Notas da Autora:

Yo, people~~

Para lavar a alma e colocar tudo em pratos limpos, deixo vocês com a atualização do fim de semana! Hoje vamos entender um pouco pq a Hinata é tão determinada e pq o Sasuke e tão rebelde.

Tbm, não vou falar muito aqui pq a minha vontade de dar spoiler do capítulo final (que eu já terminei de escreveeee~~r) tá muito grande e vou acabar estragando tudo!

Beijos e boa leitura =*


"I was cryin' when I met you, now I'm tryin to forget you
Your love is sweet misery..."

Cryin' – Aerosmith

"Esta é a versão final, sensei. As cópias encadernadas e a versão digitalizada também..." Hinata disse ao homem calvo de meia idade enquanto lhe passava as encadernações e um pequeno pen drive preto. Sob as lentes dos óculos largos de modelo ultrapassado, ele examinava tudo com visível entusiasmo.

"Excelente, Hyuuga. Podemos marcar a sua banca para semana que vem? Parece há uma vaga para a próxima quarta-feira pela manhã."

"Estarei pronta." Disse a jovem gentilmente, porém longe de compartilhar da empolgação de seu professor.

"Tem certeza de que não planeja um mestrado ou mesmo uma pós-graduação? Você é uma aluna brilhante. Seria um prazer orientá-la novamente! Sua monografia daria um excelente projeto de pesquisa..." O professor repetiu o que vinha dizendo a Hinata desde o início do semestre, entretanto, a jovem também repetiu a mesma resposta de sempre:

"Sinto-me lisonjeada, professor, porém, minha família tem outros planos para meu futuro." Sorriu gentilmente antes de fazer uma reverência e retirar-se da sala. Antes de fechar a porta atrás de si, pode ouvir o suspiro de lamento do orientador.

Então era isso! Logo tudo estaria acabado.

Ao caminhar pelo corredor estreito do departamento de Letras da sua universidade, a jovem Hyuuga podia sentir o eco seco de seus passos entrando pelos ouvidos e ressoando em seu cérebro. Algo dentro de si beliscava-lhe o coração. Esse algo era mais um daqueles sentimentos sem nome que incomodam e teimam em não ir embora. Hinata, porém, esforçava-se para ignorá-lo. Não se atrevia a formular um único pensamento a respeito dessa sensação, pois, caso o fizesse, correria o risco de entrar novamente naqueles ciclos de questionamentos e vitimismo causados pelo vazio que surge depois que se desiste de algo importante. Sentindo o celular vibrar no bolso, apressou-se para atender. Já até podia imaginar quem seria...

"Hai, Otou san."

"Entregou os documentos?" O timing perfeito para todas as coisas de Hyuuga Hashi, seria cômico se não fosse assustador.

"Sim. A banca avaliadora será na semana que vêm."

"E você será aprovada?" A voz grave do patriarca dos Hyuuga soou incisiva através do telefone. Com certeza não seria parabéns a palavra ouvida após a resposta que daria.

"Certamente."

"Significa que já podemos marcar a data, correto?" Presidente Hyuuga, o típico homem de negócios: sempre direito ao ponto.

"Hai..."

"Então, tomarei providências para que tudo seja resolvido logo."

"H-hum..."

Respirou fundo e desligou o telefone em seguida.

Estava tudo acontecendo ao mesmo tempo. Quase como uma tromba d'água que cai após um dia inteiro de chuva. Caminhando em regiões suscetíveis a esse tipo de fenômeno, você sabe o risco que está correndo, mas a calmaria que a antecede tudo te faz relaxar e acreditar que tudo está bem. Porém, quando menos se espera, a tromba cai e arrasta tudo o que encontra pelo caminho. Era exatamente dessa forma que Hinata estava se sentindo. Sabia que estava envolvida em algo perigoso, mas como tudo estava indo bem, esqueceu-se dos riscos, e então, justamente no momento em que estava com seus sentimentos menos preparados, a realidade veio e arrebentou tudo!

Meses atrás, deixar tudo para trás e tornar-se a recatada e discreta senhora Shimura, seria muito mais fácil para Hinata. Afinal, sua amizade com Sai tomava um rumo singelo e agradável. A Hyuuga não tinha questionamentos sobre sua própria moral, nem lembranças constrangedoras de confusões envolvendo orgias em noites de bebedeira e, muito menos, o constrangimento da presença do amante em sua casa na cara de seu noivo.

Sentiu uma leve pontada incômoda no estômago ao lembrar-se de Sasuke… Não conseguia mais definir o que estavam vivendo. Ao mesmo tempo que Sasuke era divertido, envolvente e companheiro, também era egoísta, depravado, e arrogante. Odiava o fato do moreno abertamente julgá-la como uma menina submissa e sem vontade própria, mas reconhecia que nas palavras do amante encontrou o impulso que faltava para uma mudança de postura e fuga do vórtex de depressão no qual estava presa. Também, começava a incomodá-la a vida de perversão a qual ele havia lhe apresentado. Mas, sabia que o sexo era uma válvula de escape para seus problemas emocionais e assumia que só continuava a se relacionar com o Uchiha porque gostava do que faziam.

