Claire's Birthday – Parte III.

I know that it's killing me,

Eu sei que isso está me matando

And it's poisoning the best of me,

E está envenenando o melhor de mim

But I say, I don't want to believe.

Mas eu digo, não quero acreditar

So let me tell you boy, tell you boy,

Então me deixe dizer a você garoto, dizer a você garoto

about the lies I lead.

Sobre as mentiras que eu conto

That is how it kills, I got some flames and gasoline

É assim que isso mata, eu tenho algumas chamas e gasolina

Broken teeth replace the blackout memories in my head

Os dentes quebrados substituem as memórias apagadas na minha cabeça

Wreckage from the blast, it often shakes me to the floor

Restos do golpe de vento, isso muitas vezes me sacode no chão

(to the floor)

(no chão)

I know it's over but I can't go home tonight.

Eu sei que acabou, mas eu não posso ir para casa essa noite

And after this I feel as empty as the night before,

E depois disso me sinto tão vazio como na noite anterior

feel the pain and yet I'm still begging for more.

Sinto a dor logo depois eu ainda estou implorando por mais

Masochistic, nihilistic, gurging wrecked up thoughts

Masoquista, niilista, destruindo pensamentos

My life's a mess and I can't find a way to fix it.

Minha vida está uma bagunça e eu não consigo achar um modo de concertar isso

I can't keep telling myself what I want to hear,

Não posso continuar me dizendo o que eu quero ouvir

I can't just close my eyes

Eu não posso simplesmente fechar meus olhos

(my eyes, my eyes, my fucking eyes)

(meus olhos,meus olhos,minha droga de olhos)

Slow Burn – Atreyu.

Sai de casa decidido a devolver o anel para Claire naquela noite. Aproveitei que Ângela havia ido dormir mais cedo e sai de fininho. Eu estava agora parado em uma calçada, olhando para uma enorme casa que ficava do outro lado. Aquele deveria ser o endereço que eu tinha conseguido pegar na jaqueta do Chris, apesar de não fazia idéia de quem morava ali, mas isso logo eu iria descobrir.

Atravessei a rua com cautela, não queria dar bandeira de que estava indo em direção a casa, já que o brutamonte que tomava conta da entrada principal não parecia estar ali de brincadeira. Fiquei me perguntando do que ele se alimentava, porque com certeza não deveria ser algo normal, acho que ele seguia mesma dieta do Chris.

- Posso ajudá-lo?

- Hm?

- Perguntei se posso ajudá-lo, senhor.

Foi ai que me dei conta de que havia sido visto...

- Kennedy. – Sorri. - Leon S. Kennedy.

Ele arqueou a sobrancelha esquerda após eu ter me apresentado, parecia ter entendido aquilo como sarcasmo, enfim, acho que isso é uma das coisas que nunca saberei...

- Hm... – O homem pareceu pensar por alguns instantes. –Tenho ordens claras do Sr. Redfield para não deixá-lo entrar caso aparecesse.

"Filho da mãe desgraçado! Você me paga Chris, a se me paga."

- Mas eu...

- Não importa, peço ao senhor que se retire, não quero ser obrigado a usar de força física.

- Entendo... – Fingi concordar e dei meia volta.

Entendo porra nenhuma! Ok, eu precisava criar um plano e bem rápido.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Festa de Aniversário, palavras que não lhe traziam boas lembranças de sua juventude, além de ser uma das coisas que ela mais detestava na vida... Então por que raio havia aceitado aquela festa? Talvez apenas para agradar o namorado que tanto insistiu naquilo, e que parecia bem animado com a idéia, mais animado até do que ela.

- Claire, você ta legal?

Jill se aproximou da ruiva que estava completamente perdida em seus pensamentos. A morena sabia o quanto e porque Claire não gostava daquele tipo de festa, embora aquilo parecesse mais uma pequena reunião do que uma festa.

- Sim, não precisa se preocupar Jill.

A ruiva sorriu, olhando o irmão se aproximar de onde ela e a cunhada estavam. Chris abraçou a irmã, desejando mais uma vez um "Feliz Aniversário" para ela, abraçando logo depois a namorada pela cintura.

- Eu gostei dos pais do Carlos. – Jill comentou, olhando para o namorado e em seguida para a ruiva.

- Sim, eles são ótimas pessoas... – Chris completou, mas Claire não parecia muito atenta no que eles conversavam. – Não acha Claire?

- Ah, claro, claro...

Sorriu sem graça, e antes que Jill ou o irmão fizessem alguma pergunta sobre "como ela estava", Carlos se aproximou de onde eles estavam e abraçou a ruiva por trás, que apenas sorriu, virando-se para lhe cumprimentar com um selinho.

- O jantar vai ser servido daqui a pouco. – Ele permanecia abraçado à ruiva, que já estava de costas para ele novamente.

- Ah! Vou buscar seu presente no carro Claire, já volto.

Chris desfez o abraço na namorada e seguiu até a porta, deixando a morena sozinha com a irmã e o namorado.

- Bom... – A morena sorriu sem graça. – Vou deixar vocês dois conversando a sós, até daqui a pouco.

Claire apenas concordou com um leve aceno de cabeça e então Jill seguiu para a varanda onde Piedade e Ramon Oliveira, os pais de Carlos, estavam.

- Já que o seu irmão foi buscar o seu presente, acho que está na hora de te dar o meu.

Carlos deu a volta, parando em frente à Claire. A ruiva olhava curiosa para ele, e mesmo que detestasse festas de aniversário, ela adorava receber presentes. O rapaz retirou do bolso do casaco uma pequena caixinha aveludada de cor azul, que mais parecia um estojo, deixando a garota um tanto espantada ao reconhecer que a caixinha era de uma joalheria.

- Carlos, o que...

- Não precisa se assustar... – Riu, se divertindo com a expressão de espanto no rosto da garota. – Não sabia ao certo o que comprar, então comprei uma pequena lembrancinha. Espero que goste.

