Notas da Autora:
Yo, people!

Que avalanche de merdx que esses 3 se meteram, hein? Então acho que é um bom momento para falar um pouco sobre as relações tóxicas apresentadas nessa história. Nenhum deles age intencionalmente, mas acaba machucando alguém por não conseguir enxergar a própria situação e insistir em seus erros. Como as pessoas na vida real. Naruto está tão apegado ao seu sentimento por alguém que não percebe que essa pessoa, intencionalmente ou não, está fazendo mais mal do que bem a ele. Sasuke está tão cego por seu egoísmo e por sua busca por autoafirmação que não percebe que as suas atitudes são a fonte da infelicidade de várias pessoas. Hinata está tão perdida em seu propósito na vida que acaba por se deixar levar por alguém (tão perdido quanto ela) e perde o controle da sua vida

Aí, vocês me perguntam:

"Mas, tia Aoi, eles algum dia vão entender tudo isso e melhorar?"

E eu respondo:

Não foi por falta de aviso que eles entraram nessa! Sempre teve alguém por perto que se importava com eles, conseguia enxergar bem a situação e, por isso, tentava aconselhar nossos enroladinhos. Resta saber se os 3 vão conseguir abrir os olhos e entenderem suas situações antes de estragar definitivamente a própria vida. No capítulo passado, Naruto conseguiu acordar. Finalmente entendeu o que Gaara vem dizendo para ele há um tempão sobre amor e merecimento. O que nos resta agora é esperar para saber se o fundo do poço moral vai ser o suficiente para fazer Sasuke e Hinata acordarem também.

Bom, nesse capítulo as coisas já estão tomando o caminho do desfecho. Espero que vocês gostem e comentem, PFV! Preciso do feedback de vocês para saber a quantas andam as expectativas dos leitores!


"Shock waves, bones to dust.

You're messin' with a mine field so expect the worst."

Hard as iron – Judas priest

Sasuke e Sai já se encaravam há pelo menos 3 minutos sem dizer nada um ao outro. O Shimura sustentando um amigável e, obviamente, falso meio sorriso no rosto; enquanto o Uchiha mantinha o semblante sério e fechado.

Apesar de todo o preparo mental que havia feito para aquele momento, a ironia era patética. Sasuke estava frente a frente com uma das pessoas que mais odiava na vida pelo que havia feita a sua única amiga, e agora, descobrira que Sai também o responsável por Hinata estar o tempo todo dividida entre um compromisso forçado e a vida em seus braços. Sentia-se extremamente irritado apenas por ter de olhar para Sai. O Shimura, por sua vez, nada transparecia de seus pensamentos, porém, seria lógico concluir que também não estivesse pulando de alegria com a situação. Sasuke nunca havia sido o seu amigo mais querido, mas descobrir que estava mantendo um relacionamento com sua noiva tornava a situação ainda mais desconfortável. Tentava manter sua calma e controle naturais, entretanto, a verdade é que aquilo era apenas a superfície do lago. O monstro de verdade estava no fundo; acordado e silencioso, apenas esperando o momento mais oportuno para atacar.

Na noite anterior, enquanto Hinata tomava banho, Sasuke havia pego seu smartphone e procurado pelo número de Sai. Usando um telefone público, para não correr o risco de ser ouvido pela jovem, ligou marcando um encontro com o herdeiro na manhã do dia seguinte. Agora, estavam frente a frente em um restaurante de porte mediano no centro da cidade. Era um típico lugar que servia comida coreana: enfumaçado, quente e barulhento. Ninguém do ciclo de amizade de Sai ou mesmo de Sasuke costumava frequentar aquele tipo de estabelecimento, logo, não correriam o risco de serem vistos juntos. Algo que nenhum dos dois desejava.

"Não posso dizer que foi exatamente uma surpresa quando minha noiva decidiu contar sobre seu misterioso 'colega de quarto'. Claro que eu já suspeitava que ela estivesse envolvida com alguém, mas o choque foi real quando ela disse o seu nome, Sasuke kun." Sai iniciou a conversa ao perceber que, se não desse o primeiro passo, passariam a tarde toda naquela troca de olhares desconfortável.

"Pensei o mesmo quando descobri sobre vocês... Mas eu deveria ter imaginado que alguém com tanto talento para estragar a vida alheia não aparece todos os dias. Seria lógico ter imaginado que o tal de Sai era você." Respondeu acidamente.

"E novamente você interferindo nos meus relacionamentos... Interessante o fato de estarmos novamente em uma situação parecida: eu e uma garota como um casal e você sobrando como terceiro elemento." O sorriso no rosto de Sai fez o Uchiha sentir-se enjoado. Pelo visto ele não havia mudado nem um pouco: Apesar de estar falando manso, sabia que o Shimura estava apenas preparando terreno para dizer algo que tiraria Sasuke do sério em segundos.

"Pois é... Parece que sou sempre responsável por limpar as merdxs que você faz, não é?" Sasuke devolveu o sarcasmo enquanto despejava água em um copo de vidro a sua frente, desviando o olhar do rapaz a sua frente. A fumaça que subia da pequena estrutura de metal no centro da mesa encobriu o lampejo de raiva que surgiu no olhar de Sai que prontamente retrucou:

"Hinata san me contou sobre o tipo de relacionamento de vocês... o que me surpreendeu bastante. Afinal, lembro-me bem que o que você gostava mesmo era de cruzar espadas com alguns viadxs por aí..." E o tal monstro do lago, finalmente, surgia na superfície.

O jovem Uchiha respirou fundo tentando controlar-se para resistir ao impulso de fritar a cara de Sai na chapa de ferro quente que havia no centro da mesa. Inconscientemente, apertou a garrafa de água, amassando de leve o seu plástico e respondeu:

"E ainda gosto! Mas gosto ainda mais ainda é de transar com a SUA noiva. Em várias posições e lugares. Claro que você não tem como saber, afinal a única coisa que ela te deu foram chifres para colocar na cabeça..."

