Capítulo 23 - A espreita
No dia seguinte, Sasuke direcionou-se para o escritório da quinta Hokage, carregando um pesado turbilhão interno que o atormentava incansavelmente. Ele não queria acreditar que tinha aquele problema. Aquilo tinha que ser um engano... Atormentava-se internamente.
O percurso foi completamente silencioso. Podia-se ouvir somente o barulho dos sapatos que ecoavam enquanto caminhavam, como conta-gotas. Externamente seu semblante era vazio e sem vida, internamente vozes enlouqueciam seu cerne criando um tumulto absurdo e absoluto, fritando seu cérebro com inúmeras questões.
Se Karin sabia do seu problema ela o manipulou desde o primeiro dia. Ela, basicamente havia o enganado, com o único e egoísta objetivo de casar-se com ele.
Ela devia ter dito a ele. Ele pensava, atormentando-se. E então, lembrou-se, pela milésima vez, de sua reação quando Sakura, uma única vez, levantou esta hipótese, ele parou um segundo antes de a espancar... foi ríspido e não aceitou o que a ex-esposa estava sugerindo.
Franziu a testa e martirizou-se com o pensamento de sua consciência que teimava em martelar: se ele tivesse sido menos orgulhoso e ouvido a rosada, se tivesse sido mais companheiro e atencioso, nada disso estaria acontecendo agora. Ele estaria ainda casado com Sakura e provavelmente ele estaria fazendo algum tratamento e no lugar de uma insuportável Karin ele teria a adorável Sakura grávida de gêmeos. Estaria reconstruindo o clã como sempre quis, com quem amava e não se encontraria mais sozinho. No entanto, suas atitudes desembocaram no contrario do que ele realmente queria.
Certamente, só se dá valor ao que se tem depois de perder. E no caso agora, ele a perdeu para Kakashi. Isto era duro de admitir, mas tinha de faze-lo. Ele basicamente entregou-a de mão beijada para outro homem e ela jogou-se na frente dele preferindo a morte a hipótese de perder o prateado.
Ao se lembrar disto, apertou o punho e corroeu-se em arrependimento. Naruto estava certo, ele só sabia tomar decisões erradas. O objetivo em estar ali em Konoha era reconstruir seu clã e se não ia conseguir fazer isto não havia sentido em permanecer na vila, talvez o melhor a fazer fosse voltar para uma segunda viagem de redenção. Pensava sinceramente que deveria estar morto junto a seu clã.
Todos esses pensamentos vinham à sua cabeça enquanto caminhavam para o hospital em silêncio.
Entraram numa das salas. A Hokage entregou-lhe um frasco, suspirou e disse:
- Vá na sala ao lado e encha o frasco com seu sêmen. – apontou para a porta entreaberta.
- Certo... – disse seco, entendendo o recado da médica.
No estado de alteração psicológica em que se encontrava, ficar excitado seria difícil, praticamente impossível. Mas ele esforçou-se e, já dentro da saleta, massageava seu membro buscando formas de se excitar, lembrava dos momentos a sós entre quatro paredes, junto a rosada. Lembrava dela em detalhes, cada pedaço de seu corpo, até mesmo as marcas e cicatrizes que ela tinha ele havia guardado. Como pode ser estúpido de perdê-la?
Gemeu ao lembrar do sentimento de possui-la. Poder tocar novamente em sua pele branca e quente. Como queria estar dentro dela! Ah, como ele queria repetir esses momentos de intimidade com Sakura! Pensando assim conseguiu entregar o frasco à Tsunade com seus sêmens.
- Sente-se na maca e aguarde. Vou analisar e já retorno.
Ela saiu para ver ao microscópio o que poderia estar acontecendo com ele.
Em uma hora ela voltou, sentou-se a sua frente e encarou-o suspirando.
- Sasuke... – começou a falar – Você realmente tem os sêmens discretamente modificados e Sakura não engravidava por isso. É praticamente impossível!
Até então, ele ainda tinha esperanças... franziu o semblante, coisa que raramente fazia, abrindo uma considerável carranca a medida que ia ouvindo o parecer médico.
