Notas da Autora:

Yo, people~~
Demorou, né? Mas consegui! Espero que gostem pq nesse capítulo tem TCHAN, TCHAN, TCHA, TCHAN: Hentai! Uhul \0/~~
Começam aqui as potarias - como diz uma amiga minha - LOL
Espero que gostem e comentem, pfv^^
Beijos pq hj estou sucinta U.U


"I can forgive you, but I won't relive you.

I ain't the same scared kid I used to be."

I wanna be loved – Bon Jovi

"... Já o Byronismo, a vertente do romantismo inspirada na vida e na obra de Lord Byron, o poeta inglês, retrata o estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo, podendo estar representado no personagem ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo egocentrismo, narcisismo, pessimismo, angústia e, por vezes, pelo satanismo. Então, podemos inferir que o byronismo é a expressão artística marcada pelo grotesco..." Nunca antes a voz apática do professor de teoria literária havia soado tão distante nos ouvidos da jovem Hyuuga.

Naquela manhã, a sempre compenetrada Hinata assistia a aula apenas de corpo presente. Sua mente estava longe, tão perdida quanto seu olhar e girando tão rápido quanto a caneta com que brincava entre os dedos. A enorme sala em formato de auditório cheia de alunas ricas e refinadas da universidade feminina de elite onde estudava, parecia um universo a parte, ao qual, a morena assistia como em uma tela de cinema.

Pegou seu smartphone e, através do aplicativo de chat, mandou uma mensagem para Sakura:

"Sakura chan... Acho que fiz uma besteira." Poucos instantes depois, a resposta chegou em tom de sarcasmo:

"O que foi dessa vez? Tomou chá preto com limão no lugar de leite?" A rosada brincou com o fato de Hinata sempre ver seus pequenos erros como desastres em escala mundial. A morena pensou por um instante e resolveu escrever:

"Transei com o Sasuke kun."

Quase que imediatamente após a mensagem ter sido dada como visualizada, o telefone tocou. Hinata se apressou para sair da sala e atender Sakura que nem ao menos esperou ouvir a voz da morena para disparar uma série de perguntas desesperadas.

"Como? Quando? Onde? Foi bom?"

"Jura que você tá me perguntando isso?"

"Ah, Hinata! Começou, agora vai ter que me dizer até a cor da camisinha que vocês usaram... Isso é, espero que tenham usado, ne?! Não, mas espera... Ele não era gay e amante do Naruto? Conta essa história direito, por favor!" Hinata suspirou e puxou pela memória os fatos na noite anterior:

"Cuidado com o degrau..." Sasuke disse apoiando um dos braços da morena nos ombros enquanto ela tirava os sapatos no genkan. Após um leve tropeção, Hinata abraçou o pescoço de Sasuke e disse com um sorriso bobo:

"Arigatou, Sasuke kun! Bem que sempre me falaram que caras gays eram os melhores amigos que uma mulher poderia ter."

"Eu não sou gay, Hinata. Sou bi..." Ela riu soltando o pescoço do Uchiha e sentando-se no grande sofá da sala.

"Como é isso de gostar de homens e mulheres ao mesmo tempo?" Hinata perguntava esfregando os olhos enquanto Sasuke pegava na cozinha um copo de água e um remédio para amenizar os efeitos do álcool no dia seguinte.

"Não sei... Sempre fui assim, então não sei como é não gostar dos dois ao mesmo tempo."

"Mas deve ter algo especial em você..."

"Acho que quando olho para as pessoas, vejo o que está dentro delas e não a casca que as contém. Toma. Bebe isso." Ele disse entregando-lhe o copo nas mãos enquanto sentava-se ao seu lado.

"E quando você olha para mim. O que vê?" Ela perguntou com um sorriso desinteressado colocando o copo em cima da mesinha de centro após ingerir o remédio.

"Vejo uma mulher linda, totalmente reprimida e infeliz que ao invés de externalizar o que sente, guarda dentro de si tornando as coisas cada dia piores."

Hinata olhou Sasuke no fundo dos olhos e não encontrou nenhum indício de seu típico sarcasmo ou qualquer espécie de ironia. Ele estava sendo sincero e lhe respondendo a verdade. O sorriso dos lábios da morena logo se desfez e seus olhos perolados se encheram de lágrimas que rolaram em silêncio. Não havia o que dizer, pois aquela era a verdade. Hinata sabia muito bem de sua condição, mas pela primeira vez alguém, além dela mesma, conseguiu enxergar isso. Abaixou o rosto e chorou em silêncio. Aliás, uma de suas especialidades. Sempre lhe diziam que não ficava bem para uma dama demonstrar suas emoções em público. Hinata aprendera a chorar sozinha e em silêncio e logo após, sorrir como se nada tivesse acontecido.

Sasuke afastou uma mecha de cabelo que caía sobre seu rosto e secou uma das lágrimas que corriam com o polegar. Era a segunda vez que ele a consolava e a segunda vez que ela chorava à sua frente pelo mesmo motivo: queria ser amada. Sua busca desenfreada por amor estava tornando-a uma pessoa patética. Uma garota fraca e boba desesperada por achar alguém que a quisesse. Hinata ergueu o rosto e olhou firmemente nos olhos negros do Uchiha.

"Sasuke kun... Você é feliz do jeito que vive?"

