[set place_ Maués]

[set date_ 01, month_ october, year_ 2014]

[Esconderijo, Bairro Donga Michiles – 01 de outubro de 2014 – 13:01]

No capítulo anterior, em primeiro serviço desde que foi trazido para a cabana abandonada, Renan Hawking informou ao Eddie e Shelly sobre um encontro de alguns integrantes do partido no porto abandonado no bairro Mirante do Éden. Shelly foi ao encontro no lugar dele para discutir a "tal negociação", porém, foi sequestrada pelos integrantes e levada para o meio do rio. Eddie conseguiu resgatá-la pois esteve presente no momento do sequestro e ainda acompanhou o movimento da lancha. Já os sequestradores, abandonaram a lancha devido à falta de gasolina e parou no meio do rio, deixando a Shelly livre para ser resgatada.

No dia seguinte, Eddie e Shelly retornam à cabana abandonada de onde está o Renan Hawking ainda amarrado na cadeira, desnudo – apenas de cuecas – e com a cabeça coberta por um saco escuro. Fisicamente, Renan perdeu um pouco de musculatura e do peso devido estar impossibilitado de se alimentar e se movimentar por conta de estar amarrado por horas.

Sabendo-se que ele está desnutrido, Eddie trouxe um balde de garrafas de água mineral, no qual ele pega uma dessas garrafas enquanto a Shelly tira o saco que cobria a cabeça do Renan – que finalmente observa ao vivo a presença dos dois no local – destampa e joga a água no rosto do Renan.

- Bebe água, seu desnutrido – disse Eddie – emagreceu pra caralho nessas vinte e quatro horas seguidas.

- Eu caí numa armadilha dos seus comparsas de merda, seu merda – disse Shelly, dando tapa no rosto do Renan – e agora, qual é o outro plano que vocês tinham para o partido?

- Eu... eu não sei – nega Renan, porém, Eddie acende o maçarico e mira em seu rosto, dando uma impressão de ameaça. Enquanto isso, Shelly pega outra garrafa de água mineral, gelada, e passa a garrafa altamente gelada nas suas costas, fazendo o Renan gritar ao sentir o gelo.

- Explicação errada – disse Eddie – quero que você diga os outros planos que vocês tinham de articulação no partido.

- Tá bom, ok – disse Renan, assustado, enquanto Eddie desliga o maçarico – existe um plano que o partido queira desenvolver, porém esse plano foi descartado e o idealizador foi dispensado e ele está em num bar no Mário Fonseca, na Estrada Maués – explica.

- Isso é verdade? – pergunta Shelly, desconfiada desde que sofreu um sequestro anteriormente pelos integrantes do partido ao tentar "negociar" com eles no porto abandonado – se for outra armadilha que você preparou antes de te pegar nas ruas, os quase sessenta mil pessoas que vivem neste município verão o seu corpinho magrinho de cuecas caído nas ruas com sangue jorrando no chão ao tomar um tiro na cabeça pelo senhor Eddie Andrade Peugeot Neiva.

- Cara, vocês vivem tudo desconfiados – desembucha Renan – especialmente para o Eddie que vive atrás do responsável pelo assassinato do seu primo.

- E o que você tem a ver com o assassinato do meu primo? – pergunta Eddie – A imprensa questionou, questionou e nada foi esclarecido! O Papel de São Paulo me chamou de louco, a Rede Planeta me chamou de doente e a presidente me chamou de débil mental quando eu disse que este governo está envolvido com o assassinato do meu primo! Você é um doente! – estapeia o Renan – você é um louco – estapeia de novo – e o seu partido só tem débil mental inclusive o seu fundador! – estapeia novamente, dessa vez, mais forte, capaz de deixar uma hematoma na bochecha.

- A gente vai para esse bar encontrar esse tal do idealizador desse plano que você falou – disse Shelly – mas eu vou repetir – alerta – se a gente cair em mais uma das armadilhas que você preparou antes de arrastar você pra cá, você sabe de onde você vai parar. Vamos, Eddie – coloca de volta o saco, cobrindo novamente a cabeça do Renan.

Eddie e Shelly deixam a cabana, sem levar o balde cheio de gelo com as garrafinhas de água mineral, mas sim levando a mala que continha o maçarico. Depois de fechar a cabana, os dois retornam ao carro do Eddie, o Fiat Uno Mille Fire Way 2012 azul.

- Eddie, você conhece esse tal do bar? – pergunta Shelly, logo depois de entrar junto com o Eddie ao carro. Em seguida, os dois partem para o local marcado.

- Nunca.

- Mas você não disse que conhecia toda a cidade?

- Eu conheço quase toda a cidade, mas não conheço algumas partes que são novos ou desconhecidos por mim e pela minha família.

- Seu irmão, por exemplo?

- Shelly, a cidade mudou. Não cresceu tanto como Manaus nas últimas décadas, mas cresceu com invasões que viraram bairros, projetos habitacionais, migrações da zona rural para a urbana e investimentos urbanos.

- Recentemente, lá em South Park, revitalizaram um lugar abandonado de onde morava um amigo pobre do meu irmão.

- Como assim "revitalizaram"?

- Porque a nossa cidade virou piada em num programa de TV por lá graças a "parte mais merda da cidade", exatamente esse local que acabei de falar. Investiram e construíram um shopping sobre aquele local, mas não durou por muito tempo que ficou abandonado de novo.

- Vou te contar uma coisa, Shelly: lá em Manaus, por exemplo, revitalizaram algumas fachadas históricas e montaram lojas modernas no interior.

- Eu tive o gostinho de estar em Manaus, Eddie. Pena que eu tive que vir pra cá no dia seguinte depois de chegar da escala de Brasília.

- Você acha que aqui é bem confortável do que South Park?

- Como eu estou recentemente aqui em Maués, estou achando que é bem confortável. Lá é um lixo e é uma cidade montanhosa, você sabe de onde fica geograficamente o estado de Colorado.

- Montanhas Rochosas.

- Isso mesmo, e é nas alturas em relação ao nível do mar.

- Eu só sei dessa tese de altas alturas em relação ao nível do mar porque estamos num continente sul-americano e os países pacíficos ficam geograficamente na área da Cordilheira dos Andes. Haja bomba de oxigênio para respirar nesses ares rarefeitos.

