Oliver Queen era um homem cheio de surpresas.

Nada do que eu pensei saber sobre ele parecia ser verdade. A não ser as fofocas com as mulheres, isso era real até demais.

Nessa nossa conversa franca, descobri que Laurel além de uma amiga de infância dele e Tommy, ela também era ex-namorada dele, mas que agora estava num relacionamento vai-e-vem com Tommy.

Mas as festas que saiam nos jornais onde ele supostamente estava eram na maior parte mentira. Os problemas judiciais, por dirigir embriagado, desrespeitar as autoridades e uso de drogas por exemplo, tudo mentira.

Naquela época ele não era nenhum santo, muito pelo contrário, mas também não era o diabo que todos pintavam.

Estávamos rindo de uma história na época escolar dele, algo envolvendo Tommy e um sutiã roubado do vestiário feminino quando Tommy e Laurel voltaram, visivelmente relaxados e mais calmos. Eu também estava. Não iria permitir que uma discussão com uma desconhecida acabasse com minha noite, que até agora estava perfeita. Levando em conta os altos e baixos. E sinceramente, os altos ganhavam disparados.

- Podemos nos sentar? Ou vamos atrapalhar algo?_ Tommy pergunta com seu jeito brincalhão mas Laurel não está tão bem humorada assim.

Oliver olha para mim medindo minha reação. Eu só dou de ombros sorrindo para Tommy, estava bem humorada demais depois dessa chuva de informações sobre Oliver Queen.

Os dois se sentam, Laurel o mais distante possível de nós dois evitando sequer que seu olhar encontrasse o nosso mas pude ver seu olhar passar rapidamente por nossas mãos juntas.

- Do que estão falando?_ Tommy estava definitivamente tentando se amigável.

- Estava contando algumas coisas pra Felicity._ Oliver diz ainda bem humorado, mas seu animo havia caído bastante com a chegada de Laurel.

- Coisas boas ou coisas ruins?_ Tommy brinca jogando com Oliver.

- Depende do que você considera bom ou ruim._ Oliver respondeu sorrindo cheio de cumplicidade para o amigo. Tommy devolveu o sorriso e ainda emendou com uma gargalhada.

- Você não está fazendo isso no primeiro encontro, Ollie._ Tommy fingiu uma cara de lamentação digna de um Oscar, e eu ri com isso.

- Não é como se os jornais e revistas não tivessem me alertado sobre uma ou duas coisas._ Balanço a cabeça ponderando.

- Nunca acredite na mídia, é o único conselho favorecendo meu amigo que posso te dar._ Eu não seguro a risada diante da cara de ofendido que Oliver fez para Tommy.- O que? Se fosse para favorecer a ela diria pra sair correndo na direção oposta a sua._ Ele provoca rindo e Oliver joga o guardanapo nele.

Espio Laurel e ela parece perdida em pensamentos observando os dois brincarem entre si, de certo lembrando dos velhos tempos.

Continuamos conversando Tommy, Oliver e eu, com algumas palavras de Laurel quando Tommy insistia em colocá-la na conversa mesmo ela não querendo e lhe dando olhares matadores toda vez que ele fazia isso. Mas ela não se dirigiu à mim de forma hostil novamente. Na verdade ela não se dirigiu à mim de forma alguma, ela me ignorou a conversa toda, e eu não podia estar menos preocupada com isso. Em determinado momento Caitlin e Barry apareceram muito sorridentes. Minha amiga parecia ter saído da máquina da felicidade e Barry não parecia diferente.

- Posso sequestrar minha amiga?_ Caitlin pergunta para Oliver meio cambaleando e sendo aparada por Barry, pela sua voz estava muito bêbada.

- Eu já volto._ Digo para Oliver que está com uma cara esquisita, mas sorri para mim.- Posso saber onde vamos?_ Pergunto já de pé dando suporte para Cait se apoiar em mim, Barry a solta não muito certo de que eu vá conseguir segurá-la, mas quando perceber que está tudo sobre controle ele se afasta, sentando em uma das cadeiras da nossa mesa.

