texto em itálico são pensamentos

palavras em negrito são enfáticas na entonação

os nomes de quem fala estão antes de cada fala, em negrito apenas para que saibamos quem são

ALGO "ESTRANHO", ATÉ MESMO NA MORTE...

Os anos se passaram. Os momentos que a vida trouxe foram de tranquilidade, dentro do que é possível haver tranquilidade no mesmo ambiente onde está Deadpool. Mas mesmo o ex-mercenário estava se comportando como um leal padrinho e quase X-Man. Todos aprenderam a lidar com o jeito diferente dele e perceber que dentro de toda aparente loucura havia uma ponta de preocupação por Lliurè.

Gian e Kitty aproximaram-se mais e começaram o que poderia ser considerado um relacionamento, com Gian preparando-se e passando no curso de Medicina, com os auspícios de Jean Grey. Kitty era professora de tecnologia avançada e dava aulas de defesa pessoal na escola. O relacionamento dos dois era bem saudável e muito positivo, o que fez muito bem a Kitty, devido aos seus "fantasmas" interiores.

Ororo e Warren casaram-se numa cerimônia bem simples, com a única daminha de honra disponível no momento. A "foguinho" estava com cinco anos e adorou participar de um casamento do início ao fim. Conhecer Noturno foi, para ela, a coisa mais emocionante. Quis experimentar o teleporte logo que o conheceu e soube de sua mutação e não o quis fazer sozinha. Fazia questão da presença de Wade que vomitou "as tripas" da primeira vez, ficando depois viciado na adrenalina do teleporte.

Kurt: Aber was?! [Mas o quê?!] Eu não vou mais teleportá-lo, senhor Wade! Isso já passou dos limites, por favor!...

Deadpool: Se não for por mim, faz pela Lliurè, vai?! Ela gosta tanto dessas viagens, fica mal negar isso pra uma criança, não?

Kurt: Nein, nein! [Não, não!]

Wolverine pediu a Arnold que removesse o quanto possível os nanitos que estavam em seu corpo e, com a ajuda de Hank, criaram um procedimento natural, com a ajuda do próprio organismo de Logan para que ele fosse capaz de reconhecer como corpos estranhos aos nanitos.

Arnold: Não vai ser fácil, senhor Logan... Mas faremos nosso melhor. Os testes mensais continuarão, certo? E estou sempre disponível caso o senhor precise de mim fora desse prazo. Senão, nos vemos em um mês.

O brilhante cientista não conseguia compreender como alguém, com possibilidade de ser imortal, fazia de tudo para seguir o curso natural da vida... Ficava imaginando o quanto de bom não poderia fazer se tivesse mais tempo e até chega a comentar com Hank sobre o fato, ao que o amigo azul sentencia:

Hank: A imortalidade pode ser uma maldição, meu amigo... Ver aqueles que se ama morrer, especialmente quando se ama de verdade tão pouco, como é o caso de Logan, é algo muito difícil de manter. Creio que ele tenha decidido viver o fim de sua vida ao lado de Ohana e, por isso, busca o rumo natural das coisas... Mesmo assim, não temos garantias. Cada ser é um universo em si mesmo, sem possibilidade de sabermos como reagirá, não é mesmo?

E continuaram conversando sobre essas possibilidades e as maravilhas do amanhã.

O casal Logan estava mais do que satisfeito com o crescimento de sua filha. E com seu próprio casamento. Eles conseguiam estar felizes juntos, quase nunca brigavam e quando o faziam era sempre por "menos de um minuto". Não guardar rancores e viver o presente era o mote desses dois, que sempre conseguiam se surpreender com as demonstrações de amor de um com o outro.

Com a decadência normal de seu fator de cura era natural que o adamantium iniciasse sua intoxicação. O canadense apresentava alguma hemoptise mensal, mas recusava-se a receber algum tratamento que o fizesse ampliar seus anos na Terra. Duas faixas de cabelos brancos apareceram nas duas têmporas e davam um ar austero ao mutante. Ele e Ohana adoravam ficar no deck vendo o pôr-do-sol enquanto Lliurè brincava com Wade no extenso gramado à frente.

