Marcas da Solidão

Kaline Bogard

Ao chegar na casa principal, descobriram que Chiyo já havia ajeitado tudo para os banhos. Sim, no plural. A velha senhora era matreira nas artes dos que estavam prestes a se enlaçar. Sabia que a preparação devia ser levada em consideração.

Por isso arrumou o banheiro principal para Shino, com um banho de imersão de ervas relaxante e agradável.

Num dos banheiros para convidados estava preparado o banho de Kiba. Sem o recurso das ervas. A Beta imaginou que o cheiro natural do Ômega seria mais agradável do que qualquer outra opção. Ainda que não pudesse sentir, já ouviu relatos. Principalmente quando era filhotinha e presenciava a conversa de sua mãe e das servas daquela época.

Assim que Kiba terminou, vestiu-se com a yukata branca de verão escolhida para a ocasião. E foi para o quarto de Shino. Ou melhor, para o quarto do casal. Precisava começar a pensar de modo mais íntimo sobre a casa, sobre o quarto...

Sentou-se no futon e olhou em volta. Os ramos silvestres de sempre foram substituídos por pequenos potes com óleo aromático, dispostos nos quatro cantos do cômodo. As cortinas estavam fechadas, dando um ar de penumbra ao lugar. Ao lado do futon, algumas toalhas umedecidas e um pequeno recipiente com um creme branco que fez o rosto de Kiba esquentar e o coração disparar. Ansiedade aqueceu lhe as veias e foi como se o sangue se tornasse chamas. Pôde sentir a presença de Shino se aproximando do quarto.

O shogi deslizou suave e deu passagem a Shino, para ser novamente fechado. Por um segundo a presença do Alpha se expandiu, instigado pela visão de seu companheiro sentado no futon, aguardando quase sem poder conter a emoção. Foi como se o Chacra do Alpha preenchesse todo o quarto e envolvesse o Ômega. O que estava prestes a acontecer era muito reservado. Pertencia apenas ao casal.

— Não tenha medo... — começou a dizer. Ele vestia uma yukata semelhante à de Kiba, também branca, de tecido leve e bem assentado.

— Não tenho — Kiba respondeu firme, sem desviar os olhos. Apenas estendeu a mão, chamando Shino para junto de si.

O convite foi aceito. O homem avançou pelo quarto em passos rápidos, para logo enlaçar as mãos de ambos e sentar-se no futon de frente para seu companheiro.

— Você conhece a Marca? — Shino perguntou. A mão, agora livre, foi para a yukata de Kiba, segurando com cuidado para puxar a manga do ombro direito e fazê-la deslizar, a seda macia cedeu fácil.

— Conheço — Kiba respondeu meio rouco. Os olhos desfocaram-se um pouco enquanto o familiar e convidativo aroma de morangos se espalhava pelo ar, não forte, nem exagerado. A medida perfeita para chegar ao Alpha e provocar-lhe os sentidos.

— Vai aceitar a minha Marca? — dessa vez foi a manga do ombro esquerdo que escorregou. O Ômega estava desnudo da cintura para cima.

— Sim, Aburame Shino. Eu aceito a sua Marca — sorriu enquanto imitava o gesto de puxar de leve uma das mangas da yukata de Shino, para começar a despi-lo — Vou te fazer tão feliz quanto você me fará feliz. Prometo.

E num gesto de autoconfiança não planejado usou as duas mãos para segurar com cuidado nos óculos escuros de Shino e tirar-lhe do rosto. Assim como se colocou naquele futon sem as marcas do Clã, não queria que o companheiro trouxesse consigo nada além dele próprio. Naquela noite seriam apenas Shino e Kiba. Até mesmo os insetos que viviam sob a pele de Aburame foram liberados logo após o homem se banhar.

O Alpha compreendeu a intenção. A aceitação veio no gesto que deu início ao ato de amor: ele segurou na nuca de Kiba e o trouxe para o tão esperado beijo. Não um simples roçar de lábios, mas uma carícia ousada onde línguas se tocaram sem pudor.

Enquanto o beijo prosseguia, trataram de se libertar do obi, tirando a yukata de vez, permitindo que a vestimenta se perdesse no chão do quarto.

