Notas da Autora:
Yo, people~~

E aí? Pesados os dois últimos capítulos, ne? Mas a partir de agora vão ficar piores hahahaha Brincadeirinha! Mas devo avisar que o capítulo de hoje não é feliz. Preparem-se também para escolherem um dos lados: Sasuke ou Sai. Quem vocês acham que vai ficar com a heroína? Eu adoro Sasuhina, mas confesso que acabei me apaixonando por esse Sai tbm... MAAAAAS vamos ver, ne? Ainda temos tempo antes do capítulo final. Tudo pode acontecer XD

Falando em capítulo final, devo confessar que estar tão próxima da conclusão dessa fic é uma vitória. Tanta coisa aconteceu... Uma dessas coisas foi a falta de motivação. Com o final de Naruto, cheguei a achar que a Musa das minhas fics havia morrido. Sasuhina não foi cannon (não que eu esperasse isso de vdd, mas tbm não precisava acabar daquele jeito tosco. Não, eu não gostei dos casais cannon, confesso. NaruHina é até respeitável, mas SasuSaku não me desce.) Mas as interações entre Sasuke e Hina em Boruto fizeram meu coração explodir de paixão e eu resolvi que deveria concluir tds os meus projetos.

Como falei, essa fic está planejada em 12 capítulos, então, aguardem mais 2 até o final de semana.
Beijos e boa leitura!


"Please be tender! I'm in your hands girl."

This is a feeling I never knew"

I surrender – Rainbow

O telefone tocava sem parar. Hinata, ainda bastante sonolenta, estendeu a mão e tateou várias vezes o criado-mudo na tentativa de alcançar o smartphone antes que a ligação caísse. Sem sucesso. Pode apenas ver a sequência de mensagens que iam aparecendo em suas notificações:

"Ohayou gozaimasu!"

"Desculpe, sei que está cedo, mas preciso falar com você"

"Só me avisaram essa manhã..."

"Poderíamos nos ver hoje?"

"Nesse lugar aqui:"

A localização indicava um centro comercial que a Hyuuga conhecia bem.

Na tentativa de bloquear qualquer entrada de luz, a jovem cobriu os olhos com o antebraço. As mensagens de Sai a tinham puxado de volta à realidade: Os preparativos para o casamento já tinham começado e ambos precisariam adequar suas vidas ao novo contexto de marido e mulher. A noiva, em especial, precisava providenciar, além dos planos do enxoval, da cerimônia e lua-de-mel, um plano para colocar um certo Uchiha fora de sua vida. Sentou-se na cama e jogou o celular com força contra o colchão macio. Sentia raiva, mas não sabia de quem. Provavelmente era de si mesma.

"Ah! Ohayou! Já acordou? Achei que iria ficar mais tempo na cama, já que não tem aula hoje." Sasuke disse enquanto entrava no quarto com uma bandeja nas mãos.

Ao contrário de Hinata, o moreno Uchiha estava de ótimo humor. Havia acordado cedo e preparado o café da manhã do jeito que a garota gostava. Frutas frescas, café quentinho, panquecas, calda de mel, tudo em uma bandeja decorada com uma flor em um vasinho.

"Trouxe para você." O rapaz disse enquanto posicionava a bandeja em frente a jovem e sentava-se ao seu lado. Sasuke parecia ter esquecido completamente a discussão feia que havia tido com o pai no começo da semana.

Enquanto falava animadamente sobre sua peça estar indo tão bem que diretores da cidade demonstravam interesse em montá-la em um teatro profissional, o Uchiha mexia nos cabelos de Hinata, acariciava suas costas e sorria como a Hyuuga não se lembrava de ter visto antes. Parecia totalmente relaxado, como se tivesse lutado durante muito tempo e, agora, essa luta não era mais necessária. Sasuke estava diferente também na cama. Mais cuidadoso, gentil e, até mesmo, carinhoso...

"… que tal almoçarmos juntos para comemorar?" O moreno perguntou aproximando o rosto da garota.

"Não posso. Vou encontrar com Sai kun nesse horário." Hinata, que comia em silêncio até aquele momento, disse sem alterar sua expressão.

"Ah, sou ka? Ele ainda está forçando uma intimidade com você?" Tentando disfarçar o desapontamento, o rapaz comentou sarcástico.

