Capítulo 2

How the hell did we wind up like this?

(Como diabos nós fomos terminar desse jeito?)

Why weren't we able to see the signs that we missed?

(Porque nós não fomos capazes de ver os sinais que perdemos?)

And try turn the tables

(E tentar "virar o jogo"?)

I wish you'd unclench your fists

(Eu gostaria que você não apertasse seus punhos)

And unpack your suitcase

(E desfizesse suas malas)

Lately there's been too much of this

(Ultimamente vem acontecendo muito isso)

But don't think it's too late

(Mas não pense que é tarde)

Nothing's wrong, just as long as

(Nada está errado )

You know that someday I will

(Só até que você saiba que algum dia eu vou)

Someday – Nickelback.

O dia passou mais rápido do que esperava. Ainda não tinha encontrado Ângela desde a hora em que havia saído na noite anterior. Estava terminando de arrumar a última mala quando ouvi o barulho da porta ser fechada no andar de baixo. Terminei o que estava fazendo e fechei a mala, segurado-a e carregando para o primeiro andar onde estavam as outras.

- O que significa isso, Leon? – Ela estava parada perto das malas, apontando para uma delas.

- O que você acha? – Respondi após descer as escadas e colocar a última mala no chão.

- Não acredito que você vai fazer isso comigo. Se eu não tivesse chegado agora, teria ido embora sem nem dizer adeus não é?

- Não, eu estava esperando você chegar.

- Então é assim?

- É aqui que nossa história termina Ângela. Sinto muito.

- Sente muito? Você não se importa nem um pouco.

- É por me importar que estou deixando você.

- O que?

- Se continuarmos com essa relação, ambos sairemos machucados.

- Impossível me machucar mais do que já estou. – Sua voz tinha um leve tom de choro, sabia que não seria tão fácil quanto estava parecendo. Abaixei a cabeça, pegando uma das malas, passando por ela e parando em frente a porta.

- Volto outra hora para pegar o restante das malas.

- Isso mesmo Leon, dê as costas para mim como você sempre faz... Abaixe a cabeça e finja que não estou... Mas eu estarei aqui, porque você é tudo que eu tenho.

Não disse mais nada, não havia mais o que ser dito. Abri a porta e fui embora, o último som que ouvi foi o seu choro e a porta atrás de mim ser batida com força. Estava feito, tudo havia acabado.

Peguei um táxi e segui para a casa do Chris mais uma vez. Algo me dizia que ele não estava lá, mas isso pouco importava, dessa vez não estava indo para vê-lo, e sim para ver ela. Havia passado boa parte da noite em claro pensando nas coisas que tinham acontecido naquela noite, e nas que podiam ter acontecido e não aconteceram. Mas dessa vez seria diferente.

Desci do táxi e retirei a bagagem da mala, correndo para a calçada pois a chuva havia começado. Dessa vez tive de tocar o interfone.

- Pois não? – Como tinha previsto fora ela quem atendeu.

- Claire, é o Leon.

- Ah, oi Leon... Se você veio falar com o Chris, ele não esta, saiu com a Jill e duvido muito que volte hoje à noite.

- Tudo bem, mas eu vim falar com você. – Ela ficou muda por um instante.

-Certo, suba.

A porta se abriu e eu entrei. Peguei o elevador, parando no sexto andar novamente, caminhando pelo corredor até o apartamento, mas agora ela me esperava na porta, e vestida.

- Oi de novo! – Sorriu, olhando meio espantada para a mala que eu carregava em uma das mãos. – Então você saiu mesmo de casa?! – Abriu mais a porta, deixando que eu entrasse primeiro, fechando-a em seguida.

- Já vi que o Chris te contou a história... – Suspirei, colocando a mala no chão, próxima ao sofá, retirando a jaqueta meio úmida colocando-a sobre a mala.

- Sabe pra uma pessoa imobilizada e com uma faca no pescoço ele até que demorou um pouquinho pra falar, e eu sinto muito pelo que houve. – Às vezes ela me assusta...

- Não sinta, a culpa não é sua. Isso faz parte e eu vou ficar bem.

- Tem certeza?

- Sim, o que não podia era ficar do jeito que estávamos.

- Entendo... Então, precisa de alguma coisa?

- Uma toalha, e talvez um abraço. - Ri, fazendo ela rir também.

- A toalha eu vou buscar, e vou pensar sobre o abraço. – Saiu da sala, voltando pouco tempo depois com uma toalha, jogando-a em mim.

- Pode se secar. – Ela disse enquanto secava o cabelo com a toalha que ela me dera, colocando-a sobre o braço do sofá, encostando-me na parede.

- Ficou faltando o abraço... – Sorri de canto para ela, estendendo os braços.

- Às vezes você parece uma criança. – Riu, vindo em minha direção, abraçando-me em seguida.