Shino desviou o alvo de seus lábios, pondo-se a sugar de leve a pele do pescoço do Ômega, descendo até chegar na curva do ombro. Ali passou os dentes com certa pressão, procurando o lugar em que faria sua Marca.

Conquanto ainda fosse cedo. Por isso continuou descendo, a língua ajudando a sondar o corpo que tinha junto a si e ia aos poucos se ajeitando, deslizando até que estivessem deitados no fino colchão. Ofegos eram trilha sonora erótica que combinava com os gemidinhos que Kiba não conseguia segurar. A língua quente e úmida deslizando e sugando sua pele causavam sensações que nunca sentiu antes. Parecia que seu corpo estava em brasa!

Algo mais alto que um gemido soou rouco, quando os dentes de Shino encontraram um de seus mamilos, mordiscando provocante de leve.

— Shino... — sussurrou, as mãos foram de encontro aos cabelos curtos, os dedos se perderam nos fios grossos e escuros. A atmosfera do quarto se tornou mais densa, algo além do aroma de morangos se desenhou indistinguível, alcançou a parte Alpha de Shino e a instigou. Algo agradável que remetia uma das premissas mais marcantes da casta: não havia no mundo palavra a altura de descrever a boa sensação, algo que podia viciar e só era possível sentir durante o sexo com Ômegas.

Aquilo serviu como incentivo para que Shino continuasse com os carinhos, usando os dentes e os lábios para traçar de leve aquela pele dourada de sol. Desceu pelo tórax, até o abdômen e o baixo ventre. As mãos grandes ajudavam a descobrir detalhes do corpo jovem e firme, de poucos músculos, embora constituição firme.

Não houve obstáculos que impedissem o Alpha de alcançar o alvo final. Depositou um beijo suave na base do pênis de Kiba, sentindo como o garoto cresceu e endureceu em suas mãos, excitado pelo contato oral.

Quando a língua do Alpha deslizou quente e úmida pela lateral, Kiba gemeu languido, cobrindo o rosto com os braços, entorpecido pelo prazer que descobria. O som pareceu o nome de Shino, algo que nenhum dos dois tinha certeza. A única certeza foi de ter agradado ao Alpha, a confirmação de que fazia o certo. Continuou com os lábios por todo o membro, até a ponta avermelhada, onde se permitiu brincar um pouco com a fenda, insinuando penetrá-la com a pontinha da língua.

Tocar no ponto sensível causou um prazer que Kiba não esperava. Foi intenso, aumentou a frequência dos gemidos, o corpo tencionou-se um pouco com a onda agradável que correu por seus músculos.

Shino sentiu o gosto diferente quando as primeiras gotas do pré-gozo começaram a escapar. Capturou o líquido translúcido que se misturou com saliva e ajudou na felação. Podia dizer, pela dureza do falo, que o Ômega não ia durar muito. Justo por isso tratou de colocá-lo todo na boca, combinando a sucção e os movimentos da língua. Acomodou todo o pênis com cuidado, sentindo-o alcançar-lhe a garganta. Tinha experiência, sabia que ir com pressa poderia fazê-lo engasgar e isso não seria bom pra nenhum dos dois!

Notou também que o intervalo entre os gemidos era quase inexiste, Kiba já estava sem fôlego, porque o que Shino fazia era bom demais. A verdadeira essência Ômega aflorou, poderosa, compartilhou o prazer através do vínculo e Shino sentiu o próprio pênis reagir ereto entre as pernas. Precisou fortalecer a presença Alpha no quarto, ou o Chacra de Kiba ia vencer sua proteção e se espalhar por todo o feudo, quiçá além! Algo que não desejava, aquele instante pertencia unicamente ao casal.

Kiba não durou muito mais, alheio à próprias reações. Aguentou até que os lábios finos deslizaram com firmeza por todo o membro, a língua acompanhando sem afastar-se em momento algum, alcançou a ponta do pênis e parou ali um segundo, antes de abocanhar por completo. Foi o limite. Kiba afundou as costas contra o futon, os braços cruzados com força sobre o rosto, enquanto o gozo jorrava na boca de Shino, um jato quente e grosso que foi quase todo engolido. Cada resquício foi colhido com cuidado, como uma oferenda. E a felação não terminou de modo abrupto, Shino distribuiu beijos suaves e mordiscadas de leve na base do pênis do companheiro, na parte interna das coxas e no baixo ventre, ouvindo deliciado o garoto choramingar com os toques no corpo tão sensível.

