Dez visitas e vários dias depois, Felicity encontrou sua nova casa.

O loft ficava pouco distante de seu antigo local, num bairro sofisticado e tranquilo. Ela ficou encantada desde o primeiro instante que entrou. Era um local enorme com dois andares. No primeiro, a sala se divida em dois ambientes: um no meio do espaço mais casual, para reunião de pessoas, e outro no canto direito com uma lareira a gás na parede e televisão. Chão de madeira corria por todo o ambiente e as paredes eram de um bege suave, quase branco. À esquerda, ficavam o lavabo, a cozinha, separada por uma divisória que abrigava também a escada, e a sala de jantar. No segundo piso, ficava a suíte master com um closet – que foi definitivamente um dos motivos que Felicity escolher pelo apartamento –, um segundo quarto, que poderia ser transformado num escritório, e um banheiro com uma pequena lavanderia.

A parede de vidro com pilares que serviam tanto para beleza quanto para engenharia cobria toda a frente, oferecendo uma vista linda do bairro, e após ela havia uma varanda que corria pelo mesmo comprimento.

Alguns móveis já vinham com a mudança, tais como um incrível conjunto de sofá bege com duas poltronas cinza-azulado, uma mesa de centro circular e um tapete estampado com cores da mesma paleta do conjunto. Eles definiam o tom perfeito da decoração, e Felicity percebeu que teria que se desfazer de algumas coisas suas. Mas ela estava determinada a ver o lado positivo de todas aquelas mudanças em sua vida, então acabou se animando com a perspectiva de brincar de designer de interiores.

No entanto, havia a questão da segurança do apartamento. Ela já sabia disso, tanto que desde o início sabia que teria de instalar um alarme moderno, talvez algo com painel biométrico. Agora ela fazia essa avaliação caminhando pelo local, enquanto sua corretora estava lá fora ao telefone fechando negócio com o dono. Seus guarda-costas prontamente apontaram sugestões.

- Tenha certeza que o alcance do alarme chegue até a varanda. – disse Oliver.

- Você acha que é possível invadirem minha casa pela varanda? – ela perguntou erguendo a sobrancelha. – Você consegue subir pela varanda?

Oliver não respondeu, apenas olhou-a. Na verdade, Felicity conseguia ver Oliver escalando seu prédio e pulando para dentro como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Para ele provavelmente era.

Diabos, ele nem suaria.

- Vamos torcer para nenhum criminoso ter o seu vigor.

- Não vamos torcer para nada, Srta. Smoak. – ele disse sério como sempre. Havia um quê de rigidez em sua expressão como se ele não gostasse nem da ideia dela brincar com a própria segurança. O azul dos olhos fixos nela parecia mais forte. E o nome dela saindo dos lábios dele daquele jeito ríspido... Era ridículo como ele ficava ainda mais bonito. – Já disse que não se deve descartar qualquer possibilidade.

Felicity agitou as mãos, aceitando.

- Certo.

- Outra sugestão também seria colocar uma porta de aço reforçado.

Felicity estreitou os olhos para Oliver, a irritação querendo subir em seu sangue. A rispidez dele desapareceu, tão imperceptível quanto sugira, e o rosto voltou a ser impenetrável. O olhar ainda estava fixo nela, e um ar denso surgiu entre eles.

- Não mesmo. – ela disse de imediato.

- Srta. Smoak...

- Não diga que é pela minha segurança, Sr. Queen, eu sei.

- Estou tentando fazer meu trabalho.

- E estou satisfeita com ele. Mas a decisão final é minha. Eu não quero uma porta que faça minha casa se parecer com uma prisão.

O maxilar de Oliver se contraiu.

- Sim, senhora.

Diggle apenas observava os dois, estranhamente entretido.

A corretora voltou, informando que o dono tinha aceitado a oferta, o apartamento era agora de Felicity e em alguns dias poderia se mudar.


Durante toda a reunião com a Diretora Pearson, os guarda-costas ficaram do lado de fora. Volta e meia o olhar de Oliver se voltava para Felicity para checa-la e também o clima da conversa. Ele viu uma gama de emoções: seriedade, atenção, tranquilidade, animação. Viu até mesmo sorrisos, além dos costumeiros gestos empolgados. Era interessante ver como o rosto se modificava, os traços delicados se retorciam a cada emoção. Contemplá-la era outra forma de conhecê-la ainda mais. Ele já sabia da expressão quando ela se iluminava, da pequena ruga que surgia entre suas sobrancelhas quando estava preocupada ou intrigada, dos dentes mordiscando o lábio inferior quando estava concentrada ou nervosa. Oliver já teve que chamar a atenção dela pois às vezes o batom – sempre batons coloridos e chamativos, ele notara – saía em seus dentes. Cada ação, embora semelhante, tinha suas particularidades para cada sensação.

Ele arquivava cada novo aprendizado na esperança de que aquele conhecimento o ajudaria a desvendar quem ela era. Conhecer o adversário era o básico de um bom estrategista, e poucos eram bons como Oliver.

