Capítulo 6 - Bricadeira sensual


Estas últimas horas Kakashi aproximou-se da rosada mais do que algum dia jamais havia se aproximado. Seu apoio e carinho chegavam a parecer uma indireta para algo latente nele. Era como se quisesse dizer discretamente a ela, entretanto, mas não podia, se não através de mensagens ocultas.

Kakashi basicamente a arrastava por todo percurso e pelas ruas da Vila da Folha pela mão, como se guiasse a uma pequena criança. As palavras do antigo professor martelavam em sua cabeça.

"Na verdade, ela nunca soube, nem ao menos suspeitou, simplesmente porque era obcecada por outra pessoa."

"Ah, Sakura! Eu posso te abraçar o tempo que você quiser e quantas vezes quiser, é só pedir."

Lembrava-se de suas palavras e nelas manteve-se imersa num emaranhado de sentimentos e duvidas. Pareciam indiretas...

"... eu sei que você nunca notou, mas eu faço qualquer coisa por você." Ele havia dito

As palavras de Kakashi ecoavam dentro dela como uma eterna roleta russa e sua voz grave e tranquila martelavam em sua mente como uma goteira numa noite silenciosa e obscura. De quem ele estava falando? Quem era esta garota? As perguntas ficavam girando e girando incessantemente.

Seguiram pelas ruas num silêncio perturbador e entraram na casa de Sakura.

- Kakashi sensei. – Sakura o chamou com um olhar suplicante.

- Sim – ele a encara de volta chocando olhos nos olhos... Ônix nas esmeradas...

- Quem é a única pessoa que você amou? Aquela que se referiu ontem a noite? – ela não aguentou mais a dúvida e o questionou de forma angustiada.

Kakashi travou por segundos, sem acreditar que ela estava lhe perguntando aquilo.

- Ah, Sakura! Melhor falarmos sobre isto mais para frente. Eu prometo que lhe direi. – O Hatake estava visivelmente nervoso e aflito. Sua intenção era falar a respeito muito mais a frente.

- Por favor, Kakashi sensei. Preciso saber! – seus olhos expressivos em súplica o capturaram, o prenderam. Era impossível negar seja lá o que fosse a eles.

- Tem certeza? – mesmo assim ele pergunta inseguro, intuindo que no fundo ela já chegara a conclusão para aquela pergunta.

- Sim, tenho absoluta certeza.

Ele inalou fundamente o ar quando percebeu que havia parado de respirar. Com uma coragem que não sabia que possuia disse:

- Bem... a única pessoa que eu amei a vida toda foi... uma aluna. – suspirou ofegante, sem desviar os olhos dos dela e a medida que ela ia fazendo pequenas associações dentro de sua cabeça, seus olhos foram se arregalando sem acreditar.

- Não me diga... que...

- Você quis saber! Mas não direi nada além disto. – estava extremamente nervoso, seus dedos chegavam a tremer e a suar.

- Kakashi sensei... eu fui sua única aluna. – ela concluiu enfatizando a palavra e quase engasgou com a frase. Desmoronou na poltrona com as pernas tremulas e ficou estática procurando assimilar o que acabara de descobrir. Seu coração começou a bater descompassadamente, sua boca secou e seus olhos se encheram de lágrimas. Seu sensei sempre a amou e era dela que ele havia falando naquele dia. Fez um retrocesso em sua vida e imaginou seu sensei vendo seu casamento, pior... ajudando-a com os preparativos e com tudo absolutamente tudo, e... depois seu atual sofrimento.

- Desde quando, sensei?

- Por favor, Sakura! Vamos parar por aqui e conversar sobre isto um outro dia, hum? Eu juro, juradinho que conto tudo o que quiser. – ela riu do jeitinho carinhoso dele.

- Sensei, só me diga isto, desde quando?

- Desde seus dezesseis anos.

E aí ela começou a fazer contas, ele estava com vinte e dois anos, um pouco mais velho do que ela era agora. Kakashi não era tão mais velho do que ela, ele era um prodígio que se tornou Chunin aos cinco anos e um ninja de elite ainda muito novo.

- Ah, Sakura! Eu não devia ter lhe dito... não ainda! - No entanto, ela o encarou com coragem.

- Sensei... – murmurou entre as lágrimas que teimavam em rolar pelas bochechas . – Como eu sou estúpida!