- Eu não tenho esse problema quando estou em South Park, eu sou nascida por lá.

- Eu sou nascido numa área próxima ao nível do mar lá em Portugal, e aqui, a região da planície amazônica é próxima ao nível do mar. Eu nunca fui para essas regiões montanhosas nos Estados Unidos e aqui na América do Sul. Mas já fui para a Cidade do México e senti um pouco a altitude.

- Aonde você foi fazer por lá? Passear?

- Passear e correr na Fórmula Peugeot.

- Ah – entende.


[Bar desconhecido, Mário Fonseca]

Eddie e Shelly finalmente chegam ao local destinado pelo Renan Hawking, cujo estabelecimento caracteriza com paredes de madeira pintados de cor marrom, cobertos com telhados marrons – porém, sujos de limo – e apresentam alguns envelhecimentos e janelas quebradas, se tratando de um local abandonado, porém, supostamente funcionando devido à presença de algumas motos Honda CG 160 na frente.

- É esse bar que ele indicou? – pergunta Shelly ao Eddie.

- Deve ser, aparentemente abandonado, mas em funcionamento.

- Será que está a pessoa de que ele disse que era o idealizador de um projeto do partido?

- Eu não sei, mas se ele estiver, ele tem que nos contar. Vamos – finaliza Eddie, no qual ele e a Shelly caminham em direção à porta de entrada do bar.

Ao entrar por lá, Eddie e Shelly encontram por dentro uma sala repleta de quadros de crianças, com duas mesas redondas com quatro cadeiras a cada canto, além de duas iluminações de lâmpadas incandescentes e três armários nos cantos das paredes.

- Eddie, isso aqui não é...

- Isso aqui não foi fechado pela polícia e pelo conselho tutelar? – questiona Eddie, ao observar todo o interior ao redor – isso aqui é a casa secreta para pratica de pedofilia!

- E ali está escrito "Bem-vindo a NAMBLA Maués, propriedade da Igreja Evangélica Constituição de Deus" – descreve Shelly ao ler a placa na sala.

- "Constituição de Deus"... – disse Eddie, ao ouvir o nome dessa igreja, porém, os dois são rendidos por dois homens atrás – ambos de cabelos escuros, um vestindo a camisa preta com rasgaduras, calça jeans com remendas e sandálias pretas, que mira ao Eddie, e o outro vestindo a camiseta branca e calça jeans com remendas, descalço, que mira à Shelly.

- Mãos para o alto – disse um dos homens, com um revólver Colt .45 mirando na cabeça de Eddie e Shelly por trás, quando os dois levantam as mãos para o alto, ainda desarmados.

- O Renan nos fodeu mais uma vez! – disse Shelly, revoltada ao ser enganada mais uma vez, junto com o Eddie, pelo seu ex-contato que indicou o local de onde "encontraria" o suposto informante – ele vai pagar tudo por isso!

- Ora, ora, se não era o ateu filho da puta do Eddie Peugeot, que nos denunciou há sete anos atrás – disse um dos homens por trás, ainda mirando na cabeça do Eddie – que bom te ver de novo, seu ateuzinho de merda. Feliz por nos encontrar depois de ter nos botado na cadeia?

- Feliz é o caralho – responde Eddie – eu joguei vocês pra cadeia como vingança de terem me chantageado em público ao revelar o meu ateísmo na formatura em 1996. Fui eu que descobri que vocês tinham ligações com a máfia de pedofilia no estado envolvendo igrejas evangélicas! Fui eu que mostrei o lado negro dessa igreja evangélica popular desta região! E vocês tiraram a Lindinez de mim naquele ano! – começa a lagrimejar.

- Agora você não tem como escapar de nós, Eddie – disse o mesmo homem que está o mirando – é hora de você pagar por isso, para que ninguém atrapalhe o nosso negócio secreto do prazer.

- Vocês são uns nojos – disse a Shelly – vocês não têm demência de ficar estuprando crianças usando a imagem de Deus? Tá igual a Igreja Católica que esteve em recentes escândalos!

- O Martinho Lutero acabou com a Igreja Católica – disse o homem que está mirando por trás da Shelly.

- O Martinho Lutero não acabou com a Igreja Católica, seus pedófilos de merda – treplica Eddie – ele causou uma grande ruptura na própria Igreja ao denunciar os abusos e atos negligentes ao pregar as 95 teses e fez a própria Igreja Católica repensar os seus atos com os fiéis, tanto que séculos depois, perderiam a sua parte no poder do Estado.

- Como você sabe, Eddie? – questiona Shelly, impressionada com a explicação do Eddie.

- Eu estudo história geral em horas livres! – responde – ao contrário desses dois falsos pastores lixos nojentos que estão mirando atrás da gente, que nunca leram uma bíblia.

- Para o chão, agora – grita um dos dois homens, no qual Eddie e Shelly agacham e ficam de joelhos – agora, antes de qualquer coisa, vamos para uma breve oração.

- Eddie – disse Shelly, sussurrando – você ainda está com a sua arma? – pergunta, no qual o Eddie apenas acena a cabeça, confirmando que está com a sua arma.

- Pai nosso, que estás no céu, santificado, seja em vosso nome... – reza os dois homens que estão mirando ao Eddie e Shelly.

De repente, Eddie e Shelly começam a reagir ao virar para trás e segurar os revólveres dos homens e levantam as mãos dos ambos para o alto, no qual eles atiram para o teto do local, e têm suas cabeças puxadas pelo casal para a altura do joelho e levam a joelhada imobilizadora, deixando os dois desacordados no chão.

- Caralho, parece que você praticou muay-thai ao mesmo tempo do que eu – compara Eddie.

- Eddie, eu pratiquei muito muay-thai desde jovem – explica Shelly – sou veteranaça desde então.

- Eu também sou veterano em praticar muay-thai, Shelly, sou faixa-preta assim no jiu-jitsu.

- Merda, o Renan nos fez a gente cair como patinhos de novo – protesta Shelly – aqui não tinha nenhum idealizador que ele disse que daria todas as descrições sobre esse tal projeto! Foi tudo premeditado e de novo!