"Você vai me contar porque me chamou aqui ou vai ficar tentando inutilmente me ofender?" Sai irrompeu secamente. O sorriso havia desaparecido de seus lábios e uma expressão vazia tomara-lhe o lugar. Enfim, resolvera deixar os sarcasmos de lado e encarar a conversa seriamente.

"Hinata não é sua."

"Eu nunca assinei nenhum papel de propriedade dela, mas você sabe que estamos noivos, não?"

"Eu não vou sair do caminho."

Ao ouvir isto, Sai deixou escapar um risinho de desprezo. Olhou para Sasuke como quem olha para um idiota que ainda acredita que a terra é plana e disse:

"Então estamos empatados. Eu não vou desistir, você não vai desistir e sabe que ela também não."

"Ela vai mudar de opinião." O Uchiha respondeu mantendo no rosto aquela mesma expressão confiante que sempre carregava... Sai suspirou enquanto pegava um copo e também servia-se de água.

"Então me diga, Sasuke kun. O que espera fazer para que a MINHA NOIVA desista do NOSSO compromisso?" Rápido e sem alterar a voz, o moreno Uchiha respondeu:

"Isso não é da sua conta. A única coisa que você precisa saber é que a Hinata nunca vai ser sua. Eu não vou deixar."

Depois de analisar Sasuke por alguns instantes. Sai segurou um risinho desdenhoso e perguntou em tom incrédulo:

"Você é muito possessivo, Sasuke kun... O que essa sua atitude quer dizer? Por acaso você a ama? Vai tirá-la de mim porque a ama? Você, que não é capaz de amar nem a si mesmo? Faça-me o favor! Ino sempre me contava as histórias de como você abusava das pessoas e depois as descartava como se fossem lixo..."

À medida que Sai falava o rosto sempre confiante do Uchiha ia-se desfigurando em uma careta de puro ódio. Não estava dizendo que amava Hinata, mas e daí se amasse?! Sai era a última pessoa no mundo que podia julgá-lo! Furioso, Sasuke bateu na mesa atraindo a atenção de algumas pessoas ao redor para si. Entretanto, ao falar, não elevou a voz. Disse entre os dentes tentando conter-se ao máximo:

"Olha aqui seu saco de estrume! Não venha me julgar como se fosse muito melhor do que eu! Sei muito bem que sou um escroto, mas você está logo atrás de mim na fila. Não ouse tocar no nome da Ino em suas justificativas. É justamente por saber o que você fez com ela que não vou deixar Hinata a sua mercê."

A expressão de Sai voltou a ser a mais nula o possível e, como se não acreditasse no que ouvia, perguntou ao Uchiha:

"Está tentando comparar a felicidade de um casal e de todos que dependem de nossas famílias a um namorico de escola?"

Sasuke fechou os olhos e balançou negativamente a cabeça enquanto ria descrente. Respirou fundo e, ainda visivelmente irado, mas, tentando controlar-se ao máximo, disse ao Shimura:

"Sabe... eu não deveria dizer isto, mas vou te fazer um favor e abrir seus próprios olhos sobre quem você é de verdade. Você sabe por que a Ino tentou tanto entrar em contato depois que você a chutou?"

Despreocupadamente, Sai respondeu:

"Ela queria explicações que eu não podia dar: os motivos do rompimento, claro." Respondeu honestamente.

Apesar de esta ser a verdade para o Shimura, lá no fundo, Sai sempre soube que era mais que isso... Naquele tempo, de alguma forma, sabia que se falasse novamente com Ino, não seria capaz de cumprir com seus deveres como único herdeiro da família. E por esse motivo, fugiu ainda mais; fugiu o quanto pode, ignorando os apelos da moça.

"Errado. É porque ela estava grávida. Tentou te contar de todas as formas e, como não conseguiu, entrou em desespero, tentando se matar. Acabou sobrevivendo, mas o bebê, não."

O rosto pálido de Sai tomou uma coloração esverdeada. Por um instante, Sasuke pensou que ele iria vomitar. Seus olhos ficaram vazios e sua boca começou um movimento semelhante ao dos peixes quando estão agonizando fora da água. Queria dizer algo, porém nenhum som era emitido.

"Ino me fez jurar que não iria atrás de você. Ela queria esquecer que te conheceu um dia, mas eu nunca esqueci. Não vou te deixar arrastar a Hinata para uma vida de aparências e falsidade, para daqui a alguns anos, também chorar pelos cantos, arrependida. Mesmo que se casem, é na minha cama que ela vai gemer; é do meu lado que ela vai sorrir. E vou me encarregar de que você nunca tenha espaço na vida dela."

~x*X* *X*x~

Quanto mais se esforçava para prestar atenção na aula, menos Naruto conseguia, de fato, entender o que o professor discutia tão entusiasmadamente com o restante da classe. Não fazia diferença se o professor com alma de piadista e toda a sua performance extrovertida conseguia capturar os outros alunos, o Uzumaki estava tão disperso que só percebera que haviam feito-lhe uma pergunta e que os olhares de toda a classe estavam sobre si quando sentiu o giz estourar em um estalo seco na sua testa.

"Ai!" reclamou enquanto massageava a têmpora, retirando o excesso do pó branco que ali havia ficado. Todos riram e seu rosto queimou de vergonha.

"Uzumaki, eu fiz uma pergunta para você" Insistiu o professor.

"É, eu percebi…" Respondeu sem motivação.

Ao notar as olheiras fundas e roxas na face do garoto, o professor compreendeu de imediato a situação do loiro.

"Eita que a noite foi boa, ne?" Todos riram. Naruto bufou e baixou a cabeça com as bochechas ensaiando um rubor misto de raiva e embaraço.

Uzumaki Naruto estava interna e secretamente destruído. As imagens da noite de poucos dias atrás ainda martelavam em sua memória causando uma grande opressão em seu peito. Uma mistura de rancor, raiva e desesperança. O ânimo para fazer qualquer coisa o havia abandonado, porém, sabia que deveria lutar para seguir em frente. Decidiu não ficar em casa lamentando-se. Iria viver a vida e seguir cumprindo com todos os seus compromissos como deveria ser. Entretanto, a teoria era muito mais fácil que a prática e aquele era um dos vários momentos em que ele se perguntava se era possível que nem sofrer mais ele podia sem que o mundo lhe importunasse.

