Faaaaaaaaaaaaaaaala galeeera! Olha só quem voltou! xD

Eu vivo dizendo que não desisti da fic, e é verdade ta gente? Primeiro quero agradecer a todos que, apesar do tempo, continuam acompanhando a saga amorosa do Leon. HUAHUSAHUHSUA Eu juro que vou terminar essa fic, sério! Posso demorar um pouquinho a postar, mas vou tentar fazer o próximo capítulo o mais rápido possível!

Espero que gostem desse capítulo! Reviews? Críticas e sugestões também são bem vindas! 3

On this time

Dessa vez

I can make it right

Eu posso fazer isso direito

With one more try

Com mais uma tentativa

Can we start again?

Nós podemos começar de novo?

In my eyes

Nos meus olhos

You can see it now

Você pode ver agora

Can we start again, can we start again?

Podemos começar de novo, podemos começar de novo?

Emptiness inside me. Wonder if you see

O vazio dentro de mim, eu me pergunto se você vê

It's my mistake, and it's hurting me

É o meu erro e isso está me machucando

I know where we've been

Eu sei onde estivemos

How'd we get so far?

Como chegamos tão longe?

What if, what if we start again?

E se, e se começarmos de novo?

All this time

Todo esse tempo

I can make it right

Eu posso fazer isso direito

With one more try

Com mais uma tentativa

Can we start again?

Nós podemos começar de novo?

In my eyes

Nos meus olhos

You can see it now

Você pode ver agora

Can we start again, can we start again?

Podemos começar de novo, podemos começar de novo?

Start Again - Red

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Por sorte fomos para o hospital onde Rebecca começaria a trabalhar daqui a alguns dias, porém quando liguei desesperado às 2h da manhã contando por alto o ocorrido, ela prontificou-se a ajudar. Pediu apenas que eu procurasse o chefe do hospital, Dr. Richard Aiken e informasse que era amigo dela pois ele já estaria a par do caso.

— Leon, pelo amor de Deus, para de andar um lado pro outro, você está me deixando maluco!

Billy suplicou pela terceira vez. O que eu poderia fazer? Era involuntário, quando menos esperava já estava caminhando novamente. Por que Rebecca estava demorando tanto? Por que não apareceu nenhum médico até o momento para dar alguma notícia? Toda aquela demora só aumentava cada vez mais o meu nervosismo. E se algo tivesse dado errado, o que eu faria?

Tantas perguntas, mas nenhuma resposta. Finalmente o cansaço me venceu e acabei sentando em uma cadeira ao lado de Billy na pequena sala de espera. Estávamos em silêncio e assim permanecemos por um bom tempo. Eu só precisava de companhia, sem palavras de conforto, apenas não queria ficar sozinho. Os minutos pareciam horas e o tempo se arrastava cruelmente, não sei exatamente quando aconteceu mas peguei no sono.

— Leon!

Despertei ao ouvir a voz de Rebecca chamar meu nome, só então me dei conta de que havia adormecido. Assim que vi seus olhos verdes me encarando e sua expressão preocupada, levantei da cadeira em sobressalto, segurando-a pelos ombros.

— O que houve? Como ela está?

— Olha, eu vou ser sincera. - suspirou antes de continuar. — As coisas estão complicadas para a Angela. O primeiro acidente que ela sofreu fez com que tivesse um descolamento de placenta e por isso o médico recomendou repouso… Mas agora com essa queda, ela entrou em trabalho de parto.

— Não era muito cedo? Ela só está com 30 semanas….

— Sim, foi tudo muito repentino. Mas vai ficar tudo bem, apesar de ser delicado o médico disse que ela pode ter o bebê de parto normal, uma cesariana seria arriscado nesse momento. — Rebecca tentou me confortar com seu melhor sorriso. — A propósito, eu avisei ao Curtis sobre a Angela… Imaginei que não conseguiria ligar pra ele agora.

