Oliver POV
Pressa. Impaciência. Ânsia. Aflição.
Quando percebi que Felicity também não tinha a intenção de parar o que estávamos fazendo, obriguei meu corpo a ir mais devagar. Não queria que tudo acabasse rápido demais sem eu ter aproveitado cada segundo. Mas como sempre Felicity não estava ajudando.
Ela diabolicamente havia conseguido abrir dois botões da minha camisa e estava com aquelas mãozinhas espertas nos meus ombros, acariciando sem dó. Mas esse jogo era para dois, e eu não estava mais com pressa. Com certo esforço, desconectei nossas bocas e ela protestou tentando colar nossos lábios novamente, mas eu tinha outros planos para ela.
Eu queria beijar seu pescoço, mas ela não estava disposta a parar de me beijar, então resolvi tomar o comando para mim. Calculadamente levei a mão até sua nuca segurando os fios loiros da forma mais gentil e firme que meu estado de excitação permitia e puxei sua cabeça para trás expondo seu pescoço para mim.
Seu perfume estava ainda mais forte ali, nublando momentaneamente minha visão, me fazendo apenas sentir.
A forma que ataquei o pescoço de Felicity não tinha nada de cavalheiro ou gentil. Aquilo era desejo puro, e cru. E quanto mais ela gemia e fazia sons desconexos, mais forte o desejo vinha e mais eu avançava em seu pescoço.
Levei um segundo para reparar que minha outra mão estava em sua perna, no topo da sua coxa.
Eu estava redescobrindo minhas funções motoras para suspender Felicity até a pia quando um estrondo na porta nos fez pular e nos separarmos assustados.
- Ai!_ Olho para Felicity ainda desnorteado por ter saído da nossa bolha sensual tão abruptamente, ela está linda. Seu rosto corado, pela primeira vez por um motivo que não era vergonha e sua respiração irregular. Mas seu rosto também estava com uma expressão de dor, e demorei pra perceber sua mão massagens sua cabeça. Ela havia batido a cabeça com o susto.
Do outro lado da porta uma mulher notavelmente bêbada gritava que queria entrar no banheiro, ela batia na porta fazendo um barulho muito alto.
- Você está bem?_ Consegui dizer por baixo do fôlego. Nem eu mesmo tinha percebido que estava sem ar.
- Sim, só está doendo._ Ela diz ainda ofegante, a porta balança outra vez seguido de gritos e pancadas cada vez mais fortes.- Você trancou a porta?_ Felicity pergunta olhando para mim confusa, de certo ela não havia percebido a hora que tranquei a porta e guardei a chave no meu bolso.
- Sou um homem prevenido._ Digo indiferente. A vida que tinha não me permitia ser descuidado, e as vezes, como hoje, esse meu lado cauteloso era muito bem vindo. Ela me olhou incrédula.
- Você planejou isso?_ Felicity me pergunta calmamente, mas havia algo perigoso no seu olhar. Eu teria que usufruir da minha cautela mais uma vez.
- Se você está se referindo à porta trancada, sim._ É, eu tinha razão. Sua expressão se fechou completamente, ela estava com raiva. De mim.- Eu planejei apenas a porta, Felicity._ Me explico tentando melhorar minha situação. E pra ajudar o ser do outro lado continuava a bater, me irritando.
- Só a porta?_ Ela devolve calma, mas seu rosto estava ficando vermelho. Ela respira fundo antes de se afastar de volta a pia, olha seu rosto afogueado e murmura algo inteligível para seu reflexo. E se vira para mim, visivelmente impaciente.- O que você achou que iria acontecer com nós dois trancados em um banheiro, Oliver?
Com certeza teria acontecido muitas coisas se não tivessem nos interrompido.
