O caldeirão foi cozinhando, disparando faíscas em todas as direções, um branco que transformava todo o resto num negrume aveludado. Nada aconteceu.
E então, de repente, as faíscas que subiam do caldeirão se extinguiram. Uma nuvem de vapor branco se ergueu, densa, tampando tudo que havia na frente de Harry, impedindo-o de continuar a ver Rabicho choramingando, Cedric demaiado ou qualquer outra coisa exceto o vapor pairando no ar.
Mas, através da névoa à sua frente, ele viu, a silhueta escura de um homem alto e emergindo do caldeirão.
Ele parecía uma versão mais velha do Tom Riddle do diário, com vinte e poucos anos, exceto pelos olhos vermelhos. Sua própria postura era confiante com um ar ligeiramente curioso.
-"Minha varinha, Rabicho." Ele ordenou com uma voz barítono suave e profunda.
Choramingando, Rabicho entregou a varinha e Voldemort acenou, um robe negro aparecido do nada o vestindo.
Ele olhou para Rabicho e antes que o homem pudesse fazer algo, Voldemort tinha a varinha apontada para ele.
-"Avada Kedavra." Ele falou e a luz verde da maldição de morte acertou Pettigrew, o qual caiu instantâneamente.
E então Voldemort desviou sua atenção para mim e me encarou avaliativo por um momento.
Ele andou em minha direção e se abaixou em um só joelho, estendeu a mão direita e gentilmente levantou a minha cabeça e concentrou aqueles olhos vermelhos em meu rosto.
-"Harry Potter." Ele diz enquanto acariciava minha bochecha com o polegar e eu tento me afastar de sua mão. -"Não tenha medo, criança."
-"Eu não tenho medo de você, Voldemort." Eu rosno e ele ri.
-"Oh, sim. Aqui está o nosso pequeno grifinório." Ele diz e usa a ponta de sua varinha para afastar a franja da minha testa e acaricia levemente o contorno da cicatriz, fazendo-a formigar. -"Você é um garoto precioso, não é, meu pequeno leão. Não podemos tê-lo arriscado sua vida por aí." Diz Voldemort e começa a acenar com a varinha em um encantamento silencioso e lentamente a dor dos ferimentos que eu tinha se vai.
Eu o encaro atordoado e ele acena com a varinha, sibilando um encantamento desconhecido e um pequeno brilho branco aparece em volta de mim e se dissipa. Ele sibila outro encantamento e aproxima sua varinha do meu pescoço e pressiona levemente a ponta no lado direito, fazendo uma pequena queimadura, que ele acaricia depois de feita.
-"Eu virei a maior parte do dano e tirei a dor. O outro é um encantamento de proteção em sua pele, vai ser como ter um escudo ativado. Eu fiz questão de incluir a mente, então legilimência, a arte de ler pensamentos, e compulsões são ineficazes. Poções prejudiciais também não funcionam e ninguém vai conseguir tocá-lo sem sua permissão. O outro era um Fidélius de memória, você não vai poder compartilhar, intencionalmente ou não, o que aconteceu aqui hoje. Agora eu vou te soltar e lhe entregar sua varinha. A taça é uma chave de portal de 2 vias, ela vai te levar de volta a Hogwarts. Você pode levar o outro garoto, ele está apenas desmaiado." Voldemort diz.
Ele solta as cordas e entrega a minha varinha enquanto eu me ponho de pé e encaro atordoado.
Ele levanta, caminha até Cedric e aponta a sua varinha.
-"Obliviate." Ele joga e se vira em minha direção.
-"Eu apaguei o pequeno pedaço de memória dele neste cemitério. Ele só vai lembrar de pegar a chave de portal e desmaiar."
Ele caminha até mim, estende a mão direita e acaricia a minha bochecha novamente.
-"Você pode ir agora, Harry Potter. Mas nós no encontraremos novamente." Ele diz em uma voz profunda e sedosa.
Eu corro até onde Cedric está desmaiado, levito a taça até mim e agarro a mão de Cedric.
A última coisa que eu vi antes de ser puxado pela chave de portal era Voldemort me encarando com olhos vermelhos parecendo estranhamente calorosos e um pequeno sorriso.