Fez o caminho contrário, com igual empenho, beijando e brincando com os dentes pelo abdômen que subia e descia rápido, pelo peito que abrigava um coração disparado. As mãos ajudando na tarefa de sondar, descobrir cada detalhe, até que estivessem outra vez alinhados, Shino vendo pouco do rosto coberto pelos braços, que não escondiam os lábios avermelhados, sem dúvida Kiba os mordeu tentando conter os gemidos, e agora se abriam e fechavam sem parar, tentando recuperar o ar e a compostura. Do pouco que via, o rubor espalhado era detalhe encantador.

— Vermelho combina tanto com você — Shino sussurrou.

E tais palavras tiveram o poder de fazer Kiba se descobrir, mirando o Alpha com os olhos brilhantes, marejados de lágrimas. Nada que experimentou antes chegava sequer perto daquela intimidade, daquele... clima. A presença do companheiro ainda dominava o quarto e cobria a sua tal qual um manto protetor, como se lhe dissesse para libertar sua essência sem preocupações. E o prazer... o orgasmo que encontrou nos lábios do Alpha doeu de tão bom. Sentia o corpo um tanto fraco e dormente, mas um torpor gostoso, relaxante.

Entrefechando os olhos, Kiba expulsou as pequenas lágrimas e sorriu largo, antes de baixar as íris e analisar o corpo de Shino, como se calculasse o próximo passo. Porém seus planos foram frustrados quando o Alpha inclinou-se e o beijou. Aquela noite não era uma noite para jogos e trocas equivalentes. Era a noite que ele queria impor sua Marca, por isso agia com certa dominância da qual pouco se orgulhava.

Antes que o beijo ganhasse tons mais eróticos, Shino se afastou na intenção de alcançar o pote com o creme. Seu lado Alpha se tornava a cada segundo mais ansioso para consumar o ato e marcar seu companheiro. Teriam a vida toda pela frente, para continuar desvendando os meandros do amor.

Um gemidinho surpreso soou rouco pela garganta de Kiba. Ao se mover, Shino resvalou a coxa em seu pênis, ainda sensível do orgasmo recente. Fez uma nova onda de prazer abalar seu corpo e o membro começar a se erguer de novo, já refeito do primeiro clímax.

Shino divertiu-se com as reações tão espontâneas. Ainda que lhe dessem certa urgência em satisfazer a necessidade que emanava daquele jovem.

Pegou o pequeno frasco e o destampou. Sabendo-se assistido com curiosidade e atenção, endireitou a postura e sentou-se no futon ao lado de Kiba. Então passou dois dedos pelo creme de leve odor desinteressante, devagar, recolhendo uma generosa porção que ajudou a espalhar melhor com o polegar.

— Abra as pernas pra mim — a voz escapou rouca sem que pudesse evitar.

Arrepiou cada pelinho de Kiba que se viu obedecendo ao pedido. Afastou os joelhos tentando manter a posição confortável, a excitação despontando e enrijecendo o falo pela segunda vez. Nunca se sentiu tão exposto assim antes, mas o olhar que recebia de volta… ah, aquele desejo que queimava na íris ferida por uma espada, fazia valer a pena, afastando qualquer constrangimento. Saber que um Alpha como Aburame Shino o queria tanto era algo que sequer podia mensurar. Um polimento inigualável ao seu ego.

Gemendo em antecipação, percebeu quando a mão de dedos longos moveu-se rumo ao meio de suas pernas, o toque veio um tanto frio, arrancado reações do baixo-ventre que se contraiu e retesou ainda mais o membro tugido. Os dedos deslizaram espalhando o creme, fazendo menção de penetrar o anus que se contraiu ao toque, porém Shino apenas continuou distribuindo o lubrificante. Buscou mais no potinho, usando-o sem economia. Ainda brincou um pouco com o períneo, fazendo o indicador deslizar pela região delicada. A recompensa foi ouvir os gemidos tornarem-se quase um choramingo, o lugar sensível causava um prazer tão grande que as pernas de Kiba começaram a tremer e ele fez menção de fechá-las. Mas Shino impediu o movimento com as mãos, suave.