Além disso, algo entre os dois havia mudado... Ao mesmo tempo em que se tornava irritantemente possessivo, Sasuke estava ficando mais afetuoso: cuidadoso em suas investidas e menos impulsivo em seus toques. Hinata não sabia dizer ao certo o que estava acontecendo e, apesar de sentir que devia afastar-se dele, adorava os momentos em que não conseguia fugir e acabava se rendendo a companhia do Uchiha. Sasuke era como uma esfinge na vida da jovem. Decifre-me ou te devoro. Até o momento, Hinata ainda não havia decifrado o moreno, mas sentia que, a qualquer momento, a última de suas máscaras cairia e finalmente ela veria quem era o verdadeiro Sasuke.

Gruniu com raiva de si mesma. Não importavam as análises psicológicas que tentasse fazer no Uchiha, o resultado sempre seria o mesmo. Sasuke sempre deixou bem claro o que seriam um para o outro e ela não seria burra o suficiente para repetir os passos de Naruto se apaixonando pelo moreno. Se o Uchiha quisesse de verdade expor seus medos e ser amparado afetivamente, teria ficado com o loiro. O que não foi o caso! E além do mais, Hinata havia aceitado entrar nisso por conta própria. Consciente dos riscos e regras. Decidiu como uma mulher adulta e deveria encarar tudo como tal.

Enquanto guardava o celular na bolsa, seguiu em direção ao estacionamento. Precisava se recompor. Parecia que esse era uma daqueles dias em que todos os fantasmas estavam soltos com o único propósito de perturbar sua mente...

~x*X* *X*x~

Os bastidores do teatro universitário no qual Sasuke apresentava sua peça em nada se comparavam aos do teatro de Ino. Apesar de muito funcional e limpo, não havia nem vestígio do profissionalismo de uma equipe real de teatro. Entretanto, naquela tarde não havia nenhum outro lugar mais confortável e aconchegante do que aquela cadeira em frente a penteadeira do camarim do Uchiha.

"Como você consegue ter a pele tão limpa? Eu gasto rios de dinheiro e não consigo manter metade dessa hidratação..."

Como nos velhos tempos de teatro escolar, Ino maquiava e arrumava os cabelos negros do Uchiha antes da apresentação. A loira havia conseguido uma folga naquele dia para assistir à peça do amigo que, por sua vez, dispensou a maquiadora da universidade e confiou nas mãos talentosas de Ino para a preparação antes de subir ao palco naquela noite.

"É como dizem: o saquê japonês faz muito mais do que só embebedar. " Ino riu e disse:

"E como dizem: tem conselho que é melhor ignorar…" Sasuke soltou um leve sorriso de lado enquanto a amiga preenchia com lápis preto a sua sobrancelha.

"E como estão as coisas ultimamente? Tenho estado tão ocupada desde a última vez que conversamos, mas não significa que não me preocupo mais com você. " A loira perguntou em um tom casual.

"O de sempre..." O moreno respondeu com aquele tom despretensioso que sempre fazia o radar de problemas de Ino disparar.

"Sabe, essa veia aqui só aparece quando você está preocupado com alguma coisa… O que houve? " Disse enquanto dava leves batidinhas com o indicador na fronte do Uchiha. Para alguém que o conhecia tão bem, era óbvio quando algo incomodava o rapaz.

"Acho que ainda não decorei direito as falas do segundo ato" A piadinha sem sal do moreno apenas reforçou a intuição da loira. Este era o principal mecanismo de defesa do grande Sasuke Uchiha: cinismo. Pegando um pincel de pó grande e peludo, deu alguns retoques na pele clara do rapaz.

"No dia que você subir ao palco sem conseguir recitar as falas de trás para frente, vai chover peixe. Cavalinhas. Igual aconteceu naquele livro do Haruki Murakami¹. "

"Aliás, é um livro muito bom. Mas, eu gosto mesmo é da cena em que chovem sanguessugas. " O moreno desconversou e com um risinho contido, a loira apenas levantou uma das sobrancelhas.

"Não é nada. O que haveria de errado? "

"Você lembra do dia do casamento do Itachi san? "

"Claro. Não dá para esquecer. " Sasuke respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Afinal, quem esqueceria o casamento do próprio irmão?

"Você chegou na minha casa com um kit de farmácia pedindo para que eu fizesse permanente no seu cabelo. Naquela época estava passando o drama de Hana yori dango² e você queria algo como o cabelo do protagonista..."

"Uma péssima ideia, diga-se de passagem. " Sasuke lembrou-se de todo o tempo que precisou esperar para livrar-se da cara de poodle sem tosa que a permanente lhe causou.

