Depois do falso desmaio de Bella, todos partiram quando ela foi levada nos braços do amigo, Edward, para o quarto. Um quase médico era o melhor e mais eficiente que tinham. Ele percebeu na hora que ela fingia e ajudou a farsa. Bella se sentiu grata e ele saiu do quarto dizendo que ela precisaria de descanso por pelo menos dois dias graças ao estresse que me deixou fraca. Sua voz transmitia tanta certeza que quase acreditava naquela mentira.
- Bella. - Ele chamou quando estavam sozinhos. - Amor.
Ela faz um biquinho e ele sorriu enquanto selava os lábios nos dela. Bella abriu os olhos e se sentou.
- Está cada vez mais difícil esconder. - Ela suspira acariciando e depois lhe dando um beliscão. - Para de deixar a lesa da Tania te tocar.
- Eu tento, mas como ela acha que eu estou solteiro...
- Mas não está.
- É claro, minha namorada morena e gostosa que nunca aparece comigo.
- Estou loira agora.
- Continua gostosa. Eu te disse, você é uma daquelas mulheres que consegue ser linda com qualquer cor. - ele puxou ela para o seu colo, de costas para ele. Suas mãos se apertando ao redor dela.
- Edward. Eu quero que ela faça isso do jeito mais fácil. Ir contra a minha mãe é ir contra...
- O diabo?
- Contra tudo que eu acreditei por toda a vida.
- Sua mãe nunca vai me ver como um pretendente para você.
- Mas eu amo você, será que ela não vê que eu tenho o coração tomado? - Diz levando a mão dele para cima do seu seio. - Se ela descobrir que eu não sou mais virgem aí sim.
- Você não se arrepende, não é? - Ele diz acariciando o seio macio dela, que está ficando mais duro. Ela sentia a pele arrepiar quando ele puxa a manga da sua blusa para baixo e lhe beija o ombro.
- Como eu posso me arrepender? Você preparou a noite mais mágica da minha vida. Eu acho que nunca vou conseguir retribuir. - Ele para de beijar o ombro dela e vira seu rosto para o dele.
- A única coisa que eu quero é ver você feliz. E eu sei que você passou naquela prova Bella, está mais do que pronta para seguir seus sonhos.
- Minha mãe vai me odiar.
- Você vai se odiar quando, no futuro, estiver mais e mais infeliz. - Ele a beija e toda aquela sensação gostosa de perigo surge quando escutam a maçaneta girar.
Eles se afastam, Bella percebe que Edward estava bem animadinho e ele correu para o banheiro. Ela se arruma e abre a porta com uma cara de falso enjoo. Seu pai está ali, de pé e a encara sorridente.
- Se fosse ela, teria aberto a porta com a chave extra.
- Que chave extra? - Bella arregala os olhos para a única chave na mão dele. - Obrigada pai.
- Bem, eu tenho que ajudar minha bebê. Um pouco. Às vezes. - Ele se enrola um pouco.
- Ok, eu estou um pouco melhor, mas não estou muito melhor, vou ficar no quarto tá? - Ele assente.
- Tudo bem. Quando estiver pronta. - Ele beija a testa dela e fala um pouco mais alto para a porta do banheiro. - Estou saindo Edward!
Bella engole a risadinha e espera o pai sumir antes de fechar a porta. Quando se vira, Edward está próximo dela. Eles se despedem com um beijo rápido e então ele assume sua pose de médico em ação.
- Eu te amo.
- Eu te amo Bella, não me faça esperar mais.
- Esperar o quê?
- Para contar para o mundo que somos apaixonados. - Ele saiu do quarto depois disso.
Achava injusto que a mãe dele distribuísse tanto carinho para com a família dela quando a preconceituosa Renné era tão asquerosa a ponto de nem colocar Edward como opção. Esme é linda, sempre foi, uma mulher inteligente e por isso que hoje é rica. Quase que conseguiam roubar dela suas terras, mas ela foi corajosa e firme ao defender o que era dela e da família.
Bella queria ser como ela. Forte, mais inteligente e sagaz. Ser corajosa e se defender da mãe. Ser melhor por Edward. Ser melhor por ela mesma.
A mudança repentina aconteceu quando Bella acordou na sexta. Ela decidiu que não iria para as aulas de etiqueta e que o seu plano teria que começar antes do jantar de noivado. Que mesmo depois daquilo - o seu desmaio - iria acontecer.