Embora, não importa quanto tentasse, ele não conseguisse, com convicção, vê-la como adversária.

Sem contar que havia um lado dele – que Oliver acreditava ser pequeno o suficiente para ser ignorado com facilidade – que gostava de observar Felicity. Ela parecia não fazer questão de esconder seus sentimentos, usava-os bem à tona. Era algo tão oposto a ele, tão contrário a quem era, que inesperadamente aguçava sua curiosidade.

Isso tornava difícil acreditar que ela era uma criminosa.

Pearson se levantou e saiu do escritório, e os guarda-costas entraram novamente. Felicity se ocupou com algumas de suas atividades durante minutos antes de se dirigir a eles:

- Hey. Algum de vocês curte basebol?

- Sim, nós dois gostamos. Por quê? – Diggle respondeu.

- Surgiu uma nova oportunidade de negócios. A ser discutida na estreia da temporada, vejam só. E a empresa tem ingressos para os executivos, então terei que ir. Vocês trabalham tanto por minha causa e acho que merecem uma descontração... mesmo que ainda trabalhando. Vocês querem ir comigo? Acredito que um evento desse requer proteção extra. E algo me diz que vocês são melhores juntos.

Oliver não conseguia imaginar outro cliente além de Felicity que poderia dar uma ordem de trabalho e fazê-la soar como um convite casual.

- E Rob? – Diggle questionou.

- Já pensei nisso. Minha ideia é trocar o sábado dele pela sexta. Aí vocês ficam com a sexta de folga. Convenhamos, acho que já estamos adquirindo um ritmo bom de convivência, não é, para fazer essas mudanças.

- Por mim tá tranquilo. – falou Oliver. Teria que ligar para Tommy.

- Devo dizer que faz um tempo que não vejo basebol em estádio. – Diggle adicionou.

Algum tempo depois, Alena surgiu. Ela cumprimentou os homens ligeiramente desconcertada, embora já os conhecesse.

- Oi chefe! – ela exclamou para Felicity.

Oliver percebeu uma pequena mudança na expressão de sua cliente. Ele soube o que ela ia pedir antes mesmo que o olhar dela encontrasse o seu.

- Vamos estar lá fora, Srta. Smoak. – disse encaminhando-se para a saída. Diggle foi atrás. Mais um momento do dia voltado a observá-la.

Lá dentro, Alena sentou-se numa das cadeiras em frente a Felicity.

- Deixe-me adivinhar. Aconteceu de novo. – a CEO falou.

- Sim.

- Mesmo caminho?

- Sim e não. – Felicity franziu a testa e a diretora continuou. – Digo isso porque, enquanto fazia a engenharia reversa para investigar, eu meio que descobri uma mensagem: "Eu sabia que você era a melhor".

A confusão se tornou maior.


- Prendemos alguns criminosos hoje, suspeitos de serem sequestradores. Tem como vir aqui para identificá-los? – Foi o que Billy disse ao telefone.

Felicity prontamente foi até Jerry e disse que seu almoço seria mais longo que o normal. Ao reentrar o escritório, soltou um suspiro baixo. Nas últimas semanas estava passando mais tempo fora do que dentro da empresa, seja por causa dos desdobramentos do sequestro, por ir atrás de um novo apartamento ou por compromissos relacionados ao trabalho.

- Que tal uma excursão até a polícia? – disse aos guarda-costas.

A delegacia estava mais movimentada que o normal. Billy estava terminando de falar com uma pessoa quando Felicity o encontrou.

- Hey.

Billy se virou com um pequeno sorriso e a cumprimentou de volta. Seu olhar logo foi para Oliver e Diggle logo atrás dela, e ele ficou sério de novo.

- Ah é, esqueci que você ainda não os conheceu. – Felicity franziu o cenho, pensando que fazia quase duas semanas que quase não falava com Billy direito. E ela mal notou.

Ela apresentou os homens.

- Billy é meu, uh, é o detetive responsável no meu caso. – disse, não querendo explicar a natureza casual da relação dela com o policial. Percebeu que deixou passar o primeiro nome dele.

Malone os guiou para uma sala enquanto falava.

- Hoje cedo fizemos uma operação e conseguimos prender alguns suspeitos. De acordo com a investigação, eles são uma parte de uma quadrilha de sequestradores e infelizmente não conseguimos o resto... ainda. Mas é um grande avanço.

- Vocês conseguiram isso só com o meu depoimento? – Felicity não escondeu a surpresa.

- Em parte. – O detetive olhou ao redor, especialmente para os guarda-costas como se pedisse permissão, antes de se inclinar a ela e continuar em voz baixa. – Mas posso dizer que você inspirou uma ideia.

- Sempre contente em ajudar. – A mulher não conteve um sorriso.

Eles entraram numa sala com uma janela que dava para outra, onde estavam quatro homens enfileirados e encostados à parede. Detetive Malone perguntou a Felicity se reconhecia algum. Ela olhou atentamente o rosto de cada um.

- Nenhum deles. – respondeu cautelosa.

Billy franziu o cenho.

