Capítulo 7.

He's everything you want

Ele é tudo que você quer

He's everything you need

Ele é tudo que você precisa

He's everything inside of you

Ele é tudo dentro de você

That you wish you could be

Que você queria ser

He says all the right things

Ele diz todas as coisas certas

At exactly the right time

No momento exato

But he means nothing to you

Mas ele não lhe significa nada

And you don't know why

E você não sabe porque

You're waiting for someone

Você está esperando por alguém

To put you together

Que lhe conserte

You're waiting for someone to push you away

Você está esperando por alguém que lhe rejeite

There's always another wound to discover

Há sempre outra ferida a ser descoberta

There's always something more you wish he'd say

Há sempre outra coisa, que você gostaria que ele falasse

But you'll just sit tight

Mas você apenas sentará quieta

And watch it unwind

E esperará ele se acalmar

It's only what you're asking for

É só o que você está pedindo

And you'll be just fine

E você vai ficar bem

With all of your time

Com todo o tempo que precisar

It's only what you're waiting for

É só o que você está esperando

Everything You Want –Vertical Horizon.

Inventar uma desculpa para Angela sobre os hematomas que ela viu em mim no dia seguinte a surra que levei do Chris foi bem mais fácil do que imaginava. Disse apenas que não havia conseguido dormir, fui dar uma volta e acabei sendo assaltado na rua. Algo simples e fácil, sem muitos detalhes para que eu não acabasse me complicando mais tarde.

Já haviam se passado duas semanas e meia desde o aniversário de Claire e eu ainda não tive notícias dela. Acho que no fundo ainda tinha esperança, por menor que fosse, de ficar com ela novamente. Mas estava mais do que na hora de seguir em frente, e era isso que eu pretendia fazer.

- Boa noite amor. – Cumprimentei Angela com um selinho ao chegar em casa. – Como passou o dia?

- Boa noite. – Ela me abraçou ternamente após retribuir o selinho. – Bem, o Curtis passou aqui hoje a tarde e nos convidou para jantar na casa dele...

Ótimo, isso era tudo que eu queria hoje a noite: aturar o irmão rabugento dela. Preferia mil vezes levar outra surra do Chris do que ir à casa do Curtis.

- E o que você respondeu? – Perguntei apreensivo pela resposta.

- Que iria pensar e ver se você gostaria de ir...

Fiquei pensando por alguns instantes, até que me surgiu uma idéia.

- É melhor deixar pra outro dia...

- Está muito cansado pra ir?

- Não, é que estava pensando em irmos a um restaurante hoje, pra jantar...

Menti, isso não tinha passado pela minha cabeça a menos de três minutos. Estava casado, mas faria qualquer "sacrifício" para não ter que ouvir a voz do Curtis. Angela pareceu pensar um pouco, mas não resistiu e acabou aceitando, afinal aquela era uma proposta tentadora para ela, já que fazia um bom tempo que não saíamos para jantar.

- Vou me arrumar. – Ela sorriu e desfez o abraço, subindo as escadas e entrando no quarto.

Me joguei na poltrona mais próxima, fechando os olhos e suspirando. Precisava pensar em um restaurante para levá-la.

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- Você não mudou nada, Billy...

Claire ria bobamente como há muito tempo não fazia, com certeza aquele encontro fora a melhor idéia que já teve desde que voltou a Raccoon City.

- Obrigado, eu acho...

- Mas me digam, vocês voltaram pra ficar dessa vez?

- Ainda não temos certeza – Rebecca começou.- Mas eu já estou vendo se consigo uma vaga de transferência para poder trabalhar no hospital... Se tudo der certo, nós voltamos.

- A minha transferência é mais fácil de arrumar... É só cobrar alguns favores... E eu passei mais tempo de serviço na Marinha do que em casa... Eles me devem isso.

Carlos parecia bastante interessado na conversa, estava contente por ter sido convidado para aquele jantar, sentia que aos poucos estava fazendo parte da vida dela.

"Maldito celular." Praguejou mentalmente ao sentir o celular tremer em seu bolso. Olhou no visor e então se levantou para atender, era um sócio importante e não poderia ignorar aquela chamada.

- Desculpe, preciso atender... – Murmurou, dando um beijo rápido nos lábios da ruiva antes de se retirar da mesa. – Mas já volto.

- Certo, eu admito que o Carlos seja um cara bem simpático, educado, engraçado, e muito bonito... – Rebecca deu uma pequena risada com o olhar feio que o esposo lançou-lhe graças a sua última palavra. – Mas você não parece 100% feliz, Claire.

- É impressão sua Becca...

- Sério mesmo que você vai mentir pra nós? – A morena se inclinou na direção da mesa, apoiando os braços sobre o móvel. – Conta outra, por favor.