"Eu sei que vocês, jovens, com os hormônios saindo pelos fios do cabelo, adoram tomar um porre e fazer uma farra, mas, por favor, não faça isso um dia antes da minha aula, ou eu vou ter que curar suas ressacas com um balde de água fria. Eu falo sério!"

Mais uma vez todos ali presentes riram estrondosamente. Todos menos Naruto.

"Uzumaki, vá ao banheiro, lave o rosto e só volte quando estiver com aroma de flores holandesas e tão bem disposto quanto um maratonista."

O loiro piscou algumas vezes, confuso. Desta vez a sala ficou em silencio, todos os olhos grudados nele. Levantou-se e saiu rapidamente, não sabia se queria agradecer ou praguejar o professor, afinal, a sua vontade era ficar sozinho e esquecido em algum canto.

"Vamos lá, vamos lavar esse belo rostinho e tentar não parecer um total perdedor." Pensou enquanto dobrava o corredor.

"Trinque os dentes, olhe para cima, para o teto, engula seco, mesmo que a garganta se negue a isso, olhe para as pessoas e sorria: Você está bem, você vai ficar bem." Repetia como um mantra para si mesmo.

Entrou no banheiro e apoiou-se na bancada cheia de pias. Ao elevar o olhar para o grande espelho à sua frente, viu um reflexo que não era seu. Mais parecia um cadáver reanimado: Cabelos desgrenhados, expressão abatida, e olhos vermelhos que ele não sabia dizer se eram por ter chorado encolhido em silencio em sua cama, ou se foi devido à crise de insônia que teve após o choro. Choro este, não de amor, e sim, de humilhação.

"A face da derrota!" Disse em uma voz baixa que ecoou cavernosa no banheiro vazio.

Deu uma risada triste e amarga, e logo em seguida jogou água no rosto esfregando os olhos. Ficou alguns instantes com o olhar vidrado grudado na louça branca da pia manchada. Estava olhando, na verdade, para dentro de si, refletindo sobre o que faria dali para frente. A imagem de Hinata com Sasuke tomou seus pensamentos, fazendo-o sentir-se nauseado.

Obviamente, Sasuke agora estava fora de seus planos de uma vez por todas. Antes, quando pensava nele, era como se seu corpo estivesse em chamas, como se fosse um adolescente apaixonado pela primeira vez. Chegou mesmo a imaginar um futuro onde o Uchiha seria uma constante, alguém com que dividiria anos e anos, porém, agora tudo que conseguia sentir era nojo. Tentou sentir pena, entretanto, depois de refletir detalhadamente sobre tudo que o moreno havia feito e todo o sofrimento pelo qual o fizera passar, pena era o último sentimento que Naruto nutriria pelo ex-amante. Tentou até mesmo sentir raiva, mas o loiro Uzumaki era péssimo guardar rancor de alguém. Ódio era um sentimento deveras cansativo e Naruto nunca conseguiu alimentá-lo por muito tempo. Decidiu que tudo o que mais queria era apagar o fato de que um dia seus caminhos cruzaram com os de Uchiha Sasuke.

E Hinata… Céus, ele ainda não havia compreendido o que havia acontecido com a jovem... Se não tivesse visto com seus próprios olhos, sentido em seu próprio corpo, jamais iria acreditar. Conhecia a Hyuuga muito bem para afirmar com todas as letras que não era a mesma garota de sempre que estava ali naquela noite, e sim, outra pessoa. Uma pessoa egoísta, fria, libidinosa e depravada. Uma pessoa tão… tão… tão como Sasuke! Antes que tudo estivesse perdido, precisava fazer algo pela jovem. Depois, é claro, de fazer algo por si mesmo...

Levantou o rosto com o intuito de olhar-se no espelho mais uma vez. Se estivesse "menos pior" voltaria para a sala. Contudo, ao olhar para seus próprios olhos azuis refletidos, quase teve uma parada cardíaca:

"Gaara?!" O ruivo estava parado, com os braços cruzados encostado no umbral da porta.

"Há - Há quanto tempo está aqui?"

"Você estava demorando tanto que o professor pediu um voluntário que pudesse te resgatar" Deu uma risadinha. O sorriso dele era gentil e seu rosto, apesar de sério, era sereno. Naruto corou, praguejou internamente por isso, mas tentou disfarçar.

"E você foi o cavalheiro que quis vir ao meu resgate? Qual será a sua recompensa por este ato?"

"Bom… Veremos isso depois. Você vem voluntariamente ou eu vou ter que te carregar como se fosse meu refém?"

Naruto não pode deixar de rir, e se odiou por isso. Gaara e Naruto não costumavam passar muito tempo juntos, afinal, o Sabakuno era um jovem ocupado e participava de várias atividades de extensão na universidade. Naruto, por sua vez, também vivia uma vida cheia de responsabilidades e, o pouco tempo que lhe sobrava, ele acabava por gastar com Sasuke. Logo, era difícil o Uzumaki gastar mais do que alguns poucos minutos pensando no ruivo. Se alguma vez o tivesse feito, teria percebido o quanto achava a sua companhia reconfortante e animadora. Nas vezes em que estavam juntos, o tempo passava mais rápido do que ele conseguia perceber e, quando o assunto acabava, ficavam em silencio encarando um ao outro, como se existisse uma linha de comunicação imaginaria que somente os dois poderiam usufruir. Sem saber o porquê, todos estes pensamentos vieram à mente do loiro como uma enxurrada: arrancando tudo do caminho e abrindo espaço forçosamente entre todos os outros pensamentos.