Wolvie: É... Acho que acertamos na jornada, né, Ana?... – comentava, com ela sentada em seu colo, numa cadeira de madeira maciça no deck – Quem fala esse papo de "importar a jornada" 'tava muito certo, saca? Já que a jornada é feita de dias consecutivos e o que vale é o presente. E que presente! – ele diz, passando a mão pela cintura da esposa e dando um cheiro no pescoço dela que a fez rir baixinho e aceitar o carinho.

Ohana: Com certeza, Logan! Olha que criança mais feliz, que mundo mais incrível e, com a ajuda financeira que você deu – ele a interrompe: Que demos! – 'Tá bem... A escola poderá continuar existindo mesmo depois que nos formos e, ainda assim, haverá o suficiente para os filhos dos filhos da Lliurè continuarem nosso legado, não é mesmo? – ela o beija ternamente, entrelaçando seus dedos nos cabelos grisalhos do esposo.

Wolvie: Na moral, queria que ela gastasse tudo com mais de mil viagens ao redor do mundo, do que tivesse filhos com o Wade, mas não adianta pensar nisso... Nunca que os pais conseguem criar os filhos como desejam. A Vida é como é, infeliz daquele que luta contra isso, então, não 'tá mais aqui quem falou. – e ambos riem, continuando os carinhos e aprofundando em um beijo mais cálido.

Wade grita do gramado: Arrumem uma cama, vocês dois!

Ao que os faz olhar para aquela direção e ver que Lliurè até tinha parado pra olhar o "amasso" dos pais. E Wolverine, com sua audição super aguçada, acaba ouvindo a filha comentar: "Mas se eles não estão com sono, Wade, por que você os mandou ir pra cama?" e o mercenário reformado responde: "Olha, foguinho, não é algo que o tio pode te explicar agora, mas eu tenho certeza de que você vai aprender, viu? Na hora certa! É coisa de gente grande!" e a ruivinha retruca: "Ah! 'Tô ficando cansada dessa resposta! Tudo que eu pergunto "é coisa de gente grande" – imitando a voz do homem a sua frente.

Wolvie: Quem diria que o Wade seria tão responsável quanto tem saído, hein?

Ohana: E você tão equilibrado durante as aulas, hein? Todo mundo tem direito de mudar, e muda mesmo, porque nada é estático nesse mundo. A dinâmica está em cada segundo, grandão e eu, agora, quero uma dinâmica onde o Wade sugeriu... – e sorri de lado – O que me diz?

Wolvie: Sugiro seu quarto na Mansão, afinal, deram o meu pro Gian... Topas? – e ela só responde pegando o marido pela mão e caminhando para a construção antiguíssima da família Xavier.

Aos 14 anos de Lliurè já não havia mais como esconder a enxurrada de hormônios que se fortaleciam; a sua primeira menstruação chegou nessa idade e, com ela, várias atitudes inesperadas da antes tão centrada e feliz criança.

Lliurè: WA-DEEE! Eu não sou mais criança! Vê se para de tentar me dizer o que eu posso ou não posso fazer, 'tá? – ela se exaltava no celular – Ou você aceita meu convite ou eu vou pro cinema com outro, seu bobão! – dizia isso enquanto caminhava com algumas amigas da escola pelo shopping.

Deadpool: Mas... foguinho, como assim? Que outro é esse? E-eu*

Lliurè: Ah! Para de gaguejar! Eu 'tô aqui no shopping e quero assistir "Rambo 3000: A Ressurreição". Já comprei nossos ingressos pra sessão das 18h, vê se não erra, hein?

Deadpool: 'Tá. Eu queria muito ver esse filme também... Te encontro na porta do cinema às 17h50, hein? – "O Logan vai me matar..."