- Sinceramente, eu esperava que acontecesse algo._ Ela me olha de um jeito que não gostei, como se estivesse arrependida. Eu não queria que ela se arrependesse. Não podia deixá-la se afastar de mim agora, ainda não. Encurtei a distância entre nós e a abracei, a pegando de surpresa. Ela queria se afastar, estava evitando me olhar nos olhos, mas eu não estava disposto a deixar.- Felicity, eu queria te beijar. Ainda quero._ Emendo e ela se aquieta em meus braços, ficando imóvel. Meu corpo ainda estava rígido, preparado para retomarmos da onde paramos, mas não podia. Por mais que quisesse fazer amor com Felicity, agora ela precisa de outro tipo de atenção. Obrigo meu cérebro a se concentrar somente nesse momento e na minha preocupação com ela. Aproveito para acariciar seu rosto e forçá-la a olhar para mim. Ela estava relutante, mas acabou cedendo e me deixou desconcertado com o que vi em seus olhos. Ela estava visivelmente magoada.- Ei, porque está assim?_ Perguntei preocupado. Ela negou com a cabeça fechando os olhos me privando de ler suas emoções.- Felicity? _Tentei de novo, mas ela só continuou balançando a cabeça não me dizendo o que estava acontecendo. Ela me surpreendeu deitando a cabeça em meu peito e envolvendo seus braços por minha cintura. A envolvi protetoramente em meus braços, deslizando meus dedos por seu cabelo tentando acalmá-la.
Os barulhos na porta, agora mais fracos estavam aos poucos sendo substituídos por vozes exaltadas tanto de mulheres quanto de homens. Que Deus me ajudassem quando nós saíssemos desse banheiro, porque eu estava no limite da minha paciência.
E pra piorar não conseguia pensar em nada que eu pudesse ter feito para deixar Felicity naquele estado, tudo o que aconteceu foi mútuo, e não tínhamos feito nada que pudesse magoá-la. Eu ia insistir em perguntar o que a afligia, mas ela parecia estar se recompondo. Sinto seus braços me soltarem, mas sua cabeça continua baixa, agora sua testa apoiada em meu peito.
- Felicity?_ A chamo preocupado com sua atitude, ela está mente levantada seu rosto para mim, e uma sensação de alívio passa por mim quando vejo que ela não estava chorando e seu olhar de arrependimento havia sumido.
- Estou bem._ Ela garantiu com sua voz calma, sem qualquer indício de raiva contra mim. Continuei olhando-a atentamente, procurando algum vestígio de mentira.- Estou bem._ Ela reafirmou mais enérgica.- Só vamos devagar, pode ser?_ Ela estava se referindo à sexo. Era por isso aquele olhar de arrependimento? Ela estava arrependida agora pouco de quase termos transado no banheiro.
- Você não queria?_ Minha pergunta era atrevida, eu sabia. Não se deve perguntar isso a uma mulher, mas eu estava realmente confuso.
- Não! Quer dizer sim! Eu queria. Muito. Mesmo._ Ela se apressa em desfazer seu mal entendido, e nem percebe que havia falado demais de novo. E por mais que a situação embaraçosa seja engraçada, prefiro não rir do seu jeito Felicity de ser.- Isso se você ainda quiser sair comigo depois desse, inconveniente?_ Ela testa a palavra, não percebendo que estava dizendo em voz alta.
- Porque desistiria de sair com você? Você acha que só porque não vamos, dormir juntos hoje._ Opto por um modo mais educado ao me referir a sexo com ela, mas dou ênfase à palavra hoje, para deixá-la saber que sim aquilo ainda estava nos meus planos. Ela não parecia ser mente aberta a essa questão, e eu não estava querendo assustá-lá, ou afastá-la.- Eu vou desistir de você?_ Me sinto ofendido. Que tipo de homem ela acha que sou?
- Não, digo, não sei. Eu não sei. Oliver nós acabamos de nos conhecer, eu não sei nada a seu respeito._ Ela está se sentindo culpada por quase havermos transado no banheiro sem ela me conhecer direito.- Eu sei tudo o que dizem sobre você na televisão ou nas revistas, mas também sei que a mídia pode ser bem mentirosa. Eu só quero te conhecer. Não o playboy bilionário, ou o CEO da empresa onde trabalho. Eu quero conhecer Oliver Queen, o homem. Sem títulos._ Ela termina de falar me olhando com determinação, respirando fundo como se tivesse tomado coragem pra dizer tudo isso. Eu podia entender esse pensamento dela.
