Capítulo 6

O amigo

O fogo na lareira ainda crepitava quando Ana-Lucia retornou para a casa da avó. Margarida o tinha mantido aceso até que a neta chegasse. Já era muito tarde e Ana tentou não fazer baulho enquanto caminhava no escuro pela estreita sala de estar da avó, mas uma das tábuas corridas do piso envelhecido de madeira rangeu quando ela estava prestes a entrar no quarto.

- Um pouco tarde para chegar em casa.- disse Margarida surgindo de repente na frente da neta carregando uma vela acesa.

- Por Dios, abuela! A senhora me assustou.- disse Ana com a mão no peito.

- Pois andas muito assustada ultimamente, niña- comentou Margarida. – Como está o seu amigo?

- Ele está bem.- respondeu Ana-Lucia, evasiva.

- Imagino que ele esteja muito bem.- concordou a avó com um sorriso malicioso antes de dizer: - Se vais ficar visitando o teu amigo até tão tarde deverias carregar a tua lamparina contigo.

- Oh, eu esqueci a minha lamparina... – Ana disse, corando.

- Vou te dar outra.- falou Margarida.

- Gracias abuela. Eu vou indo me deitar. Estou muito cansada. Sua benção, abuela.

Margarida estendeu a mão direita para ela e Ana a beijou.

- Deus te abençoe e te guarde, niña. Buenas Noches.

- Buenas Noches, abuela.- disse Ana se despedindo e entrando no quarto.

Havia uma única lamparina fraca acesa lá dentro. Pedrinho dormia profundamente na única cama do quarto, abraçado ao seu tremzinho. Ana sorriu ao vê-lo e aproximou da cama. Sentou-se ao lado dele por alguns minutos e acariciou-lhe os cabelos. Ela então se levantou da cama e pegou um jarro grande de água que descansava em uma mesa de madeira e encheu uma tina perto da janela. Despiu-se completamente de suas roupas e prendeu os cabelos em um coque alto com uma fita vermelha.

Entrou na tina e sua pele arrepiou-se ao sentir a água gelada, mas Ana rapidamente esfregou o líquido em sua pele acostumando-se à temperatura. Quando finalmente sentiu-se confortável suspirar ao lembrar das horas maravilhosas de paixão que tivera com Sawyer.

Lembrou-se do toque delicado e ao mesmo tempo intenso em sua pele, do movimento dos quadris dele contra os seus, dos lábios dele em seus seios, da masculindade dele possuindo-a tão deliciosamente. Sentindo-se tomada pela volúpia Ana tocou-se intimamente e regozijou-se com as imagens eróticas em sua mente e de seu doce milagre fazendo amor na caverna.

O prazer não demorou a atingi-la e Ana mordeu o lábio inferior tentando ocultar seus gemidos de luxúria.

"Eu nunca senti nada assim."- ela dizia em sua mente enquanto se banhava. "Eu o quero muito e vou embora com ele. Eu e o meu filho, pra sempre."

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Manoel estava tomando o café da manhã com a esposa quando Daniel Cortez entrou de súbito na casa deles. O patriarca da família Sanchez levantou-se de imediato da mesa e bradou para o genro:

- Que és eso hombre? Que história é essa de entrar assim na minha casa sem ser anunciado?

- Tenho o direito de fazer isso desde que sua filha tentou me matar ontem à golpes de facadas.

- Não seja tão dramático, Daniel.- disse Manoel. – Eu sei muito bem que você tentou machucá-la ontem outra vez.

- Eu estava dando um corretivo nela por ser uma esposa tão desobediente!- retrucou Daniel.

- Você sabe que eu não aprovo esses métodos.

Daniel balançou a cabeça negativamente e disse, olhando para Teresa:

- Se o senhor Dom Manuel não foi capaz de colocar cabresto na sua esposa, não espere isso de mim ! A Ana-Lucia vai aprender por bem ou por mal.

- Ora, seu hijo de puta!- Manoel fez menção de partir pra cima do genro, mas Teresa o segurou firme pelo braço. – Calmate hombre!

Manoel se controlou.

- Onde a Ana-Lucia está, dona Teresa?- perguntou Daniel, rispidamente.

- Ela não está aqui.- respondeu ela. – E eu também não sei aonde ela está.

- Deve estar com a velha Margarida.- Daniel concluiu.

- Não!- rebateu Teresa. – Ela não está com a avó. Você sabe muito bem que a Margarida se isola nas colinas porque não gosta de se envolver com nada disso.

- Pois muito bem, se a Ana-Lucia não aparecer até hoje à noite, mandarei um telegrama para Santiago pedindo que o chefe de polícia venha prendê-la por tentativa de homicídio.- avisou Daniel deixando a casa em seguida.