"Nunca me julguei alguém infeliz." Respondeu após pensar por poucos instantes.

Então, Hinata aproximou-se e o beijou. Um beijo diferente daquele da noite na sacada. Não havia sentimentos a serem compartilhados, apenas a determinação de experimentar o novo.

"Hinata, essa não é uma boa ideia. Você não está sóbria..." Sasuke disse afastando a Hyuuga de si.

"Você também não..." A morena disse antes de beijar seu pescoço, próximo da orelha, e arrancar um arrepio do Uchiha que precisou respirar fundo antes de pará-la novamente.

"Mas eu ainda tenho controle das minhas ações."

"E quem disse que eu não?" Hinata afastou-se e abriu os botões tirando a blusa de mangas compridas bege que vestia revelando a lingerie de renda preta e a pele clara do busto farto. Com o olhar firme nos olhos negros do moreno, Hinata disse enquanto sentava-se em seu colo, frente a frente com o Uchiha:

"Eu não sou criança, Sasuke kun. Não confunda a minha inocência com ingenuidade. Eu sei muito bem o que o que estou fazendo..."

Essas palavras, unidas aos beijos que a garota distribuía entre o queixo e o pescoço do Uchiha, atearam fogo nas veias do moreno. Era exatamente isso o que ele queria! Há semanas, volta e meia pegava-se pensando em Hinata. Em todas as formas que gostaria de possuí-la, em cada expressão que ela faria ao senti-lo dentro de si. Mas isso estaria certo? Ambos ainda estavam sobre os efeitos do álcool, então, qualquer ação impulsiva poderia ter consequências, no mínimo, constrangedoras na manhã seguinte. Reunindo o pouco de razão que ainda lhe restava, segurou as mãos da Hyuuga e as afastou abruptamente de si prendendo-as ao lado de seu corpo.

"Se você quer mesmo isso, Hinata, preciso te avisar que eu não sou gentil e nem estou procurando por romance..." Disse olhando-a firmemente nos olhos.

"Muito menos eu..." A morena respondeu com um sorriso enigmático antes de lamber levemente seu queixo e mordiscar o lábio inferior do Uchiha.

Em um beijo faminto, Sasuke tomou os lábios de Hinata e suas mãos rapidamente correram pelas costas da jovem abrindo seu sutiã e o lançando longe. A garota gemeu prazerosamente quando teve seus mamilos abocanhados e sugados com anseio pelo moreno que aproveitava cada pedaço da pele alva da Hyuuga. Havia sonhado por noites consigo mesmo acariciando aqueles seios fartos, bem definidos e descobrindo qual seu sabor. Cobrindo as mãos do Uchiha com as suas, Hinata conduziu seus dedos aos pequenos bicos rosados que se enrijeciam devido ao prazer. A Hyuuga pressionava sensualmente os quadris contra a virilha do Uchiha. Sua pélvis friccionava a ereção contida do moreno indicando quais eram as verdadeiras intenções da garota para aquela noite.

Levando uma das mãos até o volume formado entre as pernas de Sasuke, Hinata passou a pressionar o membro o Uchiha que gemia ao sentir o estímulo da jovem. Com um leve sorriso satisfeito ao ver a reação do rapaz, abriu o zíper e puxou a calça a roupa íntima que, com a ajuda com moreno, foram parar em algum lugar desconhecido. Descendo lentamente, porém sem perde o contato visual, a garota, que vestia apenas a saia de cintura alta azul-marinho, posicionou-se entre as pernas do moreno e começou a masturbá-lo lentamente. Com movimentos na vertical, as mãos de Hinata massageavam o membro rígido do Uchiha que gemia de prazer. Sasuke jogou a cabeça para trás e fechou os olhos de prazer ao sentir o toque úmido da boca da garota que sugava, lambia e o estimulava mais e mais intensamente. Levando as mãos ao rosto da Hyuuga, tirou as mechas de cabelo que caíam cobrindo-lhe o rosto. Queria ver aquela face sempre tão angelical em seu estado puramente carnal.

Hinata sorriu diante do olhar do moreno e, levantando-se, abriu o zíper despindo a saia que logo caiu no chão e revelou o quadril bem desenhado da garota. Sasuke aproximou-se sentando na ponta do sofá, e, após acariciar sua cintura e ventre, lentamente despiu a calcinha de renda preta, deixando seu belo corpo totalmente a mostra. O Uchiha depositou um beijo delicado no baixo ventre de Hinata e foi caminhando com os lábios em direção aos seus seios, pescoço até alcançar os lábios da garota e tomá-los em mais um beijo sôfrego. Sem afastar-se do rapaz, Hinata tirou a última barreira entre seus corpos: a camisa preta que Sasuke ainda estava vestindo.

Mordiscou o lábio inferior do moreno e gemeu ao sentir seus dedos encaixando-se entre suas pernas, massageando seu clitóris, penetrando em seu corpo e fazendo seu corpo ficar cada vez mais úmido. Sasuke deliciava-se com os gemidos e suspiros que escapavam por entre os lábios da morena. Adorava saber que ele a fazia ficar daquele jeito. Adorava a sensação de controle que tinha sobre o desejo dela... Interrompendo o beijo, Hinata segurou a mão do Uchiha fazendo-o para com os estímulos. O olhar confuso de Sasuke ficou ainda mais surpreso no momento em que a morena o empurrou de volta para o sofá, fazendo-o sentar-se, e, com um olhar provocante, subiu em seu colo. Ambos gemeram em voz alta no momento em que a garota, segurando a ereção do Uchiha, a fez deslizar para dentro de seu corpo sentando-se completamente de frente-a-frente com ele.

