Bella viu a menina se levantar e ir até o pai. Ele estava calçando os tênis para sua corrida matinal e estava quase pronto. Até Gwen se apoiar nas costas do pai e alcançar o pente da sua boneca. Ela começou a penteá-lo. O homem foi incapaz de sair dali até que ela se desse por satisfeita. Quinze minutos depois ela se entediou. Edward beijou a menina e deu um beijo rápido na, agora mais desperta, esposa e saiu.
Bella pegou sua menina e levou para o banheiro. Elas tomaram banho na banheira e só saíram quando Gwen começou a resmungar de fome. As duas se vestiram rápido e foram para a cozinha. A bebê sentou-se na cadeirinha no centro da mesa de canto e ficou brincando com seus talheres, copo e pratinho de plástico. Ela sobrava na cadeira maior de bebê e, a cadeirinha na mesa era segura. Bella tinha se assegurado disso.
- Abre o bocão. - Gwen abriu a boca e quando mastigou os ovos fez um biquinho. - Você é tão fofa, quero te morder!
A campainha tocou e Bella colocou a bebê ainda na cadeira no chão. Dali ela não passava. Foi até a porta e viu pelo olho mágico que era seu pai e sua madrasta, Candace, uma ex-secretária que teve um caso com o pai dela por algum tempo até que a culpa e o medo os consumiram e eles se afastaram. Depois da separação e morte da mãe dela, Bella descobriu onde o pai estava nos últimos meses. Com o antigo amor.
- Olá! - ela os saudou. - Candace, seu cabelo está crescendo muito rápido.
- Sim, até tinha esquecido que eram cacheados sabe? - Candace respondeu enrolando o cabelo. Ficava ansiosa quando via a filha de Charlie. Estava em remissão de um câncer de mama e estava mais bonita a cada fase de recuperação.
- Eles estão lindos. Venham, Gigi está no meio do seu café da manhã. - Charlie avançou na frente da filha e encontrou a pequena pentelha brincando com linha solta do vestido.
- Bobô - a menina gritou. Charlie tirou a menina da cadeira e a alimentou. Era caído de amores pela neta. Tinha se mudado da enorme casa com quem viveu com Renné e se mudado para outro condomínio, um que Edward e Bella tinham acharam para melhorar e otimizar o tempo.
A clínica dele estava crescendo, muitos dos antigos pacientes dele estavam ali. O residente fiel dele estava trabalhando ali também. Esme tinha dedo nisso, investiu no projeto do filho e agora Edward estava mais presente para ver Gwen crescendo.
Gigi, uma menina de um ano e três meses, que parecia ter menos graças a seu corpinho pequeno. A menina era magrinha e Bella temia estar fazendo aquela coisa de mãe do jeito mais idiota possível. Edward, apesar de temer algo anormal na filha, ficou mais aliviado depois do pediatra os relaxar dizendo que não tinha nada demais. Gwen teria o biótipo de uma pessoa que comeria o que quisesse e não engordaria.
- Gigi, você é muito sortuda. - Bella sussurrou para menina naquele dia depois de prende-la no bebê conforto.
Edward voltou meia hora depois e se juntou a família depois de um banho. Pegou a filha no colo, sentou-se ao lado da esposa e encarou o sogro. Charlie estava receoso de revelar o que queria fazer quando Gigi estivesse caminhando.
- Pedi Candace em casamento.
Bella arfou e depois suspirou e sorriu.
- Meus parabéns pai! Parabéns Candy. - Bella os abraçou e olhou para a mão nua dela. - Onde…
- Eu deixei na bolsa, estávamos receosos da sua reação querida. - Ela respondeu, enfiou as mãos na bolsa e voltou com o dedo tomado pelo anel de brilhantes. - Seu pai tem bom gosto.
- Tem sim. - Edward assobiou. Eles continuaram fazendo planos, até Gwen gritar ao ver que o avô estava a colocando de volta na cadeirinha. O pai, que tinha a entregado ao avô para ir ao banheiro, pegou a menina dali.
- Ela nunca vai se acostumar a ficar ali assim. - Bella reclamou depois de acenar para o pai e Candace.
- Mas ela fica quando vai comer.
- Que ela é uma gulosa eu sei, mas e quando eu precisar fazer outras coisas além de cozinhar? A babá vai sofrer na mão dela.
Edward fez uma falsa cara de espanto, a bebê o imitou. A boca em formato de O e leva a mão a ela. Os dois sorriem e Bella prende o riso e faz cara feia. A menina começa a balbuciar cocô e Edward a leva para o pequeno vaso sanitário que comparam para que ela se adaptasse a passar o resto do dia sem fraldas. Só usava elas a noite e esperneava quando tentavam colocá-la no berço.
