Capítulo 1.

This fight could be the last fight

Esta briga poderia ser a última briga

No giving and no winning
Sem alegria e sem triunfo

One time could be the all the time
Uma vez poderia ser todo o tempo

Should we decide to end the misery
Deveríamos decidir acabar com o sofrimento?

Time heals all of the burned out bridges
O Tempo cura todos as decisões mal feitas

Filled with nothing more than misery
Estou cheio de nada mais do que sofrimento

With the mask of the unbattled son
Com a máscara do filho imbatível

Trying to beg for something to believe
Tentando implorar por alguma coisa para acreditar

The Last Fight – Velvet Revolver.

Diferente.

Eram assim que as coisas estavam entre nós agora. Por quê?.. Nem mesmo eu sei, a única coisa da qual tinha certeza no momento, era a de que eu voltaria. Sempre voltava, então não seria diferente dessa vez.

- Eu preciso sair.. – Dei as costas a ela e fui em direção ao sofá para pegar a jaqueta. Podia sentir seu olhar sobre mim, mesmo que não estivesse olhando, sabia que seus olhos estavam cheios d'água.

- Você não pode sair assim, ainda não terminamos essa conversa! – Ela bateu a mão com força sobre a estante, fazendo a mesma estremecer, parei em frente a porta e me virei.

- Não temos mais o que conversar Ângela – Menti, sabia que tínhamos muito que conversar, mas se eu permanecesse ali me exaltaria ainda mais, e não queria fazê-la chorar.

- Leon, por favor...

- Não me espere.

Vesti a jaqueta e abri a porta, fechando-a bruscamente após passar por ela. A noite estava clara graças à luz da Lua e mais de alguns postes da rua. Caminhei vagarosamente até a casa de um velho amigo. Fiquei o caminho inteiro pensando na vida, quando dei por mim já havia chegado.

Olhei para o prédio a minha frente e suspirei, aproveitei a saída de um dos moradores para entrar sem precisar tocar o interfone, fui direto para as escadas, não estava a fim de usar o elevador. Subi até o 6º andar e caminhei calmamente pelo corredor, parando algum tempo depois em frente ao apartamento, tocando a campainha que ficava ao lado esquerdo da porta. Nenhum sinal de vida.

Esperei mais um tempo e toquei a campainha novamente, mas dessa vez ouvi uma voz familiar ecoar dentro do apartamento, para minha surpresa, era uma voz feminina "Será que é a Jill?... Provavelmente... Talvez tenha sido por isso a demora para atender a porta, espero não ter interrompido nada..." A porta a minha frente se abriu, revelando uma figura que eu conhecia muito bem, mas que não via há algum tempo.

- Esqueceu a chave de novo, Chr... Leon? – Não consegui esconder o sorriso ao ver a expressão de surpresa em seu rosto.

- Bem, se você não sabe, eu nunca tive a chave daqui... – Dei uma risada baixa com a cara que ela fez devido a minha resposta. Ela estava meio escondida atrás da porta.

- Há há há, engraçadinho. – Cruzei os braços, ainda parado do lado de fora do apartamento.

- Então Claire, onde está sua educação?

- Hum?

- Não vai me convidar para entrar?

-Ah sim, desculpe.. – Sorriu sem graça, abrindo mais a porta para que eu pudesse entrar. Foi ai que percebi: Ela estava de roupão, por isso escondeu-se trás da porta. Sorri de canto e balancei levemente a cabeça para os lados, olhando-a enquanto me sentava no sofá.

- Tentando me seduzir? – Apontei para o traje em seu corpo.

- Talvez, acha que eu consigo? - Ela riu, fazendo uma típica pose sexy de cinema, me olhando.

- Olha, se continuar assim vai conseguir... – Ri. Apesar de não vê-la por algum tempo, era bom saber que ela mantinha seu bom - humor.

- Ok, ok. Chega de brincadeiras. O que veio fazer aqui, Leon? – Retirou a toalha molhada que envolvia seus cabelos, secando-os.

- Eu vim conversar com o Chris, mas pelo visto ele não está. – Retirei a jaqueta, colocando-a no braço do sofá.

- Não sabia que tinham se tornado tão amigos...

- É, longa história... Sabe se ele vai demorar?

-Hum, não sei dizer. É importante?

- Talvez.

- Se quiser esperar, fique a vontade. Sinta-se em casa. – Ela piscou, voltando a secar os cabelos.

- É, da pra esperar, não tenho pressa de ir para casa agora...

- Você que sabe...

- Então, Claire, quando você chegou?

- Hoje de manhã – Respondeu, caminhando em minha direção e sentando-se ao meu lado no sofá, colocando a toalha enrolada no pescoço.

- Por curiosidade, sobre o que você quer conversar com o meu irmão?

- Nada demais...

- Duvido, se não fosse importante não esperaria ele.

- Ok Claire, é coisa de homem. Satisfeita agora? –Me ajeitei no sofá, cruzando os braços em seguida.

- Aaaah, já entendi tudo. Tem mulher na jogada. – Apenas revirei os olhos, fazendo-a rir da minha reação. – Ok, desculpe. Não pergunto mais nada.

- Ta, esquece. Já desencalhou? – Olhei para ela de canto.

- Encalhada é a senhora sua Avó, Leon. – Respondeu, puxando a toalha que estava em volta do seu pescoço, prestes a me bater com ela.