Hinata movimentou o quadril para frente e para cima, deslizando sobre o membro do Uchiha que apertava suas nádegas trazendo-a para mais perto de seu corpo. Em poucos instantes toda a sala estava tomada pelos gemidos de ambos que não se importavam em conter-se, ou mesmo, serem discretos. Os seios fartos da Hyuuga acompanhavam os movimentos rápidos e curtos de ambos e davam ao Uchiha uma visão extremamente erótica. Tomando seus mamilos em mãos, passou a estimulá-los até ver Hinata gemer mais alto ao sentir o primeiro orgasmo lhe possuir.

"Fique de joelhos." Sasuke sussurrou autoritário no ouvido de Hyuuga que apenas obedeceu.

Com os joelhos no assento do sofá e as mãos em seu encosto, Hinata sentiu a pele arrepiar-se quando o Uchiha beijou suas costas e segurou seu quadril com ambas as mãos. Mordeu os próprios lábios ao senti-lo invadir-lhe lenta e profundamente. Sasuke parecia querer aproveitar cada centímetro de seu corpo úmido e estreito.

"Mais rápido, Sasuke kun..." A Hyuuga pediu com uma voz que era na realidade um misto de gemido e sussurro.

Um sorriso malicioso riscou no rosto do Uchiha que começou a estocar-lhe em movimentos rápidos e curtos fazendo-a gemer alto e despudoradamente. Era óbvio que Hinata não era uma virgem inocente como aparentava, porém pode concluir que não haviam sido muitas as vezes em que ela havia feito sexo com alguém. Seu corpo ainda era extremamente estreito, o que pressionava ainda mais o pênis de Sasuke aumentando o prazer do movimento. Puxou a garota para perto de si e a beijou poucos instantes antes de ouvi-la gemer mais alto e sentir as paredes de sua cavidade úmida contraindo-se indicando seu segundo orgasmo naquela noite. Sasuke sentiu que seu ápice também havia chegado e saiu de dentro da Hyuuga, derramando todo o líquido de seu gozo fora do corpo da jovem.

Caíram deitados no sofá com suas respirações ofegantes e batimentos cardíacos acelerados. Trocaram alguns beijos cálidos enquanto esperavam seus corpos se acalmarem e voltarem ao normal, porém acabaram adormecendo um nos braços do outro.

"Uau... E eu me controlando para não dar em cima dele achando que a gente jogava no mesmo time..."

"Enfim... O problema é que hoje de manhã eu acordei com ele sem roupa do meu lado e simplesmente entrei em pânico. Saí o mais rápido o possível de casa. E, ainda por cima, estou com uma mega dor na consciência por causa do Sai kun."

"Fala sério, Hinata! Jura que você está achando que traiu o Sai sendo que ele mesmo disse que não se importaria se você tivesse um caso?"

"O que ele diz e a realidade são coisas diferentes, Sakura chan. Que espécie de esposa eu vou ser se sair por aí traindo meu marido com outro?"

"Ok, ok, eu entendi seu ponto. Apesar de eu achar que você fez muito bem feito! Aquele cretino merece que você lhe meta tanto chifre na testa a ponto de ele ficar com a cabeça pesada e não conseguir levantar a cara para dar aquele sorrisinho sínico para ninguém. Mas, tenho que concordar que isso não seria nada bonito mesmo."

"Obrigada... eu acho."

"Bom, se fosse eu, não pensaria duas vezes antes de partir com tudo para a diversão com o Sasuke kun e mandava aquele cret... sujeito se catar, mas acho que nós duas sabemos o quanto somos diferentes. Essa situação é algo que só você pode decidir Hinata. Só você pode saber o que é melhor si mesma."

~x*X* *X*x~

"Ai, Sasuke kun! Eu sabia que as coisas iriam acabar assim! Você é um irresponsável! Não tem um pingo de juízo nessa cabeça"

Na academia da faculdade, Ino reclamava indignada após Sasuke ter lhe contado o que havia acontecido na noite passada.

"Ino, será que você pode falar mais alto? Acho que o pessoal do outro lado do prédio ainda não conseguiu ouvir direito." O moreno retrucava com cinismo enquanto continuava sua caminhada na esteira em frente ao janelão que dava para um belo jardim.

"Não banque o passivo-agressivo comigo, Uchiha Sasuke. Você sabe que está errado nessa história!" Com os braços cruzados, Ino estava parada em frente a Sasuke enquanto ambos eram alvo dos olhares dos outros estudantes que, apesar de não entenderem o que estava acontecendo, sabiam pela expressão da loira que não era uma conversa sobre o último capítulo da novela.

"Não consigo enxergar esse erro tão absurdo." O moreno respondeu sem tirar os olhos do jardim a sua frente. O dia estava um pouco nublado e fazia um pouco de frio, mas nada que um pouco de exercícios não fosse o suficiente para aquecer.

