Observar a movimentação da cidade sempre me acalmava e ajudava a clarear minha mente. Já está quase de noite e a cidade sempre me encantava com todas as luzes ligadas. Uma linda paisagem.
O dispositivo era a chave para mim descobrir quais eram os planos do Miller. Apesar da nossa conversa amigável até a delegacia, ele não tinha revelado o porque de roubar um dispositivo capaz de mandar sinais em uma frequência de longa distância. Poderia ser qualquer coisa, e seja lá o que aquele dispositivo ative ou desative, ele não estava disposto a contar. Minha única esperança, era o notebook que eu havia pego antes da perseguição pela cidade, e que tinha levado vários tiros. Era um milagre aquela coisa ainda ligar sem explodir. Um milagre ainda maior, seria conseguir recuperar o conteúdo do HD.
Mas para isso eu estava contando com a ajuda da melhor técnica de T.I que consegui encontrar. E bem na minha empresa, uma coincidência muito bem vinda. Muito útil. Acessível. E discreto. E agradável.
Por que não?
Confesso que não esperava alguém como Felicity Smoak.
Com certeza uma surpresa agradável. O que me levava a pensar como uma mulher como ela estava fazendo em uma sala minúscula e desconfortável escondida do resto do mundo. Seus óculos e cabelo preso não escondiam em nada a beleza dela, não para ele que era um excelente observador. As roupas largas também não escondiam seu belo corpo. Sinto uma sensação que a muito não sentia, excitação. Como me sentia antes de cada festa antes do naufrágio. Felicity Smoak, tinha me animado somente com sua presença. E seus lábios. Ela havia ficado nervosa por pensar que eu tinha escutado o que quer que seja que ela havia balbuciando, mas a verdade é que não tinha escutado nenhuma palavra. Estava hipnotizado por seus lábios. Muito convidativos.
Sinto meu rosto de movimentar por conta própria, e observo um sorriso genuíno no reflexo do vidro em minha frente.
– Oliver._A voz de John me tira dos meus devaneios. Me viro para a porta a já visto ele, e Felicity que ainda está do lado de fora da sala mas graças ao design que meu pai queria, a presidência não possuía paredes, no lugar delas haviam vidros totalmente transparentes.
– Srta Smoak._A incentivo à entrar com um aceno, e dessa vez John não entra depois de fechar a porta.
Ela caminha lentamente até ficar bem próxima à mim e me olha incerta do que dizer.
– Algum problema?_Minha pergunta a pega de surpresa, eu vejo pelo modo que ela pisca sem parar.
– O conteúdo do notebook foi recuperado com sucesso, eu passei para esse HD externo. É só instalar no seu computador e o senhor terá acesso aos arquivos._Ela havia treinado esse discurso, eu podia ver em olhos. Ela tinha mais coisas para dizer mas não parecia ter coragem.
– Fico eternamente grato pelo seu serviço, e será devidamente recompensada por ele._Felicity sorri, um dos meus ensaiados sorrisos diários. Alcanço o HD em suas mãos, mas ela não o solta. - Mas sinto que quer me dizer algo mais._Instigo
– Primeiramente peço desculpas antecipadas pelo que vou insinuar, sei perfeitamente que meu emprego estará em risco depois disso, e não estou em uma boa situação financeira para perder meu emprego, mas acredite está muito difícil ignorar._Ela havia soltado tudo de uma vez e agora parecia lutar para respirar normalmente. - É sobre o seu notebook. E o que encontrei nele._ Ela era uma técnica em tecnologia avançada, claro que se houvesse qualquer coisa que fosse no mínimo suspeita em base de armamentos, ela saberia o que significava. E agora ela estava me olhando com medo de algo. E eu não gostei.
– Algo que encontrou no meu notebook? Algum vírus ou programas indesejados?_Brinquei querendo tirar um pouco da tensão do ambiente, mas Felicity continuava a me olhar receosa.
– O conteúdo do seu notebook é muito sério senhor Queen. Eu não sei se devo comunicar a polícia ou não._Tentei dizer que não podia envolver a polícia nisso, mas ela não me deixou falar. - Mas o senhor confiou em mim para isso sem nenhum motivo aparente, então vou lhe dar um voto de confiança. Mas preciso perguntar uma coisa._Eu não conseguia falar. Ela tinha um ótimo motivo para me entregar a polícia, mas preferiu me dar uma chance de me explicar. Apenas acenei para que ela prosseguisse . Ela se aproximou como se temesse que alguém ouvisse. - Senhor Queen, o senhor está envolvido com o contrabando de armas militares?
Ok, por essa eu não esperava. Armas militares? Era isso o que o dispositivo fazia, ativa a ou desativada uma arma? Uma bomba talvez. A menos que o próprio dispositivo fosse uma bomba...
Muitas opções, muitos caminhos a seguir. Mas Felicity estava parada muito próxima de mim, me encarando com os olhos azuis mais incríveis que eu já havia visto e a boca convidativa bem mais próxima do que era seguro para ela.
– Não precisa se preocupar com seu emprego, não vou prejudicá-lá de forma alguma por um serviço pessoal que você executou para mim, e em resposta a sua pergunta, não. Eu não estou envolvido com nenhum contrabando de armas militares ou qualquer outro tipo de contrabando._Tentei ser o mais sincero possível com ela, mesmo sabendo que não poderia ser totalmente. Eu estava envolvido com todos os tipos de coisas ilegais que tinham nessa cidade, mas de um jeito totalmente inverso ao que ela pensava.
Ela demorou vários segundos me analisando, procurando algum sinal de mentira. E algo me dizia que ela era muito boa observadora.
E eu nunca desejei tanto estar errado.
– Está bem._Ela disse rapidamente, soltando o HD tão de repente que eu penso que ele fosse cair mas eu tinha bons reflexos, cortesia do Arqueiro. - Peço desculpas mais uma vez, por me intrometer em seus assuntos particulares.
– Não há o que desculpar Srta. Smoak. Na verdade eu tenho muito o que lhe agradecer por seu serviço rápido e eficiente. E sua discrição também._E era isso. Agora era a hora perfeita para manda-lá embora, sem mais complicações e nunca mais envolvê-lá com o Arqueiro de novo. Mas os olhos dela não deixavam. Eu podia ver perfeitamente que ela não acreditava em mim, e eu não gostava disso. Maldição, o que essa mulher tinha? Ela se virou para sair depois de se despedir com um aceno com a cabeça, mas eu não podia deixa-lá pensar o pior de mim. - Srta. Smoak?
– Sim? _Ela se virou prontamente, como se estivesse esperando por isso. Os olhos dela se acenderam atentos.
– O notebook não é meu._O que eu estava fazendo? Não podia dizer a verdade a ela, era um segredo muito perigoso. E mesmo se não fosse assim, eu não a conhecia não tinha idéia de quem ela era ou com quem se relacionava, quem eram seus amigos ou o que fazia fora da empresa. Não podia envolvê-lá com o Arqueiro. Suspirei frustrado. - É tudo que posso dizer.
E por incrível que pareça foi o suficiente para ela. Felicity abriu o maior sorriso e mais sincero que eu recebi, de pessoas que não faziam parte da minha família ou amigos, em toda minha vida.
– Como eu disse. Obrigada pela confiança._E dito isso ela se virou e saiu. Graças ao design do escritório, eu pude vê-lá passar por John sorrindo e ele retribuir o sorriso. O que era raro.
