Capítulo 4-

Voices tell me I should carry on

(Vozes distantes me dizem que eu devo seguir em frente)

But I am swimming in an ocean all alone

(Mas eu estou nadando em um oceano completamente sozinho)

Baby, my baby

(Amor, meu amor)

It's written on your face

(Está escrito em seu rosto)

You still wonder if we made a big mistake

(Você ainda se pergunta se cometemos um grande erro)

I've tried

(Eu tentei)

To go on like I never knew you

(Continuar como se nunca tivesse te conhecido)

I'm awake

(Estou acordado)

But my world is half asleep

(Mas meu mundo esta meio adormecido)

I pray

(Eu rezo)

For this heart to be unbroken

(Para que meu coração pare de doer)

But without you all I'm going to be is incomplete

(Mas sem você eu vou ficar incompleto)

Incomplete – Backstreet Boys

Caminhava apressadamente pelos corredores do hospital, algumas pessoas me olhavam de forma estranha, mas não fazia idéia do por que. Eu havia pegado a moto da Claire emprestada para chegar mais rápido lá. Após alguns minutos finalmente cheguei onde queria, Ada me esperava na porta de uma sala, arregalou os olhos assim que me viu.

- Demorei um pouco, mas cheguei, onde ela está?

- Há quanto tempo eu não via você assim?! – Era mais uma pergunta para ela mesma do que para mim.

- Do que você ta falando? – A olhei confuso enquanto ela aproximava-se de mim.

- Não deveria andar desse jeito por ai, é perigoso... – Ela ignorou minha pergunta, olhando-me de cima a baixo. Revirei os olhos sem ter idéia do que ela falava. – Senti tanta falta de fazer isso. - Logo senti algo beliscar meu traseiro, quando percebi era a mão dela que estava lá.

- Ow ow ow... Ada, se comporte, estamos em um hospital...

- Você quem deveria se comportar e parar de andar assim na rua.. – Ela apontou para minhas pernas, fazendo com que eu olhasse para mim mesmo.

- Do que voc.. – Agora sei por que estavam me olhando por onde passava.

Eu estava vestido com uma blusa preta, minha jaqueta habitual e sapatos, até então nada anormal, a não ser por um pequeno detalhe: Eu estava usando uma cueca samba canção e sem calças.

Cara, como eu pude ser tão idiota de não vestir as calças? Esquecer a jaqueta tudo bem, mas as calças?... Eu deveria estar mais apressado do que imaginava.

- Ada, me empresta seu celular, por favor?

- Por que você não pega o seu?

- Talvez por que eu não tenha um compartimento secreto que esconda coisas, e como você mesma já percebeu, estou sem calças.

- Tudo bem... – Retirou o aparelho de um dos bolsos do jaleco, me entregando. – Só não vá acabar com meus créditos.

- Ta... – Me afastei um pouco dela, discando o número que eu já sabia de cor há muito tempo.

- Quem é o filho da puta? – Ele é sempre muito gentil com quem "não conhece".

- Chris, é o Leon... Preciso da sua ajuda...

Expliquei a ele tudo o que havia acontecido naquela noite, quer dizer, nem tudo, acho que a parte de ter transado com a irmã dele não seria uma coisa muito legal de se contar. Depois de uns 20 minutos rindo, ele concordou em vir me trazer um par de calças.

- Ok, entendi... – Ele segurava o riso, que naquele instante estava começando a me irritar.

- Te devo uma...

- Sabe, só por curiosidade, o que sua mala está fazendo no meu apartamento?

- É que.. Eu passei lá... Enfim, obrigada Chris e até daqui a pouco. – Não deixei que ele falasse mais nada, e desliguei o telefone.

- Acabou?

- Sim, toma... – Devolvi o celular a Ada.

-Você não pode ficar andando sem calças por aqui... – Ela me olhava de cima a baixo.

- Alguma idéia brilhante para que eu não fique assim?

- Hum.. Já sei, vem comigo.

Fui praticamente arrastado por ela pelos corredores do hospital, até finalmente chegarmos a uma salinha, ela abriu a porta e me empurrou para dentro.

- Me espera aqui, já volto.

- Mas.. – Não deu nem tempo de completar a frase, ela saiu e bateu a porta na minha cara. – Sempre gentil com as pessoas.

