Capítulo 18 - Seguindo a missão

Mesmo cansados, depois de se restabelecerem, Sakura precisou fazer inúmeras coisas para se preparar para seu disfarce. Tingiu seus cabelos da mesma cor de Kana e deu uma pequena passada de olhos nas recomendações por escrito, nome dos componentes da trupe de artista e todos que estariam envolvidos na missão. Tsunade, pessoalmente visitou a pupila, em sua residência, para saber se estava tudo bem. Quando chegou, a rosada estava descansando.

- Naruto me contou tudo o que aconteceu! – a loira disse apreensiva para Kakashi.

- É! Ele estava totalmente fora de si e eu tinha que para-lo. Mas acho que Sakura foi mais eficaz, ela se jogou no meio do fogo cruzado. Eu quase perdi o bom senso quando a vi naquele estado.

- Vou vê-la, se não estiver em condições para esta missão enviarei outros shinobis e mudaremos o plano. Droga! Por que o idiota do Uchiha tem que ser tão teimoso.

- E quanto a mulher dele? O que aconteceu?

- Não sei ao certo o que aconteceu antes. Só sei dizer que a gravidez dela era de risco e que a causa do aborto foi um estresse muito profundo que causou uma agitação dos fetos que rejeitaram a placenta. Como Sasuke foi hospital depois que Sakura o socou, supus que ele tivesse dito alguma coisa séria para ela mas ninguém sabe exatamente o que aconteceu.

- Nossa!

- Ele não diz nada, está apático e olha para o nada, sem piscar ou desviar os olhos, num profundo estado de choque, sem reação nenhuma.

- Caramba!

- Na verdade, você deu uma bela surra nele. Esta todo quebrado. Bom... ele foi o único culpado disto tudo acontecer, precisava ser um completo idiota!?

- É verdade! Ele não me deu escolha...

- Agora a única coisa a fazer é esperar.

- Acho que Sasuke precisa de um tratamento psiquiátrico.

- Sim, eu já estou providenciando isto. Vou afasta-lo de qualquer missão. Sei que será difícil, mas assim que ele estiver de alta e independente da opinião dele, vou interna-lo para um tratamento sério. Já devia ter feito isto antes... – suspirou resignada - Bem, agora vou dar uma olhada na minha pupila.

Kakashi e Tsunade caminharam até a rosada em silêncio. A iry?-nin, fez alguns exames e introduziu seu chakra para a relaxa-la.

- Ela está bem, precisa repousar um pouco. Droga, tinha que ter essa missão que só a Sakura pode fazer? Vou atrasar a saída de vocês para o dia seguinte, assim poderão descansar até amanhã. Vai, sua vez. Deite-se... – a médica ninja murmurou autoritária.

- Yare-yare. Acho que não preciso. – ele disse constrangido.

- Não discuta comigo, Kakashi, anda e deita logo nessa cama – ela ruminou entre os dentes.

- Está bem, está bem... – disse rendido com ambas as mãos para o ar.

O chakra que a iry?-nin enviou foi tão relaxante que ambos capotaram o restante do dia, da noite e só acordaram no dia seguinte às três da tarde.

Nem o poderoso despertador de Sakura foi capaz de os acordar.

- Bom dia, hime.

- Bom dia, Kashi-kun.

- É tão engraçadinho ouvir você me chamar assim.

- Prefere que eu te chama de Kakashi sensei?

- Adoro quando me chama de sensei... como você mesma disse é sexy! Mas... também gosto muito do momentos que me chama de Kashi-kun – ele sorri carinhoso, sabe que... fico como uma manteiga derretida. - Ela sela seus lábios e seu olhar passar por seu despertador furtivamente marcando três horas da tarde.

- Bom dia nada... já é boa tarde, Kakashi! Três horas! Isso é o cúmulo do atraso. – ela senta-se desesperada.

- Relaxa, a Hokage passou nossa missão para amanhã.

Ela suspirou aliviada. Kakashi acariciou seus cabelos rosados quando notou seu abatimento. Um ligeiro silêncio se instalou mostrando que os acontecimentos do dia anterior ainda assombravam o encalço do casal como um fantasma.

O que eles mais desejavam era ficar tranquilos e descansando, no entanto, a vida nem sempre é como desejamos e nos prega umas artimanhas engraçadas... O dever os chamava. Todos ali precisavam seguir em frente.