"Não sei. Mas parece que vamos nos reunir para decidir as poucas coisas que nos cabem nesse casamento."

"Vai ser uma reunião rápida, então." O Uchiha comentou com seu tom irônico usual, mas que, naquele momento, soou extremamente artificial.

"Meu pai marcou a data da cerimônia de casamento…" Levou alguns segundos para o rapaz processar o que havia ouvido e conseguir responder:

"Então, chegou o momento, não é? Quando vai ser?" Perguntou colocando no rosto a melhor expressão de indiferença que pode criar, no entanto, sentia como se tivesse engolido um grande pedaço de pão seco e duro.

"Daqui a 3 meses..."

"Hum..." Sem dizer nada, o moreno assentiu com a cabeça, deu um beijo na testa da Hyuuga e saiu do quarto deixando-a sozinha.

~x*X* *X*x~

"Obrigada por lembrar da minha existência!" Por telefone, Sakura ironizava o sumiço da amiga.

"Você sabe que eu nunca te esqueci! É que as coisas andam difíceis nos últimos tempos." Hinata se justificava usando o sistema de viva-voz do carro.

Sakura e Hinata se conheciam a tempo o suficiente para ficarem meses, ou até mesmo anos, sem se falarem e, mesmo assim, preservar a cumplicidade que só melhores amigas têm. Também mantinham um vínculo de compreensão mútua, bastando um olhar, uma palavra, para saberem como estava o estado de espírito uma da outra.

"O que houve dessa vez?" A voz de Sakura soou assertiva.

"Meu pai marcou a data... Será em 3 meses."

"Bom, até aí nenhuma novidade, certo? Sabíamos há quase 2 anos que as coisas seriam assim."

"É você tem razão... é que..." Hinata hesitou em continuar.

"É que..." A jovem Haruno pressionou.

"Acho que é um péssimo momento para sair de perto do Sasuke."

"O que? Desde quando vocês estão apaixonadinhos?" A surpresa na voz de Sakura era real.

"Apai... Não! Não é nada disso! É que ele passou por um momento ruim e agora está conseguindo superar, então me separar dele agora seria meio que um baque emocional e..."

"Hinata... Sério! Desde quando alguém sofre por perder uma foda ocasional?"

"Sakura chan!" Hinata detestava quando a amiga usava expressões chulas desnecessariamente, apenas para dar mais ênfase às frases.

"Estou falando francamente! Ninguém morre porque perdeu um parceiro de sexo esporádico. Agora, se você acha que isso vai ser um problema é porque está envolvida em um nível acima do físico."

"Lógico que não! Nunca foi isso." A Hyuuga respondeu enquanto freava bruscamente no sinal vermelho.

"Pelo menos não era para ser, ne?"

"O que eu quero dizer é que aconteceram várias coisas e eu sei que Sasuke é uma pessoa egoísta e cheia de problemas, mas ele também tem um lado frágil e traumatizado que, depois de resistir muito, conseguiu me mostrar e eu sinto que ele está me pedindo socorro de alguma forma, mas não posso mais ajuda-lo porque tenho que me casar com o Sai e expulsá-lo da minha vida definitivamente." A Hyuuga disse em, praticamente, um fôlego só. Deixando a Haruno em silêncio durante alguns segundos do outro lado da linha.

"Então é isso? Você só está preocupada com a saúde mental dele?"

"É! Que dizer.. também..."

"Seja honesta"

"S-sim, é isso mesmo." A morena respondeu sem confiança. Sakura suspirou lamentando e disse:

"E está certa sobre casar com o Sai?" O carro que estava atrás da jovem buzinou quando o sinal se tornou verde e o da Hyuuga não se moveu.

"Claro!" A morena respondeu engatando a marcha.

"Então, hoje à noite você vai terminar tudo com o Uchiha! Não importa o que ele te diga, porque ele vai dizer, mas você será firme e vai colocar um prazo para ele ir embora da sua vida, entendeu?"

Já com o veículo em movimento, Hinata escutou com atenção as palavras da amiga e, apesar de relutante, concordou jurando seguir à risca o conselho da rosada. Apesar de drástica, certamente aquela era a melhor solução no momento...

