Espero que tenham gostado do capítulo anterior. Embora tenha sido curtinho, levei meses para ter a coragem de publicar. Agradeço a Daniela, minha beta de sempre, e dedico esta fanfic a ela. Era para ter sido um presente de Natal, mas infelizmente não deu tempo e acabou virando um presente de Carnaval.

A proposta inicial era a de que fosse uma oneshot, mas acabaram em quatro: um terceiro, e um epílogo. No mais, espero que estejam gostando. Beijos severísticos!

Capítulo II

- O seu último artigo sobre a poção Lobisomem foi excelente! Aquele parágrafo sobre como os efeitos colaterais podem ser diminuídos pelo modo de cozimento dos ingredientes é realmente inspirador.

- Obrigada, senhorita...

- Page. Mas pode me chamar de Eliza. - ela sorriu para ele, piscando.

- Certo - Snape respondeu um pouco desconcertado, fazendo Hermione bufar ao lado dele.

- Na verdade o artigo foi escrito por mim e pela Senhorita Granger - Severo acrescentou, apontando para Hermione sentada ao lado dele na mesa dos professores no Salão Principal.

- Senhorita Page. - Hermione estendeu a mão para cumprimentá-la, tentando ao máximo parecer simpática.

- Sim - o sorriso da Senhorita Page era gelado. - Claro. Deve ser uma honra trabalhar ao lado de Severo. Desculpe, Senhor Snape - ela riu olhando para ele, descaradamente flertando, e Hermione engasgou com o vinho. - Na América sempre chamamos as pessoas pelo primeiro nome, ainda não me habituei a este costume britânico.

- Engraçado você dizer - Hermione começou - mas estudei por seis meses na Ilvemorny durante meu aprendizado em Poções e todos se chamavam pelo segundo nome. - a voz de Hermione era calma e irônica, mas sua expressão não deixava dúvidas da antipatia cada vez mais crescente que ela sentia pela outra mulher.

- Mesmo? - O sorriso da Senhorita Page estava trincado, e Severo, que estava bem no meio das duas bruxas, podia sentir a tensão entre elas transbordar.

Ele queria intervir, mas sua mente sonserina estava gostando - e muito - de ver Hermione Granger irritada. Ele não sabia o motivo, mas sua aprendiz claramente detestara a mulher que não parava de falar com ele. Severo nem sequer prestara atenção no nome dela. Alguma coisa com Eloisa? Elizabete? Não importava. O que importava para ele naquele momento era ser o expectador das faíscas - metaforicamente e quase literalmente - que as duas mulheres soltavam. Obviamente e para surpresa de ninguém Hermione estava com a vantagem, e a medida que a conversa atravessada progredia, Severo pode memorizar cada gesto e expressão no rosto de Hermione.

"Merlim, ela fica linda irritada", ele pensou, observando as bochechas dela ficarem vermelhas, e o cabelo encaracolado ficar ainda mais brilhante com a agitação em sua magia. E a sua voz... Deuses! Ele não achava que Hermione Granger poderia ficar ainda mais adorável, mas aqui estava ela. Severo sabia que precisava prestar atenção na conversa para o caso de ter que evitar que elas se matassem, mas tudo que conseguia pensar era em como a pele dela parecia macia, e como seria beijar as sardas adoráveis no seu nariz, em como seria senti-la ao seu redor.

- Senhor? - Foda-se, Snape! Pare com isso!

- Sim? – ele se forçou a responder, sabendo que o seu rosto estava em chamas e que Hermione o observava com curiosidade.

- O que acha, Senhor Snape? – a garota americana perguntou, fazendo-o acordar do transe. Merda, o que eu perdi? Mas Hermione olhava para ele com expectativa, então deveria ser algo importante.

- Er... Sim, claro. – a garota deu um gritinho agudo de satisfação que o irritou até a alma, e Hermione o olhou totalmente ferida enquanto a garota sorria.

Merda. Dupla merda. O que ele tinha concordado?

...

- Hermione, espera! - Severo chamou, se amaldiçoando internamente por ter aparentemente concordado em sair com uma mulher que ele mal lembrava o nome. - Merlin, mulher, você vai parar e me escutar? - ele tentou novamente, se arrependendo no segundo seguinte.

- Parar e te escutar? - Hermione voltou, furiosa. – Escutar o que?! E além do mais, a Eliza - ela zombou - não está te esperando?

Se Severo soubesse melhor diria que Hermione estava com ciúmes. Seu coração bateu dolosamente no peito com a faísca de esperança, mas ele logo se recriminou. Era impossível.

- Eu não vou sair com a maldita Eliza, droga!

- Mas você disse sim! - Bom Deus, ele queria beijá-la.

- Eu não estava prestando atenção! Sinceramente, o que faz você pensar que eu sequer cogitaria sair com aquela mulher?

- O que me faz pensar?! – de alguma maneira ele só conseguia fazê-la ficar ainda mais irritada. Era um dom. – Não faça esse jogo comigo, Severo. Ela é linda! E usa roupas caras, é inteligente, interessante. Todos os homens querem sair com Eliza Page. E ela estava praticamente pulando no seu colo no Grande Salão, na frente de crianças, o que foi horrível – ela acrescentou, mas o fato é que ela parece gostar de você, então... Não precisa perder seu tempo aqui comigo.