Ao ver a pequena caixa se abrir diante de seus olhos, ela nada disse. Não sabia o que dizer, então apenas sorriu e virou-se de costas enquanto o moreno pegava o colar para pôr em seu pescoço. O cordão era fino, de ouro branco e com um pequeno pingente em formato de anjo.

- Não precisava ter...

- Nada de reclamações. – Ele a interrompeu, terminando de colocar o colar em seu pescoço. - É seu aniversário, você merece um presente desses.

Ela sussurrou um "obrigada", não sabia mais o que dizer a ele. Embora estivessem á pouco tempo juntos, Carlos sempre fora muito gentil e compreensivo com ela. Claire havia lhe contado um pouco sobre sua história, dividindo com ele suas alegrias, tristezas e até decepções amorosas de tempos atrás. A única coisa que escondeu, mas talvez contasse a ele algum dia, foi sua última aventura amorosa com Leon.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Lá estava eu, correndo pelo jardim dos fundos, me escondendo em cada moita que via pela frente. Finalmente havia conseguido despistar os seguranças e até mesmo os cães de guarda do lugar, e agora estava espionando a janela da sala de jantar por trás de uma moita. Era de certa forma estranho fazer isso, me sentia como um espião em território inimigo.

- Obrigada mais uma vez pelo presente...

- Não precisa agradecer, mesmo. Você merece isso e muito mais.

Eu reconhecia aquela voz, com certeza era a Claire, a outra voz não parecia ser do Chris, então não fazia ideia de quem estava com ela. Olhei para os lados para ter a certeza de que não havia nenhum segurança por perto e então apoiei as mãos na barra da janela e me levantei.

Bingo! Tinha mesmo razão quanto à voz ser da Claire, e realmente o outro cara não era o Chris. "Quem poderia ser?", essa era pergunta que eu me fazia naquele momento. Claire estava na direção oposta a janela e de frente para a mesma, permitindo assim que eu visse o seu rosto, enquanto o cara que estava com ela permanecia de costas para a janela.

Algo me dizia que eles eram mais do que amigos, embora eu não quisesse acreditar muito nisso, talvez porque fosse mais fácil. Então, de repente eu vi aquele cara abraçá-la, "Lembre-se, amigos também se abraçam, Leon..." foi o que pensei primeiro naquele momento, mas aquela teoria foi por água a baixo quando ela o beijou.

- PUTA QUE PARIU!

Tapei minha própria boca com a mão quando me toquei que havia falado alto demais, só esperava que ninguém tivesse ouvido. Senti uma sensação estranha, era como se algo estivesse ali perto. Acho que um dos cachorros da casa me achou, tem alguma coisa rosnando no meu cangote. E esse deve ser o maior cachorro da história, com uma sombra desse tamanho, só pode...

Eu realmente tinha sido descoberto, mas não por um dos cachorros como havia pensado, e sim pelo brutamonte que estava na entrada mais cedo. Bom, foi nesse momento que eu dei razão as suspeitas do meu cunhado dos infernos, soltando um grito digno de uma bicha sensível na primeira depilação.

- Achei você!

Ele me segurou pela jaqueta, quase me suspendendo do chão enquanto eu suava frio naquele momento, e ele parecia cada vez mais irritado. Qual é, só porque tinha o feito correr atrás de mim por quase 20 minutos e ainda deixei ele com cara de idiota por tê-lo despistado? Ele é rancoroso mesmo.

"Tudo bem, eu vou morrer..."

- Er... N-nós podemos conversar... – Eu olhava para o uniforme que ele usava, até que finalmente achei onde estava escrito o nome dele. – Krauser!

Tive que chamá-lo pelo sobrenome, já que aquele J antes poderia significar qualquer coisa.

- Primeiro eu te bato, depois conversamos.

Ele não parecia estar de brincadeira... Acho que só um milagre me salvaria naquele momento.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Jill continuava na varando conversando com os pais de Carlos enquanto esperava Chris voltar com o presente que daria a irmã, quando uma das empregadas da casa foi até lá avisar que o jantar seria servido.

- Nós já iremos. – Começou Ramon – Obrigado, já pode se retirar Rachel.

- Sim senhor.

A moça se retirou do local, deixando os três sozinhos novamente. Piedade levantou-se do pequeno banco almofadado no qual estava sentada ao lado do marido, que repetiu o gesto feito pela esposa, e foi até a porta.

Piedade era uma mulher calma, de cabelos castanhos e olhos verdes, que haviam sido herdados pelo único filho que tivera. A personalidade do marido não era tão diferente assim, ele também era calmo e muito paciente, embora sua expressão sempre fosse séria, ele era extremamente brincalhão, qualidade que foi passada para Carlos.

- Você não vem minha querida? – A mulher perguntou gentilmente para Jill.

Antes que a morena pudesse responder, um grito agudo fora ouvido por eles, deixando-os espantados com aquilo.

- O que será isso? – Piedade perguntou, assustada com o que poderia ser.

- Eu vou lá ver. – O esposo respondeu, indo em direção as escadas da varanda.

- Não não... – Jill se pôs em frente ao homem, sorrindo meio nervosa. – Deve ter sido o Chris, pode deixar que eu irei lá.

- É melhor não ir sozinha, eu posso...

- Não precisa Sr. Oliveira, está tudo bem... Tenho certeza que não foi nada demais, o Chris é meio histérico as vezes...

- Está bem... Se precisar de alguma coisa, grite ou chame algum dos seguranças.

- Obrigada.

Assim que Piedade e Ramon entraram na casa, Jill correu para a parte de trás da casa. Chris havia lhe contado que mais cedo tinha encontrado com Leon e que o loiro estava determinado a ir na "festa", mas que havia conseguido fazer com que ele mudasse de opinião. Embora não tivesse acredito muito nisso, resolveu deixar pra lá, mas depois de ouvir aquele grito, suas suspeitas de que Leon iria aparecer estavam em 90%, então ela tinha que conferir.

" Espero que o Chris não o encontre caso ele realmente esteja aqui. "

Jill precisava encontrar ele primeiro, tinha uma vaga ideia do que poderia acontecer caso o namorado o encontrasse. Chris geralmente era calmo, mas extremamente perigoso quando estava com raiva, e Leon sabia disso tão bem quando ela.