- Bem... – Tsunade continuou - agora consigo entender claramente o que aconteceu com a Karin quando abortou, os fetos estavam sofrendo rejeição à placenta e então, ela sofreu um trauma psicológico. Nem todo chakra do mundo é o suficiente quando a mente está perturbada. Sob estas circunstâncias muitas vezes a gravidez é de risco e ela foi muito imprudente em ter feito o que fez e não ter dito nada. Deveria ter sido mais cautelosa.
A cada palavra e explicação da Hokage mais o ódio de Sasuke por Karin aumentava. Sua vontade agora era escalpela-la.
- O que posso fazer? – ele perguntou.
- Bem existe duas possibilidades. – ele a encarou profundamente ansioso, a espera – A primeira é outra inseminação artificial, no entanto, isto deve demorar. Por conta do aborto e do trauma psicológico que sua mulher sofreu, Karin ficou com uma pequena cicatriz nos ovários e terá que fazer um tratamento. A sorte é que ela é uma Uzumaki e tem muito chakra. Sua cura será bastante rápida e eficiente.
O Uchiha franziu novamente o semblante ao ouvir a Hokage referir-se a Karin como sua mulher. Ele não queria mais toca-la.
A verdade: queria Sakura de volta. Se a ruiva tivesse lhe dito, ele iria procurar a rosada e tentaria recuperar seu primeiro casamento. Estava arrependido até o último fio de cabelo.
- A Karin... ela não tinha o direito de fazer isso comigo. – ele disse rangendo os dentes.
- Agora... você precisará conversar com ela de uma forma madura. Tenho certeza que ela está afetada com tudo isto tanto quanto você, afinal, eram filhos dela também. Nenhuma mãe quer ver a morte dos filhos. Por mais que seja duro de admitir e por mais que a ache uma chata, fez tudo isto porque gostava de você.
- A segunda alternativa? – ele pergunta encarando-a.
- Existe um tratamento, um ninjutso médico especifico para problemas masculinos. Eu presenteei Sakura, uma ocasião, com uma enciclopédia lotada deles. Eu já suspeitava, na época, e dei para ela treinar alguns jutsos médicos com esta finalidade. No entanto... ainda assim, pode não funcionar.
Sasuke ouviu aquilo escandalizado.
- Então, era sobre isto que ela falava naquele dia? – murmurou mais para si mesmo, lembrando novamente da conversa que ela tentou ter com ele – Como eu sou estúpido! – murmurou mais para si mesmo, percebendo tardiamente o quanto havia perdido. Como se arrependia, como gostaria de voltar no tempo e mudar suas infames atitudes.
- Quanto ao tratamento de fertilidade irei lhe indicar terapias neste sentido logo a seguir. Comunicarei isto a Akemi, sua medica e deixarei a decisão nas mãos dela.
Sasuke não reclamou, estava exausto, não aguentava mais sofrer tanto.
Ele entrou num universo obscuro e paralelo onde só ouvia o que lhe interessava e a maior parte do tempo ficava pensando em como poderia se livrar de Karin, não a queria mais por perto. Preferia a loira, amiga traíra da Sakura, no entanto, no exato momento preferia estar sozinho.
- Hokage-sama, - ele saiu do redemoinho neurótico em que se encontrava – quero me divorciar de Karin. – concluiu firmemente.
A loira suspirou cansada.
- Olha Sasuke, compreendo o que esta passando. Quero que siga com o tratamento psiquiátrico pelo menos por dois meses. Depois disso me diga se realmente quer se divorciar. Fale sobre isto com Akemi.
Suas olheiras eram fundas e seus lábios frios tremeram.
- Tsunade, a senhora não está me compreendendo. Estou com ódio mortal da Karin e se ficar perto dela por um segundo irei mata-la. – cansado e esgotado ele disse.
A Hokage não sabia o que fazer. Pela primeira vez ela ficou sem ação e não conseguia pensar em nada que pudesse solucionar aquele conflito.
- Faça o tratamento por dois meses depois diga-me se é mesmo isso que quer.
- Vou aceitar isto por dois meses mas minha vontade é nunca mais vê-la. – murmurou esgotado.
- Talvez fosse melhor conversarem primeiro. Você sabe que se ela não tivesse feito isso você não teria a curta experiência de ser pai.