- Não, Sakura. Não se menospreze, sim? Vamos esquecer que eu te contei, certo? Quero que você seja feliz acima de tudo e de qualquer coisa. Fico feliz ao vê-la sorrindo! Então... não chore, sim? Por favor, faça seu sensei alegre e pare de chorar. – ele limpou as lágrimas que caiam de seus olhos com o dorso da mão.

O calor da emoção fez com que a rosada se jogasse nos braços do prateado, enterrando com força seu nariz no pescoço coberto pelo tecido fino e negro.

- Venha, vá tomar um banho e descansar, é muita informação em tão pouco tempo, conversamos depois. Quero vê-la bem!

- Deixe-me aqui abraçada a você, por favor, meu sensei – ela murmurou e ele não conseguiu resistir àquele pedido. – Deixe-me descansar agarrada a você, só preciso mais um pouquinho. Por favor! Eu me sinto tão bem e protegida!

- Está bem, minha aluna preferida. Mas saiba que é muito difícil resistir a estas roupas minúsculas que lhe caem muito bem e quase me fazem infartar. Vai ser uma difícil missão, até pior do que uma de rank S.

Ela riu entre soluços secando suas bochechas.

- Sabe Kakashi sensei, talvez eu já retribua seu sentimento, só preciso de um curto tempo para curar a ferida aberta no meu peito.

- Sakura-chan, jamais cobraria nada. Eu abri mão de você para vê-la feliz. Imagina que agora pediria qualquer coisa!

- Obrigada sensei. Eu posso dizer que... que não medirei esforços para retribuir seu sentimento e fazer com que cresça cada vez mais. Vou oferecer à pessoa certa e da forma certa todo o sentimento que tiver. – um arrepio em sua coluna castigada o fez rir baixinho.

- Isto me parece um sonho! Tenho medo de acordar. Será que estou preso num genjutso? – murmurou beijando a base de seu pescoço através o tecido negro.

- Sharingan no Kakashi, seu baka. Você saberia melhor do que ninguém se estivesse preso dentro de uma ilusão. Sem falar que ninguém seria capaz de tal proeza – ela riu divertida. – Definitivamente, você me faz bem.

Ficaram assim um certo tempo até ele notar que Sakura havia adormecido entre seus braços. O perfume adocicado que preencheu seus pensamentos por noites e noites estava ali tão próximo! Ele a tinha ali entre seus braços com uma distância quase mínima entre eles. Abaixou a máscara e beijou seu rosto bem próximo a boca. Elevou-a com os braços musculosos caminhando cauteloso até o quarto que ela elegeu para ela.

Observou-a por um tempo, zelando seu sono tranquilo. Não resistiu e deitou-se a seu lado. Acariciou seus cabelos rosados até que acabou por adormecer, entorpecido pelo aroma doce de cerejeiras.

O despertador tocou e Sakura remexeu-se na cama resmungando e o desligou. Sentiu o peso de um braço em cima de seu corpo delicado e assustou-se.

- Kakashi sensei? – murmurou observando-o entre os lençóis ainda de olhos fechados com a máscara maligna cobrindo seu rosto. Como um flash as recordações do dia anterior bateram em sua cabeça e sorrindo acariciou o rosto do mascarado que dormia tranquilamente mesmo sob aquela maldita coisa negra.

Aproximou-se e murmurou: - Kakashi-sensei? Acorde! – ela apertou a ponta de seu nariz escondido sob a máscara.

Foi então que teve uma incrível ideia, acabou sorrindo com ela...

Delicadamente, aproximou-se e deslizou os dedos até a borda do tecido fino e negro. Seu coração batia descontroladamente. Sentiu-se uma verdadeira criança quando está prestes a fazer uma arte muito cabeluda. Sorriu mais intensamente notando seu sentimento infantil, afinal, aquele era um sonho de infância: ver o rosto do seu sensei.

Vagarosamente, começou a deslizar o tecido, com cuidado para não o acordar, milímetro por milímetro ia puxando a malha fino... seu coração batia rápido querendo sair pela boca às galopadas.

- Se terminar de fazer isto... terei de beija-la – ele disse ainda de olhos fechados, bastante rouco. - Este será seu castigo.