Abriu um sorriso quando entrou no salão do outro lado da cidade, um bem diferente daquele que ela costumava ir. Era um salão grande, de um andar só. A mudança radical começaria ali. Uma menina saiu de lá com um moicano. Ok, talvez não tão radical assim.
A mulher, dona dali, logo foi cumprimentar a menina que entrara. A senhora de pouco mais de 30 a 35 anos sorriu para o loiro platinado nos cabelos de Bella.
- Olá docinho, você veio fazer as unhas, uma limpezinha de pele...?
- Eu vim mudar meu cabelo. - Bella respondeu rápido.
- Mas seu loiro está perfe...
- Perfeito? Não. Eu quero uma mudança esquisita. Mas não quero ficar feia sabe, porém...
- Você está fugindo da polícia?
- Hum... não
- Então não vejo motivos para estragar ele. Não posso te ajudar. - Bella ficou espantada com a mulher.
- Mas eu posso pagar...
-Sei que pode querida, mas eu prezo o bem-estar das minhas clientes, não o contrário.
- E a moça de moicano que saiu daqui?
- Ah, eu tinha expulsado ela. - A mulher se virou na busca do celular, mas Bella queria sair dali outra. Pegou uma tesoura e, com os cabelos longos soltos, cortou metade deles. A mulher gritou. - O que você fez?
- Preciso fazer isso. - Continua cortando até que a tesoura é tirada de sua mão pela cabelereira. - Qual é a cor de tinta que você tem?
Entrou e colocou as chaves de casa de volta na mochila. Foi para o seu quarto e mandou uma mensagem para Edward e Emmett que sabia que seria lida por Rose. Depois dos textos fazendo suspense, ela mandou foto dos cabelos loiros no chão do salão. E depois dela com a tinta fresca no cabelo.
- Você só pode ser demente! - Gritou Rosalie pelo telefone. - Meu Deus, eu nem tenho roupa para essa ocasião.
- Que ocasião?
- Seu enterro caralho! Tu vais ser morta em breve. Foge de casa!
- Não vou fugir.
- Bella, porra Bella. Você pintou a caralha desse teu cabelo de rosa.
- Cortei também. Edward disse que gostou.
- E o que aquele merda entende de cabelo? Ele nem consegue arrumar aquele ninho dele.
Ficou calada enquanto a prima continuava xingando a ela e a sua sexta geração. Desligou na cara dela e se declarou morta. Ou Dona Re lhe mata ou sua querida prima Rosalie o faria.
Começou a pensar em quando fez dezoito anos e sua mãe convidou seus muitos amigos para a festa. Se Bella viu dois amigos dela foi muito. Renne apresentou vários rapazes, estes que estavam cursando uma faculdade ela só podia dizer que sua vocação ainda não tinha sido encontrada.
O que não era bem mentira.
Bella nunca se quer pôde pensar em uma profissão além da de dona de casa. Era uma aluna nota dez nas matérias de fazer uma boa comida para o marido, estar linda e pronta para quando o marido chegasse, se dedicar ao marido e aos filhos, ser a dona se um a casa linda, grande e limpa.
Levantou a cabeça e seguiu para fora do quarto ainda pensando nos pretendentes.
Primeiro foi Garrett, um cara charmoso e muito alto, muito mesmo. Bella descobriu que ele era apaixonado por uma mulher bem mais velha, a professora dele de italiano. Ela não precisou se esforçar tanto para convence-lo de seguir os sonhos e se declarar para a mulher certa.
Nunca mais o viu, mas soube que eles se casaram ainda naquele ano.
Renné descobriu mais tarde sobre a conversa que eles tiveram e Bella sentiu a ira da mãe. Se ela era um demônio diariamente, então ela se turbinou de ódio e destratou Bella pelo resto do mês.
E foi dois meses depois de Garrett que Bella conheceu James. Na época, ele nem tinha a madrasta, Charlotte. Ele chegou com todo papo furado e tentou conquista-la, mas Bella queria gargalhar do rapaz. Seu cabelo loiro preso num rabo de cavalo era esquisito e ela se conteve para não rir demais.
Depois de algumas semanas o pai dele se casou de novo e eles passaram um tempo fora do país. Bella tinha certeza de que James era um demônio em forma de gente. Sua mãe era uma dondoca nascida em berço de ouro. Mas James era um caloteiro, ela reconheceu. Agia como se não se afetasse com a fortuna de Bella, dos pais dela.
