Capítulo 1 – Um dia de baixíssima probabilidade

Cada fragmento de espaço na parede está coberto por estantes de livro. Cada estante tem seis prateleiras, indo quase até o teto. Algumas estantes estão abarrotadas ate a boca com livros de capa dura: ciência, matemática, história e tudo mais. Outras estantes possuem duas camadas de livros de ficção científica, com a contracapa dos livros apoiadas em caixas de papel ou pedaços de madeira, para que seja possível vê-los acima dos livros que se encontram a frente. E isso ainda não e o suficiente. Livros estão transbordando para as mesas e os sofás e fazendo pequenos montes sob as janelas.

Esta é a sala de estar da casa ocupada pelo célebre Professor Michael Verres-Evan, e sua esposa, Mrs. Petúnia Evans-Verres, e seu filho adotivo, Harry James Potter-Evans-Verres.

Tem uma carta na mesa da sala de estar, um envelope de pergaminho amarelo sem selo, dirigida ao Mr. H. Potter em tinta verde-esmeralda.

O Professor e sua esposa estão conversando de maneira incisiva um com o outro, mas eles não estão gritando. O Professor considera gritar um ato incivilizado.

"Você está brincando", Michael disse à Petúnia. Seu tom indicando que ele estava com medo que ela estivesse séria.

"Minha irmã era uma bruxa", Petúnia repetiu. Ela parecia assustada, mas manteve-se firme."O marido dela era um bruxo".

"Isso é absurdo!" Michael disso sério. "Eles estavam no nosso casamento – Visitavam para o natal-"

"Eu disse a eles que você não deveria saber", Petúnia sussurrou. "Mas é verdade. Eu vi coisas-"

O Professor revirou os olhos. "Querida, eu entendo que você não é acostumada com a literatura cética. Você talvez nem perceba o quão fácil é para um mago treinado fingir o que parece impossível. Lembra quando eu ensinei o Harry a dobrar colheres? Se parecia que eles sempre sabiam o que você estava pensando, isso é chamado leitura fria-"

"Não era dobrar colheres-"

"O que era então?"

Petúnia mordeu seu lábio. "Eu não posso apenas lhe dizer. Você vai pensar que eu sou-" Petúnia engoliu em seco. "Escute. Michael. Eu não fui... sempre desse jeito..." Ela aponta pra si mesma, como que para indicar sua forma esbelta. "Lily fez isso. Por que eu – por que eu implorei a ela. Por anos, eu implorei. Lily sempre foi mais bonita que eu, e eu... fui má pra ela, por cause disso, e quando ela ganhou mágica, você pode imaginar como me sentir? E eu implorei para ela usar um pouco dessa mágica em mim para que eu pudesse ser bonita também, mesmo que eu não pudesse ter mágica, pelo menos eu seria bonita."

Lágrimas começaram a aparecer nos olhos de Petúnia.

"E Lily me dizia não, e inventava as mais ridículas desculpas, como o mundo fosse acabar se ela fosse boa pra irmã dela, ou um centauro disse a ela para não fazer – as coisas mais ridículas, e eu odiava ela por isso. E então quando eu me graduei da universidade, ei estava saindo com esse garoto, Vernon Dursley, ele era gordo e ele era o único garoto que falava comigo. E ele disse que queria um filho, e que seu primeiro filho se chamaria Dudley. E eu pensei comigo, que tipo de pai nomeia seu filho Dudley Dursley? Era como se eu estivesse vendo meu futuro se alongando na minha frente, e eu não conseguia suportar isso. Então escrevi para minha irmã e disse a ela que se ela não me ajuda-se eu preferiria-", Petúnia parou.

"De qualquer maneira", Petúnia disso, sua voz fraca, "ela cedeu. Ela disse que era perigoso, e eu disse que eu não me importava, e eu bebi essa poção e fiquei doente por semanas, mas quando eu melhorei minha pele tinha clareado e eu finalmente tinha encorpado e... eu era linda, as pessoas eram legais comigo", sua voz quebrou, "e depois disso eu não pude mais odiar minha irmã, especialmente quando eu descobrir o que a mágica dela trouxe no fim-".

