09 de março de 1986

Corra! Corra Allison. – A mulher corria mais do que suas pernas aguentavam, sua enorme barriga não era uma ajudante adequada para aquele momento, mas o que não era adequado realmente era aquelas dores em avisos. Avisos de que seu bebe estava para nascer a qualquer momento naquela noite. Justamente a noite em que Joshua chegara bêbado em casa querendo uma briga por um motivo qualquer.

Por-por favor bebe, agora ... agora não!- seu gemido era ouvido pela floresta da reserva. E não somente por ela, mas pelos monstros que ela habitua.

Ora, ora o que temos aqui...- Allison ao olhar para a voz que saia entre as arvores ofega ao ver olhos ... olhos em um vermelho totalmente sangue.

Momentos atuais :

P.V.O Sam Uley

"-... Emily, não ficou nessa de negação por muito tempo não é mesmo ? – Sua voz estava ardendo minha audição, eu sentia a necessidade de cravar meus dentes em seu pescoço a manter calada para sempre.- Foi pouco tempo depois, ainda no hospital que ela lhe deu uma chance, enquanto você estava lá pedindo para que ela o mandasse morrer, porque só assim para um lobo conseguir sua morte-... – As lembranças invadiam minha mente, eu sentia a conexão com os meninos da matilha e ouvia suas vozes me mandando ter calma que já estavam chegando, mas era esse o problema, eu não quero ter calma, não quero parar... eu quero cravar meus dentes caninos nessa garota maldita.- ...quando sua companheira o manda para a morte. Mas o que você não sabe Samuel, é que Emily não é realmente sua companheira não é mesmo ? – Sinto meu corpo vacilar, as tremedeiras aumentarem e os passos que dava sem ao menos perceber. Sentir dor, essa dor, seria compensada no final não ? Quando não ouvisse mais falar de Isabella Swan.- Eu não sei como sei disso, mas de uma forma bem bizarra eu sei... e quero que sua querida vadia Emily sofra o dobro do que ela causou em Leah.- Não, Isabella você não disse isso a mim. "- SAM, não faça isso! SAM!"- VAI FAZER O QUE SOBRE ISSO SAM ULEY! – E meu corpo grande em pequenas cautelas, ignorando totalmente os chamados de horror de Leah e dos meninos, fui me aproximando como um velho caçador, entre rosnados e dentes pontudos arreganhados em sua direção e então eu a ataquei."

E foi no meio de tanta lembrança daquele dia que me vejo no meio da floresta na Carolina do Norte, minha pata esquerda com a cicatriz já fechada causada por mim mesmo, foi naquele momento onde senti minhas garras entrando em atrito com a perna de Isabella que percebi o sangue descer em minha própria pata, e suas palavras tão firmes e gritante voltaram a minha cabeça, Emily de fato não era minha impressão, mas como, como poderia ter me enganado por todos esses anos. Eu machuquei Leah, afastei Emily de sua melhor amiga...e para que ? E todo aquele amor, declarações e madrugadas e noites em nossa cama ? Foram tudo uma ilusão criada pelo meu próprio demônio? Para no final ser quem menos desejava...Isabella Swan!

E foi onde percebi, coisas antigas que minha mãe me dizia voltaram a minha cabeça em meio a perdições , nem tudo que a gente quer ter, quer dizer que é realmente bom para a gente. Às vezes temos uma mania de querer empurrar coisas que não fazem mais sentido em nossa vida por medo de encarar a realidade. Às vezes a gente acha que colocar toda sujeira para debaixo do tapete e continuar em algo que não vale mais a pena, é o melhor caminho. Nós erramos ao pensar que o amor é permanecer, é suportar absolutamente tudo e ficar independente de qualquer coisa. Mas a verdade é que o amor é, também, cair fora quando o outro não te respeita. É ir embora por que o sentimento não é recíproco, é deixar para trás aquilo que não te acolhe mais, aquilo que só te machuca. Amor é saber abandonar o barco quando você estiver remando sozinho, é desatar os laços que se transformaram em nós apertados. E foi o que minha mãe fez, ela me criou sozinha quando meu pai nos abandonou, e foi o que de fato eu fiz por Leah, mesmo sem explicação alguma...e Emily não estava errada quando me comparou a ele naquela noite trágica. Eu sou realmente parecido com Joshua!

Não compreendia até o momento várias razões do amor, amor é entender que nem sempre a gente fica com o amor das nossas vidas, que amar alguém pode durar uma semana ou uma vida inteira, mas que o amor deixa de fazer sentido quando só um está disposto, e de fato eu não amava Leah como antes da metamorfose, quando só um quer fazer valer. Amor é saber seguir em frente sozinho, é se virar com a dor da saudade e aceitar que um dia ela para de doer e você volta a agradecer pelo que foi embora. Amor é ter a consciência de que, se você se doou por inteiro e mesmo assim, o outro não enxergou a tua entrega, quem perdeu não foi você. Mas realmente, será que eu não perdi? Amor é ter que abrir mão de alguém que você gosta pra caralho, porque você, por mais que tente, não consegue enxergar mais razões para permanecer ali. E eu não conseguia mais me ver em Leah, eu não a enxergava mais como antes, meu olhar meu mundo rodava por Emily, ela era meu imprint afinal, não ? Amor é ter coragem de dizer: ''chega'', de virar as costas, de se desligar de alguém você não se sentia disponível o tempo todo, e não querer a machucar ainda mais com seu afastamento. Amor também é ter coragem de pôr um fim ao invés de adiar algo que já acabou faz tempo só porque você não consegue aceitar.