~x*X* *X*x~

Sasuke parou a Road King em frente a um café americano no centro de Azabu Juuban. O estabelecimento de esquina era a cara das ruas afetas dos ricos que moravam naquele lugar: apesar do cardápio simples, a decoração em madeira e alumínio transmitia um ar de refinamento e requinte. O salão era amplo e iluminado por grandes vidraças que davam visão panorâmica da rua. Ao entrar, ouviu o típico Irasshaimase dos atendentes, que, até mesmo nisso, soavam mais chiques do que os dos bairros populares.

"Olha só! O homem mais lindo do mundo me chamando para um café?! Acho que devia me sentir importante…" O homem na casa dos 30 anos, cabelos e olhos profundamente pretos disse acenando para o Uchiha de uma mesa com dois lugares ao lado da vidraça no fundo do salão.

"Nii san!" Sasuke disse enquanto abraçava fortemente seu irmão mais velho, Itachi.

"O que deu em você? Do nada me telefonando..." Disse enquanto voltava a seu lugar e via o mais novo sentar-se à sua frente.

"Estava com saudades" Itachi riu e disse:

"Mentira. Você só vem atrás de mim quando quer alguma coisa."

Itachi era o típico executivo diferentão de costas quentes da empresa. Apesar do terno refinado e formal, usava os cabelos longos presos em um rabo de cavalo rente a nuca. Ser filho do dono e futuro herdeiro lhe permitia conservar o espírito de adolescente metaleiro com seus brincos, anéis e unhas pintadas de preto. Contudo, as olheiras profundas mostravam que a idade adulta, acompanhada de seus típicos problemas, já havia chegado e roubado seu sono e tranquilidade juvenil.

"É verdade! Quis te ver hoje, comer essas panquecas caras e tomar uma xícara desse café ruim como fazíamos anos atrás... na época em que nossa família era feliz."

"Ishi... isso faz tanto tempo que nem lembro quando foi" Apesar do tom sarcástico de ambos, havia uma ponta de tristeza em cada observação. Itachi e Sasuke usavam as mesmas armas para esconder seus sentimentos.

"Nosso pai andou reclamando de você de novo. Parece que um cliente viu sua peça e comentou o quanto você é bom. Ele teve que forçar um sorriso e agradecer a contragosto."

"Eu daria tudo para ver a cara dele nessa hora"

"Parecia que tinha engasgado com uma batata quente." Os dois riram imaginando a saia-justa de Uchiha Fugaku.

Enquanto a garçonete enchia as xícaras com café preto, Sasuke ficou em silêncio. Itachi, que já conhecia os gostos do irmão, fez o pedido para ambos. Quando a moça saiu, o Uchiha mais jovem perguntou enquanto olhava o movimento na rua:

"Nii san... posso te perguntar algo sobre seu casamento?"

"Claro. O que seria?"

"Por que você aceitou aquilo? Por que simplesmente não disse não e enfrentou nosso pai?"

Itachi, com um sorriso leve nos lábios, respondeu calmamente:

"A vida não é tão simples, irmãozinho. Essa era a minha responsabilidade e eu a assumi."

"Você não se sentiu vendido?"

"De forma alguma! Eu sempre soube que seria assim que me casaria cedo ou tarde." A prontidão na resposta fez com que Sasuke lembrasse do dia do casamento.

"Mas, naquele dia você não estava feliz. E a Konan san... menos ainda." O comentário do caçula sobre o estado de espírito da cunhada na hora da cerimônia era totalmente pertinente, já que ela estava aos prantos no dia do casamento. Itachi suspirou e explicou:

"Se eu te disser que foi fácil, estarei mentindo. Eu e Konan mal nos conhecíamos e ela tinha um ex-namorado lutador profissional e inconformado, entende... Mas sabíamos que a vida de milhares de pessoas dependia da união das famílias e não poderíamos fugir dessa responsabilidade."

"Então, você me acha irresponsável por ter fugido?" Sasuke perguntou francamente.

"Não. Mas acho que falhei como irmão mais velho no sentido de te explicar sobre várias coisas e fazê-lo entender porque tudo acontece do jeito que acontece."

Um silêncio pesaroso se fez presente na mesa. A garçonete voltou carregando uma bandeja com dois pedaços de torta de maçã americana e duas panquecas hotcake com manteiga e xarope de bordo.