Subitamente, entendeu o que estava acontecendo e uma ponta de amargor veio-lhe à boca. Não queria mais apegar-se a ninguém. Ser dependente de outras pessoas era sua ruína! Gaara havia se tornado um grande amigo e não queria que aquilo acabasse caso seu apego se tornasse outro tipo sentimento. Afinal, o apego a Sasuke também havia começado com uma amizade boba cheia de piadinhas logo após trocarem alguns beijos em uma festa. Poucos dias depois, os dois já se encontravam transando em uma das cabines daquele mesmo banheiro. Esse era um erro que Naruto não queria repetir. Virou-se para pegar algumas toalhas de papel e secar o rosto.

"Foi um erro." Disse a si mesmo em uma voz mais alta do que pretendia.

"O que disse?" Gaara arqueou uma sobrancelha e foi na direção do loiro, o qual se esquivou violentamente, deixando o amigo aturdido.

"Você está mesmo bem?" O ruivo insistiu.

"Foi um erro, foi um erro, foi um erro, foi um erro" Repeti a continuamente enquanto as lágrimas se acumulavam no canto dos seus olhos e rolavam em filetes sobre as bochechas.

"Naruto, o que foi um erro?" Gaara começou a ficar preocupado. "Cara, se abre comigo..."

"Me deixa em paz! Ele foi um erro e você vai ser meu próximo!" Naruto gritou desvencilhando-se das mãos do amigo. Diante da expressão confusa de Gaara, o Uzumaki prosseguiu:

"O professor nunca sentiu minha falta, né?" A voz de Naruto tinha um tom tóxico, carregado por sentimentos ruins. "Você veio aqui na esperança de me pegar desprevenido, me jogar dentro daquela cabine privada e me comer, não é? Do mesmo jeito que ele fez! E aí, eu ia gostar, porque é assim que as coisas funcionam, e você me teria na mão." Deu uma risada triste e passou pelo ruivo em direção a porta. Estava quase segurando a maçaneta quando sentiu seu braço ser agarrado. Gaara estava com uma expressão séria e sombria e parecia decidido a não deixar o Uzumaki partir.

"Você não sabe de nada mesmo, Uzumaki Naruto. Você acha mesmo que eu quero só transar com você? Se eu quisesse transar com alguém, eu contrataria alguém ou simplesmente confirmaria presença em algum encontro às escuras com qualquer um. Mas eu não sou esse tipo de gente…"

Naruto observou, descrente e irritado. Seu coração estava tão acelerado que parecia que pararia a qualquer momento. O punho do Sabakuno estava firme em torno de seu braço, mas não estava fazendo força. Puxando-o bruscamente, o loiro voltou-se novamente para a porta.

"Eu te amo!" Gaara disse subitamente e o coração do Uzumaki pulou uma batida. Gaara começou a falar rápido, como se não estivesse raciocinando sobre o que dizer. Apenas falava o que havia em seu coração. Uma enxurrada de palavras cheias de sentimentos e emoções:

"Eu sei que você não queria ouvir isso de mim e sim de outra pessoa. Ele é um cara muito sortudo por ter você, mas parece não perceber e você merece algo muito melhor! Você merece alguém que te ame, que pense em você com carinho e consideração, que se pergunte o que você está fazendo, com quem está, se você está bem. Você precisa de alguém que esteja sempre ao seu lado, amando, inclusive, suas fraquezas. E eu sou apaixonado por você desde o primeiro momento em que te vi. O seu sorriso é o motivo do meu, mesmo quando você esta com a boca cheia de comida. Eu amo a sua gargalhada e a maneira que você ronca quando ri de algo muito engraçado. Eu sou louco por você... Eu... Eu..."

"Vá em frente, termine" O peito de Naruto estava quente e sua respiração agitada. Ninguém nunca havia lhe dito algo nem ao menos parecido. Quantas vezes sonhou em ouvir, nem que fosse metade daquilo, não! Um quarto daquilo da boca de Sasuke... Somente agora percebia o quanto havia sido cego e estúpido. Havia se prendido a uma pessoa que tanto lhe humilhara sendo que, mesmo cheio de falhas como era, tudo o que ele queria era fazê-lo feliz.

"... Estou confuso, em parte com medo, mas não quero viver na incerteza, então se você, em algum momento, se sentiu como eu me sinto, eu ainda estou aqui… Se você não sentir nada, apenas ignore e siga em frente. Mas saiba que eu te amo e isso não vai mudar..."

~x*X* *X*x~

Com as mãos em concha, Hinata jogou várias vezes água no rosto a ponto de deixar os cabelos molhados. Observando o movimento da água que saía da torneira e, em redemoinho, escoava pelo ralo, tentou esvaziar a sua mente.

Nos últimos dias, milhões de pensamentos fervilhavam em sua cabeça deixando-a com dores constantes. Sua mente estava sempre em Naruto e Sasuke, naquele fatídico jogo da verdade. Fechou os olhos e respirou fundo. Estranhamente, ao contrário do que esperaria de si mesma, não estava se sentia culpada. Pelo contrário! Um prazer estranho havia brotado em seu interior. Algo como a satisfação da vingança misturada com a delícia de ter realizado um desejo antigo e, ao mesmo tempo, ter se livrado de alguém que só estava atrapalhando... Levantou a cabeça e olhou para a Hinata que estava refletida no banheiro elegante de sua universidade caríssima: Não se reconhecia mais. Fisicamente ainda era a mesma garota de sempre. Cabelos azul índigo, olhos perolados, tez alva, mas, por dentro, não era mais a mesma. Sabia muito bem que estava virando uma pessoa feia, de coração sujo que sentia satisfação na dor alheia e isso a assustava, principalmente, porque não conseguia impedir.

Naquela manhã, mais uma vez, a Hyuuga havia saído de casa o mais cedo o possível na intenção de evitar o Sasuke. Desde a noite da estréia da peça, estava evitando ficar às sós com o Uchiha. Queria evitar qualquer chance de criar um clima entre os dois que, fatidicamente, como Hinata bem sabia que sempre acontecia, os levaria para a cama. Começava a entender que sua relação com Sasuke estava se tornando um problema: aos poucos estava absorvendo a personalidade do Uchiha, inclusive nos seus aspectos ruins. No começo, queria apenas aprender a viver a vida de forma livre; sem depender do amor e do afeto dados pelas outras pessoas para sentir-se feliz. Contudo, isso estava tornando sua vida uma bagunça e, o pior de tudo, estava aprendendo a ser uma pessoa egoísta, egocêntrica e, até mesmo, cruel; pois passou a priorizar suas vontades acima até dos sentimentos alheios.

