai testar em outras pessoas. Ela é teimosa e só acredita naquilo que consegue provar. Mas ainda vou conquistar esse mulherão. E não vou desistir tão fácil. Eu não vou querer estar na pele de quem tentar tirá-la de mim. Até a sogra já a ama". Zelena deu um sorriso maquiavélico e as amigas acompanharam.
Delegacia de Boston.
Emma e Graham estavam trabalhando quando Katie entrou e foi direto para a recepção. "Olá. Eu sou a Katie. Eu vim falar com o Graham. A respeito de trabalho. Eu deveria estar começando hoje de manhã".
Graham se levantou e foi até a recepção. "Olá Katie. Eu sou o Graham. Seja bem-vinda. Vamos até a minha mesa e acertar os últimos detalhes. Essa é a Emma. E será sua parceira de trabalho. E estará patrulhando contigo pelas ruas". Grahan mostrou a cadeira e a morena se sentou esperando que a burocracia fosse logo resolvida.
Dentro de alguns minutos, Katie já tinha resolvido os últimos detalhes e ligou para sua namorada contando as novidades.
"Eu não acredito nisso. Tenho duas lindas funcionárias, mas elas já estão com outras pessoas. Espero que uma hora apareça alguma mulher descompromissada e a fim desse senhor aqui". Graham fez biquinho e as mulheres caíram na risada.
"Eu não sei a Emma, mas eu tenho uma linda namorada. E ela é ciumenta. Não sei se ela ia gostar de me dividir com você. Mas tenha fé Graham. A mulher certa irá aparecer qualquer dia. Você é um homem decente". Emma concordou com a cabeça e deu risada.
"Eu não acredito. Outra que tem namorada? O que houve com as mulheres dessa cidade? Será que é algo na água? Cadê as mulheres que gostam de um tio como eu?". Graham bufou e as duas continuaram a rir.
"Eu preciso mandar uma mensagem para a minha namorada antes que ela apareça aqui do nada. Essa hora ela já deve estar de pé. Seja bem-vinda Lutor!". Emma a cumprimentou com um aperto de mão e depois saiu da delegacia. Ela queria ter um pouco de privacidade com a namorada.
Emma discou o número de Regina e esperou um pouco. Depois de uns 4 toques, Regina atendeu. "Regina Mills falando". Emma adorou ouvir aquela voz rouca e sensual. Provavelmente sua morena estava dormindo.
"Bom dia senhorita Mills. Aqui é Emma Swan falando. Eu gostaria de falar com a minha namorada. Ela está?"
Regina riu um pouco e decidiu continuar a brincadeira. "Eu não sei se ela está, senhorita Swan. Mas eu estou disponível agora mesmo. Que bom acordar e escutar a sua voz. Já está com saudades minhas?" Regina ronronou toda feliz e Emma não pode deixar de dar um lindo sorriso.
"Mas é claro que já estou com saudades da mais bela morena dessa cidade. Já são 10:30. Já são 5 horas sem seus beijos. É muito tempo para mim. Bem. Eu liguei para dizer que te amo e perguntar se você gostaria de almoçar comigo e com minha nova parceira. E antes de qualquer coisa, ela tem namorada e parece amar a sua garota. Assim como eu já amo a minha. E aí? O que me diz? Você aceita almoçar comigo?" Emma pôde ouvir a pequena bufada que sua mulher deu e isso a deixou feliz de certa maneira.
"É claro que aceito o seu convite. A que horas devo passar por aí? Meio dia? Me manda uma mensagem quando for a hora. Eu fico feliz em saber que ela está fora do mercado e não tem interesse algum em minha mulher. Você já falou de mim para ela, certo? Não vou precisar envenená-la ou qualquer outra coisa, não é?" Regina rosnou, mas de brincadeira.
"Ela ama a namorada como eu amo a minha. Eu só tenho olhos para você, Gina. Eu devo parar ao meio dia para o almoço. Mas te ligo depois. Tenho que voltar ao trabalho. Devo sair para patrulhar as ruas. Qualquer coisa me liga ou me manda mensagens. Beijos nessa sua boca linda que amo tanto beijar".
"É bom saber disso, senhorita Swan. Ou senão você nunca mais iria beijar meus lábios carnudos que tanto gosta. Mais tarde nos falamos. E se cuida. Não quero ser viúva antes do tempo. Eu quero aproveitar muito mais essa sua carne deliciosa". Regina não aguentou e caiu na risada.
"E você vai minha linda morena. Não faz isso comigo não, Gina. Não acende o fogo se não pode sair para brincar. Droga! Vou ter que ir ao banheiro! Beijos minha linda".
Emma desligou o telefone e deu um lindo sorriso ao pensar na namorada ronronando como uma gata em sua cama com nada mais que roupa íntima.
"Ai ai ai Senhorita Swan. É melhor você voltar para dentro e trabalhar. Não pense em sua mulher ou então não conseguirá fazer nada direito!". Emma pensou alto e entrou rindo dos pensamentos impuros que andou tendo.
E assim Emma e Katie passaram o resto da manhã se conhecendo, trocando confidências de trabalho e se conectando um pouco melhor já que seriam companheiras de trabalho e estariam bandidos por um bom tempo agora. E elas teriam que saber o máximo que pudessem uma da outra para não correrem o risco de serem surpreendidas mais para frente.