Sem a necessidade de pronunciar nenhuma palavra, caminharam com o ritual de todos os dias: higiene pessoal, roupas e comer alguma coisa consistente. Tudo isto foi feito no mais profundo silêncio. O pesar no ambiente era semelhante a de um funeral de guerra. Depois de um tempo, durante a refeição, o prateado resolveu acabar com aquele clima pesaroso.

- Você está bem, Sakura-chan? – ele a encara expressando um extremo cuidado em seu olhar. Sua máscara descansava em seu pescoço como um lenço, já pronta para ser levantada a qualquer momento.

- Sim, ainda não acredito que aconteceu tudo aquilo. Não dá pra acreditar que eu já fui perdidamente apaixonada por aquela pessoa tão egoísta e não conseguia reparar em mais nada ao meu redor! – a rosada disse triste.

- Ei... para com isso! – ele segurou seu rosto delicadamente com ambas as mãos trazendo seus olhos esmeraldinos aos dele. Beijou-a afagando sua língua com a dele de forma amorosa e tranquila, mostrando o quanto ela era importante para si.

– Espero do fundo do coração que ele pare para re-pensar sobre as escolhas estranhas e equivocadas que fez ao longo de sua vida e que siga enfrente. Ele já sofreu muito também, viu todo o clã ser morto diante de seus olhos pelo próprio irmão, sinceramente queria que ele fosse minimamente feliz... claro que bem longe de mim. – completou a frase.

- Isto só depende dele mesmo. – Kakashi disse bebendo um gole do café. - Você se arriscou muito se jogando no meio daquela loucura, mesmo com o selo liberado. Quase morri do coração quando te vi toda ensanguentada. Prometa que nunca mais fará nada igual?!– ele ó faltou implorar.

- Não posso te prometer algo assim, quando sua vida está em risco eu me desespero! – lágrimas começaram a brotar de seus olhos.

- Ei... minha pequena rosada! Não chore, hum?! Está tudo bem agora. – Acariciou sua pele branca e imaculada com os lábios. - Obrigado, meu amor! Obrigada por me parar... Eu estava preparado para segura-lo a qualquer custo. Estava preparado para matar ou morrer.

- Eu sei disso, te conheço melhor que a palma da minha mão. Por isso que eu não pensei nem duas vezes antes de me jogar no meio.

- Muito obrigada, minha princesa! – ele disse e abraçou. – Não sei o que seria da minha vida sem você. Agora... deixa esse episódio para lá. O melhor é nos prepararmos rápido. Você ainda precisa aprender coisas sobre a missão e depois de tudo que vivemos nas últimas horas até acredito que essa missão veio a calhar bem.

- Certo! – ela disse e sorriu. – Você está certo.

Ficaram descansando sentados no sofá de Sakura. Kakashi lia seu livro de romance picante enquanto a rosada repassava os nomes e personalidades dos integrantes da trupe de artistas deitada no colo do noivo.

Na hora combinada, seguiram o trajeto ao portão de entrada onde todos deveriam aguardar.

Lá já estava Naruto a espera de Sakura e Kakashi. O restante ainda não tinha chegado ao local combinado.

- Kakashi-sensei, não acredito que você chegou na hora certa! – ele coçou a cabeça sem graça. - Sakura-chan! Você está idêntica aquela garota mimada... É impressionante a semelhança.

- Os olhos da feiosa são muito mais verdes. – disse Sai aproximando-se deles.

- O que você está fazendo aqui, Sai-cara-de-papel? – sorriu ignorando a brincadeira - Achei que era o Uchiha-problemático quem seria o guarda-costas da Kana, a mimada.

- Ela cismou que não queria mais o Sasuke porque... você bateu nele.- disse Naruto coçando a nuca e Sakura revirou os olhos.

- É... realmente vai ser muito duro de roer ter que me passar por uma garota tão problemática.

- Sem falar que... bem... o Sasuke... – Naruto desviou os olhos para o céu tentando disfarçar a preocupação. – Está todo arrebentado no hospital, Kakashi-sensei acabou com ele. – Naruto segurou um sorrisinho e Kakashi o olhou de rabo de olho.

- Se quiser morrer é só mexer com a Sakura. – ele disse ainda o olhando com rabo de olho.