- Se ela tivesse me dito, eu iria tomar outra atitude.
- Se ela tivesse lhe contado, você não iria aceitar e a mataria só pelo fato de ter comentado.
Ele ficou calado, lembrando, pela milionésima vez, do que fez com Sakura quando ela levantou esta hipótese. Reconheceu que talvez a Hokage tivesse razão mas ainda sentia raiva da Karin.
- Vou pedir ao Naruto que o acompanhe ate sua casa. - Ela disse cuidadosa, até mesmo um tanto carinhosa.
Realmente toda essa tensão psicológica era para enlouquecer.
Naruto e Sasuke seguiram até a casa em silêncio. Entraram e lá estava a ruiva, sentada no sofá da sala.
- Sasuke-kun, - ela murmurou entre prantos – perdoe-me! Era o único jeito!
Uma fúria se apoderou dele quando cruzaram seus olhares, cegando-o completamente e, simplesmente, ele a prendeu num gentutso terrível onde repetia-se numa tortura horripilante o momento em que ela perdia as crianças, incansavelmente.
Karin caiu desmaiada...
- Teme... não faça isso. – Naruto gritou e segurou o corpo da ruiva que despencou inerte, devido ao esgotamento nervoso causado.
- Leve-a daqui, dobe, antes que eu a mate de verdade... Só quero falar com ela depois desses dois meses. Quando estiver mais calmo.
Sasuke concordara em voltar para o hospital mas tinha resolvido conversar com Sakura antes. Assim passou a semana inteira a espreita, a observando com o rinnegan. Ele conseguia ver através das paredes com ele, além de fazer leituras labiais.
Viu Sakura, Hinata e Tenten conversando animadas, numa intensa amizade.
Com muita tristeza observou o quanto sua ex-mulher estava realizada e feliz. Cada uma das três amigas estava focada e investia energia para organizar os preparativos para um casamento bem aconchegante, simples e singelo. Fez a leitura labial da conversa e notou que o casamento da rosada aconteceria em três semanas, não foi só isso que descobriu...
- E os bebês? Como está se sentindo, Saky-chan. – Tenten perguntou com olhos reluzindo. Brilhos e estrelas coloridas caiam-lhe como lágrimas de alegria.
- Não poderia estar mais feliz. Ser mãe sempre foi meu sonho. Achar que era estéril me fazia sentir uma completa incompetente perante mim mesma. Agora, é com se estivesse completa.
Sasuke não pode acreditar, ela estava grávida?
Sentiu-se um fraco, um inútil, um incompetente. Matou o irmão e não conseguiria reconstruir seu clã.
- Droga. – murmurou fechando o semblante. Elas continuaram...
- Já escolheram os nomes? – Hinata perguntava enquanto amamentava seu bebê sempre esfomeado.
- Ainda não... – ela abriu um enorme sorriso. – Vamos fazer como os antigos e deixar para escolher quando vermos o rostinho deles.
- Deles? – Sasuke externou o pensamento em voz alta e trêmula. Ele não queria acreditar no que seus olhos viam e estava pensando seriamente em se matar agora...
- Meninas, preciso comprar alguns mantimentos. Kashi-kun saiu com Yamato para uma curta missão e voltara mais a noite, quero lhe preparar um banquete.
- Hum... Kashi-kun, ham? – Tenten lançou um ligeiro sorrisinho ladino, malicioso – Banquete? Quanto amor!
- Temos que cuidar bem de quem amamos e quem nos ama.
Elas sorriram, divertidas com a conversa.
- Quer ajuda na mercearia? Posso ir com você.
- Não precisa, Tenten. Sei que o Neji deve estar te esperando.
- Bom então, vou indo. Acredito que até o fim dessa semana tudo estará organizado. – Hinata disse já arrumando-se para ir embora.
- Esperem que vou também. – Sakura levantou-se.
As três saíram, animadas e dividiram-se, cada uma seguindo sua própria direção. O Uchiha a seguia esperando um momento para aborda-la; precisava falar com ela
O turbilhão de emoções o torturavam incansavelmente. Ela entrou na mercearia e Sasuke manteve-se a distância. O rinnegan fazia sua presença impossível de ser notada, nem Kakashi com o sharingan ativo o perceberia.