‡ººººººº‡ººººººº‡

"Dear God... The only thing I ask of you...Is to hold her when I'm not around, when I'm much too far away."

Ah droga! Porque eu fui lembrar dessa música numa hora dessas? Acho que nem pra rezar sem lembrar de uma música eu sirvo.

Krauser levantou o punho direito e eu fechei os olhos, já estava pronto para passar dessa pra melhor, foi quando ouvi uma voz familiar chamar pelo segurança.

- Pode largar ele Jack, eu cuido desse assunto.

"Jack? Então era isso que o J significava... E eu que pensei que fosse Juliet, Jessica ou algo do tipo. " Estava tão ligado em meus próprios pensamento que nem havia prestado atenção no meu 'salvador', só depois que Krauser me pôs no chão e saiu dali que eu percebi quem tinha me livrado de uma surra e de virar ração pra cachorro.

- Chris! Cara, que bom que...

Não tive tempo de olhar pra ele ou terminar a frase, em uma fração de segundo Chris me acertou em cheio com um soco no lado direito do rosto, fazendo com que eu caísse direto no chão e me arrastasse moita adentro, indo parar a pelo menos um metro de distância de onde ele estava. E cara, como aquilo doeu, puta que pariu.

- Eu falei pra você não vir Leon.

Ele caminhava lentamente em minha direção, era possível sentir a raiva e a aura maligna que emanavam dele.

- Chris, espera...

Apoiei um dos braços no chão para tentar me levantar, estava meio zonzo depois daquilo. Meu rosto doía mais do que minhas costas, mesmo depois de ter sido arrastado pelo chão, e pelo gosto metálico que sentia na boca, provavelmente estava com um dos lábios cortado.

-Você acha que tem o direito de fazer isso com a minha irmã, Leon? Sabe quantas vezes a Claire já chorou por sua causa? – Eu podia sentir a raiva em cada uma de suas palavras. – Deixa de ser egoísta e pensa um pouco nela, não acha que ela merece ser feliz pelo menos uma vez?

- Eu, eu...

Chris se aproximou de mim novamente e me pôs de pé, apenas para me acertar com outro soco, esse ainda pior que o anterior.

- Você é meu amigo, mas ela e minha irmã. Eu não vou te dar outra chance pra partir o coração dela. Eu sei que ela gosta de você, mas também sei que você nunca fez nada pra cuidar do amor dela. Ele é um cara legal, eu não vou deixar você interferir.

Eu não sabia o que dizer depois daquilo, ele estava certo, o Chris sempre esteve certo. Era engraçado como a verdade doía, e aquelas palavras me machucaram mais do que qualquer outro soco que ele fosse me dar.

- É Chris, você tem razão... – Consegui me levantar, embora estivesse cambaleando um pouco, não cai diante dele. - Eu era egoísta e completamente cego, e por causa disso perdi a pessoa que mais amei na vida.

-O seu maior erro foi perceber isso tarde demais Leon. Só esquece tudo e deixa a Claire em paz.

- Eu não posso desistir dela assim... – Falei mais para mim mesmo do que para ele.

- Você escolheu seu caminho, agora seja homem e aguente as consequências do seu inferno particular, mas faça isso sozinho, sem arrastar ela junto com você.

Ele me segurou pela jaqueta assim como Krauser havia feito antes, mas diferente do segurança, eu sabia que ele não demoraria muito pra me bater. Já estava pronto para levar outro soco, e quem sabe até desmaiar.

- Chris, pelo amor de Deus, para!

Mas para minha surpresa, isso não aconteceu.

- Jill, vai embora. Essa conversa é entre mim e o Leon!

- Não, eu não vou, então larga ele de uma vez antes que você faça uma besteira ainda maior do que essa.

Ele pareceu pensar por alguns segundos e finalmente me largou, mas não de forma gentil, ele simplesmente me jogou de volta no chão. E sim, aquilo também doeu.

Jill caminhou até onde estávamos e sussurrou algo no ouvido de Chris, dando um beijo no rosto dele.

- Espero você lá dentro.

Chris deu alguns passos, pegando algo no chão que eu não consegui identificar e seguiu para a parte da frente da casa, deixando Jill e eu sozinhos ali.

- Leon, você ta legal?

Ela correu até mim e se abaixou, eu apenas fiz que sim com a cabeça. Jill me ajudou a levantar e depois de ter certeza que eu realmente estava bem, ela me bateu. Não como Chris tinha feito, mas também não foi fraco. Acho que eu tinha merecido aquilo.

- Já chega Leon, você é um idiota! Eu parei o Chris pra ele não te matar, mas o que ele falou não está errado e você não é burro, sabe disso.

E mais um tapa, dessa vez do lado esquerdo.

-Jill, chega! – Pedi antes que ela resolvesse me bater novamente.

- Tudo bem... Mas o que você esta fazendo aqui? – Ela cruzou os braços em frente ao corpo. – Achei que o Chris tinha te convencido a não vir.

- Eu... Vim ver a Claire...

- Pra que?

- Preciso entregar algo a ela...

- Desculpa Leon, mas não posso deixar você entrar para ver a Claire...

- Por quê?

- Você sabe, o Chris ficaria louco com isso.

- Então chama ela aqui... Por favor, Jill é importante.

- Eu realmente não posso fazer isso... – Disse um tanto chateada por não poder ajudar. – Então, por favor, não insista.

Suspirei derrotado, jogando a cabeça levemente para trás e olhei para as estrelas.

- Se eu puder te ajudar em alguma outra coisa...

- E pode! – Foi ai que tive a ideia. – Você pode entregar isso a ela, por favor?

Retirei um pequeno embrulho de papel do bolso esquerdo da calça e entreguei na mão de Jill, que olhava curiosa para aquilo.

- O que é...

- Ela vai saber o que é... – Sorri. - Obrigada Jill, de verdade.

Ela acenou com a cabeça e guardou o embrulho no bolso de trás da calça, me acompanhando pelo jardim até o portão da frente da casa. Me despedi dela e então tomei o rumo de casa outra vez, resolvi caminhar devagar, afinal, precisava de tempo para arrumar uma boa desculpa para dar a Angela sobre esse machucado na boca.