- O Carlos me faz bem, e é isso que importa. – Claire contornou o assunto, tentando mudar o rumo que aquela conversa tomaria. – Vamos mudar de assunto, por favor.

Rebecca apenas suspirou e assentiu com um leve aceno de cabeça. Aquele não era o melhor local nem hora para se mexer em antigas feridas, mas com certeza esclareceria as coisas com a amiga assim que tivesse oportunidade para conversarem a sós. Não demorou muito para que Carlos retornasse a mesa, desligando o celular para que não houvesse mais transtornos durante o jantar. Queria dedicar sua atenção total a Claire e seus amigos, e assim o faria, teria o dia seguinte inteiro para resolver seus problemas de trabalho.

- E então, vamos escolher o que comer? – Billy manifestou-se, pegando um cardápio para olhar enquanto os outros faziam o mesmo. – Estou morrendo de fome.

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Saímos de casa assim que Angela desligou o telefone após dizer ao irmão que não iríamos jantar na casa dele. Claro que Curtis protestou e me xingou de todos os nomes possíveis, mas eu não estava nem ai, só de não ser obrigado a ver a cara feia dele naquela noite, eu já estava feliz.

- Faz tanto tempo que não saímos para jantar, não é? – Ela comentou animada quando parei o carro em frente a entrada do restaurante.

- É verdade. – Sorri, fingindo uma empolgação que não tinha. A verdade é que gostaria de ter ficado em casa.

Ela me deu um rápido selinho e em seguida sai do carro, abrindo a porta para que ela também saísse. Entreguei a chave do carro para o manobrista e em seguida entramos no restaurante que por sorte não estava tão cheio naquela noite. Ficamos aguardando alguns minutos enquanto preparavam uma mesa. Eu estava completamente distraído olhando para dentro do restaurante quando um rosto familiar me chamou atenção.

- Não pode ser...

- O que foi? – Angela perguntou preocupada.

- Acho que vi alguém que conheço, mas deve ter sido só impressão...

Não demorou muito para que minhas suspeitas fossem confirmadas. Com um grande sorriso no rosto e um breve aceno de mão, Billy no chamou para onde eles estavam, pedindo ao garçom para que providenciasse mais lugares a mesa e que nos acompanhasse até ali.

- Nossa cara, parece até mentira! – Ele riu ao se levantar para me cumprimentar.

- Eu que o diga, você e a Becca sumiram do mapa. - Respondi tão sorridente quanto ele estava, mas pela primeira vez naquela noite, era um sorriso verdadeiro.

Rebecca me abraçou forte, o que talvez tenha deixado Angela um pouco desconfortável com a situação, afinal de contas nunca havia apresentado nenhum amigo ou amiga dos meus tempos de escola para ela, apenas tinha comentado algumas coisas entre uma conversa ou outra, mas aquela era a primeira vez que ela os encontrava.

- Você não mudou muito. – Rebecca comentou ao me olhar da cabeça aos pés.

- Vocês também não... – Sorri, puxando uma cadeira para que Angela se sentasse.

Havia uma terceira pessoa na mesa, que parecia tão curiosa ao meu respeito quanto eu estava a seu respeito. Mas deixaria as perguntas para depois, e antes que Angela me lançasse um olhar feio, tratei de apresentá-la aos dois.

- Angela... Esses são Billy e Rebecca, meus amigos desde a época de escola... – Ela os cumprimentou com um aceno de cabeça e um breve aperto de mão. – Billy, Becca, essa é Angela, minha esposa.

- E quem é o rapaz que está na mesa que vocês ainda não apresentaram?

Angela perguntou em tom de brincadeira, fazendo com que todos voltassem suas atenções para ele.

- Como você não o conhece? – Billy falou como se eu tivesse alguma obrigação de conhecê-lo. Por qual motivo? Não fazia a menor ideia. – Esse é o Carlos, o na...

Antes que pudesse completar a frase, eu já não estava mais prestando atenção alguma no que ele dizia. Minha atenção agora estava completamente voltada para a ruiva que havia se inclinado e beijado o tal Claudio, ou seja lá como era o nome dele.

- Desculpem a demora, não estava conseguindo achar a mesa... – Deu uma pequena risada antes de sentar-se a mesa. E foi só ai que ela notou a minha presença. – Leon?

Não consegui dizer um simples "Oi Claire" naquele momento, e espero mesmo que Angela não tenha notado a minha imensa surpresa ao ver toda aquela cena.

- Como o Billy ia dizendo... – Becca tratou de continuar a frase que o marido começou ao notar o clima estranho que ficou na mesa. – Esse é o Carlos, o namorado da Claire.