- Bom saber disso. – disse Sai sorrindo meio amarelo. – Não brinco mais de chama-la de feiosa.

- Bem... – Naruto continuou – Também, Tsunade-oba-san o afastou das missões por hora e o internou no HNDP, Hospital para Ninjas com Distúrbios Psíquicos (1). Ele precisa de tratamentos, aliás... ele e a Karin vão pra lá.

Sakura parou e encarou seus olhos azuis. Isso significava que sua mestra o declarou com distúrbios mentais graves. Quem era internado nesse hospital era considerado perigoso a sociedade por ter distúrbios psicológicos e traumas muito fortes. Só saia de lá quando totalmente tratados. Piscou inúmeras vezes e não soube o que falar. Sua mestra o declarou desequilibrado mas pensando com clareza, qualquer medico faria isto. Ele precisava de um tratamento intenso...

- Você está bem? – Naruto perguntou preocupado.

- Está tudo bem, loiro-kun. – ela esboçou um sorriso fraco - Espero que agora ele se resolva. A verdade é que ele nunca conseguiu superar todos os traumas e testes que a vida lhe impôs. Desejo que ele se torne uma pessoa melhor agora e que resolva seus traumas e distúrbios psicológicos e que realize internamente conclusões acertadas.

Kakashi estava de braços e pernas cruzadas lendo seu livrinho de conteúdo adulto, no fundo só olhava as letras, ele ouvia atentamente toda a conversa entre seus antigos discípulos, antigo time Kakashi.

Ficou impressionado como Sakura havia amadurecido. Definitivamente ela se tornou uma incrivel mulher e ele estava totalmente disposto a entregar sua vida a ela.

Foram interrompido pelos quatro componentes do tal grupo problemático. Shizune caminhava logo atrás com o rosto nublado pelos acontecimentos do dia anterior.

Kana verdadeira estava trajando roupas de um menino e usava uma peruca para disfarçar sua aparência. Ninguém realmente suspeitaria que aquele menino era a vocalista do grupo de artistas.

- Tsunade não virá. Teve de ir ao hospital, muitas coisas aconteceram ontem. – Shizune disse preocupada. – Boa viagem!

E assim seguiram viagem em duas caravanas típicas de nômades. Instrumentos e roupas eram carregados dentro daqueles dois carros que eram puxados por grandes animais que lembravam enormes búfalos negros.

Sakura que agora assumia o lugar de Kana entrou em uma das caravanas com dois dos integrantes daquela expedição. Algumas outras pessoas desconhecidas da kunoichi estavam ali e ela continuou a ler um romance de um romancista renomado do país das invocações intitulado 'Espíritos' que encontrou jogado no canto do carruagem. Kakashi e Naruto seguiam em cima dos grandes animais, Sai seguia ao lado do 'garoto-Kana'

Escusava-se comentários ou palavras, os acontecimentos terríveis do dia anterior ainda pairava sob suas consciências e cada um estava focado em seus pensamentos e memórias.

Deu graças a todos os deuses do panteão que a vocalista mimada seguiu viagem no outro carro com Sai em seu encalço. Sentiu pena do rapaz por ter de atura-la.

- Ei, Kana! – o garoto de tez clara e olhos azulados a chamou. – Tudo bem a dentro do seu coração?

- Sim – responde Sakura, sorrindo. A última coisa que queria era alguém tentando ser comunicativo com ela. Precisava manter-se calada para recuperar as feridas causadas do dia anterior.

- Ontem... hum... é que ontem, estávamos fora da vila... hum... e vimos tudo, achei que queria falar sobre o assunto. Você é tão comunicativa e rabugenta! – olhou-a de lado e fingiu estar falando com a verdadeira Kana.

- Sério mesmo que quer falar sobre aquilo? – ela disse triste.

- Queria saber se você gostaria de conversar a respeito. Você sabe, foi você que saiu me puxando pela mão querendo ir ao encontro da morte. – ele riu.

- É realmente eu sou muito maluca. Não sei onde eu estava com a cabeça. – Sakura começou tímida sua encenação - Sei que eu sou osso duro de roer mas vou tentar ser uma pessoa melhor nesta viagem.

- Nossa, ouvir isto me deixa extremamente aliviado. – piscou para ela - Quer? – o rapaz ofereceu um bolinho e ela aceitou agradecendo com um aceno de cabeça. Imediatamente parou de mastigar com os olhos ardendo e o rosto todo vermelho.