"É, mas naquele dia você passou as 4 horas de aplicação falando sobre sua indignação pelo destino do seu irmão..." Guardando o pincel que utilizara para aplicar o pó translúcido, Ino apoiou-se na penteadeira em frente ao Uchiha e ficou olhando-o nos olhos sem dizer mais nada. O rapaz, desviando o olhar para o chão, disse:

"Ontem foi aniversário da minha mãe..."

"E você não ligou, ne? " Ino perguntou de forma simples, sem acusação na voz, pois sabia que não ouviria resposta alguma.

"Você deveria só… só ligar para ela. " A loira insistiu.

"Não. Sabe que meu pai viria atrás de mim no mesmo instante..." A voz do moreno soou firme, mas havia um grande pesar em suas palavras.

"Você não pode viver fugindo para sempre. Eles são sua família, quer você queira, quer não. "

O filho mais jovem dos Uchiha havia cortado relações com sua família, mas não significava que havia deixado de amá-los. Contudo, estar com os pais significaria ter que submeter-se às suas regras e, algumas delas, Sasuke não poderia aceitar.

"Eu preciso de mais tempo… se voltar agora, tudo o que eu fiz vai ter sido em vão." Respondeu fechando os olhos. Voltar para casa agora, sem sua independência estabelecida, seria um tiro no pé. O retorno do filho pródigo que não aprendeu lição nenhuma.

"Sabe que ela pode não ter esse tempo, né?" Ino reforçou.

Ela era, Uchiha Mikoto, a mãe de Sasuke. Uma mulher de saúde frágil que, desde jovem costumava ficar doente facilmente, mas que piorou muito com o passar dos anos. Toda essa necessidade de cuidados constantes com sua saúde acabava por criar em todos um perene medo de morte súbita. Vendo que suas palavras haviam trazido à tona esse medo no coração do jovem, Ino decidiu não insistir. Apenas disse:

"Ok! Se você quer assim, não vou insistir. Vamos mudar de assunto! E a história com a Hinata chan e o Naruto?"

Sasuke contou a Ino sobre a noite com Hinata e Naruto e seu desfecho desconfortável. Também sobre seu comportamento com a Hyuuga após a visita de seu noivo e sobre o tapa que levou.

"Meu deus! Então, finalmente a bomba explodiu… Desde o começo eu sabia que isso não daria certo… Você falou com o Naruto desde então?"

"Não e duvido muito que qualquer coisa que eu diga tenha algum efeito positivo. Se eu for atrás dele agora só vou conseguir deixá-lo com mais raiva ainda."

"É. Não tenho grandes argumentos contra isso. Mas e a Hinata chan?" Ao ouvir a pergunta Sasuke soltou um longo suspiro de desanimo e disse:

"Ela sai mais cedo e volta mais tarde na tentativa de não me encontrar, o que, obviamente, não dá muito certo. Hinata não faz o menor sentido! Quando está comigo ela é uma pessoa, quando está com aquele… cara, é outra completamente diferente. " Sasuke lembrou-se de que Ino ainda desconhecia a identidade do noivo de Hinata e decidiu, por hora, não dizer nada a respeito de Sai.

"Vai ver ela gosta dele. Talvez não como mulher, mas existem várias formas de gostar de alguém..." Ouvindo as palavras da loira, a saliva do Uchiha estranhamente ficou densa e difícil de engolir. Com a boca um pouco mais seca que o normal, ele replicou:

"Claro que não. Ela… só está confusa. É óbvio que não quer se casar com aquele sujeito, mas o trata como se fosse o príncipe da armadura reluzente porque acha que essa é sua obrigação. Tentei mostrar que ela não precisa dele, mas levei um tapa e agora ela parece querer fugir de mim..."

"Bom… eu não vejo a relação de vocês como algo que tenha um futuro. Não dá para avançar para algo mais sério e já é muito íntima para voltar ao apenas amigos. Acho que a Hinata chan entendeu isso e está escolhendo um lado..."

"Isso não tem a menor lógica! Me trocar por um sujeito como aquele... Ele parece feito de cera. Sem contar que o que nós temos é muito intenso para ser simplesmente descartado. Já Hinata e ele, não tem nada. "

"Aí é que você pode estar enganado. Não sabemos o que realmente se passa dentro das pessoas ao nosso redor. Vamos pensar há um ano atrás. O que você e Naruto tinham também era muito intenso para ser simplesmente descartado e mesmo assim você descartou. Por que você acha que ela não faria o mesmo?"

"Porque Hinata não é como eu."

"Quem definiu as regras não foi você? Tenho certeza que desde o começo ela nunca pensou em preterir o noivo por você. Mas vamos imaginar que a Hinata chan não tenha absorvido completamente sua filosofia de vida e te considere mais do que uma diversão. No amor existe uma coisa chamada merecimento. Pense bem: quem merece mais o amor dela?"

