texto em itálico são pensamentos

palavras em negrito são enfáticas na entonação

os nomes de quem fala estão antes de cada fala, em negrito apenas para que saibamos quem são

E ENTÃO ACONTECE: A LUTA DO SÉCULO!

Lliurè crescia saudavelmente, entre aqueles que a amavam e protegiam. Os pais estavam muito orgulhosos! Logan ia mais à cidade com a família depois que a pequena passou a ser mais independente e, ele mesmo, sentiu-se mais animado devido aos nanitos de Arnold e aos treinos constantes. A pequena ainda não falava tudo e muito do que falava era de um jeitinho próprio, mas entendia todos!

A cada dia que passava, Logan se dedicava mais às aulas e práticas, estava sempre envolvido nos extras da escola e Ohana não consegue – ou não quer – se lembrar do momento exato que Logan, durante suas saídas para a mata próxima, também passou a dormir fora algumas noites por mês e, em algumas manhãs, retornava com marcas de batom pelo corpo... Ele nada comentava e a ruiva nada dizia. Sabia o tipo de homem que ele era e, sinceramente, ele voltava, não era mesmo? Tinha uma família fixa e feliz e ainda precisava estar com outras mulheres para se sentir o "macho dominante". Ohana sabia desse seu passado pois logo que chegou aos X-Men e conseguiu acesso ao banco de dados dos mutantes ali alojados, fez uma extensa pesquisa. Seja de Logan quanto dos outros. Ela precisava saber em que estava se metendo e, mesmo consciente de sua busca, nem Xavier nem Logan a impediram... Engraçado relembrar desse momento agora... Como eu fiquei chocada ao descobrir sobre a vingança que a "mão direita vermelha" fez contra ele. Criar uma armadilha onde ele matou seus próprios filhos, sem saber, como forma de puni-lo pelas pessoas queridas que ele havia, indiretamente, matado das pessoas dessa organização. Eles eram filhos de relações, segundo ele, "sem importância", mas imagine que triste foi para essas crianças nascer sem pai? Eu, portanto, me espanto dele ainda estar conosco; mas entendo as escapadas dele. É uma fuga à qual não posso criar caso, se quiser mantê-lo comigo... Não sei no futuro o quanto isso afetará meu relacionamento, mas agora, eu escolho não me importar.

A festa em comemoração aos dois anos da "foguinho", como Deadpool a chamava, devido aos seus cabelos vermelhos, foi cheia de alegrias e brincadeiras. Como ela tinha iniciado no jardim de infância, Ohana convidou dez amiguinhos para a festa, montaram um pula-pula na frente do deck e espalharam vigias no melhor estilo telep-one por vários pontos perigosos para que nenhuma daquelas crianças corresse nenhum risco. O bolo, a pedido da própria aniversariante, foi uma ursa rosa famosa nos desenhos infantis da época. E toda a decoração seguiu esse tema. Ela conseguia brincar com todos, crianças e adultos e tinha uma energia invejável! Foi um dia muito promissor, cheio de esperanças e, apenas no final dele, depois que colocou Lliurè para dormir é que Logan soltou, enquanto se trocava:

Wolvie: Tenho quatro meses, guria, antes do Creed aparecer...

Ohana: "Temos", amor... Você não precisa estar sozinho nessa, apesar de insistir nisso.

Wolvie: Desculpa, mas quanto menos eu mostrar que me importo, mais eu mantenho ele longe de vocês...

Ohana: Rá! É isso que está tentando fazer? Nos afastar pra nos proteger?! A gente nem sabe se vai mesmo acontecer, Logan... Eu não tive outras premonições para ter certeza sobre aquela. Mas, enfim, pode continuar com seu plano "que eu continuarei ignorando suas escapadelas", meu amor! Sei que no fundo, desejamos as mesmas coisas e, atualmente, pensamos mais no bem-estar de nossa filha, não é mesmo?

Wolvie: 'Cê 'tá se sentindo em segundo plano, né? Mas saiba que no meu coração 'cê vai sempre estar presente, Ohana... Eu só preciso resolver isso pra voltar a ser alguém merecedor pra ti "e pra mim mesmo", gata.