Tudo que me restava naquele momento era esperar e torcer para que Jill entregasse a Claire o que eu havia pedido, aquela era minha última esperança.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Jill esperou até que Leon sumisse de vista na rua para então voltar para dentro da casa. Chris estava esperando por ela na varanda, segurando o presente de aniversário da irmã no colo.

- Ele já foi... – Disse antes que Chris perguntasse alguma coisa...

- É, eu vi... – Ele estendeu a mão direita para ela. – Vem, vamos entrar...

- Vamos... – Segurou na mão dele. – E temos que conversar sério quando chegarmos em casa, Sr. Redfield.

Nada respondeu, sabia exatamente sobre o que era a tal conversa, e mesmo não querendo admitir, sabia que estava errado.

Ao chegarem à sala, Chris foi até a irmã e aproveitou que ela estava de costas para assustá-la.

- Seu presente chegou... – Ele apertou a cintura de Claire com uma das mãos, fazendo a ruiva virar de imediato para olhá-lo.

- Sabe que eu odeio quando... – Ficou sem falas ao olhar o pequeno animal do colo do irmão. – Que coiiisa maiiis linda!

Claire pegou o filhote de Doberman que Chris havia lhe comprado como presente de aniversário, o pequeno era completamente preto na parte de cima, tendo apenas a parte inferior do corpo em tonalidade marrom. Ela sabia que quando crescesse, ele se tornaria um "monstrinho" que daria um enorme trabalho, mas aquela carinha de perdido e as orelhinhas caídas faziam seu coração amolecer só de olhá-lo.

" Eu já deveria saber que tipo de cachorro o Chris daria a irmã, sendo ele super protetor do jeito que é, duvido que ele daria um poodle pra Claire."

Jill riu com o próprio pensamento, estava com Chris a tanto tempo que já sabia como ele costumava reagir a certas situações, ou até mesmo os presentes que ele poderia dar.

O jantar havia ocorrido tranquilamente, Chris e Jill esperavam na varanda junto com o cachorrinho que Claire havia ganhado como presente de aniversário, enquanto a ruiva se despedia dos pais de Carlos.

- Já pensou em um nome pra ele? – Carlos perguntou ao chegarem à varanda.

- Sim, levou algum tempo, mas eu consegui pensar. – Claire respondeu, pegando o cachorro do colo de Jill.

- E qual vai ser? – O irmão parecia curioso com o nome que ela daria.

- Pudim! – Ela sorriu, balançando o cachorro no ar.

- Isso é nome que se dê a um cachorro? – Chris parecia inconformado ao ouvir aquilo. – Tem que dar um nome assustador, tipo montanha, rambo, estripador... E não Pudim.

- Que tal Chris? É um nome assustador, tenho certeza que deve ter muita gente que vai ter medo dele... – Jill falou com certo sarcasmo, mas apenas Chris entendeu o que ela quis dizer com aquilo.

- Não não, Pudim me agrada. – A ruiva riu. – Enfim, já está ficando tarde, é melhor irmos.

- Eu levo você em casa. – Carlos sugeriu. – E não aceito um não como resposta.

Ela apenas concordou com a cabeça, seguindo a cunhada e o irmão até o portão de entrada.

- Vejo vocês amanhã! – Acenou após Chris e Jill entrarem no carro.

- Até amanhã Claire.

A morena apenas acenou com a mão, e logo em seguida Chris partiu com o carro. Minutos depois fora sua vez de partir, entrou no carro onde Carlos a esperava, seguindo o rumo de casa.

30 minutes later.

- Você sabe que exagerou um pouco, não é Chris?

- Qual é Jill, ele mereceu!

- Podia ter matado ele.

- Vontade não me faltou... – Ele se atirou no sofá, tentando evitar que aquela discussão continuasse. – Olha, vamos deixar pra lá, tudo bem? Não quero brigar mais... Por favor...

Suspirou alto, sentando-se ao lado dele no sofá. Passaram o caminho inteiro discutindo a tal briga que Chris teve com Leon, já estava mais do que na hora de encerrarem aquilo.

- Certo, certo... – Se aproximou dele mais um pouco, beijando-lhe o rosto. – Vou tomar um banho, e vou deitar tudo bem?

- Tudo, eu vou arrumar a cama então. – ele sorriu. – Te vejo no banheiro.

- Você não tem jeito, tarado...

Chris apenas riu, deixando que ela levantasse do sofá e seguisse para o banheiro. Jill deixou a porta do banheiro escorada, sabia que ele acabaria aparecendo mesmo por ali.

Antes de se despir, lembrou-se do embrulho que Leon havia lhe dado, retirando aquilo do bolso e o colocando sobre a pia do banheiro.

- Ok, eu não deveria abrir isso... – Falava sozinha conforme desembrulhava aquilo. – Mas eu já estou metida nessa confusão mesmo, então seja o que Deus quiser.

Sua expressão logo mudou de curiosidade para surpresa quando viu o que estava embrulhado ali, não era possível que ele ainda o guardasse.

- Não acredito...

Pegou o papel no qual o pequeno anel estava embrulhado, lendo em voz alta o que estava escrito. "Você ainda lembra...? " Ela levou uma das mãos até o rosto, como se ainda não acreditasse naquilo.

- Leon, você é tão idiota... – Ainda lembrava como aquele anel havia sido devolvido a ele, e de toda a confusão daquele dia.

~ Flashback ON

Time can never mend

O tempo jamais poderá reparar
The careless whispers of a good friend

Os sussurros descuidados de uma boa amiga
To the heart and mind

Para o coração e a mente
Ignorance is kind

A ignorância é bondosa
There's no comfort in the truth

Não há consolo na verdade
Pain is all you'll find
Dor, é tudo o que você irá encontrar

I'm never gonna dance again

Eu jamais dançarei novamente
Guilty feet have got no rhythm

Pés culpados não têm nenhum ritmo
Though it's easy to pretend

Embora seja fácil fingir
I know you're not a fool

Eu sei que você não é uma tola...

