— Fique à vontade para fazer o que bem entender comigo, gatinha! - digo ainda de olhos fechados e sem me mover tanto para que aquela gosta verde em minha cara não escorresse por todo meu pescoço.
— Melissa coloque uma música aí, trabalhar nesse silencio me dá câimbras nas pernas. - Ouço a voz irritante da loira que estava fazendo minhas unhas das mãos. - Alguma sugestão garotas?
— Sorry Not Sorry! – digo em sussurro e ouço o riso de Janet.
—Amo essa música, cantei para meu ex em uma confraternização de karaoke que teve em Forks. – Tirei o pimentão de meus olhos e a olhei chocada. - O que? Foi tão legal, todas as garotas dos salões concorrentes entraram na onda e fizeram coro junto. Lembra Mel?
— Foi um dia incrível menina, deveria ter visto, Janet tem uma voz linda, não é perfeita, mas junto com as meninas ficou show aquela confraternização. E a cara do Lucas. - Sua risada foi acompanhada das demais garotas. - Ele não te mandou nenhuma mensagem depois Jan-Jan?
—Não é louco! E a sua história querida? Porquê dessa música na sua vida?
— Meu namorado me abandonou no meio da estrada depois que fizemos amor em seu carro! - digo como se aquilo não fosse nada, mesmo sentindo a droga da fisgada em meu peito, ignorando aquilo vejo todas as meninas pararem seu trabalho e me olharem chocadas.
—Que...
—...Filho da ...
—...Puta! - As vejo complementar uma a fala da outra e ri com aquilo, suas bocas abertas em um preiteio O. Janet balança a cabeça e a vejo com os olhos marejados. – Luccas me trocou pela minha irmã de dezenove anos, e eu tenho no momento vinte e cinco. Ela veio para a cidade e não sabia que ele era meu namorado, mas ele sabia sobre ela, eu vivia dizendo sobre ela...quando ela soube quem ele era...bom, hoje eu tenho minha irmã. E ele não tem ninguém. – Foi minha vez de ficar chocada com aquilo, que desgraçado.
— Meu noivo me trocou por outro homem, não fiquei chocada nem nada, no momento teve toda aquela tensão de raiva e ódio, mas depois fiquei de boa, eu já suspeitava. Ele era muito afeminado, mas do que eu mesma. – Melissa dá de ombros e volta a fazer minha unha.
— Uau. - Digo sem ter muito o que realmente dizer ali.
— E você Andréa? Não vai contar sua história a nossa querida Izzy? - Pergunta Janet a olhando com carinho, Déia abaixa a cabeça e olha para seus próprios pês parecendo envergonhada, dando um longo suspiro me olha como se fosse ler minha alma e diz em um tom baixo e firme a frase que me deixou chocada.
— Eu sou a irmã de dezenove anos!
—_
Quando sai daquele salão, meus cabelos estavam mais escuros e em um corte meio repicado ainda com seu comprimento natural, sorri me olhando no vidro do carro e coloquei meus óculos escuros abrindo a porta e me dirigindo até o único lugar que deveria ir no momento : La Push!
Quando paro o carro vejo a velha casinha do velho Black, desci do carro e fui em direção a porta batendo na mesma, ouço o barulho de suas rodas vindo em minha direção e logo o chiado da porta se abrindo e seus grandes olhos negros abrindo em surpresa. - Bella?
— Billy! Jack está aí? - O vejo balançar a cabeça como se espantasse certos pensamentos e o olho esperando a tal resposta.
— O que aconteceu com você? Não que você esteja feia não, querida é que...uau! Ahãm, Jack não está ... ele saiu com os meninos da aldeia. - Sorri docemente e agradeço seu 'elogio' em um sussurro e olho para o horizonte a minha frente e sinto uma grande vontade de andar por aí.