Suspirei e olhei ao meu redor, parecia que eu estava trancado em um armário com produtos de limpeza. Suspirei novamente e então a porta se abriu, era Ada quem havia chegado, e ela trazia consigo uma espécie de avental, pijama, ou sei lá que diabo era aquilo!

- Veste isso. – Ela me entregou aquela coisa que trouxe para eu vestir.

- Ok, o que é isso? – Segurei a peça com ambas as mãos, estendendo para o alto enquanto analisava.

- Hum, é a roupa que os pacientes usam aqui.. Veste logo, anda.

- Não vou vestir isso..

- Vai pelo menos até o Chris chegar.. – Me empurrou contra as prateleiras onde estavam alguns produtos de limpeza, tentando arrancar minha jaqueta. – Não tenho tempo para gracinhas Leon!

- Ta, mas não precisa me agredir... – Ela riu, afastando-se de mim e cruzando os braços em seguida.

- Ok, mas anda logo.

- Tudo bem... – Terminei de retirar a jaqueta, olhando para Ada. – Você vai ficar aqui?

- Não seja idiota - Revirou os olhos - Não tem nada ai que eu não tenha visto antes...

- Bom, é verdade, mas..

-Nada de mas, anda.

Suspirei, retirando a camisa e dando para que ela segurasse, logo em seguida vesti aquele avental. Virei de costas para que ela pudesse amarrar aquilo para mim.

- Você foi atacado por algum gato ou algo do tipo?

- Er.. Não, por quê? – Me virei de frente para ela assim que a mesma terminou de amarrar.

- Você está todo arranhado.. – Ela abriu a porta, segurando minhas roupas com uma mão e me puxando para fora com a outra. – Como não pensei nisso antes...?

- Pensou no que, Ada?

- Você estava com uma mulher! Aha! – Pior é que ela acertou.

- Olha, só por que eu estou com alguns arranhões nas costas, não significa que estava com alguém.

- Qual é Leon... Isso é marca de unha.. Ta na cara... A menos que você tenha passado para o lado rosa da força e o cara que você pegou tenha unhas enormes...

- Claro que não, deixa de falar besteira...

- Então admita que foi uma mulher, e eu paro..

- Ta Ada, você venceu... – Suspirei. – Foi uma mulher, satisfeita agora?

- Claro, é sempre bom estar certa... – Ela cruzou os braços com um sorriso triunfante.

- Mas como é que você.. – Fui interrompido por ela.

- Simples, eu costumava deixar marcas parecidas quando nós "brincávamos" antigamente. – Ela suspirou voltando a me puxar enquanto andávamos pelo corredor. – Bons tempos aqueles...

- Prefiro não comentar... – Então de repente, nós paramos.

- Você não sente falta dos velhos tempos? – Sorriu, me olhando.

- Dos velhos tempos?

- É, sabe, de quando estávamos juntos...

- Não vou negar, foram bons tempos, mas nem tudo foi "perfeito"...

- Ah, nós tivemos altos e baixos como qualquer casal, e não teria a menor graça se tudo fosse perfeito...

- Você me traiu Ada.

- Você nunca vai me perdoar por isso, não é?

- Perdoar sim, esquecer é que não.

- Olha... – Ela se aproximou de mim aos poucos, ficando frente a frente comigo. Largou meus pertences no chão e apoiou calmamente as mãos em meus ombros, aproximando o rosto do meu, falando quase em um sussurro. – Sei que não posso apagar os erros que cometi no passado, mas posso tentar corrigi-los daqui pra frente, se você der uma chance para que isso aconteça.

- Ada, as coisas não funcionam assim, está tudo diferente agora e... – Não pude nem ao menos terminar a frase, ela simplesmente me beijou, o que me deixou sem reação naquele instante.

- Leon...?! – Aquela com certeza não era a voz da Ada. Naquele mesmo instante me afastei dela, olhando na direção da voz que chamara meu nome.

- Claire! – Tentei ir atrás dela, mas Ada não deixou. Segurou um dos meus braços, balançando a cabeça para os lados. – Eu preciso ir...

- Desculpe Leon.. – Ela apontou para o lado oposto que eu olhava, fazendo com que eu me virasse para ver o que ela apontava. – Mas por enquanto é melhor você ficar aqui.

- Como você..

- Eu apenas sei... – Então ela se abaixou, pegando minha camisa e jaqueta.

Era o Chris quem estava chegando, respirei fundo e então Ada soltou meu braço, caminhei em direção a ele, que então parou, largando a sacola que trazia consigo no chão.