"Ok. Então está tudo certo em embebedar uma garota, encher a cabeça dela de minhocas e levá-la para cama, ne?" Ino revidou no mesmo tom sarcástico do Uchiha.

"Você fala como se eu tivesse feito de propósito. Já disse que acabou acontecendo e que ela estava bem consciente do que estava fazendo." Como sabia que não adiantaria argumentar com a loira, Sasuke apenas repetia monotonicamente a mesma coisa que já havia dito anteriormente sobre como ele e Hinata chegaram àquela situação.

"O que ela te disse hoje de manhã?" Ino perguntou inexpressiva.

"Nada. Quando acordei, ela já havia saído de casa." Sasuke respondeu antes de beber alguns goles da água de uma garrafa pet.

"Está vendo?! Tenho certeza que está morta de arrependimento por ter traído o noivo. Você vai assumir a responsabilidade se ela terminar com ele?"

"Isso é algo impossível de acontecer. O casamento deles é arranjado, desde o começo ela não gosta dele, mas também não pretende se separar." O Uchiha respondeu como se estivesse dando a resposta mais óbvia do universo para uma pergunta boba. Ino suspirou pesadamente diante da despreocupação do amigo e disse:

"Sasuke kun, por favor, você vai acabar arranjando um problema ainda maior. O que você vai fazer se ela se apaixonar por você?" O Uchiha aumentou a velocidade da esteira e respondeu tranquilamente:

"Acho muito difícil. Ela sabe bem no que está se metendo. Deixei tudo claro como cristal para ela." A loira Yamanaka soltou um pequeno riso contido e retrucou:

"Do mesmo jeito que deixou para o Naruto, ne? Ok, então o que vai fazer se você acabar se apaixonando por ela?" Ao ouvir essa pergunta, Sasuke fez uma expressão surpresa antes de disparar em uma risada que o fez parar a esteira para poder respirar direito.

"Ai, ai, Ino, você é hilária às vezes." Sasuke tomava ar antes de voltar a sua caminhada.

"Pode rir! Mas já pensou no que vai dizer para o Naruto? E o que vai fazer se o noivo dela descobrir e resolver tirar satisfações?" Diante do interrogatório da amiga, o Uchiha perdeu a paciência e desistiu da esteira, desligando o aparelho e pegando a toalha de rosto enquanto dizia contrariado:

"Ôh, caramba! Não estou entendendo porque você está me enchendo tanto o saco com essa história! Já fiquei com tantas outras pessoas e você nunca me pentelhou desse jeito!" A loira suspirou e disse com uma voz preocupada e um olhar pesaroso:

"É porque todas as vezes que eu penso em vocês dois, tenho um mau pressentimento. Sinto que um relacionamento com essa garota vai te fazer sofrer muito... Pare enquanto as coisas ainda estão sob controle."

~x*X* *X*x~

"Ah! Konichiwa." Sai acenou ao ver Hinata chegando ao estacionamento.

O rapaz estava esperando ao lado do Porsche 911 branco que Hinata usava desde o acidente. O terno formal deixava claro que ele havia acabado de sair do trabalho e ido direto para lá.

"Sai kun, o que está fazendo aqui?" Hinata perguntou sem entender. Sai nunca havia ido à sua faculdade e muito menos esperado suas aulas acabarem para vê-la.

"Acho que nós temos um assunto pendente a ser resolvido, não?" O Shimura respondeu com seu típico sorriso falsamente gentil no rosto.

Era fim de tarde e as aulas finalmente haviam acabado. Havia sido um dia realmente exaustivo para a jovem. Milhares de pensamentos contraditórios surgiam em sua cabeça a todos os momentos. Tudo o que Hinata queria naquele momento era voltar para casa e descansar, mas a presença de seu noivo ali indicava que as coisas não seriam tão fáceis quanto desejava.

"Se for possível gostaria de não tocar mais nesse assunto. E também, agora estou um pouco cansada, preciso voltar para casa e..." A Hyuuga dizia caminhando para o carro quando viu a silhueta de Sai se colocando a sua frente, impedindo-se de abrir a porta do veículo.

"Mas que fria você! Me abraça daquele jeito e agora não quer nem olhar para mim?" Ele disse olhando-a nos olhos antes de completar: "Me dê uma hora do seu dia e eu prometo que, se o que vou te dizer não tiver valor, vou aceitar qualquer decisão que você queira tomar." Ignorando a própria mágoa, Hinata aceitou ouvir o que Sai queria lhe contar, afinal, não queria se intolerante a ponto de não permitir que ele explicasse seus motivos.

Após alguns minutos, Hinata percebeu para onde Sai a estava levando. Para o mesmo parque onde dias antes ela havia tentado uni-los como um casal de verdade. O que o Shimura estaria planejando? Hinata nunca conseguia entendê-lo, e, na verdade, nem sabia se ainda queria tentar entender.

Chegando ao parque, Sai conduziu Hinata a uma área mais afastada onde havia um pequeno lago que era usado como ringe de patinação após congelar no inverno. Obviamente, como estavam no começo da primavera, o lago já estava líquido novamente, porém ainda era um lugar extremamente agradável.

"Chegamos!" Sai disse ao avistar um pequeno coreto no meio das árvores.