— Diga a ele que estive por aqui, obrigada Billy! - o vejo mexer a cabeça em consentimento e voltar para o recanto de sua casa, suspiro ao travar o alarme de meu carro e ando reto pela floresta a dentro. Sinto o cheiro da mata e pela primeira vez aquilo não me incomoda... é bom, é como se eu fizesse parte dessa natureza. La Push me fazia bem, a energia que passava por todo meu corpo como se eu fizesse parte de algo ali dentro. Era gostoso e excitante. Ouço meus próprios passos e o assobio das arvores se misturando com o batucar que o pica-pau fazia em uma arvore e os pássaros cantantes passando por cima de minha cabeça. Sinto meus pelos se arrepiarem ao ouvir o uivo ao longe, começo a andar sem ao menos fraquejar em direção ao uivo do animal. "O que está fazendo? Saia daí Bella!" Paro ao ver sua imagem à minha frente pedindo para que eu pare de fazer o que gostaria de fazer, rosno e balanço a cabeça para que sua imagem sumisse. – Saia da minha cabeça seu cretino! - Andei a passos largos pela primeira vez na vida sem cair em meus próprios pês. Sinto o cheiro de madeira velha e flores do campo em um forte cheiro de pêssego. Algo me mandava entrar mais profundo na floresta tomando uma proporção que nem ao menos saberia voltar por onde vinha. Ouço grunhidos e rosnados misturados com latidos fortes.
E sinto meus olhos crescerem em uma proporção fora do normal ao ver o que tinha a vinha frente, uma matilha enorme de lobos...e eu não saberia dizer o que era tão grande se os lobos ou a matilha e sinto todo meu corpo travar ao ver que todas as atenções deles estavam em minha direção, sinto cada pelo de meu corpo ficar de pé e uma corrente elétrica passar por todo meu corpo me puxando em vossas direções. Sinto meus pés me traírem e indo de frente ao enorme lobo de pele avermelhada e grandes olhos castanhos e eu sentia como se pudesse ler sua alma.
E então me lembrei daquela história me contada por Jacob a meses atrás enquanto estávamos na praia de La Push, a mesma história que me causou arrepios em meus sonhos e me fizeste ter a confirmação de quem os Cullens eram:
* "— Você já conhece Bella, Jacob? — Lauren perguntou, num tom que me pareceu insolente, do outro lado da fogueira.
— Nós meio que nos conhecemos desde que eu nasci. — Ele sorriu olhando para mim de novo.
— Que legal. — Ela não pareceu achar nem um pouco legal, e seus olhos pálidos, puxados, reviraram.
— Bella. — Ela me chamou novamente, observando meu rosto cuidadosamente. — Eu acabei de falar com Tyler que era uma pena que nenhum dos Cullen possa ter vindo hoje. Ninguém pensou em convidá-los? — A expressão de preocupação dela não era convincente.
— Você quer dizer a família do doutor Carlise Cullen? — O garoto alto, mais velho respondeu antes que eu tivesse a chance, para irritação de Lauren.
Ele estava mais para homem que para garoto e sua voz era muito grossa.
— Sim, você os conhece? — Ela perguntou sem querer, se virando um pouco na direção dele.
— Os Cullen não vêm aqui. — Ele respondeu num tom que fechou o assunto, ignorando a pergunta dela.
Tyler, tentando ganhar a atenção dela de volta, perguntou a Lauren a sua opinião sobre um CD que ele segurava. Ela estava distraída.
Eu olhei para o garoto com a voz grossa, com um pé atrás, mas ele já estava olhando para a floresta atrás de nós.
Ele tinha dito que os Cullen não viriam aqui, mas o tom dele implicava algo mais. Como se eles não fossem permitidos vir, que eram proibidos.
Seus modos deixaram uma má impressão em mim, e eu tentei ignorar isso sem sucesso.
Jacob atrapalhou minha meditação.
— Então, Forks já está te levando à loucura?
— Oh, eu diria que isso é um jeito suave de dizer a verdade. — Sorri.
Ele sorriu compreendendo.
Eu ainda estava pensando no breve comentário sobre os Cullen, e eu tive uma inspiração repentina. Era um plano estúpido, mas eu não tive nenhuma ideia melhor. Rezei para que o jovem Jacob não tivesse muita experiência com as garotas, assim ele não veria além da minha falsa máscara de interesse.
— Você quer caminhar pela praia comigo? — Eu perguntei, tentando imitar aquela olhada que Edward dava por debaixo dos cílios.
Eu não poderia ter o mesmo efeito nem de perto, eu tinha certeza, mas Jacob me pareceu interessado o suficiente.
