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A DESPEDIDA DE UM MESTRE

O casal de seres voadores chegou alguns dias antes de Logan. Eles tiveram muitas fotos para mostrar e muito que contar aos que habitavam a Mansão. Em sua estada no Brasil tinham enviado via Correios várias lembrancinhas para os habitantes, mas algumas delas demorariam ainda a chegar enquanto poucas extraviariam para sempre! Uma pena… Já o Professor passava grande parte do dia descansando o corpo, mas sua mente participava de todas as discussões e ele auxiliava muito Jean em questões legais da Escola.

Jubilee e Clarisse foram as que mais se impressionaram com a história de Ellesmere, sobre os anciãos e como ambos se descobriram depois de passar apenas alguns minutos com eles. Gian gostou muito da descrição das praias no Nordeste brasileiro; ele começou a fazer planos mentais para visitar o local em algum momento de sua vida. Enquanto August adorou a agitação do Rio de Janeiro e queria ir até lá para olhar umas gatinhas e todas as nuances que sua mutação conseguia abranger.

E no Japão a mídia fazia alarde sobre o caso do assassino em série e, caso fosse mantida a legislação corretamente, sua pena de morte seria cumprida em algumas semanas. Um organismo internacional resolveu conferir quem era o assassino e conversar sobre a chance de postergar a pena, ao que Logan quase "mata" o enviado que, com o devido cuidado, deixou claro a todos o quanto aquele ser era perigoso. O canadense riu muito depois da cara que o rapaz ficou, ainda mais quando encenava para os outros na Mansão.

E foi num dia chuvoso que Dylan Trout deixou este mundo, tudo devidamente confirmado por um médico que também ficara encarregado do corpo pós execução por enforcamento. Assim que saíram dos limites da prisão o médico trafega mais algumas quadras e então joga as roupas de Logan, bem como os documentos para que ele deixe o país. Logan explica que vai encontrar com a esposa no bairro onde morava Yukio e o médico assente, dizendo que o Capitão Sagara o havia informado sobre isso e estava tudo dentro dos conformes.

Médico: As passagens aéreas estão marcadas para essa madrugada, sr. Rogan. Espero que façam boa viagem. – falando de modo maquinal.

Wolverine nem respondeu, trocou-se na parte de trás da van e partiu assim que o médico entregou as passagens, localizando-se ao sair numa avenida principal e vendo que o mesmo não havia sido tão sacana assim, pois não estava distante do local onde suas posses mais importantes estavam.

Era um domingo, as três estavam em casa, com Ohana barrigudinha de seis meses e as duas muito atarefadas em decidir o que fariam nesses últimos dias juntas. Nem mesmo Yukio havia conseguido saber quando seria a execução, mas elas estavam contando e seria por volta daquela semana.

Amiko: Eu acho que mesmo grávida devíamos levar Ohana para um Templo onde ela pudesse ter muito contato com a natureza e algum tempo para meditar, seria uma benção para a criança, não é? - e Yukio negava com o cabeça.

Yukio: Imagina, Amiko, uma grávida que está há mais de 6 meses sem treino físico? Só se pudéssemos fazer em três ou quatro dias, mas não acho que temos esse tempo. Se Sagara for um homem de palavra, amanhã ou depois ele libera o Rogan.

E pela janela que dava para a rua Logan aparece:

Wolvie: Então ele tem mais do que palavra, galera! Porque eu já 'tô aqui! – e voltou-se para as duas que abriram a porta correndo e foram abraçá-lo na rua mesmo – E que papo é esse? 'Cês têm que pegar leve com a esposinha…

Ohana estava no quarto, um pouco indisposta, mas conseguiu ouvir os murmurinhos delas e iniciou a levantar-se devagar, primeiro virando de lado, depois sentando em cima das pernas e quando ia empreender o maior esforço para alavancar o corpo para cima sentiu um braço ainda forte sob seu braço, apoiando-a. Fossem os hormônios, fosse o tempo distante, fato é que Ohana não conseguiu olhá-lo no rosto, ela aproveitou a força do impulso e já se jogou num abraço chorando. Logan acariciava o cabelo da ruiva e fazia "shii" bem baixinho e ritmado, enquanto ela dizia as palavras pausadamente "finalmente você está aqui!".

