Oliver POV

Estava compenetrado no trabalho examinando contratos, quando vejo John entrar na minha sala parecendo culpado. E por um instante penso que é algo envolvendo a bomba, ele percebe para onde meus pensamentos e estão indo e maneia a cabeça negando ser sobre isso o assunto.

- Vou precisar perguntar?_ Era uma pergunta retórica, pelo modo que ele estava angustiado ele falaria mesmo se não perguntasse, então mantenho minha atenção no contrato.

- Depende._ Ele diz e pela visão periférica o vejo sentar no sofá de costas para Starling, ele estava prestando atenção em mim. E isso me deixava irritado.

- Realmente não estou com humor para joguinhos hoje, John._ Aviso o encarando. Ele estava com aquele sorrisinho no rosto.

- Achei que o passeio no parque tivesse melhorado seu humor._ Ele aponta curioso.

- Laurel esteve aqui._ Digo desviando meu olhar para a cidade do lado de fora.

- Vou precisar perguntar?_ Ele repete minha pergunta, mas sem provocação.

- Desse vez eu acabei de vez. Esclarecí tudo e deixei claro que não vai ter volta._ O que me lembrava de atualizá-lo dos planos para hoje.- Temos uma festa hoje._ Aviso e ele continua me encarando, esperando que eu continuasse.- Aniversário do Tommy, convenientemente será na Verdant._ Eu digo voltando a atenção ao contrato.

- Não foi sua essa idéia, foi?_Ele pergunta parecendo desconfiado de algo. E isso chama minha atenção novamente.

- Não, foi idéia da Thea. Por que?_ Indago.

- Coincidentemente a senhorita Smoak também iria à Verdant essa noite._ Ele informa e eu me interesso na conversa, mas disfarço correndo os olhos pelos papéis demonstrando desinteresse. Ele percebe que prendeu minha atenção então continua.- Mas não vai mais.

- Como sabe dos planos dela?_ Pergunto mascarando meu interesse com irritação.- Mais cedo foi o destino._ Digo ironicamente lembrando a cena do carro.- E agora? Vai continuar negando que está pressionando?

- Oliver._ Ele me chama e eu já conheço esse tom,bufo jogando os papéis de lado e encosto na cadeira lhe dando toda minha atenção.- Nós nos encontramos na empresa. Foi um acidente. Mas admito que nesse caso estou te dando uma chance melhor que a do destino._ Ele diz zombateiro. Maldita hora que falei com ele sobre Felicity.

- Agora não é o momento John._ Eu digo derrotado. Por mais que quisesse conhecê-la melhor, me aproximar dela. Agora não era o momento certo pra isso.

- Agora é uma bomba, amanhã será o Conde, ou um maluco com uma espada._ John divaga irritado.

- Não estou dizendo que não vou fazer nada._ Me defendo.

- Sabe o que me faz ter forças para lutar todas essas batalhas com vocês?_ John me pergunta de repente sério,como eu nunca o tinha visto antes. Já havia visto ele com raiva, frustrado, com medo, desesperado e focado. Mas não nessa posição de amigo, de alguém que realmente se importa comigo. E isso era muito importante pra mim. - Família. Isso é o que me faz levantar todas as manhãs e enfrentar toda essa mentira que vivemos durante o dia,e me da forças para lutar todas as noites._ Ele diz e posso sentir todo esse sentimento que ele tinha por sua família. Não era errado ele querer isso para mim, só era impossível. A vida que o Arqueiro levava não possibilitava esse tipo de vida para mim.- Eu não estou falando apenas da Lyla e Sara, Oliver._ Ele fala me surpreendendo e me deixando sem reação.- Roy, Thea e você também são família para mim.

Encarei John sem conseguir falar absolutamente nada. Essa confissão me pegou completamente de surpresa. Sabia que ele não estava esperando uma resposta em troca, mas as palavras estava preparadas para sair, se eu conseguisse falar.

John Diggle no começo tinha sido o aliado perfeito, o soldado perfeito. Mas com o passar do tempo uma amizade sólida havia sido construída entre nós dois. Já havia perdido as contas de quantas vezes tínhamos salvado a vida um do outro. Quando eu confiei a vida das pessoas mais preciosas da minha vida à ele, e ele as protegeu com sua própria vida, e isso eu jamais poderia esquecer. Quando ele havia dito que tinha uma família minha primeira reação foi tirá-lo do time. Não poderia arriscar a vida de um pai de família na minha empreitada por uma cidade melhor. Mas ele bateu o pé e disse que não iria sair por conta dos meus medos por ele, ele era um soldado treinado e sabia muito bem aonde estava se metendo. E queria fazer isso por sua filha, para vê-la crescer em uma cidade melhor.

