'Inspire profundamente, e expire lentamente.'

Eu tinha baixado um exercício de respiração para acalmar o nervosismo. E não estava funcionando. Segundo a propaganda do aplicativo para smartphone, a pessoa deveria inspirar profundamente e expirar lentamente três vezes e seu nervosismo começaria a diminuir. Eu já havia inspirado e expirado trinta e sete vezes e ainda parecia que estava prestes a explodir. Minhas mãos suavam e um velho tic me fazia balançar o pé sem ao menos perceber quando começava a fazer isso. Olhar para as obras de arte espalhadas pelas paredes que deviam custar o meu apartamento cada uma, também não ajudava. Inspira de novo. A quem eu estou enganando, o tapete da recepção deve custar meu apartamento! Expira devagar.

A dois anos estou nessa empresa. Não qualquer empresa, a melhor empresa da cidade. Que pertence a uma família muito importante e rica. Os Queen's. Dois anos de vida tranquila e rotineira, sempre feliz na minha função. Fui a funcionária perfeita. Sou a funcionária perfeita. Me comporto adequadamente em um ambiente extremamente masculino, nunca tive problemas ou qualquer outro desentendimento com meus companheiros de havia feito nada que precisasse de repreensão. Ou um simples olhar torto. E nunca tinha subido os dezoito andares que separam o departamento de T.I da presidência. Nem mesmo quando entrei na empresa e fiz o tour para conhecer o prédio. Eles me disseram que o andar da presidência era privado e inacessível para todos os funcionários, a menos é claro que você fosse chamado, e não seja por uma boa razão. Estou tão ferrada.

Inspire profundamente e expire lentamente. Trinta e nove, e contando.

Então aqui estou eu. Sentada na sala da presidência. Sozinha. Esperando por alguma coisa que não fazia a mínima idéia do que era,mas pela cara que a secretária estava me olhando, só podia ser demissão. Não que eu tenha algum motivo pra supor isso, mas pessoas poderosas não precisam de motivos.

Não devia ter comprado aquele sofá tão caro,solto um suspiro de arrependimento.

– Srta Smoak?

Me viro na direção que me chamam,a porta meio escondida no canto do escritório.

UOU. Meu chefe. Não o senhor Stewart, mas o chefe do meu chefe. Oliver Queen. E... UOU. Ele é mais bonito de perto. Estamos a quase cinco metros de distância, o mais próximo que já cheguei dele e ainda assim ele eram mais bonito do que eu esperava. E elegante. Quanto será que custa esse terno feito sob medida? Porque ele não usa ternos sem serem feitos sob medida. Ricos não fazem isso. Ou os sapatos? Que por um acaso estavam brilhando mais que uma bola de beliche.

Acho que deveria dizer algo.

– Senhor Queen._Minha voz quase não sai. Espero que ele não perceba o meu nervosismo e fascínio por ele.

– Por favor, Senhor Queen era meu pai._Eu o vejo mudar seu peso da perna direita para a esquerda. Ele está desconfortável.

– Eu sei. Mas ele está morto._Automaticamente me estapeio mentalmente. Não acredito que isso saiu da minha boca. Ele me observa quieto. Tento corrigir com algo mais educado ou mais delicado, mas os acontecimentos de todo o acidente vem a minha mente e eu solto a primeira coisa que pensei.- Digo, se afogou._Qual é o meu problema? Fecho os olhos tentando me concentrar em algo descente para dizer. - Mas o senhor, digo, você já sabe disso já que estava com ele no barco. E tenho certeza que não me chamou aqui para me ouvir dizer besteiras. Mas isso vai acabar._Desvio o olhar dele para tentar pensar claramente. Olho para os quadros novamente. - Em três, dois, um._sussurro.

Respiro profundamente de novo, e olho novamente para ele. Ele tinha que ser tão perturbador e bonito?

– Me desculpe._Eu digo quando percebo que ele está me encarando com uma cara estranha emudecido.

– Não há problema._Ele me dá um sorriso educado. - Por favor, queira se sentar._Oliver passa por mim apressado e se senta em sua cadeira.

Nota mental: além de lindo, Oliver Queen cheira bem.

– Srta Smoak, o motivo por tê-lá chamado aqui é bem simples._Ele me diz quando sento na cadeira em frente à ele. - Preciso de um favor. Pessoal._Ele continua quando não digo nada. - Eu estava em um café ontem e sem querer derrubei um pouco de leite no meu notebook._Ele diz enquanto tira a máquina de algum lugar debaixo da sua mesa e me oferece.

Eu pego o notebook como se fosse a coisa mais preciosa do mundo,mas a verdade era que eu estava muito feliz. Não iria ser demitida no final das contas. Um pouco de leite no notebook era fichinha, muito fácil de se recuperar o HD.

Se ele estivesse me dizendo a verdade, claro.

– Você disse que derrubou um pouco de leite?_Pergunto encarando os buracos do que eu esperava estar errada, mas pareciam buracos de bala, e eu não estava pensando em doces. Olho para ele, e ele está me olhando com sua expressão do modo difícil então. - Esses buracos são de balas?

Ele hesita um instante, mas é o suficiente para mim perceber que estou certa.

– O café fica em um bairro agitado._Ele olha para atrás de mim, sigo seu olhar e só agora percebo a presença de mais alguém na sala.

Um homem grande. Negro e sério. O segurança dele. Já o tinha visto por aí seguindo Oliver.

– Eu ficaria muito agradecido se pudesse recuperar o máximo possível desse computador._Ele me deu aquele sorriso educado de novo. Mas depois ficou sério. - E fosse discreta.

– Discreta sobre o trabalho ou sobre os buracos de bala?_Perguntei pedindo pra que ele fosse mais especifico, e o olhar dele me disse tudo. - Os dois. Entendi.

– Desculpe se estou sendo inoportuno, mas eu preciso de um trabalho profissional, e me disseram que a senhorita é a melhor._Ele disse.

– Oh, e eles tem razão. Eu sou a melhor. Quando o senhor precisa do seu notebook de volta?_Perguntei enquanto me levantava para sair.

– O mais rápido possível. E já falamos sobre formalidades, não?_Ele também tinha se levantado.

– Acredite, não vou esquecer tão cedo,mas o senhor é meu chefe e estamos na empresa, não me sinto confortável._Essa era a deixa perfeita para sair de cabeça erguida e sem mais constrangimentos.

– Claro, como queira._E de novo outro sorriso educado.

Ele deveria sorrir mais, ele era sempre tão sério. Não que esteja mal assim acho que ele não tem como ficar mal. Sério Oliver Queen é sexy. Sorrindo Oliver Queen é irresistível.

– Como disse?_Oliver me perguntou com uma expressão esquisita, parecia resistir a um sorriso de verdade.

Aí meu Deus. Eu disse alto? Ele ouviu?

Senti minhas bochechas esquentarem violentamente, o calor se espalhando pelo meu rosto e descendo pelo pescoço.

– Nada!_Gritei desesperada. - Eu vou fazer o possível para entregar seu computador ainda hoje. Com licença._Me concentrei em manter minha voz normal olhando para qualquer lugar que não fosse Oliver Queen.

Pensei ter vislumbrado um sorriso educado no rosto do segurança, mas a verdade era que eu estava perturbada demais para prestar atenção em alguma coisa.