O telhado e os pilares brancos estavam decorados com inúmeras luzes de natal amareladas e flores brancas. No seu centro havia uma pequena mesa branca em estilo vitoriano com lugar para duas pessoas e, sobre a mesma, um belo conjunto de chá com bolos e várias outras guloseimas. Sai puxou a cadeira para que Hinata se sentasse.

"Obviamente não foi eu quem preparou tudo isso, foi a Tenten, mas espero que isso não tire a beleza do momento." Hinata olhou desconfiada para o rapaz que completou.

"Ela me disse que eu deveria ser sincero com você, então resolvi contar esse detalhe também... Exagerei?" Com um pequeno sorriso no rosto, Hinata aceitou a gentileza do noivo e sentou-se vendo, logo após, ele sentar-se a sua frente.

"Pedi para que ela preparasse o chá inglês que você gosta. Para acompanhar tem creme ou limão, se preferir. Têm também sanduíches, bolo scone, torta de morango e vários salgadinhos também. Para as torradas tem manteiga, creme coalhado, geleia e..." o Shimura estava obviamente forçando uma atmosfera natural, porém, estava, na verdade, criando o efeito contrário.

"Sai kun..." Hinata interrompeu e o moreno suspirou derrotado.

"Ok, me perdoe. Acho melhor ir direto ao ponto, não?" Disse com um de seus típicos sorrisos antes de servir-se do chá preto e colocar um pouco do mesmo na xícara de Hinata. Serviu-se também da torta de morangos e, após colocar alguns sanduíches em um prato pequeno, os entregou a Hinata. Fez tudo em silêncio, como se usasse esse tempo para organizar os próprios pensamentos.

"A fortuna da minha família começou quando meu bisavô decidiu sair da vida de funcionário do governo e investir em uma pequena loja de jóias. Danzou ojii sama era adolescente naquela época, mas logo aprendeu os segredos do negócio e, quando chegou sua vez de controlar a empresa, transformou-a em uma grande rede. Meu pai também foi ensinado desde cedo a ser um grande empreendedor e foi enquanto estava na presidência das empresas, que nossa rede de joalherias virou o império que é hoje. Otou san se casou ainda jovem com uma das modelos mais famosas da época. Minha mãe era muito linda, daquele tipo nunca passava despercebida em um lugar. Eram tidos como um dos casais mais bem sucedidos da alta sociedade. Sabe, creio que esse sucesso não era apenas faixada. Apesar de não me recordar bem deles, sempre que suas imagens vêm a minha mente, ambos estão sorrindo e felizes..." Sai bebericou alguns goles de seu chá e logo voltou sua atenção para o bolo que havia servido a si mesmo e prosseguiu sem olhar Hinata nos olhos:

"Tiveram dois filhos: Meu irmão mais velho Shin e, quatro anos mais tarde, eu. Apesar de todo o amor e cumplicidade que havia na casa, meu pai era um homem ocupado e, conseqüentemente, ausente. Viajava muito e várias vezes precisava se afastar da família. Certa vez, ele teve uma reunião de negócios em Dubai na mesma semana em que comemoraria nove anos de casamento. Para que não perdessem a data, meu pai levou minha mãe consigo. O plano era resolver os negócios e depois passarem o fim de semana juntos em Bora-bora. Infelizmente, o jato que os levava nunca chegou ao arquipélago. Sofreu um acidente no meio do caminho e caiu no mar. Naquela época eu tinha apenas quatro anos e meu irmão mais velho, Shin, oito. As coisas mudaram drasticamente... Digamos que a vida ao lado do meu avô era bem menos cheia de afeto do que com meus pais. Especialmente para crianças tão pequenas." Sai partiu com o garfo um pedaço da torta de morango e logo em seguida o comeu fazendo uma expressão satisfeita com o sabor. Hinata apenas o observava. Apesar de estarem juntos há um tempo considerável, Sai nunca havia lhe contado isso. Sabia que ele havia sido criado pelo seu avô, Shimura Danzou, mas nunca havia perguntado o motivo. Também não sabia que ele tinha um irmão mais velho... Bebeu um gole do chá que o rapaz havia lhe servido momentos antes, como se dessa forma pudesse absorver também as palavras do Shimura.

"Dez anos atrás, eu estava entrando no ensino médio. Tudo me parecia extremamente cansativo, falso e tedioso. Meu irmão havia se formado no ano anterior e, por ter sido um aluno brilhante, eu sentia a pressão de todos para ser como ele. Mas, Shin era especial... Era o herdeiro perfeito: inteligente, dedicado, interessado. Eu sempre o admirei, mas queria apenas seguir vivendo minha vida tranquilamente. Apenas querendo terminar tudo o mais rápido o possível para finalmente me dedicar à minha paixão: a arte. Passei pelo primeiro ano como um fantasma. Ninguém notava a minha presença a não ser alguns poucos professores que ainda me relacionavam a Shin. Mas foi pouco tempo depois do início do segundo ano que tudo mudou. Eu a vi... A pessoa que roubou o lugar da arte no meu coração. Aquilo que os artistas chamam de musa; A garota que você viu nos meus quadros. Uma das calouras do primeiro ano que havia entrado como aluna especial, ou seja, uma bolsista. Uma garota de classe média que não tinha dinheiro sequer para pagar a fortuna que era o uniforme daquele lugar. Ela havia subido ao palco durante a cerimônia de boas vindas aos calouros para um discurso de agradecimento. Eu nunca vou esquecer a sensação que eu tive enquanto a olhava: Era como se todos na platéia houvessem desaparecido e só restado nós dois... Algumas semanas depois eu a conheci pessoalmente e, tempos depois, começamos a namorar. Ela era linda, com uma personalidade forte e uma sensibilidade única. Queria ser atriz. Éramos perfeitos um para o outro: A atriz e o pintor. Sempre que falávamos sobre isso ríamos da sensação de casal com problemas financeiros que essa definição trazia. Porém, isso nunca me assustou de verdade. Apenas pensar em passar o resto da vida com ela era o suficiente para me fazer querer tentar." Apesar da expressão do rapaz não se alterar, Hinata pode perceber que, enquanto ele falava de seu antigo amor, seus olhos brilhavam e seu rosto se iluminava. Definitivamente era um Sai que a Hyuuga não conhecia. Um olhar que nunca antes havia visto no rosto do rapaz.

