texto em itálico são pensamentos

palavras em negrito são enfáticas na entonação

os nomes de quem fala estão antes de cada fala, em negrito apenas para que saibamos quem são

I SEE DEAD PEOPLE...

A garota estranha o tratamento diferenciado, mas mantém-se tranquila pois os adultos estavam todos assim. Ela retribui, se apresenta e ele então libera a mão dela, completando:

Dr. Strange: Senti uma anomalia no campo psiônico da Terra e vim ver o que era... É incrível como o Amor amplia as capacidades, não é mesmo, Ohana? Tem energia suficiente aqui para iluminar a capital pelo resto dos dias... Infelizmente, energias assim e desprotegidas, podem ser um farol para entidades que não pensam somente em alimentar a população.

Ohana: Mas Dr. Strange, eu fiz todos os protocolos de segurança necessários, até precisei abrir a porta para o senhor, não foi?... – não entendendo o motivo da ida e a bronca tomada.

Dr. Strange: É exatamente sobre isso que vim conversar com você... Travas psíquicas são como senhas pessoais... Se você não as atualiza anualmente, algum cracker pode entrar por elas! E eu nunca mais a vi para poder passar uma atualização desses protocolos, não é mesmo?

A ruiva estranha muito aquela conversa, não entendendo porque, diante de outras pessoas, deixa explícito ser ele o mestre que a ensinou tudo que sabe. Ele mesmo havia proibido a ela de expressar esse conhecimento. E, levantando uma sobrancelha, ela ia comentar o fato, quando Logan se antepõe a Lliurè e diz:

Wolvie: Só tem um problema, xará! *snikt* Tu não é quem diz ser e, por ingenuidade nossa, acabou entrando na nossa "festinha", num foi?

Nesse momento, a forma de Dr. Strange se liquidifica, sem contudo perder a forma humanoide e se refaz em algo parecido com um humano, não fosse pelos dois pares de braços e pela altura descomunal! A pele assume uma forma craquelada, como se fosse um deserto, sem pelos ou cabelos e seus olhos brancos num fundo vermelho terminam de emoldurar aquela criatura que precisou se passar por outra para entrar naquele recinto mas, que agora, estava sendo alimentada por uma força incrível advinda do Amor daquelas quatro almas.

Ser: Muito bem, Wolverine! Vejo que até no astral suas capacidades são acertadas... Esse local brilha como um farol e eu não podia deixar de checar o que era! Ao notar determinados padrões de proteção existentes nas casas do Dr. Strange, não foi difícil juntar alguns pontos e perceber que Ohana havia aprendido com ele.

Wolvie: O que tu quer? Essa aqui é mesmo uma reunião de família e tu não é bem-vindo... Não quando já chega mentindo a identidade assim! – E se prontifica ainda mais a proteger a todos os presentes, iniciando um movimento de luta exploratório.

Ser: Eu não creio que a luta seja necessária, senhor Logan... Mas não fugirei dela, se preciso... Eu apenas quero, como necessitado que sou, utilizar uma porcentagem dessa energia para mim. Vejam-me como uma espécie de "lixeiro" psíquico, já que esses locais costumam sempre deixar um rastro quando terminam e eu estou aqui para eliminar esse rastro, "digerindo-o", se assim o preferirem.

Wolvie: Olha aqui, Loki, se tu pensa que eu comprei qualquer uma dessas coisas que disse, 'tá maluco! – ao que todos arregalam os olhos! – Ninguém mais astuto que tu pra chegar aqui cheio de mentiras, mas o que tu quer mesmo é ganhar. Não importa em quem passe a perna... Acontece que todos aqui são minha família e eu não vou deixar tu levar vantagem em nenhum deles, saca? Então estamos num impasse...

