Capítulo 5 - Oficialmente solteira


Acatando ao conselho da Hokage e depois de ouvir sobre a missão Kakashi e Sakura resolveram esperar no telhado. Conversavam e Kakashi fazia de tudo para dirigir o rumo da prosa para que a ex-aluna pudesse esquecer do que estava acontecendo.

Assim, riam e falava sobre assuntos corriqueiros. Aquela foi, verdadeiramente a primeira fez que conversavam assim tão despreocupadamente. Pra ser mais exato, aquela foi a primeira vez que Kakashi permitiu-se falar abertamente com alguém.

- Sakura e Kakashi, Tsunade os chama – Shizune interrompeu a animada conversa.

- Já vamos. – Sakura disse e sentiu o coração acelerar imaginando o motivo do chamado.

Seguiram pelo caminho já muito conhecido e bateram à porta.

- Naruto, dê logo isto para que Sakura assine. – disse a loira de forma afoita.

Olharam-se e imediatamente ele estendeu-lhe o papel com a marca d'agua registrada provando que era autêntico.

A rosada olhou profundamente na tonalidade azul profundo dos olhos do amigo e o abraçou, grata.

- Muito obrigada, Naruto. Você é um verdadeiro irmão. Não sei o que seria de mim sem você. – deixou lágrimas escorrerem dos olhos verdes que estavam cristalinos.

Ela aceitou o documento e depois de uma breve passada de olhos diz:

- É aqui mesmo, né? – ela sorriu. Tinha o coração batendo acelerado o que foi facilmente observado por Kakashi que conhecia todos os movimentos da rosada e observava o desenrolar dos eventos tranquilamente.

Ela suspirou e com traços firmes assinou o papel que provaria estar livre do marido e que assumiria de agora em diante o nome de solteira Haruno Sakura.

- Prontinho. – ela disse, respirando pesado e rápido.

- Bem, vamos seguir para nossa missão? Temos que nos preparar – Kakashi disse ao notar a agonia da kunoichi.

- Sim, estejam prontos amanhã cedo no portão de saída, vou repassar tudo com vocês e entregar pessoalmente, algumas coisas essenciais para a garantir o sucesso da missão. E Kakashi, não se atrase ou arranco suas bolas fora. – disse ela aos berros soltando fumaça pelos ouvidos.

- Calma, calma. – ele só faltou gaguejar, estendendo ambas as mãos para o ar na posição típica de mãos ao alto.

– Então, acho que é melhor irmos. Tenho muito o que organizar.

A garota fez um sinal de vênia e saiu seguida do prateado que a acompanhou.

- É, Kakashi sensei, acho que organizar minhas coisas vão ter que ficar para depois da volta.

- É parece que sim, embora podemos já adiantar alguma coisa. Eu organizo o material para a viagem em um segundo.

- Então, por que não passa a noite lá em casa e seguimos juntos pela manhã. Pelo menos você não vai se perder no percurso ou ter que ajudar a senhoras indefesas a atravessar a rua num lugar que não tem nenhum movimento ou salvar gatos, ou então se perder no caminho da vida... Enfim, você sabe bem ao que me refiro.

Ele resignou-se a rir sem graça. Foram inúmeras as vezes em que ele se atrasou, para dizer a verdade, poderia somar em uma mão a quantidade de vezes em que ele estava na hora combinada, sendo que em nenhuma vez ele chegava antes do previsto.

- Bem, então, está combinado. Em uma hora no mais tardar estarei batendo à sua porta.

- 'Tá legal! – ela disse despedindo-se dele. – Ah, Kakashi sensei, melhor comer alguma coisa antes ou sairmos para lanchar, a geladeira está vazia.

- Sim, sim, eu sei! – ele disse de costas já caminhando e depois desaparecendo por entre uma nuvem de fumaça branca.

- É, esse é meu sensei. – ela disse sorrindo.