"Querida", Michael disse gentilmente, "você ficou doente, ganhou peso enquanto descansava na cama e sua pela clareou sozinha. Ou alguma mudança na sua dieta -"

"Ela era uma bruxa", Petúnia repetiu."Eu vi".

"Petúnia", Michael disse. A irritação aparecendo em sua voz. "Você sabe que não pode ser verdade. Eu realmente tenho que explicar o por quê?"

Petúnia balançou as mão. Ele parecia estar prestes a chorar. "Meu amor, eu sei que não posso vencer um argumento com você, mas por favor, você tem que acreditar em mim nisso -"

"Pai! Mãe!"

Os dois pararam e olharam para Harry como se tivessem esquecido que havia uma terceira pessoa na sala.

Harry respirou fundo. "Mãe, seus pais não tinham nenhuma mágica, tinham?"

"Não", Petúnia disse, parecendo confusa.

"Então ninguém na família sabia sobre mágica quando Lily recebeu a carta dela. Como eles foram convencidos?"

"Ah..." Petúnia disse. "Eles não mandaram apenas uma carta. Eles mandaram um professor de Hogwarts. Ele -" Os olhos de Petúnia pousaram em Michael. "Ele nos mostrou um pouco de mágica".

"Então você não tem que brigar sobre isso", Harry disse de maneira firme. Esperando contra todas as esperanças que dessa vez, apenas dessa vez, eles iriam ouvi-lo. "Se é verdade, nos podemos apenas conseguir um professor de Hogwarts aqui e ver essa mágica por nós mesmos, e o pai vai admitir que é verdade. E se não for então a Mãe vai admitir que é falso. Para isso que o método experimental existe, para que não resolvamos tudo na discussão".

O Professor se virou e encarou ele de maneira desconsiderável, como sempre. "Oh, vamos, Harry. Sério, mágica? Eu pensei que você soubesse melhor do que levar isso a sério filho, mesmo tendo apenas dez. Mágica é apenas a coisa mais não científica que existe!"

Harry contorceu sua boca como se tivesse engolido algo amargo. Ele era tratado bem, provavelmente melhor que a maioria dos pais genéticos tratavam seus próprios filhos. Harry foi mandado para as melhores escolas primárias – e quando isso não funcionou, ele recebeu tutores da infinita fonte que eram alunos esfomeados.

Harry sempre foi encorajado a estudar o que lhe chamasse atenção, comprar todos os livros que lhe atraíssem, patrocinado em qualquer competição de matemática ou ciência ele entrava. Ele era dado tudo dentro do comum que ele queria, exceto, talvez, um pouco de respeito. Um Doutor ensinando bioquímica em Oxford dificilmente seria esperado que ouvisse o conselho de um garotinho. Você ouviria para mostrar interesse, claro; isso é o que um bom pai faria, e então, se você se considera um bom pai, é o que você faria. Mas levar um garoto de 10 anos a sério? Dificilmente.

Algumas vezes Harry queria gritar com seu pai.

"Mãe", Harry disse. "Se você quiser ganhar esse argumento contra o Pai, olhe no capítulo dois do primeiro livro sobre as leituras de Feynman sobre Física. Existe uma citação sobre o que filósofos dizem sobre o que absolutamente requerido para ciência, e que está errado, porque a única regra na ciência é que a prova final é a observação – que você só precisa olhar para o mundo e dizer o que você vê. Hum... de cabeça é o que consigo pensar sobre onde achar algo sobre como é o ideal da ciência resolver algo através da experimentação em vez de discussões -"

A mãe dele olhou para ele e sorriu. "Obrigada Harry. Mas -" A cabeça dela levantou novamente para encarar o marido. "Eu não quero vencer uma discussão com seu pai. Eu quero que meu marido me escute, escute sua esposa que lhe ama, e confie nela apenas dessa vez -"

Harry fechou seus olhos rapidamente. Sem chances. Ambos seus pais eram simplesmente irremediáveis.