Enquanto pensava em tudo que tinha acontecido até a chegada daquele ser, Ohana não imaginava que ele era um deus! Nada que não pudesse lidar, mas teria que agir com cautela... O deus nórdico da enganação estava diante deles e, ao que parece, Logan o conhecia muito bem! Ela daria a validade da dúvida para que os dois resolvessem a situação, mas estaria em alerta.

Loki: Ah! Seu estraga prazeres – tomando sua forma habitual de deus Loki. Eu tenho que parabenizar Ohana pela segurança deste lugar, tendo a dizer que é o melhor "cafofo" que já encontrei com essas travas. Mas não há nada que não seja revelado a um deus, não é mesmo? Inclusive a energia que emana da linda filha de vocês... Eu ouso dizer que é uma das mais quintensenciadas que já senti; e o odor de amêndoa que ela exala... Ah!... – E respira fundo.

Deadpool se remexe todo, mas não ousa se movimentar. Seus pensamentos imaginam várias cenas de ataque onde o deus Loki sempre consegue arrancar a cabeça dele e, nesse momento, ele não queria morrer no plano astral, mas sim curtir os momentos que pudesse com Lliurè. Wolverine continua com a defesa:

Wolvie: Ah, Loki! Tu fica longe da nossa menina! Ela já 'tá compromissada com o Wade aqui e não é nada pro teu bico, hein?! – E o mercenário acena com a cabeça e estufa o peito. Quem sabe ele teria alguma decência escondida, não é mesmo?

Lliurè acha muito interessante as afirmações do intruso. Ela também tinha sentido algo diferente nela, quando Wade disse que a amava. Como se uma algema tivesse sido liberada em seu interior e, agora, ela pudesse ser ela mesma. Só que ela não sabia o que era, nem que mutação tinha, para poder liberar. Mas era uma sensação boa, totalmente diferente daquilo ouvido na escola sobre as mutações surgirem em momentos de alto estresse. Perdida em pensamentos ela só consegue enviar para Wade um olhar de tranquilidade, como que confirmando o fato dele não fazer nenhuma besteira.

Ohana conjura, mentalmente, um feitiço de antecipação e fica apenas servindo de antena receptora, esperando o momento de agir, pois ela sabia que entre Logan e Loki havia um estopim esperando para ser acesso!

Loki: Meu irmão idiota também aposta nesse Amor para conquistar os humanos e os deuses... Eu não posso negar o quanto ele aumenta as capacidades, mas ele não é o único que pode assumir esse papel! O poder encerrado aqui pode ser manipulado para conseguir o que preciso: rastrear algumas joias do infinito! Você deve entender, não é mesmo, Logan, o quanto elas me atraem... Se houvesse súditos crentes o suficiente, a Fé deles seria minha força motriz, mas estamos, todos os deuses nórdicos, em franco descrédito e, portanto, eu preciso de outras fontes de energia para meus intentos. Quanto às joias, eu as uso e elas me usam desde o início dos tempos! Não há com o que se preocupar... Elas ajudam a equilibrar a balança do poder universal. – e virando-se para Ohana ele diz: pode consultar o universo, minha cara, verá que não estou mentindo desta vez.

Wolvie: Tu não é só o deus da mentira, Loki. É o da manipulação, também... Mas aqui no plano astral, eu sinto meu corpo melhor do que nunca e não vou deixar você usar essa energia pra nada que seja teu! Vem pro pau! – e não o espera responder, pulando como louco em cima dele, com as garras ejetadas.

A luta a seguir parece uma coreografia. O que não deixar de ser verdade, pois Loki parece se deleitar com as tentativas de Logan em acertá-lo. Em alguns momentos eles ficam num embate corpo a corpo, noutros o deus o mantém distante com uma espécie de telecinesia e assim vão "dançando" até o momento que Logan é congelado no ar, deixando Lliurè apreensiva. Ela sabia, pelas centenas de vezes que sua mãe havia dito que "morrer no plano astral é morrer de verdade"! E, em sua apreensão quanto ao que esperar do ataque de Loki, Lliurè lança um pulso de energia psiônica que derruba todos os presentes e, também, algumas árvores ao redor. É como se uma pequena bomba tivesse caído naquele lugar, com o epicentro na ruiva, sem contudo queimar nada. Ainda em pé, a adolescente percebe que isso criou uma esfera de proteção que deixou o deus para fora, caído momentaneamente. De suas mãos ela nota que saem duas garras azul-esverdeadas, de energia, prontas para cortar, não se sabe o quê.