- Banheiro._ Ela até tentou cochichar no meu ouvido, mas Oliver e Barry conseguiram ouvir. Barry riu do jeito dela falar e pelo fato dela estar bêbada, e Oliver apenas me olhou com sua cara inocente senão fosse a forma que seus olhos brilharam eu teria comprado aquela cara. Olhei feio para ele, mas estava lutando com o sorriso que queria aparecer.

- Banheiro lá vamos nós._ Brinquei com ela que riu como se fosse a melhor piada do mundo.- Preciso te deixar bêbada mais vezes._ Comento comigo mesma enquanto caminhamos devagar por entre as pessoas até chegar na porta do banheiro.

Abrir a porta segurando Cait, passar com ela para dentro e fechar a porta ainda segurando ela, deveria ser uma das provas das Olimpíadas. E eu receberia medalha de ouro.

Cait não parava de falar um instante, e sempre voltava ao mesmo tema. Barry Allen. As vezes ela se enrolava toda e dizia coisas sem sentido e em outras dizia coisas desnecessárias, como por exemplo comentar sobre o abdômen definido recém adquirido dele.

- E você não sabe como ele é rápido._ Ela comenta com uma cara tão impressionada, que por mais que minha mente não fosse tão maliciosa, ou pelo menos eu gostava de pensar que não era, suas palavras soaram no sentindo sexual para mim e foi aí que eu a parei.

- Ok, Caitlin eu te amo, você é minha melhor amiga, uma irmã._ Disse categoricamente, para ela entender direitinho.- Mas se você continuar por essa caminho eu vou enfiar sua cabeça naquela privada até você desmaiar. Entendeu?_ Ela estava processando ainda o que eu havia dito, mas quando entendeu me olhou com os olhos estalados e assentiu concordando desesperadamente.

Evitei olhar para qualquer lado naquele banheiro. A última coisa que precisava era voltar pra mesa parecendo um pimentão.

- Cait, você não está ajudando._ Reclamo com ela quando ela tropeça nos próprios pés quase derrubando a nós duas. A encosto na parede perto do banheiro e me junto à ela até tudo parar de rodar um pouco.- Quando tudo parar de rodar, me avisa._ Peço à ela, que só assente sem conseguir falar.

- As meninas precisam de ajuda?_ Ouço alguém dizer na direção oposta a que tínhamos que ir e olho para ver quem estava falando conosco.

Eram dois rapazes, talvez um pouco mais novos que nós duas, um alto e o outro um pouco mais baixo, os dois loiros de olhos claros, pareciam irmãos. Eu os tinha visto conversando animadamente com Tommy um tempo atrás. Mas apesar de simpáticos e muito bonitos, eu recusei.

- Obrigada, mas podemos nos virar sozinhas. Sem querer sem rude._ Completo vendo que tinha soado completamente rude. Caitlin assente concordando.

- Olha nós só queremos ajudar._ Um deles, o mais alto diz.

- Sim, sua amiga não parece nada bem._ O outro completa.

- E eu agradeço, de verdade. Mas viemos acompanhadas e não queremos causar problemas nem pra vocês e nem para nós duas._ Dispenso mais uma vez. A imagem de Oliver e Barry irritados não era nada bem vinda.

- Eu não estou vendo seus acompanhantes. Você está Ross?_ O homem mais alto falou para o mais baixo, que agora sabia, se chamava Ross. O baixinho maneou a cabeça negando.

- Não seja por isso._ Ops. A voz de Oliver chegou a meus ouvidos primeiro que ele próprio, e eu não precisava nem olhar para ele para saber que ele estava irritado. Barry foi o primeiro a aparecer. Ele passou apressado até Cait, a amparando em seus braços e perguntando se ela estava bem, parecendo muito preocupado com o estado dela. Eles ainda me matariam de fofura. Senti o calor do corpo de Oliver atrás de mim e sabia que ele estava encarando os dois.

- Oliver, não tivemos tempo de conversar hoje._ O mais alto tentou começar uma conversa civilizada, mas a tensão que eu estava sentindo de Oliver não era bom sinal.