A mídia me intitulava como o maior pegador de Starling, junto com Tommy obviamente. Apesar do tempo que passei "morto", e das minhas atitudes serem completamente diferentes do Oliver de mais de cinco anos atrás eles ainda me julgavam pelos erros daquele tempo. E não seria estranho uma mulher como Felicity ter um pé atrás em relação a esse Oliver. Na verdade, eu a aconselharia a manter os dois pés em movimento para longe dele. O fato de eu estar mudado não era tão público quanto eu gostaria, e a maioria das pessoas não tinha consciência disso. Agora cabia a mim mostrar a essa mulher a minha frente que eu não era o mesmo playboy festeiro de anos atrás.
- Podemos fazer isso._ Digo decidido a surpreendendo. Ela me olha incrédula,como se não acreditasse que eu estava concordando com isso.- Eu entendo o porque de você não confiar em mim._ Digo placidamente. Eu sentia que a conhecia a muito tempo por que eu estava seguindo seus passos fora da empresa, eu havia feito pesquisas sobre ela. De certo modo eu conhecia Felicity mil vezes mais do que ela me conhecia, e pelo tanto que a conhecia sabia que nesse exato momento ela estava se recriminando pelo que quase havíamos feito. Ela tenta dizer algo mas eu não permito.- Ainda. Você ainda não confia em mim, Felicity. Mas eu vou mudar isso._ Garanto a ela, que só me observava desconfiada.
- E como pretende fazer isso?_ Ela da voz a sua desconfiança me encarando abismada.
- Simples._ Dou de ombros como se fosse uma coisa óbvia.- Com o tempo._ Finalizo olhando-a bem nos seus olhos azuis, que estavam brilhando muito.
- E se você se cansar de esperar? Ou a minha definição de tempo for diferente da sua?_ Ela divaga perdida nos seus pensamentos. Eu a calo com um beijo casto nos seus lábios ainda meio inchados dos nossos beijos. Ela me olha deslumbrada e sorri timidamente.
- Eu vou respeitar o seu tempo._ Digo sério à ela, mas não consigo evitar sorrir diante do seu sorriso tão delicado para mim.- Leve o tempo que for._ Prometo à ela. Que me devolve com aquele sorriso que tinha o poder de tornar qualquer momento perfeito.
Felicity POV
Se eu achava difícil entrar naquele salão ao lado de Oliver, sair do banheiro era a missão impossível.
Ainda mais depois das coisas que ele havia me dito. Eu estava perdida, completamente perdida. Nós quase havíamos passado de todos os limites possíveis dentro de um banheiro no nosso primeiro beijo. E que beijo.
'Por que haveriam outros. Ah, sim. Com certeza'. Sorrio lembrando, e um calor começa a subir pelo meu corpo.
Definitivamente nossos próximos beijos não seriam em banheiros fechados. Ou salas. Cozinhas. Muito menos em quartos.
Mas ele havia sido tão delicado e gentil comigo me respeitando. Oliver disse que esperaria o tempo que fosse, bom se ele continuar assim certamente não terá que esperar muito. E ele não era à pessoa mais paciente do mundo.
Apesar da mulher que estava quase derrubando a porta ser totalmente inconveniente e ter interrompido algo grande, não consegui evitar fixar com pena dela quando nós saímos do banheiro. Ela estava tão alterada quanto bêbada, e estava pronta para discutir com quem quer que fosse que saísse do banheiro, mas assim que deu de cara com Oliver, que estava com uma cara típica de irritação e impaciência, ela não disse nada. Eu desconfiei do seu nível de embriaguez. Ou ela não estava tão bêbada quanto aparentava e só queria caçar confusão, ou, mesmo completamente embriagada ela reconheceu Oliver, e de quebra conheceu a versão zangada de Oliver Queen.