Logan é o primeiro a levantar, olhando-a com admiração e questionando se ela estava bem. Ela anui com a cabeça e volta-se para Loki, pois este também se levanta em seguida munido do cetro com a joia da mente incrustrada ele lança:

Loki: Finalmente! Libere mesmo todo esse poder! – e respira fundo.

Wolverine também havia sentido um odor forte de amêndoa segundos antes da explosão. Ele então consegue conectar uma coisa com outra, a cor das garras, o cheiro de amêndoas, o fato de estarem num ambiente mental e do cianeto fazer toda essa conexão só o deixavam com uma certeza: o poder dela devia estar relacionado com essa substância!

Vendo que apesar da provocação a menina continuava serena, o deus nórdico então aponta com seu cetro no campo de força que o impedia de estar no mesmo lugar que eles. Mas foi o mesmo que nada! Aquele escudo mental era forte o suficiente para aguentar uma joia do infinito! E, pensando em testar suas recém-descobertas habilidades, Lliurè aponta com as duas garras psíquicas para Loki, ao que elas são ejetadas e o atingem, fazendo-o sentir algo que nunca havia sentido antes: dor! Isso o faz debandar, não sem antes lançar algumas sentenças sobre aquilo não ser o fim.

Wade levanta cambaleante e apoia a mão direita na cabeça, como quem está com uma tremenda enxaqueca. Ele para com a boca aberta ao olhar a cúpula por trás da ruiva e as duas garras em suas mãos. Recuperando um pouco da memória, ele olha ao redor, procurando Loki e Logan diz:

Wolvie: Ele vazou. Tentou nos atacar, mas essa cúpula resistiu a uma joia do infinito!...

Deadpool: Ao mesmo tempo que é lindo, isso não é nada bom, né?...

Wolvie: O Loki é meio maluco, né? Não tem como traçar um perfil dele. Pode vir mais vezes atrás de vocês ou, simplesmente, ocupar sua mente com outra coisa a ponto de esquecer o que aconteceu aqui. Vai saber?... – dando de ombros.

Quando se dão conta de que Ohana não havia levantado e os três olham para ela, percebem que a conexão mental estava esvaindo e todos voltam para seus corpos na Mansão em seguida.

Jean já havia colocado Ohana em uma maca e a monitorava, percebendo uma parada cardíaca e pensando em injetar adrenalina. A voz de Logan aparece em sua mente "ela 'tá envenenada por cianeto, ruiva! Dá B12 pra ela e se prepara pra massagem cardíaca!". A telepata não questiona, apenas age, informando Hank que com malabarismos, enquanto dizia "minha Santa Aquerupita!", preparava a injeção de hidroxicobalamina e também fazia a RCP. Lliurè levantou-se assim que acordou no corpo, correndo para o lado da maca onde estava a mãe. Depois de tudo isso, Wade apoia a mão no ombro dela e comenta:

Deadpool: Tu já pode guardar as garras, guria... Não estamos mais com esse tipo de perigo aqui...

E só então ela percebe as duas garras em ambas as mãos, ainda brilhantes, ainda presentes. Com o poder do pensamento ela as guarda, sentindo-as entrar e ficarem guardadas em seu antebraço; passa a mão direita no antebraço esquerdo e o abraça, chorando:

Lliurè: Fui eu, Wade! Eu posso ter matado minha mãe!... Isso é horrível! – ele retribui o abraço e não diz nada, pois podia só complicar a situação.