- Obrigado._ Foi a única coisa que conseguiu sair da minha boca.

- Não me agradeça, não faço por obrigação._ Ele garante e fica desconfortável por estar com suas emoções descobertas. Ele se levanta e caminha até a porta. Mas pára e olha de volta para mim.- Caso você queira seguir meu conselho, a senhorita Smoak precisa ser liberada mais cedo para trocar de vestido e poder ir ao Verdant hoje a noite._ Ele me informa, mas parece pensar em algo mais.- E chame a moça pra ir com você.

Assim que John sai,penso em tudo que ele vinha me dizendo a muito tempo.

O que todos vinham me dizendo a muito tempo.

Penso em tudo o que queria para minha vida. E em tudo que não podia ter.

Eu queria uma vida tranquila, eu queria uma família, com esposa e filhos. Não tinha certeza se seria com Felicity Smoak que teria essa vida, mas a idéia de ser com ela não me surpreendia em nada .

Ao mesmo tempo, imaginar algo acontecendo com algum deles por conta da minha vida dupla, me matava por dentro.

O medo de feri-la me deixava no limite, e eu definitivamente não podia perder o controle.

Mas o ponto de John também fazia sentido.

Se eu fosse esperar para ter paz na minha vida para tomar alguma atitude em relação a Felicity, nós nunca teríamos nenhum tipo de relacionamento.

Relacionamento. Compromisso. Essas duas palavras implicavam em contar a verdade sobre o Arqueiro à Felicity. E não só o Arqueiro. Se eu quisesse ter um relacionamento com ela teria que contar a verdade, sobre tudo. Mas iria com calma. Não podia prever a reação dela ao saber da verdade, se iria me aceitar ou me desprezar.

- Um passo de cada vez._ Digo por baixo do fôlego, ligo para o departamento de T.I e pergunto por ela, a mulher que me atende diz que ela está em sua sala.- Obrigado._ Agradeço e desligo.

Só esperava não encontrar Dig no caminho, a última coisa que precisava era ver aquele sorrisinho.

Com um pouco de sorte esperava salva a noite de Felicity e a minha também.

O departamento de T.I era quieto, mas muito movimentado. Para qualquer lugar que eu olhasse podia ver pessoas, na verdade homens, andando para lá e para cá com pilhas de papéis nas mãos, tablets e smartphones também eram vistos. Eles pareciam conversar em outra língua. No final do corredor de mesas encontrei uma cabeleira longa e ruiva.

- Jenna, certo?_ Eu me lembrava do nome dela do catálogo dos telefones da empresa. Ela me observa surpresa e apenas balança cabeça confirmando. Sorrio paciente para ela.- Você poderia me dizer onde fica a sala da senhorita Smoak?

Ela parece não ter entendido minha pergunta pelo modo que estava me olhando, a surpresa dera lugar a confusão. Estava preparado para repetir a pergunta quando ela resolveu me responder.

- O senhor está procurando a Felicity?_ A incredulidade em sua voz me deixou ligeiramente confuso. Mas mantenho o foco no meu objetivo. Continuo esperando a minha minha resposta, ela se apressa em me responder quando percebe.- Segunda porta a esquerda no corredor da direita._ Ela finalmente me responde sinalizando o caminho com as mãos.

- Obrigado._Digo já caminhando na direção indicada, sem espera por sua resposta.

Dizer que todos do departamento estava me observando não seria presunção, todos estavam me observando de fato.

Parei em frente a porta branca com identificação que dizia "Felicity Smoak - Tecnóloga e Analista de Segurança de Informação, bati e esperei tentando ouvir algum barulho. Eu podia sentir vários pares de olhos grudados em mim, mas não poderia me importar menos. Espero mais um pouco, mas nada. O que era estranho, tinham me falado que ela estaria em sua sua sala. Estava preparado para bater novamente quando a porta se abriu.

- Oliver?_Ela indaga surpresa. Mas logo sacode a cabeça se recuperando.- Digo, senhor Queen. Estamos na empresa._ Felicity se apressa em justificar, com seu tom de voz mais baixo para que ninguém escutasse além de mim.