- Por Dios, Teresa, que vamos hacer?- questionou Manoel depois que o genro for embora. – Se Ana for presa você sabe que nunca mais a veremos e o Daniel vai levar o nosso neto Pedrinho pra bem longe de nós.

- Eu irei à casa de tua mãe mais tarde e vou convencer Ana-Lucia a retornar e se entender com o marido dela.- prometeu Teresa.

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Margarida lavava roupa na beira do riacho enquanto Ana-Lucia terminava de fazer uma pipa de papel de seda colorido para Pedrinho. O menino pulava sem parar ao redor da mãe de tanta animação. Ana tinha encontrado as folhas brancas de papel de seda velhas e amareladas em uma das gavetas do guarda-roupas e Margarida não se importou que elas as usasse para entreter o filho.

Ana tinha recortado o papel no formato de um barco à vela e colado as beiradas cuidosamente em palitos de churrasco. Assim que a pipa ficou pronta, ela a amarrou em um barbante fino bem longo e a ergueu no ar. Pedrinho bateu palmas.

- Oba, oba, mami!

- Você quer vê-la voar, hijo?- Ana indagou com a voz doce.

- S í, sí!- respondeu o menino.

Ana-Lucia segurou no barbante a atirou a pipa no ar que impulsionada pelo vento voou majestosa, indo cada vez mais alto. Pedro deu um gritinho de alegria. Margarida observava os dois com um sorriso. Quando Ana finalmente trouxe a pipa de volta e colocou Pedrinho para nadar na beirada do riacho, a avó lhe disse:

- Niña, não te esqueças que tens que vender o queijo de cabra para o Señor Eko daqui a pouco.

- Sí, abuela.

- E fique com metade do dinheiro da venda para ti.

- Sério?- retrucou Ana. – Oh, gracias, abuela, a señora é tão boa pra mim.

Ana deu-lhe um beijo estalado no rosto e Margarida sorriu, mas disse:

- Já está bom, menina. Vá logo vender o queijo!

- Filho, daqui a pouco mamãe volta!- Ana gritou jogando um beijo para o menino antes de sair correndo pelo prado para ir buscar o queijo de cabra em casa e ir encontrar o comprador. Pedrinho murmurou apenas um "tchau" porque estava mais interessado em brincar de bater os pézinhos na água do riacho sentado ao lado da bisavó.

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O Señor Eko veio ao encontro de Ana quando a avistou descendo as pedras em direção à praia. Ele era o faroleiro de Paraíso e vivia há muito tempo no farol sozinho, isolado de todos. Só atravessava do farol para a praia para comprar mantimentos na vila. Ele era um profundo apreciador do queijo de cabra feito por Doña Margarida e uma vez por semana atravessava em seu pequeno barco para aquele lado da praia para comprá-lo.

- Hola, señor Eko!- Ana saudou-o quando ele se aproximou.

- Hola, Ana-Lucia.- ele respondeu. – Como está doña Margarida?

- Ela está muito bem.- respondeu Ana. - Aqui está o queijo.

- Muito obrigado, hija. Aqui está o pagamento.

Ele estendeu a ela algumas notas de dinheiro amassadas e um punhado de moedas. Ana as recebeu e as colocou dentro de um saquinho de veludo que trazia preso à cintura. O Sr. Eko fez menção de ir embora, mas Ana-Lucia disse:

- Señor Eko, o senhor poderia me vender um ou dois cigarros?

Eko franziu o cenho.

- Não sabia que fumava, niña.- disse ele.

- Não é para mim, é para abuela.- respondeu Ana.

Todo mundo no povoado de Paraíso sabia que Eko tinha a melhor plantação de tabaco da região e que ele também vendia o melhor cigarro, Margarida Sanchez era profunda admiradora da produção dele e compradora exímia, mas ele não se lembrava dela nenhum dia mandando sua neta para comprar os cigarros dele. Mesmo desconfiado, Eko vendeu para Ana-Lucia dois cigarros cuidadosamente enrolados em um pedaço de papel por cinco centavos cada.

- Muito obrigada.- disse Ana colocando os dois cigarros dentro de sua bolsinha e se despedindo de Eko.

Ela se sentia radiante pois tinha começado a juntar um dinheiro para sua nova vida na Califórnia. Decidiu que faria biscoitos e bordaria algumas colchas de cama para vender e conseguir mais dinheiro.

Depois da venda do queijo, ela sabia que deveria voltar para a casa da avó, mas ao invés disso Ana-Lucia desceu pela praia rumo ao seu refúgio preferido onde seu milagre a esperava. Os cigarros que comprara não eram para a avó e sim para ele, para Sawyer.

Ao adentrar a caverna Ana mal pôde conter sua empolgação. Encontrou-o sentado em frente ao lago azul usando apenas as calças largas, enroladas em parte das pernas porque ele tinha os pés imersos na água.

- Sawyer...- ela chamou.