O som do batimento cardíaco da psiônica se faz ouvir, ainda taquicárdico, mas presente e, depois de alguns minutos da aplicação a cor da pele começa a retornar ao rosto de Ohana, não demorando muito para que os parâmetros estivessem normais e somente o cansaço do ocorrido a impedisse de levantar.

A filha a abraça, pedindo desculpas e chorando baixinho, ao que a mãe retribui e comenta:

Ohana: Não tem o que se desculpar, meu amor... Você fez o que podia para nos proteger e, como estamos de volta na Mansão, eu posso assumir que funcionou, não? O que aconteceu, Jean? – ao que a amiga antecipa aquilo que captou das mentes dos envolvidos, incluindo Hank nessa conversa telepática para que ambos soubessem da necessidade de explorar as potencialidades de Llliurè e descobrir do que sua mutação era capaz.

Foguinho estava dividida entre os dois acamados. Wade decidiu passar a noite ali na Mansão também e, desse modo, podiam confortar-se. Apesar de bem no plano astral, Logan não havia voltado para o corpo, apenas continuava a se comunicar com a Jean e Ohana, depois que esta recuperou a consciência. Ambas avisaram os namoradinhos que Logan queria estar no controle do corpo, mas isso não acontecia!... E então tudo era motivo para Lliuré se culpar e culpar sua mutação.

Deadpool: 'Cê para com isso, foguinho! Nos salvou daquele deus maluco... Quem sabe do que ele seria capaz, hein? – e a aninhava em seu abraço, acariciando seu cabelo.

Quando a pressão era um pouco demais pra ele, com a desculpa de ir até a cozinha da Mansão para trazer barrinhas de cereais, sucos e salgadinhos para os presentes; corria para o banheiro, levando a unicórnio branca e se aliviava, lavando muito bem as mãos e alimentando a todos.

Já na madrugada alta Lliurè ouve um gemido de seu pai e corre até a maca, segurando-lhe a mão. Maldita intoxicação por adamantium... – ele pensa, enquanto sua voz sumida, exprime:

Wolvie: Querida, preciso dizer o quanto tu arrasou lá! Tu tem noção de que peitou um deus? Um deus em posse de uma joia do infinito? Depois que vi o que tu fez, eu tenho certeza de que tu sabe se proteger sozinha... – e volta a tosse com sangue.

Ela corre para pegar uma toalha e, ao voltar, agradece com uma voz sumida também. Dizendo o quanto ainda precisava dele para tudo naquela vida:

Lliurè: Tu não pode me deixar, papá! Agora que eu 'tô descobrindo que também tenho esses genes, hein? Eu posso até me proteger, mas é porque eu pensei que fosse te perder! – e desata a chorar, acordando Ohana que levanta delicadamente e caminha até o lado da filha, passando a mão em suas costas, com o semblante sereno – Como é que tu pode 'tá de boas assim, mamá?!

Ohana: Por tudo que já passei com teu pai, amor, é o mínimo que posso fazer... A saudade que terei será só minha, mas eu não posso forçar a estada dele comigo. Não posso deixar que o egoísmo me guie, não mais... – e olha com tanto amor quanto possível, liberando a mão das costas da filha e passando nas costeletas grisalhas do canadense que sorri diante da fala e da atitude, fechando os olhos e deixando uma lágrima escorrer.

Wolvie: Só Amor, gurias... Sem ressentimentos... Prometem viver assim suas vidas?... – e voltando-se para Ohana ele completa: E tu pode tratar de encontrar um padrasto pra essa aqui, hein?...

Ohana: Ah, querido, isso eu não prometo... Ela já tem alguém de mais idade pra colocar juízo na cabeça, não é?... – e enquanto passava sua mão nos braços do marido, sentencia: Eu tenho a impressão de que ainda vamos continuar nos vendo depois desse momento, Loogie...