- E o que faremos com esses dois pedófilos no chão?

- Eles não foram os responsáveis pela mancha na sua imagem? Mata – responde – mata não, mas jogue uma gasolina se tiver por aí e queima-os – repensa.

Enquanto a Shelly sai do local, Eddie acaba encontrando um galão de gasolina abandonada no canto das paredes de madeira e pega-o, quando percebe que por dentro do galão ainda há uma parcela de combustível. Com isso, Eddie jorra o combustível em cima dos corpos dormentes dos dois falsos pastores, inclusive jorra um pouco do líquido inflamável para poder acender o comburente. Ao sacar o seu revólver Glock 9mm, Eddie dispara ao chão e acaba acendendo o comburente, iniciando-se um breve incêndio que começa a cremar os corpos dos falsos pastores.

Enquanto o ambiente todo começa a ser incinerado – feito de madeira, vulnerável ao fogo – Eddie deixa o local junto com a Shelly.

- E aí, Eddie? – pergunta Shelly.

- E aí o quê? – questiona Eddie – O que iremos fazer?

- O que iremos fazer é matar aquele Renan, mais uma vez ele conseguiu nos enganar de novo com essa confissão de mentira. Eu já estou de saco cheio desse mentiroso safado.

- Menos, Shelly. Primeiro, a gente precisa tirar umas satisfações com ele, sem matar, para que ele confesse outros planos sem que a gente nos engane.

- E daí? Esses planos que ele irá dizer é tudo uma armação, uma cilada para a gente!

Eddie suspira.

- Tá bom, vamos lá para o esconderijo – encerra Eddie, que depois, junto com a Shelly, entram de volta ao Uno Mille azul do Eddie. Em seguida, os dois deixam o local, enquanto o bar abandonado segue sendo incinerado.


[Rua Ramal Adolfo Carneiro, Mário Fonseca]

- Essa igreja não tinha sido fechada após essas graves acusações da tal "máfia da pedofilia"?

- Tinha, inclusive seus principais líderes foram presos junto com esses pastores. Alguns pastores conseguiram fugir e refugiar em alguns municípios disfarçados por quase todo o estado, especialmente aqui em Maués.

- Por que eles conseguiram fugir e vir para alguns municípios, como Maués?

- Infelizmente eu tenho que ser sincero para ti e para quem vier para o Amazonas. A região da floresta amazônica é tão grande que pode virar paraíso de bandidos para fugir da lei, inclusive de querer colocar em xeque os ancestrais dessa região, os índios. É fácil as florestas e as matas virarem esconderijos de fugitivos.

- Caralho, essa eu nunca tinha pensado.

- E nem pense, você é uma turista, Shelly, apesar de estar empregada, residindo lá em São Paulo e com o visto de permanência. Você já tinha ouvido da região, mas nunca tinha visitado.

- É a minha primeira vez por aqui, Eddie.

- Eu sei.

- Meu irmão já tinha vindo pra cá por razões profissionais.

- Também eu sei.

- O amiguinho dele também veio pra cá por esse mesmo motivo.

- Também eu sei.

- Você não tem outra palavra que define esse seu "também eu sei"?

- Eu não sei.

- Foda-se, merda.


[Esconderijo, Bairro Donga Michiles]

Eddie e Shelly acabam de chegar ao local de onde está localizado a cabana abandonada por onde ambos guardaram o Renan Hawking amarrado por lá. Porém, quando os avistam a porta da cabana aberta...

- Que porra foi essa? – disse Shelly, surpresa ao notar a porta aberta.

- Não acredito que... – disse Eddie, quando os dois ouvem um barulho do motor de uma moto roncando.

- Socorro! – grita uma voz de uma mulher desesperada, que chama a atenção da dupla Eddie e Shelly. Em seguida, os dois avançam para a rua e notam a moto saindo com um motorista praticamente desnudo, apenas de cuecas.

- Porra, é o Renan! – grita Shelly, ao perceber que o "ladrão da moto" era o Renan Hawking – Eddie, vamos atrás desse vagabundo!

Rapidamente, os dois retornam ao carro do Eddie e deixam o local para perseguir Renan Hawking, que está fugindo com uma moto Honda CG125 azul dos anos 80 – detalhadamente com o farol quadrado.

- Eddie, me empresta a sua arma! – disse Shelly, pedindo o empréstimo do revólver Glock 18 do Eddie, no qual o rapaz atende o pedido e tira dentro da sua jaqueta exatamente o Glock 18, entregando para as mãos da moça.

- Você é bom de tiro? – pergunta Eddie, questionando a habilidade da moça com a mira de revólveres.

- Porra, eu nunca usei uma arma na minha vida! Nem o meu tio Jimbo me ensinou a mirar uma arma!

- Arrisque-se, porque essa arma é para a minha proteção.

- Ok.

Os dois acabam encontrando a moto em fuga ao perceber um rastro de pneu na esquina entre a rua Leonel Alves com a rua Petrônio Muniz e começam a colar na moto e no piloto fugitivo. Shelly abaixa o vidro lateral do carro justamente para começar a se posicionar para o tiro.

Já o Renan, notando a presença da dupla Eddie e Shelly, continuou tentando achar uma maneira de se despistar dos dois, porém, decide mostrar o infame dedo médio para trás, para provocar os dois.

Para assustá-lo (e também "alertar" a população no local), Shelly atira o revólver para cima. Renan desvia ao entrar na rua ... e começa a acelerar mais para tentar se distanciá-los, mas não evita que ele continuasse na cola de Eddie e Shelly, que mais uma vez atira para cima.

- Para, seu merda – grita Shelly após atirar o revólver para cima.

- Ele não vai parar, Shelly – disse Eddie – temos que partir para cima dele e esmagá-lo.

- Esmagar os ossinhos dele?

- Esmagar até estourar o cérebro – responde Eddie – ou tenta mirá-lo e acertar justamente o cérebro.

- Vou tentar.

A dupla começa a encostar por trás da moto.

- Da última vez que derrubamos uma moto, quase caímos juntos – disse Shelly – mas neste caso, estamos de carro.