Ino argumentava sem acusação na voz. Queria fazer Sasuke refletir sobre o que estava acontecendo em sua vida. Os olhos do Uchiha fitavam os da loira, mas, na realidade, estavam olhando para longe dali. Não sabia responder àquela pergunta. Nunca havia pensado sobre isso. A loira Yamanaka aproximou-se colocando a testa contra a testa do Uchiha, dizendo:

"Meu amigo, lindo! Digo isso para abrir seus olhos a tempo de corrigir seus erros. Você está com ciúmes! Sente alguma coisa por ela! Não vou me atrever a dizer que é amor, mas é alguma coisa a mais próxima disso que você já sentiu. Mas, pelo visto, Hinata chan não está disposta a te amar. Não sei o que ela sente por você, mas é claro, para mim, que está direcionando todos sentimentos e apostando todas as fichas nesse noivo arranjado. Se quiser ser feliz é melhor se apressar e parar de fazer besteiras ou vai passar anos lambendo feridas e arrependido pelo que não fez."

~x*X* *X*x~

Naruto fechou os olhos sentiu o ar fresco do parque invadir-lhe os pulmões. O som dos pássaros, os raios quentes do sol intenso de verão… Há quanto tempo não se sentia tão em paz?

Nos últimos tempos a vida do loiro Uzumaki havia dado um giro de 180 graus e isso se refletia na tranquilidade que havia dentro de si. Nada mais de lamúrias, nada mais de ansiedade, nada mais de preocupações infundadas, e tudo isso tinha apenas uma causa: nada mais de Sasuke.

"Aqui está! Um kaki koori de melão para você e um de chá verde para mim." Gaara entregou o pote a Naruto e sentou-se animado em frente ao loiro.

Depois de ter indo ao inferno e voltado, o Uzumaki, de uma vez por todas, havia decidido dar-se valor. E deveria agradecer aos céus pela existência de Gaara! Pois, foi o ruivo que, com toda paciência e determinação, esteve ao lado do loiro, consolando-o e arrancando-o de um lamaçal de depressão e baixa autoestima.

Dias depois da noite no apartamento de Hinata, Naruto sentia-se tão miserável, tão pequeno e tão sujo que havia decidido acabar com tudo. Preparou uma alta dose de calmantes e um copo com uísque puro, mas simplesmente não teve coragem de tomar… Sem grandes opções, lembrou-se da confissão de Gaara no banheiro da faculdade e decidiu ligar para o ruivo Sabakuno. Desabafou tudo. Sem economizar nas palavras, despejou todo o rio de lodo que envenenava seu coração. Contou tudo o que havia guardado dentro de si nos mais minuciosos detalhes. Falou sobre como havia lutado em vão pelo amor de Sasuke e como se sentia ridículo por acreditar que havia no Uchiha alguma forma de amor por ele. Como estava decepcionado com Hinata, que aproveitava a companhia do moreno para satisfazer seus desejos ignorado os sentimentos que Naruto sempre deixara claro ter pelo rapaz. Contou como se sentia sujo por ter entrado no jogo do Uchiha e participado do ménage à trois que ele havia planejado e que agora sua vida parecia tão sem valor que estava prestes a jogá-la fora. Gaara ouviu tudo com atenção e o aconselhou sem críticas nem julgamentos. Passou a visitar o loiro todos os dias, vigiando sua alimentação e certificando-se de que novas ideias suicidas não brotariam em sua mente. Foi apenas uma questão de tempo para que a presença de Gaara se tornasse único porto seguro do Uzumaki e sua ponte para uma nova vida através de um amor conquistado...

"Como se sente hoje?" O ruivo perguntou casualmente.

"Ainda existem algumas coisas pendentes, mas..." Naruto respondia ao outro rapaz quando seus olhos caíram sobre uma figura que caminhava distraía no calçadão do parque. Hinata passava por ali naquele momento com um semblante abatido.

"Parece que logo, logo estarei totalmente livre. Será que você poderia me deixar sozinho por um tempo, Gaara? Preciso falar com uma pessoa."

Gaara virou-se e viu a bela jovem caminhando enquanto observava as fontes de água. Compreendeu quem poderia ser e sabia que Naruto precisava daquele tempo para colocar sua vida em pratos limpos novamente. Sem dizer nada, apenas levantou-se e com um leve sorriso no rosto afastou-se da mesa.

"Oooi, Hinata!" A voz estridente do loiro Uzumaki rapidamente alcançou os ouvidos da jovem que pareceu surpresa em vê-lo naquele lugar.

Em uma daquelas decisões que tomamos sem pensar muito, Hinata havia decidido fazer uma breve caminhada pelo parque que ficava no caminho entre a universidade e seu apartamento. Estava uma tarde quente e ensolarada, mas a Hyuuga tinha muitas as nuvens cinzentas de sua cabeça que precisava expulsar. O ar fresco próximo à fonte parecia um bom começo, mas deparar-se com Naruto ali foi a pior das surpresas, mas respirou fundo se caminhou até o loiro. Sabia que já havia mesmo passado da hora de conversarem sobre o que havia acontecido.