Bella estava na frente do seu bolo de aniversário. Gwen pediu colo e ela recebeu os parabéns do pessoal cercada pelos braços do marido. Seu pai e sua, agora oficialmente, madrasta, estavam a sua frente. Viu Rose, Emmett e a sua ninhada bonita. Bella sorriu ao ver o advogado de Edward, Jasper, junto a sua esposa, a elétrica Alice. Depois viu alguns colegas da assistência social e os médicos que trabalhavam na clínica. E por último, mas não menos importante, estava Billy, o pequeno Jake, sua mãe grávida novamente e sua avó. Todos têm uma boa relação com ela e por isso estava feliz com a festa.
Bella recebeu um beijo em cada bochecha. Gigi de um lado e Edward do outro. Depois assoprou as velas e fez um pedido, que aquilo durasse por mais tempo, aqueles momentos felizes. Piscou e pensou ter visto a mãe no meio dos convidados. Sorrindo como nunca sorriu para ela. Sorrindo como se estivesse orgulhosa. Ela estudou, se esforçou, se tornou o que lutou pra ser. Seu casamento não a empatou de seguir seu caminho.
Todos a felicitaram, o almoço foi servido e todos se divertiram com as conversas e as estripulias das crianças. Gwen continuou arriscando suas caminhadas mais longas pelo jardim, com a ajuda dos primos. Mais tarde a casa esvaziou e, enquanto os homens lavavam as louças, as mulheres organizavam a casa.
Edward deu carona para a mãe e para alguns colegas da clínica que não tinham carro por morarem a poucas quadras do trabalho. Bella abriu alguns presentes na frente dos convidados, mas o pai pedira para ela abrir o dele só depois, de preferência sozinha. Ela pegou o embrulho quadrado. No centro dele tinha um pendrive com uma bonequinha loira e de vestido rosa. Era uma mini-Madonna do clipe de Material Girl.
Levou ao notebook e começou a assistir. Gwen estava no berço e Bella se sentou de costas para ele. A menina começou a pentear os cabelos da mãe por entre as grades. Era um arquivo de vídeo e uma pasta com fotos. Ficou mais curiosa com o vídeo e o colocou para tocar. Ela sorriu ao ver uma pequena garota de cabelos longos e castanhos dançando sem jeito pelo estúdio de balé. Ela não estava se importando com os risos que ecoavam pela sala. Ela parou e encarou a câmera. Abriu um sorriso.
- Esse é o melhor aniversário de todos! - Ela gritou e rodopiou. Tropeçou, caiu, levantou e voltou para perto da câmera soltando gargalhadas. -Você viu, mamãe? Eu levantei rápido quase ninguém viu.
Cortou para uma gravadora. Ali, a menina olhava para a mulher dentro da sala acústica cantando. A mulher piscou e parou de cantar quando a garotinha caiu. A filha era atrapalhada demais. As duas saíram dali sorrindo.
- Eu faço tudo errado. - A Bella de 8 anos resmungou. Sua cara fechada no banco de trás. Renné, que tinha colocado a câmera num lugar estratégico do carro, sorriu com o comentário da filha.
- Tudo bem, eu não quero voltar a cantar se não puder estar com você.
- Mas é o seu sonho.
- Meu sonho é você Bella.
- Não. Eu não quero assim.
- E como quer?
- Quero que seja feliz.
O vídeo foi cortado mais uma vez.
Bella corria pelo grande jardim, olhou para trás duas vezes, na segunda, caiu e rolou pelo chão. Em seguida apareceu o jovem Edward Cullen. Ele avaliou o ferimento dela. Ela não chorou e ele ajudou ela a levantar, mas o pé dela estava inchando e ela quase caiu quando o garoto a pegou no colo e levou para a casa. Ela sorriu e deitou a cabeça nos ombros dele.
Mais um corte e Bella notou que era uma sala com uma janela com vista para as montanhas. Uma mulher magra apareceu e se sentou no banco a frente da câmera. Com o coração acelerado, Bella viu a mãe de novo. A mulher no vídeo sorriu e puxou o violão. Reconhecendo a música, a mulher mal percebeu o nó que Gigi tinha dado em seus cabelos.
Bella chorou ao notar que a mãe, depois de tudo, estava tentando ser melhor. Riu quando ela desafinou um pouco e continuou a canção como se não tivesse errado. Era a música de ninar dela. Ela só notou as lágrimas quando sentiu o gosto salgado delas. Limpou o rosto ainda vendo a mãe terminar de cantar.
O último corte foi para Renné no quarto de bebê, segurando um pacote branco e cantando uma outra cantiga de ninar. Fechou os olhos e tentou se infiltrar no momento. Sua mãe fez tantas maldades, mas ela ainda sabia que ela tinha recuperação. Se deu conta de que ela estava naquela rodovia a quase dois anos pois era caminho para a casa dela.
Ainda emocionada, Bella abriu a pasta de fotos. Renné e ela estavam em todas. Algumas apareciam Charlie, provavelmente era ele quem estava por trás das câmeras na maioria. Uma Bella de cabelos curtos, imitando a mãe nas caretas a deixou com o coração mais quente. Desligou o computador e foi tomar banho, levou Gigi.