- Se vocês chegarem perto delas de novo, vou tomar outras providências. E vocês não vão gostar._ Oliver ameaça, seu tom gélido me surpreendeu. Demorei para perceber os quatros seguranças parados atrás de nós. Eles escoltaram os dois para fora do salão da melhor forma possível e sem chamar muito a atenção.

Me virei para dizer a Oliver que aquilo era um exagero, que não precisava expulsá-los do clube, e o vi trocando olhares com alguém. Segui seu olhar e encontrei Diggle, que assim que reparou que eu o estava observando ele assentiu para nós uma única vez e se virou desaparecendo na multidão.

Me virei de volta para Oliver.

- Você está bem?_ Ele perguntou imediatamente. A preocupação na voz dele era notável. Ele pousou as mãos nos meus ombros me observando atentamente.

- Isso foi um exagero._ Me refiro ao fato dele ter expulsado os rapazes. Ele me olha sério.

- Não, não foi. Eu os conheço, Felicity._ Ele disse ainda sério.- São antigos conhecidos de festas, e não são boas pessoas._ Ele diz, mas tem um aviso implícito nas palavras. Mantenha distância.

Ele os conhecia, eu não. Se ele estava dizendo que não eram boas pessoas não era eu que ia discutir com ele.

Mas um cantinho da minha mente ficava me dizendo que Oliver também poderia ser uma má pessoa, ou não totalmente boa pessoa. Aquele notebook iria me atormentar até eu descobrir o que ele significava e o que Oliver tinha haver com ele.

- Fel, acho que já deu pra nós por hoje._ A voz de Barry me desperta dos meus pensamentos, graças aos céus não ditos alto e percebo que estava encarando Oliver. Olho para meu amigo que segurava uma Caitlin pálida e quase adormecida nos braços.

- Claro. Vamos._ Concordo prontamente preocupada com minha amiga.

- Se você quiser ficar, nós podemos ir sozinhos. Não tem problema._ Barry garante, seu olhar alternando entre Oliver e eu.

Eu olho para Oliver indecisa. Eu queria muito ficar com ele, mas minha amiga precisaria de mim e eles estavam na minha casa. Oliver me olha e sorri entendendo meu dilema.

- Vamos, vou deixar vocês em casa._ Ele diz compreensivo. E eu sorrio de volta para ele agradecida.

Continue assim senhor Queen, e daqui a pouco não tenho mais defesa contra você, penso suspirando.

Tommy lamentou nossa partida, mas entendeu quando olhou para Caitlin. Mal estávamos saindo e ele já estava nos convidando para uma festa na casa dele dali algumas semanas para comemorar o fato de estar se tornando o vice-presidente da empresa do seu pai. Sorri lembrando da cena. Era fácil gostar de Tommy. Já Laurel era outra história. O pouco que tinha melhorado do seu humor depois que ela havia voltado da pista de dança com Tommy, regrediu e até piorou quando Oliver também se despediu deles, alegando que iria pra casa. O olhar que ela havia me dado me incomodou um pouco.

Saímos a procura de Cisco que havia desaparecido, mas quando ligamos para ele descobrimos que ele havia saído do clube com a mulher do bar. Barry parecia um pai orgulhoso nos contando isso, e Oliver e eu rimos dele, enquanto Caitlin murmurou algo inteligível contra o pescoço de Barry. Ela tinha praticamente se desmontado quando entramos na limousine.

Agora todos nós estávamos em um silêncio confortável.

E eu estava morta de cansaço, meus pés estavam começando a doer.

Barry mantinha os olhos abertos com algum esforço, mas os braços estavam firmes ao redor de Cait. Ela as vezes reclamava de algo imaginário e ele murmurava algo em seu ouvido a acalmando, era lindo de se ver.

Oliver ao contrário de Barry estava bem desperto. Ele havia se sentado num canto no bando e me puxando para ele colando minhas costas em seu peito, passando seus braços em volta de mim me deliciando com seu perfume, numa posição aconchegante demais para quem estava tão cansada quanto eu.

Eu podia me acostumar a isso, pensei antes de cair no sono.