Consequentemente, Eddie não pensa duas vezes e vira o carro para chocar-se à moto do Renan, derrubando-o na rua. Em seguida, Eddie para o carro e sai junto com Shelly em direção ao Renan, caído no chão.

Ao ver o Renan caído no chão, Shelly já mira na cabeça do seu ex-contato quando o mesmo já começa a mexer e a mesma coloca o pé na cabeça dele.

- Acabou a brincadeira, Renan – disse Shelly – você chegou ao fim da linha.

- Acabou – disse Renan, rindo maliciosamente mesmo agonizando de dor – acabou é o caralho. A brincadeira só está começando...

- Começando? – pergunta Eddie, intrigado com a declaração oposta do Renan – como assim "a brincadeira só está começando"? O que você está tramando, seu filho da puta?

- Vocês não conseguirão enfrentá-los com facilidade... eles estão começando a armar um grande golpe que vai abalar o Brasil após as eleições.

- O Partido Vermelho? – pergunta Eddie, novamente intrigado com a outra declaração do Renan.

- Graças à Operação Lava-Rápido – disse Renan – os membros do Partido Vermelho estão articulando um verdadeiro golpe contra a sociedade brasileira para tentar culpar os seus opositores, especialmente o judiciário.

- Não só o Partido Vermelho, Eddie – disse Shelly, ainda mirando o revólver contra a cabeça do Renan – os partidos de esquerda no mundo todo, um tal de um bilionário rico que financia eles, as milícias extremo-esquerdas...

- Uma verdadeira Revolução Russa tipo global – complementa Eddie, no seu ponto de vista de entendimento – tipo isso.

- Vocês poderão procurar alguns espiões e militantes disfarçados, mas o golpe já está praticamente pronto.

- A gente vai procurar esses caras para saber mais, porque você já era, na cara sim e não vai ter velório! – finaliza Shelly, que atira o revólver e mata Renan de cabeça.

Após o tiro sanguinário, os dois retornam ao carro sem qualquer demonstração de que haviam matado uma pessoa apontada como inimiga. Depois de se dispersar do local, as pessoas que viram o corpo no chão de longe começam a circular ao redor do cadáver.


[Rua Francisco Magnani, Santa Luzia / Centro]

- Eu queria que você matasse ele – disse Shelly, ainda segurando o revólver que pertence ao Eddie – para alertá-los de vez que você chegou para causar a zorra toda.

- Eu poderia – disse Eddie, dirigindo o seu veículo em rota para casa – mas ainda não estou preparado para aparecer na mídia... ou melhor, estou preparado, porque os caras dos jornais das rádios e de jornais locais vão noticiar esse fato e citarem o meu nome.

- Sem esquecer da TV que também poderá noticiar e fazer um retrato falado de ti.

- Eles vão? Da última vez, fizeram um retrato falado de um cara cujo rosto não era o dele quando uma certa empresa que ele trabalhava explodiu e foi apontado como responsável pela explosão.

- Essa eu não sabia, eu só sei de um tiroteio feio lá em Nova Jérsei, na terra natal da mãe de um amigo do meu irmão.

- Tiroteio?

- Um chefe de uma máfia de lá queria acabar com um tal ex-policial por ter matado o filho dele. Fizeram um tiroteio no apartamento dele e também no cemitério.

- Resumo de tudo: tudo isso eu não sabia.

- Eddie, você está se informando direito?

- Eu não.

- Por quê?

- Porque essas agências de notícias estão em plena negociação com os partidos políticos para iniciarem um golpe de sensacionalismo contra a mim e contra a eles mesmos nos debates.

- Falsas acusações?

- E muitas falsas acusações, tudo para que eles querem ganhar o poder e diminuir a minha influência e arranhar a minha imagem. Todos eles, seja direita ou esquerda, sempre me apontam como um obstáculo e que querem acabar comigo e com a minha família. Eu já te contei o que eles fizeram com o meu primo. Daqui a pouco, não só a eleição daqui do Brasil será questionada, mas imagine o que pode acontecer na eleição do seu país?

- Falou a verdade.

- E se vão questionar, vai ter chororô da elite artística, dos jornalistas, das mídias em geral, eles que se fodam, mais essa elite artística que usam trechos de músicas dos músicos que morreram anos atrás que poderiam ter a visão atual se estivessem vivos. Cazuza que o diga.

- Como assim, "Cazuza que o diga"?

- O trecho da música "O Tempo Não Para" é muito usado para desabafar seu descontentamento com a situação atual no país:

"A tua piscina está cheia de ratos, teus conhecimentos não correspondem aos fatos... o tempo não para. Eu vejo o futuro repetir o passado..."

- "Eu vejo o futuro repetir o passado" é o trecho muito usado – complementa Eddie – não é a toa, Shelly, estamos vivendo um passado que se diz o futuro que este país pensa que está numa situação melhor, mas está se fodendo a cada dia! Fode pra lá, fode pra cá, e os arrombados de Brasília dizem que a culpa é do povo. Sabe o que eu faria?

- Tacar fogo no Congresso?

- Eu pegaria as armas do Exército e daria para o povo que se sente injustiçado e atirasse na cabeça de um político como vingança. Cabeça de presidente alguém já fez isso, e foi no seu país, Shelly.

- O presidente Kennedy.

- É isso mesmo. "País rico é país sem pobreza" é o caralho, deveria ser "país rico e sem pobreza é país sem corrupção".


[Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia – 18:08]

Na sala, os irmãos Eddie e Freddy Peugeot, mais a Shelly, estão assistindo o telejornal local com a expectativa do noticiário da perseguição e morte de Renan Hawking, que foi morto pela Shelly junto com o Eddie no bairro Donga Michiles.

- Mano, é agora – disse Freddy, chamando a atenção do irmão para o noticiário que começa a ser dado na TV.

- Um caso de incêndio, perseguição e morte aconteceu no município de Maués. O primeiro crime aconteceu no bairro Mário Fonseca quando uma cabana abandonada foi incendiada com duas pessoas carbonizadas. Testemunhas dizem que viram um casal saindo da cabana em chamas e depois se dispersaram de carro azul, que podem ser os suspeitos de causarem o incêndio. O local, feito de madeira, foi completamente consumido pelas chamas.