Ohana: Eu espero que não demore, querido... Sinto que a gente tem todo o tempo do mundo, né? – e manda um beijinho no ar para ele, enquanto o canadense terminava de colocar uma regata esverdeada. Ele pega o beijo com a mão e o coloca no peito, correndo pela porta lateral para o meio da mata.

E, nessas rotinas, fugas, desencontros e encontros, os quatro meses passaram rapidamente.

O reencontro entre Logan e Creed aconteceria num sábado, depois das aulas da manhã e do almoço, num momento de relaxamento entre pai e filha, enquanto Deadpool tinha saído para alguma missão pessoal.

Tudo ocorre como fora previsto por Ohana. Após conversar com Creed o canadense volta para casa, encontrando as duas no deck a brincar. O seu rosto não era de derrota, como era de se esperar depois da conversa com Creed, mas de inevitabilidade e de certeza. Ele já havia preparado uma bolsa e contactado a L,L&L para levá-lo ao Camboja; foi necessário somente telefonar para Zoe e esperar cerca de vinte minutos. Durante essa espera, o canadense não consegue mais se segurar:

Wolvie: Chega mais, ruiva! Não quero ir pra guerra sem saber que estamos bem, vai... – e faz um movimento com o braço, querendo-a sob ele.

Ohana: Mas claro que estamos bem, amor... Não vou colocar em cheque toda a sua preparação de meses, mas saiba que te amamos e desejamos o melhor desse confronto, se é possível colocar nesses termos, não é?

Wolvie: É, Ana... Eu não quero apagar o cara, mas ele não 'tá me dando escolha...

Ohana: Me desculpa, Loogie, mas eu não consigo entender qual sua dificuldade... Ele já fez mais dano à sua vida do que vários outros que estão comendo grama pela raiz! Se te faltava segurança para matá-lo, acho que agora não falta mais, não é? – Lliurè sai correndo dos braços de Ohana, sem que esta consiga contê-la, para os braços de Wolverine e, só para mostrar que estava mesmo a fim de sair sem ter certeza de que estavam bem, o pai começa a brincar de "serrador" com ela – Eu sei que é muito para se analisar, mas dependendo de como acabar esse empasse, valeria a pena conversar com a Jean a respeito, sabe?... Ele não é seu pai, nem seu irmão, a não ser de "armas", ele só é uma antítese de tudo que você acredita e quer que você seja como ele! Não faz o mínimo sentido. Ao menos, analisando friamente e sem envolvimentos sentimentais, que deve ser algo pleno no relacionamento de vocês, é o que eu vejo. Liberte-se disso, sabe? Já chegou a hora. Deu...

Wolvie: É sempre aquela coisa: se quiser matar alguém, não a olhe nos olhos... Desse aí, eu já fiz muito mais do que isso. Mas 'cê 'tá certa, ele é um louco ego maníaco e já passou a hora de eu me desligar dele. Não sei, na minha mente, parece que se eu fizer isso, vou 'tá me desligando de mim mesmo. Estranho, né? Ele 'tá sempre ali, pra me mostrar o que eu não quero nunca me tornar. Será que se eu parar de ter essas provocações eu posso perder o eixo e ficar pior que ele? – e então Lliurè pede colo e fica brincando de bagunçar o cabelo do canadense que sorri diante da criança e respira fundo, sentindo o cheiro de combustível de foguete, óleo mineral e pneus: a carona havia chegado – Vou nessa, amores. Cuidem-se e saibam que eu sempre vou amar vocês, sempre. Esse abraço também é pra ti, Ohana... – e abraça bem apertado a filha, antes de colocá-la no chão e dar-lhe um leve tapa na bunda, empurrando-a para a direção da mãe.

Não se via o transporte, mas Zoe aparece através de uma fenda espacial e cumprimenta de longe Ohana. Lliurè nunca tinha visto aquela pessoa, agarra-se mais nas pernas da mãe e vendo que ela não reagia negativamente, solta devagar. Sabendo que Logan ouviria, a ruiva solta:

Ohana: Vê se cuida do meu amor, Zoe... Traz ele inteiro, ou o que sobrar dele... – e vira as costas antes deles sumirem na fenda.

Wolvie: Tudo na paz, Zoe? 'Cê parece que emagreceu... – e levanta uma sobrancelha; não sem antes sorrir da frase da esposa.