- Felicity?_Eu a chamo no mesmo tom. Ela se aproxima para ouvir melhor e eu olho para seus lábios descaradamente, e me assusto com a vontade que sinto de beijá-la. - Posso entrar ou vamos ficar no corredor com toda essa platéia?_ Olho sugestivamente por sobre meu ombros, indicando as pessoas que os espionavam. Ela espiou discretamente, ou pelo menos essa era a intenção dela, sobre meu ombro e arregalou os olhos.

Eu tinha a ligeira impressão que Felicity não conseguia ser discreta quando o assunto era si mesma.

- Porque quer entrar?_ Ela me pergunta confusa. Eu a encaro sem jeito, eu não poderia falar com ela no meio do corredor. Timidez nunca foi um problema para mim, mas não estava afim de testar novos limites agora. De repente ela leva a mão a testa, fechando os olhos fortemente me deixando instantemente preocupado com ela. Eu já estava imaginado o que ela poderia estar sentindo, uma enxaqueca forte talvez. Mas ela disparou a falar interrompendo meu raciocínio.- Desculpe, não quis soar assim. Você, digo, o senhor pode entrar se quiser, a sala é sua. Tecnicamente é minha, mas é sua._ Ela franze as sobrancelhas parecendo mais confusa que antes.- Isso faz sentindo de algum jeito. Mas não era isso que eu estava querendo dizer._ Ela explica rapidamente.- Quero dizer, o que o senhor faz aqui? No departamento de T.I falando comigo?

'Eu gostaria de perguntar por que você sempre se acha tão inferior a mim, te liberar para você poder trocar de roupas, de preferência algo não tão provocativo para mim, e perguntar se você quer ir comigo à Verdant hoje'. Sem chances de dizer isso aqui no meio do corredor.

- Senhorita Smoak._Digo respeitando sua vontade de sermos formais na empresa.- Eu prefiro dizer o que vim fazer aqui dentro da sua sala. Sentado._ Ela finalmente toma consciência da onde estamos e olha alarmada para os lados.

Ela abre mais a porta me dando passagem e fecha a porta assim que eu entro.

A sala de Felicity era parecida com ela. Pequena, mas bem organizada. Era acolhedora com todos os quadros e fotos pelas paredes, e profissional e feminina ao mesmo tempo. Uma mistura interessante.

Ela ficou parada em frente a porta parecendo perdida com minha presença.

- Posso oferecer algo? Um café, água? Não tem bebidas alcoólicas nesse departamento, aparentemente bebida e nerds não combinam, principalmente na área de segurança do departamento, mas posso ir buscar um copo de whisky._ Ela realmente não tinha controle nenhum do que falava, e nem parecia saber o que saía de sua boca. Ou como saía.- Ou dois. Talvez a garrafa fosse uma boa..._Ela estava começando de novo.

- Felicity._ Interrompo antes que ela perca o controle.

- Desculpa._ Ela fecha os olhos por um instante novamente. E quando os o

abre parece mais tranquila.- Sinto muito pelo meu falatório. Mas não esperava sua visita na minha sala.

Seu tom profissional estava de volta. Ela estava controlada, pelo menos por enquanto.

- Fui informado sobre o acidente com sua roupa. Diggle parecia muito culpado._ Esquecer a cara de culpa dele não seria tão fácil. Um ex-soldado altamente treinado não deveria fazer aquela cara nunca, pelo bem de sua reputação.

- Já disse a ele que não tem problema. Como o senhor disse, foi um acidente._ Felicity continuava com as formalidades e de certa forma me incomodava.

- Mas ele disse que isso estragou sua noite._ Ela estava pronta pra revisar, mas levantei a mão pedi do que não me interrompesse.- Não posso deixar que esse crime aconteça.

- Que crime?_ Ela parece assustada.

- Estragar uma noite de sexta feira é crime não sabia?_ Digo tentando parecer sério.

- Porque tenho a impressão que o senhor está tirando sarro da minha situação?_ Ela diz séria, mas vejo seus olhos brilhando em diversão.

E de repente não existe mais Arqueiro, ilha, a bomba, ou qualquer outra motivo que poderia me causar preocupação. Senti como se um peso fosse tirando de cima de mim, me libertando. Eu me sentia livre, pela primeira vez. Por esse momento sou o mesmo Oliver Queen de mais de cinco anos atrás, feliz, sem preocupações que não sejam conseguir levar essa garota para sair.