No percurso de volta a sua casa, Sakura estava distraída e trombou contra algo maciço e musculoso. Derrubou as compras no chão e ajoelhou-se para recolhe-las juntamente com a pessoa que esbarrou. Neste momento, ela elevou os olhos para ver em quem havia esbarrado e desculpar-se mas congelou no lugar, tremendo ao reconhecer o moreno a sua frente
- Desculpe-me, Sakura. – a voz grave e nebulosa que ouviu a fez estremecer. – Deixe-me ajuda-la.
- Não preciso de sua ajuda. Estou ótima...
Ele tocou sua mão na dela e rapidamente ela a puxou.
- Não me toque. Deixe-me em paz, Uchiha Sasuke.
- Sakura. – ele disse novamente e baixou os olhos tristes, desiludidos... envergonhados – Eu... preciso falar com você.
- Não, Sasuke. Não, não precisa mesmo, porque eu não quero falar com você. Viva sua vida... seja feliz... mas faça tudo isto bem longe de mim!
Ela disse levantando-se o mais rápido que pôde, segurou os mantimentos entre os braços com força e seguiu o seu caminho mas foi impedida pelo moreno que a segurou pelo pulso.
- Por favor, Sakura. Deixe-me falar com você. Preciso me desculpar devidamente. – disse cabisbaixo.
- Olha... se esta mudança de atitude faz parte do seu tratamento, aplausos para sua psiquiatra, mas não preciso me estressar no meu estado – foi irredutível, desvencilhou-se dele – Deixe-nos em paz!
Ele foi atrás dela mas sentiu o chakra de Kakashi nas proximidades. Continuou a segui-la às escondidas, confabulando uma maneira de se aproximar. Nem ele mesmo sabia responder o real motivo de querer tanto assim falar com ela, afinal, já havia se resignado à derrota ou será que no íntimo ainda não havia aceitado?
Ficou a espreita numa telha de outra casa e afastou sua franja para assim vê-la mais claramente com seu rinnegan através das paredes da casa.
Sakura não fazia a mínima ideia que estava sendo observada. Colocou todos os mantimentos em cima da mesa e ligou uma música qualquer no aparelho acinzentado que deixava em cima da mesa. Passou a mão no ventre e sorriu.
- Vamos preparar o jantar pro papai? Nossa! Vocês estão me matando de fome. Assim vão transformar a mamãe numa futura bola humana ambulante. –Sasuke leu os lábios de Sakura e ela engoliu um biscoito. Saber que ela estava grávida e de gêmeos do Hatake, estava o matando.
Franziu a testa em desagrado novamente. Começou uma odisseia interna de martirizar-se. Tinha que reconhecer pela milionésima vez que estava colhendo o que plantara e lastimava-se por isto... Claro que Sakura ficaria grávida de outro, afinal, era ele o estéril e não ela. Uma pontada de ciúmes, inveja e sentimentos não muito benéficos invadiu seu interior. Mas ele tinha de aguentar...
Ela começou a organizar o que havia comprado, cantarolando numa desafinação absoluta a melodia da canção. Sasuke via os lábios volumosos femininos se mexer de forma ritmada seguindo a musica, e a achou extremamente linda... absurdamente sensual... Por que nunca havia notado antes? Por que nunca lhe deu o merecido valor? Agora sofria... Talvez merecesse sofrer tudo que ele a fez sofrer, pensou triste.
Estava prestes a invadir a casa quando uma movimentação o chamou atenção e viu Kakashi entrando na cozinha. Notou que Sakura ainda não tinha percebido sua presença.
Kakashi então entrelaçou os braços ao redor da jovem ninja e enterrou o rosto em seus cabelos inalando o perfume doce. Percebeu que o prateado abaixara a máscara o suficiente para deixar somente o nariz de fora e melhor apreciar o perfume dela.
Inveja...