Meus últimos registros daquela noite é sentir alguém me levantando nos braços, a maciez do meu colchão sob meu corpo e um leve roçar do que parecia ser um beijo na minha testa e depois nos meus lábios. E depois disso, cai num sono profundo.

Oliver POV

Assim que sai da casa de Felicity e entrei na limousine, o modo Arqueiro como eu gosto de chamar foi ativado. Tudo o que havia passado nessa noite ficava para outra hora , enquanto eu fazia meu trabalho, era assim que eu conseguia separar as coisas e não ficar louco. Olho para John pelo espelho e John já sabia o que fazer.

- Tem certeza certeza que ela?_ Pergunto ansioso. John me olha impaciente pelo espelho, não gostando da minha dúvida. Está bem, era ela.

- Eles a encontraram a duzentos metros da Verdant. Seja quem for que quer destruir a cidade, parece que os playboys cheios de grana são o alvo principal._ John diz sem maldade nas palavras. Eu o conhecia e sabia que sua implicância com os jovens ricos da cidade vinham de um caminho bem tortuoso trilhado por mim. Eu não podia culpá-lo.

Agora essa bomba tão perto de onde nos estávamos. Felicity, Roy, Tommy e Laurel. John e os amigos de Felicity.

'Thea'. Penso na minha irmã, minha Speedy. Ela poderia ter se machucado feio hoje a noite se eles não tivessem descoberto a bomba e a tirado de lá. Ou pior. Calafrios correm por todo meu corpo ao pensar na minha irmã morta. E sinto raiva de quem quer que tenha fabricado aquele bomba.

O local onde a bomba estava era fora da cidade próximo a um pequeno lago abandonado, que há muitos anos atrás era utilizado como cemitério de carros roubados, era assim que a polícia chamava. Uns trezentos e cinquenta metros mais a frente havia um pequeno galpão onde os ladrões usavam para desmontar os carros, e agora estava vazio.

Ou estava, até duas horas atrás.

Por mais que os agentes da A.R.G.U.S fossem bem treinados eles não podiam usar o mato desse lugar contra mim, não de mim que passei tanto tempo em uma ilha. E pelo que notava haviam vários deles ali.

A própria Amanda Waller estava lá, nos esperando não tão pacientemente dentro do galpão. John esquadrinhou o ambiente rapidamente e só relaxou quando viu que Lyla não estava ali.

- Senhor Queen. Diggle._ Amanda fez os reconhecimentos mais pelo protocolo do que por educação.

- Waller._ John e eu dissemos juntos.

- Parece que alguém está querendo matá-lo senhor Queen, por que isso não me surpreende?_ Sua pergunta era retórica então não me dou ao trabalho de respondê-la. Ao invés disso me concentro em algo que parece um banco de um carro a primeira vista, mas assim que contornei ele vi luzes piscando por toda a parte traseira do banco, conectados por fios coloridos. Dezenas de luzinhas conectadas umas às outras por centenas de fios. Isso parecia ser complicado demais. Eu mesmo não fazia idéia de como desarmar aquilo.

- Conseguiram desativá-la?_ Pergunto ao homem que estava ao meu lado, apesar da máscara de visão noturna e o capacete de batalha eu sabia que ele estava prestando atenção em mim. Ele apenas maneou a cabeça negando.

E todo meu alívio por finalmente termos encontrado a bomba se evaporou. Não adiantava de nada termos a bomba e o dispositivo remoto e não sabermos desativar a bomba.

- E como pensam em fazer isso?_ Pergunto diretamente a Waller.

- Já chamamos nossos engenheiros tecnológicos e até alguns fabricantes ilegais de bombas e nenhum deles souberam o que fazer. Parece que nosso homem é mais inteligente do que imaginávamos._ Ela está tão desconfortável com o fracasso dos seus homens, como eu estava comigo mesmo por não conseguir resolver logo isso.

Uma pessoa que eu sabia que talvez pudesse ajudar me vem a mente, mas a descarto no mesmo instante. Não colocaria ela nisso. Nisso não.

