'Isso aconteceu certo? Por que eu vi aconteceu, e minha imaginação não é tão boa assim pra ter imaginado Oliver Queen entrar na minha sala, com todos aqueles músculos e aquele rosto que fazia a qualquer uma pensar besteiras, eu pensava muita besteira mas isso não vem ao caso, é me chamar pra sair. Minha imaginação não seria tão cruel à esse ponto. Seria desumano.'
Olho para cima pedindo aos céus que não fosse imaginação minha, mesmo sabendo que não era.
- E parar de falar sozinha também seria uma boa._ Completo ainda olhando para o teto.- Falar com o teto também não é nada normal._ Digo criticando a mim mesma.- Eu realmente preciso descobrir qual o meu problema. Preciso de ajuda psicológica. Talvez até psiquiátrica, não._ Descarto imediatamente essa idéia quando imagens nada agradáveis dos possíveis tratamentos me vêm a mente.- Tratamento de choque não é muito convidativo._ Sinto meu corpo estremecer só de pensar nisso.
O que ele faz lembrar de Oliver segurando meu ombro, sua mão parecia tão forte e grande, mas estava suave e macia sobre minha pele e na temperatura certa. E quando ela desceu pelo meu braço tão suave, fazendo com que todo meu corpo se arrepiasse, minha vontade era de pedir que fizesse de novo. Uma carícia tão delicada, mas que fez eu corpo e agir. Sua mão era tão quente e grande sobre a minha, tão acolhedora. Assim que ele a segurou firmemente me contive para não abraçá-lo. Por que era essa minha vontade. Tudo naquele homem me puxava para ele quando estávamos tão próximos como hoje. Eu era como um imã e ele uma fonte magnético, sempre me atraindo. E ele parecia estar tirando proveito disso.
Muita coisa pra pensar e pouco tempo pra isso.
Mais rápido que o normal desligo meu computador, depois de ativar um firewall muito potente para ter uma proteção extra. Uma pequena parte do meu consciente estava se sentindo culpado por sair mais cedo para se divertir.
Assim que sair da minha sala e paro que todos estão me olhando, como se tivesse me transformado na medusa. Eu encaro de volta todos eles tentam saber o que há de errado.
- Srta. Smoak._ Ouço a voz do senhor Stewart atrás de mim e me viro de má vontade.- Pelo que vejo já está de saída._ Ele diz o óbvio, já que estou com minha bolsa enganchada no ombro. Mas pude notar um certo tom de maldade em sua voz.
- Sim. Aconteceu um imprevisto, bem inacreditável pra ser sincera._ Digo pensando no dia de hoje, e todos os acontecimentos incríveis.- Eu ou precisar sair mais cedo.
- Claro, não vejo problemas._ Ele estava sendo bonzinho demais, aí tem coisa, tenho certeza disso.- A menos é claro, que não tenha terminado seu trabalho para hoje. Porque aquele relatório é importante._ Ele completa sorrindo vitoriosamente. Aquele filho da mãe sabe que não tinha dado tempo de terminar o relatório.
- Eu sei que é importante, eu tentei dizer isso a ele. Me refiro ao imprevisto._ Eu me embolo toda tentando explicar sem tocar no nome do presidente da empresa, sei que não seria bem visto.- Tentei contorná-lo, mas não foi possível. Eu juro que tentei._ Digo firmemente.
- Então seu problema é tão grande e mesmo assim consegue fazer gracinha? Não acho que isso seja uma atitude de uma pessoa que se preocupa com seu emprego._ Senhor Stewart me olha com desprezo. Não era novidade nenhuma que ele não simpatizava comigo, era machista ao ponto de dizer em alto e bom som que o departamento de T.I não era lugar para mulheres. E eu sempre ignorei suas indiretas e implicâncias, por conta da minha falta de filtro entre meu cérebro e minha boca que ele insistia em dizer que eu fazia de propósito, mas daí a dizer que não me preocupava com meu emprego?
- Senhor Stewart, nesse tempo em que trabalho aqui nunca lhe dei motivos para duvidar da minha capacidade ou comprometimento com o trabalho._ Ele tentou se pronunciar, mas não lhe dei tempo.- Hoje, excepcionalmente hoje, aconteceu um imprevisto pessoal e preciso sair mais cedo. Agora, se o senhor não acredita na minha capacidade e competência, tenho certeza que qualquer um pode fazer o relatório mensal tão bem como eu mesma faria._ Não me atrevi a olhar para os lados para ver se estavam nos olhando, seria uma boa vingança pela humilhação de mais cedo, mas o olhar dele para mim me dizia tudo. Eu estava tão ferrada amanhã.