Wolvie: Tu acha? Ia ser – e sua voz foi falhando – um sonho... um jeito... de tu não se... livrar tão cedo... de mim, Oha... – mas ele fecha os olhos, sem terminar o nome da esposa.

Wade já estava ali do lado de Lliurè, esperando que ela começasse o berreiro pela morte do pai, o que aconteceu logo em seguida, quando finalmente ela viu que ele não respirava mais. Reclamava do Universo, dizia que não era justo, xingava mentalmente tudo e todos e, inclusive, a aceitação da mãe. Será que ninguém percebe que eu não queria ficar órfã?! Que merd !

Ohana segurou um suspiro dentro do peito, olhou para Jean, que derramava algumas lágrimas e foi então que ela viu como já havia sido descrito por algumas pessoas, o desligamento daquele Espírito do corpo, começando pela falta de luminosidade nas extremidades, com toda a energia luminosa indo concentrar-se na cabeça e, desta, depois de alguns minutos, começaram a aparecer, iniciando das pernas, todo um novo corpo luminoso. A ruiva olhava para as pessoas ao lado dela, mas nenhuma parecia ver o que ela via! Não sabia se era alguma alucinação, então, ela passa a acreditar quando vê também o duplo do Dr. Strange aparecer e, sem mover os lábios, dizer a ela que aquilo tudo era real e que demonstrava o desligamento que todos passam quando a energia que alimenta o corpo não consegue mais manter a coesão molecular. "Ele está livre, Ohana. Eu ousaria dizer que ambos estão livres, já que você domina tão bem as estradas que levam para os outros mundos, não é mesmo? Seu professor foi mesmo muito bom!" – e sorri, todo orgulhoso. Logan vê o colega místico e vai até ele, ambos se cumprimentam e o Dr. Strange comenta com Ohana que a espera durante a noite no Sanctum Sanctorum. Ela concorda mentalmente, envia energias de amor e de descanso ao marido, pois este parecia cansado pela ação do desencarne e se questiona Onde estaria Psylocke? Ela não estaria presente na morte de cada um dos X-Men?!

Parecia haver a possibilidade de tudo ser respondido à noite, para quê se preocupar. Ela tinha uma adolescente para confortar e um futuro genro para pedir compreensão. Além do quê, com a hora da morte anunciada, vários estudantes apareceram no corredor, querendo saber se era verdade o boato, havia vários sensitivos, de vários tipos, na escola. Eles ainda não tinham certeza sobre seus poderes, por isso buscavam confirmações. Hank confirma nos aparelhos sofisticados que não há mesmo mais nenhuma vida naquele corpo e, com isso, sugere para Ohana:

Hank: Minha cara, gostaria de confirmar se posso informar aos estudantes sobre a morte de um de seus professores? Também preciso de autorização para proceder com os preparativos do enterro, sim? – e toca levemente no ombro de Ohana, trazendo-a de volta a realidade.

Ohana: Ah, Hank, claro! Claro que pode avisar os alunos... Eu nem tinha me tocado sobre isso, desculpe... – ao que ele nega ser necessário se desculpar – Quanto ao enterro, precisarei discordar de você. Ele quer ser cremado, Hank e também me pediu para que você, junto com Arnold, se precisar, criem um sistema que desconecte o adamantium dos ossos dele antes de fazer isso. Ele realmente quer permanecer morto, sabe? Sem possibilidades de que, de algum modo, a medula óssea seja capaz de se regenerar daqui uns 100 anos... Ele me pediu para levar metade das cinzas pro cemitério dos Yashida e deixar a outra metade aqui na Mansão. Tudo bem pra você, Jean?

Jean: Cla-claro, Ohana... Nossa... Que pedidos específicos, né? Ele realmente teve muito tempo pra pensar sobre isso tudo... – dirigindo-se até Ohana, ela a abraça e diz: Meus sentimentos, Ohana...

