Guerreiros do Tempo parte 2
1993 D.C., Tokyo, Japão
"Achava que tinha feito algo útil da vida," Pensava Shadow Yamoto enquanto corria para o telhado do prédio Orquídea Negra e passava por cima dos vários assassinos da organização, dos quais muitos já estiveram sob seu comando em diversas missões. "que eu estava fazendo um bem a todos, eliminando políticos corruptos e possíveis usurpadores de poder, e o que descubro? Que meus superiores me matariam caso eu recusasse uma ordem." Fazendo uma pausa nos pensamentos, Shadow enfim chegou a porta do telhado.
Acreditando que conseguira a saída, qual não foi sua surpresa quando o telhado estava cheio de ninjas e assassinos prontos para emboscá-la? "Se sabe o que é melhor, Shadow, trate de se render e pode ser que apenas receba uma punição de nível médio." Disse o próprio líder do clã Orquídea Negra com a espada em punho. Shadow, procurando um meio de fugir, só tinha uma opção. Mirando precisamente, ela arremessou um shuriken na direção da caixa d'água atrás do grupo.
Olhando para trás, o chefe disse em tom de piada: "É o melhor que pode fazer? Mas que medo." Shadow falou em resposta com um tom irônico: "Eu acho que não." No mesmo instante, a caixa d`água explodiu em resultado do shuriken, na verdade uma minibomba, lançando uma grande torrente de água sobre os assassinos. A enxurrada atirou quase todo o grupo telhado abaixo, deixando os poucos que escaparam para Shadow derrotar. Depois disso, Shadow se preparava pra escapar, pulando para o prédio vizinho, mas alguém lhe agarrou a perna: o líder do clã, que escapou da inundação e atirou-a do parapeito, onde ela se agarrou por pouco.
Shadow lutava para se manter firme, o que era difícil com a água escorrendo e tornando seu apoio escorregadio.
"E eu que sempre gostei de água. Por que não segui meu sonho de ser oceanóloga. Se pudesse ter uma outra chance..." Foi quando seus pensamentos foram interrompido pela dor nas mãos, causada pelo chefe do clã, que lhe pisava bem devagar.
"Creio que isso encerra o assunto. Uma pena terminar assim, mas você sabia o que viria". Apoiada numa única mão, Shadow já não tinha nenhuma ideia de como fugir, quando da água que escorria um pequeno objeto cintilava da água, mostrando-se ser um anel com o desenho de uma onda. Shadow o pegou poucos instantes antes de sua outra mão se soltar.
Num instante, tudo se envolveu numa enorme luz branca...
1692 D.C., Salem
"Xavier Pendragon. Você foi considerado culpado de heresia, bruxaria e pactos com o demônio. E por tais crimes, ainda mais recusando-se a confessar sua culpa, foi condenado a ser queimado vivo." Falou o inquisidor-chefe, cercado pela multidão que aguardava a realização da sentença.
"Não sabem o que fazem. Estão cometendo um erro." Gritava Xavier em desespero da estaca onde estava amarrado. "Não sou um bruxo, sou um homem da ciência. Busco respostas às perguntas que muitos desconhecem por ignorância ou medo, assim como vocês, seus fracos de espírito. Deviam abrir mais suas mentes em vez de fugir ou tentar matar e destruir o que não entendem."
"Poupe-nos de suas blasfêmias, bruxo. Suas palavras são proferidas pelo próprio demônio, mas não são o bastante pra dobrar nossa fé. Então, trate de queimar."
E o povo ao redor gritava o mesmo: "QUEIME. QUEIME. QUEIME. QUEIME."
De sua pira, Xavier não deixava de ter pena daquela multidão, controlada por aquelas palavras que em vez de amor e compaixão, eram movidas por ódio e ignorância.
"Não resta dúvida que nasci no tempo errado." Pensava ao olhar para o cetro aos seus pés, uma de suas maiores descobertas quando descobriu uma fonte de energia limpa e inesgotável, acoplada ao cetro, que seria de grande ajuda as futuras gerações. "Como gostaria que meus conhecimentos fossem úteis num outro lugar e tempo, onde com certeza seriam de grande benefício a humanidade."
Foi aí que Xavier reparou que uma de suas mãos estava meio solta das cordas que o prendiam e se esforçava pra tentar livrá-la e poder agarrar seu cetro. Estava com a mão quase solta quando sentiu algo vir de cima. Era sua coruja Hooter, que voava sobre sua cabeça e fez um pouso em seu ombro, segurando algo em seu bico: uma espécie de anel com o emblema de uma barra de metal. Quando o fogo estava quase lhe alcançando, Xavier soltou sua mão e agarrou o cetro, para em seguida pegar o anel que Hooter levava.
Num instante, tudo se envolveu numa enorme luz branca...
2345 D.C., Quebec
Um grande alvoroço se ouvia no estádio de lutas da cidade. Multidões ajuntadas viam com frenesi as lutas dos lutadores ciborgues, muito mais populares que as antigas lutas entre humanos, já que os dispositivos cibernéticos causavam mais danos e assim, mais emoção.
De todos os lutadores, o mais popular era RAX Coswell, que outrora foi o lutador mais popular da categoria humana antes das lutas cibernéticas e em desespero para recuperar seu status como o maior lutador do mundo, se submeteu a uma cirurgia de implantes eletrônicos, podendo assim retomar sua posição.
"Esta é a minha noite." Pensava RAX antes do próximo combate. "Finalmente cheguei as finais do campeonato mundial. Veja a multidão. Todos torcendo por mim, aguardando por seu campeão, mas se soubessem o quanto me sinto desconfortável com estes implantes. Penso às vezes que este não sou eu, que estas partes robóticas apenas facilitam o que procurei me esforçar para ser."
Fazendo uma pausa de pensamento, RAX viu que era hora da luta. "Vou lutar agora porque se não o fizer, tudo que passei não terá valido nada, mas com certeza..." E o gongo soou, e RAX partiu para combate. Seu adversário era forte, mas era pouco rápido, e os servo-motores de RAX foram ajustados para dar-lhe maior velocidade nos socos e chutes. O tempo começava a fechar e podia-se ouvir os estrondo dos trovões ao céu.
Dos lugares VIPS, estava o empresário de RAX, que fazia um ajuste no computador que carregava.
"Parece que tudo está nos conformers. Basta finalizar os comandos e estarei mais rico que nunca. Sinto, RAX, por todos os anos que estivemos juntos, mas a grana fala mais alto, e vai falar mais alto pro meu lado quando este vírus te paralisar e assim te deixar indefeso, porém serei bonzinho pelos velhos tempos e deixarei você viver até for a hora de dar o golpe final."
A luta seguia ferozmente e os gritos da multidão se misturavam com os fortes trovões que ecoavam nos céus. Num momento que estava caído, RAX reparou num anel que caiu ao mesmo tempo que soou um forte trovão. Pegando o anel, RAX voltou a luta, derrubando o adversário com um pouco mais de dificuldade do que achava que conseguiria ter e estando a poucos centímetros de desferir o soco final, RAX sentiu uma certa paralisia em seu corpo, deixando-o vulnerável ao adversário que corria em sua direção com uma garra enorme estendida.
Num instante, tudo se envolveu numa enorme luz branca...
Continua...
