[set place, Maués]

[set date, 27, month, september, year 2014]

[Residência do Eddie Peugeot, Santa Luzia, Maués, Amazonas – 16:45]

[last chapter...]

- Alô?

- (Eu sabia que você não podia fugir de mim!)

- Quem é?

- (Está lembrado de mim, "Eddhie"?)

- É a... ah tá... é você.

- (Adivinhe o meu nome, porra!)

- Eric Cartman.

- (Isso mesmo, só faltou completar: "o poderoso Eric Cartman do Eric Cartman Industries".)

- "A maior empreiteira de todos os tempos", eu já sei.

- (E você sabe por que eu te liguei?)

- Primeiramente, como você sabia do meu número? E em segundo, pra trabalhar.

- (Você não esqueceu que eu te disse? "Eu estou de olho em você"! Agora, eu estou te oferecendo um trabalho que é sério que você precisa aceitar! Antes que eu te explique, eu quero saber se você vai aceitar: SIM OU NÃO?)

[new chapter]

- Cartman... – Eddie coça a cabeça.

- (Mas não decida não, "Eddhie!". Já que vou te deixar te decidir amanhã de manhã, OK?)

Eddie suspira, já que era uma decisão importante que ele deveria tomar era obrigatório, e não podia recusar.

- OK, Eric.

- (Lembre-se, AMANHÃ DE MANHÃ!) – encerra a ligação.

- Amanhã de manhã... Que se foda.

Eddie então guarda o celular no bolso e em seguida, entra dentro da residência.


[Escritório do Eddie, segundo andar – 23:41]

- (Então foi assim?)

- Isso mesmo. Eric Cartman é o chefe do Eric Cartman Industries, uma empreiteira em que ele se diz o "todo poderoso" da empresa. E é ele que está me oferecendo um trabalho obrigatório que eu terei que decidir se eu faço ou não.

- (E se você não aceitar?)

- Ele mandará alguns capangas pra cá e matará além de mim, irão matar o meu irmão. Eu não quero que o meu irmão morra nas mãos desse filho da puta... – Eddie começa a chorar de medo.

- (Eddie, calma! Eu sei o seu sofrimento de perdas dos familiares, eu sei o que fizeram com o seu primo há quatro anos!)

- E aquele filho da puta assassino do meu primo não foi parar na cadeia porque AQUELE JUIZ FILHO DA PUTA ACEITOU A PORRA DO HABEAS CORPUS – grita Eddie de raiva – A JUSTIÇA BRASILEIRA ESTÁ UMA FALÊNCIA DA PORRA! Aquela jornalista tinha razão, estão "adotando uns bandidos!"

- (Pra mim, ela pegou um pouquinho pesado, mas eu concordo contigo, Eddie. Essa militância são uns "bandidos adotados pelos políticos". É mais um dossiê que eu estou fazendo aqui, coletando todas as essas informações.)

- Se aqueles comunistas filhos da puta da Coréia do Norte querem uma nova guerra nuclear, esses militantes do Partido Vermelho terão um dia uma verdadeira guerra: uma guerra civil sangrenta.

- (Credo, Eddie, você só pensa em brutalidade.)

- Eu sei, Ka. Eu sei.

- (E esse tal de Eric Cartman, possui alguns capangas, envolvimento com alguma quadrilha?)

- Eu ainda não sei, Karolyina. Só sei que ele possui alguns capangas que ele possuía quando formos pegos por ele quando levávamos um carro para um ferro-velho. Eram mascarados, com óculos de sol, camiseta preta, calça preta e tênis preto, tudo preto, meio gótico, meio black bloc.

- (Meio gótico, meio black bloc? Hmm...)

- O que foi, Karolyina?

- (Meu amado... ouça só... esses caras que você acabou de detalhar, vou te dizer uma coisa. São militantes de um grupo antissocial, conhecidos por fazer baderna e se infiltrar no meio das manifestações são chamados de... "Blackbox".)

- Blackbox? Aqueles baderneiros lá nas manifestações em 2013?

- (São, Eddie.)

- Puta que pariu, eram eles que apontaram na minha cabeça naquele momento.