- Sério? Bem... Deve ser os que ainda faltam.

- Como você disse que conseguiu encontrá-los?

- Bom, já tínhamos mapeado as ocorrências e assim levantado uma distribuição estatística das regiões da cidade mais susceptíveis a terem sequestro. Depois, vi com o TI se era possível triangular as ocorrências e rotas para ver se era possível determinar de que local eles operavam.

- E é. – Felicity interveio.

- Obtivemos algumas localizações interessantes e em uma delas conseguimos pegá-los em flagrante.

Aquela era uma ótima ideia na verdade, Felicity pensou consigo mesma. Ela a guardou em sua mente.

- É provável que os outros tenham abandonado seus locais. – Oliver comentou.

- Isso se assumirmos que eles sabem como a polícia os encontrou. – Diggle redarguiu.

- Acredito que o algoritmo tenha gerado possibilidades. Não significa que os lugares pertençam de fato aos criminosos. Nem que os outros lugares possam ser descartados já que o resto da quadrilha sabe que a polícia está no rastro deles. – Felicity disse.

Ela ocultou que não achava que os foragidos foram quem a abordou. Depois de Alena, acreditava mais e mais que seu sequestro serviu de fachada, afinal, seria fácil passar o caso como mais um dos outros que assolavam a cidade para não levantar suspeita, despistar os investigadores e esconder o verdadeiro propósito.

Alguém queria algo dela. Alguém estava disposto a criar caos na vida dela por isso.

- Vocês vão ficar nessa linha de investigação? – perguntou, desviando o olhar da parede de vidro e colocando-o no detetive.

Billy aparentou confusão.

- É claro. Estamos bem perto de fechar todos os casos e parar com esses sequestros. – ele calou-se por uns dois segundos, contemplando-a. – Mas por algum motivo você acha que não é a solução para o seu caso.

- Por que você acharia isso? – Diggle perguntou um tanto intrigado.

Felicity crispou os lábios, não respondendo de imediato. Isso acendeu um alerta em seus guarda-costas.

- Posso falar só com ele por um instante? – disse a Oliver e Diggle.

- Srta. Smoak, se isso se relaciona a sua segurança, acredito que devemos saber. – Oliver contra-argumentou. Diggle concordou com a cabeça.

A firmeza e a força nos olhos dela mostravam porque era dona de uma empresa de sucesso, chegando até mesmo a ser intimidador.

- Por favor.

- Se for algo relacionado à investigação, então vai ter que ficar em sigilo mesmo, senhores. – falou Billy.

Oliver lançou ao detetive um olhar cortante.

- Vamos, Oliver. – Diggle disse num tom conciliador e tocou o braço do amigo para que eles saíssem. – Estaremos logo aqui fora, Srta. Smoak.

Assim que a porta bateu, Felicity continuou:

- Não acho que os bandidos restantes foram meus sequestradores. É minha intuição.

- Felicity, não posso fazer nada com intuição. – Billy falou.

- Você quer me dizer que você não tem intuição? – ela não escondeu a frustração.

- Eu tenho. – ele respondeu calmo. – E por causa dela me esforço para achar provas. É com elas que eu consigo trabalhar. – ele fez uma nova pausa. – Tem algo que você não está me contando?

A CEO hesitou pela segunda vez.

- Não posso revelar agora.

- Felicity, eu quero te ajudar, mas assim não tem como. – ele suspirou. – Preciso de algo.

- Não posso falar porque tem a ver com a empresa. Não vou sair por aí revelando informações da minha empresa.

- Você acha que seu sequestro tem a ver com a empresa? – o policial franziu o cenho. – Ou talvez... com você? – ela balançou a cabeça em afirmativa. – Eu ficaria mais preocupado se você não tivesse segurança pessoal agora.

- Você disse que precisa de algo. E se eu te der esse algo?

- Felicity, o que você vai fazer? – ele perguntou suspeito. – Por favor, me diz que você não vai sair por aí sozinha investigando.

Tarde demais, Billy. Ela pôs as mãos na cintura e inclinou a cabeça.

- Eu posso muito bem estar pensando num investigador particular. E, mesmo se não estivesse, não te dá o direito de agir assim tão protetor comigo. Nem de me dizer o que fazer.

O homem respirou fundo.

- Desculpa. Está certa. Mas não pude evitar. Proteger é o meu trabalho, Felicity.

- Eu sei. – A expressão dela suavizou, e ela sorriu brevemente com o canto dos lábios. Felicity se aproximou dele e tocou seu antebraço, fazendo uma leve carícia. – Quer sair amanhã?

- Com certeza. Sorte sua que troquei meu turno com outro. – ele respondeu e tocou a mão dela em seu braço, apertando-a.

Eles se separaram e saíram da sala. No hall principal da delegacia, a agitação estava ainda maior do que na chegada de Felicity. Alguns policiais checavam armas e uniformes e rumavam para a saída. Um deles parou se aproximou de Billy. Era o Capitão Quentin Lance.

- Malone, tá ocupado?

- Terminando agora, Capitão. O que houve?