— Me deixe prepará-lo — pediu baixinho.

A resposta do Ômega foi manter a postura a custo. As pernas pareciam borracha de tão moles! Cruzou os braços outra vez sobre o rosto, perdido nas carícias íntimas que recebia.

Shino sabia bem onde tocar, não apenas no vão entre as nádegas redondinhas, indo além do períneo, brincando de leve com o pênis endurecido. Bastou insinuar os dedos de leve umas duas vezes e a ponta inchada recomeçou a gotejar, preparando o canal para o orgasmo que viria logo.

— Shino… — a voz do garoto foi praticamente uma súplica — Por favor…

O Alpha assentiu. Voltou a atenção para o anus apertado, que se contraiu quando forçou o dedo médio. Invadiu devagar, com calma, em movimentos circulares, tocando a parede interna macia e quente com a ponta do dedo, até que o penetrou por completo.

Sondou as reações do companheiro. Kiba continuava com o rosto protegido pelos braços, mas a respiração entrecortada denunciava o quanto o ato era aprazível.

Com esse incentivo, tirou o dedo médio e juntou o indicador. Deslizar os dois dígitos não foi tão fácil, o canal estreitou-se, como se tentasse expulsá-los. Forçou passagem satisfeito com a ajuda oferecida pelo lubrificante.

Atento ao parceiro, notou quando Kiba mordeu os lábios, ao primeiro incomodo da noite.

— Tudo bem…? — perguntou sem interromper o ato.

— Sim — e a confirmação se tornou um gemido rouco quase obsceno. Ser preenchido daquele jeito era o prelúdio para o que viria a seguir e o completaria com superior magnitude.

Shino sentiu a aceitação pelo vínculo mais contundente do que pela palavrinha, ainda que o gemido valesse mais do que mil "sim".

Aproveitou um pouco da bela visão. Nunca imaginou que teria um Ômega tão entregue em seu futon, exposto daquele jeito a deleitar seus olhos, o corpo jovem, bonito, perfeito. A essência mais secreta e pura gotejando do falo em riste, minando prazer em pequenas e incontidas gotas.

O cheiro de sexo que se misturava com o aroma natural dos ramos espalhados pelo quarto, o suor que lumiava a pele dos amantes, os sons eróticos que fugiam dos lábios de Kiba, a cada vez que os dedos de Shino o penetravam por completo, indo um pouco mais fundo no canal que os recebia.

— Shino… — o chamado despertou a atenção de Shino. Ele notou algo diferente no tom de voz. Algo que não estava ali antes.

Voltou a atenção para seu companheiro e os lábios se entreabriram um pouco. Kiba o fitava de volta, os braços momentaneamente esquecidos sobre a cama. Não apenas a voz dele estava um pouco diferente, mas o brilho que dominava as íris de constituição peculiar… era quase como se fosse outro shifter.

Não.

Não era algo tão simplório e Shino compreendeu.

Pela primeira vez olhava direto para a verdadeira parte Ômega de Kiba. Ou melhor, não uma parte fragmentada como costumava ser no dia a dia. Não um vislumbre da essência verdadeira. Mas o próprio Ômega vinha a tona, não mais controlado pela parte racional. Tampouco no controle da situação. Todavia uma aparição em que homem e fera se manifestavam em pé de igualdade, medida exata das duas faces que compunham uma única criatura.

Kiba estava pronto para receber a Marca. Aquele era o momento perfeito e Shino não perderia tão bela oportunidade. O chamado do Ômega não foi apenas para Shino. O Alpha que abrigava foi igualmente cativado, os olhos feridos brilharam de modo sobrenatural e Shino cedeu espaço ao lado mais animal, igualmente sem perder o controle ou controlar aquela faceta irracional. A consonância entre homem e fera foi tão harmoniosa quanto a do parceiro. Então estavam ali, na mais perfeita sintonia que já se viu; Alpha e Homem, Ômega e Homem.

