- É um gatilho para algum tipo de arma._Digo descendo as escadas da Cave. Três pares de olhos me observam entre inquisitivos e assustados com minha chegada repentina.
- Então descobriu o que tinha no notebook?_Thea me pergunta enquanto chega até mim me abraçando. Parece que dividir meu segredo com ela nos aproximou mais.
- Sim. Hoje pedi para uma funcionária da empresa tentar recuperar o conteúdo do notebook. E ela conseguiu._E isso me deixava muito orgulhoso dela de um modo estranho, e muito curioso também. Mas isso eram problemas para outra hora. - Armamento militar. Russo para ser mais especifico.
- Como armas militares russas conseguiram entrar no Glades?_Roy pergunta.
- Não entraram. Não ainda._Vou até meu uniforme e começo a vesti-lo. - Mas eu sei onde podemos encontrar as respostas._Digo terminado de colocar o capuz. E isso é o suficiente para todos se mobilizarem para irmos atrás dele.
Não demoramos muito para achar o responsável pelo contrabando seu nome era Jim Scott, e depois de uma conversa muito impaciente comigo ele nos confessou o nome de quem iria fornecer o armamento.
Não que isso tenha diminuído minha raiva.
'Ele não vai falar nada se você o matar Ollie.'_A voz de Thea me traz de volta.
- Ele não sabe de mais nada Arqueiro._Olho para Roy vestido de Arsenal. Ele está preparado para me deter se necessário. Não que ele fosse conseguir, mas não posso machucar o namorado da minha irmã.
- Diga a Martin Johnson que o próximo será ele. E estamos de olho._O homem em minha frente não responde nada mas sei que está me ouvindo e entendeu tudo que eu disse. O solto sem nenhum cuidado e ele cai no chão sem reação.
Olho em volta, mas todos os capangas estão desmaiados pelo galpão velho.
- John?_O chamo pelo comunicador.
'No carro. Tudo limpo por enquanto.'
Caminhamos com cuidado até o carro, que estava estrategicamente mais afastado e posicionado para uma fuga rápida, caso fosse necessário.
- Estamos voltando._Comunico Thea pelo comunicador.
- Conseguiram algo?_John pergunta ligando o carro.
- Jim Scott conseguiu um implante dentário._Roy responde do banco de trás,evitando me olhar.
- Alguém perdeu o controle de novo?_John pergunta para ele como se eu não estivesse aqui.
- Foi o que pareceu._Roy não diz, mas nesse momento sinto que está preocupado com algo.
- Por um acaso esse alguém sou eu. E não perdi o controle, apenas queria respostas._Minha desculpa era esfarrapada até mesmo para mim, mas não poderia deixa-los preocupado comigo ou o que eu fizesse. - E não é como se ele não merecesse uma boa surra.
- Se você diz._John diz incerto.
Eu prefiro não responder. Meu temperamento estava um instável esses dias e isso não era bom. Principalmente para os bandidos de Starling.
Thea não está na Cave quando chegamos, mas havia um bilhetes que dizia " Verdant". Conciliar a gerência da boate e ajuda que ela nos dava na cave não era uma tarefa fácil, e eu só me perguntava até quando minha irmã aguentaria essa vida e o que faríamos quando ela desistisse.
- John eu preciso de uma pesquisa._Digo me sentando na maca de alumínio em frente aos computadores.
- Eu já adiantei isso._Ele me surpreende tirando um envelope amarelo de uma gaveta da mesa dos computadores.
- Quando fez isso?_Perguntei enquanto retirava o uniforme do Arqueiro impressionado pela sua rapidez.
- Enquanto você trabalhava hoje. Logo que ela saiu do seu escritório._Ele respondeu parecendo orgulhoso de si mesmo. Ele se encostou na mesa dos computadores e me jogou o envelope.
- Ela?_Roy que até agora estava quieto prestando atenção nos monitores das câmeras de segurança do Verdant, se interessou pela conversa.
- A funcionária que fez o trabalho com o notebook do Johnson._Respondo automaticamente, minha atenção estava toda no envelope que estava abrindo. Eu tinha uma necessidade muito forte de saber mais sobre ela. Eu sabia o que era isso, e sabia também que não podia fazer isso. Mas um pouco de diversão não faria mal algum, e não é só porque eu não podia comer o bolo que não poderia olhá-lo com vontade.
- A funcionária. E ela é bonita?_Roy pergunta para John num tom que ele julga que não posso escuta-lo.
- Vou ter que te lembrar que você tem uma namorada?_Provoco Roy, e ouço os dois rirem. - E que por um acaso ela é minha irmã?_Perco todo o interesse na conversa com eles,e me concentro nos papéis em minhas mãos.