Zoe: Tudo dentro do que deveria, Logan. Apenas com uma pequena ruptura espaço-dimensional aqui, outra ali. Nada que não monitoremos... Ah! Vejo que mesmo depois de casado ainda sabe o que dizer para uma mulher, hein? E você também, não está nada mal... – e ri descaradamente, enquanto se aproxima da sala de controle daquela espécie de jato – Só me diz de novo, nosso destino é o Camboja?

Wolvie: Hum... Mesmo? E essa ruptura teria a ver com um certo ex-mercenário? Então espero que não dê problema pra minha esposa, né? – ao que a agente acena positivamente – 'Tô casado mas não 'tô morto, né?! E nosso passado me permite certas liberdades, gatinha! E quanto ao destino, é esse mesmo, mas não tem "nosso" na jogada não. Você vai chegar tão sorrateira quanto na Mansão e eu vou pular, ainda não decidi se de paraquedas ou sem. Creed disse que não quer ninguém no meio, senão ele cancela nosso acordo e vem atrás das meninas...

Zoe: Esse Dentes, sempre tão previsível... Espero que tenha deixado os escrúpulos em Westchester, Logan, para terminar de uma vez por todas com isso.

Wolvie: 'Cê já é a segunda pessoa hoje que me diz isso...

Zoe: O Universo tem dessas, repete até a gente ouvir, né?...

E então o mutante se senta ao lado da agente na cabine de controle e aprecia a vista incrível dos EUA, enquanto não entram no Oceano Pacífico. Seria uma viagem de apenas duas horas, pois estavam num jato muito especial, parecidíssimo com o Pássaro Negro. Zoe relata ao canadense como andam suas contas e o fato de que ele seria capaz de comprar um pequeno país com o valor acumulado em mais de 100 anos de vida.

Wolvie: Eu já entreguei pra vocês meu testamento, Zoe... 'Tá lá, guardadinho na sede interespacial... Ainda mais agora que a Escola foi restabelecida, aquele testamento faz muito mais sentido – e ele pisca para ela – Mas tu fica desencanada! Quando eu voltar, vou conversar com a Ohana sobre isso. Dinheiro que não gera obras fede, né não?

Zoe não pôde deixar de rir da última frase. E envia um olhar de confiança ao canadense, ampliando a certeza de que ele voltaria mesmo daquela guerrilha e teria muito mais o que conversar com Ohana e com Lliurè.

Zoe: Antes que eu fique sentimental demais, Logan, se prepare! Estamos a menos três minutos do ponto de encontro.

Wolvie: Já que 'tô tão perto, chega mais, gata! – e a abraça e esfrega por todo rosto e tórax, dando alguns beijos nela.

Zoe: Se quisesse que eu deixasse meu cheiro em você, Logan, era só me falar. Você sabe que eu não tenho escrúpulos, gatinho... – e se agarrou ainda mais nele – Agora, vê se detona aquele loiro folgado que eu vou ficar a postos, ok? – E como estavam próximos da porta do jato, ela apertou um botão e segurou-se no balaústre enquanto Logan era sugado para fora, apenas com sua mala nas costas.

Durante a queda, Logan se lembra que já venceu o pulha e com as garras de ossos, portanto, agora ele teria muito mais condições. Só seria necessário encontrar o mesmo ponto de força que ele conseguiu da outra vez. O que era mesmo? O que estava em jogo naquela época?

E então, imagens de uma arena, alguns Skrulls observando nas sombras e Apocalipse na parte de cima daquele fosso, esperando a briga começar. Sem saber que Dentes surgiria das sombras, o canadense é pego de surpresa e, depois de apanhar muito, ele compreende, mais pela explicação de Creed do que pela situação, de que ambos concorriam para ver quem seria "Morte", um dos quatro cavaleiros do Apocalipse. Assim que Logan percebeu a possibilidade de algo assim cair nas mãos de Creed, um animal descontrolado e que aproveitaria cada oportunidade para acabar com o mundo, ele então pesou que poderia tentar lutar contra a reprogramação mental de Apocalipse e, assim, causaria menos dano do que deixar Creed ser a "Morte". Ah! Então foi isso... Deixei meu lado animal preponderar para que meu lado racional conseguisse tentar o caminho de volta. E deu certo... Pensando nisso, com essa certeza dentro de si seu corpo inicia o pouso, usando as copas das árvores para absorver o impacto da queda, enredando-se em alguns cipós para que não se estatelasse no chão e precisasse esperar seu fator de cura agir.