- Só quando estou com você. – Sussurrei próximo ao seu ouvido, fazendo-a estremecer levemente.

- Leon... Por favor... – Tentou desfazer o abraço, mas sem sucesso, pois no fundo ela queria estar ali tanto quanto eu.

- Eu que peço por favor, não fala nada agora. – Beijei levemente seu pescoço, deslizando as mãos até sua cintura, sussurrando novamente. – Nós conversamos depois.

Não deixei que ela falasse mais nada. Segurei firme em sua cintura, me desencostando da parede e encostando-a lá, invertendo as posições. Pressionei meu corpo levemente no dela, arrancando-lhe um suspiro baixo, distribuindo inúmeros beijos e até mesmo algumas mordidas por seu pescoço, recebendo alguns arranhões na nuca e gemidos em troca, o que me enlouquecia cada vez mais.

Deslizei as mãos pelas laterais de seu corpo, decorando cada curva com a ponta dos dedos. Segurei na parte de baixo de sua blusa, puxando ela para cima e retirando-a, deixei que ela retirasse minha camisa também, jogando as peças de roupa no chão, ficando ambos apenas de calça.

Aproximei nossos rostos, segurando em seu queixo e levantando um pouco sua cabeça, ajeitando uma mexa de cabelo que havia caído em seu rosto, fazendo com que olhasse para mim.

- Leon...

- Shhh...

Toquei seus lábios com os meus, roçando-os levemente, para logo em seguida beijá-la. Um beijo que começou simples e inocente, mas que logo se tornou voraz, cheio de urgência de ambas as partes. Levou uma das mãos até o zíper da minha calça, enquanto eu segurava uma de suas pernas no alto de minha cintura, me acomodando entre elas.

Então de repente, ela parou com o beijo, me empurrando delicadamente para trás.

- Leon, tem algo tremendo...

- É, sou eu. – Ela riu.

- É sério. – Colocou a mão no bolso de trás da minha calça, puxando o celular que tocava, só ai que percebi que era isso que tremia.

- Joga no sofá, não quero atender ninguém agora... – Olhou o visor do celular, me olhando em seguida e estendendo o aparelho.

- É a Ângela, acho que deveria atender.

- Não quero falar com ela...

- Ou você atende, ou eu atendo. – Suspirei, pegando o celular da mão dela, atendendo.

- O que você quer Ângela?

- Nós precisamos conversar Leon, agora! - Sua voz tinha um leve tom de desespero.

- Eu não tenho nada pra falar, acabou e pronto. – Dei alguns passos para trás, meio impaciente.

- Tem uma coisa que eu preciso te contar.

- Não quero saber... – Sentei no braço do sofá, segurando a Claire pelo pulso ao perceber que ela se afastava.

- Leon, por favor, escu- ... – Ouvi um barulho ao fundo, e em seguida a ligação caiu. Não entendi nada daquela conversa, então fechei o aparelho e o joguei sobre a mala próxima ao sofá.

- Pronto...

- Isso não está certo. – Ela suspirou, puxando o braço que eu segurava.

- O que não está certo? – A olhei confuso, me levantando de onde estava sentado.

- Nós dois, aqui e agora... – Cobriu os seios com os braços, cruzando-os em frente ao corpo, me olhando. – Leon, eu acho que você deveria ir atrás da Ângela.

- Não tem nada errado... Eu terminei com a Ângela, e não quero ter contato com ela por algum tempo.

- As coisas parecem estranhas...

- Claire... – Puxei delicadamente um de seus braços, trazendo-a para mais perto, segurando sua mão. – Eu quero passar a noite com você, sou um cara solteiro e não vejo nada de estranho nisso.

- Mas...

- A menos que você não queira, é claro. – Ela olhou em meus olhos, mordendo levemente os lábios, como se estivesse pensando em algo. – Se quiser eu vou embora agora, não quero te forçar a nada.

- Que se dane o resto... – Segurou firme em minha mão, me puxando para o corredor onde ficavam os quartos.

- Pra onde vamos? – Parei de andar, fazendo com que ela parasse também.

-Oras, para o meu quarto, não achou que ia fazer na sala, não?

- Nada contra a sala. – Riu. – É só você me dizer onde fica.

- Por quê? – Virou-se para mim, então a segurei pela cintura, colocando-a em meu colo.

- Eu te levo. – Sorri, deixando que ela abraçasse minha cintura com as pernas, aproximando o rosto do meu pescoço, distribuindo alguns beijos pelo local, arrepiando-me aos poucos.

- Segunda porta a esquerda. – Sussurrou próximo ao meu ouvido.

Caminhei calmamente até o quarto, deixando que ela abrisse a porta, fechando a mesma com o pé, colocando Claire no chão em seguida, olhando-a.

- A última chance de desistir é agora. – Olhei para ela meio apreensivo, com certo receio da resposta que receberia.