Parte 9: Amor Eterno


9 anos depois

"Garotas. Não precisam mesmo da ajuda aí?"

"Tudo bem, mamãe. Rei e eu cuidamos de tudo."

"isso mesmo. Pode cuidar da sala que ajeitamos as coisas por aqui."

Vendo que suas filhas tinham tudo nos conformes, Yuko resolveu continuar com a decoração de Natal na sala, ao passo que Makoto, Ami e sua mãe Saeko decoravam a árvore com um belo sorriso.

Na cozinha, Rei e Usagi cuidavam da preparação da ceia de Natal e pelo aroma, com certeza estava deliciosa. Usagi preparava os doces e o bolo enquanto Rei ajeitava o prato principal.

De volta à sala, Yuko terminara com os enfeites e aproveitara o tempo para ver as fotos na estante. Cada uma a deixava com forte saudades.

Na primeira estavam toda a família junta na sorveteria no dia que adotaram Rei; nas seguintes, foi da viagem ao resort de Kyoto, uma de todos na praia mostrando Rei e Usagi segurando pranchas de surf e outra delas no palco ganhando o concurso de karaokê; as próximas as mostram no dia da formatura da faculdade, onde Rei se formou como administradora e Usagi em gastronomia, a qual resolveu fazer quando descobriu um grande talento para cozinhar e preparar doces; e a última do dia em que elas se casaram, ambas lindas em seus vestidos de noivas.

Essa trouxe uma pontada no coração de Yuko, pois foram alguns dias depois que seu marido foi diagnosticado com uma doença degenerativa. Todos os tratamentos de nada adiantaram. Akio faleceu em menos de um mês. O dia do enterro foi bem parecido com o do avô de Rei. As filhas e Shingo ficaram ao lado da mãe o tempo todo, mas a maior ajuda veio de Saeko, a mãe de Ami, que tinha ficado viúva recentemente. As duas se tornaram muito próximas depois do enterro. Começaram a sair juntas e após um tempo, a amizade virou amor. Rei, Usagi e Ami deram aprovação e apoio as mães. Semanas depois, se casaram. Para Rei e Usagi, foi uma ocasião das mais felizes, já que agora Ami se tornara sua nova irmã e com o casamento dela com Makoto, a família só aumentara.

Nesse meio tempo, Rei conseguiu emprego em uma firma de montadora de carros e em 2 anos, virou uma respeitada executiva.

Usagi abriu seu próprio restaurante e doceria, dando-lhe o nome de SAILUS, que ficou conhecido por todo o país.

E tudo isso em 9 anos.

Todas se reuniram na mesa de jantar, apreciando os pratos que Usagi e Rei prepararam.

"Minhas meninas. Estou mesmo radiante. Quem diria que aquelas duas mocinhas briguentas tão cheias de amor pra dar virariam duas grandes e belas mulheres de sucesso?"

"E não esquecer, mamãe..." Disse Usagi. "duas esposas que se amam profundamente." Rei se levantou e beijou Usagi na bochecha.

"Verdade. De melhores amigas, passamos por irmãs, noivas e agora, esposas. E isso devemos a você, mamãe, e ao papai, que tanto nos apoiaram. Por isso é justo que tivesse nosso apoio quando decidiu ficar com a mãe de Ami. Afinal, você estando feliz, nos deixa feliz."

Yuko não resistiu e correu para abraçar Rei e Usagi. Seu coração brilhava de tanta emoção.

"Ah, queridas. Saibam que não importa quanto tempo passe, ainda que sejam adultas, para mim sempre serão minhas bebezinhas."

Ami parecia com um pouco de ciúme, mas Yuko também lhe deu um abraço.

"Claro que você não fica atrás, querida. E saiba que é tão importante pra mim quanto sua mãe."

Saeko não pôde deixar de sorrir. "Fico contente que tenha tanto amor pra compartilhar, Yuko, mas melhor guardar um pouco pra mim, e afrouxar o abraço seria ótimo. Não quero que minha nora fique viúva tão cedo."

Todas acharam graça da conotação e logo em seguida, se sentaram e trataram de jantar. Depois da sobremesa, que foi a torta que Rei tanto gostava e desta vez teve a chance de fazê-la, o que deixou todas impressionadas, se reuniram na sala, assistiram filmes de Natal, trocaram presentes e receberam a benção da cerimônia sacerdotal de Rei, que ainda sabia como fazer, e sempre dava muita energia positiva.


Após ajudar na limpeza da casa, Ami e Makoto foram embora e Rei e Usagi saíram em seguida, mas não antes de se despedirem.

"Mamãe. Essa foi uma ótima festa de Natal. No próximo ano, vocês duas irão à nossa casa."

"Será um grande prazer."

"Podem contar que estaremos lá." Saeko confirmou.

"Claro que esperamos que liguem antes. Dessa maneira, vou poder arrumar a bagunça que essa aí faz." falou Rei em toque zombador.

"O que é isso, Rei? Sua sua esposa e deveria me respeitar. Você não me ama mais?" Usagi respondeu em tom repreensivo.

"Claro que te amo e te respeito. Você é minha esposa e nada mudará isso, mas tenho que fazer minha tarefa de te provocar. Afinal, também sua sua irmã." Rei concluiu com uma leva piscada.