"Até que um dia durante as férias, pouco tempo após a minha formatura, nós estávamos em um café quando eu recebi uma ligação: Shin havia sofrido um acidente de carro e falecido no local. Eu não me recordo muito bem dos dias que se seguiram depois disso. Lembro apenas de flashes. O meu desespero, o velório, o enterro... Em todas as cenas desse filme de terror, ela estava ao meu lado. Segurando a minha mão e sendo a minha estrutura. Porém, manhã do dia seguinte ao enterro, meu avô jogou nova realidade na minha frente e me obrigou a aceitá-la. Afinal, eu era o novo herdeiro daquela casa. Deveria assumir a responsabilidade dali em diante e parar com as brincadeiras. Naquela semana eu troquei minhas aulas de pintura por aulas de administração e negócios, fechei o meu atelier e, poucos dias depois, terminei com aquela moça." Hinata ouvia tudo sem dizer uma palavra. O rosto de Sai havia voltado a ser o mesmo rosto inexpressivo de todos os dias.

Deveria sentir raiva, ou mesmo ciúmes, afinal, ele estava, literalmente, declarando seu amor por outra mulher naquele momento, mas a Hyuuga teve um sentimento diferente: Pena. Sentiu seu coração pesar ao ver alguém tão jovem e tão solitário. Sai era rico, bonito, inteligente, tinha uma noiva, um avô e milhares de empregados que o cercavam, mas parecia sempre estar incrivelmente sozinho.

"Todas as pessoas que eu amo desaparecem do meu redor com muita rapidez, Hinata san. Quando você me disse que havia sofrido um acidente, eu fiquei desesperado. Lembrei dos meus pais, meu irmão e, obviamente, não queria que acontecesse o mesmo com você. Acho que minha preocupação excessiva fez com que você se confundisse a nosso respeito, me perdoe. Mas quando disse que não pretendia me apaixonar por você, eu não quis dizer que não o faria porque te desprezo. Pelo contrário! Posso não te amar como homem, mas você é alguém muito especial para mim. Porém, eu já dei meu coração para outra pessoa e ela não me devolveu... Não posso te amar se já amo outro alguém"

~x*X* *X*x~

"O número discado encontra-se indisponível ou fora da área de cobertura..."

Essa era, sem duvida, a frase que Naruto mais ouvia nos últimos dias e mais odiava na vida. Por que, diabos, Sasuke não atendia ou sequer retornava suas ligações? Parecia estar fazendo de propósito para provocá-lo ou mesmo castigá-lo por algo que tinha feito ainda não sabia o que era. Deu um suspiro cansado e jogou o celular de lado. Sentia-se tão ridículo quanto uma garotinha virgem esperando o telefonema do primeiro namoradinho mais velho e malandro que sabia muito bem como manipulá-la e deixá-la ainda mais apaixonada e comendo em suas mãos. Ridículo...

Porém, no instante em que ouviu o aparelho começar a vibrar, indicando uma nova ligação, um frio percorreu a espinha de Naruto. Será que é ele? Procurou o objeto rapidamente, mas suas expectativas foram destruídas no momento em que não reconheceu o número que aparecia no visor. Atendeu mesmo assim.

"Moshi moshi, Naruto?" Disse uma voz familiar. O loiro tentou buscar em sua mente de onde conhecia aquele timbre, que conseguia ser suave e grave ao mesmo tempo...

"Gaara! Como conseguiu o meu numero?" Perguntou surpreso e ouviu em seguida algo que reconheceu como um riso do outro lado da linha.

"Como mais eu conseguiria? Foi você que me deu, não lembra? Tsc! Deixe pra lá." Apesar de não lembrar-se desse fato, Naruto sabia que poderia ser verdade. Ele e Gaara sempre trabalhavam em equipe nos trabalhos da faculdade, então, provavelmente, durante um desses tais, passou seu número para o ruivo.

"Você faltou as duas ultimas aulas e o professor passou um trabalho. Como você ficaria sem uma dupla, disse que faríamos juntos. Algum problema?"

"Ah, nenhum! Aliás, valeu. Não ando me sentindo muito bem ultimamente." Naruto arrumou uma desculpa qualquer para sua falta de animo e consequente falta às aulas da faculdade.