- Sobrou nada até carne viva foi torrada nesse local – disse Shelly.

- Outros dois crimes que aconteceram minutos depois foram de perseguição e morte. Essas ocorrências aconteceram no bairro Donga Michiles quando uma moto com um suspeito praticamente desnudo saiu de um terreno abandonado e foi perseguido por um carro azul, que poderia ser o mesmo carro azul das testemunhas do incêndio da cabana abandonada do bairro Mário Fonseca. Foram ouvidos tiros, segundo as testemunhas, para tentar assustar o suspeito, mas também apavoraram as próprias testemunhas.

- A notícia que nós esperávamos – disse Shelly.

- Haviam indícios de que a autoria desses crimes, segundo as autoridades locais, tinha sido pelo Eddie Peugeot, como uma retaliação contra as fortes críticas que recebeu dos candidatos para a presidência da República, do governo do Amazonas, e do prefeito do município de Maués. Segundo o prefeito, Eddie Peugeot é um homem perigoso para não só a sociedade mauesense, mas na sociedade brasileira, e precisa não só para ser detido, mas ser "persona non grata" no município.

Shelly e Freddy viram para o Eddie, completamente intrigado com a declaração do noticiário.

- Um certo radialista pegou essa "persona non gratidão" lá em Parintins e hoje vive babando ovo dos caras das poderosas oligarquias, inclusive do prefeito, daqui em Maués. Essa tese desses doentes mentais chamados políticos de querer me difamar é declarar guerra contra a mim. Se o povo não caísse na laia deles, teremos uma verdadeira guerra civil estilo Cabanagem por aqui, e o povo entenderia as minhas contestações. Mas será difícil.

- Como assim, "difícil"? – pergunta Shelly.

- Esses caras manipulam facilmente as pessoas que não possuem apoio deles graças a sua militância disfarçada por alguns fatores, entre eles, a amizade com essas pessoas.

- Mas isso não se trata de uma máfia? – pergunta Shelly novamente.

- É uma máfia, é um cartel, parecia que tudo é a mesma coisa e usam a máquina política para todos, aliás, para eles. É empreiteira, banqueiros, partidos, sindicatos, oligarquias, e até pastores e padres!

- E nós estamos vivendo diante de um esquema político-sociocriminal no país – completa Freddy – onde todos são culpados. Até os nossos antepassados conviveram com isso, é índio, é negro, é judeu... nossa família foi perseguida pela ditadura portuguesa e também, até hoje, nossa família sofre pressões do governo português dos tais esquerdistas parlamentares em Lisboa.

- Nossa mãe condenou um certo livro naquele período próximo ao fim da Guerra Fria: ela condenou Karl Marx, e o famoso livro "Manifesto Comunista". Para ela, é o "Mein Kampf" dos socialistas e comunistas de querer dominar o Estado e manipular o povo. Nós somos liberais e antimarxistas.

- O "Mein Kampf"... – disse Shelly.

- É o livro proibido do Hitler – responde imediatamente Freddy – o livro que ele mesmo escreveu e utilizou para a sua doutrina nazista no governo dele na Alemanha até o fim da Segunda Guerra Mundial.

- Porque você preferiu viver no Brasil diante desse caos político daqui, Eddie?

- Porque Portugal está numa crise financeira, igual a Grécia! Estamos num período de recessão mundial que começou em 2008, já pegou no Brasil, é Ocupe Wall Street nos Estados Unidos... é muita coisa que está afetando desde 2008. Você sabe o que eu estou falando, Shelly.

- Nós já vivemos vestidos de roupas do tempo de Cristo naquele início do período de recessão em South Park. Foi só o amiguinho do meu irmão que teve uma grande e sacrificante salvação, que foi pagar todas as contas com o cartão de crédito.

Os irmãos Peugeot se olham em si mesmos, sob o semblante de estranheza do fato que a Shelly havia contado nessa época de recessão mundial nos Estados Unidos.

- Imagino como estaria a fatura do cartão, todo estourado – ironiza Freddy.

Em seguida, Eddie tira o celular do bolso.

- Mano, o que você vai fazer agora?

- Vou falar rapidinho com o meu advogado – tenta discar, porém, Shelly impede a ligação.

- Eddie, não acredite nesses advogados, você sabe que as suas defesas jurídicas estão fracas e nada impedirá de sofrer sanções para pagar indenizações e pensões para as famílias das pessoas que você matou e matará depois – disse Shelly – até o pai do amiguinho do meu irmão já perdeu credibilidade e sucesso depois do tal episódio do assédio sexual que o outro amigo dele processou o meu irmão. Até a tese de defesa do Chewbacca não surtirá o efeito.

- É claro que eu não acredito na justiça, Shelly – responde Eddie – estamos à merecê dos juízes e defensores dos direitos humanos pró-bandidos que condenam policiais que matam bandidos e são obrigados a pagar indenizações aos familiares dos bandidos! Você sabe que este país tem o maior índice de violência no mundo.

- E é verdade – concorda Freddy.

- Porque você aproveita a alta violência no país para atacar os seus grandes inimigos, por exemplo, e atacar os militantes do governo?

- Para provar o veneno que os Direitos Humanos da ONU criaram e que eles defendem, igual aos parlamentares esquerdistas lá na Câmara e no Senado. Aqui no Brasil a pena de morte praticamente não existe no Código Penal, mas a pena de morte é bastante usada por bandidos mal-educados, marginalizados, analfabetos, futuro impropriado e vivem de violência contra inocente, e que esses bandidos depois, se disfarçam de futuros candidatos para um grande cargo público. Um cara que lidera um movimento de trabalhadores sem-terra, sem teto, usa essa pobreza desses trabalhadores inocentes para atacar os governantes exigindo moradia, mas mesmo conseguindo uma moradia precária e um trabalho decente, esses inocentes precisam pagar para esse líder uma espécie de imposto para continuar a morar, ou seria expulso não só da moradia, mas do movimento. Ou seja, o inocente é um bode expiatório dos líderes desses movimentos, assim como os trabalhadores inocentes com os sindicalistas que apoiam o governo em troca de dinheiro e favores.

- Quais são esses favores dos sindicalistas?