"Não imaginava te encontrar aqui hoje. Parece que foi coisa do destino. Quer um kaki-koori?" O rapaz perguntou em um tom casual enquanto Hinata aproximava-se e fazia uma leve reverência.

"Não, obrigada. Já faz algum tempo desde que nos vimos pela última vez… Acho... que precisamos conversar. " A morena dizia enquanto o loiro apontava-lhe a cadeira onde antes Gaara estava sentado para que ela sentasse.

"Hum.. é verdade. Já faz algum tempo desde que transamos e você nem me ligou no dia seguinte. " A piada infame de Naruto caiu como uma pedra na cabeça de Hinata que apenas sentou-se em silêncio.

"O que foi? Sexo oral ainda é sexo, não é? Parece que nossa relação atingiu outro nível sem percebermos. " O rosto da Hyuuga queimou em brasas.

"Aquela noite… Foi um erro em vários sentidos. " Disse hesitante antes que Naruto a interrompesse.

"Várias coisas na minha vida foram, Hinata. Mas não se preocupe comigo. Eu estou bem. De verdade! Não estava, mas agora estou. Sei que está pensando que fiquei com raiva por você está transando com Sasuke pelas minhas costas e... sim, no começo fiquei. Mas hoje percebo que o que aconteceu foi bom para mim. Abriu os meus olhos. " O tom sério de Naruto era livre de raiva ou qualquer sentimento negativo. Só havia sinceridade em sua voz.

"Sasuke disse que você não o procurou mais. " A jovem disse com uma voz pesarosa.

"E nunca mais pretendo fazer! " Naruto respondeu com ênfase antes de colocar uma colherada generosa da raspadinha na boca.

Os poucos segundos que se seguiram foram de um silêncio desconfortável no qual apenas os sons do parque eram ouvidos. Naruto parecia estar tranquilo, entretanto, Hinata se sentia gelada por dentro. Como se uma pedra de gelo houvesse batido no fundo de seu estômago.

"Sabe, Hinata, quando eu conheci o Sasuke, fiquei louco. Tudo nele me atraía. Ele era lindo e gostoso. O fato de não se abrir fazia com que ele ficasse super misterioso e aquele jeito de quem não se importa com nada era muito sexy. Mas, parece que o que me fez perder o juízo mesmo foi quando percebi que isso tudo é apenas uma parede que ele construiu para esconder o verdadeiro Sasuke. Essa foi minha perdição! De alguma forma, achei que por ele estar interessado em mim, eu era especial. Que eu seria a única pessoa que poderia acessar seu coração. Que eu conseguiria quebrar aquela a redoma que ele construiu ao seu redor. Por mais que ele me machucasse, por mais que me desprezasse, eu dizia para mim mesmo que essa era apenas a forma que ele tinha de negar que me amava. Eu achava que era apenas medo de se entregar e que se eu insistisse conseguiria fazê-lo perceber que não havia motivos para isso. E eu fui muito idiota..." O loiro finalizou com uma risada amarga.

"Eu sinto muito por tudo ter terminado como aconteceu..." Na falta de ter o que dizer, Hinata apenas lamentou-se pelo Uzumaki.

"Posso te perguntar se você o ama, Hinata?"

A pergunta repentina desnorteou a jovem. O que? Se amava Sasuke? Não! Ou sim? Na realidade não tinha mais certeza nem se amava a si mesma! Seus sentimentos eram uma amálgama de confusão, distorção e dúvida.

"Não tenho certeza do que sinto por ele… Nem sei se sinto algo, na verdade..."

"Eu te conheço há muito tempo. Sei que me aproximei de você por interesse, mas a amizade que construímos não foi falsidade. Obviamente, não esperava encontrar a mesma menina da época do colégio, mas sei que a essência das pessoas não muda. O que eu vi naquela noite me deixou preocupado. Não queira se tornar alguém como ele. Não vale a pena. Sasuke é horrível. Um monstro de ego criado pela infelicidade. Ele é um poço de solidão sem bússola moral nem senso de direção ou limite. Passa pela vida das pessoas aproveitando-se delas e deixando um rastro de destruição sem se importar com nada. Não se deixe arrastar pela escuridão que tem dentro dele. Afaste-se. É o melhor que pode fazer."

~x*X* *X*x~

"Tadaima!"

"Ojou sama! Okaerinasaimase!" A governanta dos Hyuuga disse com um sorriso elegante ao ver Hinata subindo a peque escadaria de mármore na entrada da mansão da família.

Saindo do parque, Hinata foi diretamente até a casa de sua família. Queria conversar com seu pai, ver a mulher que lhe criou como uma mãe e, enfim, sentir-se protegida de alguma forma.

"Como estão as coisas, Natsu?" A herdeira mais velha abraçou afetuosamente a mulher de meia idade que retribuiu o carinho com delicadeza.