Should've known better than to cheat a friend

Eu deveria ter sido mais cuidadoso e não enganar uma amiga
And waste this chance that I've been given

E desperdiçar a oportunidade que tive
So I'm never gonna dance again

Por isso jamais dançarei novamente
The way I danced with you

Como dancei com você...

Never without your love…

Nunca sem seu amor...

Careless Whispers – Seether.

Sábado, 25 de Março de 2000.

Aquele era seu aniversário de 18 anos. Estava ansiosa para a festa que aconteceria mais tarde, não pela festa em si, mas porque ele prometeu que iria. Havia pouco mais de um ano que não se viam, mantendo contato apenas por e-mail e algumas ligações. Ele estava ocupado demais com a faculdade para poder ir vê-la, e ela estava concentrada demais m entrar na faculdade para se importar.

Com tudo, quando leu o último e-mail que ele tinha mandado, todas suas esperanças retornaram e então decidiu fazer uma festa. Já que ele estava indo apenas para vê-la no dia do seu aniversário, por que não comemorar? Foi exatamente nisso que pensou e optou por fazer a festa. Ainda lembrava-se do último e-mail que trocaram.

" Hey Claire! Como estão as coisas por ai? Eu espero que esteja tudo bem, aqui está tudo na mesma, mal tenho tido tempo para respirar esses dias por conta das provas,rs.

Ah, tenho uma boa notícia! Vou poder passar ai no dia do seu aniversário, eu espero que não tenha nenhum problema e que você guarde um pedaço de bolo pra mim, não deixe que a festa acabe cedo. Eu tenho uma surpresa pra você!

Mais uma coisa, como está a Becca, ainda está namorando com o Billy? Tem um tempo que não converso com nenhum dos dois. Admito que as vezes sinto falta dos tapas que ela me dava! Haha... Mas não a deixe saber disso, se não é capaz dela querer me receber a tamancadas quando eu chegar ai!

Sinto cada dia mais a sua falta, mal posso esperar pelo fim de semana.

Beijos,

Leon."

" Oi Leon! Por aqui está tudo bem, obrigada por perguntar. Nossa, eu imagino que deve estar sendo complicado ai pra você, mas relaxa, acho que logo as coisas vão ficar mais tranqüilas.

Sério mesmo? Não sabe como fiquei feliz com essa notícia! É claro que não tem problema nenhum, e pode deixar que a festa não vai acabar antes de você chegar.

Surpresa? Ok, você me deixou curiosa, mal posso esperar pra saber o que é!

A Becca está bem, continua do mesmo jeito de antes, e sim, ela ainda está com o Billy. Algo me diz que a relação deles vai durar muito! Deixa de ser bobo, rs, falando assim parece até que ela te espancava.

Também sinto muito a sua falta. Tem tanta coisa que preciso te dizer... Bem, vejo você amanhã.

Beijos e se cuida.

Claire."

Jill dava os últimos retoques na casa enquanto Rebecca ajudava Claire com o resto das coisas. Depois de tudo pronto, elas foram se arrumar, não iria demorar muito paa que os convidados chegassem.

21h40min PM

O tempo passava e nenhum sinal de vida dele, Claire já estava imaginando se ele realmente iria aparecer.

- Claire... – O irmão da ruiva chamou sua atenção. – Vou levar a mamãe em casa, tudo bem?

Ela apenas concordou com um aceno de cabeça, o que deixou o rapaz levemente irritado, mas a pedido da mãe e da namorada ele nada disse. Michelle se despediu da filha e seguiu com Chris para o carro.

- Anda Claire, se anima... – Billy sacudia a ruiva pelos ombros, fazendo cócegas nela algumas vezes... – Me ajuda aqui Becca.

- É pra já... – A morena riu, se juntando ao namorado e a amiga no sofá.

- Isso é covardia... – Resmungou em meio aos risos.

De repente, os três ficaram quietos quando o toque da campainha ecoou pela casa. Claire levantou em um pulo, o coração acelerado só de pensar na ideia que poderia ser ele que havia chegado. A ruiva correu até a porta, sendo seguida por Rebecca enquanto Billy apenas espiava do sofá.

- Feliz Aniversário!

Leon cumprimentou a garota com um sorriso, abrindo os braços quando Claire se jogou sobre ele, abraçando-a.

- Pensei que não viesse mais. – Ela se afastou, puxando-o pela mão para dentro de casa.

- Eu prometi que viria, não foi?

Rebecca se aproximou dos dois, e só então Claire notou que a amiga não estava sozinha. Ao lado dela havia uma moça um pouco mais alta que Rebecca, seu cabelo era castanho claro até a altura dos ombros. Seus olhos eram de um tom azul celestial, o que lhe dava um ar doce.

- Quem é ela, Leon?

Antes que Leon pudesse responder a pergunta, a moça se aproximou de Claire e a abraçou, deixando a ruiva desconcertada.

- Feliz Aniversário! – A morena sorriu gentilmente para ela, entregando um pacote perfeitamente embrulhado. – Espero que goste.

Billy, que até então apenas espiava de longe, resolveu se aproximar. Algo lhe dizia que aquilo não terminaria bem.

- Então Leon, não vai nos apresentar a moça?

Rebecca mordeu os lábios e balançou a cabeça sutilmente para os lados, enquanto Claire esperava por uma resposta do loiro.

- Bom... Ela se chama Manuela Hidalgo... – Ele se aproximou da garota, abraçando-a sutilmente pela cintura. – Ela é minha... Namorada.

- Eu mesma que escolhi... – Manuela dizia orgulhosa. – O Leon me disse que você gostava de perfumes, então encomendei um especialmente pra você.

Claire quase deixou cair o embrulho que segurava tamanha foi a surpresa com aquela notícia. Rebecca percebeu o desespero no olhar da amiga e decidiu agir. Era melhor manter a namorada de Leon longe da ruiva, e rápido.

- Manuela, não gostaria de conhecer a casa? – Perguntou, já segurando no braço da garota.