Quando voltamos a mesa, desejei imediatamente voltar para o banheiro, e não pelo ótimo motivo de agora pouco. Laurel estava melhor, visivelmente empurrada com um Tommy recém saído de um porre. Caitlin parecia irritada com algo. Barry estava entre ela e Helena sem olhar para nenhuma das duas, e Helena parecia entediada. O que só aumentou minha curiosidade sóbrio o que aconteceu entra esses três. Ray Palmer estava na mesa também, mas parecia perdido em seus pensamentos, ou pelo menos era isso que parecia até uma moça alta de cabelos curtos passar pela mesa e ele ir atrás dela. Cisco ainda estava com a mesma mulher no bar, mas parecia estar se dando bem, se levarmos em consideração as risadas deles. Thea e Roy, seu namorado, eram os únicos que pareciam estar em completa harmonia ali.
- Estamos no lugar certo?_ Perguntei a Oliver duvidosa de estarmos no mesmo lugar de minutos atrás. Ele riu baixo.
- Acho algumas coisas aconteceram na nossa ausência._ Ele diz enfatizando a palavra ausência, e eu coro lembrando do banheiro.- Acho que você precisa disso._ Ele me oferece solícito uma taça de champagne que eu havia visto da onde ele conseguiu, mas estava rindo da minha cara.
Aceitei a taça olhando feio pra ele, por ele estar se divertindo da minha situação.
- Ei! O casal voltou!_ A voz de Tommy chama nossa atenção, a nossa e de toda a a mesa que não haviam reparado no nosso retorno ainda.- Onde estavam? Procuramos vocês por todos os lados._ Algo me dizia que aquela expressão inocente no rosto de Tommy era completamente falsa, e quando ele e Oliver se olharam brevemente, mas tempo suficiente para um sorriso malicioso aparecer no rosto dele, eu soube que estava certa.
- Estávamos por aí._ Oliver desconversou ignorando os olhares inquisitivos de todos na mesa e procurou alguém com os olhos, provavelmente o garçom. Assim que ele o encontrou, ele me lançou um olhar rápido mas que eu entendi, e foi atrás dele. Com essa esquiva dele, todos viraram os olhos para mim.
Reparei que os olhares eram bem significativos.
Laurel estava metaforicamente falando, me fuzilando com os olhos. Sua expressão de raiva direcionada a mim, me fazia recordar que tinha que perguntar a Oliver o porque de Laurel querer minha morte iminente.
Caitlin apesar de estar desconfortável com algo, me olhava com uma cara cômica de animação. Barry parecia estar fazendo um esforço bem grande para sorrir para mim. Ele estava desconfiado de Oliver, eu não poderia culpá-lo, mas como Oliver mesmo disse, precisávamos de tempo.
As lembranças do banheiro queriam voltar a minha mente, e eu as bloqueio. Não queria corar feito um tomate ou sorrir igual a uma idiota na frente deles faria isso em casa, com Nemo.
'Céus, eu preciso parar de falar com meu peixe'. Lembro a mim mesma despreocupada.
Thea e Roy eram os únicos que não estavam nem aí para nós. Os dois estavam ocupados demais conversando entre si, e tenho que admitir que era uma das coisas mais fofas que já tinha visto. Eles pareciam completamente apaixonados, a conexão entre eles era quase visível aos nossos olhos como uma corda prendendo um ao outro. Mas eles não pareciam nem um pouco incomodados com isso.
Oliver retornou sem nada nas mãos, e eu olhei para ele confusa. Mas ele não me respondeu nada, apenas se sentou ao meu lado apoiando seu braço no encosto da minha cadeira, parecendo concentrado em algo.
Minha mente rapidamente voltou ao motivo do seu atraso mais cedo.
- Tudo bem na sua casa?_ Pergunto preocupada com o que quer que esteja acontecendo na casa dele.
- O que?_ Ele parece confuso sobre o que eu disse, me deixando desconfiada.- Sim. Só estava chegando umas coisas._ Ele completa com um dos seus sorrisos educados, e obviamente eu não acredito.