Então, ele estava acordado todo o tempo, brincando com ela?! Sorriu e continuou baixando vagarosamente o tecido, provocando-o.

Aos poucos a face de seu sensei foi-se formando diante de seus olhos e ela quase teve um surto quando o viu. Acima de toda e qualquer expectativas, ele era lindo! Lindo de morrer!

- K... kakashi... você é... magnifico de tão lindo! Estou quase morrendo aqui! Céus, por que nos priva, reles humanos, de ver tamanha beleza divina?

Kakashi riu e seu sorriso era mais lindo do que tudo no universo. Seus dentes certos e brancos, seus lábios moderadamente grossos, o nariz fino. Seu rosto parecia ser esculpido a mão por algum artista, uma pequena pinta dava-lhe um charme inumano. Era um deus!

- Fico feliz que ache isto, bem... você é a única pessoa, além de meu pai, que já viu o rosto de Hatake Kakashi! Agora, vamos ao seu castigo... – disse arranhando a voz, e com isto puxou-a fazendo com que ela deitasse por cima dele. Com uma mão firme tocou sua nuca trazendo-a para ele, permitindo que seus lábios tocassem os dela delicadamente, com muito cuidado, como se tocasse pétalas com os lábios.

Aquele beijo singelo, sentido e demorado, vagarosamente, foi se tornando mais intenso e suas línguas dançavam, numa luta sensual somado a uma troca de fluidos enlouquecedora. O beijo foi interrompido pelo despertador que tocou uma segunda vez...

- Achei que isto já houvesse tocado antes! – ele disse rindo.

- E tocou, este eu chamo de: segunda chance!

- Quantas chances nós temos? – ele perguntou referindo-se ao despertador, com os lábios quase tremendo de desejo.

- Bem... acho que temos todas as chances do universo. – e ele riu da forma como ela falou – mas... agora o melhor é ficarmos por aqui e seguir para nossa missão.

- Sim, sim. Você tem razão. – concordou.

Sentaram-se um de frente ao outro e ficaram assim por um curto tempo, se encarando sem desviar. Sakura estava rubra, um verdadeiro tomate. Era linda toda envergonhada, ele pensava encantado. Ele a abraçou, não estava mais conseguindo se conter, beijou seus lábios com um delicado toque, um selinho sutil e carinhoso. Para a infelicidade dele, o maldito despertador tocou pela terceira vez e agora não parava mais.

- Vamos Kakashi sensei?

- Você vai mesmo me chamar de sensei até a morte? – perguntou desinibido, sorrindo com o canto dos lábios.

- Hum... deixe-me ver – ela levou seu pequeno dedo indicador à altura do queixo batendo nele, displicentemente, olhando para cima indicando que estava pensando - Acho que vou, adoro te chamar assim, é muito sexy!

- Ah, Sakura! Não brinque com um lobo faminto se não quiser levar uma mordida. – ele sorriu muito malicioso, balançando a cabeça numa negativa – Sua sorte é que temos uma missão e devemos sair agora ou eu iria prende-la a esta cama sem chances de escapar pelo dia inteiro.

- Kakashi sensei... – ela chamou-o novamente, no entanto, de forma ligeiramente sedutora. - Você é muito gato! – suas bochechas estavam coradas ao olha-lo, por Deus, aquele era seu professor mascarado, e ele era absolutamente, lindo. Sem contar que acabara de descobrir que era apaixonado por ela. Aquilo era muito surreal, mas ela não iria fraquejar, ia seguir em frente e seria feliz.

– Já sei, seu plano maligno é me tirar do sério. Deixe-me tomar um banho e trocar de roupas, sim? Nós teremos tempo para continuar nossa... brincadeirinha sensual. – disse a palavra com a voz arranhada e grossa.

- Hum... acho deliciosamente divertido, se o resto de você for igual ao rosto estarei totalmente perdida. - deu uma gargalhada divertida.

- Você quer ver? – ele pergunta, provocando-a, mostrando uma expressão ligeiramente diabólica e perigosa.

- Não acredito que posso ver suas expressões... – ela deu vários pulinhos fazendo com que o colchão fofo balançasse. – Sim, quero ver!

- Hum... você quem pediu... então vou te mostrar o restante de mim, mas só vai ver e não pode desviar os olhos.

- Você acha que eu perderia algo assim?