Wolvie: Fica calma, Ohana… Isso porque a gente se via todas as noites, hein? Se acalma, vai… Tanta emoção pode te fazer mal! Eu não quero sair da prisão e ir prum hospital, né? – e sorria, tentando acalmá-la.

Ohana: São os hormônios, seu bobo! Ou saudades do bebê… – e enxugava as lágrimas – Eu estou de boa, até. Claro, muito feliz em te tocar na matéria também. – dando-lhe um beijo suave que Wolverine só se tocou do tempo que fazia quando o sentiu e, então, aprofundou mais o beijo. – Não faz assim que aí, inconscientemente, eu vou querer ficar um pouco afastada de você pra que o reencontro seja sempre assim…

Saíram do quarto, ele explicou para todas que tinham até de noite para estar no Japão e então a ruiva decidiu já arrumar a mala, tinha uma ou duas coisinhas que queria levar, eram mais utensílios domésticos, um quimono e algumas roupinhas para o bebê, tudo em tom de verde pois o médico não tinha conseguido precisar o sexo e ela não quis fazer nenhum exame de sangue para saber. "Vamos na surpresa desta vez!". À noite despediram-se das anfitriãs no hall do aeroporto. Logan não sabia como agradecer as duas pelo tratamento que deram a esposa e mesmo Ohana não sabia como dizer o quanto elas foram cruciais para aqueles momentos.

Wolvie: Fiquem avisadas, hein? Dentro de uns dois meses vou mandar passagens aéreas pra vocês, as madrinhas da criança, irem conhecê-la! – as duas agradeceram com uma reverência e ficaram muito contentes. Algumas noites atrás Ohana tinha emitido esse desejo em um dos encontros noturnos e ele resolveu externar agora.

Ohana: Sim, eu não teria conseguido passar esse tempo de modo tão tranquilo se não fossem vocês, os exercícios respiratórios, os cuidados constantes, sem vocês eu teria pirado! Sempre preocupadas com minha alimentação, com meu descanso, com presentes para o bebê, enfim! Vocês foram mais do que uma família para mim, muitíssimo obrigada!

Yukio: Nós que agradecemos a oportunidade, Ohana! Amizades assim devem ser cultivadas sempre. Façam boa viagem e avisem quando chegar.

Amiko não respondeu em palavras, abraçou Logan apertado por alguns minutos, depois passou a mão com carinho na barriga de Ohana e deu-lhe um abraço também, menos apertado, mas igualmente intenso. Fazendo depois uma reverência e assim eles partiram para Westchester.

Ao mesmo tempo que queriam chegar logo, pois era seu lar, queriam adiar ao máximo, pois o Professor só estava esperando eles chegarem para se despedir e deixar o corpo! Seria como nos países que aceitam a eutanásia, morte com data e hora programadas. Durante todo o dia, depois que Logan avisou estar livre e o horário da viagem, vários mutantes e não mutantes foram se despedir de Charles. A grande maioria já havia aceitado o desejo do mestre, mas alguns ainda estavam sentidos e chorosos. Enquanto da maioria recebia desejos de "boa viagem", destes ele é quem tinha de consolar, explicar a situação, enviar vibrações mentais de consolo. E nessa montanha-russa emocional ele passou grande parte do dia, descansando algumas horas antes do casal Howlett chegar.

Foram, assim como Ororo e Warren, recepcionados por todos na casa, com faixa de "Welcome back" e bebidas. Remy fez o que havia prometido, se aproximou de Logan tão logo teve a chance e disse que sentia muito pelo passado, mas queria construir um novo relacionamento futuro com ele. Wolverine estranhou e, para quebrar o gelo, perguntou se ele não ia pedi-lo em casamento, porque senão ele ia ter que recusar, por já ser casado. Os que estavam do lado caíram na risada e o cajun aceitou aquilo como um recomeço. Vampira aproveitou todos reunidos para anunciar que também estava grávida e que eles voltariam em duas semanas para Paris, houve uma mescla de felicidade e protestos ao que ela prometeu voltar uma vez por ano ao Instituto, religiosamente. E, quando a conversa foi amainando, o casal recém-chegado pediu licença para visitar Charles Xavier e saiu.