- Tão apimentado! – ela disse quase chorando com a língua picada pela pimenta.

- Você adora coisas apimentas, Kana! – o garoto riu ao perceber que Sakura era altamente sensível a comida tão quente, diferente de Kana.

Ela engoliu o bolinho com certa dificuldade.

- Água! – suplicou chorando. - Você sabia que ontem tive que ir no médico por estar com dores de estômago e ele mandou não comer coisas apimentadas. Poderia morrer, por que fez isto já que sabia?

- Oh! Desculpa! – espantou-se com a mudança de comportamento da falsa Kana. – Esqueci...

- Como assim desculpa... esqueci... – ela disse totalmente intransigente, já começando a imitar a verdadeira vocalista pra valer agora – você estava comigo e não prestou atenção em nada? Yuka, seu baka! – virou o rosto para o outro lado criando um enorme bico e o garoto desatou a rir. Aquela era uma imitação perfeita da vocalista!

Parece que agora ela estava pegando o jeito, o que era um alivio, já que a ideia era ela se passar pela vocalista sem ser descoberta.

Certamente Sakura merecia um oscar de melhor atriz, o garoto pensou e sorriu frente a toda aquela encenação da rosada que agora estava com os cabelos negros como ébano. Ela era parecida com a vocalista, no entanto, os traços de Sakura eram mais finos, a boca mais carnuda e sensual, os olhos muito mais verdes e corpo escultural. "É... consigo entender porque os dois shinobis lutavam por ela, travando aquela guerra de vida ou morte. " Ele pensou. "Ela é muito linda! Parece uma boneca de porcelana! Pena que já é comprometida e que n\ao quero nem saber de arrumar confusão com aquele shinobi prateado".

Seguiram... Seguiram caminho...

Sakura entreve-se conversando com o rapaz procurando ser o mais intransigente possível e ele percebendo o esforço da rosada tentou ajuda-la com algumas dicas indiretas de como se comportar.

Teriam que parar no meio do percurso pois saíram de Kohanogakure muito tarde.

- Melhor encontrarmos um albergue para passarmos a noite. – disse Yuka, já bocejando alto.

- Você é quase uma menina, Yuka. Não aguenta nada, ainda é cedo e o sol ainda está forte. Mas se é assim, vá falar com o Kakashi-kun para que possamos desviar.

- Kun? – ele levanta uma sobrancelha. - Vou ficar com ciúmes assim.

- Não seja piadista. Você nem falou nada quando eu fiquei me insinuando pro moreno, o tal Uchiha no baka!..

- Isso é porque eu sou muito mente aberta. – Sakura não acreditou naquilo.

- Sério mesmo? Nós... temos... um... rolo? – Sakura murmura perto do seu ouvido fazendo uma conchinha com as mãos para que somente ele ouvisse.

- Digamos que mais ou menos. – ele murmura de volta.

- Que tipo de rolo?

- Damos uns amassos de vez em quando, mas nada de mais, somos livres. Só sexo mesmo! – ela tossiu.

- Melhor manter o 'só sexo mesmo' longe de mim. Meu noivo não tem essa cabeça aberta toda e pode querer fazer picadinho de você se ficar se insinuando assim.

- Okey. – ele respondeu numa posição de continência. – Tenho amor a minha vida, morro de medo do Kakashi-san e não quero confusão com aquele shinobi nem no meu pior pesadelo.

Ele era realmente engraçado e Sakura precisou rir. Afinal aquela missão, realmente veio a calhar e a salvou do turbilhão que aconteceu nas últimas horas.

Começaram a desviar um pouco o trajeto em direção a pousada mais próxima quando kunais em chamas fizeram a caravana parar...

...

O quarto branco do hospital, separado por uma cortina dava ao ambiente um ar sem vida e mais frio do que o clima de inverno.

Sasuke estava deitado todo enfaixado olhando o céu fechado através da janela. Nenhum pensamento vinha à sua mente além das palavras de Sakura que refletiam em sua cabeça sem parar. Era com uma vitrola quebrada.

Os olhos parados e estáticos não demonstravam o redemoinho paranoico do seu estado psicológico. Estava começando a se convencer de que precisasse de um tratamento neurológico como todos comentavam...

Continua...