- Chris, o que foi?

- ... – Ele apoiou as mãos nas pernas, gargalhando.

- Não vejo graça alguma... -

- Mas eu sim... ... Não acredito que você não sentiu nenhum vento nas "coisinhas". Hahahahahahahahahaha..

-....

- Preciso tirar uma foto... – Ele tirou o celular do bolso, e antes que eu pudesse dizer algo, ele já havia batido a foto.

- Porra Chris, valeu...

- É pra isso que servem os amigos... Hahahahahahahahaha – E ele voltou a gargalhar.. Escorei-me na parede, esperando que ele parasse de rir para poder me entregar à calça.

20 minutos depois...

Ele já estava de joelhos no corredor e lacrimejando de tanto rir, e o pior, eu sabia que era da minha cara. Respirei fundo e contei até três, me desencostando da parede, caminhando até ele. Aquela crise de riso já estava me irritando, mas eu tinha que admitir, ele tinha fortes pulmões.

- Eu sei de algo que vai fazer você parar de rir rapidinho

- Hahahahahahahahahahahaha.. Eu duvido...

- Ah é? Ok.. A Ângela está grávida...

- Oi? – Pior que funcionou...

- É isso mesmo que você ouviu...

Imediatamente ele se levantou, entregando-me a sacola na qual estava a calça e me acompanhou até onde Ada estava para que eu pudesse pegar a jaqueta e a blusa, sendo assim, seguimos até o banheiro que ela havia indicado.

Não demorei muito para me trocar, Chris e Ada me esperaram no corredor, e assim que saí ambos se aproximaram. Ela então explicou a nós como Ângela estava.

- Ada, você sabe como aconteceu o acidente? – Perguntou Chris, ele foi o primeiro a se pronunciar após a explicação.

- Sem muitos detalhes, ela apenas disse que passou mal em casa e ligou para a ambulância, mas como estava demorando, resolveu pegar o carro e dirigir até aqui... Então um tempo depois, o acidente aconteceu..

- Quantas pessoas têm a "sorte" de colidir com a ambulância que ela mesma chamou?

- Se é que pode se chamar isso de sorte, Chris.. – Falei, olhando para ele.

- Realmente... – Ele suspirou.

- Ela ficará em observação essa noite e amanhã poderá ir para casa. – Ela sorriu, colocando as mãos dentro dos bolsos do jaleco. – Bem rapazes, eu preciso ver os outros pacientes.

Ada então se despediu de nós, nos deixando sozinhos no corredor. Seguimos pelo lado oposto ao dela, caminhando silenciosamente até a sala de espera, até que o Chris resolveu quebrar o silêncio.

- A Claire veio comigo...

- E onde ela está?

- Ela tinha ido procurar por você, não se esbarraram?

- Não... – Menti... Não queria contar a ele o que aconteceu.

- Estranho... Achei que a tinha visto correr na direção oposta de onde você estava com a Ada...

- Eu não reparei...

Naquele momento havíamos acabado de chegar à sala de espera, caminhamos até algumas cadeiras que havia ali e nos sentamos.

- Ok Leon, o que ta acontecendo?

- Sobre o que você... – Ele me interrompeu naquele instante.

- Você sabe, entre você e a Claire.

- Não ta acontecendo nada, Chris... – Encostei a cabeça na parede logo atrás.

- Certo Leon, vamos recapitular minha chegada aqui... Eu passei em casa para poder pegar o que você havia me pedido, até ai tudo bem... Quando cheguei, encontrei a Claire na cozinha...

- Isso é estranho?

- Posso terminar?

- Desculpe, continue.

- Ela estava na cozinha, com uma camisa preta e larga.

- E o que tem isso?

- Era uma camisa larga demais para ser dela, era uma camisa masculina Leon, e não era minha.... E outra coisa, o que você estava fazendo lá para esquecer-se de vestir as calças antes de vir pra cá?

- Olha Chris...

- Só me fala a verdade, mas sem muitos detalhes...

-Mas..

- Eu perguntei a Claire o que aconteceu, mas ela não quis me contar, então você vai.

- Ok, vou ser direto.. – Desencostei a cabeça da parede, olhando para ele. – Eu transei com a Claire, satisfeito agora?

Ele balançou a cabeça lentamente para os lados, como se estivesse negando algo, e então se levantou.

