Masuyo estava no seu quarto. Babydmon estava bem diferente de quando o menino deixou-o naquele dia mais cedo antes de ir para a escola. Parecia uma criatura completamente nova. Estava maior, e tinha pernas e braços, além de asas e chifres. Se filhotes de dragão existissem, Masuyo achava que eles seriam muito parecidos com ele.

Seu nome também havia mudado: queria ser chamado de Dracomon.

- Você vai continuar mudando de forma? – Masuyo perguntou.

- Ainda posso digievoluir muito mais! – Dracomon respondeu.

- Digievoluir? O que é isso?

- É o que nós Digimon fazemos. Quando nós crescemos, nós digievoluímos e ficamos mais fortes!

- Não entendo o que você está dizendo, mas quero muito que você me explique, e quero muito ser seu amigo.

- Vamos ser amigos, Masuyo!

Masuyo jantou com seus pais e depois levou alguns pães para Dracomon em seu quarto. Quando seus pais foram dormir, ele saiu com Dracomon de seu quarto, desceu as escadas e saiu de casa, tomando o maior cuidado para não fazer barulho.

Seus pais não sabiam sobre Dracomon. Ele achou que eles não iriam gostar que um filhote de dragão vivesse no mesmo quarto que ele, e iriam fazê-lo se separar de Dracomon.

Ele e Dracomon andaram sem rumo pelas ruas. Masuyo tomava cuidado para escolher as ruas mais prováveis de estarem vazias. Não havia ninguém além deles por onde passavam. A paisagem era interessante, mas um pouco monótona. Havia muitos edifícios altos, muros, algumas vitrines de lojas fechadas aparecendo dando a graça aqui e ali.

...

Na noite seguinte, Masuyo e Dracomon saíram de novo. Estavam caminhando quando, ao virarem um esquina, se depararam com uma garota correndo de bicicleta. Mas ela não estava sozinha. O que parecia ser uma serpente branca estava flutuando ao lado dela. Os dois vinham na direção de Masuyo, correndo bastante.

- Uhu! – disse a garota erguendo um punho no ar. Masuyo percebeu que ela tinha cabelo vermelho curto.

Ela derrapou por uns dois metros e parou bem próxima de Masuyo. A serpente branca veio logo atrás. Agora Masuyo podia vê-la bem. Não era um serpente. Era uma raposa branca com corpo serpentino. Havia uma gargantinha de ouro em volta do seu pescoço e um brinco na sua orelha esquerda. Era menor que Dracomon.

- Ganhei! – comemorou a menina, radiante.

- Não é justo! Você sempre ganha! – falou a raposa.

Falou a raposa. Outra criatura como Dracomon?

A menina virou-se para Masuyo e chamou:

- Ei!

Ele começou a vir em sua direção, dessa vez pedalando mais devagar do que antes. A criatura que a acompanhava veio atrás, serpenteando como um pano ao vento. As duas pararam bem em frente a Masuyo e Dracomon.

- Eu me chamo Fujiwara Saeko. Muito prazer! – disse a menina, estendendo a mão.

- O meu nome é Noguchi Masuyo – disse Masuyo, apertando a mão dela.

Saeko olhou para Dracomon.

- Esse seu amigo... ele tem alguma coisa em comum com o meu. – ela disse, como se fosse algo trivial.

- Ele é um Digimon, assim como eu. – disse a raposa branca.

- Ele também é um Digimon? – Masuyo perguntou, olhando para Dracomon.

- É sim. – disse o dragão, de imediato. – É impossível não reconhecer outro Digimon. O cheiro é inconfundível.

- É uma coincidência e tanto vocês terem se encontrado aqui! – disse Saeko. – Nós podemos ser amigos. Ei, quer disputar uma corrida? – ela olhou para Masuyo.

- Ah... Claro! – respondeu o menino.

Saeko desceu da bicicleta para ficar em igualdade com Masuyo. O Digimon raposa, que apresentou-se como Kudamon, contou:

- Um... dois... três... já!

Os meninos dispararam. Eles tinham quase o mesmo peso e altura, mas Saeko se saía melhor. Logo ela deixou Masuyo atrás. Este, por sua vez, usava todas as suas forças para correr mais rápido. Não parecia haver chance para Masuyo, e Saeko estava quase chegando ao ponto que eles combinaram que seria o ponto de chegada. Foi quando tudo parou. A terra tremeu. O menino e a menina perderam o equilíbrio e caíram no chão.