Leon fez que sim com a cabeça, e então ela seguiu junto com Rebecca. Claire não pensou duas vezes, e assim que a amiga sumiu de vista com Manuela, ela se afastou de Leon e correu em direção à cozinha, deixando o rapaz parado no meio da sala com uma expressão confusa no rosto.

- Leon, como você é idiota...- Billy levou as mãos no rosto, balançando a cabeça. – Ta esperando o que?

- Mas, o que eu fiz?

- Vai atrás dela, anda mula!

- Tudo bem, já to indo...

‡ººººººº‡ººººººº‡

Jill estava na cozinha secando alguns pratos quando viu Claire passar correndo por ela e ir até a varanda na parte de trás da casa. " O que será que aconteceu?" Foi a primeira coisa que pensou ao ver a ruiva correr, e antes que pudesse largar o pano de prato sobre a mesa, Leon passou pela porta, parando em meio a cozinha.

- Você viu a Claire, Jill?

A morena apenas apontou em direção à varanda e então o loiro seguiu pra lá. Jill deu alguns passos até chegar na janela que ficava em frente a pia, aquele era o melhor local que conseguira para poder espiar.

Claire estava de costas para a janela e apoiada na pequena cerca de madeira que era envolta a varanda. Leon caminhava a passos lentos até a ruiva, como se não quisesse que ela o notasse ali.

" Aposto que ele fez merda..." Pensou a morena enquanto observava a cena.

- Por que você está assim? – Ele perguntou meio receoso conforme se aproximava dela.

- Se você nem desconfia, esquece. – A ruiva respondeu com certa indiferença, afastando-se aos poucos dele.

- Não posso... – Segurou em um dos braços dela, evitando que a garota se afastasse mais. – Você é importante pra mim...

- Não é o que parece. – Tentava puxar o braço para que ele a soltasse. - Me solta!

- Se for por aquilo... – Desviou o olhar para o chão. – A gente não daria certo.

- E o seu jeito de me dizer isso é aparecer com ela?

- Ela já existia...

- O quê? – Perguntou confusa, olhando para ele.

- Eu pensei sobre isso, sobre nós... Mas e se desse errado? – Ele falava com certa tristeza. – Eu não suportaria te perder...

"É engraçado como um completo idiota pode ser até fofinho." Jill, que ainda observava da janela, riu com o próprio pensamento.

- E me magoar é o seu jeito de me manter por perto? – Claire segurava o choro, embora sua voz estivesse embargada pelo mesmo. – Eu vou embora!

- Por favor, não. – Leon a puxou para mais perto de si. – Eu nunca mais falo nisso, vamos fingir que nunca aconteceu.

- Eu não posso... – Balançou a cabeça levemente para os lados, olhando diretamente nos olhos dele. – Acabaria te odiando...

Leon levou um choque com as palavras que ouvira de Claire, acabando por soltar o braço da ruiva, que se afastou novamente dele e foi em direção a porta.

- Claire, por favor, não me deixa... - Deu dois passos em direção a ela. – Eu preciso de você...

- Então deveria ter cuidado melhor de mim... Eu gosto de você Leon, de verdade... Mas esse seu carinho só está me machucando... - Ela levou as mãos até a nuca, desabotoando o colar que usava. Depois de retirá-lo, ela jogou o objeto na direção dele. – Sempre pensei que isso significasse algo pra você, mas no fundo, eu só estava me enganando...

Após dizer aquilo, Claire correu outra vez, deixando o rapaz sozinho ali na varanda. Ele então se abaixou, pegando o colar que ela havia jogado, e foi ai que ele reconhecera o objeto que estava pendurado ali. Era o anel que ele havia dado a ela quando ainda eram crianças.

- Você sempre confiou em mim, e eu te desapontei mais uma vez...

Ele segurou com força o anel e o guardou no bolso, permanecendo parado em meio a varanda, com o olhar completamente perdido.

‡ººººººº‡ººººººº‡

- Chris, vem pra casa, agora. – Jill deu ênfase a última palavra. – Antes que sua irmã vá parar na cadeia por homicídio.

- Eu estou na metade do caminho... Mas do que você ta falando, Jill? – Ele perguntava confuso.

- Vou resumir em uma única palavra. – Ela respirou fundo antes de continuar. – Leon.

- Que merda ele aprontou agora?

- Quando você chegar, eu te explico... Mas vem rápido.

- Certo... Até daqui a pouco.

- Até. – E desligou o telefone.

A morena subiu correndo a escada para o segundo andar sabia que Claire tinha ido direto para o quarto de Rebecca.

- Claire...? - Bateu na porta do quarto. – Posso entrar?

A garota nada respondeu, Jill deu de ombros e entrou no quarto, encontrando Claire sentada na cama com uma expressão confusa, como se não soubesse se deveria estar com raiva ou triste depois daquilo.

- Por que Jill?... – Olhava enquanto a morena sentava ao seu lado na cama. - Por que isso sempre acontece comigo?

- Porque o Leon é um idiota, e você sabe bem disso. – Ela abraçou a ruiva que apenas encostou a cabeça em seu ombro, suspirando pesadamente.

Jill desfez o abraço e levantou ao ouvir algumas batidas na porta. Quando a abriu, deparou-se com Rebecca do lado de fora, segurando um pacote nas mãos.

- O Leon me contou o que houve... – Ela sussurrou para que a amiga não ouvisse. – Ela está bem?

- Eu acho que sim... – Jill respondeu no mesmo tom de voz da garota, dando passagem a ela. – Mas o que é isso? – Apontou para o pacote nas mãos da morena.

- Ah, é o presente que a Claire ganhou dela...

Pela entonação da última palavra, Jill já sabia a quem ela estava se referindo. Rebecca colocou o presente sobre a cômoda próxima a janela e foi até onde a ruiva estava.

- Eu sou uma boba, não é?... – Claire começou. – Como eu pude ficar esperando por ele todo esse tempo?

- Como você ia adivinhar que isso iria acontecer? Acho que ninguém previa isso, Claire...