"Movimentadas desde de esta manhã, ojou sama."

A mansão Hyuuga era um lugar incrível. Tinha mais de 200 anos e era construída em estilo tradicional. Dividida em 2 pavimentos com vários quartos, escritórios, salas, salas para cerimônias tradicionais, salas de treinamento de artes marciais, além de um jardim imenso que cercava a casa por todos os lados o qual era cortado por um pequeno lago e decorado com uma bela ponte em forma de arco e possuía várias árvores típicas espalhadas por toda sua extenção.

"Onde está meu pai?"

"Hiashi sama está no bosque" Hinata ouviu com surpresa a fala de Natsu.

Apesar de o jardim ser um lugar imenso, cheio de bonsais caríssimos, flores bem cuidadas e pequenas carpas douradas em seu lago, havia um lugar que superava a beleza de qualquer outra parte do jardim e que era praticamente um santuário. Esse lugar era o bosque. Chamado assim por reunir diversos tipos de árvores, era um espaço reservado para o Hanami da família durante a primavera. O lugar favorito de sua mãe quando estava viva... Naquela época costumavam passar as tardes de domingo ali. Os quatro: Hanabi e Hinata brincando na grama e seus pais conversando trivialidades enquanto comiam alguma guloseima. Mas isso foi há muito tempo... Após cruzar todo o jardim, Hinata avistou seu pai de longe. Vestindo seu costumeiro yukata claro de verão, estava sentado em um dos bancos do conjunto de jardim cercado pelas cerejeiras, ameixeiras e momijis.

"Otou sama..." Hinata aproximou-se e cumprimentou o pai.

"Hinata! Sente-se, há muito o que conversarmos. "

Hiashi esperou a filha acomodar-se, uma empregada trazer limonada e algumas fatias de cheesecake e então, iniciaram uma conversa direta e honesta.

"Obrigado... Pelo que está fazendo por nós. " Hinata ouviu com surpresa às palavras do pai. Estava acostumada a ouvir outras pessoas agradecendo Hiashi, mas raramente ouvia o pai agradecer por algo.

"Eu e sua mãe nos amamos muito e fomos muito felizes por causa do nosso amor. Se possível, eu gostaria de garantir que minhas filhas pudessem viver esse tipo de felicidade também. Mas acabei falhando com você... Sei que não está feliz e que só aceitou esse casamento para nos salvar... e eu nunca vou esquecer seu sacrifício. " Hiashi falava observando o movimento do vento na folhagem das árvores. Parecia rememorar memórias antigas que há muito haviam sido deixadas de lado.

"Eu compreendo a importância desse casamento, meu pai. Ele é a chave para proteger nossa família de uma grave crise. Não só a nossa família, mas todas as que dependem dela. Se essa é a única forma, eu não vou me esquivar." Hinata respondeu serenamente enquanto prendia atrás da orelha uma mecha do longo cabelo que era soprada pela brisa.

Um momento de silêncio se fez e pai e filha ficaram calados relembrando imagens felizes do passado distante que compartilharam naquele lugar.

"Você gosta dele? Me disseram que muita gente não gosta..." Hiashi perguntou a filha inclinando a cabeça em sua direção, porém sem olhá-la diretamente.

"Não gosto dele como homem. Em outra situação, dificilmente nos envolveríamos. Mas, estamos fazendo nosso melhor para nos darmos bem. Não é uma má pessoa..." Hinata respondeu sinceramente ao pai e novamente ambos ficaram em silêncio.

Por ser verão, as árvores não estavam floridas, mas, mesmo assim, proporcionavam um cenário majestoso. Hiashi não era um homem dado a afetuosidades e isso piorou com a morte de sua esposa. O fato de estarem naquele lugar, ao qual nunca mais haviam voltado desde então, revelou a Hinata o quão sentimental seu pai estava. Em um momento raro, deram-se as mãos e o chefe dos Hyuuga disse a sua primogênita:

"Hinata, o fato de você nunca ter tido aptidão para os negócios a colocou nessa situação. Você não seria capaz de contribuir como Neji ou Hanabi para o desenvolvimento da empresa. Entretanto, o que você está fazendo é muito mais do que qualquer um deles poderia ou poderá fazer pelos Hyuuga algum dia. Se houvesse outro jeito, eu não a sacrificaria dessa forma, mas agora, só posso agradecer aos céus por ter uma filha como você. "

~x*X* *X*x~

"Você não entende nada! Nunca entendeu! " Sasuke gritou com uma voz cheia de raiva e ressentimento.

"O que eu entendo muito bem é que você vive fugindo dos seus deveres e as responsabilidades! "

"Se você veio aqui só para me torturar, pode ir embora. Não tenho tempo para perder ouvindo a mesma ladainha de quando eu era adolescente. "

Logo que finalizou a apresentação daquela noite, Sasuke recebeu uma visita em seu camarim: Uchiha Fugaku, seu pai, estava ali esperando-o. Foi o que o staff do teatro lhe falou ainda nas coxias. Apesar da empolgação da funcionária, o rapaz sabia que não seria uma visita de cortesia ou mesmo de parabenização.