Seguiu para sua casa e logo começou a preparar suas coisas para sua viagem, separou kunais e adagas, algumas peças intimas para viagem, agasalho, uma barraca e começou a separar suas roupas. Percebeu que todas eram largas e pouco favoreciam suas curvas, que há essa altura do campeonato eram bastante sensuais. Possuía um corpo escultural, malhado pelos inúmeros exercícios, naturais para um ninja. Suas coxas eram bem torneadas e redondas, seus seios medianos eram bem formados e macios e o que mais lhe chamava atenção era, a cintura extremamente delgada, o bumbum arrebitado e as ancas redondas.

Estava procurando alguma roupa que não fosse tão largas e compridas, algo que a fizesse sentir mais feminina e mais bonita. Estava cansada de se esconder, afinal, pela primeira vez iria conscientemente ser feliz por conta própria.

Estava toda entretida no meio de suas roupas quando ouviu a campainha tocar. Correu para atender, lembrando que havia combinado com seu antigo professor de passarem a tarde ali. Aproveitaria e pediria uma ajuda masculina para seu novo 'modelito'.

- Kakashi sensei, você veio mesmo!

- Achou que eu não vinha? Eu sou um homem de palavra. – ele disse passando os dedos pela cabeleira branca.

- Entra, sensei. Vem... vou aproveitar da sua boa vontade. Me ajuda a escolher meu novo visual.

Ele realmente arregalou os olhos.

- O... o que quer dizer com isso, Sakura? – desta vez, gaguejou.

- Eu estou tentando arrumar, no meio de minhas roupas, algo que não seja tão folgado e 'démodé' e quero uma opinião masculina.

- Hum.. e pretende fazer um desfile com suas roupas pra eu ver? – coçou o queixo sob a máscara, sorrindo malicioso achando aquela idéia um tanto quanto maravilhosa.

- Exatamente. Senta aí e espera.

Quando foi a sua casa imaginou que iria ajudar a kunoichi a limpar poeira, nunca que iria a ajudar a escolher seu novo figurino. Mas ficou muito feliz internamente ao ver que ela estava reagindo e que estava disposta a melhorar. Ficou sorrindo por baixo da máscara perdido em pensamentos, quando ela desceu as escadas vestida com uma blusa vermelha que deixava parte de sua barriga de fora e parte de seus seios a mostra, um short preto colado com uma micro saia rosada.

Ele arregalou os olhos sem acreditar que aquela era sua aluna. Olhou-a de cima a baixo e engasgou com a própria saliva.

- Sakura! Quer me matar do coração? – ele disse batendo no próprio peito.

- Então? O que achou?

- Que seus oponentes terão um certo problema em lutar contra você sem engasgar! – ele disse assobiando o que fez com que ela corasse. – Achei que tivesse dito que só tinha roupas folgadas e sem graça.

- Encontrei umas de quando tinha treze anos.

- Não brinca comigo. – Olhou-a de cima a baixo novamente. - Realmente ficou muito melhor agora! Você está linda assim.

Sua vontade era arrancar aquela roupa e dar a ela tudo que sempre quis desde o dia daquela fatídica missão em que ele descobriu que estava apaixonado por sua aluna e teve que esconder seus sentimentos até dele mesmo.

- Então... está aprovada?

- Aprovadíssima. – ele arqueou as sobrancelhas e pensou: "O problema vai ser eu conseguir me conter!"

Então, passaram a arrumar algumas coisas mais importantes, como os respectivos quartos onde cada um iriam dormir. Tudo estava muito empoeirado e desde seu mal fadado casamento, a rosada nunca mais entrou dentro da casa onde viveu anteriormente.

- É tanta poeira que nesse caso, o melhor era realmente usar máscara. – ela disse divertida rindo ao mesmo tempo que tossia. – Sabe que quando era criança queria tanto ver seu rosto, que cheguei até a sonhar com você. – ela confidenciou.

- Hum, então, sinto-me feliz por conseguir fazer minha aluna preferida sonhar comigo. – ele disse com um ar ligeiramente sedutor o que fez ela corar ao perceber a conotação sensual que ele havia dado a seu inocente comentário. – Talvez um dia a mostre meu rosto.