Apenas assenti com a cabeça, naquele momento não conseguia pensar em mais nada. Embora eu não me desse bem com Curtis, ele tinha todo direito de saber sobre a situação de Angela e estar ali para apoiá-la, afinal era sua irmã. Rebecca nos deixou sozinhos novamente, desaparecendo pelos corredores do hospital. Assim que tivesse mais notícias ela voltaria, pelo menos foi o que me prometeu.

O dia já estava amanhecendo, percebi ao olhar para as janelas quando chegamos a cantina do hospital. Eu não estava com fome, mas Billy me obrigou a comer alguma coisa antes que acabasse desmaiando. Acabei pedindo um café preto forte, apenas por precaução contra o sono e o cansaço. Nos sentamos em uma das mesas próximo a janela e ali permanecemos em silêncio. Não queria conversar, a ansiedade estava presente ainda mais forte do que antes. Me sentia mal por não poder fazer nada para ajudar, a sensação de impotência diante daquela situação me deixava louco. Por Deus, como eu era idiota. Queria simplesmente voltar no tempo.

— Não foi culpa sua. — Como se pudesse ler meus pensamentos, Billy se pronunciou. — Você precisa parar de remoer as coisas, isso só vai te fazer mal.

— Se eu não tivesse feito tanta merda… — Aquela foi a primeira vez durante toda a noite em que consegui falar sobre o assunto com alguém. — Não posso perder o meu filho…

Aquele simples pensamento fez meu estômago revirar. Apoiei o cotovelo na mesa, sustentando o peso da cabeça na palma da mão. Nunca havia imaginado que passaria por essa situação. A nossa conversa foi interrompida bruscamente pelo toque de celular do Billy. Era Rebecca quem estava ligando, ele limitou-se a me passar o telefone para que ela falasse diretamente comigo.

— Meu filho nasceu…

Esbocei um pequeno sorriso ao receber a notícia, finalmente algo bom em meio a todo aquele caos. Larguei o café ali mesmo na mesa da cantina e então nós retornamos para a sala de espera onde Rebecca avisou que estaria aguardando junto com um dos médicos. Nosso filho foi levado pela enfermeira para a UTI, o médico me tranquilizou dizendo que ele ficaria bem mas como havia nascido prematuro precisaria de alguns cuidados. Rebecca segurou minha mão, transmitindo conforto com o pequeno gesto. Estava grato por tê-los comigo ali naquela situação ou não saberia o que fazer. Ela limitou-se a dizer que Angela queria me ver e que não estava nada bem, pediu que eu fosse rápido pois não saberia quanto tempo ela ficaria acordada ou até mesmo se passaria daquela noite.

Naquele momento meu coração gelou e um turbilhão de pensamento invadiram a minha mente. Não esperei um minuto a mais e segui em direção ao quarto. Angela estava incrivelmente pálida, resultado da hemorragia que estava tendo após o parto. A equipe médica permanecia no quarto, tentavam a todo custo parar o sangramento enquanto providenciava as bolsas de sangue e esperavam uma vaga no centro cirúrgico. Eu me aproximei dela, já não me preocupando mais em esconder as lágrimas que desciam pelo meu rosto.

— É um menino…

Sua voz saiu quase como um sussurro. Segurei na mão dela, pedindo para que não se esforçasse. Sei que nossos ultimos meses não foram fáceis, mas ela não merecia aquilo. Jamais me perdoaria se algo acontecesse com ela por minha causa.

— Você precisa descansar…

— Eu quero que me escute… — Limpou uma lágrima que descia pela minha bochecha esquerda. — Promete que você vai cuidar dele, não importa o que aconteça?

Nós vamos cuidar dele. — Enfatizei bem a primeira palavra. O que ela estava pensando? Não podia desistir agora. —Você ainda vai poder mimá-lo bastante… Vai ver ele crescer e quando ele estiver na escola, nós vamos aos seus jogos de futebol, ou qualquer outro esporte que ele faça, porque que sei que ele vai ser um ótimo atleta.

