Capítulo 8

Miradas de Amor

Sawyer sentiu Ana-Lucia tremer debaixo de seu corpo e parou de beijá-la imediatamente, indagando baixinho a ela:

- Seu marido?

Ela assentiu silenciosa e Sawyer a ajudou a escapar depressa pela outra porta da cabine. Ela chegou ao convés, subiu na borda do barco e mergulhou nas águas do oceano pacífico sem fazer quase nenhum barulho. Sawyer ficou impressionado com a maestria e graciosidade dela ao mergulhar.

- Sereia... – ele murmurou, sorrindo.

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Daniel entrou na cabine do capitão e encontrou Sawyer separando algumas redes. Franziu o cenho tentando se lembrar se já tinha visto aquele homem, mas logo chegou à conclusão de que jamais o vira por aquelas bandas.

- Quem é você, gringo?- perguntou sem delongas.

Sawyer não se abalou com a falta de amicabilidade dele.

- Sawyer.- respondeu simplesmente, sem dar muita atenção ao outro homem.

- O que está fazendo aqui?

- Trabalhando.- Sawyer respondeu.

- Pro Nonato?- Daniel retrucou.

- Creio que sim.- disse Sawyer. – O homem me disse que esse barco era dele.

- Como foi que chegou aqui?- Daniel continuou perguntando.

- Com a maré alta.- Sawyer respondeu honestamente.

Nonato apareceu nesse momento.

- Daniel.- ele saudou.

Ele apenas moveu a cabeça cumprimentando-o de volta.

- Tá precisando de alguma coisa?- Nonato indagou a ele.

- Não, só passei pra te contar que a Ana-Lucia voltou pra casa.- respondeu Daniel.

- Então vocês já fizeram as pazes?- perguntou Nonato.

- Praticamente.- disse Daniel, sorrindo. – Ela voltou pra casa dos pais, mas eu estou só dando um tempo pra ela, sabe como é geniosa...

Sawyer fingiu que não estava prestando atenção, mas seus ouvidos estavam ligados na conversa dos dois homem.

- Mas você precisa ter mais paciência com ela, homem.- sugeriu Nonato. - Sabe que as mulheres são frágeis.

Os dois caminharam para fora da cabine deixando Sawyer sozinho. Ele reconheceu de imediato o canalha que havia em Daniel e imaginou o que Ana-Lucia já deveria ter passado nas mãos dele. Ela era muito jovem, praticamente uma menina. Mesmo assim ele estava encantado com ela. Não concordava nenhum pouco com o que Nonato dissera sobre a fragilidade das mulheres porque achava que elas eram muito fortes para tolerar homens como o marido de Ana-Lucia.

Ele saiu de dentro da cabine e riu baixinho quando avistou Ana na praia, toda molhada mas contente. Ela acenou discretamente para ele que acenou de volta e continuou a trabalhar.

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- Por que está molhada?- Evelin perguntou a Ana de repente quando a viu de volta na praia.

- Fui tomar um mergulho.- ela respondeu.

- Nessa água fria?- questionou Evelin, espantada.

- E o que é que tem? Eu estava com calor- Ana retrucou voltando para o seu trabalho de procurar mariscos na areia encharcada pelo mar.

- Não te culpo.- disse Evelin voltando a olhar para o barco de Nonato onde Sawyer agora estendia as redes de pesca. – Eu também estou sentindo calor só de olhar para aquele homem.

- Por que não vai lá falar com ele?- desafiou Ana-Lucia. – De repente ele pode te querer.

- Você acha?- Evelin retrucou.

Ana-Lucia conteu o riso.

- Será que ele vai participar das festividades de Ano Novo?

- Não tenho ideia.- disse Ana. – Anda, para de olhar pra ele e vamos trabalhar! Cadê a das Dores?

- Não sei.- respondeu Evelin.

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Sawyer já estava começando a lançar as redes ao mar do lado do convés que dava para o oceano quando sentiu passos atrás dele. Sorriu consigo mesmo pensando que Ana-Lucia tivesse voltado para falar com ele, embora o marido dela ainda estivesse do lado oposto dele conversando com Nonato. No entanto, ficou surpreso ao virar-se e se deparar com uma outra moça, também morena de longos cabelos escuros que aparentava sr um pouco mais velha que Ana-Lucia.

- Buenos dias!- ela o saudou. – Hablas español?

- Sí.- Sawyer respondeu, embora não soubesse por que era fluente.

- Da onde você é?

- Dos Estados Unidos.- ele disse porque era uma das poucas coisas das quais se lembrava sobre si mesmo.

- Bienvenido a Paraiso!- a garota disse toda sedutora pra cima dele. – O meu nome é Marias das Dores e o seu?