"Eu queria te encontrar para entregar o conteúdo..." Gaara disse esperando que o loiro entendesse que precisava dizer-lhe quando seria possível encontrarem-se. Porém, Naruto respondeu apenas um vago e distraído:

"Ahn… Certo…"

O assunto morreu durante os instantes em que Gaara esperou, em vão, por uma resposta mais objetiva do Uzumaki.

"Sabe, você tem que me dizer quando pode me encontrar..."

"Ah, foi mal! Se você estiver livre, pode ser hoje mesmo. Vou te passar o meu endereço..."

Combinaram que Gaara iria ao apartamento de Naruto naquele mesmo dia para discutirem sobre o tal trabalho que o professor havia passado e para o Uzumaki copiar os conteúdos que havia perdido nos dias em que matara aula.

Essas faltas tinham um único motivo que atendia pelo nome de Uchiha Sasuke. Sem perceber, seu relacionamento com o moreno estava tomando conta de sua vida de uma forma nem um pouco positiva. Sasuke lhe trazia preocupações, sentimentos de inferioridade e atrapalhava seu rendimento nas outras áreas de sua vida... Espantou esses pensamentos para longe. Tinha certeza de que se procurasse também encontraria pontos positivos. Só não estava com tempo para isso! Já eram cinco da tarde e Gaara havia dito que chegaria as sete. Precisava dar uma limpada no apartamento. Havia potes de macarrão instantâneo e embalagens velhas de comida para todos os lados.

Naruto morava em um prédio onde só havia estudantes não muito longe da universidade. O Apartamento do Uzumaki era o típico apartamento de um solteiro japonês: Genkan, sala próxima à cozinha, quarto, banheiro e uma sacadinha. Mesmo sendo pequeno, como não fazia faxina há mais de duas semanas, sabia que teria bastante trabalho. Começou jogando as embalagens de plástico em um grande saco de lixo preto. Passou o aspirador de pó no chão, tirou a poeira da mesinha de centro da sala e, quando estava arrumando as almofadas do sofá, encontrou uma camisa pertencente a Sasuke. Estava amassada e enfiada no cantinho do móvel...

Naruto sentou-se no sofá. Mas que droga! Porque ele tinha que dificultar tanto as coisas? A camisa ainda nas mãos, o cheiro do Uchiha invadindo suas narinas e fazendo-o lembrar dos momentos em que esteve com ele. A garganta apertou e seu peito doeu de saudade.

Fora interrompido de seus pensamentos quando ouviu a campainha tocar. Gaara havia chegado, e Naruto ainda estava com a camisa do Uchiha nas mãos; escondeu-a debaixo de uma das almofadas do sofá e seguiu até a porta. Assim que abriu, seus olhos se encontraram de uma forma natural, porém, reparou pela primeira vez em como os olhos do Sabakuno eram bonitos, de um verde azulado bem claro, que de certa forma transmitia tranquilidade.

"Estava chorando?" Foi a primeira coisa que Gaara disse, e Naruto percebeu que seus olhos estavam molhados. Tratou de secar as lágrimas rapidamente.

"Eu tava cortando cebola."

Gaara deu uma risadinha e entrou no apartamento, tirando antes os sapatos no genkan.

"Não parece que estava cozinhando…" O ruivo disse, pousando a mochila no sofá, e dando uma boa olhada no saco preto com diversas embalagens de ramen que caíam, espalhando-se num canto.

"Eu ia limpar isso aí, mas você chegou…" Naruto justificou, cruzando os braços e sentando-se no sofá.

"Essas comidas enlatadas tem muito condimento. Não é bom pra saúde…"

"Quê…? Do quê você tá falando?" Gaara sorriu contidamente e tirou alguns cadernos de dentro da mochila, e entregou-os para o loiro.

"Eu ainda não jantei e você?" Naruto não disse nada, apenas sinalizou que não com a cabeça.

"Faz o seguinte: enquanto você copia as matérias que perdeu, eu arrumo alguma coisa pra a gente comer."

Naruto fez uma careta, mas acabou concordando, e após alguns minutos copiando todo o conteúdo que havia perdido, o cheiro de comida fresca invadiu o ar. Ele fechou os cadernos e caminhou até o balcão da cozinha.

"Cara, que cheiro bom! Não sabia que você cozinhava." Gaara sorriu pacificamente.

"Eu não sou nenhum mestre da culinária."

Naruto se aproximou de uma das panelas e constatou: kare raisu, arroz com curry, uma das suas comidas favoritas. Sorriu abertamente.

"Como você adivinhou? Andou me espionando?!" disse em tom de brincadeira, esquecendo-se de todas as preocupações e, até mesmo, de Sasuke.

"Bom, você fala 24 horas por dia sobre comida…e fácil entender seus gostos." O ruivo deu uma risadinha.

Eles se sentaram à mesa e Gaara observou enquanto Naruto devorava várias tigelas de kare. Há quanto tempo não comia comida caseira?

Enquanto observava o colega comer, o Sabakuno lembrou-se da conversa que haviam tido dias antes e se perguntou como andava a sua vida amorosa. Estava tão ruim a ponto de fazer com que ele faltasse às aulas? Não conhecia Naruto há tempo suficiente para saber tudo sobre sua vida e nem eram amigos tão íntimos a ponto de partilharem segredos, mas sabia que não era qualquer coisa que tinha a capacidade de apagar o brilho do sempre sorridente Uzumaki Naruto e fazê-lo perder sua vitalidade a ponto de ficar à beira de uma depressão. O loiro precisava de ajuda, ou de alguém que lhe dissesse que o amor deve nos faz bem, e não o contrário.