- Mais caso envolvendo máfias. Dessa vez houve mortes. Se continuar assim, aposto que uma guerra está vindo. Vamos precisar da ajuda de todo mundo.

- Já vou.

O capitão então notou os três que acompanhavam Billy. O olhar dele se estreitou ao pousar em Oliver e seu rosto endureceu.

- Queen.

- Capitão Lance. – Oliver falou respeitosamente.

- O que está fazendo aqui? – questionou sem disfarçar a rispidez.

- Acompanhando minha cliente. – Oliver indicou Felicity.

- Uh, sim. Na verdade, já estamos de saída. – a mulher disse, notando o clima ficando pesado. – Vamos, gente.

Enquanto saía escoltada por Oliver e Diggle, Felicity não conseguiu conter a curiosidade de saber o que houve entre o capitão e seu guarda-costas.


Incrivelmente, o impulso de falar demais era amenizado quando estava com Rob. Semelhante aos outros homens, Felicity também se adaptava com tranquilidade ao terceiro guarda-costas. Entretanto, havia uma linha clara e definida de formalidade e profissionalismo entre eles, e foi naquela sexta-feira que Felicity concluiu que tal linha estava se tornando borrada com Oliver e Diggle. Sem esforço, sem que percebesse. E ela não ligava. Também achava que o mesmo não acontecia com Rob pelo simples fato de ele ser esporadicamente seu segurança.

Rob era tão dedicado quanto Oliver e Diggle, mas ele se assemelhava mais a Diggle. Ela não achava que pudesse haver alguém tão estoico quanto Oliver. Ele era a perfeição de calma enquanto ela se agitava porque, claro, é claro, que no fim da tarde, prestes a iniciar o fim da semana, problemas tinham que surgir. Felicity achava que era o preço por ter feito, de grosso modo, meio período nas semanas anteriores.

O que fez com que ela fizesse hora extra e saísse da empresa na hora do jantar com Billy. Ela entrou com pressa no restaurante, Rob em seu encalço.

- Desculpa pelo atraso! – exclamou ao parar em frente à mesa.

- Sem problema. – O policial sorriu compreensivo e ergueu-se para beijá-la rapidamente nos lábios.

Ela se sentou. O guarda-costas se acomodou em outra mesa. Billy indicou a taça em frente a ela, já preenchida com vinho.

- Achei que ia precisar.

- Esse é o meu tipo de recepção. – Felicity pegou a taça e bebeu um gole. Era um tinto seco, seu estilo preferido. O líquido desceu forte pela garganta, e ela sentiu a tensão em seu corpo começar a se desfazer. Ela fez um som em aprovação.

O garçom veio, e eles fizeram os pedidos. A conversa fluía entre eles e, quando começaram a comer, o assunto se desviou para a rotina de Felicity agora com os guarda-costas.

- Espero que eles não demorem a acostumar com o meu rosto. – Billy disse.

Felicity franziu o cenho.

- Por quê?

- Porque nós temos saído por um tempo e eu acho que a gente já pode oficializar algo sério, e aí eu estaria mais presente na sua vida. – ele falou com firmeza.

- Oh.

Poucas vezes Felicity ficava sem o que dizer. Ela abria e retorcia os lábios, mas nada saía, e os segundos que passavam se arrastavam.

- Mas isso não é algo que você quer. – ele completou por ela.

Era a simples verdade.

- Desculpa. – ela disse com o coração pesado. Não queria magoá-lo. – Eu gosto de você, gosto de como estamos agora. E eu não mudaria.

Billy balançou a cabeça e tomou mais um gole do vinho.

- Tudo bem. – falou, um tanto chateado. – Pelo menos acaba em honestidade.

Felicity sentiu o apetite diminuir. Por sorte já estava quase no final, mas mesmo assim forçou as garfadas para dentro.

Eles terminaram a refeição em silêncio e pularam a sobremesa. Depois que saíram do restaurante, Billy se virou para ela uma última vez.

- Só quero que saiba que isso não atrapalha nenhum pouco a investigação do seu caso. Se precisar de qualquer coisa, não hesite em falar comigo.

Felicity forçou um sorriso. Aproximou-se com cuidado e o beijou na bochecha.

- Obrigada, Billy. E me desculpa mesmo.

Ela o observou partir por uns instantes.

- Tudo certo, Srta. Smoak? – Rob a perguntou.

- Sim. Vamos para casa.

No carro, Felicity percebeu e aceitou algo. Ela não estava tão perturbada pelo término quanto esperado.


Felicity nunca vira uma partida de basebol no estádio e realmente esperava que a atmosfera fosse agitada e divertida. Estava incentivada a ir mais para se distrair do rompimento do que para fazer negócios.

Com uma hora e meia para o início do jogo, ela saiu de casa. Encontrou Oliver de botas, jeans, uma camisa branca e uma jaqueta de couro marrom. O sol de primavera iluminava a entrada do apartamento, tornando seus olhos ainda mais azuis.

Aquela visão já era uma ótima distração.