— Mas se acontecer alguma coisa... — Seu sorriso estava enfraquecido. Aproximei uma das mãos de seu rosto, acariciando-a. —Por favor, me promete…

— Tudo bem, eu prometo. — Não queria deixá-la mais nervosa, então simplesmente concordei com seu pedido. — Angela, me desculpe. Não tenho o direito de te pedir nada, mas por favor, lute. Ele precisa de você mais do que tudo, nós precisamos. Então por favor, resista.

Sabia que ela precisava descansar, mas aquilo estava me corroendo por dentro. Eu estava com medo de não ter outra chance de dizer tudo aquilo que sentia, e que no fundo não queria perdê-la. Pro inferno tudo que aconteceu nos últimos dias, se ela saísse dessa eu seria capaz até de me mudar para que pudéssemos recomeçar como uma família.

— Eu tô me sentindo cansada…

Aconteceu tudo tão depressa, em um minuto nós estávamos conversando e no outro os olhos de Angela se fecharam e ela soltou minha mão. O som do monitor cardíaco agora preenchia todo o ambiente e aquilo me fez acordar pra realidade. Ela se foi.

— ANGELA!

Fui retirado do quarto a força pelos enfermeiros enquanto outra equipe entrava no local com o carrinho de emergência. Não conseguia sequer pensar no que fazer, meu coração estava a mil e eu sentia que a qualquer momento iria desabar ali mesmo. Não me deixariam entrar novamente, então caminhei a passos lentos de volta a sala de espera, onde Rebecca e Billy me aguardavam. Para minha surpresa, Curtis também estava lá junto com sua esposa. Eu estava exausto, não conseguia sequer esboçar uma reação com sua presença ali. Minha cara devia estar péssima ao julgar pela forma com que Becca me olhava. Mal tive tempo de dizer alguma coisa e o Dr. Aiken apareceu logo atrás de mim. Pela sua expressão sabia que não era uma boa notícia.

— Nós fizemos tudo que podíamos, mas ela não resistiu… Sinto muito.

Bastou uma pequena frase para o meu mundo desabar. Não conseguia pensar ou fazer mais nada. Podia ver Curtis segurando o médico pelo jaleco, mas não prestava atenção no que ele estava dizendo. É como se as coisas à minha volta estivessem confusas ou fora de contexto. Tudo aconteceu muito rápido, em um minuto Curtis já havia partido pra cima de mim. Suas mãos me seguravam pela jaqueta, me jogando contra a parede. Não conseguia reagir, ou talvez não quisesse. Por minha culpa Angela estava morta. Ele só me soltou quando Billy interviu.

— Ela morreu por sua culpa! Eu vou fazer da sua vida um inferno, Leon…— Ele gritava enquanto Billy o segurava e por precaução, o Dr. Aiken colocou-se entre nós. Eu simplesmente fiquei sem resposta. — Se pensa que vai ficar com meu sobrinho, você tá enganado… Vou mover céu e terra, até mesmo o inferno se for preciso… Mas você nunca mais vai ver essa criança.

Julia aproximou-se do marido, como se tentasse de alguma forma acamá-lo. Podia sentir o ódio em cada palavra que foi dita por Curtis. Sabia que ele seria capaz de cumprir a ameaça e aquilo me assustava. Já tinha perdido Angela, não podia perder meu filho também. Sei que ela nunca me perdoaria se eu permitisse isso. Ainda encostado na parede, senti meu corpo pesar, deslizando vagarosamente até atingir o chão, como se todas as minhas forças tivessem se esgotado.

— Não sei qual o problema de vocês. — Dr. Aiken interviu e aquilo pareceu ter despertado Curtis para a razão. — mas se não se acalmarem, vou ter que chamar os seguranças.

— Eu quero ver a minha irmã… — Ele fez força para se soltar, mas Billy ainda o segurava firme. — Mas que inferno, me solta… eu não vou matar esse idiota!