"Você está feliz hoje em dia?" A pergunta do irmão surpreendeu Itachi. Sasuke não costumava fazer esse tipo de inquisição tão ingênua.

"Muito! Tenho uma esposa linda, incrível e temos uma relação baseada em esforço mútuo, respeito e amizade. O amor construído é assim. Por isso casamentos como o nosso são sólidos."

Sasuke riu amargamente. Em silêncio, finalmente entendeu que era isso o que Sai e Hinata estavam tentando construir durante todo esse tempo. Hinata não era uma masoquista que idolatrava um cara que não a amava. E nem Sai era um mendigo de afetividade transferindo a reparação de seus erros. Estavam apenas dando o seu melhor para conseguirem viver o resto da vida em harmonia.

"E você? É feliz do jeito que vive atualmente?" O primogênito dos Uchiha perguntou enquanto cortava um pedaço da torta.

"Por um tempo achei que sim... Não sei mais." Sasuke respondeu olhando para o prato, mas sem realmente ver o que estava ali.

Itachi deu duas batidas leves com o indicador na mesa. Um ato simples de quem decide revelar algo que deveria guardar para si.

"Eu não ia te contar, mas já que estamos tendo uma conversa tão franca, queria que soubesse. Nosso pai colocou um detetive atrás de você alguns meses atrás... Bom, acho que isso não é uma grande surpresa, mas ele descobriu que você se acidentou e ficou hospedado no apartamento de uma moça com quem está se relacionando... Acontece que não sabíamos quem era essa moça até o começo da semana, quando ele te encontrou no teatro. É a filha mais velha dos Hyuuga, certo?"

"Sim. Hinata." Itachi soltou um riso de canto e disse:

"Pois era exatamente com a filha mais velha de Hyuuga Hiashi que nosso pai estava negociando seu casamento..."

O tempo de processamento dessa informação pareceu levar décadas dentro da cabeça de Sasuke. Hinata seria sua noiva... Então era isso que se chamava ironia do destino? Fosse o que fosse, não era nem um pouco engraçada...

"Acredito que ela nem ficou sabendo disso já que você surtou antes mesmo do nosso pai pudesse prosseguir com o acerto..."

"Ela irá se casar com o sucessor de Shimura Danzou em poucos meses..." Comentou com a voz baixa, sem encarar o irmão mais velho.

"Claro que vai. O que precisa ser feito, irmãozinho, tem que ser feito. Se você não o faz, alguém faz no seu lugar. Não tem como escapar" O tom fatídico de Itachi irritou um pouco Sasuke que questionou:

"E do que adianta saber disso agora?"

"Adianta para que você ponha a cabeça no lugar e reflita. O mundo deu uma volta e te trouxe para o seu ponto de partida, mostrando que nosso pai estava certo. Acredite! Sei que ele é um péssimo pai em alguns momentos, mas nunca negociaria nosso futuro sem ter certeza de que seria algo bom para nossas vidas também. Ele não é um monstro, é só um homem de negócios com a cabeça de um."

Durante alguns segundos um turbilhão de pensamentos passou pela cabeça do Uchiha mais jovem. Lembrou-se de todas as brigas que havia tido com seu pai por motivos bobos, e mesmo aquelas que havia tido por motivos sérios, mas que nas quais vivia dizendo coisas desnecessárias apenas para magoar... Lembrou-se das pessoas com quem se relacionou, especialmente de Naruto, as quais apenas usou para se divertir e depois seguiu sua vida... Então, comentou:

"Lembra daquelas aulas de filosofia oriental tediosas que nossa mãe nos fazia ter?"

"Lembro! Você odiava. Dizia que não faziam sentido." Itachi comentou empolgado. Ao contrário do irmão, adorava aquelas aulas quando criança.

"Tinha uma lição que eu odiava em especial: aquela do karma. Nunca entendi como nossas ações podem voltar sem ser pelas mãos de alguém que busca vingança..." Sasuke disse recostando-se no espaldar da cadeira.

"Está falando daquela história das sementes, certo?"

"Exato! Parece que eu plantei espinhos sem perceber..." Sasuke deu um leve soco na mesa enquanto ria amargamente de sua situação. Para aliviar o ambiente Itachi disse logo em seguida:

"O lado bom é que o dinheiro das aulas não foi um desperdício. A professora ficaria feliz em saber que finalmente você entendeu o que ela tentava te ensinar."