Por hora teríamos que continuar procurando alguém tão inteligente quanto o miserável que fez essa bomba.

- Quando encontrarem alguém me avisem._ Olho para ela de uma maneira que ela entende que eu não queria ser deixado de fora. Ela assente de má vontade mas não questiona.

- Por enquanto vamos manter a bomba e o seu detonador separados um do outro. Não entendemos como eles funcionam e não quero perder homens na sua missão._ Ela estava dizendo que ficaria com a bomba em seu poder, e devido às circunstâncias era o melhor. Eu prefiro que a bomba explora com ela do que na Cave com Roy, John e Thea lá.

Despedidas com Amanda sempre foram coisas que eram dispensáveis então eu simplesmente dei as costas para ela e voltei para o carro com John em meu encalço.

- Vamos para casa._ Pedi cansado demais para voltar a Verdant. John não discutiu, apenas ligou o carro e saímos dali.

O caminho todo eu sentia seus olhares questionadores pelo espelho, mas eu estava ocupado demais pensando em como não trazer Felicity para isso. Eu não devia estar pensando nela.

Estava com um problema enorme nas mãos, Waller não soube dizer como desarmar a bomba e nós não tínhamos idéia do quanto da cidade ela afetaria caso explodisse. Poderia ser um prédio ou uma casa, o que já era ruim o suficiente. Mas também poderia ser metade da cidade, ou ela toda. Por mais que eu quisesse ser otimista uma vez na vida, aquilo parecia complicado demais para uma bomba de pequenas proporções.

E agora eu estava com medo de Waller fazer suas pesquisas e descobrir o gênio loiro que trabalhava para mim.

Claro que eu não permitiria que ela trouxesse Felicity para isso. Nunca. Não com a A.R.G.U.S.

- O estofado não tem culpa._ A voz de John me surpreende e percebo que estava rasgando o estofado do carro com a força que estava usando para puxá-la mesmo que inconscientemente. Passei todo o caminho perdido em meus pensamentos e nem notei que já havíamos chegado em casa.- Eles não vão chegar a ela Oliver._ Olho para John que estava inclinado para trás me observando, surpreso por ele decifrar meus pensamentos.

- É a Waller, John. Ela vai chegar até ela._ Eu tinha certeza disso, era só uma questão de tempo.- E então o problema será comigo._ Ele me olha pensativo, e vejo uma idéia.

- E se nós não dermos tempo para ela fazer isso?_ John sugere meio receoso, e sei que não vou gostar dessa sugestão. Continuo olhando-o esperando.- É só uma idéia, mas e se o Arqueiro pedir a ajuda da Felicity?_ Era oficial, John havia enlouquecido.

- Isso não é hora de brincadeiras John._ Digo respirando fundo, descartando sua idéia absurda.

- Pense bem Oliver. Eu não acho que Waller vá se importar se Felicity vai aceitar trabalhar para ela ou não. E cedo ou tarde você terá que contar a verdade para Felicity se quiser continuar com ela._ John sabia como me pressionar eu não podia negar.

Ainda estava contrariado demais quando entrei em casa, e por sorte todos já estavam dormindo.

Me refugiei em meu quarto não querendo pensar, nem sequer cogitar a idéia de John ainda.

Tomei um banho rápido que de relaxante não teve nada e deitei na cama esperando o sono chegar. Mas minha mente não parava de pensar sobre aquilo.

Era muito cedo para falar sobre minha segunda vida com Felicity. Ela não confiava em mim como Oliver Queen, certamente correria de mim como Arqueiro. E ainda por cima era perigoso e de maneira alguma deixaria ela chegar perto daquela bomba.

Mas eu estava sem opções certo?

Waller e Felicity juntas não era uma cena que eu quisesse ver nunca, mas o Arqueiro e Felicity tão pouco. Os dois seriam perigosos para ela de tantas formas, mas entre Waller e o Arqueiro, eu prefiro o Arqueiro.

- Sinto muito por isso, Felicity._ Murmuro me sentindo o pior dos seres humanos por estar indo fazer aquilo.- Mas amanhã você vai conhecer o Arqueiro._ Completo desolado, vencido pelas circunstâncias.