O encontraram no quarto, cheio de fotos de mutantes que ele havia ajudado, direta ou indiretamente. Alguns vasos de flores, algumas faixas com escritos de agradecimento. Parecia um quarto de alguém internado. A sensação que passou em Ohana não foi muito boa, mas ela nada falou. O Professor estava sentado na cama, de olhos fechados e, assim que sentiu a presença dos dois abriu-os lentamente.

Prof. X: Meus queridos! Finalmente chegaram, a espera para um corpo velho como esse não tem fim! Que tenham feito boa viagem, que a experiência tenha valido todo o caos, não é mesmo? – e olhou para Ohana intensamente. – De algum jeito, seu corpo conseguiu compensar a mutação perdida de um modo muito interessante... Hank está fascinado com isso.

Ohana: Não que tenha sido fácil, Professor, mas deu sim. De acordo com meu instrutor foi meu cérebro que realizou novas conexões e, ao que parece, cérebros mutantes têm algo que os diferencia daqueles do Homo sapiens sapiens. Estou muito feliz de conseguir ser útil, de algum modo, aos X-Men! – e enquanto falava se aproximou da cama e se sentou ao lado dele, segurando-lhe a mão. Esta, depois do breve contato migrou para a barriga de Ohana e a acariciou, mandando para sua mente: *Eu sempre fui fascinado pelo milagre da vida, fico feliz por vocês* – e ela apoiou as duas mãos na mão do mestre e, dentro de um minuto, ambos sentiram um chutezinho e riram.

Prof. X: E quanto a você, meu grande amigo! Quem diria, depois de tantas desventuras, que seu futuro poderia ser esse, hein? Com plenitude e felicidade, eu diria que, desta vez, conseguiu encontrar o equilíbrio que tanto buscou, não?

Wolvie: Ah, Charlie, os X-Men mudaram minha vida, deram sentido e direção, mas ainda faltava mesmo algo que eu só consegui completar depois da Ohana. A gente já conversou sobre isso… Meu medo agora é essa "maldita" imortalidade, saca? – pegando uma cadeira para sentar-se ao lado da cama, entre Charles e Ohana – Mas vou ter que aprender a lidar com isso de modo totalmente novo, né?

Ohana não entendeu muito o "já conversou sobre isso…", mas decidiu guardar na memória e conversar em algum momento futuro. Ela ficou enternecida por haverem conversado dela no passado, isso bastava.

Prof. X: Quem não se adapta, morre, meu amigo… Mesmo que viva em um corpo por milhões de anos, sem mudança de paradigmas está morto por dentro e, nesse quesito, você é um vencedor, não acha? – sua mão saiu da barriga de Ohana para apertar a mão do canadense.

Logan então se levantou e a apertou, com certa efusividade, agradecendo imensamente por ensinar até o último minuto.

Prof. X: Que é isso! Vamos continuar nos conectando de algum modo! Eu aprendi que o Universo é muito interessante e vou me ausentar da Terra por algum tempo, amigos… Com certeza, esse tempo não corresponderá ao que vivemos aqui e, portanto, só posso dizer a vocês: Nos veremos!

E sua mão ficou pesada nas mãos de Logan, que a apoiou no peito do corpo dele e voltou a sentar na cadeira, de modo desleixado. Ohana chamou Jean telepaticamente e informou do desencarne do Professor, logo em seguida, a voz dele se fez ouvir em todas as mentes: *Sejam felizes e procurem sempre a Paz, meus filhos!*. Wolverine soltou um "put merda!" e Ohana não conseguiu mais segurar a emoção, chorando sentada na cama até que Logan se sentou ao lado dela e a abraçou, fazendo carinhos.

Não demorou muito para Jean, Scott, Hank e Warren chegarem; Jean havia passado tanto tempo com a forma astral dele que não chorava nada, na verdade, nenhum dos quatro chorava, seus semblantes eram tristes mas sem lágrimas. O casal Howlett saiu do quarto e foi para o dojô, Logan aproveitou para pegar a malinha de Ohana na sala de estar enquanto ela olhava para além da piscina, pela porta da cozinha, atrás das árvores e das nuvens que começavam a formar uma malha acinzentada sobre Westchester devido à tristeza de Ororo. Passaram a noite como deu naquele ambiente oriental que não havia sido feito como habitação.