Enquanto andávamos para o norte pelas pedras multicoloridas na direção dos salgueiros, as nuvens finalmente fecharam o céu, fazendo o mar ficar escuro e a temperatura baixar. Eu enfiei as mãos bem no fundo dos bolsos da minha jaqueta.
— Então, você tem quantos? Dezesseis? — Eu perguntei, tentando não parecer uma idiota enquanto flutuava os meus cílios do jeito que eu via as garotas fazendo na TV.
— Eu acabei de fazer quinze. — Ele admitiu, lisonjeado.
— Mesmo? — Meu rosto estava cheio de falsa surpresa. — Eu pensei que você fosse mais velho.
— Eu sou alto para minha idade. — Ele explicou.
—Você vem muito à Forks? — Eu perguntei arfando, como se eu esperasse que a resposta fosse sim.
Eu soei idiota até para mim mesma. Eu temia que ele se virasse contra mim com nojo, me acusando de fraude, mas ele ainda parecia estar lisonjeado.
— Não muito. — Ele admitiu com uma careta. — Mas quando meu carro estiver pronto eu posso vir quantas vezes eu quiser, quando eu tiver minha carteira de motorista.
— Quem era o outro garoto falando com Lauren? Ele pareceu um pouco velho para estar andando com a gente. — Eu propositadamente me coloquei no grupo dos jovens para demonstrar que eu preferia Jacob.
— Aquele é Sam, ele tem dezenove. — Ele me informou.
— O que era que ele estava falando sobre a família do médico? — Eu perguntei inocentemente.
— Os Cullen? Oh, eles não podem entrar na reserva. — Ele olhou para longe, na direção da Ilha James, enquanto ele confirmava o que eu pensava ter ouvido na voz de Sam.
— Por que não?
Ele olhou de volta para mim, mordendo o lábio.
— Oops. Eu não devia estar falando nada sobre isso.
— Oh, eu não vou contar para ninguém, eu só estou curiosa. — Eu tentei deixar meu sorriso atraente, imaginando se eu estava indo longe demais.
Ele sorriu de volta, entretanto, parecendo atraído. Então levantou uma das sobrancelhas e sua voz ficou ainda mais rouca que antes.
— Você gosta de histórias assustadoras? —Ele perguntou obscuramente.
— Adoro. — Fiz um esforço para parecer interessada.
Jacob caminhou para essa árvore próxima que tinha uns galhos que pareciam com patas de aranhas enormes. Ele se inclinou num dos galhos tortos enquanto eu sentava embaixo dele, no tronco da árvore. Ele olhou para as rochas, um sorriso começando a aparecer nos cantos dos seus lábios grossos. Eu podia ver que ele tentava deixar a história interessante. Eu tentei não deixar o interesse vital que eu sentia aparecer nos meus olhos.
— Você conhece alguma das nossas antigas histórias, sobre de onde viemos... quer dizer, dos quileutes? — Ele começou.
— Na verdade não. —Eu admiti.
— Bom, existem muitas lendas, algumas delas datam da época do Dilúvio, supostamente alguns dos nossos ancestrais quileutes amarraram suas canoas nos topos das árvores mais altas da montanha para se salvarem, como Noé fez com a Arca. — Ele sorriu para mostrar o pouco crédito que ele dava a essas histórias.
— Outra lenda diz que nós somos descendentes dos lobos, e que os lobos ainda são nossos irmãos. É contra a lei tribal matar eles. Então tem as lendas sobre Os Frios. — A voz dele ficou um pouco mais baixa
— Os Frios? —Agora eu não estava fingindo minha intriga.
— Sim. Existem lendas sobre os frios como existem sobre os lobos, e algumas delas são muito mais recentes. De acordo com a lenda, o meu próprio tataravô conhecia alguns deles. Foi ele quem criou o tratado que os mantêm fora das nossas terras. — Ele revirou os olhos.
— Seu tataravô? — Eu encorajei.
— Ele era um líder tribal, como meu pai. Sabe, os frios são os inimigos naturais dos lobos, bem, não do lobo, mas os lobos que se transformam em homens, como os nossos ancestrais. Você os chamaria de lobisomens.
— Lobisomens têm inimigos?
— Só um.