Desviei o olhar para Billy e fiz sinal com a cabeça para que ele o soltasse. Por mais que Curtis ainda estivesse fervendo de ódio, ele não faria nada que prejudicasse a chance de ver sua irmã mais uma vez. Assim que foi solto, ele seguiu Richard pelos corredores do hospital, sendo acompanhado pela esposa. Fiquei durante alguns minutos sentado no chão. Rebecca tentou se aproximar, mas Billy não permitiu. Ele sabia que eu precisava de um tempo sozinho para digerir toda aquela situação.

— Vou levar a Rebecca pra tomar um café… — Ele segurou na mão da esposa, caminhando em direção ao corredor principal antes que ela pudesse contesta. — Nós já voltamos.

Não precisei responder, eles simplesmente saíram de lá. O silêncio se fez presente e eu agradeci aos céus por isso. Não queria desabar na frente deles. Pela primeira vez naquele dia, me permiti chorar. Talvez só assim conseguiria pôr para fora tudo que estava me matando por dentro. Perdi a noção de quanto tempo fiquei sentado ali, sentindo pena de mim mesmo. Acho que no fim das contas, Curtis tinha razão, eu estraguei tudo. Se nunca tivesse aparecido na vida da Angela, ela estaria viva, e o mais importante de tudo, feliz. Quem sabe não teria encontrado o amor da vida dela? Não aguentava mais ficar ali, então simplesmente levantei, me esgueirando pelos corredores do hospital. Não queria correr o risco de encontrar com ninguém agora.

A chuva fina caía do lado de fora do prédio, mas isso não me importava. Resolvi sair de lá mesmo assim. Caminhava totalmente sem rumo pelas ruas vazias de Raccoon, enquanto aos poucos a chuva engrossava. Naquela altura já estava totalmente ensopado e sem saber para onde ir. Deixei que meu corpo assumisse o controle enquanto minha mente repassava toda minha vida, como em um filme. Eu relembrava de cada erro cometido, cada desculpa e cada briga. Sei que pensar em tudo aquilo só me faria mal, mas não conseguia evitar. Já havia perdido a noção do tempo e quando percebi, estava parado em frente a minha própria casa. Não queria entrar, ou melhor, não conseguia. Sentei nos degraus de madeira da varanda, olhando para o nada. Podia sentir meu celular vibrar no bolso da calça jeans, mas sequer o atendi. Era como se meu corpo inteiro estivesse adormecido.

— Seu filho da puta! — Fui tirado dos meus pensamentos pelos gritos de Billy — Você tem noção do quanto te procuramos? — Ele respirou fundo, tentando se acalmar. — Eu sei que você tá passando por um momento difícil, mas lembre-se de que não está sozinho nessa.

Billy me estendeu a mão e sorriu. Aquele gesto foi muito mais significativo do que eu poderia imaginar. Segurei em sua mão e ele me ajudou a levantar. Foi só então que me dei conta que ele havia estacionado o carro logo em frente.

— Desculpe.. Não queria preocupar vocês.

— Vem, vamos embora… Você vai ficar lá em casa alguns dias.

Rebecca estava logo atrás dele. Ela pegou as chaves da minha mão, que estranhamente eu só havia percebido que estava segurando quando ela as roubou. Ele caminhou em direção ao carro e eu apenas o segui.

— Vou ajudar a Rebecca a pegar algumas coisas suas, você espera aqui dentro.

— Obrigada, eu…

Billy não deu tempo para respondê-lo, apenas me deixou parado ali sozinho próximo ao veículo. Entrei no carro, me secando com uma toalha que estava jogada no banco do carona. Não demorou muito para que eles retornassem com algumas roupas dentro de uma bolsa. Não sabia nem como eles conseguiram achar essas coisas na bagunça do meu armário. O caminho até a casa deles foi silencioso, fiquei aliviado por nenhum dos dois tentar puxar qualquer tipo de conversa durante o trajeto. Não estava bem e a última coisa que gostaria naquele momento era de conversar. Assim que chegamos, Rebecca me levou para conhecer os cômodos da casa, afinal desde que eles haviam se mudado, nunca tinha ido visitá-los um única vez. Por fim, paramos em frente ao quarto de hóspedes.