Bella e Gwen se deitaram no tapete na sala e assistiram aos desenhos da grade do canal infantil. A menininha deitou sobre a barriga da mãe e dormiu. A mãe dormiu logo depois. A menina foi tirada dali primeiro, foi depositada em sua cama e embrulhada. A mulher sentiu o corpo sendo retirado do chão.
Edward carregou Bella até a cama do casal e ela não o largou quando ela deitou na cama. Na verdade, ela enroscou as pernas na cintura dele e buscou a boca do marido. Eles se beijaram devagar e ela se esfregou devagar nele, queria sentir ele daquele jeito desde o começo da semana, quando ele cortou o cabelo e voltou com a barba aparada. Ele estava tão social e ela tinha uma tara por ele com aquele corte de cabelo.
- Você chorou? - Ele perguntou olhando para os olhos inchados dela.
- Renné. Recebi um vídeo póstumo. E um recado num bloco de notas do arquivo. - Edward se deitou ao lado dela para escutar melhor. - Ela deve ter feito o rascunho e deixado lá. Ou fez de propósito? Eu não sei. Só sei que ela disse ter encontrado uma força maior, que a livrou e a livrava dos pecados. Mas ainda não a tinha livrado de hábitos ruins.
- Hábitos?
- Comprar o que não precisava, falar mal de alguém sem querer…querendo. Andar em alta velocidade quando não tinham muitos carros na estrada e esquecer de propósito o cinto de segurança.
- Ela fazia isso?
- Bem, ela era tão desastrada e esquecida quanto eu. Mas ela sabia disfarçar melhor.
- Parece que sim.
- Já pensou que se não fosse aquela noite na prisão, você não conheceria o nosso amigo Bill, ele ainda estaria na má sorte, não conheceríamos nosso afilhado e, bem, talvez ele nem existiria.
- Já pensou que era o dia de sorte dele e só?
- Não implique com a minha mãe.
- Eu só tenho um pouco de mágoa. - Bella quase fechou os olhos e o encarou. - Ok, mágoa demais, mas no mesmo dia da prisão, você foi parar na mesa de cirurgia, adiamos nossa noite de núpcias e… você ficou tão abalada quando se separou dela antes.
- Ela é minha mãe.
- Mas ela era tóxica. Te machucava com aquelas atitudes e por consequência também me machucava. Dói lembrar que você sofreu por tanto tempo.
- Eu acredito que ela estava mudando, se transformando, abrindo a mente dela.
- Então, eu posso acreditar nisso também. - Ele deu um selinho nela.
- Podemos lembrar de coisas engraçadas? Eu não quero chorar. - Ela passou a mão pelo cabelo dele.
- Hum…deixe-me ver… oh, mas é claro. Um ano, três meses e doze dias atrás….
- Lá vem…
- Eu inaugurei a minha clínica particular que é mais pública agora graças aos trabalhos filantrópicos da sua sogra, minha mãe. Mas eu levei uma esposa super grávida para isso, ela estava linda em seu vestido dourado e branco, a barriga redonda e linda, a barriga de grávida mais linda de todas, e bem…. Onde eu estava? - Ele murmurou perdendo o foco. A mão de Bella deslizava por suas costas.
- Você levou a barriguda bonitona na inauguração… - ela agarrou a nuca dele e tentava forçar a cabeça dele para perto da sua.
- Claro, mas como disse, a mulher mais linda de todas. Levei ela e ela se tornou a minha primeira paciente na clínica. - Ele deu um beijo demorado, já que era o que ela queria. E ele fazia tudo por ela.
- Fui o seu primeiro parto. - Eles ficaram nesse meio abraço.
- Sim, anos e anos trabalhando no hospital, sabendo na teoria como ajudar um bebê chegar ao mundo e tive que aprender com você como fazer na prática.
- Você fez, você quem tira. - Murmurou ela com a cabeça enterrada no pescoço dele.
- Falando em colocar e tirar.… - Edward virou e ficou entre as pernas dela.
- Eu pedi algo engraçado, não uma… Ai, sim! Bem aí, continua.
- O que estava dizendo?
- Temos que parar de falar, tirar as roupas e fazer umas coisinhas.
- Que coisinha? - Ele esfregou mais duro nela.
- Tá legal, uma coisona. É para o meu tcc.
- Aquele que você defendeu há quase três anos?
- Cala a boca. - Eles sorriram e logo voltaram a se beijar. Edward deslizou a mão pelo cabelo dela e parou quando os dedos engataram num nó.
- Gigi! - Os dois gemeram.
Bem, à noite, o dia e a vida dos dois não param aqui nesse capítulo, mas a partir de agora, os dois vão ficar sem compartilhar a bolha deles com o mundo. É hora de seguir no anonimato, longe do mundo material. Longe dos olhares curiosos.
Deixe-os transar em paz!
Bem, isso se não for a Gigi falando no quarto dela e eles escutando tudo pela babá eletrônica.
- Papa! Mamam!