Severo vira uma vulnerabilidade em Hermione que ele não via desde que foram até a Austrália encontrar seus pais, e ele quis abraçá-la com tanta força, queria se agarrar a ela e cheirar aquele cabelo poderoso dela e não largá-la nunca mais. E, Merlin, ela estava tão perto. Ele só queria mandar tudo para os ares e contar como se sentia, mas pela sua experiência isso provavelmente arruinaria toda a amizade e ele não conseguiria suportar.

- Ela não faz o meu tipo. - ele disse simplesmente, como se dissesse o "o chá está morno".

- O tipo alta como modelo? - ela zombou, mas Severo vira novamente o traço de tristeza passando pelos seus olhos, tentando veementemente não se agarrar a falsas esperanças.

- Hermione - Severo chamou suavemente, dando um passo para ficar mais próximo dela.

- Está tudo bem - ela se afastou, dilacerando o seu coração. – Eu só não gosto dela. E espero que a relação de vocês não atrapalhe a pesquisa.

- Relação?! Eu nem conheço a mulher! – ele estourou, achando toda aquela conversa muito absurda.

- Mas quer conhecer!

Merlin sagrado, Severo rogou por paciência, e quando olhou novamente para Hermione fez questão de pontuar, pausadamente:

- Eu.nã .importo com a Eliza Page, ou seja lá qual for o nome dela. A garota está aqui a uma semana e eu sequer abro a boca quando ela insiste em tagarelar perto de mim. E além do mais, por que está tão preocupada com ela?

- É da minha conta se pode afetar a minha pesquisa.

- Sua? O que aconteceu com o nossa? Você fez tanta questão de usar o "nossa" para me importunar nesses últimos quatro anos, e agora a pesquisa é sua?

- Justamente! Nossa! E não daquela mulher irritante! - e então Hermione estava chorando. Mesmo. De fazer pesar os lindos cílios castanhos dourados, e Severo estava perdido. Ele não tinha ideia do que estava acontecendo, do que tinha feito para magoá-la.

- Não acredito que estou chorando - ele a ouviu dizer em meio ao soluço - que vergonha. Eu só...

- Hermione, eu não quis chatear você. Por favor, me desculpe. Eu...

- Não! Severo, você não fez nada. Mas - ela respirou fundo, tentando se controlar, e se virou de costas para ele.

- Mas - ele instigou, e esperou pacientemente para ouvi-la.

- Severo, eu... Preciso te contar uma coisa - ela finalmente se virou para ele, e parecia tão pequena e frágil, mas ao tempo tão firme e resoluta. Ela era um paradoxo. Um enigma que Severo sabia que nunca desvendaria, mas que viveria feliz tentando, para sempre.

- Sim... - ele finalmente conseguiu responder.

- Mas você tem que me deixar terminar. E me prometer que aconteça o que acontecer, você não deixará de ser meu amigo.

- Hermione - Severo ia argumentar, mas Hermione o impediu.

- Por favor. - Ela pediu, olhando para ele com aqueles olhos brilhantes e intensos, doces. Como ele poderia dizer não? Então ele concordou, sentindo seu estômago gelar com as milhares de possibilidades que passavam pela sua cabeça.

- Bem - Hermione assentiu, de repente muito consciente de si mesma e do que estava prestes a fazer. Respirando profundamente, ela começou, afastando-se dele para sentar-se próximo a janela, seu olhar perdido na paisagem escocesa que ela tanto amava. - Você, claro, estava certo quando disse que eu tinha voltado a Hogwarts porque não tinha a mínima ideia do que fazer com a minha vida. É claro que não admitiria isso nem para mim mesma, mas você me fez enxergar e encarar isso. Depois que voltei da Austrália pela primeira vez, sozinha, estava tão desolada por ter magoado meus pais. Achei que eles nunca me perdoariam, e me afastei porque não podia suportar o olhar decepção deles para mim. E estar n'Toca não parecia certo. É claro que a Molly sempre foi adorável comigo, mas eu nunca poderia ser o que ela queria que eu fosse. Então adivinha? Fugi de novo. E fugi para cá. Para o lugar que fora minha casa por tanto tempo e que amava tanto.

- E você estava exatamente do mesmo jeito - ela fez uma careta adorável nessa parte, e Severo se viu sorrindo. - Só que eu não era mais uma aluna, e você não podia mais descontar pontos da minha casa, então me vi cada vez mais tentada a provocá-lo. Até que as brigas viraram provocações, e as provocações conversas, e nós finalmente nos tornamos amigos. Não sei exatamente quando isso aconteceu... - ela fez uma pausa, e Severo aproveitou para falar.

- Se me permite a interrupção, acho que foi quando você desmaiou bêbada no meu sofá e tive que segurar o seu cabelo para vomitar - ele concluiu com um sorriso provocador, adorando vê-la corada. Ele adorava provocá-la com essa história.