- Oliver Queen, você tem dois minutos para acordar._ A voz de Thea soou distante enquanto minha mente voltava de um sonho confuso com Felicity, bomba, Waller e Arqueiro. Aquilo estava ruim o suficiente sem ter que ficar sonhando com isso.- Oliver!_ A ouço bufar de raiva mais não estou com vontade de levantar. Ela grunhi como fazia quando ainda era pequena e já sei o que ela vai fazer. Ela sobe nas minhas costas e se senta lá.- Se você não parar de fingir que está dormindo, eu vou fala para mamãe sobre Felicity._ Ela ameaça e eu abro os olhos mas os fecho logo em seguida com a claridade. Ela ri e senta-se ao meu lado na cama esperando.

Com muito esforço me viro de barriga pra cima e a encaro.

- Me de um bom motivo para não te desmaiar agora?_ Pergunto mau humorado.

- Bom dia irmãozinho?_ Ela testa com aquele mesmo sorriso de quando eu a pegava mexendo nas minhas coisas ou quando ela fazia alguma besteira e eu assumia a culpa por ela por que ela me pedia com aquele mesmo sorriso.

Mas dessa vez não iria colar.

Me joguei sobre ela a assustando, ela gritou mas eu não estava nem aí, e comecei meu ataque de cócegas. Não importa o nosso tamanho ou idade, cócegas sempre seria o ponto fraco de Thea.

Ela ria, gritava, me xingava, se debatia mas nada disso me parava.

- Oliver ela precisa respirar!_ Escuto a voz de minha mãe e paro imediatamente, me endireitando na cama e fingindo que nada estava acontecendo. Thea faz o mesmo, mas está vermelha e sem ar, e sua cabeça parece um ninho de pássaros.

Moira Queen está lá. Parada na porta do quarto, nos olhando como fazia a anos atrás, quando nos encontrava nessa mesma situação, e o mais curioso é que era sempre pelo mesmo motivo. Sempre fui uma pessoa noturna, as manhãs eram um martírio para mim.

- Bom dia mãe._ Ela me olha se divertindo com o estado de Thea.

- Ele não queria acordar._ Thea disse para minha mãe antes de se levantar me jogando um travesseiro que nem me preocupei em desviar. E foi para o banheiro se arrumar novamente.

- Pelo que vejo você está com o humor melhor._ Minha mãe comentou se referindo à ontem. Mal sabia ela que provavelmente ele iria piorar e muito hoje.

- Nada como uma festa._ Uso a única desculpa que sei que ela vai acreditar. Seu muda para olhar decepção, mas ela disfarça com um sorriso. Aquele sorriso de meu filho é perfeito.

- Preciso de vocês dois em casa essa noite._ Ela comunica sem deixar espaço para discussões.

- Está bem._ Digo sem muita certeza tudo dependeria do rumo que as coisas tomariam com Felicity e a bomba.

- Você nunca aprende. _ Thea zomba de mim voltando do banheiro parecendo uma nova pessoa, e volta a se sentar ao meu lado.- Não prometo nada._ Ela é mais esperta e não se responsabiliza. Como não havia pensado nisso antes?

- Thea, hoje teremos convidados para o jantar e eu gostaria que meus dois filhos estivessem presentes._ Minha mãe ralha para Thea já que aparentemente eu estarei nesse jantar. Minha irmã me olha feio por eu ter confirmado presença antes dela dizer que não iria vir. Dou de ombros despreocupado com seu problema e me levanto para ir ao banheiro.

Demoro o máximo possível no banheiro e quando saio esperando que elas já tenham saído, Speedy ainda está sentada no mesmo lugar me esperando.

- Só pra você saber, ela vai chamar a filha dos Stevens._ Ela tem a decência de não rir da minha cara.

- Morgana? Ou era Melanie? Eu tenho certeza que começa com M._ Eu tento de verdade me lembrar o nome da filha do casal mais enfadonho que minha mãe conhecia mas nada me vem a mente.