Rapidamente, puxou várias toalhas de papel do suporte e secou o rosto. Queria ir para casa dormir e apagar todos esses pensamentos, mas precisava aguentar mais algumas horas na faculdade. Era um dia importante para as principais matérias do semestre e ela estava prestes a se formar. Removeu a maquiagem borrada pela água e arrumou novamente os cabelos. Pegou o batom de dentro da bolsa com a intenção de retocá-lo, mas acabou interrompendo o movimento no meio do caminho. Mais uma vez sua mente divagou e foi parar em Naruto. Sim! Sabia bem o que sentia em relação ao loiro: satisfação por ter feito sexo com uma paixão antiga e, ao mesmo tempo, se vingado por ter sido usada anos atrás.

Terminou de passar o batom rosado nos lábios e arrumou a gola da camisa creme de mangas cumpridas que vestia. Estava novamente impecável por fora, mas uma bagunça por dentro. Apesar de conseguir enxergar de forma clara a interferência do Uchiha em seu comportamento, conseguia também reconhecer, a verdadeira motivação de suas atitudes: estava gostando de viver dessa forma. Não se orgulhava, porém, admitia para si mesma seus reais sentimentos. Sasuke podia ter lhe apresentado um mundo novo, mas a jovem mergulhou de cabeça por vontade própria. Inclusive, naquela noite, teria ido até o fim se não fosse a súbita mudança de humor de Naruto...

Suspirou pesadamente antes de sair do banheiro e seguir para a aula de estudos avançados em Fonética e Fonologia. Dias atrás havia confessado a Sai sobre seu caso e reafirmou que deixaria Sasuke antes de casarem-se. Saiu dali determinada só para, na noite do mesmo dia, fazer tudo o que fez com os outros dois homens... Sasuke a enlouquecia e ela estava se perdendo no Uchiha. Com ele por perto não havia espaço para autorreflexão, apenas ação e impulso. Então, sabia que, mesmo sem desejar, precisava afastar-se do rapaz. Precisava de um tempo sozinha para refletir e conseguir compreender novamente que tipo de pessoa gostaria de ser e qual tipo de vida gostaria de viver em seu futuro.

~x*X* *X*x~

As lágrimas embaçavam a visão de Sai que dirigia em alta velocidade pela ponte da baía de Tóquio. Um filho... Cristo! Como ele havia sido um desgraçado! Sentia nojo de si mesmo, ódio de seu avô e vergonha de Ino... Logo de Ino... Alguém que amara tanto, que repetira sempre que iria cuidar e proteger... Somente agora tinha consciência do tamanho do mentiroso que era... Socou o volante repetidas vezes amaldiçoando-se.

Era meio de tarde e o calor do verão já era facilmente sentido na capital japonesa. O ar úmido e abafado refletia o estado mental de Sai que dirigia em alta velocidade, sem ao menos, prestar atenção para onde ia. Como uma torneira que insiste em pingar mesmo depois de já ter sido fechada, as lembranças do passado brotavam gradualmente na cabeça do rapaz: todas as vezes em que pode falar com Ino e se escondeu... Se pudesse voltar atrás, se pudesse fazer tudo diferente... Mas a verdade é que já havia se passado vários anos e nada mais poderia ser consertado. Após uma ultrapassagem perigos, seguida de uma longa buzinada e alguns xingamentos vindos do outro motorista, Sai parou em um acostamento e saiu correndo de dentro do carro. Uma crescente sensação de sufocamento estava tomando conta de si e ele precisava de ar.

Com o corpo curvado e as mãos sobre os joelhos, o Shimura respirou profundamente durante alguns segundos. Precisava se acalmar... Ergueu-se, tirou o terno caro e a gravata igualmente refinada e os atirou no chão. Passou os dedos pelos cabelos desfazendo os vincos do gel e olhou para o mar à frente. A brisa morna e salgada não trazia a sensação de conforto que esperava e sabia muito bem que, naquele momento, nada traria essa sensação. Gritou com toda a força que tinha. Um grito gutural, cheio de ódio e arrependimento.

"Onii san... Deveria ter sido eu e não você a ir primeiro." Pensou em voz alta enquanto chorava.

Se Shin estivesse vivo e tivesse sido Sai a morrer no acidente de carro, tudo seria diferente. Shin era o tipo que sempre fazia o que era certo. Ele teria assumido sua posição como herdeiro, porém nunca teria deixado Ino desamparada. Teria cuidado dela e da criança como um verdadeiro homem faria... Entretanto, Shin não estava mais ali. Só o que restava era Sai e todas as suas falhas como homem e como líder...

Respirou fundo mais uma vez, pegou suas roupas do chão e voltou para o carro. De nada adiantaria ficar apenas lamentando-se por algo que não tinha mais remédio. Decidira, naquele instante, que não cometeria os mesmos erros novamente. Não falharia com Hinata como falhou com Ino. Não deixaria a segunda chance que a vida lhe dava escapar por entre os dedos. Cuidaria da Hyuuga como jurou cuidar da Yamanaka, mas, desta vez, cumpriria sua promessa. A faria feliz custe o que custar! Nem que precisasse apagar o Uchiha da face da terra. Nem que precisasse anular totalmente suas vontades, se isso trouxesse a felicidade para a jovem, iria até as últimas consequências.

Porém, antes de tudo, havia algo que deveria ser feito.