"Bingo!"

~x*X* *X*x~

Hinata caminhava no centro comercial, seguindo a localização apontada por Sai mais cedo naquela manhã.

O lugar refinado, ficava no bairro de Ginza. As ruas estavam cheias de homens idosos vestidos com ternos de marcas clássicas, acompanhados de mulheres em quimonos. A loja apontada pelo Shimura não era grande. Tinha as vitrines vazias e a placa havia sido removida, indicando que, talvez, estivesse desocupada. A Hyuuga ficou sem compreender o que estava acontecendo. Talvez devesse ligar para o noivo, ou mesmo, ficar ali até que ele aparecesse e lhe dissesse o que estava planejando, afinal. Foi, então, que a porta da loja abriu de súbito e alguém puxou Hinata para dentro.

Ao contrário do que aparentava, a loja estava em pleno funcionamento e cheia de funcionários. Algumas moças levaram a confusa herdeira Hyuuga para uma sala especial onde, sem muitas explicações, trocaram suas roupas, fazendo-a vestir um vestido de noiva tomara-que-caia, com a saia rodada em uma renda fina branco-marfim. Arrumaram seus longos cabelos em um coque alto e fizeram uma maquiagem leve em seu rosto delicado. Quando levaram-na a um salão todo espelhado mais ao fundo da loja, viu que Sai a esperava vestido com um fraque tradicional para noivos: paletó preto com a parte de trás mais longa, colete cinza, camisa branca, calça rica de giz e gravata prata. O cabelo bem cortado penteado com gel e sua pele alva davam o aspecto de um modelo de catálogos para casamentos.

"Ah! Aí está você. Ficou maravilhosa!" Sai disse sorrindo ao ver a noiva entrar no salão.

"O que é tudo isso, Sai kun?" Hinata perguntou enquanto uma funcionária colocava um buquê de flores roxas em suas mãos.

"Queria ter um momento com você antes de toda a loucura começar. Um momento em que nos sentiríamos os noivos, e não partes de um show bem orquestrado." Respondeu sob os olhares encantados das funcionárias que, certamente, estavam achando tudo aquilo muito romântico.

"E para isso você me faz vir a uma loja de noivas sem eu saber e, sem perguntar minha opinião, escolhe o vestido, cabelo e maquiagem por mim?" A Hyuuga perguntou séria, porém, sem acusação na voz.

"Haha! Ato falho... Está brava?" Perguntou sem jeito.

"Não. Eu gostei do vestido de qualquer jeito." A moça respondeu com um sorriso. De fato, achou aquilo tudo muito divertido.

O salão era feito especialmente para provas de roupas de noivos e noivas. Havia espelhos para todos os lados. Sai e Hinata estavam lado a lado contemplando suas imagens no espelho, quando o rapaz disse:

"Olhe para nós dois. Somos um casal perfeito. Mais perfeitos do que aqueles que colocam em cima dos bolos de casamento... Somos mesmo muito lindos." Hinata riu do tom sério e convicto de Sai. Como alguém poderia falar algo do tipo com tanta sobriedade?

"Mas a verdade é que você nunca parece plena quando está comigo" Concluiu olhando nos olhos da jovem através do espelho. Hinata sorriu e disse:

"Você também não parece exatamente apaixonado."

"Touché!" As risadas levaram apenas um breve instante para logo converterem-se em um silêncio avaliativo.

"Sai kun... Às vezes você tem a sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa?" Hinata perguntou reflexiva.

"Tenho essa sensação há 10 anos. Me pergunto quando essa pessoa vai voltar para buscar sua vida e deixar que eu viva a minha..." Sai, apesar das palavras risíveis, também respondeu sério.

"Por mais que eu me esforce, parece que estou fazendo algo errado..."

"É porque estamos. Não deveria ser natural não poder ficar com alguém se queremos essa pessoa e ela nos quer..."