- (E esses caras do Blackbox ODEIAM a mídia. Você é o maior alvo deles, porque você é a mídia jornalística mais perseguida por eles, muito mais do que a Rede Globo. Eles consideram a mídia como "fascista"...)

- Azar pra eles que ainda não conseguiram me pegar, até agora. Esses terroristas, só queimaram uma van link, mataram um cinegrafista, mas causou muita destruição, parecendo que querem se transformar em num Combine brasileiro. Já, já, eles constroem uma Citadel em São Paulo, ao invés em Brasília, e escolherão uma pessoa deles pra ser o Administrador.

- (Eddie...)

- Karolyina...

- (Eu te digo uma coisa... tome muito cuidado com você e com o seu irmão. Aceite essa decisão desse tal de Eric Cartman. Quando você chegar de volta para a sua residência depois desse trabalho, relate tudo e mande pra mim por e-mail.)

- Ok, Ka.

- (Um beijo, Eddie.)

- Um beijão pra você, Karolyina – Eddie beija, ao mesmo tempo que ela, a lente do webcam integrado do seu Macbook Pro. No final, Eddie desativa o bate-papo por webcam com a sua namorada, Karolyina Dortmund, direto de São Paulo. Ao sair do escritório rumo ao seu quarto...

- Mano?

- Freddy? – diz o irmão mais velho, surpreso com a presença do seu irmão mais novo próxima a entrada do seu escritório – o que você está fazendo aqui?

- Eu estava escovando os dentes, mano, lá no banheiro e resolvi tomar uma água, quando fiquei aqui ouvindo a tua conversa com a tua mina lá de São Paulo – diz Freddy, se referindo à Karolyina, amante do seu irmão.

- Freddy...

- Mano, me explique... que porra é esse tal de "Blackbox"?

- É uma longa história, Freddy...

- E que trabalho é esse daquele tal de Eric Cartman, mano?

- Freddy...

- Mano, tu tem que me proteger! Tu prometeu pra nossa mamãe que tu irá me proteger até o fim!

- Mas eu estou...

- Tu não deve acreditar nessa gente do mal, mano! Essa gente é o mal do nosso povo, da nossa humanidade! Tu disse que essa gente quer transformar num Combine brasileiro, seremos escravos de um administrador, causado por esse governo do mal que está governando o nosso país! Nós teremos um novo Dr. Breen governando o Brasil? Seremos repreendidos pela Proteção Civil e pela Overwatch? A Citadel será construída em São Paulo?

- Freddy, isso é só um boato! Isso não deve e nunca vai acontecer agora!

- Mano...

- Um dia, essa gente hipócrita saberá quem é o verdadeiro Eddie Andrade Peugeot Ferruccio-Neiva... que é o meu nome.

- Mano... Tenha muita calma nessa hora

- Freddy, eu irei te proteger. Eu preciso trabalhar amanhã pra esse filho da puta. Tenha calma.

- Certo, mano.

Os dois irmãos caminham, respectivamente, rumo aos seus quartos.


[Praça da Matriz, Centro – 28 de Setembro de 2014 – 09:20]

Eddie está no obelisco pelo centro da praça principal da cidade, esperando pela ligação do Eric Cartman, que foi prometido no dia anterior que ligaria para que o Eddie escolhesse se aceita ou não o trabalho que irá fazer para ele nesse dia.

Enquanto o celular não toca, Eddie tem uma visão ao olhar pelo horizonte, observando a Ilha da Conversa e a Ilha de Vera Cruz no fundo... uma visão do passado...

[flashback mode on]

[Praça da Matriz, Maués – 12 de Junho de 1996]

- Esse pôr-do-sol é lindo, Lindi.

- É deslumbrante... mas... é lindo de se observar, Eddie.

- Lindi... – Eddie sente a mão sendo tocada.

- Eddie...

- Você gostaria de dizer alguma coisa, Lindi?

- Eu... err... eu queria...

- O que você quer?

- Eddie... eu... err...

- Calma, Lindi... não seja tímida, eu sei que você está um pouco nervosa com o nosso passeio.

- Mas eu... não estou nervosa...

- Então está o quê?

- Eu... err... queria dizer que...

- Dizer o quê?

- Eu... estou... apaixonada por você.

- Apaixonada por mim?