Acelerou em direção à parte da cidade que concentrava grande parte dos teatros e casas de show. Conhecia tão bem o caminho do lugar aonde ia que seu Jaguar Xfr prateado praticamente seguiu sozinho. O prédio branco cheio de canhões de luz amarelos ainda desligados, estava fechado para o público, entretanto, em seu interior, atores e funcionários preparavam mais um espetáculo para logo mais à noite. Após falar com o porteiro, Sai descobriu que a entrada de expectadores na casa fora dos horários de espetáculo era estritamente proibida. Entretanto, não havia nada que uma pequena dose de arrogância e algumas notas de dinheiro vivo não pudessem resolver. Após pagar o pequeno suborno ao funcionário, Sai teve acesso aos bastidores do palco; o lugar onde o elenco se preparava para a peça.

Não havia nada de realmente glamoroso ou refinado naqueles corredores brancos cheios de portas. Era um lugar simples apesar de limpo e organizado. Os atores secundários dividiam seus camarins, entretanto, as estrelas tinham o privilégio de desfrutarem de salas individuais. Foi em frente a uma dessas salas que Sai se pegou lendo o nome colado na porta: Yamanaka Ino. Bateu três vezes e ouviu a voz feminina soando permissiva de dentro do ambiente. Reuniu toda a sua coragem e girou a manivela.

Ino sozinha na sala sentada em frente a uma grande penteadeira com várias luzes de maquiagem. Vestia um roupão branco, pantufas e tinha rolinhos no cabelo. Estava lendo um cartão preso a um buquê de flores quando seus olhares se cruzaram através do espelho. Inicialmente a loira o olhou como se estivesse vendo um fantasma, porém logo virou-se para o herdeiro Shimura, ficando frente a frente com Sai.

Seus olhares estavam fixos um no outro e Sai sentia seu coração fraquejando, batendo cada vez mais devagar, quase como se pudesse parar a qualquer momento. Apesar de todo o calor que fazia do lado de fora, o moreno sentia-se gelado e incapaz de formar um único pensamento coerente. Sua mente estava totalmente branca. Em silêncio e com os olhos marejados, Sai ajoelhou-se em frente a Ino e, com a testa colada no chão disse:

"Nada do que eu te fiz pode ser reparado. O que eu te tomei não pode ser restituído. Mas eu juro, pela alma dos meus pais, que não havia em mim a menor intenção de fazê-la sofrer. Eu.. Eu não sabia... Eu te amei com todas as minhas forças, entretanto não pude te proteger. De alguma forma, por favor, me perdoe."

O silêncio que se seguiu pareceu a ambos durar uma eternidade. Ninguém se moveu ou disse nada até que, tocando Sai nos ombros e fazendo-o erguer o rosto novamente, Ino abaixou-se para ficar na mesma altura do moreno e apenas sorriu. Secou as lágrimas que corriam por seu rosto alvo e beijou sua testa. Lágrimas também brotaram em seus olhos azuis, mas ela as segurou para não rolarem. Já havia chorado o suficiente por aquele assunto e prometeu a si mesma não mais fazê-lo. Segurando o rosto do Shimura entre as mãos, disse com uma voz serena e segura de si:

"Há muito tempo atrás eu já te perdoei. Decidi que eu não me tornaria um adulto amargurado por conta de sentimentos ruins dentro de mim. Eu também te amei com todas as minhas forças, mas a vida não sorriu para esse amor. Apenas esqueça e vá em paz, pois eu garanto que não guardo absolutamente nenhum ressentimento por você."

~x*X* *X*x~

"Hyuuga sama, Shimura Sai sama está aqui na portaria e pede para subir até o seu apartamento." A voz do porteiro do prédio de Hinata soou através do interfone. Deveras confusa, Hinata autorizou a entrada no noivo e devolveu o interfone ao gancho.

Sai nunca havia ido à casa da noiva ou sequer demonstrado qualquer interesse em conhecer o lugar onde Hinata vivia. Todas as vezes que saíam juntos e ele a levava de volta para casa, apenas deixava a morena na portaria e ia embora assim que a moça cruzava a entrada do prédio. Entretanto, agora estava subindo 20 andares de elevador em sua direção com toda naturalidade do mundo, como se fizesse isto desde sempre.

Seria este o resultado da conversa que havia tido poucos dias atrás com o noivo? Conversa onde revelou toda sua relação com Sasuke e suas intenções após a oficialização do matrimônio. Naquele momento Sai parecia satisfeito pela honestidade da noiva, porém Hinata não sabia que efeito faria algumas horas a mais de reflexão na cabeça complicada do rapaz. Estaria Sai vindo para um acerto de contas com Sasuke? Era algo muito difícil, porém não impossível...

"Sai kun está subindo... Acho que ele irá jantar conosco." Disse ao moreno com uma voz incrédula e, até mesmo, envergonhada.

Na cozinha,o Uchiha preparava o jantar com entusiasmo: Uma lasanha à bolonhesa. Observou-o carregando os pratos para a mesa e organizando as taças. Um delicioso aroma invadia o lugar. Naquela noite, após o jantar, o rapaz faria uma maratona de filmes de ação enquanto esvaziava uma cara garrafa de vinho tinto que havia recebido como presente de uma fã. Havia convidado Hinata para acompanhá-lo, mas a Hyuuga sabia como as coisas acabariam e, desfaçadamente, rejeitou a oferta alegando estar muito cansada depois de um dia longo de estudos.

"A casa é sua, então, eu não tenho porque reclamar de quem você convida para o jantar, mas não acha que essa situação é um pouco estranha demais?"

O próprio Sasuke ficou olhando a garota como se suas palavras não fizessem o menor sentido. Shimura Sai como terceiro elemento naquele jantar? Para completar o constrangimento, só faltava Naruto aparecer também...

"Não o convidei. Ele veio... de surpresa."

Sai era o tipo de sujeito elegante que jamais visitaria alguém sem avisar antes. O fato de ele estar ali agora significava que tinha algo em mente e a coisa mais óbvia a se pensar é que queria ver com seus próprios olhos a relação de Sasuke e Hinata e o Uchiha não gostava nem um pouco dessa ideia. Quando deixou Sai sozinho no restaurante na manhã daquele dia, o Shimura parecia abalado e desmotivado. Sasuke pensou que havia eliminado suas intenções de competir pelo interesse da Hyuuga, entretanto a sua ida ali era um claro sinal de que uma guerra havia começado.

