O primeiro presente que eu havia pegado era uma pequena caixa preta com um laço verde. Eu abri e minha respiração ficou presa.
Dentro da caixa estava um belo colar. Eu tracei as pequenas cobras com as pontas dos dedos. Foram duas cobras, enroladas uma na outra. Uma cobra tinha olhos rubi e a outra tinha olhos de esmeralda.
-"É ... é lindo". Eu falo enquanto admiro a jóia.
-"O pingente tem uma série de encantamentos de proteção mais abrangente que os que eu já havia colocado em você anteriormente e também é uma chave de portal de emergência para vir até aqui na mansão." Comentou Voldemort.
Ele saiu de trás da escrivaninha, pegou o colar da minha mão e gentilmente o pôs em meu pescoço. Voldemort me observou por um momento e sorriu, parecendo muito satisfeito.
Um dos outros presentes foi um enorme conjunto de livros que tinham aparência de serem muito antigos e com títulos que eu não associaria como do interesse de um Lorde das Trevas, como magia de cura ou Herbologia.
O próximo presente que eu tinha aberto foi um diário de couro preto com o brasão da Grifinória na capa.
-"Isso é um diário encantado com uma variação avançada do feitiço protéico. O que você escrever aparecerá na contraparte a qual está ligada." Voldemort diz e abre uma gaveta da escrivaninha, pegando um diário igual ao que eu tinha em mãos, mas esse havia o brasão da Sonserina na capa.
Voldemort abriu o seu diário, pegou uma pena e escreveu algo nele. A capa do diário que eu estava segurando aqueceu levemente e emitiu um fraco brilho e a imagem na capa mudou. O leão da Grifinória agora estava sendo rodeado pela cobra do brasão da Sonserina.
Eu abri o diário e lá na página estava um simples "Olá", em uma caligrafia que me recordava o diário de Tom Riddle, porém muito mais elegante.
-"Esse não é como o diário do meu segundo ano, sim?" Eu questiono suspeito.
-"Não, este com certeza não é como aquele diário e eu peço desculpas por esse incidente. Lucius já foi severamente punido por sua transgressão. Embora sua destruição tenha sido benéfico para mim, aquele diário nunca deveria ter estado nas mãos de uma criança e muito menos em Hogwarts." Voldemort disse, soando extremamente sério.
Eu me perguntei como o Sr. Malfoy havia sido punido e tive um pequeno sentimento de pena pela família Malfoy. Estar no lado ruim de Voldemort não era nem um pouco agradável para a saúde de alguém.
Voldemort deu uma pequena risada, parecendo saber exatamente o que eu estava pensando sobre.
Eu o ignorei e passei para o próximo presente, que era o maior entre todos.
Uma grande coleção de roupas estava dentro dela. Surpreendentemente era uma mistura de roupa trouxa e mágica, principalmente vários tons de verde, azul, preto e outras cores escuras.
-"Eu realmente acho que você ficaria adorável em verde." Comentou Voldemort distraidamente enquanto me dava um meio sorriso estranhamente afável.
Eu sinto me rosto esquentar com um rubor e abro o último presente, usando ele como distração para os estranhos sentimentos que o comentário de Voldemort causou em mim.
Dentro da última caixa havia o melhor kit de equipamentos de Quadribol no qual eu havia visto sendo vendido na loja de vassouras do Beco Diagonal por uma quantia exorbitante de galeões.
Eu não pude deixar de encarar todos os presentes que estavam em cima da escrivaninha e para o homem que havia me dado todas essas coisas.
-"Se algo não foi do seu agrado, eu poderia substituir por qualquer outra coisa. Você só precisa dizer o que quer e eu conseguirei para você, pequeno leão." Voldemort disse enquanto me olhava com a testa franzida.
Eu levanto da poltrona na qual eu estava sentado, círculo a escrivaninha e paro em frente ao bruxo de olhos vermelhos, que atualmente me observavam confusos.
Eu paro por um momento, inseguro sobre as possíveis ações que Voldemort poderia ter em relação ao que eu estava prestes a fazer antes que minha parte emotiva avançasse e eu o abracei, o formigamento agradável, sentimento de certeza e a estranha sensação de lar me envolveram. Voldemort deixou escapar um pequeno som de surpresa e momentos depois ele enrolou seus braços em volta de mim e descansou sua bochecha no topo da minha cabeça.