Eles ficaram parados, enquanto tudo chacoalhava. Então parou. Dracomon e Kudamon vinham correndo na direção deles. Os Digimon ajudaram os humanos a se levantarem.

- Você se machucou, Saeko? – Kudamon perguntou.

- Me ralei, mas não é nada demais. – ela se virou para Masuyo – Você está bem, Masuyo?

- Estou. Mas vou me dar muito mal. Meus pais vão entrar no meu quarto para ver se eu estou bem, e não vão me encontrar lá! Preciso voltar agora! – disse o menino.

- Tudo bem. Eu também vou. Tome cuidado! – recomendou Saeko.

- Você também! – respondeu Masuyo.

Ele virou-se e foi embora, com Dracomon nos seus calcanhares.

...

Masuyo parou em frente à porta de casa.

- Espere aqui fora, Dracomon. – ele disse para seu companheiro – Eles podem estar acordados.

Masuyo girou a chave e entrou. As luzes estavam ligadas e seu pai e sua mãe esperavam ele no sofá. Pela cara, eles não estavam nem um pouco felizes.

- O que você está fazendo a essa hora na rua? – disparou sua mãe.

- Você quer matar a gente de preocupação Masuyo? – disse seu pai.

- Pai... Mãe...

- Vá já para o seu quarto! Você está de castigo até outra ordem! – disse o pai.

Masuyo subiu completamente em silêncio para o seu quarto.

...

Saeko estava chegando perto da esquina de sua casa. Passando em frente de uma estação do metrô, ela viu uma coisa que quase a fez soltar um grito. Um dinossauro estava lá dentro e ela podia vê-lo pelos vidros da fachada. Ele era monstruoso e tinha chifres enormes que saíam de suas costas. Ele disparou contra a entrada e passou por ela, estilhaçando o vidro e o metal.

Saeko colocou toda a força que tinha nas pernas para pedalar o mais rápido que podia. Kudamon estava enrolado em volta do corpo dela, apertando-a forte. O dinossauro vinha se aproximando rapidamente. Logo ia alcançá-los.

O coração de Saeko pulava no peito. Ela estava encharcada de suor. Kudamon apertava-a com força. O dinossauro estava muito perto agora. Então ele alcançou-os: seus chifres relaram no pneu de trás da bicicleta. Saeko perdeu a direção e caiu. Ela caiu da bicicleta e rolou por vários metros. Ela ficou atordoada, mas entendendo o que estava acontecendo. Sentiu um cheiro podre como carniça, enquanto ouvia passos pesados. Via uma mancha branca na sua frente. Seria... ?

Kudamon! Ele estava parado entre ela e o dinossauro, que encarava ameaçadoramente. Uma luz ofuscou os olhos de Saeko ela sentiu um calor em sua mão. Então sentiu um objeto e fechou seus dedos em volta dele. Ela aproximou-o dos olhos e viu uma espécie de aparelho eletrônico me miniatura, com uma tela e botões. Um feixe de luz saiu de dentro da tela. Saeko seguiu-a com os olhos, enquanto ela foi até Kudamon.

Ao tocar Kudamon, todo o seu corpo foi envolto por luz. Sua forma se modificou, e então a luz sumiu, revelando um novo Digimon no lugar.

Uma voz veio do aparelho de Saeko, dizendo: "Kudamon digievolui para Leppamon!"

Leppamon era um animal quadrúpede que usava máscara de raposa e possuía uma corda em volta do pescoço e uma cauda de lâmina. Saeko ficou sem reação ao ver Kudamon se transformar nela.

- Recue! – Leppamon ordenou para o dinossauro.

Ele rugiu e disparou em direção a Leppamon. Leppamon sacudiu a cauda. O movimento gerou uma onda de vento em direção ao dinossauro, que o fez se erguer no ar. Ele foi cair a vários metros de distância, com um estrondo, e não seu moveu mais.

Novamente uma luz envolveu o corpo de Leppamon, e quando se foi, ela havia voltado a ser Kudamon. Ela flutuou rapidamente de volta para Saeko, que a recebeu nos braços e a abraçou forte junto ao peito. Saeko segurou-a em frente ao seu rosto.

- Por que você fez aquilo? – ela perguntou, com o olhar aflito.

- Ele ia te machucar. Eu te protegi. – disse Kudamon.

- Eu é que fiquei com medo de você se machucar! – disse Sakeo, e abraçou-a novamente. – Mas está tudo bem.

- Eu estou bem. - disse Kudamon.

- Tudo bem. Vamos para casa!