No dia seguinte, várias autoridades mundiais mandaram por todas as vias conhecidas e outras que a maioria não sabia, as condolências aos X-Men. Foram cartas, e-mails, telefonemas, telegramas e contatos super tecnológicos não usuais. A pedido do próprio Professor não foi realizado velório e o enterro, depois da visita do médico de família para emitir o laudo de morte, foi realizado na mesma campina onde estavam o corpo de James e de outros X-Men bem como da família Xavier. Contando apenas com a presença dos que já moravam na Mansão, foi um enterro silencioso e simples. Já haviam dito tudo pessoalmente ao Professor; Ororo esforçou-se para evitar a chuva torrencial, quando o casal Howlett chegou ela os cumprimentou e subiu para sua estufa. Lá ficou algumas horas depois da notícia do desencarne, fazendo cantos mentais, aprendidos em sua tribo, para que a alma tivesse felicidade no outro mundo, olhou ao redor e compreendeu, assim como a grande maioria deles que, se Charles não os tivesse recrutado, faltaria um sentido em suas vidas. Seriam seres com características incríveis, sem capacidade de expressar todo o potencial humano adjacente. Sem uma causa que os motivasse, não passariam de aberrações, mas aquele homem, com todas as suas dificuldades e habilidades havia conseguido unificar pessoas tão diferentes quanto suas mutações sob a égide do "se temos poderes, são para auxiliar aqueles que não têm".

E na mente de cada um surge o momento decisivo de sua vida, onde o Professor apareceu para dar uma alternativa, uma saída. Flores foram colocadas em seu túmulo que tinha um busto seu em mármore com os dizeres "Ignorantiae scientia vincit" escolhida em conjunto com Hank. Jean e Scott foram os últimos a sair do local. Scott esperou para entregar uma pasta escrita "divórcio" para Jean.

Scott: Assinei em todas as linhas, Jean. Agora é com você… Queria dizer que sinto muito, mas acontece que eu não sinto nada! Vou demorar mais para me recuperar do que pensava, mas andei estudando meu comportamento e você estava certa em alguns pontos. Portanto, eu decidi deixar os X-Men, estou partindo para minha cidade natal, quem sabe fazer o que meu pai fazia por lá. Não sei… – e estendendo o braço para um aperto de mão formal, finalizou: sucesso na escola.

Ela aceitou os papéis e retribuiu o aperto de mão, virando-se em seguida sem pronunciar nenhuma palavra e sem esboçar nenhuma reação, em sua mente que apenas enviou a frase: *estou aliviada que não tivemos filhos…*. A telepata já tinha decidido sobre sua vida, o que Scott fizesse com a dele não lhe dizia mais respeito.

Logan e Ohana foram conversando; Logan comenta o quanto a gravidez a deixava bonita, ao que ela ri e faz chacota: "E depois você diz que não sabe o que dizer a uma mulher… 'Tá de brincadeira comigo?"; rindo ele diz que até o tom de ruivo dela ficava diferente, os olhos mais verdes, e algumas sardas apareciam de modo mais especial nas costas: "Eu presto tanta atenção em tu que saberia até dizer pra um desenhista todas as pintas e manchinhas que 'cê tem.", Ohana sorri e pensa que ocorre o mesmo com ela em relação a ele, mas não externa os pensamentos para que ele não fique muito convencido. Ele então comenta que precisam sair para fazer algumas compras e tornar o dojô um lar.

Ohana: Isso é mesmo um fato, Loggie. Acho que é pela conformação da barriga, eu dormia muito melhor num futon de verdade do que naquele que improvisamos ontem… Achei que você quisesse passar o dia recolhido, sabe? Mas se quiser sair, eu vou contigo. Pra mim, tenho respeito pelo nome dele e pelo corpo que está enterrado lá, mas não o correlaciono ao Professor. Sei que ele está além disso e meu coração se conforma.

Wolvie: É isso mesmo, 'tô conformado. Sei que várias vezes vou me pegar pensando no nome dele, tentando uma conexão mental pra solucionar algum problema interno, sei que ele não vai me responder, mas só de saber que existe uma possibilidade de isso acontecer, eu já me conformo, gata. – e aproveitou que chegaram ao dojô e Ohana estava dois degraus mais alta para abraçá-la pela barriga e encher a mesma de beijos.