A ruiva não respondeu, levantando-se da cama e indo na direção da cômoda onde Rebecca tinha colocado o pacote. Ela desembrulhou o presente, abrindo a caixa e segurando o frasco de perfume com ambas as mãos.

- Importado, não é? – Olhava com raiva para o vidro de perfume. – Que se dane a porcaria do perfume.

Ela não pensou duas vezes, segurou o frasco com a mão direita e o arremessou furiosa pela janela aberta. Tinha algum tempo que não fazia nada desse tipo, mas de certa forma aquilo a deixou mais calma. Jill e Rebecca não disseram absolutamente nada sobre aquilo, mas não conseguiram esconder um pequeno riso.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Chris caminhava apressadamente pelo gramado do pequeno jardim da casa de Rebecca, estava preocupado e de certa forma curioso para saber o que houve de tão grave assim para que Jill ligasse para ele. Quando se aproximou da entrada, fora atingido em cheio na cabeça por algo, fazendo com que ele caísse imediatamente no chão devido a pancada.

" Que porra foi essa? "

Pensou ao tentar levantar, ainda tonto pela forte pancada que havia recebido. Olhou para o lado, pegando o objeto pelo qual fora atingindo, conseguindo por fim levantar. Sua cabeça doía e ele sentia algo quente escorrer por seu rosto, fazendo com que ele levasse uma das mãos até a testa.

- Era só o que me faltava...

Resmungou, fazendo careta ao ver o sangue na mão. Ainda zonzo ele seguiu até a varanda e tocou a campainha, esperando que alguém fosse atendê-lo.

- Oii Ch... – Billy olhou chocado para o moreno ao abrir a porta. – Cara, o que houve com você?

- Pequeno acidente... – Ele entrou na casa. – Onde está a Jill?

- Lá em cima com a Becca... – Leon respondeu, se aproximando dos dois. – E com a Claire...

- Olha Leon... – Chris começou. - Seja lá o que você tenha feito, é melhor ir embora agora antes que as coisas fiquem piores.

O loiro olhou para Billy que concordou com um leve aceno de cabeça. Leon suspirou derrotado, afastando-se deles.

- Vou chamar a Manuela e nós vamos embora.

- Certo. – Chris concordou, virando-se para Billy após o loiro sumir de vista. – Quem é Manuela?

- A namorada dele...

- Já entendi tudo...

Chris suspirou e seguiu até as escadas, subindo-as rapidamente. Ao chegar ao segundo andar, procurou pelo quarto que seria de Rebecca onde provavelmente a irmã estaria junto da amiga e a namorada.

- Jill? – Deu duas batidas na porta.

- Seu irmão chegou Claire... – Foi a única coisa que conseguiu ouvir antes que ela abrisse a porta. – Ah meu Deus, o que houve com você?

Jill olhava preocupada para o ferimento na testa dele que ainda sangrava um pouco. Ela o puxou para dentro do quarto, levando-o até a cama, onde fez sentar.

- Foi só um acidente... – Ele ergueu a mão que ainda segurava o objeto que o havia atingido. – Algum maluco jogou isso pela janela...

Rebecca não conteve o riso ao ver o frasco de perfume que Chris segurava na mão era o mesmo que Claire havia jogado pela janela alguns minutos atrás. Ao contrário da amiga, que ria sem parar, a ruiva ficou sem graça por ter acertado justamente o irmão com o maldito perfume.

- Becca, pode pegar o kit de primeiros socorros? – Jill pediu a garota enquanto olhava o ferimento do namorado. – Você tem uma sorte hein Chris?

- Eu que o diga... – Fez uma leve careta quando ela tocou no machucado.

- Dói muito?

- Só um pouco, nada que não dê pra suportar...

- O resto do pessoal já foi embora... – Rebecca entregou o kit de primeiros socorros a Jill. – Vou ajudar o Billy lá embaixo a arrumar as coisas. – Disse antes de sair do quarto.

Claire parecia completamente desligada do que acontecia ao seu redor, estava parada em frente à janela olhando Leon ir embora junto com Manuela, a namorada dele. Graças a maldita "surpresa", sua festa foi por água a baixo "Quem mandou ser tão iludida? " Repreendeu-se mentalmente ao fechar os olhos, aquele sem dúvida alguma tinha sido o pior aniversário de sua vida.

‡ººººººº‡ººººººº‡

Quinta-feira, 15 de Junho de 2000.

O céu estava completamente cinzento e fazia muito frio, sem contar os pingos de chuva irritantes que caiam sobre seu rosto, mas ele não se importava. Precisava apenas chegar lá o mais rápido possível.

Já fazia dois meses e mais alguns dias que não se falavam, e aquilo o corroia por dentro. Como pôde ser tão estúpido e fazer aquilo com ela? Só depois de ouvir as palavras cheias de mágoa que saíram da boca dela, ele percebeu o tamanho da burrada que fizera. Provavelmente ela ainda estava com raiva dele, mas ainda assim iria vê-la naquela tarde porque sabia que era o único que poderia lhe dar conforto naquele momento.

You used to captivate me by your resonating light

Você costumava me cativar com sua luz ressonante
Now I'm bound by the life you've left behind

Agora sou limitada pela vida que você deixou pra trás
Your face it haunts my once pleasant dreams

Seu rosto assombra todos os meus sonhos que já foram agradáveis
Your voice it chased away all the sanity in me

Sua voz expulsou toda a sanidade que havia em mim

Deu duas batidas na porta da casa, e antes que pudesse bater pela terceira vez, alguém abriu a porta.

- Billy, onde ela está?

- Lá em cima com a Becca.

O rapaz cedeu passagem para que Leon entrasse, fechando a porta em seguida. Os dois caminharam até o centro da sala, parando próximos ao sofá.

- Eu sei que ela ainda deve estar com raiva e que eu não deveria ter vindo... Mas sei que ela também precisa de mim agora, e eu prometi que não a deixaria sozinha, não importa o que aconteça.

- Você fez bem em vir... – Billy deu de ombros. – Sabe que a Claire não é rancorosa, e duvido muito que ela vá te mandar embora... – Seguiu para as escadas. – Eu já disse a Becca que você viria, então é melhor subirmos...

