– Boa tarde Isabella.
– Boa tarde, Edward. O mesmo de sempre?
– Sim, por favor.
Edward era um cliente que não esperava o atendimento de Leah, ou Mike, ou da minha avó Nina. Ele ia diretamente ao balcão e tratava o assunto com quem tivesse ali. Em todas as ocasiões, eu era a pessoa que o atendia, fazia o buquê dele com o mesmo padrão que ele pediu da primeira vez.
– Elas estão mais bonitas hoje.– Ele murmurou ao me ver juntando as tulipas vermelhas.
– Paul está dando cuidados especiais às tulipas. Temos um cliente fiel.– Sorri para ele e ele retribuiu com um meio sorriso, sem mostrar os dentes e com uma expressão fria.
Edward não era o tipo de pessoa que aceitava agrados na hora do atendimento. Também não era o tipo de pessoa que falava com as outras. Em todo esse tempo, ele só tinha falado comigo na loja.
– Obrigado Isabella.– Ele me deu o dinheiro que pagava exatamente o valor do buquê e saiu da loja sem me dar chance de me despedir.
Leah assistiu a cena, e quando ele saiu da loja, ela quase correu para o balcão.
– Hoje ele estava falante.– Ela zombou debulhando uma rosa branca de um buquê que eu estava debulhando para um casamento.
– Sim, ele disse que as tulipas estavam bonitas.– Murmurei pegando uma flor e debulhando suas pétalas junto com Leah
– Falou para ele que é porque você tá estudando essas flores em específico por causa dele?
– Não é por causa dele. Eu gosto de tulipas.
– Suas flores favoritas são Lírios, Bella.
– Mas eu já sei muito sobre Lírios, agora estudo Tulipas.
– Estão falando do cliente estranho?– Mike se aproximou zombando.
– Estranho é você, seu quadrúpede.– Leah quase socou a cara de Mike com palavras.
– Ele é estranho, querendo ou não.– Mike murmurou se afastando quando ouviu os gritos da minha avó chamando por ele
– Será que ele fez uma merda muito grande para a esposa e leva buquê todos os dias para ela?– Leah questionou para si mesma, não se importando se eu ia responder.
– Não sei, mas sei que não devíamos ficar palpitando sobre a vida dos clientes. Principalmente do que traz muito lucro para a gente.
– Ele com certeza chifrou a esposa e leva flor todos os dias como pedido de desculpa.
– Leah...– Eu a repreendi
– Eu concordo, Leah..– Minha avó chegou perto e bateu o quadril no quadril de Leah como se fossem amigas de 12 anos.
– Vovó..
– Isabella, eu não te criei para se envolver com homem casado, ouviu?
– Como vocês sabem que ele é casado? Ele não usa aliança.– Contestei cruzando os braços
– Sua safada!– Minha avó pegou um ramo de uma rosa e jogou em mim – Você fica olhando a mão do homem? Isabella, te orienta!
Leah gargalhou.
– Não fico olhando a mão de ninguém. Ele vem aqui todos os dias, e a mão dele é sempre tão inquieta, desvia de todos os jeitos de uma encostar a pele na minha. Eu reparei. Só isso.
– Uhum...– Um coro se formou entre minha avó e Leah, que estavam ainda debulhando pétalas de rosas brancas.