Ohana: Amor! Você sabe que eu prefiro beijos na pele mesmo, não por cima da roupa… – e abriu alguns botões da camisa, fazendo Logan abrir outros mais acima. Colocando o braço por dentro da camisa ele então repetiu os beijos e sentiu um chute ficando exultante.

Wolvie: Eu adoro quando ele me responde de volta, não tem sensação melhor! – e a alçou pelo braço, colocando-a na mesma altura que ele estava, abraçando enquanto sentava num dos degraus e a colocava no colo, pensando: "tão leve e ao mesmo tempo nada frágil", enquanto anunciava verbalmente: Espero conseguir ficar do teu lado dessa vez, Ohana…

Ohana se assustou com essa frase, se ele não ficasse, somente por ela, não tinha condições de defender a criança de ninguém! Não havia mais telecinesia que a permitisse lutar de igual com outro mutante…

Ohana: Saiba que eu nem cogitei essa gravidez e o nascimento dele sem você do meu lado! Aqui eu estou totalmente indefesa, sabe disso, não?

Wolvie: Claro que eu sei! Tu acha que eu não tenho pensado muito nisso… Por isso até comentei de 'cê ficar os primeiros dias na Mansão. Não tem lugar mais seguro de mim do que lá… Por outro lado, queria poder dizer que 'tô no controle total… A gente precisava ter essa conversa, cedo ou tarde, né?

Ohana: Claro, claro que devíamos… Eu… eu não sei o que dizer… O que você e eles decidirem eu terei que acatar. Afinal, posso ser boa com uma espada, mas você tem seis! E de adamantium!

Wolvie: Então agora é o momento de eu te apresentar minha "criptonita", gata… Algo que eu gostaria muito que você soubesse que existe. Yukio me disse que você já a conheceu, lá na casa dela, quando foram pegar um futon no meu quarto e uma espada caiu de dentro dele. Bom, aquela ali é a Muramasa, a única coisa no mundo que pode me matar, Ohana.

Ohana: Poxa… Por essa não esperava! Fico feliz que ela esteja em outro continente!

Wolvie: Na verdade, eu a trouxe pra cá… Precisava te dar algo que fosse capaz de te proteger. Mesmo que for de mim mesmo, saca? Pra mim, racionalmente falando, não tem nada mais importante que vocês dois! Eu quero que saiba disso e que não hesite em fazer uso dela, se necessário.

Ohana: Logan – olhando-o bem dentro dos olhos – pra ela fazer efeito eu teria que te acertar, amor… E tenho consciência de que isso, no meu estágio atual, é impossível! Seria quase um último ato de Shakespeare… Eu te mato, mas você também já teria me acertado e nisso, os amantes morrem juntos. – fazendo cara de poucos amigos, ela emenda: Nunca gostei desse inglês!

Ambos riem, passam mais um tempo sentados, até que Logan sentencia "vou tocar nesse assunto de novo" e a convida para sair e comprar o que precisavam.

Talvez fosse pela vida fugaz de James ou por falta de familiaridade com crianças em casa, mas nenhum deles pensava em comprar muitas coisas para a criança que viria. Ohana lembrou-se, na cidade, de comprar fraldas, mas só. O restante viria conforme fossem precisando e o bebê fosse pedindo. Conseguiram encontrar num "mall" uma loja de produtos para casas orientais e deixaram a vendedora muito feliz! Comentaram se existia algo que deixasse uma grávida mais confortável e, sabiamente, a vendedora respondeu que era o abraço do marido, acima de tudo, e algumas almofadas menos cheias sob a barriga. Agradeceram e saíram com todos os itens para um quarto japonês. Logan também pegou algumas peças que adaptavam uma salinha em banheiro emergencial e já imaginava onde poderia usá-las. A vendedora simpatizou muito com aqueles dois ocidentais, nem imaginando que a grande parte da vida de Logan havia sido passada no país do Sol nascente.

Deram um jeito de arrumar tudo no carro e resolveram jantar na cidade, ao que Ohana avisou Jean mentalmente sobre onde estavam e que iam comer ali.