Assim que seus sentidos sentem o solo, ele rola e tenta se orientar, buscando alguma construção antiga que o fizesse lembrar de algo. Como não reconheceu o lugar ele aproveitou para acocorar-se sob uma das árvores e abrir a mochila. Sorveu uma garrafinha de água inteira e puxou uma malha marrom que não usava há tempos. É, xará, se for pra acabar, que seja com estilo... E se despe, vestindo o uniforme e pegando uma bússola. Com o auxílio dela pôde traçar algumas retas em um mapa e reiniciou sua marcha, agora com direção certa e sentido. Correndo pela selva, ele é transportado para um tempo de guerra, onde aquele local escondia minas e soldados em todos os lugares e seus sentidos superaguçados foram usados no limite, livrando-o de vários atentados. Corria livre e solto, com Creed de um lado, Mamute do outro, Pigmeu e outros que ele nem mesmo se lembra, ou que não tinham nomes... O que importava eram as missões, era se infiltrar e mudar o rumo da guerra; a maioria das vezes sem saber para quem trabalhavam, de que lado jogavam e quais forças alteravam. Várias vezes sem concordar entre os meios um do outro, especialmente quando era Creed quem comandava... Logan quase sempre discordava dele. Daquele seu prazer em matar, daquela sua busca pela adrenalina às custas das vidas alheias. Essa nunca foi a busca de Wolverine e, dentro da sua capacidade, ele fazia o que podia para minorar aquele quadro. Sempre conseguindo contrapor a violência do loiro com algo, que não chegava ainda a ser a paz, mas que funcionava como isso.

Foram mais de duas horas entre caminhada e corrida leve. Sua preparação física estava tinindo. A vantagem de usar o uniforme era o seu tecido tecnológico e que o mantinha sempre em temperatura ideal para funcionar 100%.

Enquanto isso, Victor Creed estava indo para o Camboja por outros meios, mas também através de contatos feitos durante seus momentos de luta. Alojado em um drone para transporte unitário com o símbolo da Hidra, o mutante conhecido como Dentes-de-Sabre estava fazendo sua viagem. Ele sabia que não chegaria antes do canadense, mas não se importava, porque tinha certeza na moral de Logan para ir sozinho e não armar nenhuma cilada. Ele pensava que isso o manteria em vantagem, pois não estaria no calor úmido da selva cambojana a espera de ninguém.

Logan chegou no local marcado, sentou-se para meditar, gastando assim o mínimo de energia possível e apoiou uma kodachi ao seu lado, caso fosse necessário utilizar uma arma extra. Ela não era uma espada curta qualquer, era feita com um fragmento da muramasa, a única espada capaz de anular o fator de cura presente nos dois. Portanto, ela poderia ser usada tanto por Logan quanto por Creed e era necessário não correr riscos, pelo bem daquelas que ele amava. Acessando sua mente, no nível mais basal, ele finalmente consegue o equilíbrio entre a fúria insana que queria se libertar sempre que ouvia o nome de Dentes-de-Sabre e a passividade que o impedia de matar aquele que o destino havia colocado a seu lado. A imagem de Ohana sorrindo aparece e, em seguida, ela mesma se personifica, aparecendo etereamente e dizendo, mentalmente, para que ele não esqueça que todos só têm o poder e a importância que damos a eles. E que mesmo no Inferno e tendo que concorrer com as outras mulheres da vida de Logan, ela não ia facilitar assim, pois os dois tinham se comprometido a viver a vida até o fim, juntos. Ele agradece mentalmente por aquela demonstração de presença e foco e diz que cumpriria a promessa.

A noite vem e, com ela, a floresta demonstra novos odores e sons. Os animais presentes são caçadores astutos: jaguares, morcegos, répteis e anfíbios variados, além dos animais que compõem a maior biomassa do planeta: as formigas! Nesse ambiente hostil, mesmo o que é considerado predador pela análise acurada do ser humano, pode tornar-se a presa. A enorme quantidade de umidade que dominava durante a noite quente altera as características costumeiras para os dois estrangeiros e isso era interessante para nivelar a luta. O canadense buscava desfocar dos sons, apenas ouvindo-os sem tomar conhecimento específico, isso o ajudava a concentrar e a perceber as menores alterações ao seu redor.