- Como eu falei sobre o tal imposto dos movimentos sem-teto e sem-terra, é a porra do "imposto sindical". O trabalhador filiado ao sindicato precisa pagar uma porcentagem de sua renda para os sindicalistas para manter-se filiado que lhe dará uma espécie de seguros de proteção aos acidentes e do desemprego. Porém, a maioria desses sindicatos ganham verba pública do governo para manter seus filiados sustentados mesmo sem trabalhar, do contrário, enriquece os sindicalistas ligados ao governo!

- Os filmes e séries nacionais, os principais artistas, alguns eventos, da maioria, recebem verba pública por causa de uma lei do Ministério da Cultura, que poderia parecer que o governo americano sustenta as academias de cinemas e ONUs de esquerda – disse Freddy.

- O nome dessa lei chama-se Rouanet, muito defendida pela classe esquerdo-artística.

- Por que vocês estão contando tudo sobre isso, irmãos Peugeot?

- Shelly Marsh – disse Eddie, que estende os braços – aqui é o Brasil, o país do "jeitinho", onde existe um mecanismo esquemático do Estado para ainda enriquecer poucos e empobrecer a maioria. Não existe "país rico é país sem pobreza", esse lema do governo é uma clara utopia. Esse mecanismo ainda é usado desde a época de Vargas.

- Então...

- Então nós vamos tentar expor esse mecanismo, mas o problema é que nem eu e nem o meu irmão sabemos aonde começar... – disse Freddy.

- Eu só me lembro que disse para o Renan antes de puxar o gatilho, que iremos encontrar várias pessoas ligadas a ele, ao Partido Vermelho, para tentar tirar várias informações confidenciais desse tal golpe que ele disse que será articulado pelo Partido Vermelho.

- Galera – disse Freddy – eu não sei muita coisa, mas desde 2012, tem um iate que pertenceu à campanha da eleição do atual prefeito da cidade que ainda está atracada lá no meio do rio. Alguns me falaram que os caras do Partido Vermelho pegam uma voadeira para ir ao iate para fazer reuniões.

Eddie e Shelly se olham em si mesmos.

- Então deve ser o primeiro alvo – disse Eddie e Shelly, simultaneamente.

- Então podem ir pra lá, eu tive uma baita curiosidade de tentar conferir de perto, de tentar nadar às escondidas para tentar ouvir uma conversa dos caras de lá, mas eu não tive coragem com medo de sofrer uma represália, ainda bem que tenho o meu amado irmãozão – abraça o seu irmão.

- Nossa, que gay – disse Shelly, ironizando o carinho dos dois irmãos.


[Segunda escadaria dupla, Avenida Antártica, Santa Tereza – 02 de outubro de 2014 – 08:00]

Ao contrário do que foi apresentado no título acima, essa descida dupla do calçadão está completamente destruída pela força das águas do Rio Maués-Açu no período das cheias, porém, é arriscado descer para a praia expondo ao turista e ao morador o risco de acidente sério como vergalhões de sustentação e pedras dos destroços.

Chegando de Fiat Uno Mille azul, Eddie – vestido de camiseta laranja com uma calça short fino para praia e de chinelos pretos com tiras brancos – estaciona o carro em cima do calçadão, deixando a Shelly, que está ao seu lado – sentada no banco de passageiro – intrigada com a atitude.

- Essa é a primeira vez...

- Que eu feri a lei de trânsito, eu sei – completa Eddie, de imediato. Em seguida, os dois saem do carro.

- É aquele iate que o seu irmão estava falando? – aponta Shelly justamente ao barco atracado no meio do rio.

- Deve ser, porque é o único que está atracado nessa vista no rio. Está aí desde 2012 e foi usado para campanha da eleição do atual prefeito. Agora, pelo visto, está sendo usado novamente para campanha do Partido Vermelho e, segundo o Freddy, é onde ocorre algumas reuniões secretas de campanha. Vamos descer por aqui.

Os dois começam a caminhar rumo aos... destroços da escadaria da praia, fato que espanta a Shelly logo de cara.

- Eddie, o que houve por aqui?

- A força d'água destruiu esta escadaria dupla do calçadão num certo tempo da cheia e isso faz tempo. Até hoje ninguém resolveu reconstruir esta escadaria, assim como aquele buraco lá no fim desta avenida. Lá na esquina da agência de serviço de água, tem a escadaria dupla e está inteira, mesmo sofrendo degradação natural, porque é o ponto mais visitado por todos e até no tempo da cheia, os caras se jogam na água para diversão.

- Então como nós vamos descer para a praia? Não tem outra escadaria simples por aqui?

- Vamos descer por aqui, eu disse. Independentemente do estado que está, vamos descer nesses destroços de concreto e vergalhões e eu vou te ajudar a descer.

Então, Eddie e Shelly começam a descer lentamente pelos destroços e precisam-se tomar muito cuidado para não se desequilibrar pois pode ocorrer um acidente sério de lesão por se tratar de um local destruído e inseguro. O que os dois não sabem é que estão sendo vigiados de longe por uns espiões do Partido Vermelho, sendo alguns estão dentro da residência – no qual Eddie, junto com o irmão, conhece muito bem e havia visitado recentemente. Depois de descer e pisar já no chão arenoso, Eddie e Shelly caminham calmamente até a beira do rio na praia.

- Então como vamos chegar até lá, Eddie? – pergunta Shelly – nadando?

- O Freddy pensou nisso, mas a gente poderia arrumar uma lancha para tentar alcançar.

- Mas a gente poderia ser pego até de longe por eles! Pense em outra coisa!

- A única coisa que só podemos fazer é nadar até lá, mergulhando de uma vez por outra por necessidade para que não poderemos serem detectados.

De repente...

- Ai – agoniza Shelly – porra, por que aqui tem mosquito de mer... – desmaia, sem complementar a sua fala.

Eddie fica intrigado logo quando viu a Shelly desmaiar ao ver um tranquilizante na nuca da moça, porém, não demora muito tempo para o Eddie receber um tranquilizante também na nuca, que o leva a desmaiar em poucos segundos, porém, consegue notar duas pessoas diante da sua visão embaçada antes do efeito der sucesso e desmaiá-lo temporariamente.