— Você precisa descansar um pouco — Mesmo seu tom de voz soando mandão como sempre, ela me abraçou de repente, quase me deixando sem ar. E tão rápido quanto veio, o abraço se desfez. — Se precisar de qualquer coisa, é só chamar.

— Eu sei. — Acenei positivamente a cabeça, apenas para que ela soubesse que entendi o recado. — Obrigado…

— Sei que você está se sentindo péssimo agora, mas o seu filho precisa de você, então por favor, se recomponha. E lembre-se que, apesar de tudo, a Angela escolheu ficar com você.

Rebecca sempre teve o dom de confortar as pessoas, era incrível como ela conseguia ser sempre tão positiva e te fazer acreditar que tudo realmente ia dar certo. Ela sorriu e me deixou sozinho novamente. Entrei no quarto segurando a bolsa de roupas e caminhei em direção ao banheiro, precisava tomar um banho quente e tentar descansar, mesmo sabendo que seria quase impossível conseguir pegar no sono com tantos pensamentos rondando minha mente.

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O céu estava cinzento lá fora, embora a chuva já não estivesse mais presente, pelo menos por enquanto. Eu havia acordado cedo naquele dia, afinal, hoje seria o velório de Angela. Havia se passado 3 dias desde o seu falecimento. Não tive sequer a oportunidade de participar das decisões referente ao enterro, ou melhor, a cremação. Um dia antes Julia me ligou para informar a decisão de Curtis a respeito de onde seria o funeral de Angela, e que o corpo dela seria cremado. Não argumentei, afinal, ela não tinha culpa. Achava um absurdo Curtis querer determinar tudo sem ao menos me consultar, mas a pedido de Rebecca, resolvi deixar como estava e tentar compreender que ele também estava sofrendo. Quanto antes tudo se resolvesse, seria melhor.

Billy e Rebecca me acompanharam até a casa funerária onde seria realizado o velório, nenhum dos dois achava que eu estaria em condições para dirigir, o que de fato era verdade. O local era bem arrumado com vários arranjos de flores espalhados estrategicamente pelo salão onde o corpo de Angela estava sendo velado, com alguns bancos enfileirados, como se fosse uma pequena capela. Havia um quadro com seu retrato com uma coroa de flores ao lado, próximo de onde o caixão estava. Me aproximei para dar meu último adeus. Ela estava incrivelmente bonita, eles tinham feito um trabalho excelente com a maquiagem, era tudo tão perfeito que parecia até estar viva. Angela usava um vestido lilás decotado e com várias bolinhas brancas espalhadas por todo o tecido de algodão. Eu particularmente não gostava daquele vestido, mas sabia o quanto ela adorava, afinal ele foi o último presente de aniversário que sua avó havia lhe dado. Fiquei parado ali por um bom tempo observando-a, até que algo chamou minha atenção.

— Leon…

Ouvir a voz dela naquele momento, de alguma forma me deu conforto mesmo que por um instante. Claire se aproximou de onde eu estava, sendo acompanhada por Jill e seu irmão, Chris. Só naquele momento eu lembrei que as coisas entre Chris e eu não estavam resolvidas. Pela primeira vez na vida eu queria que ele me batesse, talvez assim eu me sentisse menos culpado por tudo que aconteceu, mas ao contrário do que imaginei, ele se aproximou e me abraçou de uma forma um pouco desajeitada, falando baixo para que apenas nós dois conseguíssemos ouvir.

— A gente resolve aquilo depois.

Sabia bem o que significava aquilo. Pela forma como ele falava, provavelmente Claire não tinha conhecimento do que ocorreu e assim iria permanecer. Fiz sinal de positivo com a cabeça e então ele me soltou, dando espaço para que Jill me abraçasse, e logo depois, Claire. Ficar tão próximo dela depois de tanto tempo era confuso. Parecia tão errado ter qualquer tipo de sentimento em relação a ela, e aquilo estava me atormentando.