Antes do seu aniversário de dezenove, Bella recebeu a visita de Emmett. E bem, Rosalie ajudou a prima nisso. Hoje os dois são namorados e Emmett é o irmão que Bella nunca teve. Mas ele não podia proteger a "irmã" da dona Re.
Ela levantou a mão e quase bateu na filha. Ficou com a mão no ar por alguns segundos. Depois voltou a si. Nunca bateu em Isabella, não começaria agora. Depois disso Bella ficou ainda mais temerosa do que a mãe poderia fazer.
Bom, agora Bella tinha que reagir. Sua mãe queria que ela se transformasse na nova Renné e ela tinha medo disso. Ela nunca fez faculdade e depois que a filha nasceu, desistiu da carreira de cantora. Devia ser isso o motivo de tanta ira.
Mas tinha ele, seu namoro secreto. Edward não merecia estar assim. Mas os dois se amavam e foram perceber isso quando ele voltou pela penúltima vez nas férias. A quase um ano. Bella e ele fizeram um passeio e pararam na pequena queda d'água. Quando se despiram e ficaram só com as roupas de banho, eles se viram de verdade e notaram as mudanças que o tempo tinha feito.
Ele estava mais alto, mais forte e ela podia jurar que o cabelo dele ganhou mais rebeldia. Edward não pôde negar perceber que o corpo da amiga de infância tinha ficado mais curvilíneo. Com mais carne em seu bonito traseiro e os seios, bem, esses não tinha crescido muito. Mas bem, ele nunca foi um homem de peitos. Apesar de notar que os de Bella eram lindos e sentia a boca salivar com o simples pensamento de deslizar a boca por eles.
Os dois trocaram beijos depois de alguns minutos mergulhando. E a conexão deles, a física com ele tendo as pernas dela ao redor dele, a carnal com ela se esfregando nele o máximo que podia e aquela conexão que ia mais além. Os dois se conheciam a anos, se amavam como amigos e agora agiam como dois imãs.
Não tinha melhor momento que o agora. Edward estava estagiando no hospital da cidade deles e Bella percebia que o que estava os separando era a obediência cega dela na mãe. Já bastava.
Desceu e foi até a sala de jantar. Os empregados arregalaram os olhos para o visual dela. Cabelo mais curto e rosa, com a orelha mais furada com os brincos novos, com um vestido negro e curto, colado ao corpo. Isso era o que eles viam, se Isabella usasse o biquíni, com certeza perceberiam os piercings de mamilos nela. Era doloroso, mas não tão quanto a bola de metal na sua língua. Aquele doía, mas Bella estava certa da mensagem que queria passar.
Até agora, ela não podia nem pensar em cortar o cabelo ou em tatuagens. Bella nem sabia se as queria. Logo que sua mente se inundou de possibilidades. Piercing, tatuagens, estilo, o que comer e quando comer, se seguiria numa dieta ou se deixava levar. Namorar quem ela quisesse. Edward.
Lembrou que ficou loira somente pela mãe ter assistido um filme x na televisão e encucado que Homens preferem as loiras. Bella perguntou o motivo do pai dela amar Renne então. Renne disse que ficar loira não tinha nada a ver com amor e sim com arranjar bons partidos.
Bella escutou a porta bater e a mãe atravessando a sala para chegar as escadas. Se levantou e se fez presente. Renné viu de longe a cabeleira rosa. Estancou no lugar e largou as sacolas.
- O que diabos você fez sua estúpida! - Bella engoliu o medo e sorriu para a mãe.
- Mudei a aparência, não vê?
- Sim, estou vendo que você é mais burra do que eu pensava. Como ousa...
- Eu não ouso nunca. Esse é meu corpo, minha vida. Estou cansada de toda essa porcaria de comando em que vivo. Cansada de ser seu robozinho.
- Mas você não pode fazer isso. Foi criada para ser...
- Como você. E eu te garanto, não vou me deixar virar um monstro. - Ela levou a mão ao peito.
Escutaram a porta do escritório de Charlie. Ele veio sorrindo com um papel na mão. Mal vendo a mãe de Bella na escada.
- Quando ia me dizer que se matriculou na faculdade? - Ele lhe entrega o papel e os dois escutam um ofegar, seguido de um estrondo.
Renné tinha caído do oitavo degrau da escada.