Em seguida, os dois homens de camisa vermelha e calça preta rasgada começam a carregar o casal desmaiado para o barco à motor rabeta e segue rumo ao iate de onde Eddie e Shelly iriam, dessa vez, feitos reféns sem saber.


[Barco misterioso, Rio Maués-Açu, Maresia – 14:00]

- Ahh... – acorda Eddie, ao acordar sem saber que está dentro do iate que iria junto com a Shelly – mamãe...

O que Eddie não sabe (e vai saber de repente) é que ele e a Shelly estão praticamente sem roupas, apenas de sunga – no caso do Eddie – e de biquíni – no caso da Shelly, que deitada ainda dormente. Justamente logo ao acordar que ele se vê desvestido assim como observa a companheira desvestida e também nota que está no iate, além de ouvir vozes na parte externa.

- Merda, mas o que houve por aqui? – disse Shelly, finalmente acordando do efeito do tranquilizante – cadê as minhas roupas? E as suas, Eddie? – disse, espantada.

- Eu também não sei, Shelly! – responde Eddie – os filhos da puta cuspiram tranquilizante nas nossas nucas e fomos levados para cá.

De repente, é ouvido duas batidas na porta do interior do iate.

- Calem a boca, vocês dois! – disse uma voz masculina, chamando a atenção do Eddie e da Shelly.

Eddie rapidamente confere a janela circular da porta para observar o guarda e suas características: vestido de camisa vermelha, calça preta rasgada, máscara de pano, óculos escuros e com um revólver 9mm modelo Beretta. Logo após observar o guarda, Eddie retorna imediatamente a moça, porém, de voz baixa.

- Shelly, a gente vai articular uma distração para esse guarda – explica – eu vou tentar chamar a atenção do guarda para ele vir aqui dentro, porém, você fica atrás da porta junto comigo porque eu irei fechar de imediato quando ele entrar. Depois, a gente derruba-lo e eu tomo a arma que ele estará carregando.

- Você tem força para derrubá-lo?

- Você quis dizer nós – disse Eddie, no qual a Shelly observa a si mesma a sua musculatura levemente desenvolvida – a gente vai.

Em seguida, Eddie bate duas vezes a porta para chamar a atenção do guarda da porta, enquanto Shelly se esconda ao lado.

- O que foi? – grita o guarda – fiquem aí quietinhos!

Eddie bate novamente duas vezes na porta.

- Quietos aí, porra!

Mais uma vez Eddie bate duas vezes na porta.

- Chega! Agora eu já estou de saco cheio de vocês dois!

O guarda abre a porta, porém, após a sua entrada, a porta é fechada de imediato.

- Que porra que vocês...

O guarda não consegue terminar a fala quando de repente Eddie e Shelly o derrubam e o imobilizam. Mesmo de sunga e de biquíni, respectivamente, Eddie e Shelly conseguem pegar duas Berettas 9mm que estavam com o guarda imobilizado e deixam o quarto escuro de onde estavam feitos de reféns.

- E agora, Eddie? – pergunta Shelly, porém, Eddie faz "xiu" para que ela falasse baixo para não serem detectados. Porém, ao avançar lentamente, os dois ouvem vozes de cima no convés superior.

- Escuta, os dois caras estão dentro do quarto no convés principal sob a guarda de um dos nossos homens. Parece um casal, mas esse homem é o grande obstáculo para as nossas negociações. Já a outra é uma gringa vindo dos Estados Unidos que o nosso chefe já tem uma ficha sobre ela.

- De quem é esse chefe? – pergunta Shelly, sussurrando no ouvido do Eddie.

- Eu não sei, continue ouvindo – responde, enquanto os dois continuam a conversa dos dois capangas.

- Daqui a pouco, o nosso chefe virá aqui para fazer uma reunião com outras pessoas de confiança para os preparativos e expectativas das eleições neste domingo, porque ele injetou bastante recursos com os parceiros e com a prefeitura para que essa campanha seja um sucesso de votos não só daqui, mas também pelo Brasil todo.

- E a polícia federal? – pergunta o outro capanga – eles não vão conseguir estragar todo o nosso esquema?

- Aquele juiz pau-de-araque paranaense? Aquele japonês de óculos? A gente nem vai se preocupar de tudo, porque estaremos bastante fortes do que nunca. Nós temos o diabólico Eddie Peugeot, que pretendia estragar nossos planos tanto local quanto regional e nacional.

- E a imprensa?

- O nosso chefe está mantendo o contato com algumas pessoas da imprensa, da Rede Planeta, dos jornais Papel de São Paulo, Distrito de São Paulo, O Planeta, eles são nossos aliados e pretendem segurar a mente da população para votar nos nossos candidatos.

Eddie saca a arma já na escadaria para o convés superior, pois já começa a se preparar para um ataque surpresa contra os dois capangas que estão conversando. Shelly faz o mesmo, sacando o seu Beretta 9mm.

- O que iremos fazer com o Eddie Peugeot?

- Ou a gente entrega ele para a polícia e o incrimina de terrorismo contra o poder público e a democracia, ou a gente mata ele por aqui e informaria a todos que foi um suicídio.

- Eu prefiro morrer por um crime que estou cometendo para salvar a minha terra! – grita Eddie, que atira o revólver para cima e mira aos dois, enquanto os dois capangas sacam as suas armas e miram ao Eddie. Shelly aparece em seguida, mirando também o seu revólver aos dois capangas.

- Nossa, dois banhistas armados! – disse um dos capangas.

- Banhistas, armados e matadores, seus merdas – responde Shelly com ironia, que em seguida, dispara o revólver contra os capangas junto com o Eddie, matando-os.

- Três já foram, agora não sabemos que... – Eddie ouve os passos no convés principal do iate quando aparece mais dois capangas e, de imediato, atira junto com a Shelly nesses dois capangas, matando-os.

- Você é muito sangue frio, Eddie – "elogia" Shelly – sabe muito bem o tempo que precisa atirar antes deles.

- Eu sei – responde Eddie – vamos sair daqui e voltar para a residência, porque aqui era nada mais nada menos do que uma armadilha premeditada pelo Renan e pelo Partido Vermelho.