Sem desviar os olhos do espelho, Sai segurou a mão livre da Hyuuga e disse:

"Hinata, eu não te amo. Do mesmo jeito que sei que você não me ama. Aquele cara tem razão quando diz que não sou homem suficiente para você. Talvez eu nunca seja o que ele é para você. Nunca arranque suspiros seus e nem te faça cometer loucuras como ele faz, mas isso não nos impede de encontrarmos uma forma de sermos felizes." Hinata sorriu um sorriso pesaroso e pequeno, mas disse retribuindo o toque do Shimura:

"Eu vou me esforçar para isso, Sai kun."

~x*X* *X*x~

Os ventos do início do outono sopravam fortes e frescos. Na tarde daquele dia, o parque próximo ao apartamento da Hyuuga, estava cheio de pessoas aproveitando as últimas horas de sol pleno, afinal, durante aquela estação, as noites eram longas e costumava escurecer às 4:30 da tarde. O cheiro das castanhas e batatas assadas vendidas pelos ambulantes se misturava ao cheiro da grama e das folhas que começavam a cair e decomporem-se no chão. A paisagem estava linda. Um misto de verde, vermelho e cobre tomava de conta das árvores. Depois do encontro com o noivo, Hinata decidira passar um tempo no lugar. Precisava de ar fresco, silêncio e de sua própria companhia para refletir sobre o futuro.

A conversa mais cedo com Sakura havia lhe mostrado que devia fazer, mas ao mesmo tempo abriu um leque de novas dúvidas em seu coração. Estaria mesmo apaixonada por Sasuke? Mas, que espécie de amor era aquele que ela nem ao menos havia se dado conta? Mas, se não era amor por que sentia sua determinação em tornar-se a senhora Shimura tão abalada? Quando pegou-se imaginando uma vida comum ao lado do Uchiha em alguma cidadezinha do interior, decidira que o melhor a fazer era afastar-se dele o quanto antes. Precisava quebrar o estranho vínculo que haviam construído e que o moreno insistia em chamar de amor e que Hinata ainda não conseguira nomear. Sentou-se em um banco qualquer suspirando pesadamente. Sua vida parecia uma cama de gato extremamente emaranhada. Como a história contada em um dos seus livros favoritos: O grande Gatsby.

Nesse livro, Gatsby é apaixonado por Daisy que é casada com o aristocrata esnobe e arrogante Tom Buchanan. A fim de reviver seu grande amor dos tempos de adolescência, Gatsby planeja reaproximar-se de Daisy. Hinata sempre fora encantada pela personagem de Gatsby. Ele era ao mesmo tempo leve e intenso, sincero e misterioso, obstinado e relutante. Encantava a todos com seu charme, contudo, aos poucos, pelo ponto de vista de Nick, era possível vê-lo como um homem abalado, frágil, capaz de cometer loucuras para recuperar o passado e reviver sua antiga paixão… Praticamente um retrato de Sasuke! O que a tornava, por coincidência, um retrato de Daisy: fútil, triste, vazia e desesperada por afeto.

Enquanto lamentava-se em silêncio, foi surpreendida pelos latidos e lambidas familiares de um enorme cão branco.

"Akamaru?!" Confirmou enquanto tentava acalmar o animal que saltava e lambia extremamente feliz em reencontrá-la.

"Akamaru! Akamaru! Volta aqui! Nossa, me desculpe! Ele não..." A voz masculina que gritava enquanto corria subitamente calou quando seu olhar cruzou com o de Hinata.

Quanto tempo havia se passado desde a última vez em que seus olhos cruzaram com os de Inuzuka Kiba? 3, 4 anos? Não fazia ideia! Mas lembrava exatamente da noite em que ele a telefonou dizendo que não poderiam mais se encontrar.

Kiba havia sido o primeiro namorado de Hinata. Alguém cuja existência havia mostrado-lhe a realidade do abismo colossal que existia entre as classes sociais.

"Por que fez isso, otou sama?!" Com lágrimas nos olhos, Hinata entrou gritando no escritório de seu pai.

"Daqui há uns anos, vai me agradecer!" O patriarca do Hyuuga respondeu sem tirar os olhos dos papéis que estava assinando.

"Como pôde julgá-lo desse jeito? Nem ao menos o conhecia..." A filha mais velha tentou argumentar, mas sua voz, embargada pelo choro, foi sufocada pelas lágrimas.

Hyuuga Hiashi suspirou e jogou a caneta tinteira em cima da mesa. Hinata chorava compulsivamente com as mãos sobre os olhos e ele sabia muito bem o motivo.