O clima frio de dentro do camarim, nada tinha a ver com o ar-condicionado ligado na potência máxima. Fugaku era um homem severo e sério que guardava seus sorrisos para as negociações da empresa. Assim que Sasuke adentrou o cômodo, o Uchiha mais velho iniciou uma conversa que mais parecia um interrogatório policial. Perguntou sobre como estava vivendo, com quem, o que pretendia fazer no futuro, mas as respostas de Sasuke sempre soavam-lhe insuficientes, vagas e descompromissadas. Não demorou muito para que a pouca paciência que possuía se esgotasse, iniciando uma série de críticas duras ao filho. O rapaz, ouvia tudo calado até que o pai começou a esbravejar sobre a saúde da esposa. Culpando-o por sua piora nos últimos tempos.

"Para você, eu sou sempre a causa de todos os problemas naquela casa! Não importa quanto tempo eu passe longe, você sempre encontra uma forma de me culpar! " O moreno disse irritado.

"Porque eu e sua mãe passamos a vida toda tentando te fazer um homem respeitável. Mas você fecha seus olhos para isso e só enxerga o que quer! Tentamos fazer você entender como a vida funciona, mas acabamos criamos um egoísta e, o pior de tudo, é que não sabemos como! " O mais velho argumentou com pesar.

"Vocês não me deixam viver! Querem decidir qual profissão vou ter, com quem vou me casar, onde vou viver. Não percebe isso? Eu só quero poder fazer minhas próprias escolhas. " Sasuke respondeu com uma voz cheia de raiva e ressentimento.

"A vida não é assim, Sasuke. Todas as pessoas têm responsabilidades das quais não podem se esquivar. Ninguém vive só daquilo o que gosta de fazer." Fugaku suavizou o tom tentando explicar ao filho as coisas como se faz com uma criança.

"Eu não vou voltar! Não me peça para largar tudo o que eu lutei para conquistar e voltar para o adestramento dos Uchiha."

"É isso que você quer, então? Matar sua mãe de desgosto de uma vez?" Fugaku gritou irritado.

"Se ela não morreu vivendo com você até hoje, não vai ser por minha causa que ela vai empacotar." Sasuke retrucou com um tom cínico.

O som seco do tapa ressoou pelo corredor.

A poucos metros dali, Hinata, que se aproximava do camarim, ouviu o barulho e parte da discussão.

"Você não quer fazer escolhas! Quer viver a seu bel prazer! Eu não sei onde errei que não consegui te fazer entender coisas óbvias na vida..."

"Vai embora, Oyaji. Eu ainda estou trabalhando." Sasuke disse com uma voz baixa e reprimida.

"Você chama esse circo de trabalho? Francamente, se pelo menos fosse um pouco mais como Itachi..." O pai do moreno esbravejou irritado.

"Eu já disse que estou trabalhando! Sai daqui agora!" Sasuke repetiu gritando a última frase.

"Você é minha maior tristeza, Sasuke. Eu até poderia fechar os olhos para as suas depravações, mas não é só isso. Fugiu das suas obrigações envergonhando nossa família no passado e ainda prefere ser um macaco de circo a ser um homem respeitável. Eu só vim até aqui porque sua mãe implorou, mas, a partir de hoje, de uma vez por todas, você não é mais meu filho." O homem falou antes de sair e bater a porta atrás de si.

Ao sair do cômodo, Fugaku cruzou com Hinata no corredor e surpreendeu-se ao vê-la. Cumprimentou a moça com uma menção de cabeça, mas não disse uma só palavra antes de deixar o local.

A Hyuuga entrou no camarim e encontrou Sasuke sentado na cadeira de maquiagem com o rosto enterrado entre as mãos. Ele estava chorando. Um choro silencioso e reprimido de quem não costuma deixar os sentimentos se manifestarem com frequência. Hinata aproximou-se e pousou a mão em seu ombro, quando seus olhos se cruzaram, ele apenas soltou um suspiro de pesar e limpou as lágrimas.

"Você ouviu? Pelo menos, dessa vez ele incluiu alguns xingamentos novos. Parece que Macaco de circo é o novo Desocupado exibicionista. Viadx depravado já saiu de moda desde o final do ensino médio."

"Era o seu pai?" Hinata perguntou abaixando-se e ficando ao lado do moreno e virou o rosto. Parecia estar envergonhado pela situação.

"Pelo visto não mais."

"Ele estava com raiva. Ninguém pode simplesmente deixar de ser pai de alguém" Hinata afagou os cabelos do rapaz. Era a primeira vez que via Sasuke naquele estado de nervos.

"Não para os Uchiha. Se brincar, amanhã ele vai no cartório e apaga meu nome do livro da família." Hinata secou algumas lágrimas que ainda rolavam pelo rosto avermelhado do moreno Uchiha.