- O Renan já morreu, Eddie – lembra Shelly.

- Eu sei.

Descendo para o convés principal, os dois encontram um barco ancorado no iate, no qual encontram por lá o corpo do piloto já morto. Eddie revista o cadáver e encontra a chave de ignição da lancha, no qual liga o barco e começa a deixar o local para retornar ao banco de areia da praia.

- Finalmente em terra firme, Eddie – disse a Shelly, logo após descer do barco.

- Não temos tempo, Shelly, precisamos retornar urgentemente para a casa antes que os caras do Partido Vermelho venham pra cá para fuzilar a gente.

- Como eles conseguiram saber de que nós viemos aqui?

- Tem muitos espiões por todos os cantos da cidade, e não são poucos, Shelly. Todos estão de vigilante para tentar notar qualquer atitude suspeita, como nós, e acionam muitos capangas para tentar eliminá-lo, estilo Matrix.

- Como você sabe disso?

- Eu acabei de citar Matrix, você nunca assistiu? Não só no ambiente todo, mas no universo virtual, como as redes sociais. Todo o mundo está de vigilante, até criando bot para manipular o internauta para estas eleições em favor da situação deles.

- E...

- E você pode ser o alvo certo de chantagem, difamação, bode expiatório, laranja em troca de propina para ser o seu servente, ou seja, um militante-escravo.

Os dois sobem de volta para a orla via escadaria, porém, chegando por lá, a área de onde o carro do Eddie estava estacionado está vazia.

- Rebocaram o seu carro?

- Parece que sim... mas não acredito nesses departamentos de trânsito, porque eles não só apreendem os veículos mas sucateiam de forma involuntária.

- Você paga a multa para a liberação do carro?

- Eu pago, mas nessa época...

Eddie sente-se alguma "força estranha" quando de repente, vira para a mansão em frente da orla e atira em algo por lá.

- Que houve?

- Um espião, ele estava observando a gente de binóculo e estava comunicando para os capangas do Vermelho. Atirei na cabeça e foi-se saber se no céu tem pão.

- Porra, que rapidez.

De repente, dois capangas surgem saindo do quiosque do banheiro e sacam as submetralhadoras Mac10 ao Eddie e Shelly.

- Olha, o portuga safado! – grita um dos capangas.

- Mata! – grita outro capanga.

Imediatamente, Eddie tira o revólver das mãos da Shelly e saca duas Berettas ao virar para trás e atira novamente no rosto dos dois capangas, matando-os.

- Estraguei o velório – disse Eddie, com ironia por ter acertado no rosto de um dos capangas, fazendo uma alusão de uma cena do filme Tropa de Elite.

- Eddie, temos que sair daqui, porque mais desses merdas podem aparecer daqui a pouco!

- Precisamos de um veículo urgente, mas não estamos o encontrando.

De repente, aparece um Fiat Uno Mille Way azul com capô amarelo, muito bem familiar para o Eddie por se tratar de seu carro, quando notam a presença de uma pessoa bem familiar para o rapaz: o seu irmão Freddy.

- Mano, o que houve com vocês? Porque estão de sunga e de biquíni?

- É uma longa história, Freddy. Leve-nos urgentemente de volta para a casa! – disse, entrando no veículo junto com a Shelly. Em seguida, os três, dentro do Uno Mille, deixam o local.


[Estrada de Moraes, Santa Luzia]

- Mano, os caras do Vermelho meteram tranquilizante em vocês?

- Foi – disse Eddie – e o primeiro foi a Shelly, e eu em seguida. Depois daquilo, foi um apagão temporário e acordamos dentro do iate no meio do rio sob guarda deles.

- E como vocês conseguiram fugir diante de tanto perigo, mano?

- Cautela, Freddy – responde – depois foi só tiroteio no meio do rio e escapamos.

- Mano, tu é foda mesmo – elogia – se eu tivesse o teu cérebro, eu poderia ser o mais estrategista.

- Freddy – disse a Shelly – como você soube de que estávamos em apuros?

- Eu fui ligar para o mano, porém, dava dando muita caixa postal. Por isso que, como o carro dele foi rebocado para a casa, tive que vir justamente para aonde vocês tinham ido. Eu soube dos tiros daqui de longe e sabia que vocês estavam em apuros.

- Os filhos da puta confiscaram o meu celular, Freddy – justifica Eddie.

- Era o que eu pensei, mano. Vamos voltar para a casa antes que os lesos querem nos fechar tipo Capitão Nascimento caindo numa cilada – finaliza Freddy, que continua acelerando rumo à casa dos irmãos.


[Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia]

Finalmente os dois irmãos, mais a Shelly, retornam com segurança à casa dos irmãos Peugeot. Para o alívio do Eddie e da Shelly, pois ambos passaram um sufoco no iate quando sofreram um sequestro e conseguiram escapar das mãos dos militantes do Partido Vermelho.

Em seguida, após o Freddy estacionar o carro dentro da garagem, todos saem do veículo e caminham direto para a porta de entrada.

- Mano, o que vocês irão fazer?

- A gente não sabe, Freddy, mas a gente irá estar de plantão sobre algumas atividades e tentar monitorar os maliciosos do Partido Vermelho e de outros partidos – responde Eddie.

- Eu irei ajudá-lo nesse monitoramento, além de demarcar pontos estratégicos para a espionagem e observação.

- Ok, Shelly – concorda Freddy, que entra na residência junto com Eddie e Shelly.

Não muito longe dali...

- Eddie Peugeot e Shelley Marsh fugiram da armadilha e eles devem estarem escondidos em algum lugar deste bairro! – disse um militante do Partido Vermelho, ligando para alguém pelo celular – Como assim, deixá-los em paz, chefe? O senhor se esqueceu que eles querem descobrir os segredos das nossas campanhas? O Eddie Peugeot é o homem mais perigoso dessa cidade e está buscando vingança contra o primo dele que era sargento do exército! Tá, chefe, a gente ignora o Eddie por um tempo...

Como eles irão tramar o Eddie? Como será o próximo plano do Cartman? Como Eddie poderá articular um plano secreto de observação e espionagem nos planos do Cartman?

(CONTINUA)