- É que... estamos no Dia dos Namorados... eu disse que... estou apaixonada por você.

- Por quê?

- Porque... porque... a minha mãe me disse que eu tenho uma atração platônica com você desde que... começamos a estudar juntos.

- E...

- E que resultaria que... podemos nos atrair seriamente. Ou seja...

- Ou seja...

- Eu estou realmente apaixonada por você, Eddie.

- É mesmo?

- Eu estou querendo tomar coragem, Eddie, de te dizer que... eu te amo!

- Lindi...

- Eddie...

Os dois finalmente se beijam. Um beijo demorado, para confirmar um namoro platônico.

- Eu te amo também, Lindi.

Novamente os dois se beijam, mais uma vez demorado.

[flashback mode off]

- Lindinez... aquele nosso primeiro beijo foi bem aqui... e eu quero estar com você de novo... – disse Eddie, lembrando da sua primeira namorada e colega no tempo do colegial.

De repente, o celular toca.

- Alô? – Eddie atende.

- (Sou eu!)

- Quem é?

- (Porra, sou eu, "Eddhie"!)

- Ah, tá... é você de novo.

- (Sou eu de novo! E eu vim aqui pra saber da sua resposta da minha oferta de ontem.)

- Repita pra mim que oferta foi esse de ontem.

- (Um trabalho! E eu te deixei por um tempo pra você decidir se você aceitará essa oferta agora!)

- Eu aceitarei, Cartman. Eu já decidi que eu vou fazer esse seu trabalho.

- (Ah... agora sim. Preste atenção, "Eddhie": tem um grupo de médicos cubanos que acabaram de chegar e que estão hospedados em num hotel daqui da cidade, ok?)

- Certo.

- (E que estão esperando um transporte para levá-los para o hospital da cidade, já que eu avisei pra eles que precisarão aguardar um transporte que eu irei fretá-los. Você será o motorista deles pra levá-los para o hospital, entendeu?)

- Sim.

- (Então mexa essa sua bunda, pegue o seu carro e leve-os para o hospital, porque eles irão trabalhar por lá.) – em seguida, a ligação é encerrada, Eddie guarda o celular e corre diretamente para o seu carro para poder dirigir para fazer a tarefa.

- Eu vou tentar descobrir o que ele deve estar tramando de vez com esses médicos cubanos – disse, ao entrar no seu carro.


[Largo Marechal Deodoro]

Num hotel mais popular e querido da cidade, estão na frente três médicos cubanos, dois homens e uma mulher, esperando por um transporte. De repente, aparece no outro lado da rua um Fiat Uno Mille azul, que depois vira no cruzamento e estaciona bem na frente do grupo dos médicos.

- Entrem, as portas estão destrancadas. Eu sou o enviado daquele que trouxeram vocês – disse o Eddie, avisando os médicos, que em seguida entram no carro – Buenos dias.

(N/A: O diálogo a seguir terão os cubanos falando em "portunhol", uma mistura de português com espanhol)

- Buenos dias – disse os médicos cubanos.

- Quanto tempo vocês chegaram aqui em Maués? – pergunta Eddie.

- "Llegamos" aqui ontem – disse o médico cubano que está sentado ao lado do Eddie – Esta "ciudad es tan" bela que formos escolhidos para "trabajar en el" hospital de "la ciudad".

- Vocês falam um pouco do nosso português, será que vocês estão se acostumando em viver aqui no Brasil?

- "No, mi digo, sí sí"! – disse o mesmo cubano – nós estamos "acostumbrando" a tratar de "hablar en" português aqui "en" Brasil!

- Vocês sabem de algumas doenças recorrentes daqui da região amazônica como a malária, febre amarela?

- Aprendemos "sí" – disse a médica cubana que está sentada no banco de trás – acerca de "las enfermedades" aqui de "la región".

- Eu espero que vocês atendem com carinho e com honestidade as pessoas que visitarão o hospital. Porque estamos com uma puta carência de médicos, postos superlotados, e médicos mal preparados, que insistem de colocar no receituário médico uma Dipirona!

- "Sí, sí, atesoraremos la populación con mucha seriedad y con mucho cuidado" – disse o outro médico cubano sentado no banco de trás. Traduz-se: "Sim, sim, nós iremos tratar com carinho a população com muita seriedade e com muito atendimento".