Lliurè: Ah! E meus pais só podem te matar se eles souberem... Eu não vou contar nada. E você?

Essa resposta ao seu pensamento surpreende Wade, mas ele sabia o quanto usava essa frase na presença da garota e, com certeza, ela sabia que isso havia passado pela mente dele. Toda essa situação o deixa em conflito a tarde toda e, enquanto tomava um chá preto com leite ele pensa na frase "não sou mais criança"!

Deadpool: Que absurdo! O que será que ela pensa que é?! Só tem 14 anos...Eu 'tô fud* Posso até ser preso, mas isso se a polícia conseguir me pegar... Ao mesmo tempo não quero que ela pense que não gosto dela, pois ia 'tá mentindo descaradamente. Pensa, Wade! Como fazer aquela pilantra dar uma pausa nos hormônios sem que ela saia curtindo a vida por aí?! Acho que vou acabar tendo a Lliurè nas mesmas circunstâncias que eu tive a Vanessa... Depois de muito rodada. Mas saca só: não 'tô nem aí! Até pode ser melhor do que ficar ensinando tudo. Ah! Que loucura! Tenho que parar de pensar isso! ELA SÓ TEM 14 ANOS! – e bateu de modo frenético na cabeça, tentando empurrar o bom senso para dentro.

O shopping era bem perto da casa de Wade e às 16h30 ele tomou um belo banho, colocou uma roupa confortável e um relógio que, na verdade, era um indutor de imagens. Ele sabia o quanto a garota não tinha problemas com aparência, mas não queria fazê-la passar constrangimentos em locais públicos. Ou seja, ele não escolheu uma imagem diferente da sua, apenas uma que não tivesse problemas de pele. Como ia deixar Lliurè na Mansão depois, pegou a moto e após estacioná-la, foi caminhando para o ponto de encontro e relembrou que nunca havia saído com Lliurè assim sem supervisão. Tinha sempre alguém com eles. Graças ao Todo Poderoso ela tinha parado de usar o telep-one quanto completou dez anos, pois já sabia como se esquivar de problemas e, acima de tudo, reconhecê-los. A relação dos dois ficou bem mais próxima depois que aquele pequeno drone parou de pairar sobre a garota.

Como não havia enfrentado nenhuma ameaça desde seu nascimento, seus poderes latentes continuariam assim, até que ela decidisse explorá-los ou eles aflorassem por algum estresse. Os pais e professores não tinham pressa. Tudo precisa ocorrer a seu tempo, sempre.

Lliurè: Curti a camiseta de unicórnio, Wade. Mas 'cê sabe que por mim eu bania esse indutor...

Deadpool: Eu sei, foguinho. Mas eu não quero te constranger em público e, sinceramente, eu não ligo. Não 'tô me vendo com o rosto mais perfeito que o do Brad Pitt, apenas não se irrite com as cantadas e se alguma mulher quiser tirar fotos comigo! – dando um sorrisão de galã e fazendo a adolescente rir.

Lliurè: É ruim, hein? O Brad Pitt é um octogenário, Dead!

Deadpool: Então! Igual a mim, oras!...

Lliurè: Zica! Às vezes esqueço do seu fator de cura... E então, pronto pro filme de ação do ano?! – mostrando os códigos QR no celular das duas entradas.

E ambos caminham para dentro do cinema. Wade compra um sacão de pipocas e algumas barras de Kit-Kat, além de duas garrafinhas de água [pra sermos saudáveis]. A garota havia comprado os ingressos para as últimas cadeiras centrais. Wade pensou que isso só significava uma coisa: Encrenca!