"Não duvido que fosse um bom rapaz. Só não era bom o suficiente para a herdeira do grupo Hyuuga. Entendo que você seja jovem e queira se divertir, mas precisa entender que não pode se relacionar com qualquer um." Completou laconicamente antes de voltar a seus afazeres.

Quando soube do namoro da filha mais velha, o poderoso Hyuuga Hiashi fez uma investigação completa sobre a vida do rapaz. Descobriu que os dois haviam se conhecido durante uma festa promovida entre suas faculdades. Descobriu, também, que o futuro veterinário era um rapaz de família mediana com planos medianos para um futuro mediano. Toda essa medianidade fez com que o patriarca Hyuuga mexesse rapidamente os pauzinhos para tirar o rapaz do caminho da filha. Passou a pressioná-lo a tal ponto que não houve outra solução: terminaram por telefone mesmo e nunca mais se reencontraram… Até aquele momento.

Ambos estavam imóveis, encarando um ao outro, envoltos em um silêncio misto de vergonha e receio. Kiba estava do mesmo jeito e, ao mesmo tempo, tão diferente. A pele bronzeada, os olhos e cabelos castanhos que faziam leves ondas nas pontas, continuavam iguais. Contudo, havia um ar diferente ao seu redor: estava mais forte e másculo. Os anos deram-lhe maturidade e o tornaram um homem de fato. Akamaru choramingou baixinho e tirou ambos do devaneio compartilhado no qual estavam mergulhados. Kiba movimentou os lábios, como se fosse dizer algo, porém não produziu som algum. Era como se as palavras que foram ensaiadas durante anos, não encontrassem forças para de sair de seus lábios.

"Kiba! Akamaru! Achei vocês!"

Uma jovem alta e loira aproximou-se arfante. Ela parecia ter corrido uma longa distância atrás do rapaz e seu cachorro. Era bem bonita. Estava com os cabelos longos e lisos presos em uma trança. Tinha olhos castanhos e vestia roupas de ginástica que realçavam o corpo atlético e lhe conferiam um ar de modelo de academia.

"Ai! Nos desculpe! Akamaru é grande, mas é muito bonzinho. Não costuma pular em desconhecidos desse jeito..." A moça desculpou-se tentando tirar o cachorro de perto de Hinata, mas Akamaru voltou para perto da morena, cheirando e lambendo seu rosto.

"Sim. Me desculpe..." Kiba finalmente disse fitando os olhos da Hyuuga com tanta intensidade que suas palavras pareciam ir além de um simples incidente com o cachorro.

Havia tanto para dizer, mas nenhum dos dois conseguiria verbalizar algo. Conversaram através do olhar, de forma subliminar, só entendida por quem já passou pelo que ambos passaram. Me desculpe por ter terminado com você daquele jeito. Eu sei que fui covarde, mas não arriscaria envolver minha família em uma situação tão complicada.

"Está tudo bem..." Hinata respondeu afagando as orelhas do enorme cão branco, mas Kiba havia entendido bem o significado daquelas palavras: Está tudo bem. Eu entendo o que você passou naquela época. Não guardo mágoas...

"Uau! É a primeira vez que vejo Akamaru gostar tanto de alguém à primeira vista!" A outra jovem comentou de braços cruzados e uma expressão surpresa. Estava completamente alheia ao que, de fato, acontecia ali.

"Eu também gostei muito de você." Hinata dizia olhando nos olhos do cachorro desproporcionalmente grande. Eu também gostei muito de você, mas agora é um sentimento que ficou no passado. Uma lembrança dos tempos de adolescência...

"Sou Inuzuka Kiba e essa é minha noiva, Nii Yugito." Kiba apresentou-se passando os braços ao redor dos ombros da loira. Essa é minha noiva, Nii Yugito. Foi difícil superar aquela fase, mas agora estou bem!

"Sou Hyuuga Hinata. Vocês formam um casal lindo!" A morena disse levantando-se e entregando Akamaru para Yugito. Vocês formam um casal lindo! Seja muito feliz, Kiba kun...

Os três acenaram e despediram-se. Hinata acompanhou com os olhos o casal e seu animal afastando-se. Viu, também, o Inuzuka olhar para trás e lançar um último olhar em sua direção. A jovem sorriu miúdo e fez uma menção com a cabeça, podendo vê-lo fazer o mesmo.