- "Yo también" – disse a cubana. Traduz-se: "Eu também".

- Então boa sorte pra vocês.

- "Muchas gracias!" – disse os três cubanos. Traduz-se: "Muito obrigado(a)".


[Estrada Miri-Moraes, Ramalho Júnior]

- "Tu nombre es Eddie Peugeot?" – pergunta a médica cubana. Traduz-se: "O seu nome é Eddie Peugeot?".

- Sim. Filho de João Peugeot e de Maria Ferruccio-Neiva. Aliás, esse é o meu nome.

- "Somos muchos fans de usted, señor" – disse o médico cubano que está ao lado do Eddie. Traduz-se: "Somos muito fãs de você, senhor".

- E vocês acompanhavam a Fórmula Peugeot lá em Cuba?

- "Sabemos que sólo en los periódicos, no se pudo ver en la televisión." – disse o cubano do banco de trás. Traduz-se: "Nós sabemos apenas nos jornais, não tinha como assistir na tevê".

[mais tarde]

- "Tu es un grande salvador tales?" – disse o outro cubano, dessa vez do lado do Eddie. Traduz-se: "Você é um tal de grande salvador?".

- Se eu sou um "grande salvador"? Mais ou menos – responde Eddie – por quê?

- "Lo que queremos es la libertad, porque somos víctimas de la esclavitud de la familia Castro em Cuba" – responde o cubano. Traduz-se: "Nós queremos é liberdade, porque somos vítimas da escravidão da família Castro em Cuba".

- Então é isso... vocês querem ficar por aqui para não mais viver naquela situação em Cuba?

- "Sí" – responde o cubano.

- Um dia, eu irei lhe chamar quando eu irei formar um grupo. Você será um dos médicos para tratar os nossos soldados. Espero que você esteja vivo, assim como os seus colegas.

- "Muchas gracias" – agradece. Traduz-se: "Muito obrigado".


[Hospital de Maués, Santa Luzia]

Finalmente Eddie chega ao hospital trazendo os três médicos cubanos. O carro para bem no estacionamento para visitantes de carro, e em seguida, os médicos cubanos saem do veículo.

- Espero que atendem bem os pacientes e o pessoal que sempre vêm ao hospital, e também esperamos que façam bons atendimentos apesar de estarem adequando a nossa linguagem.

- "Gracias" – disse o médico cubano.

- "Adiós" – disse Eddie, se despedindo dos médicos cubanos, em espanhol. Em seguida, o trio de médicos caminham em direção à entrada do hospital, enquanto Eddie sai do local e pega um caminho para retornar para casa.


[Residência do Eddie Peugeot, Santa Luzia]

Finalmente Eddie retorna a sua residência depois dessa simples tarefa aos mandos de Eric Cartman, e agora está aguardando o retorno da ligação do Cartman para confirmar o trabalho já feito. De repente, ao tirar o seu celular do bolso, Eddie se depara com uma notificação.

"Você tem 21 mensagens não lidas no seu Facebook"

Eddie confere o seu perfil na rede social, e descobre que além do irmão Freddy (que deixou 3 mensagens), sua ex Brena deixou 18 mensagens no seu perfil.

- Mas o quê? Como ela pode deixar tantas mensagens no meu inbox?

O que Eddie não sabe é que ela escreveu uma sequência de mensagens, no qual ele confere e lê em seguida:

"Eddie, aqui é a Brena."

"Olha, eu sei que você está com a minha prima, mas eu já te desejo boa sorte com ela."

"Trate bem ela como amiga."

"Escute, eu sei que você está se preocupando com a segurança do seu irmão."

"Mas você já se preocupou muito com o seu filho, Pedro."

"Hoje ele está comigo aqui em Portugal, estudando e está com muitas saudades de você."

"Ele está muito com vontade de conhecer a sua nova namorada e agora a tia dele, Karolyina."

"Eddie, tenha muita calma e proteja o Freddy dessa maldade da gente da política."

"Lembre-se o que eles fizeram com o seu primo."

"Enquanto isso, eu estou protegendo o nosso filho dessa gente hipócrita aí no Brasil."