- Boa tarde, Srta. Smoak. – ele cumprimentou, a voz profunda sempre num misto de respeito e suavidade, um leve sorriso nos lábios enquanto a fitava.

- Hey. Boa tarde. – ela disse sentindo-se um tanto sem ar.

- Pronta?

- Sim, claro. – ela entregou a chave do carro para ele, porém ele não a pegou.

- Mudança de planos, na verdade. Houve um acidente no caminho para o estádio. Deu um nó no trânsito na cidade toda. Não vamos conseguir chegar de carro nem se quisermos. Diggle ficou preso, mas acabou voltando para casa e vai de metrô. Vai nos encontrar lá. – Oliver explicou.

- Então como vamos? – ela perguntou confusa.

Ele saiu andando para a rua e ela foi atrás.

- Já andou de moto?

- Duas vezes. A primeira foi em Las Vegas, eu ainda era adolescente, e foi uma scooter, que não é uma moto de verdade... ou é?... E foi num dos verões mais quentes da minha vida. Verão no deserto, veja só. Agora imagina quarenta graus numa scooter? Não ajudou foi em nada. A segunda vez foi em Boston e... bem, foi numa época em que eu fiz decisões meio doidas, especialmente sobre moda. Mas não foi tão ruim não, embora o resto da noite seja meio borrado para mim. – ela tagarelou.

Na frente do prédio, estava estacionada uma Ducati preta reluzente.

- Por sorte ainda dá para andar de moto. – Oliver disse.

Felicity demorou um tempo para perceber que ia na moto com ele. Sentada bem ali atrás dele. Ela nem conseguiu dizer mais nada enquanto digeria isso.

Oliver pegou o capacete e estendeu-o a ela.

- Desculpa, eu não tenho um extra.

- E você? Não pode andar sem um.

- Duvido que as autoridades vão estar preocupadas com isso. Fique com ele. Meu dever é te proteger e prefiro me machucar do que deixar algo acontecer a você.

Felicity não queria que seu coração saltasse daquele jeito. Sem jeito, ela pegou o capacete e colocou-o.

- Não sei por que, mas me sinto como um Funko. – ela disse, a voz saindo abafada.

Oliver deu mais um sorriso antes de se aproximar dela. Ele pegou o capacete e ajeitou-o o máximo que dava. Felicity sentiu os dedos dele roçarem seu rosto. Ele levantou a viseira.

- Não vai ficar perfeito, mas é melhor que nada.

O guarda-costas foi para a moto, passou uma das longas pernas por cima e sentou. A posição deixou suas coxas musculosas em evidência na calça. Ele se virou para olhá-la, a pergunta em seus olhos.

Felicity nunca foi fã de motos, mas estava achando aquilo tudo... tentador. Ela se aproximou com cautela. Sentou no banco atrás dele, as mãos apoiadas no couro.

- Srta. Smoak, me segura forte. – ele disse.

- Eu imagino você dizendo isso em circunstâncias diferentes. – ela soltou. Realmente não sabia explicar de onde vieram as palavras. – Circunstâncias... muito platônicas. – tentou consertar.

Ainda bem que ele estava de costas e ela, de capacete.

Felicity deslizou para frente até que ele estivesse entre suas pernas. Sua visão foi preenchida pelas costas largas dele. Ela começou a sentir, além do calor, o odor desprendendo dele. Havia o couro da jaqueta, mas também um aroma amadeirado, ao mesmo tempo marcante e discreto.

- Mais um pouco. – Oliver disse baixo e tocou a parte inferior da coxa esquerda dela. Felicity estava consciente daquela região de seu corpo como nunca. Sentiu o peso da mão dele, a palma em completo contato com sua jeans. Recordou-se da primeira vez que apertou sua mão. Queria relembrar o toque áspero dele. Com mais um movimento do quadril para frente, ela enfim se acomodou; seu peito roçou nele, assim como a parte interior de suas coxas.

Oliver tirou a mão e colocou-a no guidão. Ela envolveu os braços no abdome dele. Ele ligou o veículo e começaram a andar. A inércia da partida fez com que Felicity se apoiasse de leve nas costas dele. Durante todo o trajeto, tentou não pensar na dureza sub suas mãos, se aquelas linhas eram realmente de definição dos músculos. Ela estava tão perto.

O homem sempre teve uma presença marcante, mas ela nunca tinha percebido o quão sólida era também. Ela foi tomada por uma sensação de segurança e completude. Ele também pilotava muito bem, ziguezagueando pelas ruas decidido, firme, sem pestanejar. Não tinha com o que se preocupar.

Pela primeira vez, a CEO também aproveitou o trajeto em si. Desfrutou do vento cortando seu rosto e seu corpo, da velocidade, das inclinações da moto. Sentiu o arrepio, o agito. Havia uma liberdade que Felicity só compreendeu naquele momento.

Ao estacionarem já no estádio, a mulher tirou o capacete, sorridente.

- Isso foi bem legal.