"Eu já vi seu pai antes. Ele tem negócios com o avô do Sai e com meu pai... Você nunca me contou sobre eles..." Hinata comentou sobre as vezes que havia visto Fugaku e seu filho, que agora sabia ser o irmão de Sasuke, durante o jantar na casa de Sai e em sua própria tempos atrás.

"É… minha família é uma das grandes, então acho que você já deduziu o porquê de eu não viver com eles." Sasuke respondeu deixando subentendido que era a ovelha-negra da família.

"Ele queria que você voltasse?"

"Sim. E provavelmente queria que eu assumisse algum departamento-de-qualquer-coisa dentro da empresa e depois me vendesse para alguma outra família de milionários para firmar algum outro negócio. Como eu não quero, vou ser a causa da morte da minha mãe" Hinata o abraçou. Havia uma mistura de sentimentos na fala do Uchiha, raiva, frustração, medo e remorso. Sasuke segurou a mão de Hinata e disse:

"Acho que no fundo, a verdade é que eu admiro você. Gostaria de ter metade da coragem que você tem. Eu não conseguiria abrir mão de mim mesmo como você está fazendo. Minha família não teria metade dos problemas que tem se eu não fosse o problema da casa."

"Eu não sou um bom exemplo para nada, Sasuke kun." Hinata riu amargamente para sim mesma.

"Pelo menos você não é o filho indecente que traz vergonha para a família"

Hinata afastou-se do rapaz e estendeu a mão dizendo:

"Vamos para casa."

Durante todo o caminho de volta, Sasuke esteve quieto, observando as luzes noturnas da cidade pela janela. Hinata também permaneceu calada, respeitando o momento do rapaz. Imaginou a si mesma naquela situação. O que teria acontecido se tivesse se recusado a casar com Sai? O que aconteceria a sua família se resolvesse se tornar qualquer coisa que fosse fora dos padrões para uma dama da alta sociedade? A maior ironia do destino é que havia ido ao teatro naquela noite justamente para atender a vontade de sua família e pôr tudo em pratos limpos com Sasuke. Era hora de assumir seu papel, encerrar de uma vez esse capítulo e seguir em frente com a história principal. Avisaria o Uchiha de seu casamento e terminariam tudo. Entretanto, havia chegando ao teatro bem depois do final da peça e, enquanto se aproximava do camarim, ouviu toda a discussão que estava acontecendo ali… Independentemente do caminho a se escolher, não havia facilidades quando se vem desse tipo de família.

Chegando em casa, calado, o Uchiha sentou-se no sofá com o braço cobrindo os olhos. Hinata o observava de longe. Lembrou-se do que Naruto disse sobre a redoma que Sasuke construía a seu redor. Naquele momento essa barreira estava no chão. Aquele era o verdadeiro Sasuke. Não havia nenhum traço de sua autoconfiança, arrogância ou cinismo. O Uchiha parecia ser como qualquer outra pessoa que sofria e sentia dor e, o pior, parecia extremamente solitário. A moça sentou-se ao seu lado e correu o dedo por seus cabelos. Sasuke virou-se e a abraçou. Com fronte apoiada em seu peito, os braços ao redor de sua cintura, parecia uma criança triste por ter perdido um bichinho de estimação. A Hyuuga beijou-lhe a testa e logo ele retribuiu com um beijo. Um beijo suave e delicado. Cheio de uma ternura e afeto que nunca havia estado ali antes.

Talvez não fosse tão ruim deixar que acontecesse pela última vez. Se fosse daquela forma, não seria ruim fazerem pela última vez. A Hyuuga deixou-se envolver por cada toque, cada afago, cada carícia cheia de um sentimento que Sasuke nunca antes havia deixado transparecer. Então, mesmo sendo a última vez, fizeram delicadamente, intensamente e apaixonadamente amor pela primeira vez.


Vocabulário:
"Eu estava chorando quando te conheci, agora, estou tentando te esquecer.
Seu amor é uma miséria adorável..."
Cryin' - Aerosmith

Sensei - professor
Otou san - pai
Kaki koori - raspadinha de gelo
Tadaima - expressão utilizada quando se chega de volta em casa
Ojou sama - senhorita
Okaerinasaimase - expressão utilizada por serviçais quando seus patrões retornam para casa

Momiji - Árvore japonesa muito admirada no outono. suas folhas ficam bem vermelhas e são bastante utilizadas em ikebana.
Oyaji - Pai, forma vulgar

1 - O livro do qual Ino e Sasuke estão falando se chama "Kafka à beira mar" do autor japonês Haruki Murakami. Recomendo muito todos os livros dele.
2 - "Hana yori dango" foi um drama inspirado em um mangá de mesmo nome que teve sua versão japonesa exibida em 2006. E o cabelo do protagonista era algo assim: user/javabeans122/media/drama/kkot/hyd_ .html