Alguns Garotos
Mamãe levou sete minutos para encontrar meus sapatos, os que combinavam perfeitamente com a minha roupa e bolsa. Fui sua bonequinha até ela dizer chega. Meus pés estavam doloridos, mas não reclamei. Se o fizesse, ela aumentaria minhas aulas de etiqueta para quatro horas e não três, com certeza, com toda certeza. Eu via seu comportamento imperativo a quase vinte anos.
- Sua saia quase não fechou, o que está fazendo com a sua dieta?
- Nada, estou seguindo toda a tabela.
- Sem jantar por essa semana, preciso que você entre naquele vestido para o sábado.
- Sábado?
- James e os pais virão. Algo me diz que seu noivado está próximo.
Meu noivado... pensei com tristeza. Não amava James, e ele com certeza não me amava. Mas ele me confessou que tentaria. Outra farsa, a primeira: Esse casamento. A segunda: Ele não iria largar a namorada de longa data. Bem, não que isso importasse. James seria mais um cara que minha mãe me joga a quase dois anos.
Não tenho tempo de pensar no que aconteceu para que os outros se fossem antes de escutar mais um comando da minha megera.
- Agora desça e seja a mais sorridente mocinha da sala.
- Claro, mamãe.
Já estava a mais de duas horas caminhando pelo primeiro andar da minha casa. Me sentei ao lado de Rosalie.
- Mas já?
- Eu só queria subir e sumir.
- Eu queria muito te ajudar, mas ir contra a tia Re? Eu passo.
Fiquei calada. Minha mãe se aproximava de mim e suas feições, apesar de alegres, não diziam o mesmo que seus olhos. Ela estava com ódio.
- Isabella, o que está fazendo?
- Descansando? - Rosie questiona.
- Você pode descansar quando estiver morta, levante-se, os Cullen e os McCarty acabaram de chegar.
Segui minha mãe até a sala principal e encontro Emmett e Edward, o primeiro me olha e ri malicioso. Seus pais me notam logo em seguida.
- Senhor Leonard, senhor Theodore, é um prazer revê-los.
- Querida Isabella, por favor, me chame de Leo e o Theo não se incomoda se chama-lo de ...bom, Theo!
- Só se me chamar de Bella. Não precisamos dessas formalidades. - Ele riu e nos beijamos nas bochechas.
Abraço Esme e cumprimento Carlisle. Ela é amiga da minha mãe e sempre nos vemos nas visitas semanais ao salão de beleza. Os Cullen moram a dois quilômetros daqui, a casa mais próxima até então.
- Acabo de perceber que finalmente seu cabelo está chegando no tom certo para o loiro perfeito.
- Eu espero que sim, na sexta estarei cedo naquele salão para finalmente finalizar a minha transformação. - Meu riso falso nunca pareceu tão verdadeiro.
Edward me puxa para seus braços e eu não tenho que fingir meus sorrisos para ele. Ele me aperta antes de me soltar um pouco para falar.
-Bella, você é uma daquelas raras mulheres que se pintasse seu cabelo de verde e rosa, ainda ficaria linda. - ele sussurrou e eu aumentei mais meu sorriso.
Pode até ser verdade, mas eu prefiro a minha cor natural nos cabelos, mas minha mãe disse que eu deveria mudar. E eu, sou totalmente obediente a ela. Obediente por demais.
- Obrigada. Até que enfim você apareceu, pensei que tinha esquecido de mim.
- E perder mais uma temporada com você?
Nas férias passadas, Edward decidiu por ficar e adiantar algumas matérias para que terminasse a sua faculdade de medicina o mais breve possível.
- Be-ella - cantarola Charlotte Sinclair, eu a olho caminhando para mim e vejo o seu marido, Peter Hunter e, meu quase-noivo, James. - Chegamos querida, estava ansiosa para ver você. Boa noite.
- Boa noite, Lola. Algum motivo especial? - Brinquei, a senhora Sinclair é a única pessoa agradável naquela família. Digo pelo meu ponto de vista.
- Espero que seja isso mesmo, estou cansada e entediada, preciso organizar uma festa, tipo... um casamento!
Sorrio amarelo para ela. Escuto risadas abafadas atrás de mim, Emmett e Edward. Grandes filhos da pura. James e Peter me cumprimentam, o primeiro até me dá um beijo na bochecha. Mamãe se aproxima e preenche o silêncio de 10 segundos que tivemos.
Achei meu pai do lado de fora, ele estava fumando. Arranquei o cigarro da mão dele e joguei fora.
- Não.
- Sim.
- A culpa é da sua mãe.
- Bem, falando dela, você bem que podia me ajudar.
- Quem devo matar?
- Pai! Ninguém. Mas eu preciso de mais tempo. James não me ama e eu sei, com certeza, não o amo também.
- Quer que eu convença sua mãe? A minha esposa? Aquela mulher ali? - Ele diz sem olhar para ela. - Vou ficar fora dessa. Peça para eu matar alguém e eu faço sem pensar, mas ir contra aquela megera?
- Ela é sua esposa.
- Não. EU sou esposo dela.
- E que diferença isso faz.
-Você não vai entender. - Ele diz e puxa outro cigarro. - Não conte para ela. - Ele se afasta acendendo mais um.
Volto para a sala e percebo Edward falando com a perturbada da Tânia Denali. Ela aperta os bíceps dele e eu fico nervosa em olhar aquilo. Que garota esquisita. Edward sorriu com algo que Rosalie disse e Emmett também, ignorando a pulga do seu lado.
Quase me aproximo quando James pega a minha mão e me leva para o meio da sala. Ele sorri para os pais e me olha com um falso brilho sonhador.
- Eu estive esperando isso por muito tempo. - Ele tira um anel bonito de diamante da caixinha que estava em seu bolso. – Diamantes são os melhores amigos de uma dama. – Ele pisca para a mãe dele e ela levanta os dedos polegares em aprovação. O que ela pensa que eu sou?
O que eu deixei que os outros acreditassem.
Existem garotos e existem garotos. James é do tipo mauricinho, que acha que deve se guiar pelo que outros mandam ele fazer. E tenho certeza que casar comigo, a filha de uma ex-cantora de sucesso e do senador, tem grandes vantagens. A família dele é dona de várias empresas e microempresas por aqui e na região. Ele só vê VANTAGEM escrito na minha testa.
Olho sobre os ombros para Edward. Eu queria ser corajosa e dizer que gosto dele. Mas minha mãe, a quem sou obediente, vai odiar que eu pense no filho da nossa antiga empregada. Por mais que hoje, Esme esteja tão ou mais rica que minha mãe, graças ao petróleo encontrado no terreno dela a quase dez anos atrás.
Com esse pensamento, percebo que não sou dona de mim. Me sinto sufocada e por um momento, penso que vou desmaiar. Mas eu apenas finjo quando caio nos braços de alguém e mantenho a respiração fraca e os olhos imóveis. Sei que meu tempo está acabando e minha mãe não vai mais deixar que eu enxote pretendentes daqui.