— Podemos conversar? — Ela me encarou após desfazer o abraço.

— Tudo bem — Naquele momento percebi que Curtis estava de olho em nós, e a última coisa que eu precisava era que ele fizesse algum tipo de escândalo. — Só vamos para outro lugar…

Claire assentiu, me acompanhando para uma pequena sala que ficava atrás da capela onde estava ocorrendo o velório. Nossos passos foram acompanhados pelo olhar atento de Chris, que mesmo não concordando como eu imaginava, não nos impediu.

— Acho que você não deveria ter vindo… — Deixei a frase escapar de maneira ríspida assim que entramos na sala, recebendo um olhar surpreso por parte dela. — A Angela acabou de falecer, Claire…

— Ow… Como você consegue ser tão estúpido? — A maneira com a qual ela me olhava naquele momento era um misto de raiva e tristeza, como a muito tempo eu não via. — Vim aqui porque me importo com você, e é dessa forma que me trata? — Seu tom de voz estava um pouco alterado, era perceptível que ela estava tentando manter o controle para não chamar atenção.

— Só estou dizendo que agora não é um bom momento pra falar sobre nós… — Não sei o que se passava na cabeça dela, mas era evidente que ali não era um bom lugar. — Claire, eu só tenho cabeça pra pensar no meu filho agora. Não vai ter espaço pra mais ninguém. — Passei a mão sobre os cabelos, tentando manter a calma. — A última coisa que eu quero agora é desrespeitar a memória da minha esposa. E eu também não preciso de nenhum prêmio de consolação, então por favor, vai embora.

— Se você realmente me conhecesse, não precisaria te explicar que vim aqui apenas como uma amiga, pra te oferecer apoio como você fez por mim quando precisei. — Mesmo que involuntariamente, as lágrimas desciam pelo rosto de Claire, e aquilo me surpreendeu. — Eu passei a porra da minha vida inteira tentando entender o que se passava na sua cabeça, mas agora não dá mais. A vida das pessoas não gira ao seu redor, Leon. Cedo ou tarde as coisas mudam, as pessoas mudam. E adivinha só? Desisto de recuperar nossa amizade, desisto de tudo. Cansei de sempre ter que ser a errada da nossa história, de sempre ter que correr atrás de você. Se quer ficar remoendo sua culpa, o problema é seu. Eu não vou ficar aqui pra juntar os seus pedaços.

Não consegui responder e não tive sequer tempo para tal, quando Claire deu as costas para ir embora, Curtis entrou na sala, não permitindo que ela saísse dali.

— Olha só quem encontrei… — Ele fechou a porta atrás de si, com um sorriso incrivelmente irônico em sua cara idiota. — Meu cunhadinho e sua puta. Vocês não tem vergonha?

Uma coisa que aprendi ao longo dos anos foi que se um Redfield está com raiva, você simplesmente sai do caminho. Infelizmente meu ex-cunhado não sabia disso.

— Quem pensa que é para falar assim de mim? — Claire retrucou sem pena alguma. Toda a raiva que estava sentindo havia sido direcionada para Curtis. — Você é só um idiota arrogante. Eu acho difícil de acreditar que você e a Angela tinham algum parentesco, porque não são nada parecidos.

— Você não tem o direito de falar dela!

Curtis ameaçou se aproximar mas Claire não recuou. Se ele estava tentando intimidá-la de alguma forma, estava fazendo errado.

— Eu realmente sinto muito pela morte de Angela, apesar de conhecê-la a pouco tempo. E por isso mesmo creio que ela não ficaria nada feliz em ver o irmão dela agindo como um completo imbecil. — Ela tentava manter o tom de voz baixo. — E que tal ao invés de ficar culpando todo mundo pelo que houve, você não se enterra junto com ela? Assim vai poupar todo mundo da sua presença desagradável. Isso serve para os dois.