- Ok._ Eu digo incomodada com sua mentira, mas decido não pressionar. Não é como se eu não soubesse no que ele estava metido, não é? Melhor não perguntar.
- O silêncio que se instalou nessa mesa está assustando._ Caitlin cochichou no meu ouvido.- E quero saber de tudo. Ainda hoje._ Ela disse bem autoritária.
- Então, Felicity, o que você faz? Qual sua profissão?_ A voz de Laurel me surpreendeu. Eu pensei que ela estava me evitando até a morte. Olhei para ela tentando entender sua atitude.
- Sou Tecnóloga._ Por que minha voz estava tão insegura? Clareio a garganta, tentando parecer mais segura do que estava me sentindo no momento. Laurel me olha obviamente insatisfeita com minha resposta.
- Tecnóloga? O que é uma tecnóloga faz?_ Agora foi a vez de Helena perguntar, mas ao contrário de Laurel ela parecia genuinamente interessada.
- Basicamente, eu entendo de tecnologia no geral. Computadores, celulares, sistemas ao todo. Sou especializadas em algumas áreas específicas como segurança de sistemas privados que é o caso da QC._ Aponto Oliver quando me refiro a QC.- Mas também sei tecnologia industrial, e entendo de outras coisinhas._ Tommy, Helena e Oliver, Thea e Roy me olham curiosos à minhas coisinhas extras.- Jogos._ Completo e dou de ombros. Sou uma nerd assumida, e nunca fiz questão de esconder isso.
Todos, menos meus amigos claro, estão me olhando espantados. Até Laurel.
- Sexy._ Tommy diz de repente sorrindo pra mim. Mas olha para o meu lado e ri.- Com todo respeito, claro. Não me olhe assim Ollie é a verdade, ela é um gênio e ainda por cima é linda._ Ok, se não estava constrangida o suficiente até aquele momento, agora já estava. Olho para Caitlin pedindo socorro mais ela só ri da minha cara, assim como Barry. Belos amigos eu tenho, penso brava por eles não intervirem por mim. Não que essa fosse a situação, de uma intervenção. Aliás, Tommy estava me elogiando, eu deveria estar agradecida.
- Então você trabalha para Oliver?_ A maldade na voz de Laurel não passou despercebida por mim, nem o fato dela não chamar Oliver pelo apelido antigo. Ela estava realmente incomodada comigo.
- Sim, Laurel. Ela trabalha para mim, algum problema com isso?_ Oliver estava sendo curto e grosso com ela, e também estava sem paciência. Eles se encararam, e não estavam com suas melhores caras. Mas a de Oliver me assustava mais.
- Problema nenhum. Só não sabia que você havia mudado tão drasticamente seu gosto para mulheres._ Ela continuou encarando Oliver enquanto me ofendia, descaradamente. Eu não sabia o que dizer.
- Laurel!_ Tommy ralhou com ela, mas ela não pareceu se importar.
- Quem você pensa que é?_ Minha própria voz me surpreendeu. Ela me olhou do modo mais frio que alguém já havia me olhado na vida,mas não me importei e a encarei de volta. Ninguém iria me humilhar. Seja por despeito, ciumes ou inveja. Por que claramente ela queria estar no meu lugar ao lado de Oliver.
- Você realmente acha que isso entre vocês vai durar?_ Havia tanto desprezo quanto mágoa em sua voz. Oliver tinha aprontado com ela, aprontado feio. Mas isso não dava o direito dela descontar em mim.
- Chega Laurel! _ A voz de Oliver se sobressaiu entre nós.- Tommy acho que está na hora de levar sua amiga para casa._ Ele sugeriu educadamente demais. Oliver não era uma pessoa muito paciente, podia ver pela forma como ele estava forçando sua mandíbula fechada, que ele estava se esforçando para não explodir.
Ele é Tommy trocaram um olhar cheio de significado entre eles.
- Eu não quero ir para casa, obrigado pela sugestão._ Ela sorriu desafiando Oliver. Aquilo já estava me subindo a cabeça.