Sawyer se virou na direção dela e sorriu ao ver sua linda salvadora de volta. Destava vez ela usava uma saia amarela e uma blusa branca tomara que caia que era muito curta e revelava-lhe o contorno dos seios e a barriga levemente saliente.

Ele sorriu extasiado diante da beleza simples mas estonteante dela, sem nenhum dos artifícios que as mulheres que ele conhecera um dia usavam como o batom vermelho, saltos altos e cabelos armados com o uso de muito spray.

- Menina bonita...- ele chamou, levantando-se de imediato do lago. Ana se jogou no colo dele assim que ele ficou de pé, beijando-o calorosamente na boca. – Eu pensei que não vinha hoje.

- Eu não pude vir mais cedo. Estava com o meu filho.- ela respondeu.

Sawyer a enlaçou pela cintura e correspondeu aos beijos dela com o mesmo ardor.

- Senti saudades...- ele disse.

Ana sorriu.

- Eu também. Não consegui parar de pensar no que a gente fez ontem. Foi muito bom.

- Foi bom demais.- ele concordou.

- Eu tenho uma surpresa pra você!- ela disse tirando os dois cigarros da bolsinha.

- Oh meu Deus!- ele exclamou. - Você é uma garota muito especial. Onde conseguiu isso?

- Com o faroleiro.- Ana respondeu. – Eu disse que eram para a minha avó, mas comprei pra você.

- Moça, não gasta teu dinheiro comigo não. Eu já te devo a minha vida.

- Não precisa me pagar com dinheiro não.- Ana disse com malícia levando uma das mãos dele ao seu seio por cima da blusa.

- Você é muito preciosa, menina.

Eles se beijaram novamente, ainda com mais paixão do que antes. Se deitaram na beira do lago no topo dos cobertores dele. Sawyer levantou a blusa dela e tomou-lhe um seio. Ana ergueu os braços para cima dando total acesso ao seu corpo para ele. Ele desceu os beijos pela barriga dela onde mordiscou levemente no umbigo. Desceu os braços por suas coxas e ergueu-lhe a saia longa. Beijou-lhe o sexo devagar por cima do tecido da calcinha e sentiu o corpo dela estrememer em resposta à carícia dele. Deslizou a calcinha dela em seguida para baixo e retirou-a.

Ana abriu as pernas para ele sentindo-se muito à vontade com Sawyer. Ele tomou-lhe novamente com a boca dessa vez sem nenhuma barreira. Ela gemeu alto e moveu os quadris debaixo dos lábios dele. Sawyer provou-lhe a carne macia com vagar, sem nenhuma pressa. Não demorou muito e o gozo dela sacudiu-lhe o corpo inteiro, mas ele não parou de saboreá-la porque queria sentir os tremores de prazer dela em sua boca.

- Ahhhhh...- ela gemeu de olhos fechados, um sorriso brincando em seu rosto.

Sawyer levantou-se e despiu-se. Ana abriu os olhos e o encarou, mais uma vez apreciando o membro ereto dele. Seu corpo derretia-se por dentro querendo mais.

- Quer tomar um banho no lago?- ele convidou.

Ela assentiu silenciosamente enquanto terminava de se despir. Sawyer segurou a mão dela delicadamente e eles entraram no lago juntos. Nadaram de uma ponta a outra, beijaram-se, tocaram-se, até que ele a pressionou em um canto contra algumas pedras muito lisas, colocou-se entre as pernas dela e possuiu-a.

Ana deu um longo gemido ao sentir-se ser penetrada por ele e o abraçou com força aproximando ainda mais seus corpos. Sawyer moveu-se contra ela intensamente e ela o acompanhou com a mesma paixão.

Quando sentiu o gozo inundá-la novamente, Ana-Lucia agarrou-se a ele em sussurrou em seu ouvido intensificando o prazer que ele sentia naquele momento enquanto sua semente jorrava dentro dela.

- Promete que vai me levar daqui, Sawyer. Me promete!

- Eu prometo.- respondeu ele. – O que você quiser...menina bonita.

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Margarida estava no único mercado de mantimentos de Paraíso com Pedro e tinha acabado de comprar-lhe um pirulito. O menino apreciava seu doce contente. Ela já tinha finalizado suas compras e estava pronta para deixar o mercado quando o señor Ekoentrou na venda.

- Boa tarde, doña Margarida.- ele a cumprimentou.

- Boa tarde, Sr. Eko. O senhor recebeu o queijo?

- Sim, señora.- ele respondeu. – Mandei-lhe os cigarros.

- Cigarros?- retrucou Margarida.

- Sí.- disse ele. – Sua neta me disse que a señora queria cigarros.

- Sí claro.- Margarida concordou subitamente entendendo tudo. Naquele momento decidiu que naquela mesma noite pagaria uma visita ao "amigo" de sua neta e descobriria o que realmente estava acontecendo com Ana-Lucia.

Continua...