Lá para o meio do filme, aquilo que deveria ser só ação passa a perder o ritmo e ficar uma pasmaceira. Nesse momento, a ruiva aproveita que o braço de Wade está no braço da poltrona para colocar sua mão por cima, surpreendendo-o e encarando-o com seus penetrantes olhos azuis. Ele não consegue deixar de encará-la de volta, sentindo seu sangue "ferver" nas veias e arrependendo-se do que ia fazer, ele remove o braço do local e, sem dizer nada, volta a ver o filme. Lliurè faz cara de contrariada e para deixar claras suas intenções, ela vira o rosto dele com sua mão direita e vai em busca do seu primeiro beijo; ao que ele deflete colocando a mão na frente e dizendo "não" com a cabeça, enquanto prende o rosto da garota entre suas duas mãos e em seguida remove o braço entre eles e a abraça forte, dizendo:

Deadpool: Eu te amo, foguinho. Mas não posso fazer isso agora... E eu sei que você não vai me entender. Na sua idade eu não entenderia também... Mas eu preciso de você mais velha pra fazer isso, sabe? – ao invés de tentar fugir do abraço, ela abraçou de volta, enquanto chorava baixinho.

Lliurè: Vo-cê me a-ma? Como namorado, Wade? – enquanto ele tentava fazê-la parar de chorar com um som de "shiii"; ficam assim por um tempão. Ele resolve não falar mais nada para não se complicar mais e para não atrair a ira dos cinéfilos presentes.

O filme não importa mais, assim que o frenesi de ambos baixa, ela o puxa pela mão para saírem do cinema e, lá fora, diz que ia se esforçar para conseguir esperar. Comenta sobre a grande paixão existente dentro dela e que parecia impossível de segurar.

Lliurè: Mas eu vou tentar ser forte, Wade!... – ao que ele sorri e ela se derrete toda, comentando como o sorriso dele era lindo. Ambos brincam e passam o resto da noite numa espécie de PlayLand até a hora do shopping fechar. De tantos tíquetes que haviam ganho, Wade a leva até o local de recebimento dos prêmios e deixa com ela escolher, ao que – sacanamente – ela pega um lindo unicórnio branco e dá de presente para o ex-mercenário, arrematando: "pra que você pense em mim, sabe?..."

Wade não sabe onde colocar a cara, ele queria poder pegá-la de jeito numa hora daquelas, mas se contenta em acariciar seu rosto e, já que ela queria que falassem como adultos, ele retruca: "mas eu já penso, gatinha...". Ao que ela enrubesce até o meio do colo e o chama de bobo, partindo em seguida para a saída do shopping.

Ela havia avisado aos pais onde e com quem estava e, por isso, ambos ficaram tranquilos, apesar de também estarem cientes do fato dos dois nunca terem saído sem supervisão antes.

Ohana: Eles vão se comportar, pai-coruja!

Wolvie: 'Tô mais pra pai-lobo! Se ela me chega aqui suspirando e falando que aconteceu algo, eu quebro a cara do Wade! *grrr*

Ohana sorri daquela demonstração de preocupação quase histérica. Já não cabia mais a eles dirigir o futuro da filha, se é que o fizeram alguma vez. Ela já estava com 14 anos e a ruiva se lembrava muito bem dela mesma nessa idade. O quanto as conversas com as amigas só giravam em torno de garotos e de astros de cinema. Seu primeiro beijo tinha ocorrido um ano antes e ela nunca esqueceu o nome do escolhido: Tim.

Contando isso para Logan ele também se transporta para lembranças desconexas de outros séculos, onde o pano de fundo não deixava de ser ruivo. Como havia tido alguns momentos doces naquela época. E o quão duras foram as outras descobertas. O sentimento de traição, de desalento e, por fim, de morte!

Wolvie: A gente só não quer que ela se machuque, né? Mas a dor é inevitável... Eu acho que é a única certeza, depois da morte, ruiva!

Ohana: Assim como a alegria! Está mais parecendo um bode velho, Logan! Quero mais otimismo, vai?! Estamos falando da Lliurè! Nossa filha! E sabemos que ao menos a dor do coração partido ela não vai ter, não é mesmo? Imagine o quanto teríamos nos poupado sem os testes antes de nos conhecermos?