- Certo... – Acompanhou o amigo até as escadas, deixando que ele fosse à frente. - E o Chris, onde está?

- Ficou no enterro junto com a Jill. Ele pediu que nós trouxéssemos a Claire pra casa, ela não estava se sentindo muito bem.

- Hm...

These wounds won't seem to heal

Essas feridas parecem não cicatrizar
This pain is just too real

Essa dor é tão real
There's just too much that time cannot erase

Existem muitas coisas que o tempo não pode apagar

O moreno seguiu pelo corredor até que parou em frente a uma porta que Leon logo reconhecera como a porta do quarto de Claire. Billy deu uma batida fraca, ouvindo apenas um 'entre' como resposta. Ele levou a mão calmamente à maçaneta até abrir a porta, entrando no quarto e sendo seguido pelo loiro.

Rebecca estava sentada sobre a cama com a cabeça de Claire deitada em seu colo, e apesar de parecer adormecida a ruiva estava acordada. Seu brilhantes olhos azuis de outrora agora estavam opacos e úmidos, ela chorava baixinho no colo da amiga, que afagava seus cabelos.

Aquela cena acabou com Leon, ele não suportava vê-la chorar daquela forma.

- Claire... – Rebecca chamou baixinho. – Tem alguém que veio ver você...

Ela apenas levantou a cabeça, olhando em direção a porta. Para sua surpresa, Leon estava parado lá, olhando para ela.

- Não deveria ter vindo... – Levantou aos poucos do colo da amiga e sentou-se na cama.

- Vou deixar vocês a sós... – A morena levantou da cama e foi em direção a Billy, puxando o rapaz pelo braço até que saíram do quarto.

Claire não teve sequer tempo de contestar, pois Rebecca já havia fechado a porta atrás de si, deixando os dois sozinhos lá dentro.

- Desculpe não ter vindo mais cedo... Foi difícil sair de lá...

- Por que, a Manuela não deixava? – Respondeu amarga, abraçando as próprias pernas.

Aquelas palavras lhe atingiram como um soco, mas também o que esperava? Que ela lhe recebesse de braços abertos e com um sorriso no rosto? Mas é claro que não.

- Para com isso Claire, eu não estou mais com ela... E essa não é hora de discutirmos sobre isso... – Ele caminhou até a cama e sentou na beirada. – Eu quero saber como você está...

- Ótima, não consegue ver? – Ela segurava o choro o máximo que podia, não queria chorar na frente, não mais. – Se era só isso, você pode ir.

When you cried I'd wipe away all of your tears

Quando você chorou, eu enxuguei todas as suas lágrimas
When you'd scream I'd fight away all of your fears

Quando você gritou, eu lutei contra todos os seus medos
And I held your hand through all of these years

E segurei sua mão todos estes anos
But you still have all of me

Mas você ainda tem tudo de mim.

Leon abaixou a cabeça, mas voltou a olhá-la segundos depois, por mais irritada que ela estivesse não a deixaria sozinha naquele momento. Não a deixaria sozinha nunca mais. Em um movimento rápido, ele segurou a ruiva por um dos braços, puxando-a para si em um abraço apertado, que para sua surpresa ela não recusou.

Nunca pensou que perder a mãe doesse tanto assim, ainda mais por causa de um maldito câncer. Embora ainda estivesse zangada com ele, ela não tinha mais forças para lutar contra aquilo, e como em um passe de mágica sentiu todo o peso e angústia de minutos atrás desaparecer, mesmo que por alguns instantes.

" Enquanto você estiver com ele, vai ficar tudo bem... " Ela pensou.

- Desculpe...

Ele sussurrou no ouvido dela, não se referindo apenas ao seu atraso, mas também a todas outras coisas que a fez passar por sua causa. Claire apenas concordou com a cabeça, aninhando-se no colo do rapaz enquanto fechava os olhos. Seria melhor, e talvez menos doloroso se ela apenas ignorasse o que havia acontecido, ou pelo menos tentasse.

Aos poucos ela adormecera no colo dele, havia chorado tanto que era natural que pegasse no sono, mais cedo ou mais tarde. Depois de tudo aquilo que passou ao lado dela naquele tarde, Leon prometera a ele mesmo que faria de tudo para que ninguém a magoasse, nunca mais queria vê-la chorar como tinha visto naquele dia. E ele não pretendia quebrar aquela promessa.

I've tried so hard to tell myself that you're gone

Eu tentei com todas as forças dizer à mim mesma que você se foi
But though you're still with me

E embora você ainda esteja comigo
I've been alone all along

Eu tenho estado sozinha por todo esse tempo

My Immortal – Evanescence.

~ Flashback OFF

Jill embrulhou o anel novamente naquele pedaço de papel, guardando-o embaixo do armário da pia do banheiro. Chris não mexia em suas coisas, então por hora, aquele era o melhor esconderijo em seu apartamento para o anel. Pensaria melhor no que faria no dia seguinte.

‡ººººººº‡ººººººº‡

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE, acho que de todos, esse foi o capítulo que demorou mais para sair. Me desculpem pela demora.. Fiquem a vontade para me xingar se quiserem, sério.. Eu mereço.

Bom, confesso que estava desanimada em continuar a fic, não me perguntem por que, mas estava.. E sempre que tentava continuava, tinha ideia para outras história e lá ia eu começar a escrevê-las para não perder a ideia.. As outras fics eu pretendo postar também, mas só depois que elas estiverem com muitos capítulos e eu estiver terminando essa, porque ela é prioridade, hehe.

Estou escrevendo outras fics de RE, e como eu sei que muita gente também gosta do casal Claire x Steve, eu resolvi escrever com esse casal.. Mas não esperem muito romance dela, será mais para descontrair. A única coisa que garanto na outra fic são risadas.

Agradeço de coração a todos que me mandaram review, vocês não sabem o quanto isso me deixou feliz. Quem quiser manter contato ou puxar minha orelha pela demora, ai está meu e–mail: demoniac_/sah_

Espero que gostem do capítulo, e por favor, mandem reviews!

Beijos, e até o próximo capítulo.