Ao passarem diante de uma trattoria Ohana questionou o que ele achava de comida italiana e ele respondeu que poderia ser sim. Entraram, o maitre foi muito simpático e os colocou numa mesa para dois, próximo de uma janela que dava para um pergolado. Logan pediu um vinho e Ohana disse que preferia um suco de limão siciliano. Enquanto aguardavam a chegada das bebidas, a ruiva questionou:

Ohana: Querido, sei que vai precisar de tempo com a Jean, mas estava querendo saber se vai ajudar na reestruturação do Instituto, se fez algum plano para isso?

Wolvie: Pode botar uns séculos aí, hein?… – Ohana riu – Como ainda estou puto, só de pensar no que ela teve a coragem de fazer! Se tu for da administração capaz que eu me empolgue em dar algumas aulas, né? Assim eu poderia tratar dos horários e tudo contigo. Eu pensei bem por cima, ruiva. Quero focar em fazer nossa casa, depois em curtir o bebê e, como última opção, ser útil de algum modo nesse esquema. Fazer um passo de cada vez é o que 'tá na minha mente.

Ohana: Sei que empatia nunca foi seu forte, amor… Mas pra que fique no ar, pensa na dificuldade dela, no que ela passou pra optar por essa solução, mesmo sabendo que podia te perder pra sempre, hein? Ela só estava pensando na tua, na nossa felicidade! Contudo, curte aí seu emputecimento, vai!

Wolvie: Preciso botar meus músculos pra funcionar! Eles atrofiaram nesses 6 meses, Ana! Já 'tô com a imagem do que eu quero e vai ser ir na floresta cortar árvore pra fazer tábua sim… A Mansão tem uma sala de carpintaria incrível! Pouco usada na tua época, mas no começo Charles via esses trabalhos manuais como uma rota de fuga para aqueles mais revoltados. Her… eu fui um que usou muito aquela salinha!… – coçando a nuca com uma das mãos.

E eles sorriem, Logan estende a mão para ficar segurando a de Ohana e, de quando em quando ele aspirava profundamente e sorria para ela. As bebidas chegaram e com elas o cardápio. Logan escolheu um bife malpassado e Ohana preferiu um espaguete à putanesca; comeram e retornaram à Mansão com tempo para apreciarem a Lua da mesma pequena varanda com os degraus enquanto descarregavam o futon do carro para, ao menos naquela noite, dormirem de modo mais confortável. Retornam à frente do dojô e o canadense começa a estender o braço para mostrar onde ficariam as ampliações que ele faria e Ohana, sinceramente, pensando em outras coisas. Ele a abraçava no quadril com uma das mãos e a outra gesticulava sem parar, quase materializando vários sonhos.

Ohana: Uau! Eu espero conseguir acompanhar de perto essa construção… Imagina meu gato todo suado, trabalhando com madeira, transformando árvores numa casa pra nós. Pode ficar tranquilo que eu vou preparar muito suco e uma comida reforçada para você, com muita proteína pra reconstruir esses músculos. – apertando-os de modo carinhoso.

Wolverine a deixa acariciar o braço e quando ela está descendo pro antebraço ele estaca com a outra mão livre e solta um rouco "Ohana…" e faz sinal de "não" com o dedo indicador. Ela para de avançar com a mão, mas aproxima o rosto do dele, beijando-lhe os lábios e indo para a orelha ela fala baixinho:

Ohana: Wolvie, eu também quero, vai… Pode deixar que serei cuidadosa com o bebê… Considere isso um desejo de grávida. – e a mão volta a massagear o antebraço.

Sem muitas forças ou desejo de resistir aos encantos da esposa ele se cobra sobre manter o controle, senão poderia machucá-los. Com a mão que estava nas costas dela ele sobe e acaricia a nuca de Ohana, parando um quase beijo pela metade, segurando-lhe os cabelos e aumentando gradativamente o desejo. Enquanto se beijam ele a pega no colo e decide: eles realmente precisavam estrear de modo correto aquele futon. E a noite passa carinhosamente entre os dois que terminam o sexo seguindo o conselho da vendedora: algumas almofadas fofas por baixo da barriga e um abraço de conchinha do maridão.