- Diga mais alguma coisa desagradável, qualquer que seja para qualquer um, e não será mais apenas uma sugestão._ Oliver avisou sério, e vi com uma satisfação vingativa, o sorriso abusado dela sumir.
- Vamos lá, Dinah. Vamos dançar._ Tommy suspira aliviado por Oliver ter dado uma segunda oportunidade à ela, e se levanta puxando-a pela mão. Ela não queria ir, mas Tommy não lhe deu muitas opções, e ela acabou indo mesmo contra vontade.
Depois que eles saíram o silêncio voltou a mesa.
- Isso foi interessante._ Roy comenta e recebe um beliscão de Thea.- Ai!_ Ele reclama mas aguardo a barriga.
- Foi vergonhoso._ Barry diz sem pensar. Eu o encaro descrente que ele havia dito aquilo.- Para ela._ Ele completamente rapidamente.
- Eu achei legal._ Helena diz e recebe nossos olhares confusos, ela ignora.- O que? Só estou sendo sincera._ Ela se defende.
- É, sua honestidade é admirável._ Cait diz azeda para Helena. Olho surpresa para Caitlin. Ela tinha alfinetado Helena, ou eu estava alucinando?
A resposta de Helena foi um revirar de olhos bem teatral. Barry me olhou pedindo socorro e foi minha vez de rir. Alguma coisa tinha acontecido entre esses três e Caitlin só podia estar enciumada.
- Por que não seguimos a idéia do Tommy, e vamos todos dançar?_ Thea diz tentando melhorar nossas caras. Cait foi a primeira a se levantar.
Olho para Caitlin, que estava com aquela cara de quem iria aprontar algo. Helena foi a segunda. Isso não ia acabar bem.
Barry não fez nem menção de se levantar. Continuou sentado quietinho. Olhei para ele compassiva, Cait daria trabalho mais tarde. Ou talvez agora mesmo, mudo de idéia vendo-a puxá-lo pelo braço em direção a pista de dança improvisada no meio da salão.
Helena pareceu bufar e também foi para pista de dança, puxando um cara qualquer pelo caminho para dançar com ela.
- É impressão minha ou as duas estão disputando aquele cara?_ Roy comentou se referindo ao trio que saiu da mesa.
- É o que parece._ Oliver contestou também prestando atenção neles na pista de dança.
- Eu acho que vou ficar por aqui._ Eu falo olhando para Thea que estava esperando por nós. Não acho que conseguiria dançar com Oliver. Já era ruim o suficiente sem ele atrapalhando meus neurônios, com ele do meu lado era capaz de nos machucar seriamente.
Thea parece querer insistir mas riu diz algo em seu ouvido, me deixando nervosa e curiosa pelo modo que eles olharam para nós dois.
- Então tá. Qualquer coisa, estamos bem ali._ Ela indicou a pista e saiu puxando um Roy sorridente.
- Por que eu estou com a sensação que eles quiseram nos deixar a sós?_ Inclino a cabeça para o lado de Oliver para que ele pudesse ouvir claramente.
- Porque é exatamente o que eles fizeram._ Oliver contesta me olhando divertido e imagens nada apropriadas da parede do banheiro me vem à mente, e sinto aquele calor subindo de novo.
Tenho certeza que meu rosto denunciou meus pensamentos e meu está vermelho, por que ele me deu um sorriso lindo que me deu vontade de voltar aquele banheiro. Preciso de ar.
- A única janela é a do escritório._ Ele contesta ao meu pensamento, e eu mordo minha língua mortificada por falar demais mostrando onde meus pensamentos estavam.
- Por mais que eu esteja precisando, digo, querendo tomar um ar._ Me enrolo mais, e desvio o olhar dele envergonhada.- Não acho uma boa idéia, já vimos o que acontece a nós dois em salas fechadas._ Eu digo sorrindo escondido dele.
- Não tenho argumentos sobre isso._ Eu escuto sua voz e sei que esta sorrindo.