"Mas quando você irá um dia se casar com alguém, provavelmente com a Karolyina, eu deixarei que a guarda do nosso filho ficasse em suas mãos."

"Cuidado com essa gente que você conheceu aí em São Paulo, como essa tal dessa moça de cabelo azul que a prima é amiga dela."

"Você não sabe o que ela e o namorado dela são capazes de fazer com você um dia."

"Mesmo assim, eu te desejo um boa sorte pra você e muita prosperidade para você, para o seu irmão e para a Karolyina."

"E o Pedrinho está deixando "um beijinho e abraço pra você, papai"."

"Até um dia, Eddie."

"Brena e Pedro"

"PS: Pedrinho também mandou um beijinho pra tia dele Karolyina, Eddie."

Eddie não consegue conter as lágrimas com tanta emoção, já que Pedro Teixeira Peugeot, nome do seu filho que teve com a Brena Dortmund em 2011, era um dos principais desejos na vida e que seria um ótimo pai. Infelizmente, devido aos seus compromissos como empresário e piloto de automobilismo, teve pouco tempo para se divertir com o seu único filho.

Eddie ainda tira do bolso uma foto do seu filho brincando num parque de diversões em Manaus, datada de janeiro de 2014, já que as características do filho carrega o sangue do pai, mas com cabelo moreno e olhos castanhos da mãe. Originalmente queria ter o desejo de ter um filho com a sua primeira namorada, mas isso demorou muito e foi de uma forma inesperada em 2010, quando tinha uma forte amizade com a Brena Dortmund.

Quando soube da gravidez da Brena, Eddie duvidou muito de quem seria o pai: seria ele ou o seu irmão Freddy. Depois do nascimento do Pedro em 2011, Eddie fez o exame de DNA e foi comprovado que era realmente o seu filho, e não do seu irmão. A comprovação foi considerada como uma conquista na vida do Eddie, já que quer deixar um descendente direto da família. Foi um grande baque na vida do Eddie quando ele e Brena tiveram que se divorciar em abril por dificuldades no casamento, e consequentemente, Eddie perdeu a guarda do filho.

Algumas diversões inesquecíveis entre ele e o seu filho Pedro foram: a conquista do Corinthians como campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2012; os dois títulos do Eddie como campeão da Fórmula Peugeot; e muita diversão nos parques de diversões nos brinquedos em que ele e o seu filho tiveram. Tempos tão divertidos que nunca irão voltar mais, mesmo que haja esperança de reencontro.

Enquanto Eddie esfrega os olhos para limpar as lágrimas de emoção, de repente, o celular toca.

- Alô?

- (E aí, "Eddhie"? Já fez o serviço?) – diz Cartman, via telefone.

- Já – confirma Eddie.

- (Beleza, "Eddhie"! Agora a população será muito bem atendida por essa gente da minoria que terão ótimo serviço de saúde de primeira linha.)

- Como assim, saúde de primeira linha, se esses cubanos vieram daquele inferno governado pelos ditadores irmãos Castro, daquela ultrapassada e ridícula ideologia comunista?

- (Você não deve ter lembrado que os Estados Unidos irão abrir fronteiras com a Cuba? O McDonald's será instalado lá em breve!)

- Eu sei, mas... Ah, que se foda. Pelo menos a cidade de Havana é linda, mesmo com uma diferença drástica com Nova York.

- (E que um dia, instalarão a minha lanchonete favorita por lá, o KFC, pra comer alguns frangos fritos por lá.)

- Eu não como frango frito. Frango frito faz mal por conta de usar muito óleo. Eu como apenas bife e frango grelhado com verduras.

- (Grelhado no George Foreman Grill, quer dizer – ironiza Cartman – Ah, e afinal de contas, eu tenho outro trabalho que estou propondo para que você faça.)

- E qual é esse trabalho, Cartman?

- (Agora há pouco, três amigos meus chegaram de avião. Eles estão esperando lá no aeroporto um transporte que levará para o escritório deles daqui da cidade. E você, "Eddhie", fará esse trabalho.)

- Eu aceito.

- (Então mexa essa sua bunda e faça logo!) – termina Cartman, a ligação encerra e Eddie guarda o celular, e em seguida, retorna ao carro e sai da sua residência.