- Bethanny._ Thea me corrige e ri logo em seguida.- Você esqueceu o nome da garota que correu atrás de você por anos. Que feio Ollie._ Ela finge uma cara de decepção, e é minha vez de jogar um travesseiro nela.- Ok, parei._ Ela se rendeu antes que ficasse descabelada de novo.- Não foi disso que vim falar._ Eu sabia exatamente do que ela queria falar. E sabia também que não conseguiria fugir dela até que sua curiosidade estivesse saciada.

- Pergunta logo._ Me jogo de costas ao lado dela na cama e dou autorização para seu questionário, interminável se bem me lembro.

- Ok._ Ela se anima com a minha disposição para falar do assunto e sorri arteira.- Roy e John me contaram como tudo ocorreu, já que você pulou várias partes._ Nessa parte ela me olha descontente, mas logo se recupera.- Como foi ontem? E eu não quero saber o que vocês fizeram quando desapareceram, só quero saber se vai haver um segundo encontro._ Thea brinca com a situação mas sei que ela está verdadeiramente preocupa com a minha tão interessante vida não amorosa.

Penso um pouco antes de responder.

- Eu quero que hajam outros encontros, mas é complicado._ Suspiro frustrado. Por que as coisas tinham que se complicar desse jeito? Já seria complicado o bastante ter que conquistar a confiança de Felicity, esconder as coisas dela seria o mais difícil, esconder a vida que eu levo dela, o Arqueiro, e agora a A.R.G.U.S.

- Se você quer, não vejo como eles não poderiam acontecer._ Thea tenta me animar, mas ela não sabe das últimas ainda e quando conto ela parece tão desorientada quanto eu fiquei.- Isso é um problema._ Ela se refere a bomba e a Waller.

- Eu juro que não queria trazê-la para isso, mas não tenho outra opção._ Sinto a necessidade de me explicar para Thea, esperando que ela me entendesse e me dissesse que eu não estava sendo um tremendo desgraçado por trazer Felicity para nosso mundo.- Sou eu ou Waller e queria poder evitar que as duas se conhecessem. Não queria que ela conhece se o outro eu também, mas não tenho escolha._ Eu completo me sentindo tão impotente que minha vontade era de ir lá e explodir junto com aquela maldita bomba.

Thea me olha benevolente e levanta minha cabeça, me deitando em seu colo.

- Ollie, está tudo bem._ Olho para Thea me perguntando se ela tinha prestado alguma atenção no que eu havia dito.- Nós vamos dar um jeito nisso. Você não pode se culpar por trazer Felicity pro nosso lado de certo modo você está salvando ela da A.R.G.U.S, a culpa não é sua._ Ela finaliza fazendo carinho em minha testa. E eu me pergunto quando foi que ela havia crescido tanto.

- Obrigado._ Agradeço segurando sua mão contra meu rosto. Ela me olha maravilhada, e eu me sinto mal por ter sido tão negligente em relação ao nosso relacionamento de irmãos.

- Senti sua falta, Ollie._ Ela admite sem vergonha de demonstrar seus sentimentos. Me levanto de seu colo e a abraço como sempre fazia quando ela era pequena e chegava da escola toda afogada querendo me mostrar algo novo que tinha aprendido.

- Eu também,Speedy._ Beijo sua cabeça e ela se aferra mais a mim.

- Ela vai ficar bem Ollie, todos nós vamos._ Ela parecia segura disso.

- Porque nós cuidamos uns dos outros._ Ela levantou a cabeça do meu ombro para me encarar.- Você não está sozinho, sabe disso não sabe?_ Eu realmente te não merecia a irmã que tinha. Como ela conseguia me deixar me sentindo humano de novo? Como se os cinco anos não tivessem passado e eu não fosse um assassino.

- Eu sei. Você não facilitou, mas agora eu sei._ Ela sorri orgulhosa de si mesma.

- Pois é, a teimosia Queen. As vezes ela se volta contra você._ Ela debocha de mim, rindo e me dá um beijo estalado na bochecha antes de sair do quarto.

Só me resta a esperar que ela tivesse razão.

Talvez devesse começar a confiar mais no Team Arrow.