-"Obrigado por tudo." Minha voz abafada por causa de meu rosto, que estava pressionado em seu peito. -"Eu não sei porque você está fazendo isso e pode até ser uma estratégia para fazer eu me juntar ao seu lado na guerra, mas mesmo assim, eu agradeço." Essa declaração acabou ganhando uma risada de Voldemort.
Eu afastei o rosto de seu peito e olhei para cima, olhos vermelhos me encararam com diversão dançando neles.
-"Estou seriamente ofendido de que você pense que a minha capacidade de persuasão e manipulação se resuma a comprar presentes absurdamente caros e gestos inócuos em geral." Voldemort disse, ainda divertido. -"Além disso, você nunca poderia ser apenas um seguidor qualquer, pequeno leão. O título de Comensal da Morte é terrivelmente mundano para sua preciosidade." Ele levantou sua mão esquerda e acariciou minha bochecha com as costas da mão enquanto me olhava carinhosamente.
Eu não podia deixar de pensar que isso deveria ser um sonho extremamente bizarro, apesar dos sentimentos estranhos, quentes e confusos em mim.
-"Já está ficando tarde, pequeno leão. Eu tenho um servo para punir e você tem que voltar pra casa antes que as pessoas que estão te vigiando entrem
em pânico com o seu desaparecimento." Voldemort disse, mas não fez nenhum movimento para soltar o abraço.
-"Quem está me vigiando nos Dursleys?" Eu questiono, tentando lembrar de alguém que parecia estar vigiando a casa.
-"A sua vizinha Arabella Figg, ela é um aborto que trabalha para Dumbledore e membros da Ordem da Fênix." Voldemort responde.
-"O que é a Ordem da Fênix?"
-"É uma organização fundada por Dumbledore formado por um grupo de pessoas para lutar contra mim e os Comensais da Morte. E apesar de se declarar totalmente da luz, ela também já fez seu quinhão de atos horríveis." Ao meu olhar de questionamento, Voldemort explicou. -"Você já ouviu falar sobre o ataque a família Longbottom por Bellatrix, Rodolfo e Rabastan Lestrange?" Eu acenei em concordância, pois Neville me havia contado sobre seus pais. -"Pouco antes da minha queda em Godric's Hollow, Bellatrix, que estava grávida na época, havia ido fazer compras na Travessa do Tranco quando a Ordem da Fênix fez um ataque na rua. Frank Longbottom lançou um feitiço em Bellatrix, que perdeu o bebê. Como consequência de ter usado tanta magia para se defender, Bella acabou ficando estéril e sua sanidade estalou. Ela nunca mais foi a mesma. Aquele não foi um ataque, foi a resolução de uma dívida familiar, uma vida por uma vida. Eles mataram o herdeiro Lestrange, então Bellatrix tinha o direito de matar o herdeiro Longbottom ou o levar, fazer uma adoção de sangue e criá-lo como o herdeiro Lestrange." Voldemort explicou.
Nós ficamos em silêncio por um tempo, contemplando o que ele havia acabado de revelar, até que eu percebi que ainda estava abraçado a ele. Eu me soltei do abraço e dei um passo para trás, sentindo a sensação quente de um rubor passar pelo meu rosto.
Voldemort deu uma risada profunda e eu só assisti fascinado o quão bonito o homem parecia rindo e desejando que eu pudesse ver novamente essa cena.
-"Você fica adorável quando ruborizado, pequeno leão." Voldemort comenta sorrindo e eu sinto meu rosto esquentar mais.
Voldemort rapidamente encolheu os presentes e eu os guardei. Ele pegou uma pena elegante, acenou com a varinha, murmurou um encantamento e me levou para o salão de entrada do qual eu havia chegado a mansão.
Ele me deu a pena, segurou me rosto gentilmente em suas mãos e deu um beijo em cima da minha cicatriz, fazendo-a formigar agradavelmente.
-"Feliz aniversário, Harry." Voldemort sussurrou quando se afastou e um puxão no umbigo se fez presente. Segundos depois eu estava de pé no meio do meu quarto no número 4 da rua dos Alfeneiros.
Depois de um momento de topor, eu sacudi a cabeça e arrumei os presentes de Voldemort e as compras que eu tinha feito.
Pegando uma barra de chocolate trufado que havia sido trazido junto com uma infinidade de doces por Athena poucos dias antes, eu peguei um dos livros de magia de cura que Voldemort havia acabado de me dar e comecei a ler para me distrair da surpresa que foi o dia.