- Eu não sei o que o Cartman quer tramar com esses tais amigos que chegaram agora há pouco lá no aeroporto – desconfia Eddie.


[Aeroporto de Maués, Mirante do Éden]

Eddie finalmente chega ao aeroporto da cidade, e encontra três homens vestidos de roupa social, cada um vestindo uma cor diferente (bege, roseado e lilás), esperando por um transporte. Em seguida, Eddie estaciona o carro ao lado do trio.

- Boa tarde, bem-vindos à Maués, e podem entrar no carro, se quiserem – disse o Eddie, recepcionando o trio, que entra no veículo – o mentor de vocês me chamou para buscá-los, e estou aqui à posto para levá-los aonde quiser.

- Nos guie para um lugar que fica lá na Estrada dos Moraes, próximo à praça triangular – disse o homem, de roupa social bege, que está sentado ao lado do Eddie.

Eddie se estranha com a atitude do homem e percebe, pelo espelho retrovisor central, que os outros dois estão olhando exatamente para o próprio Eddie.

"Mas que porra são essa gente que estão de olho em mim?"

- Qual é o seu nome? – pergunta o homem do banco do passageiro.

- Meu nome? Eddie Peugeot, esse é o meu nome.

- Nome completo – pergunta de novo o mesmo homem.

- Eddie Andrade Peugeot Ferruccio-Neiva.

- Filiação – novamente pergunta o mesmo homem.

- Sou filho de João Peugeot e Maria Ferruccio-Neiva.

- Natural de – novamente pergunta o mesmo homem.

- Peugeotlândia, Portugal.

"Esses caras são detetives? Espiões? Esses caras estão querendo as minhas informações pessoais! O que o Cartman está tramando contra mim?" – pensa Eddie.

- Data de nascimento – novamente pergunta o mesmo homem.

- 07 de Setembro de 1979.

- Time de coração – novamente pergunta.

- Corinthians.

- Ídolo do seu clube – pergunta novamente.

- Tite e Sócrates.

- Seu gosto musical – pergunta novamente.

- Rock gótico, industrial e pesado.

- Ídolo do seu gosto musical – pergunta novamente.

- Trent Reznor, do Nine Inch Nails.

- Primeira namorada – pergunta mais uma vez.

- Lindinez Ferruccio, em 1996.

- Obrigado – encerra o homem do lado.

"Obrigado? Que porra é essa, querendo as minhas informações pessoais?"


[Estrada dos Moraes, Centro]

Eddie chega no centro da cidade ainda com os três homens que acabou de buscar do aeroporto, e que no meio do caminho, novamente houve outra entrevista com um deles ao homem de preto, cujas perguntas novamente foram sobre a vida pessoal do homem de preto, no qual envolvem a família, carreira, e entre outros, como a privacidade. Este último irritou ainda mais o Eddie.

- Vocês podem parar de fazer essas perguntas? – reclama Eddie – eu odeio falar sobre a minha vida pessoal e da minha privacidade! Vocês perguntaram de carreira, filhos, família, e agora vocês fazem uma pergunta ridícula da minha privacidade, merda! Eu me masturbo? Sim, eu bato punheta sim, mas quando eu estiver com vontade. Isso o que é? Entrevista de emprego? Vão a merda sim, porra!

Eddie faz uma virada brusca na esquina entre Avenida Getúlio Vargas com a Estrada dos Moraes, surpreendendo os homens que estavam ao bordo.

- Espero que vocês não façam essas perguntas ridículas com as pessoas em que vocês irão pegar a carona – avisa Eddie.

- É aqui – avisa o homem que está sentado no banco de passageiro, no lado do Eddie.

- É aqui? – Eddie observa um lugar, localizado no cruzamento da Rua Prefeito Donga Michiles com a Estrada dos Moraes, cuja a fachada é avermelhada, com uma placa escrita: "Partido Vermelho, pelo orgulho do Brasil" – não... – Eddie não gosta nada disso.

- É – disse o homem.

- Quais são os seus nomes, afinal? – pergunta Eddie.

- Meu nome é Josemar Estevão – disse o homem.