Depois do caos, tudo caminha para o equilíbrio. Kiba estava bem. Naruto estava bem. Será que depois de tudo, algum dia, ela e Sasuke também ficariam bem?

~x*X* *X*x~

"Tadaima." A herdeira Hyuuga disse ao entrar em casa sem obter nenhuma resposta.

Como as luzes estavam acesas, tinha certeza da presença do Uchiha. Procurou na sala, cozinha até que encontrou Sasuke sentado no sofá da varanda. O mesmo onde haviam trocado o primeiro beijo.

"Faz bastante tempo que não venho aqui… Tantas coisas acontecendo, não tenho mais tempo para ficar apreciando a iluminação da cidade." A Hyuuga disse enquanto apoiava os braços no parapeito da sacada.

"Desista desse casamento." Sasuke disse sem rodeios nem introduções.

"O quê?" Hinata virou-se atônita.

"Desista desse casamento e vamos ficar juntos! Não faz sentido você se casar com aquele cara só por obrigação." O Uchiha disse levantando-se e indo em direção à amante.

"Não é só obrigação. Eu assumi um compromisso. Pessoas dependem de mim! Não posso simplesmente desistir." A jovem respondeu levemente irritada.

"Podemos fugir para alguma cidade do interior durante algum tempo ou mesmo mudar de vez. Tanto faz!"

"Deixe de loucura, Sasuke kun. Qual o sentido disso? Como ficariam as coisas se eu fugisse? Só serviria para deixar tudo pior e..."

"Eu te amo, Hinata." Sasuke a interrompeu.

Durante alguns segundos Hinata ficou sem fala. Não sabia o que responder. Olhou Sasuke no fundo dos olhos e ele parecia completamente diferente. Honesto e sem nenhum tipo de disfarçe ao redor de seu coração. A Hyuuga saiu da varanda e caminhou em direção à sala do apartamento sendo seguida pelo moreno.

"Você não tem nada a me dizer?" O Uchiha perguntou frustrado.

O silêncio da Hyuuga não era exatamente o que Sasuke esperava. Por que ela não respondia que sentia o mesmo e corria para seus braços? Ao invés disso, Hinata questionou:

"O que nós dois sabemos sobre amor, Sasuke kun? Uma garota rejeitada e um cara que não ama ninguém."

"Não é verdade e você já sabe disso há algum tempo. Eu te amo! Preciso de você ao meu lado para ser uma pessoa melhor e completa. Não posso simplesmente deixar você ir..."

"Não é simples assim! Já está decidido e eu não posso voltar atrás. A cerimônia será em 3 meses e... eu serei fiel ao meu marido." Sasuke segurou o rosto da garota entre as mãos e disse olhando em seus olhos:

"Não lute contra! É a mim que você ama..."

Isso era verdade? Não era para ser, mas um sentimento estranho dentro da jovem a dizia que o Uchiha estava certo.

De alguma forma, Hinata entendeu que esse era o ponto de virada de sua história. O que quer que dissesse a Sasuke nesse momento, determinaria o curso de tudo... Respirou fundo. Lembrou das palavras de Sakura mais cedo. Precisava ser forte! Devia tirar o Uchiha de sua vida e, depois de tudo o que ouviu, precisaria ser firme para não vacilar.

Afastou as mãos do Uchiha de si e disse evitando seus olhos:

"Não confunda as coisas. O máximo que somos é dois viciados em sexo que usam um ao outro como válvula de escape para nossas frustrações. Vamos dormir e fingir que essa conversa não aconteceu, está bem?"

Uma dor lancinante cortou o peito de Sasuke. Com uma expressão perplexa e a nítida sensação de ter levado um soco na boca do estômago, Sasuke viu a única pessoa que amou dar-lhe as costas e afastar-se dele, seguindo em direção a seu quarto.


Vocabulário:
"Eu me rendo! Estou em suas mãos, garota.
Por favor, seja gentil. Este é um sentimento que eu nunca conheci."

I surrender – Rainbow

Ohayou gozaimasu - Bom dia
Sou ka - expressão equivalente a "é mesmo?"
Irasshaimase - expressão dita nos comércios, significa seja bem vindo!