"Minha irmã e também uma temperamental. Tem inveja de que sempre fui muito mais bonita."

"Ha-ha. Até parece, sua cabeça de vento."

"Mas é verdade."

"Não é."

"É, sim."

"Não é."

"BLÉÉÉÉ."

As duas ficaram mostrando a língua uma pra outra com a maior careta que conseguiam fazer. Yuko e Saeko ficaram com gotas em suas cabeças enquanto olhavam a cena.

"Elas sempre foram desse jeito?" Foi a dúvida de Saeko.

"Desde que se conheceram, mas não ligo. Brigam, brigam, mas ainda assim se amam, de todos os modos." Yuko falou alegremente.


Rei e Usagi estavam no carro depois de se despedirem das mães (e tendo acabado com sua 'briga de irmãs'). Usagi deixara a cabeça no colo de Rei, que afagava seu longos cabelos loiros, sempre no mesmo penteado em 2 grandes tranças.

"Usa-chan. Antes de irmos para casa, podemos parar em um lugar?"

Usagi afirmou com a cabeça.


O cemitério geralmente tinha um aspecto melancólico, mas na época da Natal, quando a neve caia, dava ao lugar uma aparência mais serena e de paz. Usagi e Rei seguiram até chegar a dois túmulos familiares: os do vovô e de Yuuichirou. As duas se ajoelharam diante dos túmulos.

"Vovô, Yuuichirou. Como tem passado? Sei que não tenho vindo aqui com frequência, mas nunca deixei de pensar em vocês. Yuuichirou. Sinto que não tenha podido corresponder aos seus sentimentos, mas sempre pensei em você de um modo carinhoso e como um grande amigo. E o senhor, vovô..." Rei fez uma pausa com um pequeno suspiro. "cuidou de mim com um grande amor. Tinha seus defeitos e fazia das suas, mas ainda assim me criou com todo afeto, mesmo não sendo um pai ou uma mãe, De certa maneira, o senhor foi os dois por toda a vida que vivenciamos juntos. E sei que hoje ficaria tranquilo e feliz em conhecer a família de Usagi e de como me fizeram uma deles, me dando o apoio, carinho e compreensão, especialmente Usagi, minha irmã de início e hoje, minha esposa."

Usagi puxou Rei com um braço para perto dela. "Pode confiar, vovô. Rei e eu nos amamos demais e com certeza nunca a deixaria. Temos nossas discussões típicas de irmãs, mas nosso amor não tem como ser medido ou rompido. Ele é eterno."

Depois de mais uns minutos, Usagi e Rei colocaram as flores nas bases dos túmulos, fizeram uma última reverência e foram embora. Rei sorria para Usagi enquanto andava o seu lado de braço dado.

"Muito obrigada por vir comigo, Usa-chan. Isso significou muito para mim."

"O que for pra te deixar feliz, minha Rei. Afinal, somo casadas e no casamento, o apoio é essencial. Aí, que tal amanhã formos visitar o papai?"

Rei concordou e ambas voltaram para o carro e dirigiram para casa.


Em seu apartamento, as duas penduraram os casacos nos cabides de entrada. Usagi caiu no sofá da sala e Rei se jogou com tudo em uma das poltronas reclináveis.

"Nossa, mas que dia. Comi tanto que acho que vou ficar satisfeita por uma semana. Um bom banho antes de dormir cairia bem. Usagi, me acompanha?" Rei pediu de um modo bem tentador.

"Hmmm. Tá bem, Rei, mas tem uma coisa para você usar." Ela falou pegando um pacote de trás do sofá.

"Usagi. Fico feliz que queira me dar um presente, mas sabe que só abrimos no dia de Natal."

"Este é especial, amor. Abrindo, já vai estar me dando meu presente também. Por favor."

Rei nunca conseguiu resistir ao olhar doce e suplicante e portanto decidiu abrir o presente. Ao tirar o papel de cobertura, Rei não acreditava no que via.

"Quer mesmo que eu...?" Mas bastou Usagi dar um sim com a cabeça que logo Rei se convenceu. Ela saiu da sala e uns instantes depois, retornou. Usagi ficou excitada apenas por ver sua esposa naquele maiô tomara-que-caia vermelho e laranja, uma versão maior do que ela usava quando era adolescente.

"Então, como eu estou?" Rei perguntou, fazendo uma pose bem sensual, colocando uma mão nos cabelos e a outra na cintura.

"Maravilhosa e ainda lhe caí muito bem. Fiquei triste quando precisou se livrar do antigo, já que ele estava ficando pequeno e desgastado. Por isso pedi que Ami fizesse um igual e do seu tamanho. Agora, quer estreá-lo na banheira?"

"Só se for agora, e Usa-chan..." Rei falou quando tomava a mão de sua esposa. "...eu te amo."

"Também te amo, minha paixão, Feliz Natal."

"Feliz Natal."

E com um beijo apaixonado e quente, as duas foram para o banho, onde com certeza fariam mais do que apenas se lavar...

FIM


A ideia de que as mães de Usagi e Ami seriam um casal eu acrescentei de última hora e pode ser que mais pra frente eu faça uma história com base nisso.