- Sawyer- disse simplesmente. – Mucho gusto!

- Quando chegou aqui?- das Dores indagou, curiosa.

- Ontem à noite.- Sawyer respondeu, voltando sua atenção novamente para as redes de pesca.

- Não ouvi dizer nada sobre um barco chegando ontem à noite na ilha.

- É que eu vim em um barco bem pequeno. Um barqueiro me atravessou aqui de outra ilha.

- A ilha do sol?- retrucou das Dores.

- Isso mesmo!- concordou Sawyer. Qualquer nome que ela dissesse ele diria sim de qualquer maneira.

- E vai ficar quanto tempo?

- Ainda não sei, senhorita.

- Vai participar das festividades de Ano Novo?

- Se eu for convidado, com muito prazer.

Ela deu uma risadinha.

- Eu te convido então.

- Gracias!- ele disse. – Escuta, sabe aonde vivem os Cortez?

- Por que quer saber?

- Porque eu estava agora a pouco conversando com o Daniel Cortez e ele me convidou para tomar um café mais tarde com ele na casa dos sogros, mas eu esqueci de perguntar aonde fica. Eu sei que a ilha não é muito grande, mas...

- O Cortez vive mais pra cima das dunas, mas os sogros dele moram aqui perto da praia. É só seguir as àrvores e dobrar pra esquerda. A casa deles é verde e tem duas janelas grandes na entrada.

Nonato retornou apareceu na porta e quando viu das Dores franziu o cenho:

- Niña, que está fazendo aqui? Por que não está trabalhando com a Ana-Lucia e a Evelin?

- Hola, papa.- ela respondeu embaraçada. – Eu só vim...

- Volte ao trabalho agora mesmo!- ele ralhou e das Dores foi embora depressa.

Quando ela se foi, Nonato olhou para Sawyer com muita seriedade e disse:

- Só para que você saiba, a minha filha não é pro teu bico não, gringo! Um dia ela vai casar com um doutor.

- Como deve ser, senhor.- concordou Sawyer.

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Depois de conversar com Nonato, Daniel voltou para a praia e encontrou Ana-Lucia trabalhando com Evelin. Ana percebeu que ele se aproximava, mas não parou de fazer o que estava fazendo.

- Bom dia, senhoritas.- ele saudou.

- Bom dia.- apenas Evelin respondeu.

- Mi amor.- Daniel falou com sua esposa.

- Hola.- Ana respondeu sem emoção.

- Por que está molhada?- ele perguntou vendo que a blusa que ela vestia estava colada ao seu corpo e os cabelos dela estavam molhados.

- Porque eu estava trabalhando.- ela respondeu ainda sem olhar para ele.

- Pois trate de trocar de roupa, com a blusa molhada assim você está indecente.

Daniel se abaixou e ficou de frente para ela. Ergueu-lhe o queixo com uma das mãos e olhou diretamente em seus olhos escuros.

- Eres tan hermosa!- disse com olhar malicioso.

Ana-Lucia tentou mover seu queixo, mas Daniel segurou-o com mais força e sussurrou para ela:

- Estou ansiosa pelo jantar hoje à noite.

Ela sentiu um nó na boca do estômago e deu graças a Deus quando ele se foi. Das Dores retornou nesse momento, toda animada.

- Pra que tudo isso?- Evelin perguntou.

Das Dores deu um gritinho e disse:

- Eu falei com ele! Com o gringo!

- Falou?- retrucou Evelin.

- O nome dele é Sawyer e ele veio dos Estados Unidos!

- E onde ficam os Estados Unidos?

- E eu sei lá, Evelin! Mas ele é um estrangeiro de uma terra distante que veio pra se casar comigo e me levar daqui!

- Ele te disse isso?- questionou Ana-Lucia querendo rir.

- Ele nem precisou, Ana-Lucia.- falou das Dores toda cheia de pose. – Eu convidei ele para as festividades de Ano Novo e ele disse que sim.

- Uau!- exclamou Evelin.

Ana-Lucia terminou de encher mais uma cesta com mariscos e se levantou, limpando as mãos sujas de sal na própria saia.

- Que bom pra você.- comentou se afastando com sua cesta cheia.

Nesse exato momento, Sawyer estava no convés e Ana-Lucia olhou para o barco; os olhares deles se encontraram como se soubessem que aquela era a hora certa de olhar. Ficaram presos um no outro por alguns segundos, o suficiente para que pudessem falar de amor silenciosamente.

Sawyer pensou que agora que sabia aonde era a casa dos pais dela, só precisava descobrir qual das janelas era a dela e ele faria isso ainda naquela noite.

Continua...