Me virei para ele para falar algo relacionado a isso, mas vejo algo que nunca havia visto antes. E quando digo nunca, é nunca mesmo.
- Ah meu Deus._ É a única expressão que me vem à mente. Eu não devia estar tão surpresa, eu já sabia que eles estavam juntos mas ver Cait e Barry aos beijos era algo muito estranho para mim. Mas pelo modo que as coisas estavam indo ali, era bom eu me acostumar logo.
- Eles estão juntos, não estão?_ Oliver me perguntou confuso pela minha reação.
- Sim. Sim, eles já estão juntos a um tempo. Mas eu só fiquei sabendo hoje e não tinha visto, aquilo antes._ Esclareço me referindo ao beijo deles. E que beijo.
- Mas não são seus melhores amigos?_ Oliver continua confuso.
- Eles estavam com medo da minha reação._ Digo desviando meus olhos deles com alguma dificuldade, aquilo estava quase obsceno. Voltei meu olhar a Oliver, e ele estava sério novamente mas havia algo mais.
- E como você reagiu? Ao fato deles estarem te escondendo algo._ Estranhei sua pergunta. E até pensei em fazer alguma gracinha, mas seu olhar assíduo sobre mim me barrou.
- Eu fiquei chateada por ser excluída de algo importante na vida deles._ Eu disse meio incerta.
- Mas você perdoou eles._ Ele afirmou com sua expressão mais amena.
- Claro. Eles são meus amigos, não vou brigar com eles por causa de uma coisa assim._ Eu não estava entendendo aonde Oliver queria chegar.
- Então chateação não é o suficiente para alguém perder sua amizade._ Não era uma pergunta, ele estava ponderando o que eu havia dito.
- Está querendo chegar a algum lugar? Porque eu não estou entendendo nada._ Digo surpreendendo ele que me olha duvidoso, mas eu não queria saber de verdade, não agora. Tinha um lado dele que envolvia coisas como aquele notebook, que eu nunca saberia o que ele queria com aquelas informações, era um lado que ele não queria que eu descobrisse. Não que eu fosse dar muita escolha a ele, mas por enquanto eu me contentava em conhecê-lo melhor no sentido emotivo, depois me preocuparia com o seu passatempo fora da empresa.
- Combinamos de nos conhecermos melhor, não foi?_ Ele pergunta de repente divertido de novo me deixando perdida na sua mudança de humor.
- Sim, foi._ Decido deixar pra lá minha desconfiança, pelo menos para termos um fim de noite agradável.
- Então vamos lá._ Ele me incentivou se endireitando na cadeira de frente para mim, não satisfeito virou minha cadeira para ele assim ficamos os dois virados um para o outro. Ele queria fazer isso aqui? Agora?- Sim agora._ Ele responde meu pensamento, me constrangendo. Minha boca ainda me causaria problemas. Dos bem grandes.
- Como você pensa fazer isso?_ Finjo estar empolgada, para distraí-lo do meu embaraço.
- Não sei._ Ele admitiu parecendo constrangido e logo riu de si mesmo, me fazendo sorrir junto. Era a primeira vez que via Oliver constrangido.- Vamos desde o começo, eu acho._ Ele sugeriu ainda sorrindo, um sorriso infantil.
'Nota mental : Oliver com vergonha era a coisa mais fofa que eu já tinha visto na vida'. Penso olhando encantada para seu rosto.
- Oi, eu sou Oliver Jonas Queen._ Ele me olhou no fundo dos meus olhos se concentrando em mim. E eu achando que ele não me surpreenderia mais.
- Olá Oliver, sou Felicity Meghan Smoak, muito prazer._ Estendo a mão para ajudar na atuação, mas ele não balança minha mão. Deliberadamente ele entrelaça nossos dedos, me fazendo reparar mais uma vez em como sua mão era enorme perto da minha.
- O prazer é todo meu, Felicity._ Ele completa sorrindo daquele jeito.
Do jeito que as coisas estavam indo, com certeza Oliver não teria que esperar muito até ganhar minha confiança para darmos o segundo passo.