Foi o que o moreno sentiu do ex-sensei. Imaginou-se ali, com ela em seus braços. Quando lembrava que perdeu inúmeras oportunidades como aquela, amaldiçoava-se. Por que não abandonou o maldito rancor e se doou para a única pessoa que o amou de verdade? Por que tinha que ser tão estúpido, arrogante e teimoso? Agora ele a perdeu para sempre. Não era cego. Ela estava feliz e merecia isto... e... estava grávida de outro homem. Mordeu o lábio inferior nervoso pelo que presenciava.
Uma das coisas boas que aprendeu nas terapias que concordou em frequentar era a tentar ser mais verdadeiro com as próprias emoções e reconhecer quando errara. Neste caso reconheceu inúmeros erros e agora a única coisa que podia fazer era se lastimar sobre a própria estupidez e, seguir em frente...
Uma onda depressiva o invadiu como um Tsuname. Começou a acreditar como nunca que realmente precisava ser internado, como disse Akemi.
A curiosidade o impedia de sair dali, queria ver com os próprios olhos o motivo para Kakashi ter encantado sua rosada da forma como o fez.
Viu quando a ex-mulher virou-se de frente para Kakashi com um enorme sorriso nos lábios e baixou a máscara dele para beija-lo.
Uma pontada no peito cravou sua angústia quando Kakashi ergueu a mulher e sentou-a na mesinha da cozinha. Ele via de camarote o homem prateado de costas para ele e as pernas da ex-mulher encaixar-se sob medida, enroscando-se em sua cintura. Conseguia ver perfeitamente o rosto dela coberto de deleite e prazer.
Percebeu o carinho com que o ex-sensei tratava-a, ele acariciava sua pele como uma seda delicada e a beijava com uma paixão que ele , Uchiha Sasuke, nunca havia dedicado a ela.
Arrependimento...
Viu o homem retirar a roupa da mulher e joga-la no chão da cozinha e percebeu-se rijo ao ver o momento íntimo do casal, no entanto, extremamente triste ao presenciar tal cena. Por que não ia embora? Por que ficava ali ainda? Perguntava-se.
Arregalou os olhos, sem acreditar, quando viu o ex-sensei fazer o jutso clones das sombras para triplicar-se com o único intuito de dar prazer a ela.
Uma coisa precisou admitir, Kakashi era criativo. Jamais pensou ou pensaria em algo do gênero para aumentar o tesão de qualquer mulher. Para ele jutsos são técnicas de combate, feitas para matar; nunca nem cogitou a sombra desta hipótese.
Os três Kakashis tratavam de acaricia-la, lambe-la e apalpa-la.
Via-a gemer enlouquecida e seu semblante de satisfação era algo perturbador.
Seu coração começou a se dilacerar ao ver um dos prateados enterrar-se nela e movimentar-se com extremo cuidado e carinho...
Intensificar o movimento...
Perguntou-se por quê raios estava assistindo o momento íntimo deles. Realmente devia estar ficando louco, quem em sã consciência fica assistindo de camarote o momento íntimo da única mulher que amou na vida com outro homem?
- Realmente, acho que estou maluco! – deixou o pensamento escapar num murmúrio baixo mas, mesmo assim, continuou ali...
Tremeu ao observar e presenciar o intenso prazer que ele oferecia a ela.
Os outros Kakashis tratavam de a acariciar e lhe proporcionar o mais intenso das sensações.
Precisava admitir, Kakashi o fazia parecer um moleque imaturo, uma verdadeira criança. Sentiu-se humilhado.
Seu escândalo se intensificou ainda mais quando viu Sakura enviar um chakra vermelho no exato momento em que eles estavam atingindo o ápice. O que seria aquilo? Que espécie de coisas havia perdido? Também precisava admitir que ele viu a intimidade deles porque quis e que a perdeu porque era um arrogante.
Não aguentou mais assistir e pulou o mais longe que pode. Precisava pensar no que havia feito com sua vida. Precisava decidir o que fazer a partir de agora.
Terapia...
Decidiu aceitar a proposta de sua psiquiatra, Akemi, imediatamente, antes que seus pensamentos o enlouquecessem e o levassem a um suicídio.
Estava cansado da vida... estava cansado de si mesmo...
Talvez realmente o melhor fosse partir para longe dali e assim conseguir reunir os pedaços de si que ele mesmo havia desfeito.
Continua...