Ela pôde jurar que por debaixo daquela máscara havia um ar galanteador. Certamente, aquele Kakashi sedutor era novidade para ela. Será que nunca percebeu ou ele nunca se mostrara assim? Talvez os dois. Ela realmente não tinha nada a perder, ainda era muito cedo para um relacionamento mas havia jurado ser feliz e não queria impedir nada ou ninguém de se aproximar dela, principalmente, alguém que sempre esteve quando ela minimamente precisou.

- Sério? Serio mesmo?

- Sim, talvez um dia, quem sabe? – ele teve mesmo muita vontade de a agarrar naquele momento, mas teria de se conter mais do que nunca. Estar com as portas ligeiramente abertas criou um nível de periculosidade que nem mesmo ele imaginou. Estava sendo difícil se controlar sob esta nova perspectiva.

Não era necessário um grau de inteligente de gênio para perceber as insinuações do sensei. Como ela havia jurado iria deixar rolar, e ver no que ia dar. Ele era um cara super cobiçado e um mar de mistério sempre o rondava. Era interessante e inteligente conversar com ele, sempre com frases de duplo sentido.

- Lembra aquela vez em que nós, os pirralhos todos, nos reunimos para conseguir tirar sua máscara? Caramba, nem o fotógrafo gato conseguiu tirar as fotos.

- Você achou o fotógrafo gato? – ele assustou-se, afinal, ele era o fotógrafo disfarçado.

- Claro, quem não acharia? Eu era pré-adolescente mas tenho bons olhos.

- Hum... – coçou a cabeça e ficou pesando se contava ou não.

- Eu te conheço, Kakashi sensei. O que foi?

- Qualquer dia eu te conto. Qualquer dia...

- Hummm, você está começando a me prometer muitas coisas. Que tal me contando porque nunca tira a máscara? Não vem me dizer que é por conta de ter sido Anbu, porque Sai e Yamato-sama são da Anbu e não usam máscara.

- É tem razão, eu uso por causa das missões de disfarce! Também sinto-me seguro assim. Mas o principal motivo é que assumo outras personalidades, disfarçado.

- Oh! Entendo!

- Mas talvez abra uma exceção para você, Sakura-chan. – ele disse, usando pela primeira vez a forma carinhosa de tratamento. Sorriu com os olhos para tentar disfarçar seu nervosismo.

- Eba! Sinto-me honrada! – disse dando pulinhos ao redor de si mesma, sem se aperceber o nervoso do albino ao trata-la por chan. Ele vinha fazendo isto os últimos dias. Os pulinhos animados da kunoichi foi uma visão deliciosa. Vê-la pular e seus seios acompanharem o movimento do salto... Lambeu os lábios por baixo da máscara e pigarreou quando percebeu que estava com os olhos parados nos seios dela. Depois rezou para que a jovem não tivesse notado.

Passaram a tarde toda numa brincadeira entre inocência e sedução, deliciosa, já que ela resolveu participar daquele joguinho sedutor proposto por seu sensei e que a estava entretendo. Basicamente, ela havia esquecido completamente do ex-marido.

Quando viram era tarde e eles estava famintos. Sairam e foram comer alguma coisa, escolheram carne assada no restaurante ao lado do Ichimaru lamen. Estavam conversando animadamente quando chega um recado de Tsunade avisando que Sakura deveria comparecer a sua sala.

- Quer que eu lhe acompanhe? Certamente é sobre seu ex-marido!

- Quero, sensei. Você faria isto por mim?

- Sakura, eu sei que você nunca notou, mas eu faço qualquer coisa por você. – disse levantando-se da mesa estendendo um braço para ela.

- Obrigada, sensei. – murmurou engolindo em seco ao ouvir as palavras muito claras de seu antigo professor, quase sem direito a duvidas.

Seguiram tranquilamente pelas ruas e adentraram o prédio da Hokage. Bateram à porta e entraram assim que a mulher pediu. Abriu um sorriso ao vê-los.

- Pronto, minha pupila. Aqui está! – a garota piscou milhões de vezes. – Oficialmente, solteira!

Segurou o papel e analisou-o com cuidado.

- Nossa! Nunca imaginei que fosse tão rápido!