A ruiva agradece, retornando o abraço e agradecendo toda a ajuda. Hank faz o mesmo, seguido de Wade, que a chama pela primeira vez de sogra. Ela sorri com aquilo, enquanto ele retruca não ter coragem de pensar sobre isso enquanto ele estava vivo, com medo dele entender errado.

Ohana: Fez bem, Wade. Ninguém poderia dizer como ele reagiria ao ouvir isso, né? Lliurè sempre foi um grande motivo de ciúmes para ele. E mesmo que aceitasse sua presença, evitava pensar no futuro de vocês. – virando-se para a filha, ela completa: Vem aqui, querida... Vamos pro meu quarto, a gente precisa descansar um pouco.

Jean: Se me permite, vou lançar a notícia entre todos os conhecidos dele, tudo bem? Aqueles que estão vivos ainda. – "Agradeço" é a resposta mental, enquanto sai com Lliurè ao lado.

Ambas sobem as escadas da Mansão que dão para os quartos. Quando vira e vê aquele corredor, sempre com o mesmo jeito, não tem como não lembrar do primeiro dia que ali chegou, com Logan subindo aquelas mesmas escadas, com a voz alegre, levando suas malas e dizendo que o quarto era individual, mas que eles podiam dividir um sempre que quisessem, ela sorri interiormente. Havia sido uma jornada e tanto! Ela também vê James correndo aquelas mesmas escadas, enquanto ela, preocupada, ia atrás dele e pensava se o companheiro alguma vez voltaria a ser normal, depois da possessão da "fera"... Foram tantos momentos, sempre coroados pela possibilidade de retornar ao local que ambos tinham escolhido como lar. E este mesmo lugar, agora seria o lar de sua filha, se ela assim o desejasse. E de seu esposo, no momento que ambos escolhessem ficar juntos. Ela precisava sentir isso. Saber o quanto Charles Xavier havia dado sentido à vida de seus pais e foi por isso que ao entrarem no quarto, Ohana pediu para que ela se deitasse e descansasse, convidando-a a passear por suas lembranças durante esses momentos de sono.

Ohana: É o jeito mais fácil que encontrei para que saiba o quanto este lugar poderá ser sempre seu lar e de seus filhos, sabe? Era algo que ele ia querer conversar contigo, se tivesse a chance, acho que antes do teu casamento, Lliurè.

A adolescente recebe as recordações como joias, ainda que em estado bruto, devido a sua raiva atual; mas ainda assim, ela as recebe e assimila, guardando em seu coração a sensação do que é encontrar um lugar para chamar de seu.

Enquanto isso, Jean convence Hank de que conversar com a filha de Polaris era uma boa solução para a remoção do adamantium do corpo de Logan, ao que ambos concordam em fazer o quanto antes, evitando assim que os ambiciosos de plantão ousassem furtar aquela obra única. Hank improvisa uma gaveta gelada para o corpo, colocando-o numa espécie de animação suspensa e deixa Wade cuidando do mesmo, enquanto ia com Jean até o Cérebro para conversar com Janice, a neta de Magneto.

Hank: Como foi seu contato anterior com ela, minha cara? Receptiva?

Jean: Na verdade, muito mais parecida com o avô, Hank... Mas sabemos que uma peça de adamantium pode ser motivo suficiente para que ela venha, não? Atualmente, isso não tem preço!

E, realmente, o contato inicial foi um tanto frio, mas depois que Jean explicou a proposta para Janice, ela não quis nem esperar o dia seguinte, combinando com ambos que iria à tarde realizar a remoção do adamantium e conhecer a Mansão. Tudo foi muito rápido, mas eficaz e, desse modo, James "Logan" Howlett estava pronto para ser cremado na tarde do dia seguinte, caso todos os informados conseguissem chegar a tempo para assistir. Senão, agora ele era somente mais um corpo, sem fator de cura ou adamantium para gerar cobiça aos caçadores de iguarias. Não havia problema esperar um pouco mais.