E ele começou a retirar a blusa preta lentamente, mantendo fixos seus intensos olhos negros aos verdes dela. Ela simplesmente estava sem piscar. Não acreditava, ele era magnifico, abriu a boca quase deixando uma gota de saliva escorrer. Ele tinha um musculatura toda esculpida. Era incrível, era maravilhoso... Ainda sem desviar os olhos, desabotoou as calças pretas da forma mais sensual imaginada, deixando escorregar pelas pernas totalmente bem definidas. Uma coxa de Kakashi era quase da mesma espessura da cintura de Sakura. Sua boca secou e ela teve que passar a língua rosada para molhar os lábios.

- Kakashi sensei... Você é lindo de morrer e... não preciso comentar que é... muito bem dotado! – Apontou, inteiramente vermelha, para o garotão muito animado e rijo, preparado para atacar.

- Ele sempre esteve assim por você, Sakura! Sempre! Mas foi você que quis ver. Agora vou tomar meu banho. Posso usar este banheiro? – apontou para o cômodo, ela balançou a cabeça positivamente de uma forma automática, ainda de boca aberta, devorando-o com os olhos. Ele virou-se e entrou no banheiro assobiando, fechando a porta.

- Nossa! Que calor! Que homem é esse, meu senhor... que crueldade, preciso tomar um banho congelado – ela saiu correndo, deixando-o rindo sozinho já dentro do box. O prateado aproveitou para massagear seu membro já ereto, pensando em sua kunoichi rosada.

Saíram da casa de Sakura com olhares cúmplices e sorrisinhos indiscretos. Pararam em frente ao portão enorme e aberto e foram os primeiros a chegar.

- Nossa! Essa é a primeira vez na vida que chego tão cedo a uma missão. – ele disse sorrindo com os olhos.

- E olha que tivemos toda aquela... Hum... Como posso dizer?.. Hum... – movimentou as mãos tentando buscar palavras para expressar o que havia acontecido antes.

- Brincadeira sensual! – ele sussurrou, abaixando a mascara e mordiscando o lóbulo de sua orelha.

- É... isso mesmo, brincadeira sensual – ela falou meio abobada concordando com ele. – O que um homem tão sedutor e incrível como você viu numa garota tão sem graça e insossa de cabelo rosa como eu?

Ele, simplesmente, ignorou que estavam na rua, e a puxou pela cintura, apertando-a contra si.

- Nunca mais repita tamanha asneira, ouviu? Você é uma garota incrível, dedicada, esforçada e absolutamente linda... capaz de dar a própria vida por quem ama. Está proibida de se menosprezar. Sakura, penso em você desde meus vinte e dois anos e depois disto nunca mais consegui esquece-la. Já fiz de tudo, mas seu cheiro de cerejeira me atormentava todas as noites, porque simplesmente, eu guardei seu aroma.

A rosada engoliu um nó na garganta junto com uma intensa vontade em desabar em lágrima depois de ouvir as palavras de Kakashi. Às vezes a vida fecha uma porta mas lhe abre outra muito mais colorida... Pensou.

- Por que não me disse antes? Por que?

- Inúmeras razões... Porque você era louca por Sasuke e eu não tinha o direito de estragar seu sonho, mas principalmente porque queria ver sua a felicidade e acreditei, do fundo da alma, que você o seria. Mas realmente o melhor é conversarmos sobre isto com muito tempo como eu havia proposto desde o começo. Sabe, quem ama quer ver a pessoa reluzindo. – ele sorriu e mesmo por baixo daquela máscara ela conseguia imaginar sua expressão.

- Kakashi sensei. Quero voltar logo desta missão... porque... quero ser sua! – disse com os olhos marejados. Seu coração estava sofrido e magoado mas não conseguia não retribuir a uma coisa assim tão avassaladora.

Ele não suportou e a apertou ainda mais pela cintura com uma mão e com a outra abaixou a máscara, roubando-lhe um beijo fervoroso. Foi um beijo rápido mas muito intenso. Deixou-a de pernas bambas e vista turva.

- Recomponha-se, Sakura! Tsunade está se aproximando.

- Kakashi sensei, você vai se ver comigo! Quero meu beijo de volta. – murmurou e desta vez teve a certeza absoluta de conseguir ver as expressões por baixo daquela máscara.

Continua...