- Vou buscar a Claire.

- Você o que?

- Vocês precisam conversar.

- Aqui não é lugar nem hora para se discutir isso, Chris.

- Não quero que demore mais que o necessário. – Seu olhar parecia um misto de desapontamento e decepção, o que fazia eu me sentir levemente culpado por envolver a Claire naquela história. – Eu.. Não quero que ela se decepcione com alguém mais uma vez Leon, e seria bom terminar com isso antes que piore as coisas.

- Eu.. Eu entendi... Mas nunca faria nada para machucá-la, por que acima de tudo ela é minha melhor amiga.

Então ele me deu as costas e saiu. Encostei a cabeça novamente na parede, fechando os olhos dessa vez. Não tinha a menor idéia de como contaria a ela sobre Ângela, logo agora que as coisas pareciam estar dando certo. Suspirei, pouco tempo depois ouvi alguém me chamar.

- Leon? – Abri lentamente os olhos, me deparando com a imagem da Claire diante de mim.

- Claire! – Levantei em um salto, ficando em frente a ela. – Olha, sobre aquilo com a Ada, foi ela quem me beijou.

- Olha, não importa ta?.. Você é adulto e tecnicamente solteiro, pode ficar com quem você quiser, não me deve satisfação nenhuma disso.

- Claro que te devo satisfação. Afinal nós..

- Só passamos uma noite juntos Leon, e não foi nem uma noite completa por assim dizer.

- O que você...

- Não importa, não era sobre isso que você queria conversar. Então, o que queria me contar?

- Tem uma coisa que você precisa saber sobre a Ângela...

- O que tem a Ângela?

- Ela está grávida Claire... – Sua reação foi indescritível, ela estava pasma com aquela notícia. - Não importa o que aconteça, eu sempre vou gostar de você.

- O que.. O que quer dizer com isso?

- Que eu te amo, eu sempre amei você, mas só agora me dei conta disso, e eu não quero ficar sem você daqui pra frente. – Me aproximei mais dela, abraçando-a.

- Leon... – Ela parecia estar sem reação diante daquelas palavras, me afastei um pouco dela, me sentando novamente na cadeira, fazendo com que ela sentasse ao meu lado.

- Eu não estou dizendo que vou abandonar o meu filho, mas eu quero ficar com você.

- Não, eu não quero ficar com você Leon.

- Mas..

- Foi só uma noite e nada mais, eu não te prometi nada, e não vou permitir que você deixe a Ângela sozinha numa hora dessas.

- Claire... – Não sabia o que dizer, isso era a última reação que esperaria dela diante de uma declaração de amor.

- Olha... – Ela olhou em meus olhos, segurando uma de minhas mãos. – Eu não quero estragar a nossa amizade Leon.

- O que você quer que eu faça?

- Vamos... Vamos fingir que isso nunca aconteceu.. Vai ser melhor pra nós dois.

- Eu não posso fingir que nunca aconteceu, por que toda vez que olhar pra você, eu vou me lembrar... – Levantou-se, parando em minha frente e apoiando as mãos em meus joelhos, abaixando-se um pouco para encostar a testa na minha.

- Então finja que foi tudo um sonho... – Ela fechou os olhos, estava sussurrando agora. – Por que eu prometo que farei o mesmo... Agora feche os olhos.

- Por quê? – Fechei os olhos como ela havia me pedido, pude sentir sua mão acariciar levemente meu rosto.

- Pra que pareça que tudo realmente fora um sonho.. – Senti seus lábios pressionarem os meus em um leve beijo, mas não tive coragem de abrir os olhos naquele instante. – Conte até dez, e quando abrir os olhos eu não estarei mais aqui...

- Eu não quero que você vá.. – Sussurrei, segurando a outra mão que estava sobre meu joelho.

- Por favor, Leon, me ajude a deixar você...

- Eu não posso...

- Mas deve... – Ela beijou levemente minha testa, soltando minha mão aos poucos, sabia que ela estava indo, mas não conseguia deixá-la ir. – Conte até dez agora...

Por fim, ela soltou de vez minha mão, não queria abrir os olhos, pois no fundo sabia que ela não estaria lá. Então fiz o que ela me pediu, contei mentalmente até dez, e quando finalmente abri os olhos, ela havia desaparecido como havia prometido.


