Sírius havia ido me buscar no dia seguinte ao inesperado sequestro acompanhado pelo Professor Lupin e alguns outros membros da Ordem da Fênix. Sírius não pode deixar de notar a falta de óculos e o meu muito perceptível crescimento e comentou o fato.
Chegamos em Grimmauld Place e depois de um sufocante abraço da Sra. Weasley e uma terrível dor nos tímpanos pelos gritos do retrato de Walburga Black, a mãe de Sírius, eu fui imediatamente parado por Hermione, que começou a me questionar sobre a falta dos meus óculos, as roupas novas e o baú novo e iniciou um sermão sobre o quão irresponsável era sair gastando dinheiro a toa. Ron também não havia gostado dessa mudança e continuou fazendo comentários desagradáveis.
Eu não pude deixar de me ressentir sobre a reação deles, pois eu nunca havia tido qualquer tipo de regalias que meus amigos haviam tido na infância e as únicas coisas decentes que eu tinha eram minha Firebolt e os materiais de Hogwarts, além dos presentes de Voldemort. Aquele confronto já havia me deixado de mal humor, então eu havia ignorado totalmente e pedi a Sírius que me levasse a um quarto. A Sra. Weasley disse que eu teria que dividir um quarto com Ron, mas eu imediatamente pedi um quarto apenas meu, o que pareceu ofender ainda mais a Ron, porém Sírius alegremente cedeu a suíte do herdeiro, que era um dos maiores quartos da casa. Sem humor para ver ninguém, eu acabei ficando no quarto pelo resto do dia.
No dia seguinte Sírius me mostrou a biblioteca da família Black e retornei aos meus estudos.
Como eu estava indo pelo material avançado, havia muitos conceitos e assuntos dos quais eu tinha dúvidas e acabei decidindo fazer uso do diário que Voldemort havia me dado.
Eu estava receoso com aquilo, porém Voldemort concordou em tirar minhas dúvidas sem nenhuma objeção. Então eu passei os próximos dias trancado na biblioteca lendo livros, praticando magia com a segunda varinha, longas aulas de Voldemort sobre magia e ignorando o assédio de Hermione pelo meu dever de casa, as carrancas de Ron e a briga entre Sírius e a Sra. Weasley.
Durante esses dias havia um vai-e-vem de pessoas em Grimmauld Place para as várias reuniões feitas em Grimmauld Place, uma delas sendo o Professor Snape, que surpreendentemente me tratava com cortesia.
Após várias discussões entre Sírius e a Sra. Weasley, fomos proibidos de participar das reuniões, muito para o desgosto de Ron, Hermione e Gina. Eu permaneci em silêncio sobre o assunto, pois não tinha certeza do que deveria fazer. Voldemort já não estava tentando me matar, aparentemente havia ordenado os Comensais da Morte a não me atacarem e continuava me tratando incrívelmente bem, apesar de eu não fazer idéia do porque dpo.
A Ordem da Fênix foi criada para lutar contra Voldemort, o qual continuava me dando presentes, me ensinava magia e era gentil comigo. Eu não havia esquecido que ele matou meus pais e dezenas de outras pessoas, aterrorizou milhares de bruxos e trouxas e tentou me matar, mas Voldemort tinha sido o único a me proteger dos Dursleys, mesmo do seu jeito cruel e violento, e ele parecia realmente se importar comigo.
Os dias se passaram, as cartas de Hogwarts chegaram, Ron e Hermione haviam sido escolhidos como monitores da Grifinória e fomos comprar os materiais escoltados por várias pessoas.
O mundo bruxo não havia acreditado em Dumbledore quando ele havia anunciado a notícia de que Voldemort estava vivo e o Ministério começou uma perseguição contra Dumbledore, embora em nenhum momento os jornais me difamaram, o que foi definitivamente estranho. Eu tinha pensado que essa perseguição se estenderia a mim, já que eu sou o Menino-Que-Viveu.
Apesar de Voldemort ter ressuscitado, não haviam sido feitos ataques ou avistamentos de Comensais da Morte ou do próprio Lorde das Trevas, o que parecia deixar a Ordem mais paranóica.
O mês havia sido razoavelmente tranquilo até a noite antes de irmos à Hogwarts.
Era noite e estava havendo uma reunião da Ordem quando um patrono irrompeu pela sala avisando sobre algum tipo de ataque. Imediatamente todos da Ordem saíram de Grimmauld Place e aparataram. A Sra. Weasley os mandou imediatamente para seus quartos, o que lhe rendeu muitos protestos. Poucos minutos depois de entrar no meu quarto, alguém bate na porta deste e eu a abro. De pé em frente a mim havia um muito sorridente Lorde das Trevas.
-"Olá, pequeno leão!" Comprimentou Voldemort enquanto passava por mim.
Eu apenas o encarei em descrença, meu cérebro não compreendo a situação. -"Você sabe que é considerado rude encarar as pessoas." Ele comentou como se não houvesse nada de errado no mundo.
-"Como? O que? Porque você está aqui?! Não está havendo um ataque? Você é maluco? Há membros da Ordem aqui. Eles poderia te ver!" Eu disparo rápidamente, o pânico cada vez mais presente na minha voz.
Voldemort rapidamente se aproximou e me abraçou, a sensação de calor e certeza me preenchendo.
-"Ora, eu vim apenas te ver, Harry." Ele diz e o encarei com desconfiança. -"Ok, eu vim te ver e pegar algo que me pertence que está exatamente neste quarto." Para minha decepção, Voldemort solta o abraço, anda em direção a uma escrivaninha no canto do quarto e abre uma gaveta. De dentro dela Voldemort tirou um medalhão e o acariciou. -"Este é o medalhão da Sonserina, que pertencia a Salazar Sonserina e foi passado de geração em geração. É algo valioso para mim." Ele explica ao ver meu olhar curioso.
De repente há um barulho de vibração no quarto e Voldemort guarda o medalhão no bolso do manto. Ele pega sua varinha, que era a responsável pelo barulho de vibração e acena, fazendo com que pare. Voldemort se aproxima e me abraça. -"Eu preciso ir agora. O ataque não foi projetado pra durar tanto tempo."
Voldemort me abraça por um minuto inteiro antes de se afastar, dar um pequeno beijo em minha cicatriz, fazendo-a formigar agradávelmente, e ir em direção a porta.
-"Até breve, pequeno leão. E lembre-se, eu nunca estive aqui." Voldemort disse antes de fechar a porta e o silêncio encheu o quarto.
Fui tirado do meu estupor alguns minutos depois pelo barulho que vinha do andar de baixo, com a volta da Ordem do ataque que aparentemente foi uma distração.
Um silêncio pesado se estabeleceu pela casa no dia seguinte, mesmo com a comoção pela partida para Hogwarts.
O Profeta Diário estampava outra manchete insinuando a loucura de Dumbledore. Quando os Aurores chegaram ao local do ataque, os Comensais já haviam partido a muito tempo e ao analizar a mente dos trouxas que presenciaram o ataque, a memória apenas mostrou a Ordem da Fênix disparando feitiços aleatoriamente.
Apesar do humor sombrio, eu estava animado. Afinal, começava mais um ano em Hogwarts e desta vez não havia nenhum Lorde das Trevas atrás do seu sangue.