Oliver, que acabou de ficar de pé, deu o terceiro sorriso do dia. Ela notou como ele sempre erguia o canto da boca. Queria vê-lo abrindo um enorme sorriso, com dentes e tudo. Se ele já era absurdamente bonito sério, feliz não devia ser nada menos que glorioso. Imaginava se ele já sorrira abertamente um dia, o que o fizera parar e o que poderia desbloqueá-lo de novo.

Felicity via a tempestade no oceano dos olhos dele, as sombras que o perturbavam. Muito provavelmente eram traumas da guerra. E nada daquilo a assustava. Ela também não queria saber, a não ser que por um acaso ele quisesse contar, e ela se via inteiramente disposta a ouvi-lo.

Eles andaram em direção à entrada.

- Como foi ontem com Rob? – Oliver perguntou, os olhos atentos escaneando o local e a multidão.

Ela hesitou minimamente a responder, o que já serviu para deixar o guarda-costas alerta.

- O que houve? – ele disse, virando-se para ela, a voz mais firme, embora ainda gentil.

A CEO percebeu que ele entendeu errado a reação dela.

- Nada com Rob. Ele foi ótimo, como sempre. É só que... Billy e eu terminamos. Não sei se você ou Diggle sabiam, mas devem ter notado porque vocês notam tudo, é o trabalho de vocês. E é esquisito porque a gente nunca começou algo para terminar. Ele queria algo sério, comprometimento, e eu... não. E aí acabou. E eu to vindo hoje mais para me distrair disso do que para fazer negócios... Não que isso não seja essencial, afinal, é só o futuro da minha empresa, quer dizer, não o futuro. Não é como se tudo fosse colapsar se a ST não tiver esse acordo...

De repente, ela sentiu a mão de Oliver em seu ombro, apertando-o com delicadeza. Ela se interrompeu e contemplou o rosto dele, que carregava um semblante calmo. Ele entendia que essa tagarelice vinha por estar chateada.

- Sinto muito. – ele falou, os olhos completamente focados nela, compreensivos.

- Eu que sinto muito por despejar isso em você.

Oliver a soltou.

- Hey, não se desculpe por ser quem é. – Um brilho divertido perpassou brevemente naqueles oceanos azuis, e Felicity não conteve um leve sorriso. Ele não se incomodava com a tagarelice. – E já disse, eu estou aqui para prezar pelo seu bem-estar. Se desabafar é o que você acha que precisa, estarei aqui.

O sorriso cresceu. Ela sentiu-se melhor. Lá no fundo, achava que a saída já valeu a pena.


Todas as vezes que Oliver fora ver um jogo de basebol ao vivo ele sentou em camarotes. Serviço exclusivo, ambiente interno e externo, com uma visão espetacular do diamante e do resto do campo. Era o lugar preferido da sociedade de Starling, e, por ser o primeiro jogo da temporada, estava cheio. Então não foi surpresa os olhares quando ele e Felicity entraram no recinto refrigerado que conectava os camarotes e servia basicamente para socializar. Podia ainda imaginar o que estavam pensando, ele chegando com uma mulher. As roupas casuais impediam que os outros notassem a verdadeira natureza da relação deles.

Felicity olhou ao redor, se familiarizando com a nova experiência. Não tardou a achar alguns executivos da Smoak Tech e o Vice-Presidente de Aquisições da Azel Inc., Vincent Anders, que era o motivo maior de estar ali.

- Não sabia que você era tão fã dos Rockets assim. – Felicity disse ao cumprimentar Alicia Pearson, que estava com a blusa e o boné do time, além de uma bandeirinha colocada no bolso da calça.

- Felicity! Como é bom vê-la aqui. – a diretora disse. – E não é novidade que eu gosto de basebol.

- Tem primeira vez para tudo, não é. – Felicity abriu um sorriso e cumprimentou Harold Metcalf ao lado.

- E você está zero a caráter. – Alicia surgiu com um segundo boné em mãos. Aproximou-se da CEO e colocou-o na cabeça dela com delicadeza. – Pronto. Pode ficar com ele. É um extra mesmo, e eu nem sabia o que fazer com ele.

Felicity se afastou dos colegas de trabalho e seguiu em direção ao VP Anders.

- Hoje é o dia de colocar coisas novas na cabeça. – comentou com Oliver enquanto ajeitava o boné.

Ela e o VP se cumprimentaram e conversaram sobre negócios durante um bom tempo, num clima bastante informal, ao contrário do que aconteceria numa sala de reuniões. Por fim, o homem perguntou-lhe quanto achava que seria o placar da partida. Felicity, que já tinha dito que não conhecia muito de basebol, deu uma travada e foi quando Oliver, com seu bom conhecimento sobre o esporte, se intrometeu, dizendo que seria um jogo disputado, ainda mais contra um multicampeão como o Pittsburgh Pirates, mas que o Starling City Rockets tinha talento o suficiente para vencer.

- Ainda mais agora que a Srta. Smoak declarou sua torcida. – ele indicou o boné. – Com certeza alguém como ela dá sorte. – Oliver concluiu, usando um pouco de charme, embora as palavras fossem sinceras.