"Naruto…" Começou, sentindo-se nervoso com o rumo que aquela conversa iria tomar. "Você me falou sobre aquela garota que não te dava a mínima uma vez…" Ao ouvir as palavras do amigo, a expressão no rosto de Naruto mudou. De alegre e descontraída para desanimada e dolorida.

"Não é uma garota... é uma pessoa..." Naruto interrompeu na esperança de que Gaara entendesse o que ele queria dizer.

"Ah! Sim..." O ruivo disse confirmando as expectativas do Uzumaki.

Naruto não percebeu o leve sorriso que nasceu e, milésimos de segundos depois morreu nos lábios de Gaara antes do ruivo continuar:

"Enfim, sobre isso… Você tem que parar de correr atrás dessa pessoa." Naruto apertou a colher e fitou um ponto vazio na mesa. Parecia tentar processar a ideia.

"Desistir?" O Uzumaki perguntou debilmente em um tom fraco, quase como se, somente o som dessa palavra, lhe causasse pavor.

"Nesse caso não é desistir, porque você já tentou. Você mesmo me falou isso. Nesse caso é seguir em frente." Gaara comentou, olhando-o nos olhos com firmeza.

"Mas, eu o amo e…" Quando se deu conta do que tinha dito, Naruto sentiu as suas orelhas ficaram vermelhas e queimarem. Nunca havia dito para outra pessoa de seu amor pelo Uchiha. Apesar de demonstrar claramente, nunca disse com todas as letras que o amava.

"Não importa quem seja Naruto. Já ouviu falar que nós aceitamos o amor que achamos merecer?" O Sabakuno disse, inclinando-se mais para frente a fim de encobrir a mão de Naruto com a sua, porém o loiro retirou-a de cima da mesa. Os olhos arregalados e baixos reluziam em lágrimas que rolavam silenciosamente nas bochechas levemente bronzeadas. Gaara levantou-se, pegou as suas coisas e seguiu em direção à porta, porém, antes de sair, virou-se e disse com o máximo de sua sinceridade:

"Você merece mais do que isso."

~x*X* *X*x~

"Tadaima" Hinata disse enquanto tirava os sapatos antes de entrar em casa.

Estava cansada. Sua cabeça estava pesada e dando voltas. Não conseguia definir bem o que sentia em relação a Sai naquele momento. Ele havia sido inacreditavelmente honesto com ela, e isso a fazia se sentir grata por sua consideração em tentar consertar as coisas. Mas as palavras que ouviu apenas a faziam ter certeza de que seu casamento seria apenas uma farsa e detestava ver que não havia escape para isto... Perdida em seus pensamentos, não reparou que a casa estava escura e silenciosa. Acendeu o interruptor e procurou ao seu redor: nenhum sinal de Sasuke. Tirou o casaco, lavou as mãos e pegou um copo de água. Talvez ver alguma besteira na televisão lhe ajudasse a pensar em outra coisa. Foi quando caminhava em direção à sala que encontrou o Uchiha deitado no tapete com metade do corpo coberto pelo kotatsu que estava no meio da sala. Ao lado do Uchiha, havia várias folhas grampeadas e marcadas com destaca-texto. Provavelmente, algum roteiro que ele estava lendo antes de adormecer. Hinata sorriu e se abaixou para ficar próxima ao moreno. Acenou em frente ao rosto do rapaz para ter certeza de que ele estava dormindo: nenhuma reação.

Se pudesse definir Sasuke usando um animal, Hinata o compararia a um tigre ou qualquer felino grande e perigoso. Ele era lindo, mas era sempre de bom grado manter uma distancia segura, afinal, se ele resolvesse caçar, dificilmente a presa escaparia. Porém, naquele momento, dormindo indefeso no meio da sala, parecia muito mais um gatinho com frio se escondendo perto do aquecedor. Acenou novamente, no entanto, desta vez, teve sua mão agarrada e o corpo gentilmente puxado até deitar-se ao lado do Uchiha, que a abraçou e disse sem abrir os olhos:

"Você demorou hoje."

"Sai kun queria falar comigo..."

"E o que ele disse?"

"Apenas desculpas para o que me disse naquela noite."

"Ainda está magoada com ele?"

"Não... De alguma forma eu já o tinha perdoado."

Ficaram desta forma sem dizer nada durante alguns minutos. O rosto de Hinata contra o dorso firme do Uchiha que a abraçava até que resolveu quebrar o silêncio perguntando:

"Se arrependeu do que fizemos ontem à noite?"

Hinata ficou em silêncio por um breve instante até que, retribuindo o abraço do Uchiha disse:

"Com toda a certeza, não."


Vocabulário:
"Eu posso te perdoar, mas não vou aliviar para você.
Eu não sou mais a mesma criança assustada que costumava ser."
I wanna be loved – Bon Jovi

Genkan - entrada das casas japonesas

Ojii sama - Avô (honorificado)

Moshi moshi - alô

Kotatsu - Uma espécie de aquecedor. É basicamente uma mesinha de centro com um cobertor e um aquecedor embutido na parte de baixo.