O canadense então abraça Ohana e começa a dançar alguma valsa imaginária com ela; tendo uma crise de hemoptise em seguida que obrigou a ruiva a chamar Jean telepaticamente. A diretora da escola chegou o mais rápido que pode, acessou a mente de Logan e constatou que ele estava com extrema dor, pedindo para que Hank preparasse o Labmed e para que um dos alunos, telecinético, pudesse ajudar a levar o professor até o ambulatório. Ohana notou que seus olhos não demonstravam nenhuma consciência, como se estivesse dopado...

Jean: É assim mesmo que ele está, Ohana. Eu tive que dopá-lo para que ele não sentisse tanta dor. Mas a consciência dele está pedindo por ela... Já expliquei que enquanto não estivermos dentro do Labmed, não posso deixar meus estudantes verem um dos ídolos deles gritando de dor. Não há motivo pra isso, mesmo que ele ache merecer tamanha agrura.

A ruiva não diz nada, apenas pensa "obrigada, Jean" e lança um olhar de compaixão para o companheiro, aproveitando que o estudante havia chegado e transportava o corpo de Logan levitando, ela o segue. Não ia escrever para a filha e pedir que deixasse seu encontro para depois. Ele sairia dessa, como saiu de tantas antes, não é mesmo?

Hank o coloca na maca de mais alta tecnologia e faz um escâner completo dele, molecularmente, esperando que com isso tivesse alguma chance de ver além do óbvio: ele estava realmente morrendo... Com sua conhecida expressão de "fascinante", ele analisa os gráficos e dados que a tela mostra, sem conseguir encontrar nada além da expressão "paliativo"... Era hora de um dos maiores guerreiros da Terra descansar, se é que isso era possível para um X-Men!

Contudo, enquanto o "bola de pelos" azul analisa todas as variáveis, Logan volta à consciência e vendo Ohana ao seu lado, segurando sua mão, ele a aperta, chamando a atenção da ruiva para si:

Wolvie: Não sou tão fácil de matar, ruiva... – com a voz mais baixa que o normal.

Ohana o encara com ternura e, sem querer, uma lágrima escorre por seu rosto, ao que ele a limpa com o dedão enquanto ensaia umas palavras, querendo dizer que não havia motivos para chorar, porque depois de tantos anos e tantos sofrimentos, era esperado que até ele tivesse um fim, um merecido fim. Mas ele só consegue soltar:

Wolvie: Ruiva, q'é isso? Não quero ficar pra semente, não!... – e tosse levemente, mas soltando uma grande quantidade de sangue pela boca.

A esposa corre para a mesinha ao lado, pegando gazes e limpando aquele sangue, enquanto outras lágrimas teimosas escorriam. Ela jamais imaginou que fosse sobreviver a ele. É muito mais tranquilo quando pensamos que o outro vai sofrer com a nossa partida e não o contrário! É ainda um tremendo egoísmo inerente, difícil de sanar, mas que nos coloca a prova quando os planos não saem como imaginamos. Quando Ohana percebeu que viria uma enxurrada de lágrimas e que isso era a última coisa que ele merecia, pediu desculpas, beijando-o a face e explicou mentalmente para Jean que correria ao banheiro para se recompor. Logan não se alterou. Ele compreendia um pouco do que ela passava, pois durante curto período precisou ver a pessoa que amava morrendo também. Isso o qualificava a compreender os estados de ânimo da esposa. Jean veio ter com ele, ficaram conversando telepaticamente, pois era menos cansativo ao organismo do canadense. Até que em um momento ele questionou onde estava a filha. Jean silenciou um pouco, buscando o padrão mental de Lliurè ou de Deadpool na cidade próxima.

Jean: Eles estão voltando do cinema, Logan. Quer que avise sobre sua condição? Como está se sentindo?