- O meu é Caio Gondim – disse o homem sentado no banco de trás, atrás do Eddie.

- E o meu é Umberto Negreiros – disse o outro homem sentado no banco de trás.

- E vocês trabalham aqui? – pergunta Eddie.

- Sim, nós trabalhamos no Partido Vermelho pela diretoria municipal de Maués – disse Josemar, que depois, saem do veículo junto com outros dois – obrigado pela carona, sr. Eddie Peugeot – termina, entrando pela entrada da fachada.

Eddie sai do local, se afastando do local, ainda não acreditando do que ele acabou de ver e ouvir...

- FILHOS DA PUTA! ASSASSINOS! ESPIÕES! GOLPISTAS! TERRORISTAS! – grita, revoltado – TUDO CULPA DAQUELE VAGABUNDO FILHO DA PUTA DO CARTMAN! ESSE FILHO DA PUTA TRABALHA COM ESSES BANDIDOS DO VERMELHO! AHHHHHHHHHHHHHH! – surta, sacando a arma guardada no colete, e acelera ainda mais, deixando o carro altamente e perigosamente veloz, de onde acaba desviando das demais motos e assustando as pessoas que passavam pelas calçadas.


[Beirada do Rio Moraes, Estrada dos Moraes]

"Por que eu escolhi aquela porra da opção? Por quê?"

"Por que todos querem acabar comigo? Esta cidade está completamente corrompida por esse filho da puta do Cartman e desses assassinos do Partido Vermelho!"

"Eu queria é tirar o meu irmão dessa situação perigosa desta cidade politicamente fodida. Mas ele quer me ajudar a resolver essa situação horripilante!"

[flashback mode on]

- Mano...

- O que foi, Freddy?

- Não quero mais sair da cidade não.

- Por quê?

- Eu quero te ajudar nessa investigação.

- Vai me ajudar?

- Porque nós somos imbatíveis juntos, assim como nas pistas, mano! Somos os irmãos Peugeot! Assim como o nosso pai e nosso tio, eles foram imbatíveis nos primeiros anos!

[flashback mode off]

"Depois veio esse filho da puta do Eric Cartman pra foder de vez."

[flashback mode on]

- E se eu recusasse?

- Se você não aceitar... o seu irmão morre e você vai para a cadeia por ter assassinado o seu próprio irmão.

[flashback mode off]

"E me foder ainda de vez."

[flashback mode on]

- Quando você receber uma ligação desconhecida, atende já! Se recusar, não adianta fugir, porque os meus capangas irão atrás de você! E outra coisa, se eu desconfiar de alguma coisa que você estiver armando contra a mim, vai sofrer uma consequência gravíssima!

[flashback mode off]

"E ainda mais."

[flashback mode on]

- Eddie, eu estou de olho em você! Te vejo depois, Eddie Peugeot!

[flashback mode off]

"Agora, chega. Eu já estou começando a preparar um verdadeiro ultimato que vai mudar a história desta eleição. Eu vou invadir o banco de dados do governo federal, das urnas eletrônicas, e se possível, do Partido Vermelho, dos partidos, e do Eric Cartman, para descobrir se há uma rede criminosa federal, algo que a polícia federal deveria saber."

De repente, o celular toca. E, desta vez, é uma conhecida do Eddie.

- Alô, Shelly?

- (Sem delongas, Eddie! O Renan é uma merda! Eu não mais trabalho com ele!)

- Aonde você está?

- (Aqui na sua residência, jogando com o seu irmão Freddy na sala!)

- Eu já estou indo aí.

- (OK, Eddie.)

Eddie retorna ao veículo, e depois, deixa o local, rumo à estrada e à sua residência.


[Residência do Eddie Peugeot, Santa Luzia]

- E o que houve então, Shelly?

- Assim que você ficava bravo comigo porque eu não te dava o retorno depois dos nossos serviços, foi a vez de mim mesma não receber o retorno do Renan depois de um trabalho que fizemos.

- E qual foi esse trabalho?

- A gente iria roubar o carro do prefeito da cidade. Eu esperei lá no nosso esconderijo, só que ele não deu o retorno. A última vez que ele me ligou foi quando ele conseguiu o carro e depois não mais me ligou.