- Você não pode se ajudar, não é? - ela riu, olhando de relance para ele.

- É mais forte que eu. – acrescentou com aquela voz provocativa que estremecia Hermione até o núcleo.

- Já que você colocou um marco terrível para o início da nossa amizade... – ela brincou antes de prosseguir, sua expressão ficando séria novamente - Ter você comigo foi um sopro de ar fresco. Você não hesita em me dizer quando estou sendo irritante, mas não diz para me magoar. Pelo contrário, você não me critica por eu ser como sou, e nunca duvida das minhas pesquisas ou da minha capacidade. Você voltou comigo até a Austrália e me apoiou a conversar abertamente com os meus pais, e eu sabia que independente de como a conversa terminasse você estaria lá para mim.

- E você tem estado lá para mim por quatro anos agora, sem contar, óbvio, os anos antes da guerra. - Dizer que Severo estava chocado era pouco. Ele não tinha ideia de para onde a conversa estava indo, mas ele sabia que Hermione Granger era a mulher mais linda e brilhante do mundo.

- E você tem esse sorriso - ela continuou - você nem faz ideia do efeito que tem em mim. – Severo não tinha certeza do rumo em que a conversa estava tomando, mas sabia que seu coração estava batendo tão forte que ele tinha medo que Hermione escutasse – O fato é que eu sei que você nunca vai estar interessado porque, por favor! Olhe para mim. Eu sei que não me visto na moda, e que meu cabelo tem muito volume, e que minhas mãos estão sempre sujas de tinta, e não importa quantas vezes eu tenha tentado, nunca consegui pegar o seu olhar. Então entendi que você nunca estaria interessado. E tudo bem! Quer dizer... - ela riu e chorou - não tudo bem, mas desde que eu tivesse você como amigo ficaria tudo bem. Só que ver aquela mulher com você hoje levou a melhor da grifinória em mim, e percebi que não poderia continuar com isso.

- Hermione-

- Você disse que me deixaria terminar - ela sorriu fracamente, fugindo a todo custo do olhar dele. – Eu decidi que vou terminar minha pesquisa e passar um tempo na Austrália com os meus pais. Eles vão fechar o consultório e passar o verão na França antes de voltarem para a Inglaterra, e achei melhor passar um tempo com eles. Mas não sem antes dizer o que eu sinto.

E como se o mundo parasse, ela disse. Ela. Disse.

- Eu amo você Severo Snape. Tanto. Eu quero estar com você sempre, beijar você, abraçar você, espantar todas as suas lembranças ruins. Eu quero isso por tento tempo... - ela fechou os olhos, lágrimas rolando livremente agora, e Severo estava muito chocado para se mexer.

Hermione estava apaixonada por ele. Hermione, a mesma mulher que assombrara seus pensamentos pelos melhores 4 anos de sua vida. A mulher adorável que ruiu todas as suas barreiras com um sopro, trazendo alegria e leveza para a sua vida. E ela estava ali, olhando para ele. Para ele.

- Hermione - francamente, Severo. Você pode fazer melhor que isso. – Eu não... - e ele não sabia o que dizer. Severo fucking Snape estava sem palavras.

- Eu entendo - Hermione disse, interpretando o seu silêncio erroneamente. Mas felizmente Severo acordara para os seus sentidos e a segurou antes que ela saísse, mandando um grande foda-se para seus medos porque, por favor!, a mulher que ele amava o amava de volta e ela estava ali, se declarando para ele.

- Você, mulher impossível, teimosa e maravilhosa. - ele disse do fundo do coração, abraçando-a forte, como quisera a tanto tempo. - Como você pode até mesmo cogitar que não é deslumbrante? - ele se afastou um pouco para fazê-la olhar para ele, segurando o seu rosto entre as mãos - porque você é Hermione. Você é a mulher mais linda do mundo. O seu cabelo reflete exatamente quem você é e eu amo isso. O seu sorriso me faz ter pequenos taquicardias todos os dias, e eu ainda não sei como não morri. A sua pele... Deuses, é macia. E essas sardas... Me fazem pensar até onde elas vão. Me fazem imaginar qual seria o som que você faria se eu seguisse a trilha pela sua pele completamente nua, beijando você em todos os lugares. E seu cheiro? Deuses, o seu cheiro me deixa tonto. E esse seu lindo cérebro brilhante e brilhante, poderoso, e seu coração doce e completamente lufa-lufa - eles riram e choraram juntos, ambos tremendo com a força de suas confissões e de seus sentimentos, do desejo que ameaçara se rebentar a qualquer instante.

- Então você está dizendo que...

- Eu amo você.

E ele a beijou, e fui tudo e nada do que ela imaginou. Toda a sensação de encaixe e pertencimento estava ali, mas era mil vezes mais poderosa que a dos seus sonhos. Era mágico. Os lábios dele estavam frios ao toque, mas eram tão suaves que Hermione queria se perder no seu beijo, no calor das suas mãos, no seu abraço. Ela queria tudo dele.

E quanto a Severo... bem, ele finalmente estava em casa.

...