- Nada que eu não consiga fazer sob ameaças e claro você tem um amigo loiro que passou o dia atrás disso por você. Agradeça a ele!

- Vou fazer isto imediatamente! Com licença, shishou.

- Nem adianta, ele saiu em missão com... o Uchiha e só voltará em duas semanas.

- Certo, certo. Quando voltarmos então eu vou agradece-lo. Agora vou andando! – disse mas antes de sair a quinta diz:

- Sakura, aguarde um pouco lá fora, preciso falar com Kakashi a sós.

- Eu o esperarei no terraço.

Depois de um tempo a loira disse:

- Cuide dela, Kakashi.

- Tsunade-sama, você é a única que sabe e acompanhou minha angustia durante todo este tempo. Eu daria minha vida em troca da dela.

- Eu sei... gostaria que ela o notasse. Tenho certeza que a faria feliz.

- Eu vou dizer a ela, mas não agora, no momento certo, ela ainda está muito afetada com o que aquele aluno desnaturado fez. Sabe, isto meio que parece um sonho. Eu já tinha me resignado a ser solitário e a deixa-la para o Sasuke, no entanto, depois disto tudo, eu realmente fiquei mexido e acho que vai ser difícil me controlar por muito tempo, principalmente depois que ela inventou de usar roupas de quando tinha treze anos de idade e você viu é meio complicado vê-la balançando por ai naquelas mini roupas apertadas. – ele mexia e gesticulava com as mãos mostrando um alto nível de nervoso.

Tsunade riu dos olhos desesperados que ele fez.

- Aconselho você a tomar um calmante. – ela riu de ver o quanto ele estava ofegante - Mas notei que ela está com um figurino mais arrojado. Bem, boa sorte, Kakashi, torço por você.

- Obrigada, Tsunade-sama. – disse curvando-se e saindo.

Encontrou, Sakura o esperando do lado de fora observando o céu no início da noite, sentiu a pele arrepiar pois estava começando a fazer o outono e com ele vinha o frio.

O inicio da noite mostrava pequenas estrelas que apontavam timidas no céu, provando ser uma noite bem gelada, porém, iluminada. Sua pele arrepiada, sendo tocada pelo vento da noite, crispava seu couro cabeludo e a fazia bater ligeiramente os dentes.

Kakashi observou a kunoichi e não resistiu, abraçou-a, passando um pouco do calor de seu corpo para o dela.

- Ah, Kakashi sensei. Você realmente chega nas horas em que eu mais preciso. – deixou-se ser abraçada e encolheu-se ali entre os braços firmes e fortes daquele homem o qual sempre pôde contar. – Meu sensei é tão quentinho, aconchegante e... perfumado. – ela murmurou mais para si mesma, enterrando o nariz por entre suas roupas e quase perdendo os sentidos naquele aroma deliciosamente masculino.

"Assim, eu não vou conseguir me controlar, rosada!" ele pensa buscando o extremo auto controle em algum lugar nunca imaginado.

- Melhor irmos, está realmente frio e não quero que se resfrie, minha aluna preferida.

Ela elevou a cabeça encarando-o nos olhos. "Oh, Céus, Sakura! Você quer me enlouquecer!" ele pensou olhando seus lábios rosados e macios, nitidamente apetitosos, ali... a centímetros dos seus. Ele sabia que não poderia fazer isto, ele sabia que era sinal de perigo, ele precisava se controlar... e ele fez isto... ele afastou-se chorando internamente, e puxou-a pela mão, entrelaçando seus dedos aos dela.

Seguiram pelas ruas num silêncio perturbador e entraram na casa de Sakura. Ela estava sendo totalmente guiada por ele que a puxava pelas ruas.

- Kakashi sensei. – Sakura o chamou.

- Sim

- Quem é a única pessoa que você amou? Aquela que se referiu ontem a noite?

- Ah, Sakura! Melhor falarmos sobre isto mais para frente. Eu prometo que lhe direi.

- Por favor, Kakashi sensei. Preciso saber agora!

- Tem certeza? – ele pergunta inseguro.

- Sim, tenho absolutamente certeza.

Continua...