- Ahá – desconfia Eddie, ao observar em seu notebook – e você tem um número dele?

- Ainda está guardado no meu celular, Eddie. É aqui – mostra Shelly o número do telefone do Renan Hawking.

- Eu vou ligar para ele.

- Como você vai ligar para ele, se ele não mais ligou para a mim?

- Vou marcar uma reunião lá na Praça de Alimentação, mas você não aparecerá por um breve tempo, porque eu quero que você apareça de surpresa com isso – Eddie gira o seu notebook, revelando uma foto em que Renan Hawking aparece com os militantes do Partido Vermelho, através do seu perfil na rede social – e com isso – Eddie tira o seu revólver Glock 9mm e entrega à Shelly.

- Então... ele estava assim o tempo todo? Com esses... como você define esses caras do Vermelho, Eddie?

- Pra você, uns merdas. Pra mim, uns bandidos, filhos da puta, assassinos e golpistas. E esse seu contatozinho que você me apresentou É UM DELES, SHELLY! Você não devia se envolver com esse tipo de gente!

- Mas... eu não sabia, Eddie!

- Eu sei o que você não soube, mas agora você está sabendo. A gente faremos um acerto de contas entre nós dois com ele. Vai doer só um pouquinho.

- E vai mesmo, porque esse merda vai pagar o que ele deve estar fazendo.


[Praça de Alimentação, Centro – 29 de Setembro de 2014 – 09:59]

No corredor central da praça de alimentação, está o Eddie Peugeot, com sua roupa tradicional de colete preto, camisa laranja, calça preta e tênis vermelhos da Nike, isolado, em posição de espera. Enquanto isso, dentro do banheiro feminino da praça, está a Shelly Marsh, vestida com camiseta preta, mostrando um pouco de musculatura desenvolvida nos braços; calça jeans e sapatos pretos, além do cabelo amarrado estilo rabo de pônei, e está sacando o revólver Glock 9mm que o Eddie deu para ela. Shelly aparecerá de fininho quando Eddie e Renan Hawking estiverem conversando e ela, logo quando aparecer, estará com as mãos para trás, escondendo a arma.

- (Eu vou ter que ficar aqui cheirando merda do banheiro até quando ele aparecer, Eddie?) – disse Shelly, através do ponto eletrônico em que ambos estão usando.

- O banheiro é podre, mas aguente um pouco. Já, já, ele vai aparecer e quando o papo rolar a solta, você sai de fininho e quando você colocar o seu rosto pra observar o papo, eu dou o sinal para que você venha. Caso ele veja o seu rosto, não se preocupe e venha, mas fique com as mãos para trás porque você está carregando o meu brinquedo.

- (Não sei, Eddie...)

- Opa, ele já está vindo.

- Eddie Peugeot, "como vai maninho"? – disse Renan, recepcionando-o.

- Como?

- "Como vai maninho"?

- Que porra é essa, hein?

- Vocês amazonenses não ficam falando "como vai maninho"?

- Eu não me acostumo falar com as gírias da região, só o meu irmão que gosta de falar.

- Ah, Eddie. Você devia se acostumar com os costumes da região.

- Mas eu adoro a cultura daqui da região. Afinal, você está com as nossas armas que pegamos, sem apuros?

- Óbvio, afinal, ninguém saberá quem está com as armas que roubamos.

Eddie vê a Shelly observando bem no canto, e sinaliza-a para ela vir.

- Olha quem ela está aqui, Renan.

- Ah, tá... a Shelly... – Shelly caminha em direção ao Renan, com as mãos para trás carregando o revólver, com a cara fechada, enquanto Renan abre os braços para "abraça-la" e sorri maliciosamente – "Como vai, maninha"?

- VOCÊ! – Shelly revela a arma e mira ao Renan – VOCÊ É UM MILITANTE DE MERDA! Você pensa que tu quer mexer com Shelley Marsh e Eddie A. Peugeot F.N., seu merda?

Renan, surpreso com a revelação da Shelly, levanta os braços e, ao virar ao Eddie, vê uma foto comprometedora do seu perfil na rede social, com os militantes do partido governista, sendo exposta pelo celular do Eddie.

(CONTINUA)

[end chapter]