Como a Lua estava cheia, vários predadores resolvem poupar energias a buscar presas que poderiam vê-los sem esforços. Apenas esses dois predadores resolveram marcar um encontro durante essa fase da Lua. Só podia ser coisa do Creed mesmo... Desse jeito, por onde quer que ele venha, eu vou conseguir perceber. Sem surpresas...

E foi com estranheza que Logan ouviu os gritos de vários animais que lembravam suínos; algum tipo de porco selvagem estava sendo estraçalhado por algum felino? Quem ousaria caçar nesse clima? E foi então que ele sentiu o cheiro forte de sangue quente, misturado com terra úmida e carne vindo em sua direção! Era Creed, embebido dos pés à cabeça naquele líquido vermelho precioso! Seus olhos estavam mais vidrados do que quando o abordou na Mansão e seu arfar só queria dizer uma coisa: sem preâmbulos!

O canadense levanta-se, estala o pescoço e pensa 'É isso aí! Vamo pro pau!' enquanto corre na direção do gigante loiro. Este para ao perceber a investida do oponente e só aponta as garras para a direção do menor, babando e uivando. Mas, como era de se esperar, ao menos no início da luta, Logan iria deixar a sua parte racional mandar e, com isso, ao invés de atacar como um touro insano, ele aproveita a proximidade de alguns coqueiros e os usa para mudar de direção bem na hora que Creed havia decidido correr de frente para ele também. Com essa vantagem, Logan dá uma cambalhota e fica nas costas do sociopata *snikt* cravando suas garras na altura dos rins de Creed que urra de dor e de frustração por não ter dado a primeira estocada. Aproveitando a posição, mas imaginando que o golpe poderia sair ao contrário, o canadense apoia os dois pés próximos das garras e faz força para trás, fazendo-o cair sobre ele e aprofundar ainda mais as garras antes de lançá-lo para trás com a força das pernas e já ficando de pé novamente, esperando o contra-ataque do loiro. Creed também rola e já se levanta, urrando e lambendo o lábio ele investe contra o baixinho num ataque que dificilmente seria parado, dada a proximidade dos dois. Várias estocadas são desferidas no abdômen de Logan que usa as garras e o antebraço para defender-se. Ao ver Logan quase sem nenhum arranhão, Victor se enerva ainda mais, aproximando-se de um dos coqueiros e arrancando-o para usar de bastão contra Logan. Mas isso tomou alguns segundos do loiro, o que fez com que o canadense aproveitasse para desaparecer no meio das folhagens do próprio coqueiro utilizado como arma.

Dentes: Cadê tu! Seu arremedo de gente! Pintor de rodapé! Eu não vejo a hora de arrancar tua cabeça e dar pros jaguares! LO-GANN!

Então ele aparece correndo pelo tronco e indo na direção de Creed.

Wolvie: De onde tu tira esses xingos? Dos três patetas? – E do terço final da árvore ele se projeta em direção ao oponente, com as garras ejetadas e mirando do tórax para cima.

Como segurava algo tão pesado, seus reflexos estavam um pouco mais lentos e, apesar de ver o ataque, não conseguiu se safar completamente. Abandonando o coqueiro e virando-se para tomar força num golpe lateral, ele é acertado abaixo da orelha esquerda e em parte da traqueia, cortando sua mandíbula em quatro e acertando uma parte pequena da medula; já Logan é acertado na lateral esquerda, à qual o loiro segura e finca as unhas, arrancando um pedaço de estômago e um rim.

Ambos caem, um ao lado do outro, gemendo e esperando pelos seus fatores de cura agirem. Devido aos espasmos nervosos, Creed se sacudia como se estivesse em convulsão e seu instinto busca alguma carne para espetar nesse processo, mas o canadense, assim que recupera um pouco de consciência, arrasta-se para longe dele, apoiando-se no coqueiro caído e conseguindo ver a cena de choque do corpo do mutante.

Wolvie: A hora é agora, ele não merece misericórdia... – e imaginando uma jaula onde um sósia seu, só que menos racional, está trancado, Logan resolve libertá-lo com o único foco de estraçalhar o maldito do Creed.