No instante seguinte pegou mais um pouco do creme, dessa vez usando para lubrificar o próprio pênis, negligenciado até agora. Assistido por Kiba, recobriu-se todo com o lubrificante e certificou-se de que nem um pedaço do músculo ficasse descoberto, da ponta gotejante à base que terminava em um tufo de cabelo negro. Apesar do cuidado não demorou demais. Logo abandonou o frasco ao lado do futon e moveu o corpo, posicionando-se sobre o Ômega, que o acomodou muito bem.

— Shino — gemeu pelo peso alheio, antevendo o que aconteceria.

O homem usou uma das mãos para encostar o membro no ânus recoberto de lubrificante. Forçar o quadril foi o ato instintivo que deu início à penetração.

Foi impossível para Kiba não se contrair. Ele sabia que ia doer, mas nunca imaginou que seria tanto assim. O membro avançava devagar, sem que isso diminuísse a sensação de que era rasgado ao meio. Lágrimas embaçaram-lhe a visão, ainda que os olhos brilhando sobrenaturais não se desviassem do rosto de Shino, atento a como a expressão se fechava, comedido para não se afobar e causar ainda mais dor. Isso comoveu um pouco e fez Kiba abraçar o tronco do Alpha com carinho e puxá-lo para junto de si.

— Vem — sussurrou — Eu aguento...

O pedido trouxe consigo um suspiro, o ar batendo contra a pele do pescoço causou um efeito engraçado em Shino, que quase cedeu à provocação, embora não acelerasse o ritmo, continuando calmo até que a penetração se desse por completo. Alpha e Ômega se encontraram no abraço, conectados da forma mais íntima que dois shifters poderiam estar.

Kiba moveu uma das pernas, dobrando-a e apoiando-a sobre o fim das costas de Shino, pressionando-o para mais perto. Ainda doía, porém a parte Ômega clamava pela Marca. O anseio fluiu pelo vínculo e foi o único clamor capaz de descontrolar o Alpha, que afastou o quadril, tirando o pênis quase por completo, para afundar-se de novo, com força, indo fundo e rápido. De novo e de novo, entrando e saindo, forçando passagem e obrigando o canal virgem a se expandir e se adaptar para acomodá-lo. Cada vez que penetrava por completo, ambos gemiam quase em simultâneo. Nem mesmo Shino pôde manter-se calado frente ao prazer que passou a sentir, tendo como princípio o falo que investia cada vez mais rápido contra o corpo menor.

Cada vez mais rápido.

Cada vez mais forte.

Assim como os gemidos que ascenderam de tom, respondendo ao estimulo carnal. Suor umedeceu os amantes, o pré-gozo pingava do pênis de Kiba e lambuzava o abdômen de ambos sempre que Shino o empalava por completo. Então o beijo, quando o Alpha se inclinou e tomou os lábios entreabertos para si. Ofegos, gemidos e suspiros transformaram o beijo em um ato de puro erotismo permeado de sons sensuais que tão somente aumentavam o desejo.

Beijo que se findou quando Kiba inclinou a cabeça um pouco para o lado e expôs o pescoço. Estava sem fôlego, corado e um tanto alheio aos gemidos que soltava cada vez que entreabria os lábios em busca de ar. Era a imagem da sensualidade que Shino admirou por breves segundos antes de focar no pescoço oferecido.

Já havia sondado a base do pescoço de Kiba, sabia exatamente onde impor sua Marca. Depositou um beijo suave no canto dos lábios e na curva do queixo.

— Vai doer — informou rouco.

— Eu... sei — Kiba fechou os olhos. Sentiu a boca ficar seca por certo receio. Conquanto a sensação logo se desfizesse porque as estocadas continuavam balançando seu corpo, agora com o pênis de Shino começando a encostar-se à próstata, o que causou um deleite inimaginável.

Shino concentrou-se. Passou a língua pela pele salgada de suor, buscando a certeza de que acertaria de primeira. Soube com toda clareza do mundo que estava certo: ali, bem naquela junção entre ombro e pescoço, era o lugar em que deveria morder.

Abriu o lábios e avançou sem hesitar, cravando os dentes na carne tenra, os caninos se ampliaram de forma sobrenatural, as grandes e afiadas presas rasgaram e se afundaram na pele do Ômega.

O grito de dor de Kiba arrepiou Shino, mas ele não podia parar. Ainda não havia chegado ao ponto certo! Impôs mais força à mordida, os dentes avançando e ferindo com um propósito muito definido.