Felicity olhou para o guarda-costas e abriu um pequeno sorriso de agradecimento.

Próximo ao início da partida, ela e o Vice-Presidente se despediram brevemente. Felicity esperou até que estivesse fora do alcance dele para falar:

- Se a Smoak Tech conseguir fechar negócio com ele, você é uma boa parcela do motivo. Obrigada.

- Srta. Smoak, eu apenas fiz um comentário sobre basebol. Você que o cativou. – Oliver respondeu.

Felicity revirou os olhos.

- Oliver, apenas aceite a vitória. – ela disse amável e colocou a mão sobre o antebraço dele.

Lá estava o primeiro nome dele de novo. Oliver não era chegado a contato físico, mas só naquele dia ele iniciou dois com ela por simples e pura vontade, um impulso que ele achava até então ter se perdido dele. Não soube explicar por que, assim como também por que ele não ficou tenso com o toque dela. Deixou a mão ali, os dedos espalhados pela manga da jaqueta, mostrando as unhas pintadas de lilás. Ele novamente olhou com atenção o rosto dela, centímetros ainda mais baixo que o normal porque ela estava sem salto. O canto dos lábios dela ainda curvado, combinando com os olhos cintilantes, que hoje não estavam emoldurados pelos óculos, e sim lentes de contato. Notou que bem perto da pupila, as íris azuis se transformavam em dourado, apenas uma faixa.

- Oi, gente. – uma voz nova surgiu.

Felicity tratou de soltar Oliver. Como diabos ela acabou perto dele? Deu dois passos largos para trás e viu Diggle se aproximando deles.

- Hey, Dig.

- Pensei que não fosse chegar a tempo do jogo. Não lembro a última vez que vi a cidade tão caótica. – ele comentou.

- Ainda faltam vinte minutos. – Felicity disse.

- Mas acho que é bom irmos pros lugares já.

Estavam quase cruzando a porta para o camarote quando alguém chamou por Oliver. É claro.

- Hey, Tommy.

Oliver dissera ao amigo que continuaria indo ao jogo, mas a trabalho ao invés de lazer, e que por isso não poderia ficar com ele muito. Óbvio que Tommy não se seguraria. Oliver só imaginava por quê.

Depois de Oliver, Tommy cumprimentou Diggle com um aperto de mão. Felicity observava os homens, confusa.

- Oi.

Tommy se virou para ela com um sorriso convencido e charmoso.

- Você deve ser Felicity Smoak. Tommy...

- Merlyn. O dono da Verdant. – ela completou. E também o herdeiro da família que fundou o Merlyn Global Group.

- Em carne e osso. Prazer em conhecê-la, Felicity. Você já foi lá por acaso?

- Devo dizer que não. Umas amigas já me chamaram para ir, mas na hora não deu.

- Pena. Se surgir outra oportunidade e você for, não hesite em me dar um oi. Garantirei que você e suas amigas sejam muito bem tratadas. – ele piscou o olho.

- Tommy é meu melhor amigo. – Oliver interrompeu. – Eu teria vindo com ele hoje se você não viesse.

- Ah, desculpa por interromper a diversão. – ela falou.

- Que isso. Sua segurança é mais importante. – disse Tommy. – Felicity, gosta de basebol?

- Não entendo muito dele. Vim mais para tratar de negócios.

- Ah, misturando prazer com trabalho.

- Diz o dono de um clube noturno.

- Touché. – Tommy sorriu charmosamente de novo.

- E você?

- Eu sempre gostei de basebol. Oliver e eu constantemente vínhamos ver jogos quando éramos pequenos.

- Imagino. Foi por isso que eu trouxe eles – Felicity indicou os guarda-costas. – para tentar trazer um pouco de prazer ao trabalho. A mistura certa entre os dois é até saudável.

- Definitivamente.

- Bom, por que vocês não aproveitam e conversam um pouco? Eu e Diggle vamos para nossos assentos.

Ela e Diggle saíram, deixando os dois. Oliver percebeu pelo canto do olho que Tommy a olhava.

- Nunca vi alguém usar jeans tão bem na vida. Acho que é por isso que eles foram inventados.

Oliver expirou audivelmente, resistindo à vontade de revirar os olhos.

- Qual é, cara, não vai negar que você não notou aquelas pernas maravilhosas. Porra, se elas são desse jeito cobertas, imagina...

Oliver não era cego. Sua cliente era uma bela mulher. E, diabos, ele estava bem consciente das pernas dela, ainda mais quando esteve entre elas enquanto pilotava, seu quadril entre as coxas fortes, pressionando-se contra ele... Já andara de moto com outras mulheres, mas nenhuma tinha sido tamanha distração para ele antes.


Basebol era meio complicado de acompanhar para alguém que não sabia muito sobre. Mas Felicity, com seu intelecto superior, não gostava de ficar no escuro sobre nada e estava destinada a entender o máximo até o fim do jogo. O desafio que lançou a si mesma estava mais interessante que o jogo, ela tinha que confessar.