Claire não deixou que ele respondesse, simplesmente passou por Curtis, batendo com força a porta atrás de si. Nenhum de nós dois disse uma palavra sequer, sendo ele o primeiro a sair dali. Quando finalmente tomei coragem e saí da sala, percebi que nem Chris ou Jill estavam mais no local. Provavelmente foram embora junto com ela.

— O que diabos aconteceu? — Billy se aproximou com uma expressão preocupada. — Quer saber, não me conta. Depois falamos disso.

Antes que eu pudesse respondê-lo, Julia se aproximou de onde estávamos e tocou meu ombro de maneira gentil.

— Leon…. Está na hora do seu discurso…

— Discurso?

— Sim… Eu consegui convencer o Curtis a deixar você fazer um discurso…. — Ela esboçou um pequeno sorriso. — Vamos?

— Claro…

A verdade é que não estava preparado para fazer um discurso naquele momento. Não tinha a menor ideia do que poderia falar. Acompanhei Julia até a pequena capela onde os convidados aguardavam. Não tinha tanta gente ali. Tanto a mãe quando o pai de Angela e Curtis, eram filhos únicos e tinham falecido anos atrás, era apenas eles dois e claro, a família que Curtis formou com Julia. Não havia tio ou tia para comparecer, somente alguns colegas de trabalho e vizinhos. Respirei fundo, tomando coragem para subir no pequeno palco e iniciar o discurso. Queria ser o mais breve possível.

— Obrigado a todos por virem… — Meus olhos vagavam pela pequena capela, olhando para cada um dos presentes, e para minha surpresa, no banco mais ao fundo da capela junto de Billy e Rebecca, Chris estava sentado com Jill ao lado. Ele fez um breve aceno com a cabeça, o que foi o suficiente para me motivar a continuar. — Angela era uma mulher incrível… Sempre gentil e atenciosa, buscando ajudar todos a sua volta. Tudo aconteceu muito de repente… — Naquele momento, eu olhei para o retrato dela que estava a minha esquerda. — É tão difícil te deixar partir, seguir em frente deixando para trás o que pensávamos ser nosso 'para sempre'. Pois em cada despedida perdemos um pedaço de nós e dessa vez não é diferente. Mas a vida é também feita de despedidas. E apesar da dor que elas causam, é importante pensar que se fica tanta saudade é porque o que vivemos foi bom e merece ser recordado. Eu só peço que onde quer que esteja, olhe por nós. Que você descanse em paz.

O silêncio se fez presente e eu sai dali para que Curtis pudesse enfim falar algumas palavras, tomando o lugar vazio ao lado de Rebecca, que estava mais próxima da ponta. Ela segurou minha mão sem dizer uma única palavra, mas aquilo já foi o suficiente para me confortar naquele momento, mesmo que algumas lágrimas ainda estivessem descendo pelo meu rosto. Após todas as despedidas, discursos e afins, o corpo de Angela foi levado pelos agentes da funerária para ser cremado. Aos poucos as pessoas foram saindo, uma a uma, até finalmente ficar apenas os mais próximos. Chris e Jill se despediram rapidamente, deixando apenas Billy e Rebecca ali comigo.

— Você vai para a casa do Curtis, para a recepção? — Billy perguntou após ficar somente nós três.

— Não… Vou ficar mais um tempo aqui… Vocês podem ir para casa, depois eu chamo um táxi.

— Tem certeza?

— Sim.

— Até mais tarde então.

Nos despedimos e eles seguiram para a saída. Estava finalmente sozinho. Caminhei até onde instantes atrás foi o velório e me sentei em um dos banco vazios, olhando para o retrato de Angela, que permanecia no mesmo lugar. Não tinha a menor ideia do que faria dali para frente, mas precisava urgentemente tomar um rumo. Curtis não deixaria as coisas baratas, e a vida do meu filho dependia de mim. Não iria quebrar a promessa que fiz a Angela, custe o que custar.