E no final, eu ainda amo Leah, como uma irmã e uma amiga mesmo que ela não me aceite em sua vida, ela fez parte do meu passado. Mas como aceitar que Emily não era para mim o que imaginei ?

" Ela estava lá, bem no meio da floresta, não da mesma forma que a meses atrás eu havia lhe encontrado, mas estava ali. E estava bela. Mesmo de costas eu reconhecia seu cheiro, eu queria voltar a minha forma humana e lhe pergunta o que diabos estaria fazendo no meio do nada, se pondo em perigo!

Sua aproximação exagera em direção a Leah que lhe rosnava e lhe xingava em pensamentos, eu via o choque e a adoração de Isabella por seus pensamentos, mas foi quando ela tocou-lhe em Leah que o mundo parou, todos se agacharam em respeito e puro amor, um amor inocente de irmãos, filhos por uma mãe. Confiança. Os joelhos de Leah tremeram-se e se colocarão ao chão, todos se entregaram a Isabella...menos eu. Eu me sentia enfurecido por ela estar roupando um respeito que era a mim. E então eu a vejo se virar em minha direção. Perfeito. Eu me inclinei para a frente e então eu olhei em seus olhos e senti o calor começar a me transformar, enquanto crescia o impulso que me atraía para aquela que estava roubando meu lugar– o mais forte que eu já havia sentido, tão forte que me lembrava meu próprio comando de alfa, como se pudesse me esmagar se eu não obedecesse.

Dessa vez eu queria obedecer.

Isabella olhou para mim– o olhar mais focalizado do que devia ser o de qualquer criatura a quilômetros de distância.

Olhos castanhos e afetuosos, da cor de chocolate ao leite. Meu tremor parou subitamente; o calor me inundou, mais forte do que antes, mas era um novo tipo de calor – não queimava.

Era resplandecente.

Tudo em mim se desfez enquanto eu olhava o minúsculo rosto a metros de distância de mim. Todas as linhas que me prendiam à minha vida foram rompidas em golpes rápidos, como se alguém cortasse as cordas de um feixe de balões de gás. Tudo o que me tornava quem eu era – meu amor pela mulher que me esperava em casa, meu amor por minha mãe, minha lealdade à minha matilha, o amor pelos meus irmãos, o ódio pelos meus inimigos, minha casa, meu nome, meu eu – desconectou-se de mim naquele segundo e flutuou para o espaço.

Mas eu não fiquei à deriva. Um novo fio me prendia onde eu estava.

Não um fio, mas um milhão deles. Fios não, cabos de aço. Um milhão de cabos de aço me prendendo a uma única coisa – ao próprio centro do Universo.

Podia perceber isso agora – como o Universo girava em torno daquele único ponto. Eu nunca tinha enxergado a simetria do Universo, mas agora ela era clara.

A gravidade da Terra não me prendia mais ao lugar em que eu estava momentos antes, ou talvez vidas antes dela. Agora era a garota a longos passos de distância de mim que me mantinha ali.

E eu não poderia aceitar aquilo, e enquanto me dilacerava por toda aquela confusão de sentimentos, me vi em uma briga violenta com Jacob ao tentar atacar Isabella, e eu sabia que por ela qualquer um daquela matilha mataria seu alfa. Até mesmo o Jacob Black, mataria seu próprio irmã de linhagem."

"-Isabella!" garota maldita, ao chegar em casa não aguentei a dor em meu coração e o desespero, o que seria de mim e Emily a parti de tudo aquilo ? Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. Dizer adeus para Emily não estava em meus planos, eu não iria me entregar a Isabella, doa a quem doer. Eu pertencia a Emily ...foi isso que senti dede o começo quando a vi, as coisas não poderiam ter mudado. Não tão drasticamente assim. E então depois de semanas sem ver minha mulher eu me pus a correr. Precisava de Emily ao meu lado. Precisava de seu calor e de suas palavras de conforto.

— Ly ? – entro em casa e estava tudo um grande silencio, as malas que antes foram motivo de nossa briga a semanas atrás ainda estavam no outro lado do quarto, nenhum dos dois gostariam mesmo de as pegar.- Amor ?- vou ao banheiro e nada, nem ao menos seu cheiro.- Emily ? – vou a cozinha, sala e nada. Até que volto ao nosso quarto e vejo o papel a cima da cama. Seu cheiro gravado nele.

"Eu sinto muito Sam, mas não quero passar pelo mesmo que Leah passou, agradeço sua confiança em me contar as coisas que sente, mas não vou ficar aqui para lhe dividir com alguém, não vou ficar aqui para ser sua mulher e ela a outra! Não faça isso com nós duas...

Adeus... para sempre sua Ly !"

— Não!- sussurro ao meu ao choro.- Ela me deixou, ela me deixou!

—Sam ? – olho para a porta de meu quarto e vejo quem menos esperava ali.- Sam, você está bem ? Sentimos o seu cheiro na casa queria ter certeza que era mesmo você, você está bem ?

— Liga para a Isabella agora! – rugi indo em sua direção.

—O que ?

—LIGA PARA A ISABELLA AGORA!- seguro-a pelos braços e a puxo em minha direção.- Eu quero ela na reserva em menos de trinta minutos Leah!- Vejo sua cabeça balançar freneticamente e então eu a solto. A vejo pegar o celular e discar um número às pressas e logo em seguida me olhar.

— Alo, Leah. – ouço sua voz e solto um rosnado pegando o telefone das mãos de Leah, respiro fundo pesadamente. "Respire Sam, respire!"

— Preciso que você venha até a reserva e Isabella...não demore!- ouço sua respiração falhar e o golfar dela se entalando em seus pulmões em busca de ar.

—Sam ?