Uma moça alta, magra e de cabelos castanhos avermelhados caminhava apressadamente pelos corredores do hospital, procurava desesperadamente a saída, e quando a encontrou, finalmente pode se acalmar. Ela respirou fundo, passando as mãos pelo rosto, esfregando os olhos e retomando a postura alegre que sempre tivera.

Caminhou calmamente até a calçada, onde um rapaz parecia esperá-la encostado em um carro.

- Chris.. Vamos... – Ela aproximou-se do carro, abrindo a porta do mesmo.

- Está tudo bem, Claire? – Ele a olhou preocupado.

- Claro, eu só.. Quero ir embora.

- Certo.

Ambos entraram no carro, nenhum dos dois disse uma palavra sequer durante todo o trajeto, aquele silencio reconfortava Claire de uma certa forma, mas incomodava Chris profundamente, e a moça sabia disso, mas preferia evitar o assunto, pelo menos até chegarem em casa, onde ela tinha plena consciência de que sofreria um enorme interrogatório.

- Enfim, chegamos. – O rapaz desligou o carro, abrindo a porta do mesmo e saindo.

Ela nada disse, apenas saiu do carro e seguiu até a entrada do prédio, esperando que o irmão trancasse o carro para que eles pudessem subir. Não demorou muito até que ele chegasse, abrindo a porta e deixando que ela passasse, fechando a porta atrás de si.

E o silêncio reinou entre eles mais uma vez, até que finalmente chegaram ao apartamento, ele esperou que ela entrasse e trancou a porta.

- Nós temos que conversar Claire. – Resolveu pronunciar-se sobre o assunto.

- Você já sabe da história, então acho que não tenho nada pra te contar.

- Não se trata sobre eu saber ou não a história.. Quero saber como você se sente.

- Eu me sinto ótima!

- Qual é Claire, eu sou seu irmão, você pode me contar a verdade.

- Que verdade? Eu estou dizendo a verdade.

- Não está, e você sabe disso.

- Chris, foi só uma transa ok?

- Não foi não... Teria sido "só uma transa" se fosse com o carteiro, o padeiro ou até mesmo com o tio da barraquinha de cachorro quente da esquina. – Ela olhou feio para o irmão. – Mas foi com o Leon, e ele sempre foi seu melhor amigo.

- Exato, meu melhor amigo, apenas isso.

- Antes fosse. – Ele suspirou. – Você sempre foi apaixonada por ele Claire, desde que tinha oito anos de idade.

- Por Deus, eu era criança!

- E daí?. O que você sente por ele não mudou nada... Eu vejo isso em seus olhos...

- Eu não sou apaixonada por ele!

- Você pode dizer isso pra qualquer um, e ate tentar enganar a si mesma.. Mas a mim não, eu te conheço desde sempre, e sei que isso não é verdade.

- Chris... – Caminhou até o irmão, abraçando-o forte, ele apenas a reconfortou naquele abraço.

- Desculpe pelo que eu vou dizer.. Mas acho que foi melhor assim...

- Por quê? – Ela segurava a vontade de chorar a todo custo.

- Por que vocês iriam acabar se magoando.. E eu teria que dar uma de Oprah Winfrey pros dois! – Ela riu baixinho. – E sem a parte da apresentadora milionária.

- Ah, Chris... – Ela então desabou em lágrimas, fazendo com que ele a abraçasse mais forte.

- Vem, você precisa descansar um pouco... – Desfez o abraço, ficando de costas para a irmã, abaixando-se um pouco. – Sobe ai.

- Mas..

- Anda, sobe logo. – Então ela subiu e ele a levou até o quarto.

- Isso me lembra de quando nós éramos crianças... – Falou quase em um sussurro, o sono estava começando a tomar conta.

- Bons tempos.. Não precisávamos nos preocupar com nada.

Entrou no quarto da irmã, abaixando-se novamente, mas para que ela descesse dessa vez. Caminhou com ela até a cama, esperando que ela deitasse para então a cobrir, sentando ao lado dela.

- Você pode ficar aqui até eu dormir?... Por favor...

- Claro.. – Sorriu, afagando os cabelos da irmã.

- Obrigada... – Falou em um fio de voz, fechando os olhos rapidamente, apreciando as carícias que recebia do irmão naquele momento.

Não demorou muito para que ela adormecesse. Ele levantou da cama com todo cuidado, caminhando sorrateiramente para não acordá-la, abriu a porta e olhou para trás, falando baixo.