Saliva e sangue se misturaram, e Shino continuou sem vacilar.

Nem mesmo quando as garras de Kiba deslizaram por suas costas, sem que o garoto pudesse evitar, riscando oito traços similares que sangraram e doeram.

Ou quando o grito emudeceu e os gemidos silenciaram, substituídos por choro soluçado baixinho.

Shino continuou mordendo, clamando o preço pela consumação de sua Marca.

E então, uma consistência nova misturou-se ao sangue e a saliva, não tinha sabor, embora se tratasse de algo perceptivelmente diferente. Finalmente mordeu fundo o bastante para encontrar a glândula oculta no corpo do Ômega e liberar o hormônio que o mudaria, não apenas estimulando a maturidade para a gestação, mas transformando-lhe o cheiro de modo que outros Alphas percebessem o sinal de compromisso.

Foi nesse instante que a energia de ambos se interligou, se entrelaçou e trouxe contornos mais definidos ao laço que os ligava. A verdadeira essência do Ômega se expandiu e, não fosse o chacra do Alpha agindo como uma barreira protetora, aquilo seria sentido além do feudo, tamanha a proporção que tudo tomou. Por um milésimo de segundo as energias se tornaram uma única emanação, para então se separar em nuances mais distinguíveis e eminentes.

Enquanto o hormônio entrava na corrente sanguínea de Kiba e se espalhava como chama líquida, Shino encerrou a mordida e passou a lamber a ferida, recolhendo cada gota de sangue que seus dentes arrancaram.

Tornou-se consciente do melado de sêmen que lambuzava sua barriga. O Ômega atingira o orgasmo no instante em que a glândula se rompeu, estimulado em simultâneo pelo falo que o atingia na próstata. Dos olhos fechados ainda vertiam lágrimas, todavia gemidos baixinhos e cansados escapavam, porque Shino ainda o penetrava e ainda tocava naquele ponto sensível, espalhando ondas de prazer pelo corpo que já não tinha mais forças sequer para reagir à satisfação.

Uma visão que fez o próprio Alpha chegar ao clímax e gozar abundante, inundando Kiba com sêmen espesso e quente, que jorrou pelo resto do tempo que duraram as estocadas, na intenção de prolongar as boas sensações o quanto fosse possível.

Finalmente foi diminuindo a velocidade das estocadas. O vai-e-vem foi perdendo ímpeto, até que o corpo de Shino sucumbiu e ele deixou-se cair sobre Kiba. Por longos segundos houve apenas o som das respirações ofegantes e um ou outro gemido ocasional. As costas do Alpha latejaram e ele se deu conta do ferimento.

Diversão fluiu pelo vínculo, seu pequeno Ômega era mesmo selvagem.

— Shino — Kiba sussurrou — Eu...

— Você é meu agora — o homem respondeu de um jeito possessivo que fez Kiba abrir os olhos. Deparou-se com a mirada vívida do Alpha, o verdadeiro Alpha que Shino levava na alma. Um olhar intenso e seguro, que o fez sorrir emocionado.

— Eu sou seu. É tudo o que tenho pra oferecer — afirmou com um sorriso que era todo cansaço e satisfação.

Shino ergueu o rosto e observou a Marca sanguinolenta. Na verdade admirou a obra de seus dentes que agora já estavam normais. Então se virou, fazendo o pênis deslizar para fora do corpo de Kiba, causando um barulho que soou quase pornográfico. O cheiro de sêmen se tornou mais proeminente a medida que o gozo dele escorreu pelas nádegas do Ômega. Ignorou a dor das feridas para deitar-se de costas e trazer o companheiro para que se ajeitasse em seu peito, bem acomodado.

— Você é tudo o que eu quero — garantiu sem qualquer sombra de dúvidas, enquanto acarinhava os cabelos bagunçados e suados, percebendo que o companheiro se rendia ao cansaço e resvalava para um sono pesado.

Shino aguardou alguns segundos, encantado pela calma que sentiu. Recolheu a própria presença, notando a parte Alpha se refugiando no espaço em sua alma. Finalmente permitiu que a fadiga vencesse, a satisfação em todos os sentidos serviu como um berço que o acolheu e embalou o resto da noite com Kiba nos braços.

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