" Felicity Meghan Smoak - 24 anos. Solteira."
Mora sozinha, no Glades, formada na faculdade de MIT, primeiro lugar. Especialização em segurança tecnológica.
Até aquela parte tudo estava nos conformes, mas a segunda página Mais parecia um perfil de site de relacionamentos do que uma pesquisa seria sobre a vida de uma pessoa que poderia vir a ser num futuro não muito distante uma aliada a distância do Arqueiro.
Tinha uma foto dela. Não essas 3x4,de documentos. Mas uma fotos de hoje, podia reconhecer as roupas de hoje. Ela estava caminhando pelo setor de T.I e parecia muito compenetrada no seu tablet.
Embaixo havia uma ficha de inscrição, a mesma que ela fez para entrar na empresa. Com sua data de aniversário, tipo sanguíneo, altura, peso. O exame médico. Também não tinha filhos.
Na outra página, segurei uma risada nessa parte não iria deixar que eles vissem que estava me divertindo com isso. Estava seu perfil do Facebook. Sua cor favorita, flores prediletas, cantores, filmes, livros. Uma pequena dissertação sobre si mesma.
Um assobio puramente masculino me despertou do meu estudo sobre Felicity Smoak, e vejo Roy e John observando algo no computador. Me aproximo com curiosidade, e vejo a foto de perfil do Facebook de Felicity na tela.
- O que vocês estão fazendo?_Sinto a irritação em minha voz.
- Só conhecendo nossa salvadora. Muito bonita por sinal._Roy diz se afastando para me dar acesso ao computador, e eu fecho a pesquisa.
- Você está querendo que eu banque o irmão da Thea?_Roy levantou as mãos se rendendo e foi se trocar para ajudar minha irmã na boate.
- É apenas curiosidade Oliver._John defendeu o garoto.
- Eu sei que é apenas curiosidade, como também sei o que vocês estão fazendo._Olho para ele com minha melhor carranca.
- O que eu estou fazendo? Além é claro, de tentar fazer você ter uma vida normal._Ele estava falando sério,o modo como cruzou os braços e me encarou dizia isso.
- Vida normal? Eu tenho uma vida normal. Só não tenho uma vida amorosa._E estava quase mudando de idéia quanto a isso por causa de um par de olhos hipnotizantes e uma boca sensual. Mas meu senso de responsabilidade ainda era mais forte que minha líbido. Ainda. - Não tenho tempo para isso._Completei rapidamente, mas para mim do que para ele.
- Engraçado você dizer isso, eu sou casado e tenho uma filha de oito meses._Ele começou seu discurso de como ele não era melhor que eu, que sua rotina era a mesma que a minha ou ainda pior por conta dele ser meu segurança, não que eu precisasse, mas o playboy festeiro precisava. E se ele tinha tempo para ter uma família eu também tinha. - Você precisa pensar um pouco mais em você, Oliver.
Suspirei cansado. Sabia que ele não estava errado. Já faziam meses que o playboy bilionário havia voltado dos "mortos", e não havia me envolvido com ninguém. Eu estava tentando passar uma imagem mais séria do que o garoto problemático que sofreu um acidente marítimo a mais de cinco anos,minha mãe merecia um filho melhor depois de tudo que havia sofrido a anos atrás.
Parte do problema também era o fato de que ninguém havia chamado minha atenção ao ponto de me fazer repensar tudo que já tinha planejado para essa nova fase da minha vida. Bom, ninguém havia chamado minha atenção até hoje.
- Maldito rosto de anjo..._Deixo escapar involuntariamente e baixo o suficiente para John não entender. - Só não é a hora certa._De certo modo admito que ele está certo.
- Oliver não estou te mandando chama-lá para sair._Ele disse menos irritado que antes, e eu fico menos desconfortável. - Apenas deixe as coisas fluírem, seguirem seu curso natural. Sem afasta-lá._Ele completa quando percebe minha intenção de argumentar algo.
Quando John queria me convencer de algo que ele possivelmente está certo sobre isso, não havia o que discutir. Nesses casos ele era mais teimoso que eu mesmo.
- Está bem. Vou deixar as coisas fluírem._Do meu jeito. Mas ele não precisava saber disso.
Minha declaração o deixou satisfeito. Ele se despediu, me lembrando que qualquer emergência era só chamá-lo, e foi para casa.
Quando me vi sozinho na Cave pude realmente relaxar. E pensar nela.
Felicity Smoak era uma mulher encantadora, muito inteligente e boa. Ela sabia que eu estava escondendo algo, mas mesmo assim decidiu confiar em mim.
- Só espero que toda essa confiança não custe caro, nem pra ela e nem pra mim.