- Não importa o que aconteça, você sempre será a minha irmãzinha. – E então saiu, apagou todas as luzes do apartamento e foi se deitar também, precisava acordar cedo no dia seguinte.


Lá estava eu, caminhando novamente pelos corredores do hospital, mas dessa vez estava certo de que veria a Ângela. Ada havia me informado em qual quarto ela estava e quando cheguei lá, para minha surpresa, seu irmão estava lá.

- Há, olha quem chegou... – Ele disse em tom de deboche, fazendo com que Ângela olhasse para mim.

- Leon! – Ela sorriu, o que fez com que Curtis fechasse a cara para mim.

- Hey, como você está? – Sorri também, me aproximando da cama.

- A cabeça dói um pouco, mas estou bem.. – Sentei ao lado dela na cama. – Leon, sobre a briga...

- Ta tudo bem, nós conversamos sobre isso outra hora.

- Certo... – Ela olhou para si mesma e depois para mim. – Eu queria ter te contado sobre o bebê antes, desculpe por tê-lo feito saber dessa forma.

- O importante é que você.. Alias, vocês estão bem.. – Coloquei a mão sobre a barriga dela, beijando sua testa.

- Você não vai me deixar, não é? – Seu olhar era de súplica, o que me fazia querer dizer a ela que não a deixaria, mas então a imagem de outro alguém me veio a mente, e me fez perder o raciocínio naquele instante.

- Ângela, você precisa descansar, se despeça do Leon, por que eu preciso falar com ele agora. – O irmão dela havia se pronunciado, fiquei de certa forma curioso sobre o que ele teria para falar comigo.

- Ele tem razão, você precisa descansar. – Me levantei da cama e então ela segurou minha mão.

- Eu amo você Leon, e sempre vou amar... – Apenas sorri, pois não pude respondê-la com as mesmas palavras.

Sai do quarto acompanhado de Curtis, andamos um pouco pelo corredor, apenas para nos afastarmos do quarto no qual Ângela estava.

- Então, o que é?

- Eu sei da briga que aconteceu entre você a Ângela.

- E o que você tem a ver com isso?

- Tudo, ela é minha irmã e não vou permitir que você a maltrate.

- Eu nunca a maltratei e você sabe disso.

- Hum, isso não importa, só quero que saiba que Ângela irá passar essa semana lá em casa.

- E por quê?

- Por que isso é o melhor para ela, e eu espero que você não esteja pensando em abandoná-la, por que agora você já sabe que ela está esperando um filho seu.

- Esse assunto é pra ser resolvido entre mim e ela, você não tem que se meter. O que vou ou não fazer, não é da sua conta.

- Que seja, mas se você magoar minha irmã ou abandoná-la no estado em que está, eu caço você no inferno Kennedy, mas faço você pagar.

- Você não me assusta.

- Veremos. – Deu as costas para mim, indo na direção do quarto novamente. – É melhor ir para casa, não tem mais nada o que fazer aqui.

Respirei fundo e sai dali, pois se ficasse mais algum tempo com certeza acabaria me irritando ainda mais com o Curtis do que já estava, e isso não valia à pena.

Fiquei zanzando pelos corredores até que finalmente cheguei na entrada do Hospital e sai, começando a procurar o local onde havia estacionado a moto que peguei emprestada da Claire.

Sorri ao me lembrar do momento agradável que havíamos passado juntos naquela noite, mas logo suspirei ao lembrar-me das palavras que ela havia me dito há algumas horas atrás. Teria que ir à casa do Chris para conversar com ele, não sabia ao certo qual fora sua reação ao saber daquilo, e teria que devolver a moto da Claire também. Estava de certa forma ansioso para vê-la, talvez ela mudasse de idéia. Subi na moto e segui o rumo de casa.


Oii gente!!

Desculpem pela demora pra postar esse capítulo, mas como voltei as aulas, já sabem como é né?

Estou tendo que escrever a fic a mão, pois não posso usar o PC por 3 dias na semana.

Enfim, ai está o capítulo, espero que tenham gostado e não queiram me matar! xD

Respondendo aos Reviews.

Arice-chan:

Com certeza esse cap foi ser intenso.. xD.. Mas as coisas vão ficar difíceis pra eles agora.. Será que eles vão aguentar a barra?

Tem bastante coisa pra acontecer ainda....

Obrigada pela review!

Beijos.