- Ah, então você é a famosa Claire? – Angela a cumprimentou, toda sorridente. – O Leon me falava muito de você, é um prazer imenso te conhecer.

Para minha surpresa, Claire não estava tão desconfortável quanto eu diante daquela situação. Ela simplesmente sorriu e cumprimentou Angela também. Fiquei completamente sem ação naquele momento, e acho que Billy percebeu isso.

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Depois do jantar houve uma longa conversa onde Claire explicava a todos como havia conhecido Carlos e mais um monte de lenga lenga. Eu não via a hora de voltar para casa, não estava me sentindo tão à vontade ali. Claire não fazia tanta questão assim de olhar pra mim, o que me dava ainda mais vontade de sair dali.

- Vocês formam um casal tão bonito. – Angela comentou, olhando para mim em seguida. – Não acha Leon?

- Claro,vocês combinam.

Respondi meio à contra gosto, evitando ao máximo não demonstrar tanto ciúmes assim. Ciúmes, sim, era isso mesmo que eu sentia naquele momento. Sei que estava errado em sentir aquilo, mas o que poderia fazer?

- Já está ficando tarde... – Carlos comentou. – Acho melhor nós irmos.

- Concordo... – Billy respondeu. - Vamos pedir a conta.

Carlos chamou o garçom que em pouco tempo nos trouxe a conta do jantar. Depois de uma pequena discussão sobre ele querer pagar a conta, resolvemos dividir os gastos, assim não seria injusto e nem me deixaria com mais raiva dele ainda.

- Precisamos fazer isso mais vezes... – Becca começou. – Foi divertido.

- Que tal um almoço lá em casa esse Sábado? – Angela sorriu antes de continuar. – Seria uma ótima oportunidade para conhecê-los melhor.

- Eu não sei... Acho que o Carlos vai estar ocupado, e...

Claire fora interrompida por Carlos, que parecia bastante animado com a ideia que Angela teve.

- De forma alguma, seria ótimo! Se surgir algum compromisso eu posso adiar, sem problema algum.

-Seria ótimo recebê-los lá. -Eu contive um suspiro e dei o meu melhor sorriso ao concordar com a ideia da Angela.

- Então estamos combinados. – Rebecca riu, sendo a primeira a levantar-se de seu assento. – Depois eu ligo e combinamos melhor as coisas, certo Leon?

Apenas concordei com um aceno de cabeça e me levantei também, forçando outro sorriso. No fundo não queria que eles fossem lá, não pela Rebecca, Claire ou Billy, mas pelo Carlos. Sei que é egoísmo da minha parte não querer ver a Claire com outra pessoa, só que eu simplesmente não consigo aceitar isso. Quero que ela seja feliz sim, só acho que ela não precisa dele para isso.

Ficamos em silêncio até a entrada do restaurante, onde nós despedimos. Acho que Billy notou que as coisas entre mim e a Claire estavam um pouco estranhas, mas fico aliviado por ele não ter feito nenhum comentário sobre aquilo na frente de todos. Precisava conversar com ele a sós, mas faria isso outro dia, seria impossível ter essa conversa naquela noite.

Depois de alguns minutos esperando, finalmente o manobrista trouxe a chave do carro. Os outros haviam ido embora poucos minutos antes de nós, restando apenas eu e Angela ali fora.

- Eu realmente adorei conhecer seus amigos, amor. – Ela disse assim que entrei no carro depois dela.

- Que bom que gostou deles.

- Acha que gostaram de mim?

- Tenho certeza que sim...

Estava respondendo no automático, não prestava mais tanta atenção assim nas coisas que ela dizia. Minha mente estava um tanto atordoada, ainda tentando processar as informações daquela noite. Angela passou o caminho inteiro comentando sobre o jantar, o que me aborreceu um pouco, mas felizmente não deixei que ela notasse isso. Seria difícil explicar o porquê de tal aborrecimento depois de uma noite "agradável" com ela e meus amigos.

- Chegamos...

Desliguei o carro assim que entramos na garagem, saindo do veículo de indo abrir a porta para poder ajudar Angela a sair de dentro dele. Sua barriga já estava grande o suficiente para atrapalhá-las em algumas coisas. Ela sorriu de forma meiga, agradecendo minha ajuda com um selinho.

Assim que entramos em casa, subimos direto para o quarto, já tinha passado da hora de Angela dormir e ela precisava descansar, pelo bem dela e do bebê. Fiquei alguns minutos deitado na cama até que ela adormecesse, o que não demorou muito a acontecer, e então levantei, seguindo para o banheiro. Nada melhor do que um bom banho naquele momento para poder colocar os pensamentos no lugar.