Wolvie: Fan-tas-tic! – Ele pensa, rindo em seguida e tossindo levemente, sem hemorragias – Não avisa a guria não... Deixa ela curtir esse momento, vai. O que não tem remédio...

Jean: Ela vai ficar uma fera, Logan... Nesse ponto, ela puxou muito o pai! – E sorriu para o amigo, enquanto incitava nos dois namoradinhos o desejo de chegar logo em casa, sem contudo deixá-los ansiosos.

Ohana retorna, os olhos vermelhos, mas mentalmente mais calma. Havia lavado o rosto e prendido o cabelo em um coque. Retoma seu lugar ao lado do canadense e agradece a Jean pelo laço mental criado entre os três enquanto ela estava lá; ao que a outra ruiva só acena positivamente com a cabeça e vai para o lado de Hank, decidida a encontrar algo que pudesse ajudar. Pede para Hank analisar uma ideia que havia ocorrido agora, pois quando resolveu reabrir a escola, procurou antigos X-Men e suas famílias para conseguir apoio e professores. Em uma dessas buscas, descobriu que Polaris, uma das filhas de Magneto, teve uma filha com poderes semelhantes ao do avô e dela. "Não seria o caso de irmos procurá-la para explicar o ocorrido e pedir ajuda?", ao que Hank questiona: "Minha cara, se bem estou entendendo sua ideia, seria uma ajuda ou um martírio? Eu não consigo imaginar Logan resistindo a um procedimento desses, Jean... Eu sinto muito... Talvez pudesse ser possível há alguns meses, mas não agora.", Jean respira fundo e volta a imaginar algum subterfúgio que envolvesse a remoção do adamantium dos ossos de Logan e que pudesse ser feito no passado!

Enquanto isso, Lliurè sobe na garupa da moto de Wade, com o unicórnio debaixo da jaqueta que ele emprestou para ela e ambos voltam para a Mansão. A garota se abraça forte ao homem que abusa da velocidade e das curvas para manter o quanto puder esse momento. Agora que as intenções tinham sido colocadas na mesa e ambos sabiam querer a mesma coisa, era questão de tempo até que pudessem ficar juntos e, para quem já tinha esperando tantos anos, que importavam mais alguns, não é mesmo? Entram sorrindo bobamente na casa de Lliurè e então percebem que está tudo meio bagunçado. Camas por fazer, Wade encontra uma poça de sangue e alguns respingos que levavam à Mansão e, esperando pelo pior, ele avisa a garota para onde deviam ir. No meio do caminho, Jean acessa a mente dos dois e os tranquiliza, dizendo que estão no Labmed e que Logan ainda estava vivo.

Wade chega primeiro, mas deixa Lliurè entrar na frente, esta corre em direção à mãe, abraçando-a e dizendo baixinho "Papá!", ele abre os olhos lentamente e sorri para a filha. Novamente, várias explicações e frases engraçadas passam em sua mente, mas ele não consegue dar vazão a nenhuma delas... Pede para Jean ajudá-lo a sentar ao que a amiga aperta um botão do controle remoto que diagonaliza uma parte da maca. Ohana se oferece para colocar os quatro: Logan, Ohana, Lliurè e Wade no plano astral para que pudessem conversar decentemente, ao que todos anuem. Ela então pede para os três se sentarem confortavelmente, limparem suas mentes e desejarem firmemente estar juntos, para que Ohana pudesse usar esse desejo na realização de seu intento. O local escolhido por Logan foi a Montanha Robson, a primeira viagem longa que havia feito somente em companhia de Ohana e da qual resultou o nascimento de James... A mãe sorri ao relembrar aqueles momentos e os dois recém-chegados ficam deslumbrados com a Natureza. Ali, Logan pode, finalmente, abraçar a filha e a esposa. Wade acaba se sentindo deslocado, ao que o canadense diz: "Vem cá, Wade! Tem espaço pra tu também!". Ficam assim um tempo e então o moribundo inicia:

Wolvie: Eu só 'tô conseguindo conversar com vocês porque a Jeannie 'tá bloqueando meu centro de dor, saca? Eu não quis tomar nenhum remédio, mas ela também acredita que nem morfina ajudaria... Então, só posso agradecer por ter uma amiga telepata no nível dela! Eu também ouvi ela cochichando com o Hank sobre tentar alguma manobra pra o adamantium parar de me envenenar... Acontece que eu não quero, galera! – e todos protestam pelas suas expressões faciais, mas ele não os deixa falar, impondo respeito, continua – Eu quero até mesmo sofrer as dores que preciso nessa hora... Quero receber tudo aquilo que infligi aos outros... Quero sentir isso, ao menos na hora da minha morte!

Lliurè: Eu só tenho 14 anos! Não quero ficar órfã de pai, seu cabeçudo! Deixa a Jean fazer o que ela sabe de melhor: ajudar os amigos, vai?!

Ohana: Se temos tecnologia e condições de minorar a dor, não faz sentido você querer senti-la, Logan...É negar aquilo que Deus nos permitiu ter...

Wolvie: Se eu tivesse nessa floresta, ia ser que nem um animal velho, jogado num canto, sem comer nem beber! Teria cavado um buraco e estaria nele, esperando a morte chegar, bem quietinho, sentindo as minhas dores...

Deadpool: 'Cê não é um animal, Logan... – ao que o canadense fecha os olhos, respira fundo e assimila a frase – Por mais duro que seja admitir isso... Lutou tanto pra não ser chamado disso que aceitar essa alcunha agora é até um pecado, vai? Eu sou a favor do que as duas 'tão propondo: explorar as possibilidades de ampliação da vida, ou de cura, vai saber?! Eu não faço ideia de toda tecnologia que está nas mãos da Jean e do Hank. Mas sei que é coisa pra c r lho, então, aproveita! Não acredito muito em Deus, mas se ele quisesse que você estivesse num buraco nessa hora, 'cê não estaria na Mansão dos X-Men, né?

Ohana: Você merece seu lugar agora no universo, amor. Se estiver cansado de viver, eu até entendo. E só posso pedir, então, que nos dê limites, sabe? Explica pra Jean e pro Hank até onde eles podem ir, não sei o que se passa na sua mente, mas se, por exemplo, clones seu estiverem fora de cogitação, avise-os. Se não quiser ter sua consciência transferida para outro corpo, também. Coisas assim... – e todos riram – porque uma coisa eu sei: quando somos desafiados com a vida de um amigo, tudo passa pela nossa cabeça para ajudar. A moral acaba e só sobra o desejo de fazer dar certo.

Wolvie: Ok... 'Cês venceram... Os argumentos foram muito bons e eu não tenho porque perder anos da vida da Lliurè por um egoísmo meu. 'Cê acha que consegue aturar um mutante gagá do teu lado, guria? – abraçando-a e espalhando o cabelo ruivo dela na frente da cara.

Lliurè: Eu sei que posso me arrepender, pai, mas é o que eu mais quero agora! – e faz cara de braba ao ter o cabelo desarrumado.

Nesse momento, uma estranha porta branca aparece no meio da floresta, só o batente e a porta, com um estranho brilho ao redor e ouve-se o som de uma campainha. Os quatro se entreolham e Ohana então toma a frente, indo checar no olho mágico quem poderia ser. Ela se surpreende e solta um "Oh!" enquanto sua mão desliza pela maçaneta, abrindo-a.

Dr. Strange: Ah! Que bela reunião familiar! – E cumprimenta todos com acenos de cabeça, aproximando-se peculiarmente de Lliurè e dizendo: Não fomos ainda apresentados, senhorita. Meu nome é Dr. Strange. É um prazer. – Soltando um estranho brilho no olhar.