Naruto não me pertence, tá? Ele é do Kishimoto. A música Hardest of Hearts é de Florence The Machine.

Hardest of Hearts

There's love in your body but you can't get it out

Há amor em seu corpo mas você não consegue demonstrar

Um grande vazio. Era nisso que os dias de Uchiha Sasuke haviam se tornado desde o bendito momento em que Hyuuga Hinata saíra em missão, quebrando o ciclo que haviam construído juntos. Seu corpo trabalhava de forma automática e tudo parecia incrivelmente cinza.

O homem acordava cedo, fazia seu desjejum e saía para treinar. Treinava à exaustão, fazia uma pequena pausa para engolir qualquer coisa no almoço e treinava mais, cessando apenas quando a lua dominava o céu de Konoha. Então voltava para casa, para um banho, uma sopa de tomates e dormir. De novo. De novo. E de novo.

Até o dia em que ela retornou, semanas depois, dentro de roupas rasgadas e sangue seco grudado ao corpo. Ele a olhou, sentindo a circulação disparar em suas veias.

– Sasuke – A voz melodiosa chamou, e ele percebeu que sentira falta até daquele tom baixo e sereno que ela sempre usava.

Era inadmissível que tivesse se tornado tão dependente da Hyuuga daquela forma. Assim sendo, ele atravessou o quintal de sua casa em poucos passos e enlaçou o corpo da menor contra o seu com firmeza. Sua mão livre enrolou os cabelos dela e puxou-os para trás – eles tinham cheiro de lavanda, mesmo que ela claramente não os lavasse de forma adequada há algum tempo. Os olhos cristalinos dela brilharam para ele, a boca pequena abrindo-se devagar em expectativa.

E então ele a beijou.

Não um roçar de lábios, como da primeira vez; nem um beijo lento, como um primeiro beijo deveria ser.

Foi um beijo selvagem, um que o permitiu sentir todo o gosto suave e marcante de baunilha que ela tinha; um que o permitiu senti-la amolecer de desejo em seus braços.

E tão de repente quanto tinha se aproximado, afastou-se. Olhou-a; observou os olhos levemente arregalados, o sorriso de lábios vermelhos, o rubor nas bochechas. Assistiu-a regularizar a respiração para finalmente dizer:

– Não volte mais aqui, Hyuuga.