Poucos minutos depois, a campainha tocou. Hinata estava nervosa. Arrumou o vestido, passou os dedos pelos longos cabelos escuros e correu em direção ao genkan. Como na maioria das casas japonesas, o apartamento estava com as portas abertas e Sai logo abriu dizendo:

"Ojamashimasu."

"Sai kun! Konbanwa. Seja bem vindo." A morena disse com um sorriso gentil no rosto enquanto pegava o terno e a pasta do noivo para colocá-los no aparador e lhe entregar o surippa de visitante.

"Perdoe-me vir sem avisar, Hinata san. Mas estava aqui perto e pensei que já era hora de conhecer seu apartamento e seu colega de casa." O rosto da Hyuuga enrubesceu-se levemente.

"De - de forma alguma, Sai kun. Sou eu quem deve desculpar-se. Realmente já deveria tê-los apresentado há muito tempo. Por favor..." Guiando o caminho, a herdeira Hyuuga levou Sai até a sala, onde Sasuke estava terminando de organizar três lugares à mesa para o jantar.

"S- Sasuke kun, gostaria de apresentá-lo ao meu noivo. Shimura Sai."

"É um prazer conhecê-lo, Sasuke kun... Posso chamá-lo assim, não?" Com um sorriso simpático, Sai fingia que era a primeira vez que via Sasuke na vida.

Então era assim que ele queria brincar? Bom, de fato, não havia nenhuma necessidade, no momento, de revelar a Hinata todo o passado do noivo. Decidido a guardar seu trunfo para um momento mais adequando, Sasuke respirou fundo e entrou na encenação do Shimura.

"Kochirakoso. De forma alguma! Não me importo com formalidades. "

Alheia à real situação em sua sala de jantar, Hinata respirava aliviada. Achava que o moreno Shimura queria apenas ver a situação por si só. Lembrou-se que ele havia ficado deveras preocupado com o tipo de pessoa que o Uchiha poderia ser e imaginou que estava ali em uma visita de precaução. Um lampejo de afeto atravessou seu coração. Sai era alguém sensível a sua própria maneira.

Antes de comerem, a Hyuuga mostrou todo o amplo imóvel ao noivo. As salas, cozinha, quartos e varanda. Nesta, em especial, passaram um longo tempo admirando a beleza da vista noturna da torre de Tóquio. Sai comentou como, após o casamento, seria bem mais agradável se pudessem morar em um local como aquele do que na velha mansão dos Shimura. Hinata concordou, porém comentou que tinha certeza de que Danzou seria contra. Sai riu e fez alguma piada sobre o avô ser uma galinha que mantém os pintinhos sob suas asas. Sasuke apenas observava. Era o casal mais entediante que já havia visto em anos. Pareciam dois conhecidos que se encontram de vez em quando na fila do supermercado e ficam conversando inutilidades... Quando o timer do forno tocou anunciando que a lasanha estava pronta, o Uchiha interrompeu a conversa com um prazer inigualável.

"Acho que esta é a nossa hora." Dizia com um sorriso satisfeito nos lábios.

Durante todo o jantar, Sai fez várias perguntas pessoais a Sasuke. Perguntas estas que o moreno sempre tentava esquivar-se. Família, escola, romances passados. Tudo aquilo de que Sasuke se esforçava ao máximo para não mencionar no dia-a-dia, Sai fazia questão de trazer a tona. No fundo, sabia bem quais eram as intenções do Shimura: Fazer com que, aos olhos de Hinata, o Uchiha parecesse alguém com um passado problemático, um presente duvidoso e um futuro incerto. Alguém em quem não valeria a pena investir seu tempo.

"Sasuke kun, você é ator, certo? É mesmo uma profissão interessante... Sua família sempre te apoiou?"

"Não. Foi por isso que eles me expulsaram de casa." Respondeu lacônico.

"Você rompeu com eles para viver seus sonhos? É mesmo, muito corajoso! Eu e Hinata san temos isso em comum: Nosso sonho é ver nossas famílias felizes. Mesmo que isto custe nossa liberdade de escolha..." Sai sorriu pesarosamente para a noiva que sorriu de volta em solidariedade. Sasuke controlou-se para não revirar os olhos. Assistir a performance canastrona de bom moço do Shimura era demais para o moreno Uchiha.

Todo o jantar não durou mais que uma hora. Enquanto recolhia os pratos, Hinata sugeriu a Sasuke comprasse uma torta para a sobremesa. No entanto, Sai interrompeu oferecendo-se para ir no lugar do moreno Uchiha.

"Não! Por favor! A culpa é minha por ter vindo de mãos vazias. Permita que eu traga a sobremesa para dividirmos. Ainda há muito para nós três conversarmos." O Shimura disse levantando-se da mesa.

"Não há necessidade, Sai kun! Sasuke kun sempre compra torta em um lugar excelente aqui perto. Tenho certeza que ele não vai se incomodar em ir até lá."

"Claro..." O moreno Uchiha concordou com a boca, porém não com a expressão do rosto.

"Não! Eu faço questão! Conheço uma confeitaria não muito longe que tem uma torta de morangos e chocolate meio amargo que é incrível. Volto em meia hora, ittekimasu." Sai dizia enquanto dirigia-se à porta de saída.

Hinata o seguiu alguns passos atrás. Colocou seus sapatos na posição de calçar, tirou seu terno do apoiador e ajudou-lhe a vestir-se e disse um caloroso "Itterasshai" quando o rapaz cruzou a porta. Pareciam um casal de velhos. Daqueles que já não sentem atração sexual um pelo outro, porém, estão tão habituados a viver juntos que separar é algo impensável. Aquilo deixava Sasuke doente...

"Hinata..." Assim que Sai fechou a porta, o moreno Uchiha abraçou as costas da jovem e chamou seu nome, sussurrando em seu ouvido e mordendo-lhe levemente o lóbulo da orelha ao mesmo tempo em que deslizava as mãos entre a cintura e os fartos seios.