- Como queira Srta. Smoak. Conversamos segunda no meu escritório._ Oh merda. A palavra demissão estava piscando em neon pink sobre a cabeça dele.
Sei que não devia culpar Oliver por isso, mas sim eu estava culpando ele por isso e para o bem dele era bom eu não perder o meu emprego.
Dei uma última olhada para o senhor Stewart e sai com a cabeça erguida. Não era porque eu estava morrendo de medo de perder meu emprego que iria me rebaixar pra ele. E eu ainda estava com raiva dele, então juntando um mais um, por hoje eu não estava nem ai pra ele.
No caminho para casa,tentei me concentrar somente nos meus amigos, na saudade que estava deles e na noite que teríamos, sem pensar em possíveis romances fora de hora.
Romance era uma palavra muito forte, com um significado muito forte. O que estava acontecendo entre Oliver e eu era atração. Muita atração. Como a gravidade. Forte e natural.
- Tão natural quanto a queda quando cair de cara no chão._ Resmungo enquanto espero o semáforo abrir para mim.
Claro que eu sabia que seria um caso relâmpago. Do tipo de uma noite. Talvez duas. O fato é que seria curto. Nós dois tínhamos curiosidades um sobre o outro. Essa frase ficou mal colocada. E essa também. Eu tinha que parar de pensar coisas obscenas com meu chefe enquanto dirigia. Ou caminhava na empresa, realmente era muito vergonhoso corar do nada no meio do corredor do departamento de T.I. Ou esses calores que vem do nada quando ele sorria para mim de um jeito nada cavalheiro, ou coçava a nuca distraído, ou o queixo como hoje mais cedo. Aquele homem era o pecado em pessoa. Dou de ombros indiferente, nunca fui muito religiosa mesmo.
Me surpreendo quando me vejo dirigindo na minha rua, e me pergunto mentalmente quantas leis de trânsito eu havia infringido.
Desço do carro ainda com os pensamentos longe, e só por isso não percebi um carro bem conhecido parado em frente ao meu e três pares de olhos me observando atentamente. E teria passado por eles se a voz inconfundível de Barry Allen não tivesse me chamado de volta à Terra.
- Essa era a saudade que você estava sentindo da gente?_ Barry indaga e pela sua voz sei que está sorrindo.
Me viro surpresa para os meus melhores amigos, e um cara que nunca vi na vida, mas estava sorrindo pra mim, e corro para abraçar os dois.
- Por que não me avisaram que viriam tão cedo? Eu teria ido buscar vocês na estação._ Me afasto deles e olho imediatamente para o carro estranho que tinha esquecido da existência.- Ou saído mais cedo do trabalho._ A imagem de Oliver na minha sala me vem a mente.- Se bem que não seria possível de várias maneiras, uma mais louca que a outra, e você vai surtar quando te contar._ Aponto para Cait, que só me olha animada e assente curiosa. Falo tudo de maneira descontrolada, mas sei que eles me entendem.
- Essa era a saudade que eu estava esperando._ Barry diz rindo e puxa o cara que não conheço colocando-o na minha frente.- Fel esse é Cisco Ramón, Cisco essa é a Felicity._ Barry nos apresenta e sorri para Caitlin.
Olho para os dois parados atrás do tal Cisco esperando uma explicação. Caitlin me olha já pedindo desculpas com aqueles olhos castanhos adoráveis e Barry, era Barry. Ele só estava lá, sorrindo.
- Cisco, nome diferente._ Eu tento fazer parecer um elogio, e estendo a mão para comprimentá-lo.
- O seu também, e muito bonito._ Ele devolve simpático, e ganha a minha simpatia de volta.
- Vamos entrar, temos que nos arrumar, e ainda comermos algo._ Digo olhando significativamente para Caitlin, ela apenas cora olhando sem graça para mim.
A última vez que nós três havíamos saído juntos, Caitlin estava recém separada de Ronnie, seu namorado bonito mas chato da faculdade.
A implicância dele com Barry, chegou ao ponto de fazer Caitlin escolher entre os dois. E a escolha teria sido mais díficil se Ronnie não tivesse sido tão prepotente ao achar que Barry não teria chances contra ele, enquanto Barry estava disposto a se afastar da Caitlin para não obrigá-la a escolher.
Como eu mencionei antes, meu amigo era o melhor.
Caitlin passou um final de semana inteiro em Las Vegas comigo e Barry na casa da minha mãe, e para começarmos com chave de ouro decidimos tomar um porre antes do jantar. E foi um baita porre. Mas na semana seguinte Cait já estava de bem com a vida novamente, como se nada tivesse acontecido. E nunca mais tocamos no nome de Ronnie Reymond.