Eu olhei para ele ansiosamente, tentando fazer a minha impaciência se transformar em admiração.
— Entenda, — Jacob continuou — os frios são tradicionalmente nossos inimigos. Mas esse grupo que veio para o nosso território na época do meu tataravô era diferente. Eles não caçavam do jeito que os outros caçavam, eles não representavam perigo para a nossa tribo. Então meu tataravô fez um trato com eles. Se eles prometessem ficar longe das nossas terras, nós não iríamos expor eles para os caras-pálidas. — Ele piscou para mim.
— Se eles não eram perigosos, então por que...? — Eu tentei entender, lutando para não o deixar perceber o quanto eu estava levando essa história a sério.
— É sempre um risco para os humanos ficar perto dos frios, mesmo se eles forem civilizados como esse clã era. Nunca se sabe quando eles podem estar com fome demais para resistir. — Ele deliberadamente colocou um tom de ameaça na voz dele.
— O que você quer dizer com 'civilizados'?
— Eles diziam que não caçavam humanos. Ao invés disso, eles supostamente eram capazes de se alimentar de animais.
Eu tentei manter minha voz casual.
— Então o que eles tinham a ver com os Cullen? Eles são parecidos com os frios que seu avô conheceu?
— Não. — Ele parou dramaticamente. — Eles são os mesmos.
Ele deve ter pensado que a expressão no meu rosto era medo inspirado pela história.
Ele sorriu, satisfeito e continuou.
— Tem mais deles agora, uma nova fêmea e um novo macho, mas os outros são os mesmos. Na época do meu tataravô eles já conheciam o líder, Carlisle. Ele esteve aqui e foi embora antes que o seu povo chegasse. — Ele estava lutando para não sorrir.
— E o que eles são? — Eu finalmente perguntei. — O que são os frios?
Ele sorriu obscuramente.
— Bebedores de sangue. — Ele respondeu com uma voz arrepiante. — Vocês os chamam de Vampiros.
Eu olhei para as ondas depois que ele disse isso, sem ter certeza do que o meu rosto estava demonstrando.
— Você ficou arrepiada. — Ele disse deliciado.
— Você é um bom contador de histórias. — Eu o cumprimentei, ainda olhando para as ondas.
— Uma história bem louca, não é? Não é de se admirar que o meu pai não queira que a gente fale disso para ninguém.
Eu ainda não conseguia controlar a minha expressão o suficiente para olhar para ele.
— Não se preocupe, eu não vou espalhar.
— Eu acho que acabei de violar o acordo. — Ele sorriu.
— Eu vou levar isso para o meu túmulo. — Prometi, e então estremeci.
— Sério, mesmo, não diga nada para o Charlie. Ele já ficou bem bravo com o meu pai depois que descobriu que ninguém estava indo ao hospital desde que o Dr. Cullen começou a trabalhar lá.
— Eu não vou contar, claro que não.
— Então você acha que somos um bando de nativos supersticiosos ou o que? — Ele perguntou em tom de brincadeira, mas com uma ponta de preocupação.
Eu ainda não tinha tirado os olhos do oceano. Eu me virei para ele e sorri tão naturalmente quanto pude.
— Não. Apesar disso, eu acho que você é um bom contador de histórias. Eu ainda estou arrepiada, viu? — Eu levantei meu braço.
— Legal. — Ele sorriu.
Então o barulho das pedras batendo umas contra as outras nos alertou de que alguém estava vindo. Nossas cabeças levantaram ao mesmo tempo para ver Mike e Jéssica a cinquenta metros de nós e vindo em nossa direção.
— Aí estava você, Bella. — Mike disse aliviado, balançando seu braço sobre a cabeça.
—Esse é o seu namorado? — Jacob perguntou, alertado pelo tom de ciúmes na voz de Mike. Eu estava surpresa que fosse tão óbvio.
— Não, definitivamente não. — Eu cochichei..." *
— Frios e ...- Arregalo os olhos ao olhar novamente para o grande lobo a minha frente me olhando como se me conhecesse, como se conhecesse toda minha dor e minha alma. E aquele olhar era totalmente conhecido por mim, eu nunca me enganaria, nunca esqueceria desses grandes olhos tão quentes. – Jacob!