Num intervalo entre um tempo e outro, Felicity tirava umas dúvidas com Diggle, sentado à sua direita.

- Lembre-se: vence a equipe que tiver mais corridas. – disse Oliver à sua esquerda enquanto se levantava.

O dia ficou mais quente, e ele aproveitou para tirar a jaqueta. A camisa branca que ele usava por baixo se revelou completamente. Felicity tentou impedir que seus olhos o admirassem, mas não conseguiu. Ela via o contorno dos peitorais dele sob o tecido. Os músculos dos braços eram bem definidos, como ela imaginava, e algumas veias saltavam. Ele usava um relógio no pulso esquerdo que ela nunca notou.

Ela comunicou que queria ir ao banheiro, e eles se levantaram. Oliver deixou a jaqueta com Tommy, que sentava apenas duas fileiras atrás deles.

- Sabe, aqui você não vai ter como entrar no banheiro feminino para checar se ele está vazio. Porque tenho quase certeza que ele nunca estará vazio. – ela disse para Oliver.

- Você que pensa.

Acabou que ela entrou com ele bem a seu encalço. Ela exclamou brevemente por outras mulheres. Duas saíram e lançaram olhares esquisitos aos dois. Felicity se sentiu desconcertada e Oliver estava impenetrável. Ele checou cada canto antes de sair e espera-la lá fora junto com Diggle.

Eles andavam de volta aos assentos quando um borrão surgiu no canto de campo de visão Felicity demorou alguns segundos para processar o que houve, tempo esse que Oliver se pôs na frente dela, numa pose protetora.

Diggle encurralou uma mulher contra uma parede. Seu corpo e seus braços a bloqueavam. Ela estava de costas, e Felicity viu o guarda-costas tirando uma faca da mão dela.

Felicity inspirou com dificuldade. Alguém tentara esfaqueá-la.

As pessoas ao redor se afastaram ao ver o ataque e agora murmuravam entre si. O olhar de Oliver, clínico e duro, vasculhava o aposento alerta a qualquer perigo. Ele provavelmente não identificou nada, visto que continuou ali, um escudo humano colado a ela.

Não tardou para que os seguranças do estádio surgissem. Três homens cortaram pela multidão e pararam perto deles.

- O que está acontecendo? – um deles perguntou.

- Esta mulher tentou atacar minha cliente. – Diggle disse, ainda a imobilizando. – Com isso. – ele ergueu a faca. – É bom você chamar a polícia.

- Está tudo bem, senhorita? – outro segurança se dirigiu a Felicity.

- Sim. – ela respondeu sentindo o batimento cardíaco voltar ao normal.

Diggle soltou a mulher, e os seguranças prenderem-na com uma trava de plástico. A polícia foi acionada. A plateia dispersou um pouco, ainda mais quando o jogo voltou, mas o foco da maioria era o ataque.

Felicity olhou para a mulher. Ela tinha uma aparência comum, exatamente como os outros espectadores. Sua expressão carregava tédio, mas vez ou outra a apreensão deslizava e se revelava.

Os funcionários da Smoak Tech apareceram, preocupados, para perguntar sobre o estado dela. O olhar que lançaram a seus guarda-costas a fez imaginar que eles queriam dizer a ela como estavam certos em contratar os dois. Felicity não iria dar o braço a torcer.

Tommy também surgiu e ficou com os três até que a polícia chegasse, mesmo sob os protestos de Felicity, que queria que ele voltasse para o jogo; não queria acabar com a diversão mais do que já tinha.

Enquanto os oficiais prendiam a mulher, ela murmurou algo ininteligível a Felicity. Contudo, ela não notou como Oliver ficou tenso ao seu lado.

A CEO e os guarda-costas foram para a delegacia para prestar depoimentos.

- Terceira vez em um mês numa delegacia. Deve ser um recorde. Se continuar assim, terei um cartão fidelidade. – Felicity tentou usar humor para aliviar a apreensão.

Oliver e Diggle foram primeiro. Por acaso, Dinah estava de serviço e ficou de companhia para Felicity enquanto aguardava os homens. Ela quase não falou nada, perturbada pelo ataque, pelo segundo ataque que sofria em apenas semanas, pela sensação de segurança ter sido novamente arrancada de si.

A Detetive Hall esperava por Felicity quando ela entrou na sala.

- Para quem você contou que ia ao jogo? – Foi uma das perguntas da mulher.

- Por que a pergunta? – Felicity devolveu um tanto confusa.

- Bom, do jeito que aconteceu, não parece que tenha sido algo aleatório. A atacante tinha um propósito claro. Você.

De repente, os pedaços começaram a se encaixar. As invasões aos servidores da empresa, os ataques a ela.

A certeza baixou sobre Felicity. Ela estava em perigo. Ela era um alvo.


NA: Olha quem está de volta! Coisas boas aconteceram aqui, não acham?

Achei que não ia conseguir terminar esse capítulo a tempo para postar, ainda mais depois que eu me empolguei demais com o capítulo 6.
Espero que a virada de ano de vocês tenha sido incrível. Até o próximo fim de semana!