A vista do canadense fica avermelhada, suas garras se ejetam e, mesmo com um rim a menos e parte do estômago ainda se recuperando, o corpo de Wolverine cai sobre o corpo de Dentes-de-Sabre e ataca em partes específicas nervosas, fazendo os tremores pararem, deixando-o numa espécie de tetraplegia. Com isso, o agora assustado loiro, incapacitado de falar, repensa a moral de seu oponente. Ele não conseguia falar, pois sua mandíbula e língua ainda estavam se regenerando. Mas isso não seria mesmo necessário em alguns minutos. Pois a fúria insana estava era fazendo, literalmente, picadinho do loiro, separando os membros do tronco e deixando a cabeça para o final. Tudo foi feito rapidamente, sem preâmbulos, diferente das lutas anteriores deles. E, quando o lado furioso deixou o racional ver que tudo estava acabado, cabeça para um lado, ou o que se podia entender como tendo sido uma cabeça e as outras partes espalhadas pela pequena clareira na mata, ambos tiveram um momento juntos: fúria e serenidade. Era como se um terceiro os observasse, a real consciência que comandava aquele corpo conhecido por tantos nomes: Wolverine – Caolho – Logan – Arma X – Morte – Animal – Jimmy – Jim – James... A conversa foi representada por um sentimento de completude:

Fúria: É assim que se faz, Logan! Sem arrependimentos, sem "mas" ou "e se"! Demorou pra você perceber o quanto essa finalização ia fazer bem pra nós, né?

Serenidade: Saca, cara... Nada é por acaso... Eu sei que não tinha nenhuma hora melhor do que essa pra gente finalizar esse assunto e continuar a vida. Ver a pequena crescer, viver com a Ohana...

Fúria: Envelhecer, né? Eu não curto essa ideia não, mas 'tô ligado que nada é pra sempre. Desde que tu me mantenha livre pra, 'cê sabe, ser eu mesmo às vezes...

Serenidade: Por mim, 'cê tem a minha palavra, Arma X! 'Vô até conversar com a Ohana pra explicar esse nosso acordo, né? A ruiva pode pensar que eu não curto mais ela, o que não é verdade!

Fúria: Citando um brasileiro muito do esperto: "Amor só dura em liberdade; O ciúme é só vaidade", né?

Enquanto esse diálogo bipolar ocorre, o corpo de Wolverine recolhe os pedaços e enterra alguns bem longe uns dos outros; ele leva os fragmentos da cabeça até o centro do templo onde estava esperando Creed chegar e com a kodachi, termina de cortar em vários outros fragmentos, enterrando-os aleatoriamente e deixando a muramasa fincada em uma das partes que enterra sob algumas rochas. Era estranho ser um observador desse caos mental, mas ele já estava acostumado assim. Ter de conviver com esses dois antagonistas era algo rotineiro para o velho canadense e, realmente, a sensação de um peso pareceu sair de seus ombros. Como se, realmente, algo dele também tivesse morrido junto com o loiro. Ele não sabia o quanto se importava com Creed até perdê-lo. Importava-se pois pensava ser possível vê-lo mudar. No fundo, sua capacidade em aceitar os preceitos de Charles Xavier sempre existiu dentro dele mesmo: ele sempre tinha esperança! Na humanidade, nas sociedades, nos indivíduos. Foi a constatação da impossibilidade dessa mudança individual que o impeliu a parar de vez com aquela insanidade... Mas ele sentiria falta dos embates verbais e das provocações feitas por Victor, seu nêmesis... Que seu Espírito nunca descanse em paz! E ativando um aparelhinho dentro de sua mochila, ele abre uma fenda espacial e entra nela, indo parar na cabine do jato de Zoe Culloden.

Wolvie: Toca pra casa, guria! Que estou sendo relapso há alguns meses e preciso consertar isso! – jogando a mochila no chão enquanto se trocava.

Zoe sorri pelo ânimo dele. Era nítido como ele possuía mais energia vital agora do que quando a jornada começou.

Zoe: Tocando pra casa, então, senhor Logan! Tem duas horas pra me contar todos os detalhes da luta do século! – apertando alguns botões no painel de controle e virando a cadeira, depois de acionar o piloto automático.