"S – Sasuke kun! O que quer fazer? Sai kun logo vai voltar!" Hinata dizia enquanto tentava frear as mãos do Uchiha.

"Deixe que ele volte, então!" Respondeu despreocupado enquanto pressionava seu quadril contra os glúteos arredondados de Hinata e beijava-lhe o pescoço. As mãos que iam descendo rapidamente pela cintura logo alcançaram a barra do vestido, encaixaram-se entre as coxas. Em um movimento rápido, Hinata afastou-se do moreno e repetiu com mais ímpeto e o rosto corado:

"Pare com isso! Sai kun logo irá voltar! Quer que ele nos veja?" O moreno apenas sorriu de lado e deixou que a garota se afastasse alguns metros. Sim, era exatamente essa a intenção do Uchiha: mostrar para Sai, de fato, o seu lugar. Que não importava quantos votos de casamento eles fizessem, o Shimura sempre seria apenas um assessório para Hinata em eventos sociais.

Enquanto Hinata tirava os pratos da mesa e organizava tudo para a volta do noivo com a sobremesa, Sasuke aproximou-se novamente e abraçou-lhe pela cintura

"Não foi isso que eu planejei para hoje..." Choramingou no ouvido da garota.

"Eu sei..." Inocentemente, Hinata lhe deu um leve beijo na bochecha que Sasuke não permitiu escapar. Logo fez virar um beijo na boca, de língua, intenso e cheio de desejo. Antes de qualquer protesto da jovem, o Uchiha encaixou seus dedos entre suas coxas e afundou os dedos na cavidade que já estava úmida dada à primeira tentativa do rapaz.

"N-não... pare com is... so..." Hinata gemia tentando inutilmente mudar as intenções do Uchiha.

"Mas parece que você também quer, não?..." O corpo de Hinata ficava mais molhado a cada toque. Sasuke pressionava-o entre seu quadril e a mesa da sala de jantar. A ereção aumentando cada vez mais dentro da calça e pulsando contra as nádegas da garota.

"E-ele vai chegar... logo..." Entre gemidos, Hinata ainda protestava, mas não mais tentava impedir o moreno. Sasuke virou o corpo da jovem em sua direção e abriu o zíper da calça jeans. Levantando uma das pernas da Hyuuga pressionou o volume da ereção contra o corpo feminino a sua frente. Soltando um longo gemido de prazer a medida que suas fricções ganhavam ritmo. Hinata movia o quadril para frente em um claro pedido mudo. Parecia já haver esquecido-se de que Sai logo voltaria e que seria terrível se os encontrasse assim.

"Sasuke kun..." Gemia enquanto via passivamente Sasuke descer a roupa íntima que usava e roçar a ponta da ereção contra seu clitóris, deslizando lentamente até a sua entrada, porém, sem penetrar. Apenas para provocá-la.

"Você gosta disso, não é?" Ao ver que a garota aquiescia levemente com a cabeça, completou dizendo em seu ouvido "Ele nunca vai te dar o prazer que eu te dou... Ele nunca vai saber fazer você ficar tão excitada quanto eu faço..." E em um movimento lento, Sasuke penetrou fundo, sentindo cada parte do canal vaginal de Hinata pressionando-lhe.

A Hyuuga jogou a cabeça para trás enquanto o Uchiha ditava o ritmo de seus movimentos. Seu corpo ia para cima e para baixo em movimentos rápidos e curtos. Os seios, ainda cobertos pelo vestido que usava, balançavam em um movimento extremamente sensual. O som das pélvis colidindo uma contra a outra logo encheu a sala e misturou-se ao crescente som dos gemidos de prazer que ambos soltavam. Em pouco tempo Hinata pressionou fortemente o corpo contra o de Sasuke e gemeu alto, atingindo o ápice do orgasmo. Sasuke diminuiu o ritmo das estocadas e logo ejaculou enquanto sentia as paredes da cavidade úmida da Hyuuga pressionando-lhe. Para o Uchiha, havia sido, novamente, maravilhoso.

"Eu sou seu homem, Hinata. Sai nunca vai ser o suficiente para você... Eu sou." Sasuke disse saindo do corpo da morena e beijando-lhe levemente os lábios. Porém, ainda apoiando-se sobre a mesa, Hinata afastou-se e deferiu-lhe um forte e sonoro tapa no rosto. O moreno a olhou espantado e confuso.

"Quando eu disser não, Sasuke kun. É não, mesmo." E, afastando-se do rapaz, arrumou seu vestido e caminhou em direção ao seu quarto.

Do lado de fora. Sai ainda não havia saído para comprar a torta que prometera. Estivera o tempo todo parado em silêncio, encostado na porta. Uma ironia do destino o fez esquecer o caminho para a confeitaria. Ao pegar o celular para checar o endereço, acabou ouvindo a conversa que levou à situação toda.

Sasuke estava certo. Sai não poderia competir com ele na cama, nem se quisesse! Afinal, não tinha a mesma experiência que o moreno Uchiha tinha. Entretanto, amor não é feito apenas de sexo e Sai sabia que tinha uma grande vantagem sobre o rival: Hinata queria amá-lo. Apesar de não o amar, estava disposta a tentar. Já em relação a Sasuke, a morena havia dito-lhe dias atrás que estava decidida a deixá-lo assim que se casassem. Apesar de toda a confiança do Uchiha, o coração da Hyuuga ainda estava em um lugar seguro, onde somente Sai tinha permissão para entrar.


Notas finais:
"Ondas se chocando, ossos virando poeira.
Você está mexendo com um campo minado, então espere o pior."
Hard as iron – Judas priest

ojamashimasu - Com licença (usado qnd entramos na casa de alguém)

konbanwa - boa noite

surippa - pantufa de andar dentro de casa

kochirakoso - igualmente

Ittekimasu - Estou saindo (usado ao deixar um lugar que você frequenta - casa, trabalho - mas vai voltar)

Itterasshai - Vai com deus (usado em resposta ao ittekimasu)