- Eu diria enterrada, e não encalhada... – Certo, se eu não tivesse levantado do sofá tão rápido quanto me levantei, provavelmente estaria com o olho roxo agora. Tenho pena da pobre almofada que foi atingida em meu lugar... – Ok Claire, desculpe. Sei que você deve estar na TPM e tudo...

- Volta aqui... – Bom, acho que ter dito que ela estava na TPM não melhorou muito as coisas para o meu lado. Ela estava com um olhar psicopata e pior, vinha em minha direção, àquela toalha na mão dela parecia uma arma extremamente perigosa naquele momento...

- Hey, Claire... Calma...

Tentar argumentar naquele momento não era uma boa idéia. Deixei que ela se aproximasse de mim, desviando de outro golpe, ou melhor, de outra "toalhada" para então poder segura-la pelos pulsos com uma das mãos e tirar aquela "arma mortal" da sua mão, encostando-a na parede por fim.

- Sabe, você poderia ser mais gentil com seus velhos amigos...

- Boa tentativa. – Ela sorriu de canto. Isso era um mau sinal.

Dito e feito. Em menos de 10 segundos ela me deu uma rasteira. Literalmente falando. Não tive como escapar dessa, mas não ia cair sozinho, não mesmo. Continuei segurando-a pelos pulsos enquanto meu corpo ia caindo, trazendo ela junto comigo. Por sorte o tapete era macio.

- Desiste Claire, eu ganhei! – Sorri vitorioso, olhando para ela, soltando seus pulsos.

- Acho que você esqueceu quem esta por cima da situação, Leon. – Retribuiu o sorriso, apoiando os braços no tapete para levantar.

- Não seja por isso. – A segurei pela cintura, praticamente rolando com ela pelo tapete, invertendo assim nossas posições.

Apoiei os braços ao lado de seu corpo, equilibrando o peso neles para evitar que todo meu peso ficasse por cima dela. Aproximei os lábios de seu ouvido esquerdo, sussurrando.

- Agora quem controla a situação sou eu... – Sorri de canto ao perceber a reação que causei nela, um simples sussurro a fez arrepiar-se, imagine que outras reações ela poderia ter a outras coisas.

Fechei os olhos, mas logo os abri no instante em que senti uma de suas mãos sobre minha nuca, deslizando até o meu cabelo, deixando alguns fios agarrados por entre os dedos. Não esperava essa reação por parte dela. Mantive o sorriso, aproximando mais nossos rostos, fazendo com que nós dois fechássemos os olhos. Ouvi-a sussurrar meu nome, então apenas deixei que nossos lábios se tocassem num simples roçar de lábios. Quando o beijo finalmente iria acontecer...

- Sabe, vocês dois poderiam ao menos ter ido para o quarto hein... – É, o Chris havia chegado em casa e estava parado no meio da porta olhando para nós.

- Hey, não é nada disso que você está pensando... – Ela me empurrou para o lado, sentando imediatamente no tapete.

- Não tenho o que dizer Chris, você nos pegou. – Me sentei no tapete ao lado dela, rindo da cara de espanto que ela fizera.

- LEON!

- Ok, desculpe Claire. – Me levantei do tapete, ajudando ela a levantar-se em seguida, indo cumprimentá-lo logo depois. – Agora é sério, não era nada demais, nós apenas caímos Chris.

- Certo, vamos fingir que eu acredito. – Ele entrou e fechou a porta atrás de si com o pé. – Então, a que devo a honra da sua visita, Leon?

- O de sempre... – Ele olhou para a Claire e logo depois para mim. – Só que dessa vez eu estou cansado.

- Eu acho melhor darmos uma volta e você me explica isso direito.

- Ok.

Enquanto ele abria novamente a porta, fui até o sofá pegar a jaqueta. Logo em seguida me despedi da Claire e saímos. Chris era um bom amigo, não fazia o tipo sentimental, mas sabia que poderia contar com ele se necessário. Caminhamos pela rua por um tempo, até que chegamos a uma praça e nos sentamos em um dos bancos, durante a caminhada já tinha contado a ele o que acontecera. Até o "acidente" com a Claire.

- Certo, acho que entendi... Faz quanto tempo que vocês andam brigando mesmo?

- 3 meses e 2 semanas.... Antes fossem só as brigas.

- Quer dizer que vocês não...

- Exato.

- Cara, isso é tenso. Já sabe ou ao menos pensou no que fazer?

- Pretendo sair de casa.

- Só por um tempo, até vocês resolverem a situação?

- Não, de vez mesmo. Vou terminar com ela e sair de casa.

- Tem certeza disso?

- Tenho, vai ser melhor para nós dois.

Continuamos a conversar por mais algum tempo, até que percebemos que já estava tarde demais e era hora de voltar para casa. Despedi-me dele e segui meu rumo. Fiquei o caminho inteiro pensando na melhor maneira de dizer a Ângela que estava tudo acabado. Sabia que não seria fácil, mas tinha que ser feito.

Quando cheguei em casa, tentei entrar da maneira mais silenciosa que pude. Caminhei vagarosamente até o quarto para não acordá-la, mas para minha surpresa ela não estava lá. Fui até o banheiro, tomei uma ducha me troquei e fui dormir. O dia seguinte seria complicado, disso tinha absoluta certeza.